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- O maior ensinamento de Dom Lefebvre
De tudo o que Dom Lefebvre nos ensinou, um ponto, parece-me, domina todos os outros. Esse ponto não é outro senão o de ouvir os Papas. Com efeito, se tivessem sido ouvidos, nem os Estados católicos teriam sido destruídos, nem a Igreja teria sido invadida por seus inimigos que hoje a ocupam. Deus estabeleceu a Igreja para nos comunicar o seu ensinamento. Ouvir a Igreja é ouvir o próprio Deus. Mas como discernir a voz da Igreja? O combate de Dom Lefebvre respondeu suficientemente a essa questão. Basta recorrer a ele. O Pe. Calderón também estudou bem a questão. A voz da Igreja está na Tradição. Mas voltemos mais diretamente aos Papas. Eles são o verdadeiro Magistério. Os Papas condenaram todos os erros de hoje. Não somente os condenaram, mas também denunciaram os homens e as instituições que os conceberam e os difundiram. Se não quisermos ser submersos por esta crise, ouçamos Dom Lefebvre, eco fiel dos Papas, e os Papas, ecos fiéis da Verdade que é o próprio Deus. São Bento começa sua Regra com a palavra: « Escuta » dirigida a seus discípulos. A Igreja, mais ainda, nos clama: « Escuta, meu filho, os preceitos de tua Mãe e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente os conselhos de tua Mãe, a fim de retornar, pela obediência, à Tradição da qual te afastaste pela negligência da desobediência. » Eis o que Dom Lefebvre nos ensinou. Ouçamo-lo. Ouçamos os Papas de antes do Concílio Vaticano II e alcançaremos o cume da doutrina e da santidade. + Tomás de Aquino O.S.B.
- O Mosteiro precisa de vossa ajuda — The Holy Cross Monastery needs your help — Le Monastère Santa Cruz a besoin de votre aide
+ PAX ↓ ENGLISH , FRANÇAIS , DEUTSCH , ESPAÑOL ↓ Caros amigos, O Mosteiro precisa de vossa ajuda. Estamos empreendendo reformas na estrutura interna do Mosteiro e na área destinada aos fiéis, enquanto ainda não podemos construir a nova igreja, e devemos gastar em torno de 50 mil reais (cerca de 10 mil dólares) com isso. O carro que era usado para as missões também se estragou, sem possibilidade de reparo, devido a um acidente; por isso, precisaremos comprar outro, mesmo que usado, para suprir a falta do anterior. Isso nos trará um gasto de mais 50 mil reais (o equivalente a aproximadamente 10 mil dólares). Nossas irmãs também precisam de ajuda — ou melhor, nós precisamos de ajuda para mantê-las, pois elas ainda não têm meios próprios de subsistência. Com a alta inflação no Brasil, os gastos mensais do Mosteiro elevaram-se a cerca de 75 mil reais (cerca de 15 mil dólares), quando não há despesas extraordinárias. Por isso, os monges estendem a mão mais uma vez para pedir o auxílio de vossa generosidade, que nunca deixou de suprir as necessidades do Mosteiro. Que Nosso Senhor e Nossa Senhora vos recompensem. O Mosteiro da Santa Cruz vos assegura de suas orações cotidianas por seus amigos e benfeitores. Doação - Mosteiro da Santa Cruz ou PIX : 30.177.471/0001-30 English Dear friends, The Monastery needs your help. We are carrying out renovations in the internal structure of the Monastery and in the area destined for the faithful, while we still cannot build the new church, and we must spend around 50,000 reais (about 10,000 dollars) on this. The car that was used for missions also broke down, without the possibility of repair, due to an accident; therefore, we will need to buy another one, even if used, to replace the former. This will bring us another expense of 50,000 reais (approximately 10,000 dollars). Our Sisters also need help — or rather, we need help to support them, since they still do not have the means to sustain themselves. With the high inflation in Brazil, the monthly expenses of the Monastery have risen to about 75,000 reais (around 15,000 dollars), when there are no extraordinary expenses. Therefore, the monks extend their hand once again to ask for the assistance of your generosity, which has never failed to provide for the needs of the Monastery. May Our Lord and Our Lady reward you. The Monastery of the Holy Cross assures you of its daily prayers for its friends and benefactors. Donation - Monastery of the Holy Cross Français Chers amis, Le Monastère a besoin de votre aide. Nous entreprenons des travaux dans la structure interne du Monastère et dans l’espace destiné aux fidèles, alors que nous ne pouvons pas encore construire la nouvelle église, et nous devons dépenser environ 50 000 reais (environ 10 000 dollars) à cette fin. La voiture qui servait aux missions est également tombée en panne, sans possibilité de réparation, à cause d’un accident ; nous devrons donc en acheter une autre, même d’occasion, pour remplacer l’ancienne. Cela représentera une autre dépense de 50 000 reais (soit environ 10 000 dollars). Nos Sœurs ont également besoin d’aide — ou plutôt, nous avons besoin d’aide pour les soutenir, car elles n’ont pas encore les moyens de subvenir elles-mêmes à leurs besoins. Avec la forte inflation au Brésil, les dépenses mensuelles du Monastère se sont élevées à environ 75 000 reais (soit 15 000 dollars), lorsqu’il n’y a pas de dépenses extraordinaires. C’est pourquoi les moines tendent une fois de plus la main pour solliciter l’aide de votre générosité, qui n’a jamais manqué de subvenir aux besoins du Monastère. Que Notre-Seigneur et Notre-Dame vous récompensent. Le Monastère de la Sainte-Croix vous assure de ses prières quotidiennes pour ses amis et bienfaiteurs. Don - Monastère Santa Cruz Deutsch Liebe Freunde, Das Kloster braucht eure Hilfe. Wir führen Renovierungsarbeiten an der inneren Struktur des Klosters und im Bereich für die Gläubigen durch, während wir die neue Kirche noch nicht bauen können, und müssen dafür etwa 50.000 Reais (rund 10.000 Dollar) ausgeben. Das Auto, das für die Missionen genutzt wurde, ist ebenfalls aufgrund eines Unfalls irreparabel beschädigt worden; daher müssen wir ein anderes, wenn auch gebrauchtes, anschaffen, um das alte zu ersetzen. Dies bringt uns zusätzliche Kosten von weiteren 50.000 Reais (ungefähr 10.000 Dollar). Auch unsere Schwestern brauchen Hilfe — besser gesagt, wir brauchen Hilfe, um sie zu unterstützen, da sie noch nicht über eigene Mittel zum Unterhalt verfügen. Mit der hohen Inflation in Brasilien sind die monatlichen Ausgaben des Klosters auf etwa 75.000 Reais (etwa 15.000 Dollar) gestiegen, sofern keine außergewöhnlichen Kosten anfallen. Darum strecken die Mönche erneut die Hand aus, um die Hilfe eurer Großzügigkeit zu erbitten, die den Bedürfnissen des Klosters nie gefehlt hat. Möge Unser Herr und Unsere Liebe Frau euch reichlich belohnen. Das Kloster vom Heiligen Kreuz versichert euch seiner täglichen Gebete für seine Freunde und Wohltäter. Spende – Kloster Santa Cruz Español Queridos amigos, El Monasterio necesita de vuestra ayuda. Estamos realizando reformas en la estructura interna del Monasterio y en el área destinada a los fieles, mientras aún no podemos construir la nueva iglesia, y debemos gastar alrededor de 50.000 reales (unos 10.000 dólares) en ello. El coche que se usaba para las misiones también se averió, sin posibilidad de reparación, debido a un accidente; por eso necesitaremos comprar otro, aunque sea usado, para reemplazar el anterior. Esto nos traerá un gasto adicional de otros 50.000 reales (aproximadamente 10.000 dólares). Nuestras Hermanas también necesitan ayuda — o mejor dicho, necesitamos ayuda para sostenerlas, pues aún no tienen medios propios para mantenerse. Con la alta inflación en Brasil, los gastos mensuales del Monasterio se han elevado a unos 75.000 reales (unos 15.000 dólares), cuando no hay gastos extraordinarios. Por eso, los monjes tienden la mano una vez más para pedir la ayuda de vuestra generosidad, que nunca ha dejado de proveer a las necesidades del Monasterio. Que Nuestro Señor y Nuestra Señora os recompensen. El Monasterio de la Santa Cruz os asegura sus oraciones cotidianas por sus amigos y benefactores. Donación - Monasterio de Santa Cruz
- Quando um poeta nasce
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 18 de abril de 1970 Eu que trago em mim mesmo sequestrado o poeta menos do que menor que não sou e não fui porque o não deixei nascer, ou ainda o trago em mim mesmo natimorto — não posso ver um poeta nascer sem pular como os reis magos quando reencontraram a estrela perdida. (Videntes lutem stellam, gavisi sunt gaudio magno valde, diz meu velho missal onde vinte séculos são derrotados pela pressão assassina de vinte dias de um hoje feroz). Deixemos o missal e a querela entre a eternidade e o tempo, e entreguemo-nos de corpo inteiro, ou de corpo e alma se preferes, ao espetáculo sem igual do poeta que nasce numa espuma de mar imensamente escuro. Nasceu. Brilhou. E eu que por dever de estado pus avental na nobre pequena poesia que em mim mesmo trago desde o útero sombrio, desde o encontro aleatório e lotérico dos gametas; eu que a fiz serva, ancila theologiae , e até ancila da eletrônica que ensinei... Sim, porque pelas frestas e brechas e fissuras das aulas e das conferências austeras, a prisioneira fugia, dava três giros no ar, fazia sorrir os alunos, e depois, submissa, serva, ancila de tudo e de todos, voltava a aprisionar-se dentro do pobre sábio que escondia sua autêntica e virginal loucura. E eu que sou sóbrio por dever de estado, que devo ser didático a mais não poder, ainda que a poesia prisioneira me estale as costuras do coração, não posso ver um poeta, um vero poeta nascer, sem pular e gritar, sem chorar e sem rir da mais pura alegria composta com a mais pura das dores. Ora, então não sabias que a poesia dói? Dói. Dói porque não é tudo o que é e que poderia ser. Dói porque nos acorda para uma nostalgia infinita. Dói. Dói. Dói. E quanto mais bela, mais dói, porque chega perto do essencial, do absoluto e não consegue condensar em poucas palavras mendigas a infinita ambição do poeta. E então, dói. E então dá vontade de chorar e de rir. Eu que trago o delírio condicionado, que tenho o louco preso a sete chaves, dos 7 deveres de estado; eu que estou comprometido, com um noivado no céu, que fiz votos de comer cinza e prender minha música interna, ou que nasci pequeno demais, ou que um dia com arroubo dos cromossomos de meu avô espanhol incendiei minha esquadra de sonhos impossíveis, eu que cheguei a ultrapassar a idade do século e me deixei engessar em cargos oficiais e envelheci sem permitir que o louco desvairasse e que o lírico cantasse como pudesse cantar, pelo gosto absoluto do puro cantar, não posso ver um poeta nascer sem gritar de alegria e de dor, sem chorar e rir de gratidão. Cante e brilhe coração [alheio tudo o que pode o [nosso cantar. O que é um poeta? É uma boca com hálito de infinito, que se abre para dizer o que não dizem as vozes prisioneiras. Fala, fala boca generosa! Nós outros (multidão) agradecemos a Deus o poeta que nasce. Agora, em língua mais sóbria, quero comunicar ao leitor que, para mim, nasceu hoje o poeta Álvaro Pacheco que lembra ou cheira a Fernando Pessoa, Cassiano Ricardo e Jorge de Lima, sem deixar de ser o puro ele-mesmo. Recebi A Força Humana , que não é o primeiro livro do poeta. Já publicou outros que procurarei. Tenho a impressão primeira, instantânea de estar vendo um poeta nascer (para mim). E não ignoro os riscos terríveis que corro com estas linhas de Apologia. A poesia é a mais barata das artes; amanhã ou depois meu pobre e limitado escritório não terá lugar para uma cadeira, porque eu cometi a imperdoável imprudência de aplaudir um poeta, um vero poeta que canta o antigo e o moderno, o efêmero e o eterno na mesma nossa língua em que cantou Camões. Pelo amor de Deus! Eu não sou crítico; não sou sequer homem de letras. Sou apenas um professor que ainda não se cansou de ensinar o que pode ensinar. Pelo amor de Deus, poetas novos, poetas ameaçadores, poetas novíssimos, poetas avançados, inovadores, revolucionários, poetas nunca vistos, deixem-me em paz que não sou crítico, nem sou propulsor de gênios, lançador de prodígios, ou descobridor de joias. Deixem-me escrever de vinte em vinte anos, ou de mil em mil, sobre um poeta que nasce. Hoje anuncio Álvaro Pacheco. O próximo tem hora marcada para 1990.
- As fronteiras da Igreja
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 12 de março de 1970 Para nós a Igreja é, sempre foi e sempre será a sociedade sobrenatural, visível, hierárquica, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo para nossa salvação. A essa definição clara demais, se assim podemos dizer, a tradição católica sempre acrescentou nomes metafóricos que, embora menos precisos, têm a vantagem poética de acrescentar àquela outra uma dimensão e uma ressonância de mistério, sem a qual não poderemos ter uma ciência aproximada sequer dessa obra capital de Cristo. A constituição Lumen Gentium do Concilio Vaticano II, no seu primeiro capítulo, nos dá os vários e numerosos nomes metafóricos da Igreja, e deixa claro, com os melhores eclesiólogos, que o nome Corpo Místico de Cristo é um dos que melhor convém à Igreja. Trata-se de uma entidade sobrenatural configurada pelo Verbo Encarnado. Sua alma iniciada é o próprio Espírito Santo, sua alma criada ou seu sangue é a Caridade, e seu corpo somos nós, membros da Igreja, e são as instituições que nos agrupam hierarquicamente em funções diferentes segundo a clássica imagem deixada pelo Apóstolo Paulo. O segundo capítulo da Lumen Gentium dedica-se ao corpo da Igreja, e originalmente era "Dos membros em geral", tendo sido posteriormente substituída por Povo de Deus . O termo é belo, tem excelente fundamento nas Sagradas Escrituras, mas foi imediatamente desvirtuado e aproveitado pelos "progressistas" que passaram a inculcar a falsa sinédoque, pela qual esse termo seria sinônimo de Igreja, e não de Membros ou Corpo da Igreja. O furor democratizante apoderou-se da oportunidade trazida pelo termo eletrizado com a palavra "povo". Os dominicanos da decadência, ou do apodrecimento da venerável Ordem dos Pregadores, se puseram em campo para espalhar no mundo a nova Igreja sem fronteiras. Para ser mais exato, devo lembrar que foi o jesuíta De Lubac, também animador do teilhardismo, um dos autores que lançou com grande talento a ideia de salvação geral, e portanto a ideia de Igreja sem fronteiras. Mais recentemente, na França, foi o prestigiado teólogo Yves Congar quem levantou essa bandeira: e aqui no Brasil foi o dominicano Bernardo Catão, provincial, o mesmo que abriu as portas das casas dominicanas aos rapazes da associação comunista A.P. e que nessa mesma ocasião deixou a ordem, deixou a Igreja e mudou de estado civil. Como para ele a Igreja não tem fronteiras, ele foi andando, andando, sem perceber talvez que saía da Igreja, ou talvez convencido do contrário, já que a Igreja não tem fronteiras. Entre os nomes clássicos dados à Igreja temos três em que o primado da forma é bem acentuado: Corpo místico, Casa de Deus, Jardim Fechado. E se a Igreja não tem forma , não tem princípio determinador, e se seus membros não carecem de norma de inclusão, então a Igreja, metafisicamente, será um puro múltiplo, ou não será, porque até hoje ninguém conseguiu acrescentar às propriedades transcendentais do ser o "múltiplo". Mas essas normas, ou essas fronteiras, como tão bem nos ensina mais de uma vez o grande Cardeal Charles Journet, não estão aqui e ali no espaço: as fronteiras da Igreja passam por nossos corações. Nossa vida, nossos atos são divididos, e ora nos norteamos pela vontade de Deus e ora nos norteamos pela vontade própria. De muitos modos gradativos pertencemos à Igreja como membros mais ou menos perfeitos e mais ou menos permanentes, mas os próprios membros permanentes e razoavelmente orientados, enquanto não chegam à santidade perfeita, não são membros da Igreja segundo tudo o que pensam, fazem e amam. O que puder dizer, como Paulo, "não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim", esse é o membro perfeito da Igreja peregrina. Nós outros, imperfeitos, imperfeitíssimos, pertencemos à Igreja, pelo desejo geral de fidelidade, mas fugimos de nossa mãe pelos atos em que a vontade própria se sobrepõe à vontade de Deus. Já não se pode dizer o mesmo daqueles que se norteiam pela ideia de construir uma Nova Igreja, ou um Novo Cristianismo como explicitamente desejou Teilhard de Chardin, e como dizem todos os dias os progressistas cansados da velha madre caduca que enviou seus melhores filhos ao Céu, isto é, à Visão de Deus três vezes santo, em vez de enviá-los à Lua. Desses podemos dizer que são membros “egredientes”, membros que se afastam, que deixam a Igreja e que veem nisto um progresso. * * * Apliquemos agora às múltiplas instituições que formam o Corpo da Igreja a mesma ideia de fronteira — ou de mania de inclusão. Por mais oficial e elevada que seja a nomeação dos numerosos grupos, comissão e subcomissões que hoje mais do que nunca pululam na Igreja, subsiste o decisivo critério: só estarão efetivamente enxertadas no tronco da vida, e só terão a seiva santa nos seus galhos, na medida de sua fidelidade à doutrina da salvação. E como vivemos dentro de um terremoto espiritual, não é de estranhar que muitas dessas instituições em vez de integrarem o Corpo Místico de Cristo se esforçam por desintegrá-lo. A Comissão France-Amerique Latine, presidida em França por um Bispo, creio que de Orleães, é um exemplo: esse órgão que tem enviado ao Brasil os padres comunistas ou marxistas, ou simplesmente progressistas, como os de Belo Horizonte, e como o belga Comblin, inspirador do Documento do Encontro de Medelín, que foi outro exemplo de fenômeno mais secular do que católico. Outro exemplo são as conferências episcopais, que vêm destruindo a instituição de direito divino, o Episcopado, em favor de uma Máquina onde dificilmente se pode imaginar que corra o Sangue preciosíssimo de nossa salvação. Outro exemplo de instituição comicamente exterior à Igreja por todos os sinais visíveis é a Comissão de Justiça e Paz de que voltaremos a falar em próximo artigo. Agora, para arrematar o de hoje, lembro que a carta do Bispo D. José Carlos Isnard, OSB, tinha, como argumento principal, a perfeição, a catolicidade e a santidade das instituições de onde procederam os disparates formulados sobre a essência da Missa, e por nós criticado. Bem quereríamos que o Bispo tivesse toda razão e que aquelas instituições tivessem virilmente enxotado os maus elementos, e não é para outro resultado que batalhamos. Infelizmente salta aos olhos que aquelas instituições são manobradas pelos inimigos da Igreja, e que o Bispo Isnard, na melhor das hipóteses, está dormindo como lá dizia o profeta na passagem que citei na semana passada. P.S. 1) Sobre o problema de "quem é membro da Igreja?" recomendo a leitura de L'Église du Verbe Incarné , de Charles Journet, no vol. II, página 872 a 1216. A constituição Lumen Gentium tocou de leve no assunto, mas no tão explorado cap. II deixou o suficiente para esmagar a falsa doutrina da Igreja sem fronteiras. No tópico (9) lemos esta nota essencial do povo messiânico: "Tem por condição a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, em cujos corações habita o Espírito Santo como em um templo." 2) Tendo citado de Lubac em seus passos infelizes, é de justiça acrescentar que hoje ele chora e se lamenta com os desatinos que vê. Mas ainda não li nenhuma retratação sobre o que disse para impulsionar a promoção de Teilhard de Chardin.
- Ordenação Diaconal do Ir. Geraldo Maria, O.S.B.
+ PAX Disponibilizamos uma seleção de imagens da cerimônia de ordenação diaconal do Ir. Geraldo Maria, O.S.B. ocorrida no último dia 10/08/2025, presidida por S.E.R. Dom Tomás de Aquino. U.I.O.G.D.
- O Mosteiro precisa de vossa ajuda — The Holy Cross Monastery needs your help — Le Monastère Santa Cruz a besoin de votre aide
+ PAX ↓ ENGLISH , FRANÇAIS , DEUTSCH , ESPAÑOL ↓ Caros amigos, O Mosteiro precisa de vossa ajuda. Estamos empreendendo reformas na estrutura interna do Mosteiro e na área destinada aos fiéis, enquanto ainda não podemos construir a nova igreja, e devemos gastar em torno de 50 mil reais (cerca de 10 mil dólares) com isso. O carro que era usado para as missões também se estragou, sem possibilidade de reparo, devido a um acidente; por isso, precisaremos comprar outro, mesmo que usado, para suprir a falta do anterior. Isso nos trará um gasto de mais 50 mil reais (o equivalente a aproximadamente 10 mil dólares). Nossas irmãs também precisam de ajuda — ou melhor, nós precisamos de ajuda para mantê-las, pois elas ainda não têm meios próprios de subsistência. Com a alta inflação no Brasil, os gastos mensais do Mosteiro elevaram-se a cerca de 75 mil reais (cerca de 15 mil dólares), quando não há despesas extraordinárias. Por isso, os monges estendem a mão mais uma vez para pedir o auxílio de vossa generosidade, que nunca deixou de suprir as necessidades do Mosteiro. Que Nosso Senhor e Nossa Senhora vos recompensem. O Mosteiro da Santa Cruz vos assegura de suas orações cotidianas por seus amigos e benfeitores. Doação - Mosteiro da Santa Cruz ou PIX : 30.177.471/0001-30 English Dear friends, The Monastery needs your help. We are carrying out renovations in the internal structure of the Monastery and in the area destined for the faithful, while we still cannot build the new church, and we must spend around 50,000 reais (about 10,000 dollars) on this. The car that was used for missions also broke down, without the possibility of repair, due to an accident; therefore, we will need to buy another one, even if used, to replace the former. This will bring us another expense of 50,000 reais (approximately 10,000 dollars). Our Sisters also need help — or rather, we need help to support them, since they still do not have the means to sustain themselves. With the high inflation in Brazil, the monthly expenses of the Monastery have risen to about 75,000 reais (around 15,000 dollars), when there are no extraordinary expenses. Therefore, the monks extend their hand once again to ask for the assistance of your generosity, which has never failed to provide for the needs of the Monastery. May Our Lord and Our Lady reward you. The Monastery of the Holy Cross assures you of its daily prayers for its friends and benefactors. Donation - Monastery of the Holy Cross Français Chers amis, Le Monastère a besoin de votre aide. Nous entreprenons des travaux dans la structure interne du Monastère et dans l’espace destiné aux fidèles, alors que nous ne pouvons pas encore construire la nouvelle église, et nous devons dépenser environ 50 000 reais (environ 10 000 dollars) à cette fin. La voiture qui servait aux missions est également tombée en panne, sans possibilité de réparation, à cause d’un accident ; nous devrons donc en acheter une autre, même d’occasion, pour remplacer l’ancienne. Cela représentera une autre dépense de 50 000 reais (soit environ 10 000 dollars). Nos Sœurs ont également besoin d’aide — ou plutôt, nous avons besoin d’aide pour les soutenir, car elles n’ont pas encore les moyens de subvenir elles-mêmes à leurs besoins. Avec la forte inflation au Brésil, les dépenses mensuelles du Monastère se sont élevées à environ 75 000 reais (soit 15 000 dollars), lorsqu’il n’y a pas de dépenses extraordinaires. C’est pourquoi les moines tendent une fois de plus la main pour solliciter l’aide de votre générosité, qui n’a jamais manqué de subvenir aux besoins du Monastère. Que Notre-Seigneur et Notre-Dame vous récompensent. Le Monastère de la Sainte-Croix vous assure de ses prières quotidiennes pour ses amis et bienfaiteurs. Don - Monastère Santa Cruz Deutsch Liebe Freunde, Das Kloster braucht eure Hilfe. Wir führen Renovierungsarbeiten an der inneren Struktur des Klosters und im Bereich für die Gläubigen durch, während wir die neue Kirche noch nicht bauen können, und müssen dafür etwa 50.000 Reais (rund 10.000 Dollar) ausgeben. Das Auto, das für die Missionen genutzt wurde, ist ebenfalls aufgrund eines Unfalls irreparabel beschädigt worden; daher müssen wir ein anderes, wenn auch gebrauchtes, anschaffen, um das alte zu ersetzen. Dies bringt uns zusätzliche Kosten von weiteren 50.000 Reais (ungefähr 10.000 Dollar). Auch unsere Schwestern brauchen Hilfe — besser gesagt, wir brauchen Hilfe, um sie zu unterstützen, da sie noch nicht über eigene Mittel zum Unterhalt verfügen. Mit der hohen Inflation in Brasilien sind die monatlichen Ausgaben des Klosters auf etwa 75.000 Reais (etwa 15.000 Dollar) gestiegen, sofern keine außergewöhnlichen Kosten anfallen. Darum strecken die Mönche erneut die Hand aus, um die Hilfe eurer Großzügigkeit zu erbitten, die den Bedürfnissen des Klosters nie gefehlt hat. Möge Unser Herr und Unsere Liebe Frau euch reichlich belohnen. Das Kloster vom Heiligen Kreuz versichert euch seiner täglichen Gebete für seine Freunde und Wohltäter. Spende – Kloster Santa Cruz Español Queridos amigos, El Monasterio necesita de vuestra ayuda. Estamos realizando reformas en la estructura interna del Monasterio y en el área destinada a los fieles, mientras aún no podemos construir la nueva iglesia, y debemos gastar alrededor de 50.000 reales (unos 10.000 dólares) en ello. El coche que se usaba para las misiones también se averió, sin posibilidad de reparación, debido a un accidente; por eso necesitaremos comprar otro, aunque sea usado, para reemplazar el anterior. Esto nos traerá un gasto adicional de otros 50.000 reales (aproximadamente 10.000 dólares). Nuestras Hermanas también necesitan ayuda — o mejor dicho, necesitamos ayuda para sostenerlas, pues aún no tienen medios propios para mantenerse. Con la alta inflación en Brasil, los gastos mensuales del Monasterio se han elevado a unos 75.000 reales (unos 15.000 dólares), cuando no hay gastos extraordinarios. Por eso, los monjes tienden la mano una vez más para pedir la ayuda de vuestra generosidad, que nunca ha dejado de proveer a las necesidades del Monasterio. Que Nuestro Señor y Nuestra Señora os recompensen. El Monasterio de la Santa Cruz os asegura sus oraciones cotidianas por sus amigos y benefactores. Donación - Monasterio de Santa Cruz
- A tradução da “nova missa”
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 10 de janeiro de 1970 Vale a pena insistirmos neste assunto para o qual fomos alertados pelo Pe. Luiz, Gonzaga da Silveira d'Elboux ( A Cruz , 9.1.69) e pelo professor Gladstone Chaves de Melo em dois artigos com o título acima publicados em O GLOBO (2/01/70 e 3/1/70). A certa altura de seu primeiro artigo, diz assim o professor Gladstone Chaves de Melo: "O texto do Novus Ordo veio em latim e foi entregue a uma comissão para traduzir de ponta a ponta, sem que sobrasse uma palavra da língua oficial da Igreja. E a tradução acabou sendo, em muitos passos, inovação, composição, liturgia própria. Orçam por cento e cinquenta as infidelidades, entre grandes e pequenas." A seguir o professor Gladstone assinala um aspecto contraditório da pretendida democratização da Igreja. Na verdade nunca foi o povo de Deus tratado de modo tão baculino . Citando Gilson, diz que o rebanho nunca foi tão rebanho. Sim, neste episódio da tradução apressada, feita sem zelo, sem cuidado, sem respeito, como em tantos outros da moderníssima pastoral, o leigo é tratado corno se fosse uma criança de quatro anos, ou simplesmente uma besta. E neste caso os padres também são reduzidos a um QI da primeira infância, já que, tendo à mão o texto latino, e por mais esquecidos que estejam da grande e viva língua da Igreja, são obrigados, humilhantemente obrigados, a pronunciar com a maior seriedade do mundo frases sem sentido ou sem fidelidade ao texto da Igreja. *** Não retomarei aqui os exemplos citados pelo professor Gladstone Chaves de Melo, que completou o trabalho do Pe. d'Elboux e que se dirigiu aos bons pastores na esperança de obter deles um remédio para a indignidade que se cometeu com o texto do tão anunciado Novus Ordo . Qualquer pessoa de mediano bom senso sempre imaginou que um novo rito e novos textos para a santa missa só seriam estudados e organizados pela Igreja em vista de uma nova perfeição, que a Igreja sempre procura. A pessoa sensata, a pérola que estamos imaginando, o homem que Diógenes procurou jamais acreditaria que a Igreja se abalançasse a tal mudança pelo simples gosto da mudança. Ora, tudo se passa como se tal absurdo tenha sido o principal critério. Sim, nós outros, povo de Deus, povinho do Cristo Rei, temos a penosíssima impressão de que um vento de insânia vem das mais altas esferas e produz devastações em todo o mundo católico. E perguntamos: Que necessidade é essa de mudar sem uma razoável garantia de não fazer a emenda pior que o soneto? Por que essa pressa de mudar e de atirar mais esta lata de gasolina na fogueira? E por que a pressa de traduzir e de aplicar? Dir-se-á que o defeito se localiza aqui e ali e não nas altas esferas da Igreja. Mas meu Deus, se eu pequenino, a custa de dar atenção aos balidos de meus pequeninos irmãos de redil e de abrir os olhos ao que tão mal se disfarça, sei que aqui e ali no mundo inteiro os senhores bispos andam desatentos, descuidados, ou atentos e cuidadosos com o que não é de sua conta; se eu sei que todas as dioceses do mundo estão enfermas de reformismo, e portanto incapazes de levar a cabo reformas sérias, como se explica que Roma não saiba? Como se explica que assim se alimente a loucura dos loucos? São Paulo fala de cócegas nos ouvidos quando se refere àqueles que entediados da sã e vera doutrina procuram novidades. Há no mundo católico de hoje uma universal coceira. O prurido das orelhas, de São Paulo, aplica-se às fantasias doutrinais. Outros serão os pruridos, outras as partes do corpo afetadas, se quisermos aplicar a ideia à dança de São Guido, ao frenesi sinistro que se apodera dos homens de Igreja. * * * No caso vertente, soma-se uma penosíssima impressão a todas as outras. Tudo parece conspirar — desde o preâmbulo desastroso que atravessou todos os crivos de Roma, a despeito dos gritos de dor do Cardeal Ottaviani — para extirpar dos fiéis a última noção do que seja a Santa Missa. Com a estúpida introdução que define a missa como "assembleia dos fiéis"..., até a introdução de mais um pequenino vetor horizontalizante (a recíproca e divertida saudação mútua), a celebração da Santa Missa se afasta abismalmente daquele modelo essencial em que Deus quis marcar de um modo inesquecível a sua terrível solidão no momento máximo de nossa salvação.
- O novo Ordo Missae
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em janeiro de 1970 Já foi comentada pelo padre D'Elboux S.J., e pelo professor Gladstone Chaves de Melo, a infeliz tradução portuguesa do chamado novo rito da missa. O próximo número da revista Permanência registrará na íntegra os dois trabalhos. Mas agora direi que o famoso novo "ordo missae" trouxe consigo coisa mais grave e mais dolorosa do que a má tradução que é, digamos assim, a contribuição indígena que trouxemos nós à depredação geral, à dilapidação universal que se desencadeou contra a Igreja de Cristo. Sim, pior do que a tradução desrespeitosa e degradante, é a nova definição de missa que veio enxertada na Instituto generalis a modo de introdução. E essa verruga, essa excrescência do rito é muito pior do que a má tradução, primeiro porque não é apenas um fruto do progressismo cafajeste dos trópicos; veio de Roma, provando assim que a "marcha sobre Roma" já chega ao seu termo: o cerco do Vaticano pelos inimigos da Igreja: Em segundo lugar, a malignidade da nova "definição" da missa excede todas as irreverências e desrespeitos, porque nela o que é diretamente marginalizado e menosprezado, em favor de um triunfante naturalismo democrático, é o próprio Sangue de nosso Salvador. Eis aqui a sacrílega, herética, e infinita/isente tola definição: "A Ceia do Senhor, também chamada Missa, é a santa assembleia ou Congregação do povo de Deus que se reúne sob a presidência do sacerdote a fim de celebrar o memorial do Senhor. E por isso, a essa reunião local da Igreja se aplica eminentemente a promessa do Cristo: "Aonde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei eu entre eles." (Mat. XVIII, 20). Ora, não é essa a definição que aprendemos no regaço da Igreja. Não é na assembleia dos fiéis que reside o cerne, a essência, a causa formal da missa, como brutalmente nos querem inculcar os que cercam o Vaticano. A missa é, sempre foi e sempre será o sacrifício incruento, um mesmo e único sacrifício como o da Cruz. É a mesma a vítima e o mesmo o sacrificador, embora aqui, na missa, apresentados sob o véu, do mistério sacramental. " Una aedemque est hostia, idem nunc offerens sacerdotum ministerio, qui seispsum tunc in cruce obtulit, sola ratio ne offerencli diversa ", diz o Santo Concílio de Trento (sess. XXII, C. 2). A Missa é pois o sacrifício do corpo e do sangue de Nossa Senhor Jesus Cristo, oferecido nos altares para representar e perpetuar o sacrifício da cruz; e para nos oferecer os méritos do sacrifício de Cristo. Assim quando nós vamos à Missa não vamos para constituí-la, para fazê-la o que ela é por nossa reunião. Vamos à Missa para usar a oportunidade maravilhosa e misteriosa que Deus nos oferece de estarmos misticamente, mas realmente, ao pé da cruz, naquele dia e naquela hora da Salvação. E assim, qualquer católico alfabetizado, e ainda não imbecilizado pela onda de novidades, compreenderá que definir a missa pela assembleia dos fiéis é sacrílego, herético e estúpida. Dir-se-ia que somos nós, assembleia dos fiéis, que fazemos ao Cristo o favor de rememorar seus feitos, e não que é o Cristo que nos faz o infinito e incompreensível favor de nos oferecer uma oportunidade de colhermos os frutos da árvore da salvação, e uma possibilidade de participarmos de sua obra. Não é condizente com o que sabemos da Missa o texto evangélico, Mt. XXVIII, tomado como fundamento da nova definição da Missa. Essa passagem não se aplica, evidentemente, à presença eucarística de Jesus, e à reunião em torno do altar. Fosse assim, estávamos todos dispensados de ir à missa já que o sacrifício nada lhe acrescenta: bastava ficarmos dois ou três em casa, pensando em Jesus. Os textos esquecidos na "definição" nova são aqueles que todo o mundo conhece (Mat. XXVI, Mar. XIV, Luc. XXII), onde Nosso Senhor nos diz: "Tomai e comei ... isto é o meu corpo ... isto é o meu sangue ... fazei isto em memória de mim." * * * Qual é a ideia subjacente à "nova definição" que amanhã ou depois, para perda de muitos e para ruína da fé católica, será oficialmente ensinada? A "ideia" é a do naturalismo que pretende horizontalizar a fé; é a do "humanismo" que pretende se sobrepor à transcendência de uma religião revelada e intoleravelmente sobrenatural. A Igreja de Cristo está sendo rifada, e os bilhetes que os novos judas distribuem trazem o mesmo título das rifas de bicicletas e de vitrolas: ação entre amigos. Os seguidores do novo e mais orgulhoso modernismo pretendem que os homens possam realizar diretamente, de um para outro, horizontalmente, o vínculo da amizade perfeita. Nós outros, católicos, sabemos que só pode haver amizade perfeita, amizade de caridade, entre dois de nós se ela se firma no tronco da videira. É em Cristo que somos irmãos, que vivemos o verdadeiro amor do próximo, e sem Ele vã é a amizade e vazia a caridade. Os galhos da videira não se prendem uns aos outros: é no tronco que se irmanam que têm a seiva comum. Tudo isto foi esquecido, escamoteado, rebaixado, pelos redatores da pretendida "nova definição" da Missa. Algum leitor dirá talvez que sou irreverente e desrespeitoso em relação a um documento que veio de Roma. Não. Simplesmente recuso respeito e reverência àqueles que tão ostensivamente desrespeitam o Sangue de nosso Salvador. A forma deste artigo poderia ser outra, mas quanto ao fundo devo declarar alto e bom tom que nunca me foi exigido pela Igreja, nos dias benditos de minha conversão, nenhum voto de hipocrisia ou de estupidez.
- Santa Rosa de Lima
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 1971 COMEÇAMOS a semana com a festa da Padroeira da América Latina. O mês de agosto nos seus primeiros dias comemorou São Domingos, Confessor e fundador da Ordem dos Pregadores, cujas armas eram o escudo da Verdade e o Gládio da palavra de Deus e cuja missão, isto é, cuja prova do amor a Deus, devia traduzir-se em pregação e combate aos erros. A seus discípulos São Domingos recomendava que não abrissem a boca senão para falar de Deus; e a si mesmo São Domingos ensinou duramente a ordem que manda a carne obedecer ao espírito e ambos receberem a Deus. Foi uma das mais gloriosas ordens religiosas essa que São Domingos, agarrado ao SS. Rosário, nos deixou quando nasceu para o céu no dia 6 de agosto de 1221. UM século depois de fundada, essa flor do monarquismo medieval, esse lírio de pureza, produziu o maior doutor da Igreja, Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico que realizou a síntese de toda a elaboração teológica dos Padres, de Santo Agostinho, e de Santo Anselmo; e que além dessa imensa obra teológica, que no dia do Juízo será admirada pela última vez na Terra, antes de ser levada como "palha" a ser queimada no céu pelo fogo do divino Amor, ainda nos deixou o filial exemplo de uma santidade de criança, e o varonil exemplo de uma santidade de atleta que num só gesto, com um sinal da santa cruz traçado com um tição ardente, fechou definitivamente a porta por onde o demônio, o mundo e a carne quiseram desvirginar sua alma. É bom pensar na figura agigantada de Fr. Tomás que Fr. Reginaldo viu levemente suspensa no ar em colóquio com o Senhor Jesus. É bom imaginar uma esquina de Sena, e ver passar incendiada de amor divino a filha do tintureiro Benincasa, Catarina, 25ª filha do casal, moça de vinte e poucos anos que dava coragem aos papas vacilantes, força aos frades tímidos, coragem aos covardes, e ensinava que era preciso odiar o mal com os dentes. Morreu com trinta e poucos anos esmagada pelo peso da Navicella, e pedindo a misericórdia de Deus aos gritos. Foi canonizada, escolhida para padroeira da Itália e recentemente como doutora da Igreja. E AGORA é doce acrescentar às glórias da Ordem dos Pregadores, nascida do coração de Domingos de Gusman, a Rosa que vai nascer no outro lado do Atlântico, no outro lado dos Andes. Um século depois da descoberta da América nasce em Lima, no Peru, a menina que desde muito cedo fez voto de virgindade, e, como sua irmã mais velha Catarina, recebeu o hábito preto e branco de mantelata , ou "terceira dominicana". PASSOU sua curta vida em oração e penitência, e por isso mesmo foi duramente joeirada por Satanás, e sofreu calúnias e perseguições vencidas pela paciência, pelas mortificações e por uma extraordinária aceitação do sofrimento que Jesus lhe pedia que com Ele sofresse. Uma das feições características dessa Rosa dos Andes foi sua familiaridade com a Mãe de Deus e com seu Anjo da Guarda. SANTA Rosa de Lima foi elevada pela Igreja às honras dos altares, e tornou-se Padroeira principal da América Latina. * * * CORRENDO os olhos pelos livros e papéis espalhados em minha mesa vejo um boletim amarelo que me fala de "grupos de reflexão" destinados a enviar matéria para o sínodo do Povo de Deus, e das viagens do diretor do SCAI, vejo recortes de jornal onde se lê que a CNBB, num tópico intitulado "Justiça no Mundo", fala em injustiça internacional gerada pela simples existência de Imperialismo e de Neocolonialismo", queixa-se do poder das "macro empresas plurinacionais articuladas com empresas locais corroborando o subdesenvolvimento". Em outro ponto o redator do curioso e quase divertido documento queixa-se da "estrutura elitista que privilegia as minorias mais favorecidas às custas do sofrimento das massas". Em outro recorte leio um tópico em que o Cardeal Eugênio Saltes está apreensivo com a causa das crises da Igreja no Brasil, que seria a falta de preparação do clero, e acrescenta que essa causa de extrema gravidade é apontada pela CNBB. Mas o editorialista de "O Estado de São Paulo", de 24 de agosto p.p., observa muito sensatamente que, se estão despreparados para o seu próprio ofício homens que durante longos anos cursaram seminários, como se explica o desembaraço com que esses mesmos homens diariamente abordem — como agora o faz o Grupo de Reflexão — assuntos que nunca estudaram nos anos de seminário, e que só conhecem de oitiva. Já no editorial de O GLOBO, da mesma data, se esboça uma explicação dessa aparente contradição: O "estranho idioma" usado pelo Grupo de Trabalho da CNBB mostra que o documento não foi redigido por quem passou longos anos em seminários. O timbre, o sotaque, o "idioma", revelam a léguas de distância o Cavalo de Tróia. E aquele saboroso tópico sobre a "estrutura elitista", sim, leitor, "elitista", não consegue esconder as pontas das orelhas do professor Cândido Mendes. EM outro recorte leio este primor de Dom Helder: "Devemos ter a coragem de, reconhecer que a preocupação por manter a autoridade e a ordem social nos levou a louvar as virtudes como a paciência e a aceitação de sacrifícios, que alimentaram um quase fatalismo e serviram para favorecer os opressores, contribuindo na prática a dar aparência de razão a Marx: a religião como ópio das massas." E AGORA, no meio dos papéis, vejo um livro de um Alain Gheerbrant com o título L'Eglise Rebele D'Amerique Latine . Três retratos na capa: Camilo Torres, Paulo VI, Guevara. E ali à direita outro livro Théologie de la Revolution , de Joseph Comblin, dedicado a Dom Manuel Larrain e Dom Hélder Câmara. E aqui me detenho para perguntar ao leitor se ele percebe alguma semelhança entre esse palavrório ou esse papelório e aquela figura de lírio e de rosa que a Igreja de Jesus Cristo diz ser a padroeira da América Latina. * * * EVIDENTE a diferença de idioma, como nota O GLOBO, ou a diferença de ruído entre esse psitacismo, e as palavras do antigo alfarrábio de dez anos atrás onde leio os louvores das virtudes de Santa Rosa de Lima e Santa Catarina de Sena — virtudes que Dom Helder atira no lixo com superior desdém. O QUE é evidente, evidentíssimo, é que tudo isto que escrevem as denunciadores das "estruturas elitistas"... já não tem a mais remota semelhança com as virtudes e as mortificações dos santos, nem a menor lembrança de uma religião que tem no centro de sua pregação a loucura de um Deus crucificado. NAS aparições de Salete, verdadeiras ou não, Nossa Senhora gemia dizendo que já não aguentava o braço de seu Filho. Eu imagino na Fé, que também pode valer-se de nossa imaginação, eu imagino que Catarina de Sena no Céu, com permissão de Deus, continua a clamar "miserere, miserere" ... e nos diz que já está rouca de implorar. E imagino Rosa de Lima no Céu, com permissão de Deus, a se mortificar em favor da pobre gente espalhada, perdida, e esquecida de seus padres e pastores nessa enorme e paupérrima América Latina. Santa Rosa de Lima, roga por nós. Amanhã [dia 3 de setembro], é festa de São Pio X. São Pio X, roga por nós.
- En défense de Mgr Jean-Michel Faure
+ PAX En défense de Mgr Jean-Michel Faure Mgr Faure a été attaqué dans le passé et l’est encore à présent. Voyons qui sont et les accusateurs et l’accusé. Commençons par l’accusé. Pendant toute sa vie, Mgr Faure a combattu contre toute sorte d’ennemis de la vraie foi et de la vraie civilisation. Sa famille a dû quitter l’Algérie où elle s’était installée depuis de nombreuses décennies. Le jeune Jean-Michel a pris part à cette guerre où le gouvernement du général De Gaulle a trahi aussi bien les Français que les musulmans d’Algérie. Obligé de quitter la France, il est venu en Amérique Latine. Cherchant sa vocation, il a consulté l’évêque du diocèse de Parana en Argentine. Cet évêque lui parle alors de Mgr Lefebvre. Il part donc pour Écône en passant par Rome, où il entend Paul VI parler, au balcon du Vatican, de la fumée de Satan qui avait pénétré dans l’Église, sans désigner le vrai coupable qui n’était autre que Vatican II et Paul VI lui-même. Ayant été accueilli à Écône au début des années 1970, il doit être compté parmi les plus anciens membres de la Fraternité. Mgr Lefebvre lui a confié d’importantes charges au Mexique et en Argentine. C’est lui qui a fondé le séminaire de La Reja. En 1986 , Mgr Lefebvre a pensé à lui pour être sacré. Il a décliné la charge, ne se croyant pas capable, et a suggéré l’abbé Alfonso de Galarreta. Quand Mgr Williamson a été expulsé d’Argentine, c’est lui qui a été à ses côtés pour le soutenir et l’accompagner dans son voyage pour l’Angleterre. En 2012, il n’a pas suivi Mgr Fellay, bien au contraire. Il n’a pas non plus approuvé l’expulsion de Mgr Williamson. Il a fini par quitter la Fraternité par fidélité à Mgr Lefebvre. En 2015 , Mgr Williamson lui a proposé d’accepter l’épiscopat. Il l’a accepté, pensant que ce serait, peut-être, tenter Dieu que de lui refuser deux fois l’épiscopat. Il a fondé la Société des Apôtres de Jésus et Marie et a gardé sa Société dans le bon combat de la Tradition. Ceux qui veulent discréditer Mgr Faure ont-ils une meilleure feuille de services ? Ces accusations contre lui ont été faites par des prêtres qui étaient pour la plupart au séminaire de La Reja et qui se sont révoltés contre leurs supérieurs en 1988. Ils sont tous ou presque tous devenus sédévacantistes. Mgr Lefebvre les a fortement désavoués. À qui devons-nous donner notre confiance ? À Mgr Lefebvre et à Mgr Williamson, qui ont estimé et honoré Mgr Faure, ou aux prêtres révoltés qui l’ont accusé ? Leurs accusations sont le fruit soit d’une imagination malade soit d’une malice qui veut nuire à ceux se sont refusés à les suivre dans leur révolte. En tout cela Mgr Faure est resté dans la fidélité à Mgr Lefebvre et, par lui, à l’Église. C’est pourquoi nous nous faisons l’honneur de le défendre. + Thomas d’Aquin, O.S.B. U.I.O.G.D.
- O socialismo do arcebispo
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo CINQUENTA ou sessenta anos atrás ainda era admissível que alguém acreditasse nas motivações generosas dos socialistas e no seu ideal de justiça. É verdade que o Sumo Pontífice dessa corrente histórica, ou dessa Igreja, nunca ocultou seu desprezo por tais categorias morais e religiosas, coisa que fazia em virtude de sua granítica convicção, e que fazia sem talvez imaginar os graus e matizes de torpeza e de impostura que seus apóstolos teriam de consumir para a catequese dos "idealistas" que vivem a sonhar com um mundo mais perfeito desde que umas tantas coisas achadas em sua imaginação, ou na simplificada experiência de sua vida, fossem retificadas. Todos os utopistas são simplistas, uns mais, outros menos. Um bravo lusitano, condutor de um dos bondes de minha alegre infância, confiou-me um dia seu ideal político e social: "Se eu fosse Presidente da República, moleque não tomava carona de bonde". O MUNDO está cheio de indivíduos que sonham consertá-lo e muitos até já lançaram no papel as ideias principais. Meu fantasma de infância contentava-se com a modesta parcela da disciplina dos moleques em relação à majestade dos bondes; o Presidente Jânio Quadros sonhou com a proibição de briga de galo, e foi mais feliz do que meu condutor de bonde, porque chegou à Presidência da República, sem todavia chegar a uma demonstração cabal do mérito de seus ideais. VOLTEMOS ao socialismo e às suas motivações. Hoje é preciso ser ingênuo demais, digamos logo, é preciso estar plenamente inserido numa das várias gradações da faixa da imbecilidade, para ainda acreditar na generosidade original do socialismo depois do espetáculo de perversão e de desumanidade que essa seita tão generosamente — agora sim! — nos oferece por todos os meios de publicidade. Mas ainda há quem creia na beleza do vocábulo, no faiscante atrativo da ideia e no resplandecente porvir de seus programas. QUALQUER pessoa medianamente estudiosa, formada e informada, sabe que o socialismo tem causa num instinto mais profundo e mais perverso do que se vê nos mostruários que seus próprios apóstolos exibem: o instinto da queixa . Não há matéria mais abundante em todo o universo moral do homem do que a "queixa": todos têm queixas de tudo e de cada coisa, de todos e de cada um. A vida, como disse Machado, é uma série de cachações, ora ninguém gosta de cachação, logo todo ser vivo e consciente é um queixoso, um compacto e denso queixoso pronto a irradiar a energia que queima, corta, fere, destrói, conforme o caso. Na sua mais densa e perigosa forma esse instinto de queixa se concentra sobre si mesmo fazendo do homem um inimigo de si mesmo (um ressentido em alto potencial), e logo depois um inimigo de Deus. É nesta ponte venenosa que nasceu na história o revolucionaríssimo — que, nos tempos modernos, vem da Reforma e da Renascença. São essas águas turvas do ressentimento que formam bacia hidrográfica e chegam no século passado como águas lustrais contra todas as injustiças. O socialismo tornou-se a maior impostura do século anterior e do nosso quando se apresentou como bandeira de um mundo melhor. Fez tudo para desmoralizar-se, acumulou fracasso sobre fracasso, perversidade sobre perversidade, mas ainda há quem caia no conto , porque aqui intervém outro fenômeno: na mesma medida que a história exibe e elucida certas coisas, como o socialismo, perturba e eclipsa outras produzindo um alarmante alargamento da faixa da imbecilidade a que atrás nos referimos. E por isto ainda há quem acredite em algum socialismo. IA EU DIZER: "Dom Hélder, por exemplo", mas contive-me por ter convicção próxima da evidência de que Dom Hélder não pertence à categoria dos ingênuos que ainda respeitam e admiram o socialismo, mas àquela outra dos pervertidos que procuram espalhar uma coisa sem talvez acreditar em nenhuma. Suas entrevistas já se tornaram famosas e pasmosas. Agora tenho diante de mim a entrevista concedida ao jornal "Spandauer Volksblatt" e publicada em CADERNOS GERMANO — Brasileiros de 1/2/72. O jornalista pergunta ao arcebispo se ele é socialista. Resposta: "Sim. Deus criou o homem segundo sua imagem, e assim o homem é co-criador e não escravo. Podemos por isso admitir que na sua maioria os homens sejam tratados como escravos?" DOM HÉLDER queixa-se do mundo, da sorte dos homens, mas não tendo a simplicidade de meu condutor de bondes não se julga obrigado a sequer delinear seu programa de salvação se chegasse à Presidência da República. Receando talvez não bastar esse cargo num só país para tal desempenho, e não existindo ainda o cargo de Imperador do Planeta, Dom Hélder só poderia explicar o que faria com o socialismo se fosse Deus. Não ousando ainda essa confissão, Dom Hélder abriga-se na mais piramidal humildade jamais oferecida aos papalvos do mundo inteiro, e de olhos baixos confessa não saber o que quer: "Meu socialismo é um socialismo especial, um socialismo que respeita a pessoa humana." E nem sequer nos diz se no seu socialismo serão permitidas brigas de galo e poderão os moleques tomar caronas de bondes. O ENTREVISTADOR, com uma obstinação que os progressistas acharão irritante, insiste. "Was tun?" "O que fazer?", e recebe de nosso arcevoador arcebispo estas palavras aladas: "Não sei nenhuma resposta." Depois desta límpida declaração envereda na turva mistura de palavras que não desmentem a concisa resposta: Dom Hélder não sabe o que fazer. Mas, enquanto não sabe o que fazer do mundo se fosse Deus, sabe muitíssimo bem aproveitar todos os convites do Câncer planetário para multiplicar suas caretas, suas palavras generosissimamente desprovidas de nexo. Beneficiário n° 1 ou 2 do alargamento da faixa de imbecilidade do Mundo, e da loucura da Igreja ( non proprie dictu sed secundum quid ). Dom Hélder continua a voar, e a nos cobrir de tristeza e de vergonha. * * * EU TAMBÉM, quando li o abominável assassinato de Sallustro, pensei logo em Dom Hélder e na entrevista dada a L’Express .
- Capitalismo e Comunismo
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em abril de 1971 "O SÃO PAULO", semanário da arquidiocese de São Paulo, volta a reafirmar que a Igreja condena tanto o Comunismo como o Capitalismo, "estando realmente equidistante de ambos". JÁ MOSTREI em artigo da semana passada, que a Igreja condenou veementemente e repetidamente o comunismo, tomado não apenas como sistema ou estrutura econômica mas como filosofia política e cosmovisão, e dele disse, pela voz de Pio XI, que é "ímpio, desumano, monstruoso" e "intrinsecamente perverso". Não reside pois num mau uso adjetivo, e sim em sua substantiva compleição, a malignidade do comunismo. AO CONTRÁRIO disto, e por mais abundantes que sejam as queixas que a Igreja deixou gravadas contra as injustiças sociais, é sempre o mau uso adjetivo que ela condena no sistema econômico capitalista. E por mais severamente que censure, jamais essa queixa se transformará em condenação do sistema, como intrinsecamente mau, a não ser na cabeça das pessoas que não saibam ou não possam jamais perceber certas distinções milimétricas e abismais. E INSISTO em repetir o que já disse em artigo anterior: a Igreja censura cem vezes, dez mil vezes, um milhão de vezes o mau uso, a intemperança social , do mundo que possui as estruturas econômicas do tipo capitalista, mas ao mesmo tempo defende vigorosamente contra a torrente revolucionária, as vigas-mestras da estrutura capitalista. E NOTE bem o leitor uma coisa: quando eu digo a Igreja condena, a Igreja censura, a Igreja defende, não estou de modo algum "falando em nome da Igreja", estou apenas repetindo a clara e límpida lição que aprendi no seu regaço. Os textos estão aí para quem quiser e souber ler. Para economia de esforço aconselho o uso do excelente Dicionário de Textos Sociales Pontificios , de Angel Torres Calvo. Sobre o capitalismo encontrará na página 309 texto de Leão XIII para provar que esta organización no es condenable por si misma ; e logo abaixo textos de Pio XI para completar: pero por sus abusos . O “SÃO Paulo", "respondendo em plano de elevado debate", volta à sua infeliz afirmação anterior, e para demonstrá-la começa por nos dar alguns exemplos de pessoas que lutaram em favor dos pobres. É pena que em sua invocação dos heróis do catolicismo social não tenha citado Buchez que sempre combateu o veneno da luta de classes (que hoje é o elixir da justiça social dos padres progressistas), e não tenha mencionado Ozanam que tem cheiro de santo. Esses homens admiráveis não defenderam a ganância, não defenderam os abusos, mas jamais cometeram a grosseria intelectual de apresentá-los como decorrências necessárias da estrutura chamada capitalista. Quem cometeu esse erro foi Marx, e depois dele toda uma corrente que segue mais o chocalhar das palavras do que o seu sentido. E hoje, quem disser que a Igreja condena o sistema econômico capitalista como condenou a filosofia social, a antropologia e a cosmovisão comunista, cai no mesmo erro elementar ainda que no cabeçalho do artigo declare solenemente que está num plano elevado. Isto de estar de cima, não basta declarar, é preciso efetivamente ter subido alguns degraus, uns mais fáceis e outros mais difíceis. NA CONTINUAÇÃO da "prova" de sua tese, o articulista de "O São Paulo" multiplica textos que provam a tese da Igreja a que me referi. Em alguns desses textos o articulista aplica ao sistema capitalista as condenações formuladas por Leão XIII contra o liberalismo, que é realmente uma pestilência mortal severa e justissimamente condenada pela Igreja, mas que não se identifica com o sistema econômico capitalista que pode desvencilhar-se da cosmovisão do liberalismo, cujos extremos hoje os progressistas engatam nos extremos do comunismo. SERÁ difícil esse desvencilhamento? Talvez. Mas a simples remota possibilidade dele prova que o capitalismo não é intrinsecamente mau e pode ser usado para a justiça social, coisa que o comunismo jamais poderá fazer. CHAMO a atenção do articulista de "O São Paulo" para a obscuridade em que envolveu as citações da Mater et Magistra , que ostensivamente e magistralmente defendeu o direito de propriedade privada dos meios de produção, o princípio de subsidiaridade que Pio XI já formulara, e o direito de se associarem os homens num empreendimento econômico para seus mútuos interesses (51). Não há mal nenhum no tão denegrido "lucro" que é o estímulo e o regulador racional da empresa. Uma sociedade em que as empresas desdenhassem o lucro e visassem diretamente às sublimes categorias, entraria rapidamente no caos. Qualquer modesto empregado nisto pensa como qualquer banqueiro: ele sai de casa e vai trabalhar para ganhar dinheiro , ou se preferirem, para ganhar o pão com o suor do rosto. As altas e sublimes categorias sociais serão atendidas se o trabalhador se compenetrar de que deve fazer seu trabalho bem feito. A regulação do "lucro" é um problema social administrativo e moral muito difícil. Onde houver abuso cabem as severas advertências da Igreja, mas não se diga que a Igreja condena o lucro em si mesmo, nem se imagine que seja possível uma sociedade em que a produção seja estimulada pelo puro sentimento da dignidade humana. A Igreja sempre teve um enorme bom-senso, e esses utópicos, que provavelmente não começam por aplicar suas utopias aos seus próprios orçamentos, tornam ridícula a doutrina social da Igreja assim desfigurada. PARA terminar sua "demonstração", de que a Igreja está equidistante entre o capitalismo e o comunismo, o articulista de “O São Paulo" diz: "Apenas a título de lembrete, gostaríamos que o Sr. Corção soubesse que alguns pensadores de hoje vão mais longe, descobrindo no marxismo, melhor do que no capitalismo, um humanismo mais próximo do humanismo cristão. Sobre este ponto de vista preferimos não opinar..." EU NÃO sinto o menor embaraço, o menor tolhimento, o menor temor dos deuses da atualidade, em opinar sobre este ponto. Bem sei que há, entre ex-católicos, ex-padres, ex-frades, uma legião de idiotas que vê pérolas e pedras preciosas nos excrementos comunistas. Acho que "O São Paulo" exagera um pouco chamando-os de "pensadores". E aqui me detenho, porque nessa discussão que "O São Paulo" diz manter em plano elevado, tive a impressão de ter estado o tempo todo de cócoras. E já que "O São Paulo" fez questão de publicar minha velhice, não me custa confessar que o exercício foi cansativo.








