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XXIII – A Pureza - Como se perde a pureza



A Pureza

Como se perde a pureza


III – Como se perde a pureza


1 – Com os maus pensamentos


Fica sabendo que até com os pensamentos feios se pode macular a alma. No 9º mandamento Deus proíbe os pensamentos, as complacências e os desejos maus. Mas quando com tais pensamentos se comete pecado? Quando são procurados voluntariamente, ou se lhes dá ensejo, e não são repelidos. No entanto, se são logo repelidos, e não se fica satisfeito com os ter, então não só não há pecado, como se adquirem méritos para o Paraíso.


Os demônios vistos por Frei Leão – Frei Leão, um dos primeiros companheiros de S. Francisco, viu um tropel de demônios que atiravam flechas contra certos religiosos; mas observou que tais flechas, em vez de fazer feridas, ricocheteavam para trás e iam ferir os próprios demônios, fazendo-os fugir desesperados. Entendeu então do Senhor que as flechas eram os maus pensamentos os quais, quando são repelidos em vez de chegar à alma, põem em fuga os demônios.


Cuidado, pois, com os pensamentos feios, para não perder o tesouro da pureza. Assim que se vos apresentem, afastai-os logo, como faríeis se uma fagulha ou uma brasa vos caísse em cima. E se retornam? Torna-se a repeli-los. No estio quando há tantas moscas, sucede amiúde uma delas vos molestar no rosto. Vós a enxotais e ela, insolente, volta a molestar-vos. Então a expulsais com maior irritação. O que fazeis às moscas, fazei também aos maus pensamentos, e não vos maculareis a alma.


2 – Com os olhares


“Os olhos são as portas da alma (diz Santo Agostinho); e por tais portas entra na alma o pecado”. Em nossos dias o vício corre livremente para fazer ver pelas ruas, e se mostra nas vitrines, nos botequins, nas lojas... Pinturas, gravuras, esculturas indecentes são amiúde os instrumentos do diabo para corromper as almas. Há um livro intitulado “A Caverna das Serpentes”, no qual se descreve um homem rodeado por toda parte de serpentes venenosas e répteis asquerosos. Essa caverna deve dar pavor! Pois bem, frequentemente vos poderíeis encontrar em semelhante caverna, se dais liberdade aos olhares; e o veneno das serpentes poderá dar-vos a morte.


Cuidado, pois, com os olhos!


Porque o demônio está em toda rua, em toda praça, em toda esquina, e a qualquer hora do dia ou da noite; e vos pode cair em cima para raptar-vos o grande tesouro da pureza e trazer-vos à ruína. Os santos consideravam os olhos como os mais perigosos inimigos, para manter-se continuamente em guarda.


“Perdi um inimigo!” – O beato Jordão, geral dos Dominicanos. Perdeu um olho numa enfermidade. Um dia em que se achava com os seus religiosos, disse-lhes muito alegre: “Irmãos, rendei graças ao Senhor, pois perdi um inimigo”.


3 – Com conversas feias


As conversas feias e maliciosas são as referentes a coisas que nem se devem citar. Tais conversas:


a) Corrompem as almas;

b) Amarguram o coração de Deus;

c) Levam à condenação eterna.



a) Corrompem as almas – Pois são elas que estragam os bons costumes, como diz São Paulo (1 Cor 15, 33). Quantos jovens, que antes eram anjos de pureza, viraram demônios por causa de conversas maldosas! Julgais que é preciso muita coisa para corromper uma alma? Podem bastar até poucas palavras, pode bastar um gesto, um gracejo, um chiste feio ou um equívoco. São Vicente Ferrer fala de uma pessoa que se conservou inocente até os 30 anos. Afinal, por ter ouvido umas palavras desonestas, perverteu-se de tal modo que, se o diabo tivesse corpo humano, não cometeria semelhantes iniquidades. Que dizer, pois, quando certos jovens ensinam a malícia a quem não a conhece? Diz São João Crisóstomo que aqueles que têm más conversas possuem na boca a língua do diabo: diaboli linguam habent.


b) Amarguram o coração de Deus – As más conversas, ao corromper as almas, maltratam o coração de Jesus que tanto as ama, e que, para salvá-las, deu o seu sangue. Que desgosto, pois, que amargura, que golpe não darão ao divino coração aqueles que com más conversas corrompem e arruínam as almas?!


c) Levam à condenação – Quem sabe quantos estão lá no inferno, por terem sido desonestos! E se tornaram tais pelas conversas com que macularam a própria alma e a dos outros, dando escândalo. “As palavras levam aos fatos”, diz São João Crisóstomo. A princípio de fala mal; depois vêm os maus pensamentos; depois as más ações. Assim se perde a virtude da pureza, e assim se é condenado.


Cuidado, pois, com as conversas!


Não faleis nunca desonestamente! E nunca faça como à peste das pessoas e dos companheiros que dizem palavras escandalosas! Estes, embora tenham belas maneiras, são lobos e demônios. Se vos suceder estar perto deles, podeis dizer-lhes: “Sois filhos do diabo, e quereis fazer o que deseja de vós o vosso pai” (Jo 7,44).


4 – Com atos desonestos


O 6º Mandamento diz: “Não praticar atos impuros”. O que quer dizer isto, vós o sabeis. Certos atos que fazem corar o Anjo da Guarda, e que não se praticariam ante os olhos da mãe ou do Superior, certos gracejos indignos e maliciosos, que infelizmente alguns jovens fazem entre si ou a sós, são pecados que jogam fora todo o grande tesouro da pureza, e tornam a alma repelente e asquerosa aos olhos de Deus. Esses pecados são os mais vis e os que fazem mais vergonha: até o demônio tem nojo dele! Tanto é verdade que quem os comete procura ocultá-los, dizendo intimamente: ninguém me verá!


Esses pecados são os que mais dificilmente se revelam ao confessor: eles fazem a voz tremer e tapam a boca a muitos pobres jovens que, em vez de confissões, fazem sacrilégios! Esses pecados são os que atraem à terra a maldição de Deus e seus castigos tremendos. Por que mandou Deus o dilúvio universal nos tempos de Noé? Porque os homens eram desonestos. Por que fez chover nas cidades de Sodoma e Gomorra o fogo exterminador que as destruiu? Porque a gente de então era desonesta e escandalosa.


Esses pecados, afinal, são o viveiro e a origem de todos os outros vícios. Os jovens que praticam coisas feias têm também todos os outros pecados: são desobedientes, irritáveis, impertinentes; xingam, maldizem, não rezam, dão escândalo, roubam, blasfemam... Esses pecados, enfim, são os que raptam tantas almas ao céu e povoam o inferno de condenados.


Cuidado, pois, para não praticar atos desonestos, os quais, despojando-vos da graça de Deus, vos tornam semelhantes aos animais imundos. Lembrai que nós somos de Deus: ninguém é dono do seu corpo, o senhor dos corpos e das almas é Deus! Deveis tratar o corpo como coisa sagrada, porque realmente ele foi consagrado a Deus no Batismo e se tornou templo do Espírito Santo; e depois foi santificado da Sagrada Comunhão. Por isso não façais nunca e não tolereis nos outros coisas contrárias à modéstia. Lembrai ainda que Deus vê tudo. Como ousareis macular-vos na sua presença? Quando o demônio vos tentasse a praticar atos impuros, dizei entre vós: Deus me vê!


Quando José, filho de Jacó, estava em casa de Putifar, foi tentado a fazer coisas desonestas. Mas o jovem repeliu a tentação, dizendo: “Como posso eu fazer esse mal e pecar ante os olhos de Deus?” e fugiu. Acusado injustamente, foi depois posto na cadeia; mas Deus fez logo ressaltar a sua inocência e a sua pureza; e o jovem foi constituído vice-rei do Egito.


Conclusão


É o tempo de concluir. Vistes o valor e os benefícios da bela virtude: deveis, pois, ser apaixonados dela. Notais como facilmente se pode perdê-la, e as desastrosas consequências de tamanha perda; deveis, então, fazer todo o sacrifício para conservá-la.


Aqueles que dentre vós sempre a conservaram, Oh! que fortuna possuem! São semelhantes aos anjos!


E se alguém a tivesse perdido? Oh! Que desgraça imensa! Mas para isso não haverá mais remédio? Sim! Há o remédio! Ei-lo: primeiro, uma boa confissão; depois fuga das ocasiões perigosas e a oração. Tende também uma grande devoção a Nossa Senhora e ao Anjo da Guarda, e frequentai os Sacramentos. Tais são os preservativos contra as recaídas. Assim reconquistado esse precioso tesouro, podeis ainda tomar-vos como Anjos, ter as carícias do imaculado cordeiro Jesus Cristo, ter a morte dos santos e ver e possuir para sempre Deus no Paraíso.


(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

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