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A Cristologia da CNBB



Por Gustavo Corção,

publicado n’O Globo em 07-04-1973


LI SÁBADO último a seguinte notícia: "O texto do segundo plano bienal de atividades dos Organismos Nacionais da CNBB para 1973 e 1974 começou a ser executado pelos bispos que integram a Presidência e a Comissão Episcopal e Pastoral. A partir desse mês as reuniões mensais (...). Anteontem pela manhã os bispos estudaram a cristologia, isto é, a parte da Teologia que estuda a pessoa de Cristo. Foram convidados para expor as correntes teológicas sobre Cristo alguns dos teólogos mais conhecidos, entre os quais o franciscano Frei Leonardo Boff."


ORA, esse Frei Leonardo Boff é autor de um livro onde, de início, dá sua clave sobre cristologia. Todos nós sabemos que um dia, nos caminhos de Cesarea, Cristo lançou a pergunta: "Que dizem os homens que eu sou?", que provocou a resposta de Pedro: "Tu és o Cristo, filho de Deus vivo", que mereceu canonização de Nosso Senhor: "Feliz és tu, Simão Bar-Jona, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram isto, mas meu Pai que está nos Céus. E eu te digo que tu és Pedro..." (Mat. XV, 13.)


POUCO adiante, quando Jesus anunciou sua paixão, Pedro adiantou-se e, tomando a palavra, começou a falar, anunciando um plano bienal para que tal coisa não acontecesse, e ouviu de Jesus:."Vade retro Satana, porque agora é pela carne e pelo sangue que falas..."


ORA, à pergunta de Cristo, eis como responde Frei Boff no Cap. 1 de seu livro: "Essa pergunta (...) até hoje possui a mesma atualidade (...) todo o homem que alguma vez se interessou por Cristo não pode se esquivar a semelhante questionamento (sic). "E acrescenta isto que é o tutano de seu saber cristológico: "A CADA GERAÇÃO CABE RESPONDER DENTRO DO CONTEXTO DE SUA COMPREENSÃO DO MUNDO, DO HOMEM E DE DEUS." Isto é, a cada geração cabe responder segundo a carne.


ORA, é esse analfabeto, ou esse primário, ou esse 'falso católico que os senhores bispos vão ouvir para saberem quem é o Cristo e o que é o cristianismo. E eu tenho todo o direito de dizer e de lhes lembrar o que responderia Jesus: Vade retro Satana." Escrevi em dezesseis de setembro de 1972 um artigo para denunciar o anticatolicismo desse frade que interroga gerações em vez de interrogar o Pai que está no Céu, ou Pedro que está na Terra.


TEMOS agora a nossa consciência católica afrontada, nossa honra cristã esbofeteada, quando vemos que a CNBB toma lições de cristologia com um frade que não tem ciência para si mesmo, e que inventa uma religião a ser referendada por cada geração.


A RESPOSTA de Pedro será, até o fim do mundo, aquela que deve ser ensinada a moços e velhos, a brancos, a pretos e amarelos: "Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo." Este é o dado primeiro cuja confissão define o católico, e cuja contestação ou entrega à livre interpretação define o não-católico e o anticatólico.


NESSE mesmo passo no Evangelho Nosso Senhor anuncia sua Paixão, e quando tudo se consumou seus discípulos ficaram sabendo que o legado de Cristo, entregue à Igreja nascente, era sua Doutrina e seu Sangue. Esses dois tesouros estão entrelaçados de tal sorte que tocar na Doutrina é tocar no Sangue, e, por consequência, desprezar a Doutrina da Salvação equivale a desprezar o Sangue do Salvador.


PELA Doutrina, ou por um simples gesto de culto (colocar num turíbulo uns grãos de incenso e balançá-lo diante do busto de César), os Mártires deram seu sangue, que assim se juntou ao Preciosíssimo Sangue de Jesus.


NOSSA religião, amado leitor, é religião em que a procura da santidade é preceito, e não um vago conselho. Não está em pecado mortal quem não atingiu a perfeição do Santos, mas está quem descrê das possibilidades de santificação e quem desiste de continuar o trabalho que conta com a iniciativa primeira de Deus.


AOS QUE não apreciam meu estilo fustigante, e talvez tenham razão neste ou naquele caso, ouçam esta súplica que é um rugido transfigurado. Por amor de Deus e por amor de si mesmo, e dos tesouros divinos que receberam, por amor das crianças e dos velhos, dos pobres e dos ricos, por amor de toda essa pobre gente que passa correndo sem ir a lugar nenhum, e avidamente correm atrás do NADA, pelo amor de tudo, pelo amor do Amor, não toquem sem tremer e temer no Verbo e no Sangue. Com Deus não se brinca, de Deus não se zomba.


NON dico più. Permanete nela dolce dilezzione de Dio. Gesú dolce, Gesú amore.

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