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- Comentários Eleison nº 800
Por Dom Williamson Número DCCC (800) – 12 de novembro de 2022 79 SEMINARISTAS – III Tenha paciência, muitas mentiras serão desfeitas em breve. A ira de Deus fará com que desapareçam. Nas últimas duas semanas, estes “Comentários” apresentaram as aparentes boas notícias de um número recorde de novos seminaristas para o novo ano letivo nos quatro grandes seminários da “Fraternidade Sacerdotal São Pio X”, mas os “Comentários” também questionaram se essas boas notícias seriam tão boas como aparentam. Pois, tal como o Vaticano II (1962-1965) substituiu oficialmente a verdadeira Igreja Católica pela Neoigreja conciliar, centrada no homem e não em Deus, também o Capítulo Geral da Fraternidade de 2012 substituiu oficialmente a verdadeira Fraternidade do Arcebispo Lefebvre por uma Neofraternidade essencialmente diferente. O que resta demonstrar é que o que aconteceu com a Fraternidade em 2012 foi uma mudança tal que lançou dúvidas sobre se a notícia das 79 novas vocações sacerdotais é realmente boa. Louvado seja Deus por tantos jovens que ainda hoje têm fé, coragem e boa vontade suficientes para quererem ser padres tradicionais, e louvada seja a Neofraternidade por manter tradição católica suficiente para atrair esses jovens. Contudo, nos seminários da Neofraternidade sob o controle dos sucessores do Arcebispo, eles aprenderão o que teriam aprendido enquanto o Arcebispo ainda estava no controle? Certamente não. E será que isso importa? Certamente sim. E em que consiste essa diferença? Antes de 2012, um princípio estabelecido pelo Arcebispo ainda era a política oficial da Fraternidade em relação a Roma, nomeadamente, que não pode haver um acordo meramente prático entre a FSSPX e a Neoigreja sem que primeiro haja um acordo doutrinal, em outras palavras, a Verdade antes da Autoridade. Pelo contrário, já que em 2012 qualquer acordo doutrinal parecia impossível, o Capítulo Geral daquele ano estabeleceu como princípio que, mesmo sem um acordo doutrinal, ainda seria possível e desejável um acordo prático com Roma, ou seja, simpatia com a Autoridade mesmo sem a Verdade. Ora, para ser justo com a Neofraternidade, isto não significava aceitar nem o Vaticano II (a teoria do modernismo) nem a Missa Nova (a sua prática), para que não se pudesse acusar a Neofraternidade de abandonar completamente a Verdade. Mas enquanto o Arcebispo, após 1988, cortou todo o contato prático com os modernistas infiéis, pelo contrário, quase tão logo após a sua morte, em 1991, os seus sucessores renovaram esses contatos perigosos, mas supostamente inofensivos (haverá de fato algo mais escorregadio ou infeccioso do que a heresia do modernismo?). E considerando que o Arcebispo Lefebvre coroou sua longa e ilustre carreira como Bispo católico salvando a Tradição Católica (Verdade) para toda a Igreja, ao consagrar quatro Bispos para assegurar a sobrevivência da Fraternidade em 1988 contra a condenação expressa do Papa (Autoridade); e considerando que o Arcebispo Viganò continua em seus gloriosos passos ao (Verdade) denunciar clara e publicamente os crimes indescritíveis da nossa atual Igreja (Autoridade) e dos líderes mundiais; pelo contrário, a Neofraternidade oficial é silenciosa ou crítica em relação ao Arcebispo Viganò (Verdade), mas acata a aparente Autoridade, por exemplo: no mundo, no que diz respeito à abominável “vacina” da covid, e, na Igreja, em relação ao Papa Bergoglio, porque a Neofraternidade quer que este notório assassino da Tradição Católica dê sua aprovação oficial à sua consagração de Bispos para a Tradição! O Pe. Schmidberger (Superior-Geral da FSSPX de 1982 a 1994) não disse recentemente a um leigo que perguntou sobre os Bispos tão necessários para a FSSPX, que não está consagrando nenhum, porque estava esperando a luz verde do Papa Bergoglio? A Neofraternidade não pode culpar ninguém mais além de si mesma por ter em 2012 conduzido a FSSPX para esse beco sem saída! E ainda pretende levar 79 padres a esse mesmo beco? Tenhamos paciência. Em termos mundanos, o problema básico é que o Arcebispo Lefebvre era um velho lobo, enquanto seus sucessores têm sido, relativamente falando, crias de lobo. Ele conhecia a velha Fé e a velha Igreja, que os jovens dificilmente poderiam conhecer, e levava a velha doutrina a sério, sabendo que a Verdade católica redime o mundo. Deus é amor, sim, mas sem a Verdade Ele não pode ser o verdadeiro Deus. “Para isso nasci e para isto vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da Verdade ouve a minha voz” (Jo. XVIII, 37). Seminaristas, antigos ou novos, ouçam a Sua voz! Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 801
Por Dom Williamson Número DCCCI (801) – 19 de novembro de 2022 79 SEMINARISTAS – IV Os guerreiros da fé são odiados por nosso pobre mundo, E, no entanto, é por tais homens que todo o nosso pobre mundo espera! Nem sempre é fácil julgar, em muitas situações, se a reação correta é a justiça ou a misericórdia. O risco de a “Neofraternidade” Sacerdotal São Pio X não conseguir ensinar a seus 79 novos seminaristas a lição mais importante de seu Fundador, o Arcebispo Lefebvre (1905-1991), deveria ser novamente apontado? Ou deveria ser menos enfatizado do que o foi nos últimos números destes “Comentários”? Visto que essa “lição mais importante” é central para o futuro da Igreja Universal, que se dedique mais um número destes “Comentários” não ao que a Neofraternidade continua fazendo de bom a serviço da Igreja, mas ao que está fazendo de mau, ou melhor, a quanto mais poderia estar fazendo de bom se não se tivesse desviado oficialmente do equilíbrio entre Verdade e Autoridade traçado por seu Fundador. Quando, em 1970, o Arcebispo fundou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X com seu seminário tradicional em Friburgo, na Suíça, ele cuidou para que não fosse um “seminário selvagem”, mas tivesse a aprovação oficial da Igreja por parte do Bispo da diocese local. A Neoigreja do Vaticano II (1962-1965) não gostou do que viu, mas a Roma oficial esperou alguns anos antes de intervir, sem dúvida na esperança de que a Fraternidade e o seminário tradicionais fracassassem por si sós. Mas quando, pelo contrário, eles floresceram, os modernistas atacaram. Em 1975 eles “dissolveram” a Fraternidade e ordenaram que se dissovesse o seminário de Écône. O Arcebispo recusou-se a obedecer, porque existe na verdadeira Igreja um procedimento objetivo do Direito Canônico para tal dissolução e supressão, que não se havia seguido corretamente. Portanto, o Arcebispo continuou com a sua Fraternidade defendendo a Verdade, enquanto “Roma”, com toda a sua “Autoridade”, continuou sua perseguição, alegando que nada que se opusesse a essa Autoridade poderia pertencer à Verdade ou à unidade católica. Normalmente isso é verdade, porque a Autoridade católica normalmente está unida à Verdade Católica, mas, de forma bastante anormal, no Vaticano II a Autoridade católica alijou a Verdade em prol da “atualização”. Ora, sem dúvida, muitos dos colegas do Arcebispo viram que ele estava certo e que “Roma” estava errada, mas tal é a força da Autoridade católica que até 1981 nenhum outro Bispo o apoiou publicamente. No entanto, o Arcebispo não se intimidou. Em 1982, para ajudar a preparar sua sucessão, ele nomeou um Superior Geral para assumir a administração da Fraternidade, que agora era mundial, mas reservou para si todas as relações da Fraternidade com Roma, sem dúvida porque temia que o grupo dos principais Chapeuzinhos Vermelhos da Fraternidade fossem todos comidos vivos pelos que ele sabia que eram os Grandes Lobos Maus de Roma. E assim aconteceu. Enquanto ele viveu, os Chapeuzinhos Vermelhos seguiram colocando a Verdade antes da Autoridade, colocando a doutrina antes da diplomacia; mas assim que ele morreu, eles começaram a fazer cara de cordeiro para os modernistas romanos. Os contatos com “Roma” foram restebelecidos, e até hoje a Neofraternidade não consagrou os Bispos católicos necessários para a Verdade em todo o mundo, como o Arcebispo fez em 1988. Pelo contrário, esperará que o assassino da Tradição dê “sinal verde” para que a Neofraternidade consagre esses Bispos para a Tradição! Oh, queridos Chapeuzinhos Vermelhos! Mas aqueles que cometem assassinato são assassinos! Quem vocês pensam que são? São esses os frutos se se prefere a Autoridade à Verdade. Mas nisso a Neofraternidade está empenhada. O Padre veterano defensor da verdade que escreveu o excelente artigo sobre a Torre de Babel, resumido em dois números destes “Comentários” (763 e 788), foi repreendido por seu (jovem) Superior por escrever em público sobre temas da atualidade. Ele nem mesmo pode escrever sobre “filosofia ou teologia”! Ele só pode escrever sobre assuntos “espirituais ou edificantes”! E um seminarista de visão mais clara teme que a “amabilidade” em seu seminário da FSSPX esteja para prevalecer sobre a “luta pela Fé”, e que qualquer seminarista lutador e com caráter esteja sendo desencorajado, neutralizado e marginalizado. E assim, caso a Neofraternidade consiga o que quer, 79 seminaristas se tornarão 79 Chapeuzinhos Vermelhos? Que Deus nos livre disto! Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 802
Por Dom Williamson Número DCCCII (802) – 26 de novembro de 2022 AS PERGUNTAS QUE SE SEGUEM O Sagrado Coração de Jesus quer salvar. Ele mergulha na lama para resgatar um peregrino errante. Nos últimos quatro números destes “Comentários” se tomou algumas posições sobre muitas questões controversas da atual crise da Igreja Católica com as quais alguns leitores podem não concordar. E eles têm todo o direito de fazê-lo, a menos e até que a autoridade eclesiástica volte a estar de posse da razão e resolva qualquer um dos problemas ali apontados de uma vez por todas. Enquanto isso, porém, sobre uma primeira questão que sempre surge, deixemos que estes “Comentários” ofereçam algumas considerações. Esta pergunta e a que se segue a ela estão em negrito para corresponder à intensidade com que alguns leitores poderiam expressá-las. 1 Se é verdade, como o senhor afirma, que o Deus Todo-Poderoso concedeu fortes provas de autenticidade aos milagres eucarísticos realizados na missa do Novus Ordo, então por que os católicos crentes não deveriam simplesmente voltar a assistir à missa nova e deixar de lado tantos aborrecimentos? Porque a missa nova é o ato central de adoração da nova e falsa religião centrada no homem, que saiu do Vaticano II. O texto dessa missa impresso no papel é objetivamente ofensivo a Deus porque também é centrado no homem, e não em Deus, e se ela for assistida regularmente, normalmente mina a fé católica de uma pessoa, por exemplo, na Presença Real, no Sacrifício da Missa, nas Ordens Sacras de um sacerdote católico, e assim por diante. A assistência regular pode transformar um católico em protestante sem que ele se dê conta. No entanto, pela astúcia diabólica daqueles que produziram esse texto da missa nova, ele mantém elementos suficientes da verdadeira Missa para que a missa nova possa ser celebrada validamente, de modo que qualquer celebração particular dela não seja necessariamente inválida como Missa, ainda que se a celebre cada vez mais invalidamente. Portanto, não se pode dizer da missa nova nem que é válida e, portanto, se pode assisti-la; nem que não se pode assisti-la e, portanto, não é válida. A verdade, como sempre, não é toda branca nem toda preta. Pode-se dizer que ainda é possível celebrar a missa nova validamente, mas não se deve assisti-la, porque a assistência regular tem contribuído enormemente para que milhões de católicos percam sua fé. 1b Mas como é possível que Deus atue com e através de um texto de missa essencialmente ofensivo a Ele? Porque mesmo a Missa não é um fim, mas apenas um meio, ainda que poderoso, para o fim último das almas, que é morrer com a verdadeira fé em Deus e alcançar a salvação, ajudar a povoar o Céu e, assim, dar glória a Deus. Se as almas não têm Missa para assistir, podem manter a fé? Sim. E se não têm fé, assistirão à Missa? Não. Portanto, a Missa relaciona-se com a fé como um meio para um fim, e não como um fim para um meio. Portanto, a missa nova é apenas um meio; e se é uma mistura de elementos bons e maus em que os sujeitos malvados que a elaboraram tiveram de manter algo bom o suficiente para enganar os católicos a fim de que estes a aceitassem quando foi introduzida em 1969 – por exemplo, algo suficientemente bom para sustentar uma possível validade –, então pode-se pensar facilmente que Deus é grande o suficiente para contornar o mal se tiver uma boa razão para fazê-lo. E será que nos dias de hoje Ele tem alguma? Sim, tem. Todas as almas humanas que já viveram são ovelhas de Deus, e Sua criação pessoal (Sl. 94, 7); Ele quer que todas elas se salvem (I Tim. II, 4), e não apenas os católicos (ou os católicos tradicionais). O Sagrado Coração sabe desde a eternidade quantas de Suas ovelhas foram enganadas no Vaticano II por seus pastores, quantas foram atingidas pelo pecado mais do que pecaram, e Ele sabe quantas almas boas e crentes, quantos Padres e até Bispos crentes existem ainda hoje, e quem são; e Ele chega até essas ovelhas na mistura diabólica do Novus Ordo, contornando o mal e com o que ainda há de bom, para a salvação de suas almas. E quanto àqueles que amam a Neoigreja e querem a sua missa má, estes foram lembrados e advertidos pelos milagres de que estão escolhendo ir para o Inferno. Se se vê as coisas a partir do Coração de Deus, esses milagres do Novus Ordo fazem todo sentido... Kyrie eleison.
- Ainda o Quarto Mandamento
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 07-07-1973 PEÇO ao leitor a paciência de suportar a insistência com que bato na mesma tecla: o nervo de toda a subversão e de toda a agitação que se observa hoje no mundo católico, especialmente no clero, é o da contestação do mandamento "honrarás pai e mãe". JÁ em artigo anterior mostramos que este é o eixo da Revolução anticristã que de século em século se avoluma. A frase conhecida de Lacroix: "la democratie est le meurtre du père", aplica-se melhor à Revolução que, desde a Renascença e a Reforma, pretende trazer ao mundo um novo humanismo liberado do cristianismo, e, portanto, voltado contra o cristianismo. Como se não bastasse a contestação de Deus Pai, e o repúdio da tradição e do passado, em favor de um progresso sem entidade idêntica a si mesma é capaz de aperfeiçoar-se sem deixar de ser o que é, ainda inventaram os homens, nas instâncias psicológicas, uma ideia de paternidade opressiva que representasse a consciência moral. E assino, em todos os níveis, a ideia de paternidade é demolida para que o novo homem, filho sem pai, possa realizar sua liberação total. DENTRO do mundo católico, esse monstro produziu aberrações que nem sempre parecem diretamente ligadas ao grande ideal parricida. Uma dessas aberrações é a frenética promoção d' O JOVEM. À primeira vista parece simpática, otimista e esperançosa essa exaltação da juventude; melhor reflexão, todavia, revela sua falsidade, e então o que parecia auroreal e otimista torna-se lúgubre e até obsceno. Tomemos por exemplo a frase "eu tenho confiança no jovem" de que muito poucos padres e bispos conseguiram escapar. Essa frase parece uma proposição inofensiva, um sorriso, uma amabilidade, uma generosidade; na verdade, porém, é uma frase destituída de sentido e carregada das mais dissolventes conotações. De início a proposição é tola porque o jovem, por definição, é algo que ainda não disse ao que veio e, portanto, é alguém de que só posso dizer que tenho esperanças ou inquietações, conforme os sinais que nele observo. Mas dizer que tenho arrematada confiança em quem ainda não deu provas, é dizer um non-sense. A rigor, dos jovens e aos jovens, só podemos dizer com propriedade e sinceridade que cresçam e apareçam. COM verdadeiro amor só posso dizer aos moços que não tenham tanta jactância de suas imaturidades e que cuidem diligentemente de aprender duas coisas. Primeira — agradecer a Deus e aos homens o que encontraram feito: água nas bicas e no mar, frutos nas árvores e no prato. O primeiro sinal que me predisporá a ter confiança num moço será essa disposição de agradecer. O segundo será a visível disposição de continuar e prolongar o que encontrou. ORA, a adulação, com que os padres progressistas cercam os moços, só pode produzir o resultado oposto a essas duas virtudes; sim, só pode produzir a fatuidade e a soberba. PARA agradar ao semi-deus moderno os padres progressistas não recuam diante das mais ousadas iniciativas. Uma delas é a de promoção de encontros em que se misturam, com forte densidade, os jovens dos dois sexos. PODE à primeira vista parecer que esses encontros visam principalmente a destruir os tabus do sexto mandamento. Também isto entra nas cogitações dos aduladores de jovens, mas o principal objetivo visado é sempre o Pai. O Pai da terra e o Pai do Céu. A EXALTAÇÃO da autonomia dos jovens tende evidentemente a mostrar que qualquer acão normativa e educadora é contrária à liberação do jovem, e portanto, é contrária ao espírito da nova Igreja, e do mundo novo. Num mundo em que os padres têm horror à paternidade e pervertem os moços tranquilizando-os e estimulando-os na soberba e na jactância, é fácil prever o desamparo em que ficam os educadores. Em si nunca tal tarefa foi isenta de espinhos. Daí a insistência com que Deus revelou a necessidade de defender essa linha. Dificílima, porém, se tornará a tarefa quando a sociedade em torno da família conspira contra os pais; e ainda mais árdua se torna quando, além de faltar o socorro da Igreja, os padres trabalham sofregamente na perversão da juventude. Os pais, transtornados, perdem o pé, e então o antipai triunfa e aponta-o como clara demonstração de impotência e inutilidade. Acelerado o círculo vicioso chegasse ao ponto em que se torna impossível educar. NUMA sociedade assim pervertida os jovens serão "os únicos juízes de seus atos", como diz com toda ênfase e garbo um dos catecismos aprovados neste País pelas autoridades eclesiásticas que querem corrigir as distorções sócio-econômicas das regiões menos favorecidas, mas não mostram nenhum empenho em evitar que os jovens sejam pervertidos por padres revolucionários. E AQUI torno a dizer que não ponho o acento tônico dessa perversão no 6º, e sim no 4º mandamento. Os desvios do 6° mandamento podem-se explicar por fraquezas sensíveis que estão na linha da natureza das coisas; mas os desvios do 4° mandamento são obra de um espírito de orgulho que está na origem de todos os desconcertos do mundo. É HORRÍVEL o espetáculo que o mundo católico, na área dita progressista, nos proporciona hoje. E a consequência não se faz esperar. Sim, senhores bispos, é preciso ter sempre em mente que as coisas têm consequências. Se os jovens são arrancados à autoridade dos pais, cedo ou tarde terão de esbarrar em outro tipo de autoridade mais áspero. Tornados viciados, indisciplinados, revoltados, e eventualmente arrastados pelos agentes da subversão até a ação direta do terrorismo, os mesmos jovens adulados e taramelados pelos ávidos padres terão de esbarrar na repressão policial que é bastante mais dura do que os pitos e conselhos do papai. EU NÃO chego a dizer que os padres progressistas: promotores de jovens tenham desde o início o desejo de transformar seus amiguinhos em criminosos, mas não hesito em pensar que é isto, precisamente, que o Demônio espera desses padres. E AGORA leio nos jornais que os senhores bispos da América Latina concluíram que, para a restauração da família, é necessário que os pais entrem em diálogo com os filhos. Sim, diálogo, conversa, tolerância, mas não palavra de Pai amoroso que quer o bem de seu filho. Para esse tipo de relacionamento entre Pai e Filho não podemos contar com as reuniões episcopais.
- A Igreja e as superstições
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 30-06-1973 Recebi de um frade dominicano uma carta empenhada em defender seus "irmãos" religiosos por mim apontados, em artigo publicado em 9 do corrente, como "membros do Corpo Místico do Monstrengo". Devo esclarecer o leitor a respeito dessa denominação já mais de uma vez usada para designar a falsa igreja pós-conciliar que se permite todos os erros e extravagâncias contra a Fé, como essa exibição de alegre e amável tolerância por todas as superstições que devoram as almas sem prumo e sem rumo. ANEXA à carta meu missivista enviava-me o folheto 163 de VOZES, sobre a LIBERDADE RELIGIOSA e AS RELAÇÕES DA IGREJA COM AS RELIGIÕES NÃO CRISTÃS, evidentemente com o intuito de me provar que o histrionismo exibicionista publicado na revista "Manchete" é o mais puro catolicismo pós-conciliar. PASSEI os olhos fatigados sobre as páginas lidas e relidas, e já me dispunha a fechar o opúsculo, e a pensar em outra coisa, quando a atenção me foi despertada por uma palavra de Jesus que me pareceu escrita com sangue: "Quem crer e for batizado será salvo; quem no entanto não crer será condenado". (Mc, 6, 16). POR aí se vê que, mesmo depois do Concílio, permanece uma condicional, um SE mais importante do que todos os IF de Kipling. Se tal condição não for observada, a alma não se salvará. Nós sabemos que Deus oferece a todos a graça suficiente para a salvação; mas também sabemos que a liberdade humana não é uma alegre e amena disponibilidade: é um trágico abismo que dá ao homem a capacidade de negar Deus e de perder-se. POR isso, enviou-nos Ele seu próprio Filho que por nós se imolou na Cruz. A Salvação é agora oferecida a todos os homens na Palavra de Deus e no Sangue do Cristo: ao abismo da soberba humana responde Deus com o abismo de sua misericórdia. E para que a presença de Cristo se perpetue no mundo até o dia do Juízo, Ele mesmo fundou a Sua Igreja, e entregou-lhe a custódia da Palavra e do Sangue. MAS o abismo da liberdade humana, diante do qual parecem sorrir alegre e confiantemente todos os que veem no documento conciliar uma porta aberta para todas as concessões. Em palavras singelas e duras para serem nítidas direi o seguinte: os religiosos que amavelmente tranquilizam e confirmam a pobre gente na prática da magia e da superstição, amavelmente os afastam da Fé, e amavelmente os empurram para a perdição. Porque "os que não crerem não serão salvos". Bem sabemos, bem sabemos que Deus reserva todos os recursos de sua misericórdia para nos salvar, mas isto não nos autoriza a concluir que tudo é permitido, e que todos, façam o que fizerem, se salvarão; porque se admitirmos tal coisa, estaremos admitindo que foi inútil o Sangue, inútil a Paixão, inútil a Cruz. O Sacrifício de Cristo — se o opúsculo VOZES 163 pode ser interpretado como quer o meu missivista — foi um aberrante equívoco, ou foi um desatino exagerado de Deus. O MESMO correio que me trouxe a dialética pós-conciliar do frade dominicano trouxe-me um recorte de "O Estado de São Paulo" (14.6.73) onde se lê o seguinte, que vale à pena transcrever: "A IGREJA já perdeu muito tempo em hostilidades. Agora, chegou o momento de buscar no Espiritismo e na Umbanda, os elementos vivos que sirvam à Igreja no seu trabalho de evangelização." Esta afirmação foi feita ontem, em Belo Horizonte, por Dom José Pedro Costa, bispo de Uberaba, no segundo dia da reunião da Regional Leste II da CNBB da qual participam 100 religiosos, entre os quais, 26 bispos, em busca "de uma linha de desenvolvimento cultural que ajude o povo a ser mais cristão, de modo brasileiro". DOM José Pedro Costa, que como bispo de Uberaba se considera bispo da "capital espírita do Brasil", afirmou que admira o trabalho desenvolvido em sua cidade pelo medium Chico Xavier, a quem ajuda fornecendo alimentos da Caritas diocesana para as crianças órfãs do "Lar Espírita". Mas apesar de admirar esse trabalho, o bispo de Uberaba faz-lhe algumas restrições ao afirmar que os kardecistas "desenvolvem ação muito paternalista, pois estão aparentemente preocupados em distribuir sopa e esquecidos da verdadeira promoção humana". * * * EIS aí mais uma amostra da aberrante monstruosidade a que chega a igreja dita progressista e pós-conciliar, e mais um exemplo do desapreço do Sangue de nossa redenção.
- XX – Encerramento dos Exercícios Espirituais e Recordações - Perseverança
Eis, ó caros filhos, encerrados os Exercícios Espirituais. Estais contentes por tê-los feito? Creio que nenhum de vós dirá que não. Vejo ainda a alegria gravada em vossos semblantes: sinal de paz que tendes no coração. Está-se bem com o Senhor ou não? E talvez algum de vós, no início, tenha visto nos Exercícios um espantalho! Agradecei, pois, a Deus, à Virgem e aos vossos Anjos da guarda, a grande graça que recebestes, com a qual agora vos tornastes tão caros ao Senhor. Eu me consolo ao pensar que todos vós correspondestes tão bem aos favores divinos; porque atendestes com empenho e devoção aos Exercícios Espirituais.; ajudastes bem as contas de vossa alma; e esta manhã recebestes com tanta edificação o Cordeiro Imaculado Jesus. Em suma (como diz S. Paulo) vos lavastes e santificastes em nome de Jesus Cristo. Por isso, bendigo e rendo graças ao Senhor. Mas, com a satisfação que sinto, sinto ainda certa perturbação: vem-me um temor... Sereis sempre tão caros a Deus e por ele abençoados? Ou abandonareis o serviço de Deus para servir o demônio? Eis o triste pensamento que me perturba. Por isso, vos digo como São Paulo “Permanecei firmes com o Senhor, ó caríssimos” (Flp 4,1). Permanecei sempre bons agora como sois. E para o conseguirdes, eis a última palavra do vosso pregador que tanto bem vos deseja. Escutai agora: 1 – Como deveis perseverar no bom caminho para vos salvar; 2 – Com que meios poder-vos-eis manter bons (e esses meios são as recordações que vos deixo). I – Perseverança 1 – Não basta ter começado bem Deve-se continuar na vida correta. É o Senhor quem o diz: “Ninguém que, depois de ter metido a mão no arado, olha pra trás, é apto para o Reino de Deus” (Lc 9,62). Deve-se, pois, cuidar, não do que está sendo feito, mas do que está para fazer. Diz São Bernardo que o prêmio é prometido a quem começa bem, e é dado a quem persevera. E Jesus Cristo disse claramente que “quem quiser salvar-se deve-se perseverar até o fim (Mt 24,13). Logo não disse que para ir para o Paraíso basta haver detestado os pecados, ter feito boa confissão, haver-se santificado; mas disse: salvar-se-á quem tiver perseverado até o fim. 2 – Quantos começaram bem e acabaram mal! Olha Judas: era um Apóstolo e, de início, bom como os demais adeptos de Jesus Cristo. Também começara bem! Mas, depois...? Que lhe serviram os bons princípios? Por não ter perseverado, teve uma morte desesperada e acabou danando-se. Os 40 Mártires de Sebaste – Em Sebaste, na Armênia, sob o imperador Licínio (320), havia 40 soldados cristãos. Por não quererem estes renegar a Fé e adorar os ídolos, foram cruelmente espancados à boca com pedras e metidos em hórrida prisão apertados por cadeias. Mas os valorosos continuavam a adorar Jesus Cristo. Então, sendo inverno, foram mergulhados até o pescoço num charco, para que de noite gelassem ali dentro; e lá estava colocada uma bacia d’água quente, como tentação. Mas aqueles intrépidos aguentavam o tormento do gelo que os apertava. Eis senão quando um deles, não suportando mais o martírio, saiu da água que se congelava e entrou no banho quente, renegando assim Jesus Cristo! Mas o desgraçado apóstata morreu logo. Aquele soldado já havia confessado Jesus Cristo em tantas provas: podia aguentar mais um pouco e teria a coroa da glória como seus demais companheiros. Entretanto, eis a desgraça imensa, por não ter perseverado até o fim! 3 – Voltará a tentação Ficai sabendo que o diabo não morreu, e as tentações ainda virão assaltar-vos mais terríveis do que dantes. Agora que o demônio ficou envergonhado e se afastou de vós, absolutamente não se dá por vencido. Sabeis o que faz? Di-lo o Evangelho: “Quando o espírito imundo (o diabo) sai de uma alma, vai-se com tanta raiva que não pode ter repouso; e diz: Voltarei à minha casa, de onde fui expulso. Mas, topando-a toda purificada e adornada das graças santificantes, traz, então, consigo mais sete espíritos infernais piores do que ele; e se consegue penetrar nessa alma, oh! pobre alma! ficará pior do que antes!” (Mt 12, 43-45) Não estou aqui para espantar-vos, mas devo dizer-vos aquilo de que nos adverte S. Paulo: “É quase impossível (isto é, muito difícil) que tornem a converter-se a Deus aqueles que foram iluminados, e provaram os dons celestiais, e depois, cedendo às tentações, caíram de novo nos pecados mortais” (Hebr 6, 4-6). Não poderia suceder isso a vós? Mereceríeis, então, de Deus maior castigo. Se o Filho pródigo, depois de ter sido acolhido por seu pai com tanta bondade, ainda se tivesse afastado dele e de novo se entregasse aos vícios, não teria aquele pai sofrido muito mais? E afinal, quem sabe se o teria ainda perdoado? O Espírito Santo diz: “Ai daqueles que deixam os caminhos retos, e vão tomar os caminhos tortuosos!” (Eclo 2,16). 4 – Lutar para conseguir o Paraíso O Paraíso é denominado uma palma da superna vocação: Bravium supernae vocationis (Flp 3,14); mas é preciso conquistá-la, correndo até a meta. É uma mercê: mas esta se dá aos bons obreiros, isto é, àqueles que servem fielmente ao bom senhor que é Deus. É uma coroa: mas para recebê-la é preciso lutar, não um dia, não um ano, mas até a morte. Di-lo o Senhor: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida eterna” (Apc 2,10). Oh! Que consolação tereis, quando, após o breve padecer desta vida, virdes o bom Deus que vos dará ele próprio a coroa da glória eterna (1Pdr 5,4). Então não haverá mais para vós, nem aflições, nem misérias, nem dores; mas perpétua paz, eterna alegria, eterna riqueza, eterna felicidade! Não sereis, pois, perseverantes no serviço de Deus? Coragem, ó queridos filhos! “Não deis nunca oportunidade ao diabo, exclama-vos São Paulo: Nolite dare locum diabolo!” (Ef 4, 27). Para que serviriam, afinal, os vossos bens propósitos? Para que serviriam esses santos Exercícios? Se deveis ainda cair nos pecados, poderíeis não vos levantar mais e danar-vos. Direis: Como faremos então? Como poderemos manter os frutos desses Exercícios? Eis os meios, que são também as Recordações que vos deixo: vigilância e oração. São os que já sugeriu Jesus Cristo Nosso Senhor: Vigilate et orate. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- A hierarquia paralela
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 21-07-1973 A RESPEITO da confusão trazida à Igreja pela "hierarquia paralela", eu diria também parasitária, produzida pelas exorbitâncias das conferências episcopais, ofereço ao leitor de hoje, em homenagem ao Alfredo Lage, uma transcrição parcial de seu artigo, publicado com o título de Viver sem ser amado, no número 14 de Hora Presente. Esse assunto merece ser abordado com perseverança, porque essa adulteração da hierarquia está no centro da tragédia de nosso tempo. Eis o texto de Alfredo Lage: "NUM artigo aparecido em "Écrits de Paris" (março de 1971), alguém que se assina Civis Romanus resume do seguinte modo a atual situação da Igreja: "DURANTE o último Concílio, houve na Igreja um acontecimento que, por analogia sem dúvida com certa revolução bem conhecida, o Pe. Congar denominou a Revolução de Outubro. DE FATO, o nome é bem dado; pois, sob o ilusório pretexto de se atribuir aos bispos uma competência mundial, que partilhariam com o Papa, viu-se o episcopado sem tardança colocado sob a dependência de um número indeterminado de comitês, "conferências", secretariados, secretarias, conselhos etc., parentes bastante próximos dos Soviete e, como eles, ávidos dos poderes que a fraqueza de uns, a conivência de outros, iria atribuir-lhes ou permitir que abocanhassem. EVIDENTEMENTE, essa pretensa "colegialidade" não pode apresentar-se como de instituição divina. Durante quase vinte séculos, ninguém, nem pastores, nem fiéis — nunca dela ouvira falar. É de criação recente; foi inventada pelos que, na sombra, meditavam impor à Igreja uma constituição muito diversa da que recebera do seu Fundador. Essa constituição é de origem revolucionária, na plena acepção do termo, e nesse ponto estamos de pleno acordo com o ilustre, dominicano acima nomeado." O poder ideológico acima do poder dos bispos Com efeito, substituir a autoridade dos bispos pelo poder ideológico que, através de grupúsculos motores, sociétés de pensée ou células dos Partidos revolucionários, dirige sub-repticiamente as massas e orienta a Opinião, foi — em intenção ao menos — o alcance inaudito dessa reforma. Através de Conselhos técnicos e de órgãos especializados, as "exigências' do mundo moderno" pesam sobre a Igreja e violentam a sua doutrina. E todos os dias, assistimos à introdução na Igreja de processos de liderança invisível — como sondagens, inquéritos, campanhas dirigidas etc. Tal é a estrutura do poder oculto. Até que — uma vez chegados ao poder — proclamem-se por decreto vanguarda da Humanidade, e oráculos infalíveis da Vontade Geral, os Partidos revolucionários nunca se apresentam abertamente como meros partidos ou facções. Dão-se como os únicos legítimos intérpretes dos anseios democráticos da Humanidade. E, através de técnicas precisas de manipulação do pensamento, "apresentam ao povo a decisão do próprio povo", como observou Augistin Cochin. TRATA-SE — como bem viu Civis Romanus — de impor à Igreja uma constituição muito diversa daquela que recebera de seu Fundador. A tal ponto que, ainda recentemente, via-se o Papa obrigado a lembrar aos bispos que, por mandato divino, são eles os pastores de sua diocese. "Por necessária que seja a função dos teólogos, não foi aos sábios que Deus confiou a missão de interpretar autenticamente a fé, da Igreja; esta é sustentada pela vida de um povo de que os bispos são responsáveis diante de Deus" (Exortação Apostólica Quinque Jam anni, 8 dez. 1970). Como no seu último livro escreveu Maritain: "As comissões episcopais na melhor das hipóteses são puramente consultivas." "Se de algum modo, acrescenta Maritain, o bispo se tornasse, não digo de direito — está visto — mas de fato o agente executor de um comitê, ver-se-iam vulneradas sua missão mesma de sucessor dos apóstolos e a própria prescrição evangélica." (De l'Eglise du Christ, Desclée de Brouwer, Paris, 1970, p. 149). Conferências episcopais: uma hierarquia paralela FOI a partir do Concílio Vaticano II que se oficializou na Igreja esse sistema de comissões e sub-comissões. Remontemos às fontes: "Como as conferências episcopais — estabelecidas já em muitos países — deram magníficos frutos do mais fecundo apostolado, julga este santo Concílio muito conveniente que em todo o mundo os bispos da mesma nação ou região se reúnam em assembléia em datas prefixadas... a fim de que se constitua uma santa conspiração de forças para o bem comum das igrejas" (grifado por mim). NASCIDAS da conivência de coordenar a ação pastoral dos bispos de um determinado país ou região, bem cedo deturpam-se as conferências na expressão institucional, administrativa, de uma espécie de "Concílio Nacional ou Regional permanente", órgão fantasma da Revolução de Outubro na Igreja. Seu primeiro efeito foi diluir o "poder ordinário próprio e imediato" dos bispos sobre a sua diocese. PERCEBERAM imediatamente os partidários de uma "nova" Igreja a oportunidade de servir-se desses órgãos como instrumentos de uma hierarquia paralela. Com efeito, o mesmo "Decreto sobre o Ministério Pastoral dos Bispos" que dispôs sobre as conferências episcopais estabelecia, que o funcionamento intermitente das Conferências deveria ser suplementado por órgãos permanentes. Nos estatutos adotados pelas diversas conferências -- estipula o Decreto — "há de prover-se tudo o que possa favorecer a mais eficaz consecução de seu fim: por exemplo, um conselho permanente de bispos, comissões episcopais, um secretariado geral" (destaque meu). SURGIU assim uma sorte de poder burocrático na Igreja. DOIS fatores de ordem sociológica favoreceram essa formação: 1º) a tendência centralizadora que, por influência dos movimentos socialistas em todo o mundo, retira a faculdade de tomar decisões dos diversos níveis locais e particulares de organização para confiá-la a corpos de especialistas, situando o mais alto possível os centros de decisão: 2° o processo natural que propicia a concentração de poderes nas mãos dos que os exercem full time, fenômeno que na Rússia da Revolução, p. ex., assegurou a vitória do Stalinismo. "Em todos os escalões a autoridade e a influência passaram dos Congressos às conferências e aos comitês eleitos por eles, depois aos secretários desse comitês" (Roland Gaucher: 'Opposition en URSS, Albin Michel, 1967, p. 62).
- XX – Encerramento dos Exercícios Espirituais e Recordações - Meios e Recordações - Parte 1
II – Meios e Recordações Parte 1 1 – Vigilância Vigiar quer dizer: a) Estar em guarda e com olhos abertos, para que o demônio não possa surpreender-vos. Quem tem valores não anda descuidado: está atento por onde anda e com quem se acha, para não deixar que lhe levem os valores. Os marujos que navegam em mares perigosos, cuidam que o navio não vá bater em escolhos, com o risco de afundar-se com todos os tesouros que carrega. Também vós: agora que sois possuidores de um valor inestimável e trazeis convosco, para não perder esses grandes tesouros. b) Viver circunspecto e em temor – Estais no meio de um mundo muito corrompido e maligno. Mundus totus in maligno positus (1 Jo 19). Deveis fazer como os pássaros quando descem ao chão. Vêdes os pobres animaizinhos catar grãos, ou tomar o pingo d’ água circunspectos e medrosos, e voar logo; porque sabem que estão em lugar inseguro, onde lhes preparam visgos e lhes armam laços. Quando os pássaros fazem assim, em vão se armam as redes diante de seus olhos. Assim deveis fazer: deveis viver sempre circunspectos; porque neste mundo não há senão emboscadas. Deveis tratar com o mundo como quem sabe que está tratando com um traidor. Diz o Espírito Santo: “Feliz do homem que está sempre temeroso (Prov 28,14). E ainda: “Quem sabe evitar os laços, estará seguro” (Prov 11,15). c) Fugir às ocasiões – É este o mais importante conselho da religião. O demônio se ri da vossa conversão e de todos os vossos bons propósitos, se ainda procurais as ocasiões do pecado. “Quem ama o perigo, nele perecerá”, diz o Espírito Santo. Fugi, pois, dos lugares, das pessoas, das companhias ou amizades, dos divertimentos, dos livros, dos objetos que já vos foram causa de pecado. d) Viver na presença de Deus – O velho Tobias recomendava isso com grande ardor ao seu filho: “Em todos os dias da tua vida, tem em mente Deus (Tob 4, 6). O que quer dizer que a ideia da presença de Deus é um dos meios mais seguros para evitar o pecado. Como, afinal, poderá pecar aquele que pensa que o olhar de Deus o acompanha e o perscruta a todo momento e por toda a parte? Foi esse o pensamento que evitou que pecassem José, o Hebreu e a casta Susana, como diz a Sagrada Escritura: pecar diante de Deus? Jamais! Um rapazinho, tentado por um colega a cometer o mal, lhe disse: “Sim, mas leva-me a um lugar onde tenhamos Deus”. Dizei também em toda tentação: “Deus me vê” pecarei em sua frente?”. Esse pensamento, além de fazer-vos esquivar o mal, também vos será estímulo para fazer o bem. e) Fazer caso das pequenas coisas – Disse o Senhor que “quem é fiel no pouco, também no muito é fiel; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito” (Lc 16,10). Lembrai a famosa estátua vista por Nabucodonosor. Tinha ela a cabeça de ouro, as costas de prata, o peito de bronze, as coxas de ferro, e finalmente de barro os pés. Eis a imagem de quem aos poucos declina do bem. O primeiro degrau é passar do ouro à prata; o segundo é passar ao bronze; depois ao ferro e ao barro. E quando se está no barro? Basta desprender-se do alto uma pequena pedra, e a estátua vai por terra. Por isso nos adverte o Espírito Santo: “Quem despreza as pequenas coisas, a pouco e pouco irá à ruína: Qui spernit modica, paulatim decidet” (Eclo 19,1). O demônio ao tentar-vos, contentar-se-á, de início, com pequenas falas: mentirazinhas, negligências, palavras meio livres... dizendo-vos: “Que mal há nisso? Mas depois: “à pequena fagulha se segue grande chama”, como diz Dante. Do pouco se cai depressa no muito, isto é, no pecado grave. Já vistes como se fazem as cordas? Um fio, depois outro fio, e depois mais outro fio; e torcem-se juntos. Assim um pecado chama o outro..., e depois onde se vai acabar? Fazei, pois, muito caso das pequenas coisas, tendo sempre em mente aquele aviso do Espírito Santo: “Como da frente da cobra foge aos pecados; pois, se a estes te chegares, morder-te-ão” (Eclo 21, 2). A picada de uma cobrinha – Um viandante, ao passar por uma selva, viu uma árvore derrubada, e se foi sentar em cima dela, sem se preocupar se o lugar era seguro. Mas ai de mim! De sob o tronco da árvore sai uma cobrinha venenosa que picou o imprudente, de sorte que teve de ali deixar a vida. Tais são as cortesias do pecado a quem a ele se achega. Não é dito pelo Espírito Santo de que pecados se deve fugir: compreendem-se, pois, todos, até os pequenos; porque estes em seguida levam aos graves que dão a morte à alma. E como é, então que, para significar uma coisa temível se fala em “cobra”, e não em leão ou em lobo? Porque os leões e os lobos, quando pequenos, se podem acariciar e ficar domesticados; ao passo que não existe ninguém que acaricie uma cobra, porque, embora pequena, a cobra tem o seu veneno. Os bons jovens não negligenciam as pequenas coisas assim no bem quanto no mal. “Quem teme o Senhor não negligencia coisa alguma” (Ecl 7,19). Vedes o avaro? Que fez para enriquecer? Não despreza os pequenos lucros. Procurai adquirir méritos em todas as ações, mesmo pequenas, e em qualquer ocasião. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Comentários Eleison nº 803
Por Dom Williamson Número DCCCIII (803) – 3 de dezembro de 2022 AS PERGUNTAS QUE SE SEGUEM – II Precisamos de paciência. Todas as lutas entre católicos, Não impedirão Deus de colocar tudo em ordem. Para tentarmos fazer um juízo justo sobre o recorde de 79 jovens que entram este ano nos seminários maiores da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, como se sabe (ver os últimos cinco números destes “Comentários”), pode ser útil tecermos mais algumas considerações sobre o contexto atual da Igreja. Façamos isso mantendo o negrito na próxima pergunta. 2 Excelência, por que o senhor é tão relativamente indulgente nas suas críticas à Neofraternidade? Ela não traiu o seu Fundador, o Arcebispo Lefebvre, em 2012? Não se deveria referir-se aos responsáveis como traidores que são? Vamos com calma. Na Igreja Católica, no Vaticano II (1962-1965), os pastores católicos foram atingidos pelo erro do modernismo como nunca haviam sido atingidos em toda a história da Igreja, nem mesmo na crise ariana do século IV, porque o modernismo transforma o cérebro subjetivo em mingau objetivo. Na Pascendi, Pio X (1907) esmiuçou essa condição catastrófica da mente humana, mas conseguiu restaurar a sanidade na Igreja apenas temporariamente, porque a insanidade no mundo só piorou depois dele, de modo que, em 1991, quando o Fundador da Fraternidade morreu, as ovelhas católicas em torno da Fraternidade ficaram profundamente “dispersas” (Zc. XIII, 7; Mt. XXVI, 31), pois foram os pastores mesmos da Igreja Universal que traíram no Vaticano II ao separarem a sua própria Autoridade da Verdade Católica. Ora, estritamente falando, todos os católicos que seguem os seus líderes enganados desde o Concílio Vaticano II vêm, na mesma medida, abandonando a Verdade Católica; mas, obviamente, nem todos eles quiseram abandonar a Verdade. De fato, muitos seguiram a Autoridade enganada apenas porque ainda acreditavam que ela lhes dizia a Verdade. A prova é que, desde então, sempre que o Espírito Santo, a velocidades variáveis, deu luz a tais almas, muitas delas, como o Arcebispo Viganò, conseguiram enxergar através da falsa Autoridade e regressaram à Verdade da Tradição. A esses católicos de boa vontade, Deus deu nos anos 70 e 80 um grande líder da Verdade na pessoa do Arcebispo Lefebvre (1905-1991), e nasceram o movimento Tradicional e a verdadeira Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Mas quando o seu carisma pessoal morreu com ele em 1991, então o carisma de Roma e a sua Autoridade, universal para os católicos, reafirmou-se, e em 2012 a Fraternidade do Arcebispo tinha-se tornado a Neofraternidade, tal como em 1965 a Igreja Católica de Deus havia-se tornado a Neoigreja, por razões paralelas. Contudo, tal como em 1965 a maioria dos católicos não tinha luz para ver o que tinha acontecido no Concílio, também em 2012 a maioria dos Tradicionalistas não tinha luz para ver imediatamente o que tinha acontecido naquele ano, quando os líderes da Fraternidade colocaram a Fraternidade no caminho de procurar um acordo por etapas (Confissões, Casamentos, Ordenações) com os apóstatas romanos, com os quais o Arcebispo tinha passado a recusar todo contato até que eles voltassem à Verdade dos grandes documentos doutrinais antimodernistas dos Papas Católicos dos séculos XIX e XX. E mais uma vez, tal como a maioria dos católicos em 1965 seguiu a Autoridade enganada apenas porque contava com ela para a Verdade, também a maioria dos tradicionalistas em 2012 só continuou a seguir os líderes da Neofraternidade que flertavam com os apóstatas porque confiou neles para continuar a dizer-lhe a Verdade. Ora, é verdade que em 1990 os líderes da Fraternidade foram solenemente advertidos, em um retiro em Écône, de que os romanos eram apóstatas. “Repito”, salientou seu Fundador, “eles perderam a fé”. Contudo, ninguém pode dizer que a Neofraternidade traiu completamente a Verdade do Arcebispo, porque ainda recusa os dois pontos principais em que “Roma” insiste: a aceitação do Vaticano II e a aceitação da missa nova. Para concluirmos, precisamos rezar para que a Neofraternidade não ceda nunca na questão do Concílio ou da Missa, porque ela ainda pode ter muitas verdades para dizer a muitos católicos se se mantiver firme na doutrina católica. Mas que o apelo pastoral acima referente à caridade e à humildade entre os católicos não seja tomado como qualquer tipo de aprovação da mudança de doutrina da verdadeira Igreja para a Neogreja em 1965, ou da Fraternidade para a Neofraternidade em 2012. Ambos foram verdadeiros desastres para a Igreja e para o mundo. Kyrie eleison.
- Sem rumo e sem prumo
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 28-06-1973 Ofereço hoje ao leitor palavras do profeta Ezequiel, que me parecem dotadas de especial atualidade, e ofereço-as na tradução clássica de Antônio Pereira de Figueiredo, para assim proporcionar ao leitor uma página de boa língua portuguesa, além de uma sonora e atualíssima Palavra do Senhor: 1. E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 2. Filho do homem, profetiza sobre os pastores d'Israel; profetiza, e dirás aos tais pastores: Isso diz o Senhor Deus: Ai dos pastores d'Israel que se apascentavam a si mesmos: não são os rebanhos os que são apascentados pelos pastores? 3. Vós Ihes comíeis o leite, e vós vos cobríeis das suas lãs, e matáveis as ovelhas que eram mais gordas; mas não apascentáveis o meu rebanho. 4. Vós não fortalecestes as que estavam fracas, e não curastes as que estavam enfermas, não ligastes os membros às que tinham algum quebrado, e não fizestes voltar as que andavam desgarradas, nem buscastes as que se tinham perdido; mas vós domináveis sobre elas com aspereza e com império. 5. Assim as minhas ovelhas se espalharam, por não terem pastor; e elas se tornaram em presa de todas as alimárias do campo, e se desgarraram. 6. Os meus rebanhos andaram erradios por todos os montes e por todos os outeiros elevados; e os meus rebanhos se espalharam por toda a face da terra, e sem haver ninguém que os buscasse, sem haver ninguém, digo, que tomasse o trabalho de os buscar. 7. Por isso, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: 8. Eu juro por minha vida, diz o Senhor Deus, que porque os meus rebanhos foram entregues a rapina, e as minhas ovelhas expostas a serem devoradas por todas as alimárias do campo, como quem não tinha pastor, pois que os meus pastores não buscaram o meu rebanho, mas só cuidavam esses pastores em se apascentar a si mesmos, e não davam pasto aos meus rebanhos; 9. Ouvi, portanto, ó pastores, a palavra do Senhor. 10. Isto diz o Senhor Deus: Eis aí vou eu mesmo sobre esses pastores a demandar o meu rebanho das mãos deles, e fá-los-ei cessar, para que nunca mais apascentem rebanho, nem os tais pastores se apascentem jamais a si mesmos; e livrarei o meu rebanho da sua boca, e ele lhes não servirá mais para sua comida. 11. Porque isto diz o Senhor Deus: Eis aí eu mesmo irei a buscar as minhas ovelhas, e eu as visitarei. 12. Bem assim como um pastor visita o seu rebanho no dia em que se acha no meio das suas ovelhas dispersas, assim visitarei eu as minhas ovelhas, e eu as livrarei de todos os lugares por onde elas tinham andado dispersas no dia de nublado e de obscuridade. 13. E eu as tirarei para fora dos povos, e as ajuntarei de diversos países, e as introduzirei na sua terra, e apascentá-las-ei sobre os montes d’Israel, ao longo das ribeiras, e em todos os lugares habitáveis do país. 14. Eu as levarei a pastar nas pastagens as mais férteis, e nos altos montes d'Israel será o lugar da sua pastagem; elas lá repousarão sobre as verdes relvas, e pastarão sobre os montes d’Israel em pingues pastagens. 15. Eu apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus. 16. Eu irei buscar as que se tinham perdido, e farei voltar as que andavam desgarradas, e ligarei os membros às que tinham algum quebrado, e fortalecerei as que estavam fracas, e conservarei as que estavam gordas e fortes, e eu as apascentarei em justiça. 17. Mas vós, rebanhos meus, isto diz o Senhor Deus: Eis aí julgo eu entre rês e rês, entre os carneiros e os bodes. 18. Acaso não vos bastava a vós nutrir-vos numas pastagens excelentes? Senão que sobre isto ainda pisastes aos vossos pés o resto dos vossos pastos, e, depois de terdes bebido uma água muito clara, turvareis com os vossos pés o resto. 19. Assim as minhas ovelhas vinham a apascentar-se do que tinha sido pisado com os vossos pés, e vinham a beber do que os vossos pés tinham turvado. 20. Por cuja causa isto diz o Senhor Deus a vás outros: Eis aqui venho eu mesmo a julgar entre as reses gordas e as reses magras. 21. Pelo motivo de que vós com os vossos costados e ombros lhes dáveis encontrões, e com os jatos das vossas pontas lançáveis por esses ares a todas as ovelhas magras, até serem com dispersão expulsadas fora. 22. Eu salvarei o meu rebanho, e ele não servirá mais de presa, e eu julgarei entre ovelhas e ovelhas. 23. E suscitarei sobre elas um único pastor que as apascente, meu servo David: ele mesmo as apascentará, e este mesmo terá lugar de seu pastor. 24. Eu porém, o Senhor, serei para eles o seu Deus, e meu servo David será no meio delas como o seu príncipe. Eu o Senhor é que falei. 25. E farei com as minhas ovelhas um pacto de paz e farei exterminar da terra as alimárias mais cruéis; e os que habitam no deserto dormirão seguros no meio dos bosques. 26. E pô-los-ei ao redor do meu outeiro para bênção, e farei cair as chuvas a seu tempo: elas serão umas chuvas de bênção. 27. E as árvores do campo darão o seu fruto, e a terra dará o seu germe, e as minhas ovelhas habitarão sem temor no seu país; e elas saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver quebrado as cadeias do seu jugo, e as tiver arrancado dentre as mãos dos que a dominavam com império. 28. E elas não serão mais a rapina das nações, nem as alimárias da terra as devorarão; mas elas habitarão com toda segurança, sem terem nada que temer. 29. E eu lhes suscitarei um germe de grande nomeada; e eles não tornarão a ser consumidos pela fome sobre a terra, nem trarão sobre si mais o opróbrio das gentes. 30. E saberão que eu, o Senhor seu Deus, serei com eles, e eles, casa d'Israel, serão o meu povo, diz o Senhor Deus. 31. Vós, porém, rebanhos meus, vós, rebanhos da minha pastagem, sois homens, e eu sou o Senhor vosso Deus, diz o Senhor Deus. E AGORA, depois desse quadro em que o Senhor anuncia o dia do Juízo a apostrofa os maus pastores, ouçamos no Evangelho de Mateus esta palavra pungente em que, mais uma vez, Jesus se comove e chora sobre as multidões. E por quê? Porque as vê erradias, abandonadas a si mesmas, sem prumo e sem rumo. Eis o texto: "Entretanto ia Jesus dando voltas por todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino, e curando toda a doença e toda a enfermidade. E olhando para aquelas gentes se compadece delas, porque estavam fatigadas e quebrantadas como ovelhas que não têm pastor." E AÍ ESTÁ a tecla em que batemos na profecia de Ezequiel: a calamidade do mau pastoreio é o objeto especialmente visado; aqui em Mateus, por via indireta e adjetiva, Jesus compadece-se da tristeza e do desamparo das multidões, e para exprimir bem tal miséria apresenta-se "como ovelhas sem pastor", para bem frisar que pior calamidade não há para um povo. E AGORA nós corremos os olhos pelo povo de Deus no mundo inteiro e vemos por toda a parte, com raras exceções, a mesma desolação. Pobre gente! Sem prumo e sem rumo! Pobre gente! E para maior escárnio e maior crueldade, há lugares onde os pastores deixam suas ovelhas sem rumo nem prumo sob o pretexto de lutarem nas fileiras de uma Revolução libertadora: Pobre gente!
- XX – Encerramento dos Exercícios Espirituais e Recordações - Meios e recordações - Parte 2
II – Meios e Recordações 2 – Oração a) O apelo a Deus Eis o meio com que se vencem os inimigos; e a arma contra todas as tentações. Bem o sabe o demônio, que depressa começa a apanhar em suas redes quem não reza. Lembrai o fato de Sansão, cuja força estava nos cabelos. Tendo-o sabido, Dalila os cortou, e Sansão, perdida a força, tornou-se o escárnio dos seus inimigos que o aprisionaram (Jz 16). Assim fará o demônio se vos topa desarmados. Rezai, pois, amiúde e bem: recitai sempre vossas orações pela manhã e pela noite, e recomendai-vos a Deus nas tentações. Tende em mente o que disse S. Afonso: “Quem reza se salva, quem não reza se perde”. Rezando, manter-vos bons e salvar-vos-ei. b) A frequência dos Sacramentos Estes são a fonte de todas as graças. Jesus Cristo institui-os para curar as almas do pecado, e mantê-las na santidade. Se os negligenciais, ficareis fracos e não podereis dominar as vossas paixões; e assim, encaminhar-vos-eis facilmente pela senda dos pecados. Portanto, confissões e comunhões frequentes, e bem feitas. Não aguardeis a Páscoa para vos confessar e comungar. Não só então precisa disso a vossa alma, para estar em graça: precisa sempre. “O médico para a Páscoa!” – Um jovem atravessava precipitadamente de carro uma praça pública, quando de repente o cavalo empina e o carro se vira. Aquele pobrezinho ficou todo machucado e ferido, e foi apanhado no chão pela gente que acorreu, a qual gritava: “Depressa um médico!”. O jovem, que ouvira estas palavras, exclamou: “Um médico? Ai de mim! Um médico para a Páscoa!”. As pessoas presentes julgaram que a queda lhe houvesse ofendido o cérebro. Esse jovem insensato representa alguns rapazinhos que se acham machucados na alma e dizem: Confessar-vos-emos na Páscoa. c) A Devoção à Nossa Senhora Os Santos Padres e os Doutores da Igreja são unânimes ao afirmarem que o ser devoto de Maria Santíssima é um penhor certo da salvação eterna. A Igreja exalta a Virgem dizendo, que dela tem vindo todo bem, e outra coisa não virá; chama-a causa de alegria, fonte de graça, escada que leva ao Paraíso, Porta do Céu. E diz ainda (com as Palavras da Sagrada Escritura) que “quem encontrá-la terá a vida e receberá a salvação de Deus” (Prov 8, 35). E o Ab. Guerrico sentenciou: “Quem tem devoção à Virgem está tão seguro do Paraíso, como se já lá dentro estivesse”. E como não? Senda ela a nossa Mãe, ama-nos com um amor terníssimo, como não há mãe alguma terrena; e não vos deve importar ver-vos salvos? Tende, pois, devoção à Nossa Senhora. Mas é necessário que essa devoção seja sincera: que consista em amá-la, em servi-la e em imitar as suas virtudes. Por isso recorrei a ela todos os dias; prestai-lhe constantemente algum obséquio; recitai frequentemente o rosário; visitai-a nas igrejas; saudai as suas imagens; invocai-a nas tentações. Aí sim, que tereis a sua maternal proteção, e obtereis dela ir para o Paraíso. Conclusão E agora, ó queridos filhos, só me resta invocar sobre vós as bênçãos de Deus. Mas direi primeiro o que disse S. Paulo ao povo de Mileto, a quem havia pregado: “Agora vos recomendo a Deus e à sua graça: Nunc comendo vos Deo, et verbo gratiae ipsus” (At 20, 32), a fim de que disponha vossas almas a receber tão grande bem. Em nome, pois, de Jesus Crucificado, mais com o coração do que com a boca vos abençoou a todos. Abençoou vossas almas para que vivais sempre na graça de Deus; os vossos corações, para que ameis a Deus sobre todas as coisas; os vossos sentidos e os vossos corpos, para que deles vos sirvais somente para a glória de Deus e para consecução do vosso último fim. Abençoou também vossos pais e superiores, aos quais é confiada a vossa educação, para que tenham sempre as luzes celestiais e as graças divinas a fim de proporcionarem o vosso máximo bem espiritual. Ponde-vos agora de joelhos e juntai as mãos. E vós, ó amabilíssimo Jesus, Redentor nosso, abrindo agora os tesouros de vossa infinita misericórdia, derramai sobre esses queridos jovens, que redimistes com o vosso sangue, as vossas graças mais eficazes e as mais copiosas bênçãos; e fazei que estas os acompanhem em todos os passos de sua terrena peregrinação até a consecução do prêmio que lhes dareis no Paraíso. Benedictio dei Omnipotentis... (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Pobre Chile! Pobre Argentina!
Por Gustavo Corção publicado n’O Globo em 16-06-1973 TODO o mundo sabe que o povo chileno, traído pelo governo democrata-cristão e especialmente por Eduardo Frey, e traído por seus padres e por seus bispos, com exceções cada vez menos honrosas e mais raras, foi entregue a uma gang comunista que em três anos o arruinou. Lembremos que existe um decreto de Pio XII condenando o comunismo e a colaboração dos católicos com esse movimento histórico sob pena de excomunhão (A.A.S. 1 de julho de 1949). Esse decreto foi reforçado por João XXIII (A.A.S. 4 de abril de 59) Nenhum dos dois foi revogado. Nos meios realmente católicos ninguém pode admitir que a Igreja de Cristo tenha terminado em Joao XXIII e que agora vivemos dentro de Outra. Então, a propósito do caso do Chile podemos dizer que houve uma explosão de apostasias já que o clero e o episcopado não fizeram outra coisa senão ajudar Allende, com Te Deum e pronunciamentos de conferências episcopais. A associação TFP chilena publicou uma nota, que foi transcrita no Diário de Notícias do dia 15-4-73 e na Folha de São Paulo de 2-3-73, na qual, com densa documentação, mostra a infeliz atuação do clero e do episcopado chileno. Estamos cansados de saber que esse Monstrengo, que tenta se inculcar como a Nova e verdadeira Igreja de Cristo, é obra de graduados e graduadíssimos apóstatas. Em todo o Orbe, onde tentam inculcar Outro Evangelho, sabemos que há sempre bispos e cardeais puxando o cordão, mas o caso chileno, que mata de fome um povo, é especialmente escandaloso. NOTEM os leitores que no dia em que as donas-de-casa vieram para as ruas com as panelas vazias, em outubro de 72, o Cardeal Silva Henriquez enviou de Roma, onde se achava em entrevista com Paulo VI, uma mensagem pública solidarizando-se com Allende e oferecendo-se para interceder junto aos queixosos. Como? Enchendo as panelas? Pregando a resignação cristã? A DESORDEM no Chile acelerou-se e agora é com pasmo, com assombro, com infinito e supremíssimo cansaço que vemos os mesmos Bispos chilenos a externarem suas preocupações como se os cúmplices do assalto e da desordem pudessem ter agora o direito de queixarem-se do resultado. A sem-cerimônia desses bispos da Outra igreja, que tão desembaraçadamente desprezaram os decretos de Pio XII e João XXIII, em pleno vigor, ultrapassa todos os limites. Amanhã ou depois, se as forças armadas do Chile acordarem e descobrirem que têm o dever de instalar um governo cirúrgico ou purgativo, como tão bem fizeram as nossas em 64, esses mesmos bispos de sucessivas igrejas estarão a lançar manifestos contra o Governo, e em nome de uma revolução social, como a que sonham nossos prelados do Nordeste. A REVISTA Itineraires, no seu número 171, em excelente artigo de Jean-Marc Dufour, descreve assim as etapas das experiências socialistas: a) No primeiro ano comem-se as reservas; b) No segundo raspam-se as gavetas; c) No terceiro fecha-se a loja. Perdão. Há um quarto ano: aquele em que os Estados Unidos correm a salvar os comunistas, porque isto, para a grande nação americana, desde a 1ª Revolução russa, tornou-se o maior dos mandamentos. O ESCANDALOSO apoio do clero e do episcopado ao assalto dos comunistas no Chile foi tão evidente e tão multiplicado que o próprio Allende foi levado a formular declarações teológicas sem encontrar nenhum protesto. Em entrevista concedida ao New York Times, em Santiago, outubro de 70, Allende anuncia que a Igreja Católica mudou sua doutrina tradicional. E acrescenta: "Tive oportunidade de ler a Declaração dos Bispos em Medelin: a linguagem que empregam é a mesma que usamos desde nossa iniciação na vida política há trinta anos. Naquela época éramos condenados por tal linguagem que hoje é empregada pelos bispos católicos." A TRANQUILA confiança com que o então candidato diz essas palavras indica a certeza que tem de assim agradar os bispos, que se sentem lisonjeadíssimos de não dizerem hoje as mesmas palavras de 30 anos atrás. E AGORA, diante do fenômeno monotonante repetido, isto é, diante da calamidade produzida por um governo comunista, os Bispos chilenos ainda acharam um palavrório para lamentar a situação que eles mesmos criaram. NA MESMA revista Itineraires, número 173, o mesmo autor atrás citado analisa o resultado das eleições argentinas e conclui com estas palavras que merecem nossa atenção: "Pode-se falar de delírio. Mas esse delírio não deixará de encontrar fervorosos adeptos em outros países. O inimigo de uma nova cruzada já foi achado: basta ler os artigos dos correspondentes mais engajados para verificar que, desde a vitória de Perón, "o imperialismo brasileiro" está na berlinda com uma frequência cada vez maior." E JEAN Marc Dufour continua: "A ideia de uma grande aliança antibrasileira que agruparia a Argentina, o Chile (é claro) e os países do grupo andino (entre os quais têm destaque o Peru e o Equador) está certamente na linha da natureza das coisas. (...) Não faltarão aliados. Todos os subdesenvolvidos crônicos, que não podem perdoar ao Brasil o êxito que eles nem conseguem sonhar, se unirão alegremente. Há, entretanto, uma outra possibilidade que não se pode desprezar: a do caos triunfante. Vinte e sete anos atrás Domingos Perón pôde desprezar certo número de contingências, e ter confiança em seu magnetismo. Mas 27 anos fazem do exilado de Madri, do coronel triunfante, um velho de 77 anos. O simples declínio das forças físicas pode desempenhar um papel decisivo. A vitória do peronismo poderia então trazer uma volta à era dos "montoneros"... que trocariam o cavalo pelo jeep ou pela moto, mas que trariam com eles o arbitrário, a instabilidade, os massacres fratricidas." SE ESTA previsão de Dufour tem algum fundamento — e receio que tenha — é fácil acrescentar que esse caos argentino tomará forma comunista, e que o cerco antibrasileiro no continente terá a mesma inspiração, e contará com o clero e o episcopado "progressista" de nosso País. E com quem contaremos nós para a defesa da Civilização e do Cristianismo?









