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  • Carta de Broadstairs - Nº 09

    Nova et vetera (Mat. 13, 52) Enoque e Elias [extraído de The drama of the end times , do Père Emmanuel, 1885] I -  Lancemos por alguns instantes o nosso olhar sobre os intrépidos missionários de Deus e sobre a ocasião divina de sua aparição. Segundo São Pedro, nos últimos tempos surgirão sedutores, impostores, que porão em dúvida as promessas feitas por Nosso Senhor e a Sua vinda (II Pedro 3, 3–4). Esses sedutores nós os vemos com os nossos próprios olhos e os ouvimos com os nossos próprios ouvidos: racionalistas, materialistas, positivistas. Negam qualquer Causa Primeira e qualquer acontecimento sobrenatural, e não se importam em investigar de onde vêm ou para onde vão, tal como os insensatos descritos no Livro da Sabedoria. Por isso, a seus olhos, o homem deve aproveitar ao máximo o momento presente, pois tudo o mais é incerto. Esses falsos sábios relegam os escritos inspirados de Moisés à categoria de fábulas e recusam-se a atribuir qualquer valor histórico à Sagrada Escritura. Todos esses textos, afirmam eles, seriam obra de um certo Esdras, um judeu presunçoso que quis exaltar a sua própria nação. Quanto à Segunda Vinda, à ressurreição geral, ao Juízo Final e a uma recompensa ou punição eternas, consideram tudo isso absurdo e fantasioso. Estão cheios de certezas de que a humanidade caminha rumo a um progresso indefinido e que um dia encontrará o paraíso na terra. Para confundir esses impostores, o Deus Todo-Poderoso suscitará Enoque, ele próprio representante do período anterior ao Dilúvio, quase contemporâneo da origem do mundo. Suscitará também Elias, representante da Antiga Lei, que faz a ponte entre o tempo de Salomão e Davi, e Isaías e Daniel. Essas grandes figuras virão com uma autoridade incontestável, tanto para estabelecer a autenticidade da Bíblia e a relação do Cristianismo com os profetas e com Moisés, quanto com os patriarcas e com Adão. Em suas pessoas, todos os séculos se erguerão para dar testemunho da veracidade da revelação divina. Nunca a divindade do Cordeiro de Deus terá resplandecido com tal esplendor. Ao mesmo tempo, anunciarão com força a aproximação do Juízo Final, pregando a penitência: Enoque, com grande majestade, anunciará Nosso Senhor Bendito às nações; Elias manifestará aos judeus, que aguardam o seu retorno, a divindade de Cristo. Essa pregação será seguida por inumeráveis e impressionantes conversões, notadamente entre os judeus, apesar de todas as ameaças e tormentos. As duas testemunhas pregarão ora juntas, ora separadamente, através do mundo, por um período de três anos e meio. Apesar da conspiração de silêncio por parte dos meios de comunicação que enfrentarão (como foi o caso em Lourdes), atrairão a atenção do mundo inteiro. O Anticristo tentará em vão mandá-las prender, mas o fogo destruirá todos os que ousarem fazê-lo; assim, elas passarão ilesas pelo meio dos homens, ferindo os sensuais e os depravados com chagas terríveis. Não obstante, assim como para o próprio Nosso Senhor, também a missão delas será de duração limitada. Em determinado momento perderão a assistência e a proteção sobrenaturais, como foi predito pelo Apóstolo São João. II -  No capítulo onze do Apocalipse, São João descreve a aparente derrota de Enoque e Elias: “Quando tiverem concluído o seu testemunho, a besta que sobe do abismo fará guerra contra eles e os matará. Seus corpos ficarão expostos durante três dias e meio, à vista de todos, no centro da grande cidade, Jerusalém, enquanto os povos do mundo se regozijam com o espetáculo de sua morte.” “Mas, após os três dias e meio, o Deus Todo-Poderoso enviará sobre eles um sopro de vida, e eles se levantarão, para grande consternação de todos. Ao som de uma grande voz vinda do céu, serão elevados numa nuvem, à vista de seus inimigos; nesse momento, um grande terremoto destruirá a décima parte da cidade, causando a morte de sete mil homens, enquanto os que forem poupados, tomados de terror, darão glória a Deus!” Que conclusão avassaladora e que intervenção sobrenatural para esse drama incrível! Tendo-se reunido em Jerusalém, ali participarão das fraquezas divinas do nosso Salvador, sendo presos, condenados, atormentados e mortos, talvez até crucificados. Tudo parecerá terminado, com o Anticristo aparentemente triunfante; mas o que fará ele quando as duas testemunhas forem trazidas de volta dos mortos? Enfurecer-se-á ao saber que foi vencido e que a hora da justiça se aproxima. Segundo o profeta Daniel, parece que a punição definitiva do monstro será adiada por trinta dias após a assunção triunfal das duas testemunhas. Durante esse tempo, o Anticristo tentará recuperar o domínio perdido, antes de ser morto pelo sopro da própria boca de Nosso Senhor, possivelmente — como descreve Santa Hildegarda — no momento de sua própria pseudo-ascensão. Assim, o seu imenso império será reduzido a nada, e o mundo será libertado do seu peso esmagador. A isso se seguirá uma conversão em massa, como será explicado no próximo artigo. Continua...

  • Sagrações na Fraternidade

    O comunicado de Menzingen do dia 2 de fevereiro, festa da Purificação de Nossa senhora, nos anuncia novas consagrações episcopais para o dia 1° de julho próximo. Após contato com Roma e após ter recebido uma carta que “não responde de modo algum a nossos pedidos”, o R.P. Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade, apoiado no parecer unânime de seu Conselho, estima que “o estado objetivo de grave necessidade” no qual se encontram as almas exige uma tal decisão. Não podemos senão nos alegrar com tal notícia, e acompanhamos com interesse e orações o desenrolar desta corajosa decisão bem conforme ao exemplo deixado por Dom Lefebvre. Restará a observar o que a Fraternidade fará com outras decisões já tomadas no passado e que nos parecem não estar bem na linha de Dom Lefebvre, como a situação jurídica dos casamentos feitos na Fraternidade em comum acordo e sob a direção dos bispos locais, bem como a expulsão de Dom Williamson, que se opunha a uma perigosa aproximação com Roma em 2012. Seja como for, nós nos alegramos com esta decisão e rezamos desde já por aqueles que receberão o episcopado no dia 1º de julho próximo e que terão, provavelmente, de suportar novas excomunhões. A afirmação do “estado objetivo de grave necessidade” mostra que a Fraternidade emite o mesmo juízo que Dom Lefebvre sobre a raiz mesma de tantas decisões tomadas por Dom Lefebvre, no passado, e pela Tradição em geral, no presente e no futuro. Que Nosso Senhor proteja a Fraternidade e toda a Igreja.   + Tomás de Aquino O.S.B.

  • A verdadeira oposição

    por S.E.R. Dom Tomás de Aquino O.S.B.   A verdadeira oposição não está entre a direita e a esquerda, nem entre o Ocidente e o Oriente, nem entre a China e os Estados Unidos. A verdadeira oposição está entre o Catolicismo e os inimigos do Catolicismo; entre a Igreja Católica e os inimigos da Igreja Católica, sejam eles quais forem. Todas as outras oposições, em face desta verdadeira oposição, são superficiais. A maçonaria tem seus membros tanto na esquerda quanto na direita. A maçonaria, nos EUA, está bem representada entre os republicanos e entre os democratas. A verdadeira oposição não está aí. A verdadeira oposição está entre os que são contra o Cristo e os que são pelo Cristo. Por exemplo, a Revolução Francesa era contra o Cristo. Ora, hoje, direita e esquerda se referem aos mesmos princípios da Revolução Francesa. Podem eles ser realmente opostos? Pilatos e Herodes eram inimigos, mas ficaram amigos ao se oporem a Nosso Senhor. Claro que a direita está mais próxima da lei natural do que a esquerda, e isto é um bem, e neste ponto de vista a direita é muito melhor do que a esquerda. Mas se a direita recusa a Nosso Senhor o que lhe é devido, ela terminará engrossando as fileiras do Anticristo. No concílio e no pós-concílio se deu o mesmo. Os conservadores eram e são melhores do que os ultra modernistas. Mas se os conservadores recusam a Nosso Senhor a Sua realeza, eles acabam aceitando os mesmos princípios dos modernistas. Sua oposição não é a verdadeira. A verdadeira oposição é aquela que opõe Revolução e Contrarrevolução, o Cristo e o Anticristo. Foi o que fez Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer. Se a Revolução é um bloco, a Igreja o é muito mais. É este bloco que é necessário defender. O Pe. Emmanuel dizia que no final já não haveria política propriamente dita. Haveria só um drama religioso. O drama da verdadeira oposição entre os que são de Cristo e os que são do Anticristo. Que Nossa Senhora, a quem foi dada a missão de esmagar a cabeça da serpente, nos faça pôr-nos resolutamente e inteiramente nos exércitos do Cristo Rei e opor-nos com esta mesma energia aos precursores do Anticristo.

  • Dom Antônio de Castro Mayer - Resumo Histórico

    Dom Antônio de Castro Mayer Resumo Histórico Dom Antônio de Castro Mayer, filho de João Mayer e de Francisca de Castro Mayer, nasceu aos 20 de junho de 1904, em Campinas, no Estado de São Paulo, Brasil. De família profundamente católica e numerosa (tinha 11 irmãos, dos quais duas religiosas), ainda não atingira a idade de 7 anos quando perdeu o pai, de origem alemã, da aldeia de Stettfeld na Baviera. Referindo-se a este dizia: De meu pai recebi o maior tesouro: a fé. Com a idade de 12 anos, entra para o Seminário menor de Bom Jesus de Pirapora, dirigido pelos padres Premonstratenses. Em 1922, começa o Seminário Maior em São Paulo, e, por sua inteligência e bons resultados nos estudos, é enviado por Dom Duarte Leopoldo e Silva a Roma para completar seu curso eclesiástico na Universidade Gregoriana. No dia 30 de outubro de 1927, é ordenado sacerdote pelo Cardeal Basílio Pompilij, Vigário Geral de sua Santidade o Papa Pio XI. Pouco depois, recebe na Universidade Gregoriana o grau de doutor em teologia. De volta ao Brasil, é nomeado professor no Seminário de São Paulo. Durante 13 anos, ensina Filosofia, História da Filosofia e Teologia Dogmática. Em 1940, o Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar de Affonseca e Silva, o nomeava assistente geral da Ação Católica, então em fase de organização. Em 1941, é nomeado cônego catedrático do Cabido Metropolitano de São Paulo, com a dignidade de primeiro Tesoureiro. Pouco depois, torna-se Vigário Geral (1942). Em 1945, é transferido para o cargo de Vigário Ecônomo da Paróquia de São José do Belém, ao mesmo tempo se ocupa das cátedras de Religião e Doutrina Social Católica, respectivamente na Faculdade Paulista de Direito e no Instituto Sedes Sapientiae, ambas escolas superiores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A 6 de março de 1948, Sua Santidade o Papa Pio XII eleva Mons. Antônio de Castro Mayer a Bispo titular de Priene e Coadjutor, com direito a sucessão, do Arcebispo-Bispo de Campos, Dom Octaviano Pereira de Albuquerque. No dia 23 de maio do mesmo ano, o Núncio Apostólico do Brasil, Dom Carlo Chiarlo, oficia a cerimônia de sagração, tendo como assistentes: Dom Ernesto de Paula, Bispo de Piracicaba e Dom Geraldo de Proença Sigaud, Bispo de Jacarezinho, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo. Em virtude do falecimento de Dom Octaviano, em 3 de janeiro de 1949, Dom Antônio torna-se Bispo Diocesano dessa importante circunscrição eclesiástica do Estado do Rio. Além das atividades de seu cargo, Dom Antônio leciona também, primeiro na Faculdade de Filosofia e, depois na Faculdade de Direito de Campos. Após sua corajosa participação no Concílio, ele volta à sua Diocese onde mantém com firmeza na defesa da Tradição até sua demissão forçada, em 1981. Mesmo afastado, diante da implantação do progressismo na Diocese por parte do novo titular, sente-se no dever de apoiar e sustentar os padres que havia formado e une-se a Dom Lefebvre, com quem fará mais de um manifesto de resistência às inovações ou de advertência ao Papa, e sobretudo se fará presente em Ecône como Co-sagrante, nas sagrações de 30 de junho de 1988. Em dezembro deste mesmo ano, realiza uma ordenação sacerdotal, a última, antes de ser constrangido, pela debilitação de suas forças, a prosseguir o combate apenas pela oração e pelo sofrimento. SUAS GRANDES QUALIDADES DE PASTOR Dom Antônio de Castro Mayer, foi um dos bispos mais conhecidos na atualidade religiosa brasileira e, por isso mesmo, projetou-se além de nossas fronteiras, através de suas Pastorais, Instruções, circulares, traduzidas em vários idiomas. Como homem de governo, distinguiu-se pelo seu labor apostólico e pela sua firmeza. Por outro lado de temperamento afetuoso, de maneiras simples e corteses, sempre esteve disposto a ceder e a tudo conciliar, quando a conciliação não trazia inconveniente a não ser para ele. Caso contrário, seria capaz das mais irredutíveis intransigências, das mais intrépidas deliberações, das mais ousadas atitudes quando estava em jogo, direta ou indiretamente, um princípio doutrinal, uma questão que pudesse trazer prejuízo para o bem espiritual de seu rebanho ou para a honra da Santa Igreja. Homem verdadeiramente apostólico, sabia ser leão na defesa dos direitos de Deus e cordeiro ao sacrificar a cada instante seus mais legítimos interesses pessoais. É isto que explica a admiração e a afeição que ele suscitou em torno de si durante tantos anos de fecunda atividade pastoral. REORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE PASTORAL NA DIOCESE Desde que foi investido de sua missão episcopal em 1948, Dom Antônio percorreu toda a diocese para conhecer "in loco" a situação espiritual e material de seus diocesanos. Pôde ele dirigir assim a reorganização da vida das paróquias, tanto no interior como nas cidades. Conseguiu também resolver velhos problemas que paralisavam a atividade das Ordens Terceiras Franciscana e Carmelita, dando assim novo esplendor às Igrejas situadas em suas propriedades. Atraiu também a Campos numerosas famílias religiosas e deu seu apoio às já existentes. Assim encontramos na diocese de Campos Beneditinos, Salesianos, Redentoristas, Carmelitas Descalços, Franciscanos, Crúzios, etc. E Congregações femininas foram chamadas para ajudar nas escolas, nos hospitais, nos asilos, etc. FUNDAÇÃO DO SEMINÁRIO Em 1956, abre o Seminário Menor da Diocese na vila, hoje cidade, de São Sebastião de Varre-Sai. Em 1967, Dom Antônio obtém a permissão do funcionamento do Seminário Maior, com os cursos de Filosofia e Teologia, esta transferida depois para Campos. CARTAS PASTORAIS O renome de Dom Antonio se deve, em grande parte, à alta qualidade doutrinária de suas numerosas Cartas Pastorais, que tão forte impressão causaram na alma de seus diocesanos e, mesmo, muito além dos limites da própria diocese. Talvez a mais célebre é a de 6 de janeiro de 1953 sobre os Problemas do Apostolado Moderno. Outras Pastorais assinalaram também o episcopado de Dom Antonio destinadas a ser um sólido sustentáculo para os católicos nestes tempos de crise e a premunir seus fiéis contra os erros do progressismo. O valor de seus escritos e a importância que tiveram em momentos decisivos de nosso país, tornam Dom Antônio digno do reconhecimento de todos os brasileiros e de todo o povo cristão. DOM ANTÔNIO, O DEVOTO DE NOSSA SENHORA Omissão imperdoável seria falar de Dom Antônio sem mencionar, ainda que em poucas linhas, sua profunda e terna devoção à Vigem Santíssima, Senhora Nossa. Logo no início de seu pastoreio como Bispo de Campos, ordenou a todos os sacerdotes que rezassem, após as preces leoninas do final da Missa, 3 Ave-Marias pela preservação da fé e extinção das heresias na Diocese de Campos. Tal era sua concisão: Vencedora de todas as heresias, ontem como hoje, Maria Santíssima conseguirá de seu Divino Filho, a vitória sobre os inimigos da Santa Igreja, um tempo de paz, como prometeu em Fátima, com o triunfo do seu Imaculado Coração. "Ipsa conteret"- era a sua divisa, a sua fé, a sua confiança inabalável: "Ela esmagará." Dom Antônio, cuja piedade filial e confiança no poder da Mãe de Deus sempre nos edificou, tornou-se em Campos o arauto de Nossa Senhora, o pregador de seus privilégios, o promotor de sua causa, o organizador das salutares missões presididas pela Imagem Peregrina e Milagrosa de Nossa Senhora de Fátima, o fautor, durante seu governo episcopal, de todos os movimentos e obras paroquiais empenhadas na difusão e aprofundamento da devoção mariana. Suas Pastorais sobre Nossa Senhora, a insistência em suas homilias e retiros sobre a recitação do Rosário, ou, pelo menos, do terço quotidiano, a campanha do terço contínuo, a devoção às três Ave Marias, a ênfase na pregação da oração e da penitência, da Consagração ao Imaculado Coração de Maria e da devoção aos Primeiros Sábados atestam a importância que ele sempre atribuiu ao papel de Maria Santíssima, Nossa Senhora, na economia da salvação, na solução da crise contemporânea e na sua atividade episcopal. Ele costumava dizer a seus padres: tal obra começou sob a proteção e as bênçãos de Nossa Senhora? Não há de fracassar. No seu leito de sofrimento, tinha diante de si, duas imagens caras ao coração de filho: a imagem do Imaculado Coração de Maria e o retrato de sua mãe. SUA ATITUDE NO CONCÍLIO Durante o Concílio, Dom Antônio de Castro Mayer teve de enfrentar a corrente progressista e se salientou como um dos líderes da corrente conservadora. Suas intervenções em favor do Latim na Liturgia, sobre a estrutura monárquica da Igreja, pela manutenção dos privilégios que na ordem social cristã devem distinguir das seitas heréticas a Santa Igreja, e pela condenação explícita do comunismo no esquema da Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo fizeram dele um dos principais defensores da doutrina tradicional da Igreja no Concílio. Com D. Marcel Lefebvre ele fez parte do “Coetus Internationalis Patrum” e foi com ele um dos dois únicos Bispos no mundo a continuar, no período pós-conciliar, um combate público contra os erros que corrompem a Fé e causam a perda de tantas almas. Ainda por ocasião do Concílio, Dom Antônio e Dom Lefebvre, juntamente com outros Padres conciliares, coordenaram as petições de centenas de bispos em prol da Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria e da condenação do comunismo e do socialismo pelo Concílio. OBRAS EDUCACIONAIS A atividade de Dom Antônio se estendeu a todos os aspectos de formação de seus diocesanos. Como poderiam ser esquecidas as escolas? Incansavelmente Dom Antônio fundou, em meio a grandes dificuldades, estabelecimentos de ensino. Com esta finalidade, soube trabalhar tanto com os padres diocesanos como os de Congregações que conseguiu para Campos. Os diversos colégios fundados vieram trazer aos diocesanos de Campos a possibilidade de dar aos filhos uma formação sólida tanto no campo dos estudos como no plano da Fé. BISPO EMÉRITO No dia 1º de novembro de 1981, já como Administrador Apostólico da Diocese, Dom Antonio celebra sua última Missa Pontifical na Catedral de Campos, numa cerimônia memorável pela beleza da liturgia, pelo comparecimento maciço dos fiéis vindos de toda a parte a transbordar a Catedral, que se tornou pequena, e pelas homenagens espontâneas de gratidão, como a inauguração da placa comemorativa na frente do templo, com os seguintes dizeres: "A Dom Antonio de Castro Mayer, zeloso, sábio e prudente Bispo de Campos, a gratidão dos fiéis pelos 33 anos dedicados à causa da fé e à salvação das almas. Campos, 1º de novembro de 1981". Com a chegada do novo Bispo, Dom Carlos Alberto Navarro, vários padres formados por Dom Antônio foram expulsos de suas paróquias, perseguidos, por conservarem a Tradição da Igreja. Todos estes padres se voltaram então para Dom Antônio, que os orientou continuando sua missão de Pastor. Todos lhe submetiam suas decisões, suas cartas ao novo bispo, seus projetos de construção de novas capelas, suas congregações e associações paroquiais a fim de poder enfrentar a situação. O próprio seminário foi reaberto e realizaram-se ordenações. A obra de Dom Antônio não morreu, muito pelo contrário. Nunca houve tanto trabalho no ministério das almas, que acorreram não só da diocese, mas de outras partes do Brasil. De seu retiro forçado pelo declínio de suas forças, Dom Antônio dirigiu a fundação da União Sacerdotal São João Maria Vianney, com a finalidade de associar os padres expulsos das paróquias e os novos padres que iam sendo ordenados. A PRESENÇA E A PARTICIPAÇÃO DE DOM ANTÔNIO NAS SAGRAÇÕES DE ÊCONE, EM JUNHO DE 1988. Não só presente mas participando na cerimônia das sagrações de 30 de junho de 1988, como co-sagrante, em Ecône (Suíça), Dom Antonio fez uma declaração que, com razão, despertou a admiração e o entusiasmo dos presentes: "Minha presença nesta cerimônia se impõe por um dever de consciência: a profissão de fé católica, diante de toda a Igreja, e, mais particularmente, diante de todos vós aqui reunidos: de sua Excelência D. Marcel Lefebvre, bem como dos sacerdotes, seminaristas, religiosos e fiéis do mundo inteiro". Em seguida, em poucas palavras, cuja brevidade e concisão revelam sua profunda convicção, Dom Antônio definiu a crise atual que atinge a Igreja no que ela tem de substancial: o Santo Sacrifício da Missa e o Sacerdócio católico, fundamentos do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Apesar das pressões recebidas, dizia ele, ali estava para cumprir sua obrigação: dar um testemunho público de Fé, no momento em que as almas corriam grande perigo de perdê-la. Após lamentar a cegueira de tantos confrades no episcopado e no sacerdócio, ele terminava exprimindo sua adesão à posição de Sua Exa D. Lefebvre “ditada - dizia textualmente – por sua fidelidade à Igreja de todos os séculos”. E acrescentava esta bela observação: "Ambos bebemos da mesma fonte, que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana." ÚLTIMO ATO PÚBLICO DE DOM ANTÔNIO: ORDENAÇÃO SACERDOTAL EM VARRE-SAI De volta das sagrações, Dom Antônio procedeu à ordenação de um de seus seminaristas, o Pe. Manoel Macêdo de Farias, em Varre-Sai, a 18 de dezembro de 1988. No princípio da cerimônia, ele definiu bem as razões desta aparente “desobediência”: “Vivemos – ninguém nega – uma terrível crise na Igreja, que atinge profundamente o sacerdócio católico. A perpetuidade do Santo Sacrifício da Missa, a administração dos Sacramentos, a guarda e a transmissão fiel da fé católica estão hoje séria e gravemente ameaçadas. “Por tudo isso é inegável o gravíssimo estado de crise na Igreja. Necessidade de padres católicos para o Santo Sacrifício, para a doutrina. Quando as autoridades da Igreja se recusam a dar-lhe destes padres verdadeiramente católicos, um bispo não pode pretender ter cumprido seu dever, se se limita a resistir na fé, como um leigo. Diante de Deus, de Quem recebi, na sagração episcopal, a plenitude do poder de ordem, afirmo que, na presente crise, não só é lícito, mas urge mesmo como dever impostergável utilizar destes poderes para o bem das almas. Declaro, por fim, que só realizo esta ordenação sacerdotal por sabê-la inteiramente lícita e de acordo com a vontade da Igreja perene. Cumpro a missão que me foi confiada: transmito o sacerdócio católico que recebi. “Tradidi... quod et accepi”. CONCLUSÃO Após 42 anos de episcopado e 63 de sacerdócio, Dom Antônio de Castro Mayer deixou uma grande herança espiritual. Nem as dificuldades encontradas, nem as pressões morais o fizeram desviar. A diocese confiada a seu zelo é a mais bela prova de seu labor apostólico sempre inspirado pelo amor da verdade. Onde encontrou ele a força para realizar esta obra extraordinária? Sem dúvida na devoção a Nossa Senhora. Sua divisa episcopal: "Ipsa conteret", a consagração da Diocese ao Imaculado Coração de Maria, as 3 Ave-Marias no final da Missa pela preservação da Fé e extinção das heresias testemunham esta presença de Nossa Senhora. APÓS O TRABALHO FATIGANTE, O JUSTO REPOUSO Os restos mortais de Dom Antonio repousam, aguardando a ressurreição final, na cripta da Capela de Nossa Senhora do Carmo no cemitério reservado à Ordem Terceira. Que às nossas lágrimas venha juntar-se a alegria de sabê-lo servo bom e fiel e, outrossim, a de havê-lo conhecido e ter dele recebido, como filhos, o mesmo ensinamento que Nosso Senhor transmitiu aos Apóstolos na Palestina, que São Paulo recebeu por revelação e que a Igreja de sempre professou e professará até o fim pela boca de seus verdadeiros pastores. Este Evangelho conhecido, amado e transmitido é o tesouro que ele nos legou e que, hoje, pedimos a Deus, por meio de Nossa Senhora, a graça de guardar até a morte, até o martírio, se preciso for.

  • Carta de Broadstairs - Nº 08

    Nova et vetera (Mat. 13, 52) Enoque e Elias [extraído de The drama of the end times , do Père Emmanuel, 1885] Os acontecimentos maravilhosos que estamos prestes a recordar não são cenários imaginários; são verdades retiradas da Sagrada Escritura, e seria temerário negá-las. Antes do fim dos tempos, e durante a perseguição do Anticristo, dois personagens extraordinários reaparecerão: Enoque e Elias. I - O patriarca Enoque é um dos descendentes de Set, filho de Adão. É o chefe da sexta geração dos homens. O livro do Gênesis diz que ele viveu 365 anos e andou nos caminhos do Senhor, antes de ser levado ainda vivo pelo Todo-Poderoso a um lugar conhecido somente por Deus. Quanto a Elias, sua história é mais conhecida, pois viveu no tempo do reino de Israel menos de mil anos antes de Nosso Senhor. É o grande profeta da nação judaica. Sua vida dramática, conforme relatada no terceiro e quarto Livro dos Reis, é uma profecia em ação acerca do estado da Igreja no tempo da perseguição do Anticristo. Ele está constantemente em movimento, ameaçado de morte, mas sempre protegido pela mão de Deus. Ora escondido no deserto, onde é alimentado por corvos, ora apresenta-se diante do rei Acab, que treme diante dele. O Todo-Poderoso lhe dá poder para abrir os céus à chuva ou ao relâmpago; concede-lhe uma visão misteriosa no monte Horeb, como a um novo Moisés, com quem acompanhará Nosso Senhor no monte Tabor. O desaparecimento de Elias corresponde à singularidade de sua vida. Caminhando com seu discípulo Eliseu, ele abre passagem pelo rio Jordão ferindo as águas com seu manto, e então anuncia que será levado ao céu. De repente, um carro de fogo puxado por cavalos de fogo separa os dois, e Elias é arrebatado por um redemoinho a uma região misteriosa dos céus, onde se junta a Enoque, seu antepassado. Ninguém pode dizer onde se encontra essa região oculta, seja em algum lugar inacessível da terra ou nos céus acima. Pode-se apenas afirmar que eles estão, por ora, fora das limitações da condição humana, não afetados pela passagem do tempo. II - Sua reaparição no cenário do mundo é tão certa quanto seu desaparecimento, como descrito no livro do Eclesiástico segundo toda a tradição judaica: “Enoque agradou a Deus e foi transportado para o paraíso, para pregar a penitência às nações” (cap. 44). No livro de Jó lemos: “Quem poderá igualar-se a ti, ó Elias? Tu que foste arrebatado no redemoinho de chamas e no carro de fogo; estás inscrito nos juízos dos séculos futuros para aplacar a ira do Senhor, para reconduzir o coração do pai ao filho e para restabelecer as tribos de Israel” (cap. 48). Essas palavras da Sagrada Escritura afirmam claramente que Enoque e Elias têm uma última missão a cumprir. Enoque deve pregar penitência às nações para levá-las à conversão, enquanto Elias deve restabelecer as tribos de Israel em seu lugar próprio na verdadeira Igreja. Os doutores da Igreja entendem unanimemente que essa dupla missão será realizada no fim do mundo. Elias, em particular, é considerado o precursor de Nosso Senhor que virá dos céus como juiz, conforme afirmam os próprios Evangelhos (Mt 17; Mc 9). Assim virá o tempo em que os homens verão, e não sem terror, Enoque e Elias descendo em seu meio com extraordinário esplendor para pregar a conversão. São João os chama de duas testemunhas de Deus e os descreve no capítulo 11 de seu Apocalipse: “Profetizarão por 1.260 dias, vestidos de saco. São as duas oliveiras e os dois candelabros que estão diante do Senhor. Se alguém quiser fazer-lhes mal, fogo sairá de suas bocas e devorará seus inimigos. Terão poder de fechar o céu para que não chova durante o tempo de sua pregação. Além disso, terão poder de converter as águas em sangue e de ferir a terra com toda sorte de pragas sempre que quiserem.” Vemos nessa descrição o Elias do Antigo Testamento, que fechou os céus por cerca de três anos e fez cair fogo sobre os soldados enviados para prendê-lo. Os 1.260 dias indicam a duração da perseguição final; portanto, a vinda das duas testemunhas coincidirá com a perseguição do Anticristo. Mais uma vez se vê que a assistência prometida à Igreja será proporcional à gravidade dos perigos. Vestidos como austeros penitentes, as duas testemunhas irão por toda parte com invulnerabilidade, pregando com plena liberdade mesmo na presença do próprio Anticristo enfurecido. Continua...

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    + PAX Caros amigos e benfeitores, Devido às despesas suplementares do período de fim e início de ano, bem como aos primeiros preparativos para a ordenação sacerdotal do nosso Irmão Geraldo Maria, que ocorrerá este ano, nossas reservas estão em vias de se esgotar. Por isso, vimos pedir, uma vez mais, o vosso auxílio caridoso, sem o qual não podemos manter nossas obras. AJUDAR COM PIX-CNPJ: 30.177.471/0001-30 Desde já, agradecemos a generosidade de sempre e vos asseguramos de nossas orações cotidianas por nossos benfeitores. Um santo e feliz 2026 a todos! Mosteiro da Santa Cruz Nova Friburgo–RJ, Brasil FRANÇAIS Chers amis et bienfaiteurs, En raison des dépenses supplémentaires liées à la période de fin et de début d’année, ainsi que des premiers préparatifs pour l’ordination sacerdotale de notre Frère Geraldo Maria, qui aura lieu cette année, nos réserves sont en voie d’épuisement. C’est pourquoi nous venons solliciter, une fois encore, votre aide charitable, sans laquelle nous ne pouvons maintenir nos œuvres. AIDER LE MONASTÈRE Nous vous remercions dès à présent pour votre générosité constante et vous assurons de nos prières quotidiennes à l’intention de nos bienfaiteurs. Une sainte et heureuse année 2026 à tous ! Monastère de la Sainte-Croix Nova Friburgo – RJ, Brésil   ENGLISH Dear friends and benefactors, Due to additional expenses at the end and beginning of the year, as well as the initial preparations for the priestly ordination of our Brother Geraldo Maria, which will take place this year, our reserves are nearing exhaustion. For this reason, we once again ask for your charitable assistance, without which we cannot continue our works. HELP THE MONASTERY We thank you in advance for your continued generosity and assure you of our daily prayers for our benefactors. A holy and happy New Year 2026 to all! Monastery of the Holy Cross Nova Friburgo, RJ, Brazil DEUTSCH Liebe Freunde und Wohltäter, Aufgrund der zusätzlichen Ausgaben zum Jahresende und Jahresbeginn sowie der ersten Vorbereitungen für die Priesterweihe unseres Bruders Geraldo Maria, die in diesem Jahr stattfinden wird, gehen unsere Rücklagen ihrem Ende entgegen. Daher bitten wir Sie ein weiteres Mal um Ihre wohltätige Unterstützung, ohne die wir unsere Werke nicht aufrechterhalten können. DEM KLOSTER HELFEN Schon jetzt danken wir Ihnen herzlich für Ihre beständige Großzügigkeit und versichern Ihnen unser tägliches Gebet für unsere Wohltäter. Ein gesegnetes und glückliches Jahr 2026 für alle! Kloster vom Heiligen Kreuz Nova Friburgo – RJ, Brasilien ESPAÑOL Queridos amigos y benefactores, Debido a los gastos suplementarios propios del período de fin e inicio de año, así como a los primeros preparativos para la ordenación sacerdotal de nuestro Hermano Geraldo Maria, que tendrá lugar este año, nuestras reservas están próximas a agotarse. Por ello, acudimos una vez más a solicitar vuestra ayuda caritativa, sin la cual no podemos mantener nuestras obras. AYUDAR AL MONASTERIO Desde ya, agradecemos vuestra generosidad de siempre y os aseguramos nuestras oraciones cotidianas por nuestros benefactores. ¡Un santo y feliz 2026 para todos! Monasterio de la Santa Cruz Nova Friburgo – RJ, Brasil U.I.O.G.D.

  • As trevas não o receberam

    + PAX   As trevas não o receberam 24 de dezembro de 2025   Desde o início, uma oposição à verdade divina se manifestou, primeiramente, entre os anjos, e depois, entre os homens.   Os anjos não têm volta no que fazem. Sua natureza é por demais perfeita para poderem voltar atrás.   Os homens, porém, não são assim. Eles se revoltaram contra Deus, pela desobediência, instigados por Lúcifer e, no entanto, é possível voltar atrás, ou melhor, é possível serem objeto da misericórdia de Deus, que os traz de volta à obediência.   Deus, com efeito, enviou-nos Aquele do qual está escrito: “Ele era a luz verdadeira.” Esta luz, Nossa Senhora e São José a receberam e acolheram antes e mais do que todos os santos, filhos da Santa Igreja. Mas o Evangelho nos diz que a Luz brilhou nas trevas e as trevas não a receberam.   Entre as recusas que os homens opõem à Luz que é Nosso Senhor, há uma que ocupa um lugar à parte, por causa da sua nocividade. Trata-se da maçonaria. Fundada, na sua forma moderna, em 1717, na Inglaterra, ela foi condenada por Clemente XII, poucos anos depois, e em seguida, por vários pontífices.   Muitos dos males dos quais sofremos hoje têm sua origem nas atividades da maçonaria e de seus aliados.   A maçonaria procura destruir totalmente as bases da sociedade tal como Deus a estabeleceu e santificou através da Igreja, e pôr em seu lugar uma sociedade inteiramente contrária a Nosso Senhor e à sua lei.   É necessário conhecer e combater esta sociedade, para o bem da Igreja e de todas as almas.   Seja nas duas guerras mundiais, seja nas leis civis contrárias à lei de Deus, seja no Concílio Vaticano II, seja na declaração dos Direitos do Homem, a influência da maçonaria se faz sentir terrivelmente.   É necessário ler os melhores livros sobre o assunto, ao qual São Pio X dava tanta importância, bem como ler Dom Lefebvre que, no seu livro Sou eu, o acusado, quem deveria julgar-vos (editado pela Fraternidade São Pio X), trata longamente do ensino dos papas a esse propósito.   A festa de Natal nos traz à mente a terrível oposição entre a Santa Igreja e esta Anti-Igreja, que é a maçonaria, que, como Herodes, procura matar Nosso Senhor no coração das crianças, dos jovens, dos adultos e das nações, e assim suprimir a Luz que brilha nas trevas.   Que São José, padroeiro da Igreja universal, nos proteja de nossos inimigos como protegeu a Sagrada Família e a vida do Menino Jesus.   + Tomás de Aquino O.S.B.

  • Um santo e feliz Natal

    Ó Gruta ditosa, que tiveste a ventura de ver o Verbo divino nascido dentro de ti! Ó presépio ditoso, que tiveste a honra de receber em ti o Senhor do céu! Ó palha ditosa, que serviste de leito àquele cujo trono é sustentado pelos serafins! Sim, fostes ditosos, ó Gruta, ó presépio, ó palha; mais ditosos, porém, são os corações que tenra e fervorosamente amam esse amabilíssimo Senhor, e que abrasados em amor o recebem na santa Comunhão. Oh, com que alegria e satisfação vai Jesus Cristo pousar no coração que o ama!   Meditações de Natal de Santo Afonso Maria de Ligório * O Mosteiro da Santa Cruz  deseja a todos os seus amigos, benfeitores e fiéis um santo e feliz Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo . U.I.O.G.D.

  • Carta de Broadstairs - Nº 07

    Nova et vetera (Mat. 13, 52) A Igreja durante o tempo da tribulação [extraído de The drama of the end times , do Père Emmanuel, 1885] I - São Gregório Magno, em seus comentários esclarecedores e proféticos sobre o Livro de Jó, apresenta as mais profundas avaliações sobre toda a história da Igreja. Ele contempla a Igreja no fim dos tempos sob a figura de Jó em suas humilhações e sofrimentos, exposta às pérfidas insinuações de sua esposa e às amargas reprovações de seus amigos. Tal será a sorte da Igreja rumo ao fim de sua peregrinação, quando for privada de todo apoio temporal. Além disso, será privada até mesmo do esplendor de seus dons sobrenaturais: “O poder dos milagres será retirado, a graça das curas será suprimida, a profecia cessará… Isso não quer dizer que nada disso subsistirá absolutamente, mas que tudo será diminuído. Não obstante, a recompensa dos bons será ainda maior, visto que permanecerão fiéis unicamente por causa da recompensa celeste, enquanto os maus se afastarão devido à ausência de qualquer atração temporal.” Embora a Igreja jamais possa ser inteiramente silenciada, aqueles que deveriam pregar dos telhados serão grandemente reduzidos ao silêncio pelo medo. São Gregório fala repetidas vezes de três categorias de pessoas no seio da Igreja: os hipócritas ou falsos cristãos, os fracos e os fortes. Nos tempos de angústia, os hipócritas manifestarão sua apostasia secreta; os fracos perecerão em grande número; e mesmo entre os fortes alguns cairão, por confiarem excessivamente em suas próprias forças. Entretanto, a Igreja não perderá nem a coragem nem a confiança. Será sustentada pelas promessas de Nosso Senhor, que assegurou que esses dias seriam abreviados por causa dos eleitos, e assim se dedicará, com energia incansável, à salvação das almas. II -  Apesar do terrível escândalo desses tempos de perdição, não se deve pensar que os pequenos e os fracos estejam necessariamente perdidos. O caminho da salvação permanecerá aberto e acessível a todos, mas os que perecerem o terão feito por se afastarem da Santa Mãe Igreja. A própria Igreja não será privada dos meios de preservação proporcionais à gravidade do perigo, conforme indicado na Sagrada Escritura. Ela se recordará da advertência dada pelo próprio Nosso Senhor acerca da destruição de Jerusalém, mas aplicável também a esta perseguição final: “Quando virdes a abominação da desolação instalada no lugar santo, conforme foi predito pelo profeta Daniel, aqueles que estiverem na Judeia fujam para os montes…” Em conformidade com essas instruções, a Igreja protegerá os irmãos mais fracos em sua fuga para lugares inacessíveis, onde a Besta não os poderá alcançar. Pergunta-se como tais lugares poderão existir, dadas as comunicações de alcance mundial, mas a Providência Divina assegurará a segurança desses fugitivos, como foi predito por São João no capítulo 12 do Apocalipse. Aí, o Apóstolo apresenta a imagem de uma mulher vestida de sol e coroada de estrelas, representando a Igreja, e suas dores de parto recordam como a Igreja dá à luz os eleitos em meio aos sofrimentos. Diante dela está um dragão vermelho, imagem do demônio e de suas armadilhas, mas ela foge para um lugar deserto, preparado pelo Todo-Poderoso, onde, na pessoa dos fiéis mais fracos, é protegida e alimentada por um período de três anos e meio, a duração da perseguição sob o Anticristo. O fim desse capítulo contém detalhes da própria fuga. À mulher são dadas as grandes asas de uma águia para que seja levada ao deserto. O demônio, em perseguição, lança contra ela uma massa de água como um rio, mas a terra vem em seu auxílio e engole o dilúvio. Essa representação enigmática refere-se a algum acontecimento de grande magnitude que o Deus Todo-Poderoso realizará em favor de Sua Igreja. Enquanto os fracos rezam no lugar de refúgio, porém, os fortes e corajosos estarão engajados numa luta formidável contra o dragão enfurecido, à vista de todo o mundo. III -  É fora de dúvida que, nesses últimos tempos, haverá santos de virtude heroica, comparáveis aos próprios Apóstolos. Santo Agostinho descreve esses valorosos soldados como prudentes e fortes, sábios e, ao mesmo tempo, pacientes. Afirma também que, embora as conversões sejam mais raras, serão tanto mais marcantes, para que a graça de Deus apareça ainda mais poderosa diante do inimigo e do dragão furioso. Entre os santos dos últimos tempos haverá soldados, herdeiros da gloriosa linhagem dos Macabeus e dos Cruzados, dos Vendeanos e dos Zuavos Pontifícios, que resistirão firmemente aos exércitos do Anticristo. Mas, como este último, o dragão, será sobretudo um impostor e um sedutor, seus principais adversários serão os verdadeiros apóstolos armados com o crucifixo, unindo a paciência dos mártires à ciência dos doutores. À frente dessa intrépida falange aparecerão dois enviados extraordinários mandados por Deus, dois gigantes da santidade, dois sobreviventes dos tempos antigos, Enoque e Elias, dos quais falaremos no próximo artigo. Continua…

  • Carta de Broadstairs - Nº 06

    Nova et vetera (Mat. 13, 52) Os sequazes do Anticristo – a visão de São João [extraído da obra do Père Emmanuel, The Drama of the end times , 1885] I -  A Sagrada Escritura, que contém numerosos detalhes a respeito do Homem do Pecado, dá a conhecer um misterioso agente de sedução que dominará o mundo. Segundo São Gregório Magno, esse agente é uma espécie de corpo doutrinário dedicado a propagar por toda parte as doutrinas perversas da Revolução. O Anticristo terá seus próprios generais e oficiais, e comandará um imenso exército. Mas, mais do que isso, terá a seu serviço falsos profetas, discípulos do demônio, mestres da mentira. Como inimigo pessoal de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele imitará o Divino Salvador cercando-se de numerosos “apóstolos”. II -  No capítulo 13 do Apocalipse, São João descreve uma visão muito semelhante à do profeta Daniel. Emergindo do oceano, ele vê um monstro que reúne todas as características dos quatro animais vistos pelo profeta. Esse monstro — a Besta — representa o império do Anticristo, formado por todas as corrupções da humanidade. Representa o próprio Anticristo, que está no centro dessa coorte violenta de elementos heterogêneos. Enquanto contemplava essa criatura, São João viu que uma de suas sete cabeças fora mortalmente ferida e depois curada, para assombro do mundo inteiro. Os comentaristas veem nisso um dos prodígios do Anticristo, pelo qual ele próprio, ou um de seus principais tenentes, é gravemente ferido e aparentemente morto, mas depois, por astúcia diabólica, subitamente restaurado à vida, criando um delírio geral por meio de uma mídia crédula. Então, continua São João, os homens adorarão o dragão — o demônio — que deu tal poder à Besta. Assim, o demônio será publicamente adorado juntamente com o Anticristo, e em seguida sobrevirá a perseguição contra a Igreja por um período de quarenta e dois meses, isto é, três anos e meio. “E abriu a sua boca para proferir blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, do seu tabernáculo e daqueles que habitam no céu. E foi-lhe dado fazer guerra aos santos e vencê-los; e foi-lhe dado poder sobre toda tribo, povo, língua e nação. E todos os habitantes da terra o adorarão, aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro, que foi imolado desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça. Aquele que leva outros ao cativeiro, ao cativeiro irá; aquele que mata à espada, à espada deve ser morto. Aqui está a paciência e a fé dos santos… (Apoc. 13, 3–10)”. É assim que o Apóstolo descreve a terrível perseguição. A todas as ameaças mais funestas se juntarão todas as formas de sedução, pelas quais um fanatismo delirante lançará o mundo inteiro aos pés da Besta. Mas todos os assaltos do inferno fracassarão diante da paciência e da fé dos santos. III -  São João, nos versículos 11 a 18 do mesmo capítulo, descreve em seguida o grande agente de sedução que conduzirá o espírito dos homens à adoração da Besta. São Gregório, como já vimos, interpreta essa passagem misteriosa em relação ao Anticristo e ao seu séquito de falsos pregadores e falsos apóstolos. Esses “doutores da mentira” serão semelhantes a sábios modernos, mas dotados de poderes aparentemente mágicos. Eles parecerão semelhantes ao Cordeiro de Deus e imitarão as máximas evangélicas de paz, de harmonia, de liberdade e de fraternidade humana, por meio das quais propagarão o mais descarado ateísmo. Seu público será composto por todos os réprobos; suas táticas consistirão em proclamar que a humanidade, nos séculos da Fé, esteve mergulhada nas trevas; e anunciarão a vinda do Anticristo como o alvorecer de uma nova era. Essas proclamações sedutoras manterão as massas como que enfeitiçadas por seus falsos prodígios e poderes místicos, chegando até a conceder o dom da fala às imagens do Anticristo, onde quer que sejam erigidas. Mais ainda, forçarão os homens, sob pena de morte, a adorar essas imagens falantes, e os obrigarão a trazer na mão direita ou na fronte o sinal da Besta. Quem não tiver essa marca não poderá comprar nem vender, sendo considerado um proscrito culpado de crime capital. Já vemos os precursores dessa tirania, e do próprio Anticristo, naquelas autoridades que impõem uma educação sem Deus. A Revolução quer ter seu próprio corpo docente, oficialmente investido para descristianizar a juventude, a fim de imprimir nos espíritos de todos a marca do “Estado-Deus”. A educação laica obrigatória não tem outro objetivo e assim prepara a vinda do Anticristo. Poder-se-ia esperar que o espírito público fosse ainda demasiado cristão para aceitar tal tormento; daí todos os esforços para conduzir os homens a um estado de entorpecimento. Mas há consolação no fato de que todas essas coisas manifestarão a paciência e a fé dos santos, de acordo com os desígnios misteriosos de Deus. [Continua]

  • Tomada de batina - Seminário Imaculado Coração de Maria

    Caros amigos e benfeitores, É com muita alegria que convidamos todos para a tomada de batina dos seminaristas do primeiro ano do Seminário Imaculado Coração de Maria: os senhores Álvaro Boeing Stropp, Yuri Milioli e Mateus Vasconcellos. Sua Excelência Dom Tomás de Aquino cantará a Santa Missa Pontifical em honra do Imaculado Coração de Maria neste sábado, às 9h30, no Mosteiro da Santa Cruz, durante a qual realizará a imposição. Pedimos a todos que rezem em ação de graças e pela perseverança dessas vocações. São José, nosso pai, rogai por nós! U.I.O.G.D.

  • Relembrando fatos

    Publicado por Gustavo Corção, n’O Globo em 13 de novembro 1969 A infiltração comunista no clero brasileiro é um fato relativamente recente, ou melhor, é um fato que nos últimos anos acelerou-se graças à incompreensível tolerância das autoridades eclesiásticas. Em 1964, quando a infiltração comunista nas estruturas do poder civil chegara ao auge graças à traição de Juscelino e de Goulart, as autoridades eclesiásticas ainda reagiam no estilo clássico. Tenho diante dos olhos uma página de jornal de 18-1-64 mostrando a reunião de bispos que desaconselhou aos jovens o ingresso na Ação Popular. Nessa mesma página o "intelectual" Amoroso Lima via a Ação Popular como um grupo de função paralela à Ação Católica e dizia que era "menos perigoso o católico mal formado que possa ser deformado na A.P. do que o católico bem formado que não queira participar de movimentos sociais por farisaísmo". E com essa hiperbólica asneira concluía-se que, elas por elas, era menos perigoso para o moço católico entrar no movimento A.P. reconhecidamente comunista. Em 1965 em A UNE em foco , 2ª edição, pág. 24 e seguintes, o Pe. Henrique Vaz S. J. é citado pelo seu artigo publicado na revista francesa Perspectives de Catholicité , e apresentado como a pessoa mais qualificada para falar sobre a Ação Popular. Naquela revista francesa o Pe. Henrique Vaz S.J. diz que “em dezembro de 1963 a comissão episcopal divulgou uma nota oficial em que condenava a A.P.. Quanto aos membros da PUC, foi-lhes proibido fazer parte da A.P., a não ser quando, munidos de sólida preparação doutrinal, entrassem nela para transformá-la”. E o Pe. Vaz comenta: “Estranha recomendação se levarmos em conta que a A.P. tinha sido fundada por jucistas e era por eles liderada”. Nós hoje podemos rir tanto da ingenuidade dos senhores bispos como da esperteza do Pe. Vaz, porque sabemos que os pobres jucistas mal orientados por Dom Candido Padim foram pobres títeres nas mãos comunistas. Em fins de 1967, quando todos nós já sabíamos que a AP fora o órgão principal de comunicação de católicos e que seu Documento-Base se parecia muito com as ideias do Pe. Vaz, o caso AP ganhou de repente dimensões sensacionais. Uma noite, por acaso, um agente da polícia de segurança vê num Peg-Pag um monte de papéis amarrados. Examinando-os viu que se tratava de volantes e cartazes de incitamento revolucionário. Preso e interrogado, o inocente dono do Peg-Pag informou que um rapaz de uma empresa de ônibus ali deixara aquele material, dizendo que viriam mais tarde apanhá-lo. Enquadrado, o rapaz da empresa de ônibus informou de quem recebera tais papéis em S. Paulo. Identificado e preso, o paulista remetente dos papéis informou que os recebera do Convento Dominicano. A diligência evoluiu com o convite e interrogatório do provincial frei Chico. Daí por diante veio a lume o caso e tornou-se escândalo de dimensões internacionais. Os religiosos de várias casas, incluindo os beneditinos de Curitiba, fizeram a famosa passeata diante do DOPS, onde era interrogado o famigerado frei Chico que hoje já é protestante ou budista. Tenho diante dos olhos a página de um jornal comunista de 4-8-67 onde se lê a cômica manchete: "Padres Perseguidos Dispostos a Morrer" . Hoje nós sabemos que a maior parte, se não a totalidade daqueles religiosos que só retomavam o hábito para a passeata, já o abandonaram de vez, e também sabemos que dispostos para morrer estavam Marighela e a moça Esteia. Os padres revolucionários traíram e fugiram. Infelizmente para todos, as autoridades eclesiásticas demonstraram, nessa ocasião, uma total ausência de discernimento. Quando o procedimento de frei Chico e as declarações demagógicas de Dom Jorge Marcos recomendavam desconfiança e cautela, o senhor arcebispo de São Paulo, em carta ao governador Abreu Sodré, protestou energicamente contra as "arbitrariedades" do DOPS. Dom Jorge Marcos declarou que "nenhum padre dominicano recuará um milímetro da atitude assumida em conformidade com a doutrina de Cristo". E acrescentou: "a prisão de frei Chico foi uma glória para o Clero brasileiro". As autoridades civis e militares sabiam com exatidão que estava no Convento Dominicano o foco e a direção do movimento comunista, e estavam dispostos a forçar a porta, quando do alto, creio que do próprio presidente da República, veio a ordem de recuarem. Agora explodiu finalmente o escândalo. E a única esperança que nos resta no meio de tanta tristeza e tanta vergonha é a de que alguns dos responsáveis aprenda que com o comunismo não se brinca. Não posso sequer imaginar o que estará pensando Dom Jorge Marcos. Não sei também o que estará pensando Dom Helder Câmara. Provavelmente estará pensando na entrevista que dará a Le Monde para, mais uma vez, difamar o Governo brasileiro. Minha única esperança é a de que a dura lição seja proveitosa para os bons prelados que ainda amam a Igreja de Cristo.

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