Carta de Broadstairs - Nº 09
- Mosteiro da Santa Cruz

- há 21 horas
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Nova et vetera
(Mat. 13, 52)
Enoque e Elias
[extraído de The drama of the end times, do Père Emmanuel, 1885]
I - Lancemos por alguns instantes o nosso olhar sobre os intrépidos missionários de Deus e sobre a ocasião divina de sua aparição.
Segundo São Pedro, nos últimos tempos surgirão sedutores, impostores, que porão em dúvida as promessas feitas por Nosso Senhor e a Sua vinda (II Pedro 3, 3–4).
Esses sedutores nós os vemos com os nossos próprios olhos e os ouvimos com os nossos próprios ouvidos: racionalistas, materialistas, positivistas. Negam qualquer Causa Primeira e qualquer acontecimento sobrenatural, e não se importam em investigar de onde vêm ou para onde vão, tal como os insensatos descritos no Livro da Sabedoria. Por isso, a seus olhos, o homem deve aproveitar ao máximo o momento presente, pois tudo o mais é incerto.
Esses falsos sábios relegam os escritos inspirados de Moisés à categoria de fábulas e recusam-se a atribuir qualquer valor histórico à Sagrada Escritura. Todos esses textos, afirmam eles, seriam obra de um certo Esdras, um judeu presunçoso que quis exaltar a sua própria nação. Quanto à Segunda Vinda, à ressurreição geral, ao Juízo Final e a uma recompensa ou punição eternas, consideram tudo isso absurdo e fantasioso. Estão cheios de certezas de que a humanidade caminha rumo a um progresso indefinido e que um dia encontrará o paraíso na terra.
Para confundir esses impostores, o Deus Todo-Poderoso suscitará Enoque, ele próprio representante do período anterior ao Dilúvio, quase contemporâneo da origem do mundo. Suscitará também Elias, representante da Antiga Lei, que faz a ponte entre o tempo de Salomão e Davi, e Isaías e Daniel.
Essas grandes figuras virão com uma autoridade incontestável, tanto para estabelecer a autenticidade da Bíblia e a relação do Cristianismo com os profetas e com Moisés, quanto com os patriarcas e com Adão. Em suas pessoas, todos os séculos se erguerão para dar testemunho da veracidade da revelação divina. Nunca a divindade do Cordeiro de Deus terá resplandecido com tal esplendor.
Ao mesmo tempo, anunciarão com força a aproximação do Juízo Final, pregando a penitência: Enoque, com grande majestade, anunciará Nosso Senhor Bendito às nações; Elias manifestará aos judeus, que aguardam o seu retorno, a divindade de Cristo.
Essa pregação será seguida por inumeráveis e impressionantes conversões, notadamente entre os judeus, apesar de todas as ameaças e tormentos.
As duas testemunhas pregarão ora juntas, ora separadamente, através do mundo, por um período de três anos e meio. Apesar da conspiração de silêncio por parte dos meios de comunicação que enfrentarão (como foi o caso em Lourdes), atrairão a atenção do mundo inteiro. O Anticristo tentará em vão mandá-las prender, mas o fogo destruirá todos os que ousarem fazê-lo; assim, elas passarão ilesas pelo meio dos homens, ferindo os sensuais e os depravados com chagas terríveis.
Não obstante, assim como para o próprio Nosso Senhor, também a missão delas será de duração limitada. Em determinado momento perderão a assistência e a proteção sobrenaturais, como foi predito pelo Apóstolo São João.
II - No capítulo onze do Apocalipse, São João descreve a aparente derrota de Enoque e Elias:
“Quando tiverem concluído o seu testemunho, a besta que sobe do abismo fará guerra contra eles e os matará. Seus corpos ficarão expostos durante três dias e meio, à vista de todos, no centro da grande cidade, Jerusalém, enquanto os povos do mundo se regozijam com o espetáculo de sua morte.”
“Mas, após os três dias e meio, o Deus Todo-Poderoso enviará sobre eles um sopro de vida, e eles se levantarão, para grande consternação de todos. Ao som de uma grande voz vinda do céu, serão elevados numa nuvem, à vista de seus inimigos; nesse momento, um grande terremoto destruirá a décima parte da cidade, causando a morte de sete mil homens, enquanto os que forem poupados, tomados de terror, darão glória a Deus!”
Que conclusão avassaladora e que intervenção sobrenatural para esse drama incrível! Tendo-se reunido em Jerusalém, ali participarão das fraquezas divinas do nosso Salvador, sendo presos, condenados, atormentados e mortos, talvez até crucificados.
Tudo parecerá terminado, com o Anticristo aparentemente triunfante; mas o que fará ele quando as duas testemunhas forem trazidas de volta dos mortos? Enfurecer-se-á ao saber que foi vencido e que a hora da justiça se aproxima.
Segundo o profeta Daniel, parece que a punição definitiva do monstro será adiada por trinta dias após a assunção triunfal das duas testemunhas. Durante esse tempo, o Anticristo tentará recuperar o domínio perdido, antes de ser morto pelo sopro da própria boca de Nosso Senhor, possivelmente — como descreve Santa Hildegarda — no momento de sua própria pseudo-ascensão.
Assim, o seu imenso império será reduzido a nada, e o mundo será libertado do seu peso esmagador. A isso se seguirá uma conversão em massa, como será explicado no próximo artigo.
Continua...

