Dom Marcel Lefebvre
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Por S.E.R. Dom Tomás de Aquino O.S.B.
Há certa semelhança entre Dom Lefebvre e Gustavo Corção. Ambos eram destemidos no combate e de imensa bondade no trato. Ambos nunca deixavam de receber os que batiam à sua porta e os escutavam com paciência e bondade.
Vi em Dom Lefebvre, na primeira vez que ele veio ao nosso mosteiro na França, uma grande serenidade. No Sermão, ele nos falou do livro de São Luís Maria Grignion de Montfort, “O amor da Sabedoria Encarnada”, e disse que este livro era muito útil para saber o verdadeiro lugar da devoção a Nossa Senhora no conjunto da espiritualidade. Ele pregava com grande paz e foi isso o que mais me impressionou. Nesta ocasião ele conferiu as ordens menores a dois de nossos irmãos. Os modernistas não nos perdoaram por esta visita de Dom Lefebvre. Nosso superior, Dom Gérard, foi suspenso a divinis (pena que proíbe a um sacerdote exercer atos do poder de ordem, como celebrar a missa, ouvir confissões e administrar os outros sacramentos) e a nossa comunidade foi excluída da ordem beneditina. Como dizia o grande escritor francês Louis Veuillot: “não há nada mais sectário do que um liberal”.
Aproveito para dizer uma palavra sobre os católicos liberais, que Pio IX dizia serem os piores inimigos da Igreja, porque estão dentro da Igreja, possuem frequentemente a fé, mas agem de maneira contrária aos princípios que eles professam como católicos. Dom Lefebvre vê nessa psicologia dos liberais a explicação que os sedevacantistas não aceitam. Um Papa liberal pode ter a fé e agir contrariamente aos princípios da fé. Eis porque Pio IX os acusava de serem os piores inimigos da Igreja. É uma pena que os sedevacantistas não escutem Dom Lefebvre.
Depois desta primeira vez em Bédoin, na França, pude ver Dom Lefebvre várias vezes na minha vida. Mas para dar uma rápida descrição de sua personalidade, não vejo nada melhor do que transcrever parcialmente o que François Brigneau escreveu e que Dom Tissier reproduziu em seu livro sobre a vida de Dom Lefebvre:
A idade não afrouxou o seu passo. O pouco tempo de que dispõe para cumprir a imensa tarefa que lhe foi reservada também não o precipitou. Monsenhor tem o passo sereno dos homens que sabem o que querem e para onde vão. O que impressiona nele é a bondade. Quero dizer, a irradiação da bondade. Seu sorriso é como o calor de uma mão. Ele comove-nos. Logo, dá-nos o desejo de nos tornarmos melhores. De termos menos indulgência para com nós mesmos, para com nossas faltas e nossos defeitos. De sermos mais dignos do respeito que, perante ele, experimentamos. Um só homem me inspirou um sentimento parecido: o Marechal Pétain. Monsenhor Lefebvre e ele partilham a mesma majestade natural, a mesma autoridade bondosa e a mesma simplicidade superior. Eles são destes homens (…) que despertam espontaneamente as dedicações que podem ir, sem esforço, até ao sacrifício, porque sabemos de instinto, de convicção profunda e imediata que eles se sacrificaram, desde o início, ao seu dever.
É toda a página que deve ser lida. Pétain e Dom Lefebvre são o que são porque se sacrificaram, um, pela pátria; outro, por Deus.
É por isso que nós amamos e seguimos este grande bispo que muitos ignoram ou, conhecendo-o, não seguem seus ensinamentos. Que nós, ao menos, saibamos tirar todo o proveito do tesouro que Deus nos deu em sua pessoa.


