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Declaração de Fé católica endereçada ao Papa Leão XIV

  • há 38 minutos
  • 5 min de leitura

pelo R. P. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X



Santo Padre,


Há cinquenta anos a Fraternidade São Pio X vem se esforçando por expor à Santa Sé o seu caso de consciência diante dos erros que destroem a fé e a moral católicas. Infelizmente, todas as discussões encetadas ficaram sem resultado, e nenhuma das preocupações expressas recebeu resposta verdadeiramente satisfatória.


Há cinquenta anos, a única solução realmente considerada pela Santa Sé parece ser a das sanções canônicas. Para nosso pesar, parece-nos que, desta maneira, o direito canônico está sendo usado não para nos confirmar na fé, mas para nos afastar dela.


No texto que segue, a Fraternidade São Pio X alegra-se de poder, nas circunstâncias presentes, afirmar, filial e sinceramente, diante de Vós a sua permanência na fé católica, sem nada ocultar, nem a Vossa Santidade, nem à Igreja universal.


A Fraternidade faz chegar às vossas mãos esta simples Declaração de Fé, a qual nos parece corresponder ao mínimo indispensável para se poder estar em comunhão com a Igreja, dizer-nos verdadeiramente de católicos e, por conseguinte, vossos filhos.


Não temos outro desejo senão o de vivermos e sermos confirmados na fé católica romana.


“Assim, permanecendo firmemente arraigados e assentados na verdadeira fé católica, esforçai-vos por serdes sempre dignos ministros do sacrifício divino e da Igreja de Deus, que é o Corpo de Cristo.


Pois, como o diz o Apóstolo: “E tudo o que não procede da fé, é pecado1”, e cismático e fora da unidade da Igreja2.”


DECLARAÇÃO DE FÉ CATÓLICA


Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sabedoria divina, Verbo encarnado, que quis uma só religião, que tornou a Antiga Aliança de uma vez por todas obsoleta, que fundou uma só Igreja, que triunfou de Satanás, que venceu o mundo, que permanece conosco até o fim dos tempos e que voltará para julgar os vivos e os mortos.


Ele, Imagem perfeita do Pai, Filho de Deus feito homem, foi constituído único Redentor e Salvador do mundo pela Encarnação e pelo oferecimento voluntário do sacrifício da Cruz. Nosso Senhor satisfaz à justiça divina derramando o seu preciosíssimo Sangue, e foi nesse Sangue que estabeleceu a Nova e Eterna Aliança, abolindo a Antiga. Ele é, portanto, o único Mediador entre Deus e os homens e o único caminho para se chegar ao Pai. Só aquele que O conhece, conhece o Pai. 


Por um decreto divino, a Santíssima Virgem Maria foi associada diretamente e intimamente à obra inteira da Redenção; por isso, negar essa associação – nos termos recebidos da Tradição – é alterar a própria noção de Redenção tal como a quis a divina Providência.

Existe só uma fé e uma só Igreja pelas quais possamos ser salvos. Fora da Igreja católica romana, e sem a profissão da fé que ela sempre ensinou, não há salvação nem remissão dos pecados.


Por conseguinte, todo homem deve ser membro da Igreja católica a fim de salvar a sua alma, e não existe senão um só batismo como meio de ser a ela incorporado. Tal necessidade diz respeito a toda a humanidade sem exceção, e inclui indistintamente cristãos, judeus, muçulmanos, pagãos e ateus.


O mandato recebido dos Apóstolos, de pregar o Evangelho a todo homem e de converter todo homem à fé católica, segue válido até o fim dos tempos e corresponde à necessidade mais absoluta e mais imperiosa que haja neste mundo. “O que crer e for batizado, será salvo; o que, porém, não crer, será condenado.”3 Por esta razão, renunciar a cumprir tal mandato constitui o mais grave dos crimes contra a humanidade.


A Igreja romana é a única que possui juntamente as quatro notas que caracterizam a Igreja fundada por Jesus Cristo: a Unidade, a Santidade, a Catolicidade e a Apostolicidade.


A sua unidade decorre essencialmente da adesão de todos os seus membros à única verdadeira fé, fielmente conservada, ensinada e transmitida pela hierarquia católica ao longo dos séculos.


A negação de uma só verdade de fé destrói toda a fé e torna radicalmente impossível qualquer comunhão com a Igreja católica.


A única maneira possível de restabelecer a unidade entre os cristãos de diferentes confissões consiste no apelo premente e caridoso dirigido aos não católicos, a que professem a única verdadeira fé dentro da única verdadeira Igreja.


De maneira alguma pode a Igreja católica ser considerada ou tratada em pé de igualdade com um falso culto ou uma falsa Igreja.


O Pontífice romano, Vigário de Cristo, é o único sujeito detentor da autoridade suprema sobre toda a Igreja. É ele só quem confere diretamente aos demais membros da hierarquia católica a jurisdição sobre as almas.


“O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que, por revelação d’Ele, dessem a conhecer uma doutrina nova, mas para que, com a assistência d’Ele, guardassem santamente e expusessem fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, isto é, o depósito da fé.”4


À única fé corresponde um único culto, expressão suprema, autêntica e perfeita dessa mesma fé.


A Santa Missa é a perpetuação, no tempo, do sacrifício da Cruz, oferecido por muitos e renovado sobre o altar. Embora oferecido de maneira incruenta, o santo sacrifício da Missa é essencialmente expiatório e propiciatório. Nenhum outro culto presta a adoração perfeita. Nenhum outro culto que não esteja relacionado a ela é agradável a Deus. Nenhum outro meio basta para a santificação das almas.


Por conseguinte, o santo sacrifício da Missa não pode de maneira alguma ser reduzido a uma mera comemoração, a uma refeição espiritual, a uma assembleia sagrada celebrada pelo povo, à celebração do mistério pascal sem sacrifício, sem satisfação da justiça divina, sem expiação dos pecados, sem propiciação e sem Cruz.


O auxílio que as almas recebem por meio dos sacramentos da Igreja católica é suficiente, em todas as circunstâncias e em qualquer tempo, para que os fiéis possam viver em estado de graça.


A lei moral contida no Decálogo e aperfeiçoada no Sermão da Montanha é a única praticável a fim de se obter a salvação das almas. Qualquer outro código moral – fundado, por exemplo, no respeito às criaturas ou nos direitos da pessoa humana – é radicalmente insuficiente para santificar e salvar uma alma. De nenhuma maneira pode substituir a única verdadeira lei moral.


A verdadeira caridade nos obriga a, segundo o exemplo de São João Batista, advertir os pecadores e a nunca renunciar a usar dos meios necessários para salvar as almas.


O que come o Corpo de Nosso Senhor e bebe o seu Sangue em estado de pecado, come e bebe a própria condenação, e nenhuma autoridade pode mudar esta lei, contida no ensinamento de São Paulo e na Tradição.


O pecado impuro antinatural é de tal gravidade que clama sempre e em qualquer circunstância por vingança diante de Deus, e é radicalmente incompatível com qualquer forma de amor autêntica e cristã. Por isso, semelhante “modo de viver” não pode de maneira alguma ser tido por um dom de Deus. Um casal que pratique tal vício deve ser ajudado a livrar-se dele, e nunca pode ser abençoado, seja formal ou informalmente, pelos ministros da Igreja. 


A sujeição das instituições e das nações enquanto tais à autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo decorre diretamente da Encarnação e da Redenção. Portanto, a laicidade das instituições e das nações constitui uma negação implícita da divindade e da realeza universal de Nosso Senhor.


A cristandade não é um mero fenômeno histórico, mas a única ordem entre os homens desejada por Deus. 


Não é a Igreja que se deve conformar ao mundo, mas o mundo que deve ser transformado pela Igreja.


É nesta fé e nestes princípios que pedimos ser instruídos e confirmados por Aquele que recebeu o carisma para tal. Com a ajuda de Nosso Senhor, preferimos antes a morte do que renunciar a tal fé ou a tais princípios. É nesta fé imutável que desejamos viver e morrer, à espera deque dê lugar à visão direta da imutável Verdade eterna.


Menzingen, 14 de maio 2026,festa da Ascensão de Nosso Senhor,


Davide Pagliarani



Rm XIV, 23.

Pontifical Romano, Admoestação aos ordenandos ao subdiaconato.

Mc XVI, 16.

Pastor Æternus, cap. IV.


 

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