Carta de Broadstairs - Nº 10
- há 3 horas
- 3 min de leitura

Nova et vetera
(Mat. 13, 52)
A conversão dos judeus
I - O povo judeu é o ponto central da história da humanidade, tendo recebido uma vocação divina na pessoa de Abraão. Antes de Nosso Senhor, era a raça sacerdotal por excelência, cujo estado, diz Santo Agostinho, é inteiramente profético. Dele nasceram a Santíssima Virgem e o Salvador do mundo. Ele formou o centro da Igreja nascente. Todos esses privilégios fazem do povo judeu uma raça excepcional, cujos destinos são inteiramente misteriosos.
Mas, por uma estranha e deplorável inversão, desde o momento em que gerou o Salvador do mundo, a raça escolhida mereceu ser rejeitada, por ter recusado reconhecer humildemente e adorar Sua grandeza invisível. Parece que o Deus Todo-Poderoso quis assim mostrar que não há nada de carnal na vocação ao cristianismo, visto que aqueles que estão ligados a Cristo pela carne são rejeitados por seu orgulho obstinado e carnal.
A rejeição deles é definitiva? Não, porque o Todo-Poderoso reservou misericórdias supremas para esse povo que outrora foi Seu. Depois de permanecer por muitos anos sem rei, sem príncipe e sem sacrifício, os filhos de Israel buscarão o Senhor seu Deus; e isso acontecerá no fim dos tempos (Oséias 3, 4-5).
Elias será o instrumento desse maravilhoso retorno, como foi anunciado pelo profeta Malaquias, que restabelecerá a harmonia entre os santos antepassados do povo judeu e seus últimos descendentes.
São Paulo liga a reprovação dos judeus à vocação dos gentios. Quando estes tiverem todos entrado na Igreja, então os judeus também entrarão, e isso em meio a um júbilo universal (Romanos 9, 25-27).
Para compreender a profunda alegria que esse acontecimento extraordinário causará à Igreja em todo o mundo, devemos recorrer aos episódios proféticos da Sagrada Escritura que o anunciam. A entrada do povo judeu na Igreja é representada pela reconciliação de Esaú com Jacó e, sobretudo, pela aclamação de José por seus irmãos, que o haviam rejeitado (Gênesis 45).
Na parábola evangélica do Filho Pródigo, os judeus são representados pelo filho mais velho, que se ressente do retorno de seu irmão à casa paterna. Finalmente, ele atende aos pedidos de seu pai e também se une à celebração.
Que alegria indescritível haverá para a Santa Madre Igreja quando os filhos de Jacó reconhecerem e proclamarem Nosso Senhor bendito!
II - Sem saber quando esse grande acontecimento ocorrerá, esperamos lançar alguma luz sobre o assunto.
Parece certo, à luz da tradição, que o Anticristo será judeu. Ele aparecerá como produto dessa fermentação de ódio que durante séculos tem amargurado o coração dos judeus contra Cristo Jesus, seu terno Irmão e Amigo inseparável.
Parece certo também que um grande número de judeus aclamará o falso messias com honra e levará o mundo a fazer o mesmo por meio da mídia corrompida e das altas finanças.
Contudo, nos tempos que precederão a vinda do homem do pecado, haverá entre os judeus um movimento em direção à Igreja. Como sempre, grandes acontecimentos são anunciados por prelúdios.
São Gregório Magno, em seu comentário sobre a misteriosa profecia de Ezequiel (capítulo 3), afirma que a fúria da perseguição sob o Anticristo será dirigida principalmente contra os judeus convertidos, cuja constância no sofrimento será incomparável pelo santíssimo nome de Jesus. Ele afirma também que a chegada e a pregação do profeta Elias converterão finalmente o restante de sua nação.
O santo papa, em seus comentários sobre o Livro de Jó, também afirma que a conversão da maior parte de Israel ocorrerá sob os próprios olhos do Anticristo enfurecido.
III - Se a Igreja desfrutará de tais consolações no tempo de grande perseguição, quanto mais no tempo de seu triunfo.
Assim como o Todo-Poderoso utiliza até mesmo os anjos caídos para seus desígnios, também o Anticristo, apesar de si mesmo, será usado como instrumento do Senhor. Esse flagelo de ferro destruirá cismas, heresias, falsas religiões, paganismo, islamismo e judaísmo, preparando o reinado universal do Evangelho.
Os próprios judeus serão os principais agentes no estabelecimento do reino de Deus, levando São Paulo a exclamar: “Se o pecado dos judeus enriqueceu o mundo, se os gentios foram enriquecidos por sua falta, que não devemos esperar quando essa falta for reparada? [...] Se a perda deles significou a reconciliação do mundo com Deus, o que significará sua recuperação, senão vida dentre os mortos?” (Romanos 11, 12 e 15).
Rejuvenescida por essa infusão de vida, a Igreja tomará posse do mundo com a majestade de uma rainha e a ternura de uma mãe.
Na próxima vez veremos se esses acontecimentos serão o prelúdio imediato do Juízo Final ou de uma nova era.
Continua…

