Carta de Broadstairs - Nº 03
- Mosteiro da Santa Cruz

- 13 de out.
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Nova et vetera
(Math. XIII, 52)
[Na carta anterior apresentamos o estudo do erudito Rev. Pe. Emmanuel sobre o Drama do Fim dos Tempos, que mostrava como, segundo a Sagrada Escritura, a Igreja passaria por uma verdadeira paixão antes do fim do mundo, em imitação do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Segue abaixo uma versão abreviada do segundo artigo, publicado em 1885 em seu boletim Nossa Senhora da Santa Esperança, em Mesnil-Saint-Loup, França]
Sinais do fim dos tempos
A questão do fim do mundo vem sendo abordada desde o início da Igreja. São Paulo deu ensinamentos valiosos a esse respeito aos primeiros cristãos de Tessalônica, que estavam perturbados por vários rumores e previsões infundadas. O mundo não terminará antes da apostasia geral, do desaparecimento de um obstáculo providencial (sobre o qual o Apóstolo havia instruído os fiéis pessoalmente) e da aparição do homem do pecado, o filho da perdição (Cf. II Epístola aos Tessalonicenses, 2, 1-6).
A grande apostasia de que fala São Paulo, ao contrário de uma deserção parcial, é a queda maciça da Fé por parte dos estados cristãos que renunciam ao seu batismo tanto social quanto civilmente. É a deserção geral das próprias nações que Jesus Cristo incorporou à Sua Igreja. Somente tal apostasia tornará possível a manifestação e o domínio do Anticristo.
O próprio Nosso Senhor perguntou se o Filho do Homem, em Sua volta, encontraria fé no mundo (Lucas XVIII, 8). O Divino Mestre via que a crença diminuiria com o tempo devido ao conforto material e à rejeição da Fé como algo inconveniente! Virando as costas à Fé, o mundo “iluminado” prefere as trevas e se torna joguete de ilusões e mentiras.
Negando Nosso Senhor Bem-aventurado, o mundo cairá necessariamente nas garras de Satanás, o Príncipe das Trevas. Ele não pode ser neutro, pois sua apostasia o colocará diretamente sob o poder do diabo e de seus sequazes.
Essa apostasia começou com Lutero e Calvino, e continua sob o nome de Revolução, a insurreição do homem contra Deus. Seu lema é o laicismo, que é a eliminação de Deus e de Seu Divino Filho.
Assim é que vemos sociedades secretas, investidas de poder público, descristianizando agressivamente a França [e também outras nações], retirando todos os elementos sobrenaturais que mil e quinhentos anos de fé lhe haviam dado. Essas forças têm apenas um objetivo: selar a apostasia definitiva e, assim, preparar o caminho para a pessoa do Anticristo.
Os cristãos deveriam ter reagido vigorosamente contra esse plano abominável, tanto na vida privada quanto na vida pública, mas a semi-apostasia já bem estabelecida havia produzido semi-cristãos incapazes ou sem vontade de contrariar os bem elaborados planos do inimigo, principalmente por meio da educação secular.
São Paulo falou em termos velados de um obstáculo que impediria a vinda do homem do pecado. Os primeiros Padres gregos e latinos entenderam isso como sendo o Império Romano. Sem dúvida, o Apóstolo aludia a um futuro império convertido e às suas nações cristãs, que serviriam para estender o reino de Jesus Cristo. Enquanto perdurasse esse estado de coisas, o Anticristo não poderia aparecer, até que essas mesmas nações e sociedades viessem a perder a fé. Portanto, São Paulo, entendido de forma ampla, queria dizer que enquanto a dominação do mundo permanecesse em mãos cristãs da raça latina, o inimigo pessoal de Nosso Senhor não se manifestaria.
Assim, a Maçonaria se opõe acima de tudo à restauração da ordem cristã. Se algum estadista se apresenta como cristão, todos os meios são usados para se livrar dele, porque somente uma autoridade verdadeiramente católica é capaz de frustrar os pérfidos desígnios da seita maçônica. [O caso do grande presidente católico do Equador, Garcia Moreno, assassinado pelos maçons apenas dez anos antes, em 1875, foi um exemplo marcante dessa dura realidade].
Vale ainda notar que as raças latinas estão destinadas a exercer uma influência católica no mundo ou a abdicar dela. Sua influência política está ligada a essa missão de espalhar o Evangelho e, portanto, se renunciassem a isso por meio de uma apostasia completa, seriam aniquiladas, e o Anticristo, surgindo do Oriente, as pisaria no pó.
O Pe. André, que ainda acreditava ser possível contrariar a agenda anticristã, conclamava os fiéis a influenciar a opinião pública e a fazer com que os governos retornassem às tradições cristãs, sem as quais só poderia haver decadência para as nações europeias, especialmente a França…
Próxima postagem: o Anticristo

