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- Comentários Eleison nº 818
Por Dom Williamson Número DCCCXVIII (818) – 18 de março de 2023 CONSIDERAÇÕES ALENTADORAS Se as almas rezassem pela Consagração da Rússia, De quantos males todas as nações seriam poupadas! O Pe. Chad Ripperger é há muitos anos um padre e exorcista católico que tem uma boa reputação na arquidiocese de Denver, nos EUA, e ainda não foi “cancelado”, apesar de andar dizendo muitas verdades do púlpito. A Neoigreja deve estar ansiosa para cancelá-lo, como vem fazendo nos últimos anos com tantos bons sacerdotes em todo o mundo, mas talvez não ouse fazê-lo porque ele conhece muitos dos seus segredos. Seja como for, segue abaixo uma adaptação e um resumo dos muitos pontos que ele expôs em um sermão intitulado “On the State of Evil in the World [Sobre o Estado do Mal no Mundo]”, que se pode acessar no Youtube, a menos que já tenha sido cancelado. Expomos o problema do Pe. Ripperger na Igreja e no estado, e então sua solução. Na Igreja: a tomada da Igreja oficial pelos modernistas na década de 1960 provou ser um desastre absoluto, mas o Vaticano II continua sendo oficialmente o elefante na sala que nenhum sacerdote pode mencionar sem correr o sério risco de ser “cancelado” ou privado de qualquer posição ou atividade na Neoigreja (este não é um termo do próprio Pe. R., que a chamaria “Igreja Profunda”). Aqui os modernistas estão tornando-se cada vez mais draconianos, porque não têm mais argumentos, e só lhes resta fazer uso da força para enfiar o desastre goela abaixo dos católicos. A Igreja está em modo de sobrevivência, está ficando cada vez menor, e se as coisas ficarem realmente feias, ainda mais católicos se darão por vencidos. Que os altos clérigos são positivamente maus, é provado por seus frutos que invariavelmente maximizam o dano que causam à Igreja. As próprias palavras de Nosso Senhor aos Seus Apóstolos: “Ide e ensinai a todas as nações” (Mt. XXVIII, 19–20) significam claramente que o estado não tem poder sobre a Igreja ou sobre sua doutrina, mas os bispos conciliares estão sob as autoridades do estado, como o fizeram na fraudemia de covid, e se calam mesmo sobre horrores como a transexualidade, deixando os leigos sem orientação para salvar suas almas. Como resultado, os católicos se comportam como os não católicos, e não podem mais distinguir-se do mundo. No entanto, se 98% dos leigos continuarem praticando a contracepção, como o demonstrou uma pesquisa há 30 anos, com a aprovação silenciosa de bispos e padres, então Deus poderia muito bem tirar dos católicos seus dons espirituais para dá-los a outros que os mereçam mais, e os leigos poderiam perder até seus bons sacerdotes. Maus sacerdotes podem ser o sinal de um castigo especial de Deus. No Estado: todos os quatro pecados que a Igreja ensina que clamam por vingança são abundantes! O assassinato intencional nós vemos no aborto, na eutanásia e na cultura da morte. Defraudar o trabalhador de seu salário legal encontra-se na tributação excessiva do governo, que cobra muito além do dízimo bíblico, que seria um décimo da renda de seus súditos. Quanto à sodomia, nem mesmo em Sodoma se alardeava e se promovia como hoje o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Por fim, um exemplo da opressão dos pobres pode ser visto em como o comunismo elimina em todos os lugares a classe média. Aqui o Estado Profundo mostra seu controle, com o qual pode desligar a economia mundial em duas semanas, e silenciar com eficiência todos os que dizem a verdade, assim como na Igreja Profunda paralela (ou Neoigreja). Nossos supostos líderes políticos são meros fantoches do mal, mas seu atual triunfo só pode significar que o triunfo do bem está para chegar. Se as previsões más podem tornar-se realidade, as previsões boas também podem... A boa notícia do Pe. Ripperger: Em Fátima, Nossa Senhora prometeu uma era de paz, um triunfo da Igreja incomparavelmente glorioso. Já vemos graças preventivas que preparam as graças vindouras. Os demônios sabem que está chegando a hora deles, quando Deus dirá: “Basta!”. Muitos dos clérigos mais jovens são mais católicos do que os mais velhos. Os governos não estão persuadindo as pessoas, mas enfiando sua maldade goela abaixo. Muitos sacerdotes jovens querem a doutrina, a liturgia e a verdade católicas. A geração mais velha, fixada na revolucionária década de 1960, está morrendo. Quanto mais sofrimento houver de padres cancelados e silenciados, mais ortodoxos eles serão. Está voltando a haver muitos jovens casados com famílias numerosas. As coisas estão mudando lentamente. Aquilo que remanescerá será mais sólido. Aqueles que perseverarem sob a perseguição irão para o Céu. Sofrer é um sinal do favor de Deus. Nossa Senhora disse que quando o comunismo parecer ter vencido, é quando então Deus haverá de intervir. O castigo resultante será para nossa santificação. Devemos nos centrar em Deus, e a paz e a alegria serão nossas. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 817
Por Dom Williamson Número DCCCXVII (817) – 11 de março de 2023 O TRIO INIMIGO Quaresma? Como? Eu preciso de um M-A-P [mapa] que mostre o caminho: Ei-lo: M ortificação, A uxílio (dar esmola) e P rece (oração). A Quaresma é certamente uma boa época do ano para fazer um balanço de um trio clássico de inimigos da alma humana empenhados em mandar as almas para o Inferno: o mundo, a carne e o diabo. O que é de especial interesse é a variedade de formas, lugares e momentos em que os três aparecem, algo que certamente reforça que sejam reais. Eles aparecem como um trio no Antigo e no Novo Testamento, nas próprias tentações de Nosso Senhor e na vida de Seus seguidores, tanto religiosos como seculares. Antigo Testamento: bem no começo da humanidade, na queda de Adão e Eva (Gn. III, 1–7), o trio está presente nas palavras astutas do Diabo tentando Eva. Carne – o Diabo tenta Eva a comer da maçã que Deus lhes havia proibido comer, mas que parecia tão atraente. Mundo – quando Eva objeta que Deus os advertiu que morreriam se comessem dela, o Diabo responde com uma mentira característica: "Vocês não morrerão". Sua feliz existência neste mundo continuará sem interrupção, como foi no Jardim do Éden. Diabo – com outra mentira, apela à vaidade e ao orgulho de Eva: “Sereis como deuses”. O trio marca o pecado original. Nosso Senhor: em Sua tentação no deserto, o trio está claramente presente (Mt. IV, 1–12). Carne – o Diabo tenta Nosso Senhor, primeiramente para que transforme as pedras do deserto em pão, pois Ele já está jejuando há 40 dias, e Seu estômago deve estar implorando por algo que comer. Mundo – então o Diabo o tenta a realizar algum milagre estupendo para impressionar as multidões deste mundo, assim como um salto livre do topo de um prédio impressionaria os aficionados por esportes. Por fim, o Diabo oferece o seu poder político mundial a Nosso Senhor se este simplesmente curvar-se e adorá-lo. Então Nosso Senhor o afugenta com citações das Escrituras. Novo Testamento: Na Primeira Epístola de São João aos primeiros cristãos, o Apóstolo amado de Nosso Senhor se refere claramente ao mesmo trio: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo: a concupiscência da carne (a Carne),a concupiscência dos olhos (o Mundo) e a soberba da vida (o Diabo), não é do Pai, mas do mundo” (I Jo.II, 15–16) . A “concupiscência dos olhos” é o desejo da alma de desfrutar de todas as glórias deste mundo, como a dos turistas, ávidos por todas as curiosidades que há para ver em sua rota turística. Remédio dos religiosos cristãos: Muitos cristãos pertencentes a Ordens ou Congregações religiosas, pelo menos antes do Vaticano II, costumavam fazer um tríplice juramento de praticar até a morte três virtudes, nas quais se vê novamente o trio: pobreza, castidade e obediência. Contra o Mundo, a pobreza; contra a Carne, a castidade; contra o orgulho do Diabo, a obediência. Ter que obedecer a qualquer autoridade ou comando que venha de cima é sempre humilhante. Só quem já é humilde não sente a humilhação. A tentação de rebelar-se está sempre presente. E, por último, mas não menos importante, chegamos ao trio de... Remédios para leigos na Quaresma: as boas resoluções para a Quaresma também se dividem em três, segundo o trio: contra a minha Carne, alguma mortificação. Não precisa ser pesada, mas deve ser alguma coisa, e direcionada contra os desejos da carne. De manhã, por exemplo, lavar-se com água fria ou, no máximo, morna. Na mesa, abster-se de qualquer coisa para comer ou beber que seja agradável, mas não estritamente necessária – por exemplo, açúcar ou vinho. Para o propósito de Deus, dado que Ele conhece as minhas fraquezas, o mero gesto pode ser suficiente, sobretudo se minha prática constante do pequeno gesto demonstra que minha vontade está envolvida, e não apenas sentimentos. Contra o meu mundanismo, ou amor deste Mundo, dar alguma esmola. Mais uma vez, o gesto não precisa ser heroico, nem devo empobrecer a mim mesmo ou à minha família, mas Deus verá e recompensará qualquer coisa que eu destine para compartilhar com qualquer pessoa necessitada um pouco do que Ele me deu, e que minha família ou eu não precisemos estritamente. Finalmente, contra o meu orgulho de viver – Diabo –, algum hábito extra de oração que sempre me humilhe diante de Deus. Cinco Mistérios do Rosário fielmente todos os dias? Ou aproveitar a motivação da Quaresma para começar com os Quinze Mistérios? O Rosário é certamente uma oração humilde. Começar a rezá-lo em breve por medo, depois que as bombas começarem a cair, ainda será bom; mas começar a fazê-lo motivado pela fé, antes que as bombas caiam, certamente será melhor. Kyrie Eleison.
- XXII – Os deveres para com os pais - A Assistência
Os Deveres Para Com os Pais III – A Assistência 1 – A lei da natureza O dever de socorrer os pais é imposto pela própria natureza e pela religião. Foi inculcado e praticado até por pagãos. Se os filhos não cumprem esse dever, é sinal de que não têm nem respeito nem amor a seus pais; e não amar os próprios pais (dizia Sêneca), é uma impiedade. Não são os pais que deram a vida aos filhos? Que os criaram com tanta dificuldade e sacrifício? “Lembra-te (diz o Espírito Santo) de que sem eles não terias nascido: e dá a eles conforme o que fizeram por ti” (Eclo 7, 30). Deve-se prestar assistência aos pais em suas necessidades temporais e espirituais. 2 – Nas necessidades temporais Quando os pais forem pobres, ou velhos, ou doentes, os filhos são obrigados a socorrê-los, a provê-los do necessário e assisti-los, mesmo com sacrifícios. Diz o Espírito Santo: “Filho, cuida da velhice do teu pai e não o entristeças em tua vida: Fili, suscipe senectam patris tui, et non contristes eum in vita illius” (Eclo 3,14). Ai dos filhos desnaturados que, esquecidos de tanto cuidado que por eles tiveram os pais, os retribuem com a crueldade e com o abandono. Os pais do jovem Tobias – (como atesta a Sagrada Escritura) gabavam-se de seu filho com estas terníssimas expressões: “Ele é a luz de nossos olhos, o bastão de nossa velhice, o consolo de nossa vida: Lumen oculorum nostrorum, baculum senectutis nostrae, solatium vitae nostrae” (Tob 10, 4). No entanto, quantos pais devem lamentar o abandono em que são deixados por seus filhos?! Pobres velhos! Esperariam tão duro tratamento, depois de tudo o que fizeram? Santa Rosa de Lima, ao ver caídos na pobreza os seus pais, que antes eram ricos, a fim de os poder socorrer empregou-se como doméstica numa família, labutando dia e noite. 3 – Nas necessidades espirituais Quando por desgraça os pais forem maus cristãos, devem os filhos, com toda a prudência, exortá-los a voltarem a Deus; devem cuidar da alma deles, mormente nas enfermidades; e, no perigo, devem dar-se pressa em confortá-los e avisá-los para que recebam a tempo os Santos Sacramentos. Uma menina que converte o pai – Estava gravemente doente um infeliz homem que não praticava a religião; e ninguém pensava em adverti-lo e seu estado e em falar-lhe em Sacramentos. Uma filhinha sua, que frequentava o Catecismo, chegou-se a ele e lhe disse: “Papai, estais muito doente e poderíeis morrer: aprendi no Catecismo que é uma grande desgraça, para quem tem pecado, morrer sem Confissão, porque não vai para o Céu. Confessai-vos, afinal, e Deus ajudar-vos-á”. Estas palavras abalaram o homem que mandou logo chamar um padre e quis receber os Sacramentos. Pouco depois morreu; e suas últimas palavras foram estas: “Sem minha querida filha, que seria de mim por toda a eternidade?”. Conclusão Ou bênção, ou maldição – Caros filhos, não olvideis os grandes deveres que tendes para com vossos pais: o respeito, a obediência, o socorro; e praticai-os. Sabei que o Senhor prometeu especiais bençãos aos filhos respeitadores, obedientes e amorosos. Estes prosperarão na vida, terão boa morte e serão felizes na eternidade. Escutai como fala o Senhor: “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que vivas longamente na terra: Honora patrem tuum et matrem tuam, ut sis longaevus super terram” (Ex 20,12). Aos filhos bons Deus prometeu também a estima dos homens; e o consolo de por sua vez verem a virtude em seus filhos. Escutai as suas palavras: “Quem honra seu pai terá consolação dos filhos, e nos dias de sua oração será atendido” (Eclo 3, 6). Ao contrário, ameaçam-se tremendos desastres aos filhos maus que sejam martírio de seus pais. Não terão na vida senão desgraças, pois pesa sobre eles a maldição de Deus. Ouvi as palavras do Senhor: “Maldito quem não honra seu pai e mãe: Maledictus qui non honorat patrem suum et matrem” (Dt 27, 16). Lembrai-vos da sorte dos descendentes de Cam, Cam amaldiçoado no filho – Depois do dilúvio, Noé cultivou a terra e plantou a vinha. Colhida a uva ele a pisou e com ela fez o vinho. Não conhecendo ainda a força do vinho, bebeu até embriagar-se. Retirando-se depois em sua tenda, adormeceu numa postura indecente. O filho Cam, que o viu, correu para dizê-lo à guisa de escárnio aos irmãos Sem e Jafet. Mas estes se envergonharam, e com grande respeito foram de costas cobrir o pai. Despertando e sabendo da ação dos filhos, Noé louvou Sem e Jafet e amaldiçoou o filho de Cam. Os africanos que são os descendentes desse infeliz, trazem ainda o sinal daquela maldição. O fim trágico de Absalão – Absalão, filho do rei Davi, se rebelou contra o pai, a fim de usurpar o trono dele. Davi mandou contra ele o seu exército para desbaratá-lo. Quando Absalão fugia montado num burro, passou por baixo de um carvalho. Por entre os ramos deste se emaranhou a sua cabeleira comprida, e ele ali ficou despendurado, enquanto o burro continuava a sua carreira. Sabendo disso, Joab, general de Davi, correu lá; e no coração ingrato de Absalão enfiou três dardos, um atrás do outro, e o matou. Depois mandou jogar o cadáver num buraco profundo, e o fez cobrir de um montão de pedras (2 Rs 18). Eis a sorte dos filhos maus que faltam a seus graves deveres para com os pais: são eles por Deus amaldiçoados no corpo e na alma, e sê-lo-ão na eternidade. Procedei, pois, com vossos pais de modo que mereçais, não a maldição, mas sim a bênção de Deus. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Comentários Eleison nº 811
Por Dom Williamson Número DCCCXI (811) – 28 de janeiro de 2022 SACERDÓCIO APRECIADO – II Para afastar-se de Deus, os homens adoram as máquinas. E isso significa tornar-se seres desumanos. A conclusão dos “Comentários” da semana passada foi expressa de forma um tanto provocativa, e pode precisar de alguma explicação. Aqueles “Comentários” apresentavam um jovem estudante de “psicologia” a quem Deus deu verdadeira luz para entrar na Igreja Católica enquanto estudava. Mas quando começou a exercer, não sem êxito, a profissão de “psicoterapeuta”, percebeu que um sacerdote católico é que deveria estar dizendo aos seus pacientes o que ele mesmo lhes dizia. Os “Comentários” também trouxeram um dístico de luto pelos homens modernos, que por um lado levam muito a sério a psicologia, a psiquiatria, a psicoterapia, etc.; mas, por outro lado, não acreditam em nenhuma alma espiritual, ou “psique” – palavra grega para “alma”. Tratemos um pouco dessa contradição. Ora, antes de tudo, que nenhum praticante da “psicoterapia” que honestamente se esforce para ajudar seus semelhantes, se ofenda com qualquer coisa que se siga aqui nos “Comentários” desta semana, que têm somente a intenção de mostrar aos católicos como, com o mínimo de conhecimento de seu catecismo, eles dominam melhor a realidade do que muitos supostos “especialistas” em todo tipo de domínio, vindos de todo tipo de supostas “universidades”. Comecemos enquadrando o homem no universo como o número três das seis categorias de entes existentes; 1 O Criador de todos os outros entes, DEUS, Espírito Infinito, sem nenhum traço de matéria ou materialidade n’Ele. 2 Os ANJOS criados, espíritos finitos, mas também puramente espirituais, sem nada de material em sua essência. 3 Os HOMENS criados, espíritos finitos por sua alma espiritual, mas também animais materiais por seu corpo físico. 4 Os ANIMAIS criados, inteiramente materiais, com vida e movimento, mas sem nada propriamente espiritual neles. 5 As PLANTAS criadas, inteiramente materiais, com vida, mas sem movimento nem nada espiritual nelas. 6 Os MINERAIS criados, os mais materiais de todos, sem vida, movimento ou qualquer elemento quase espiritual. Observe nesta gradação de seis partes de todos os entes como eles sobem do puramente material ao mais puramente imaterial, ou espiritual. Os minerais têm somente existência. As plantas têm existência, mas também vida que não é puramente material na medida em que, por exemplo, frustra todas as tentativas de nossos cientistas materialistas de reproduzi-la artificialmente. Em seguida vêm os animais brutos, que têm, além de sensação e movimento próprio, outros passos fora da materialidade, mas sem alcançar a espiritualidade, que está reservada, entre as criaturas materiais, ao homem, e que, por sua natureza, o dota de uma alma espiritual em si mesma livre de matéria, mas no homem íntima e misteriosamente unida ao seu corpo material. Essa alma é o que dá a ele, mas não aos animais brutos, a faculdade da razão, ou seja, a mente e a vontade, e a capacidade para a vida sobrenatural pela qual todo homem vivo sempre foi, é ou será, como os anjos, destinado a Céu, se assim livremente o desejar. Todas as outras criaturas materiais são criadas por Deus para servir ao homem a fim de que este cumpra esse destino espiritual. Já no reino espiritual, os anjos finitos conservam algo que é como um último traço de materialidade, no sentido de que existem multidões deles, assim como existem multidões de criaturas materiais, enquanto o Ser Supremo é um ser espiritual infinito que só pode ser Um. Mas e se o homem virar as costas para o Ser Espiritual Supremo? Então esse homem desprezará todos os seres que compartilham do espírito, que são os anjos e os homens, e descartará até mesmo os animais e as plantas levemente espirituais, e se sentirá mais à vontade com os minerais, porque sua perfeita previsibilidade os torna os melhores assuntos de seu conhecimento. Assim, para o homem moderno, quanto mais material uma ciência pode ser, mais verdadeiramente “científica” ela é. Pelo contrário, a menor mistura de livre-arbítrio espiritual em qualquer ramo do conhecimento já será desprezada como “não científica”. A verdadeira teologia católica é um ótimo exemplo. Infelizmente para o nosso homem moderno “científico”, as pessoas se interessam por pessoas, e precisam de pessoas; e precisam delas não como máquinas minerais, mas como pessoas, com toda a sua espiritualidade e livre arbítrio. Isso se dá porque o grande drama e propósito da vida de todas as pessoas é como cada um de nós, com o livre-arbítrio, está preparando sua eternidade, e isso não tem nada que ver com a pura matéria. Portanto, as ciências mais “científicas” são as menos interessantes, mas os materialistas estão fadados a interessar-se por questões humanas, mesmo que tenham de fingir que seus interesses humanos são, contudo, “científicos”. Daí a “psicologia”, a “psiquiatria” e todos os outros “psi-s”, e a “sociologia”, etc, etc. – todos estão buscando os restos de um Deus desaparecido! Kyrie Eleison.
- XXI – O Catecismo - Os danos da ignorância
O Catecismo Os danos da ignorância II – Os danos da ignorância 1 – Os erros relativos à Fé Quem pode calcular os danos que acarreta ao homem a ignorância do Catecismo? Há pessoas instruídas, se o quereis, em muita coisa; mas que, para desventura sua, ignoram as coisas mais necessárias e elementares da religião. Se escrevem ou se falam, caem amiúde em certos erros colossais de dar dó. Escutai essa. A ciência religiosa de um senhor – Apresentou-se ao Superior de uma Casa religiosa um senhor que pretendia ouvir por uns dias os Exercícios Espirituais. O Superior, em primeiro lugar, lhe deu um pequeno Catecismo. O outro ficou quase ofendido, e disse: “Como, Meu Padre, quer V. Revma. pôr-me ainda no abecê? Quando eu tinha 10 anos já sabia de cor todo o Catecismo de cabo a rabo”. E o Superior lhe retrucou: “Justamente por isso: havendo muito tempo que V.S. não o vê mais, é necessário que o releia”. Interrogado em seguida sobre uns pontos do Catecismo, o senhor não só se achou embaraçado, mas saiu com tais despropósitos contra a fé, de causar assombro. Persuadiu-se, então, do dano que acarreta a ignorância do Catecismo. 2 – Os vícios e os crimes se multiplicam Onde falta a ciência do Catecismo, todos os vícios e crimes se multiplicam. E por quê? Por que não há o freio das paixões, e porque não se conhecem os deveres do cristão. Diz o Espírito Santo: “Não há na terra a ciência de Deus; eis por que a invadiram a blasfêmia, a mentira, o homicídio, o furto e o adultério: Non est scientia Dei in terra: (ideo) maledictum, et mendacium, et homicidium, et furtum, et adulterium inundaverunt” (Os 4, 1-2). 4 – O dano irreparável Aonde levam, afinal, os vícios e o crimes? Ao dano mais espantoso e irreparável, que é a perda da alma. O fim de um astrônomo – Conta-se de um astrônomo que, ao caminhar, tinha sempre voltado para o alto o olhar, a remirar as estrelas; tão apaixonado era por sua ciência! Um dia, passando sobre uma ponte que tinha corrimão, e olhando ainda para o alto, não percebeu o perigo e caiu no rio, onde encontrou a morte. Em seus funerais fizeram-se muitos discursos, nos quais se veio a dizer: “De que lhe serviu toda a ciência? Era melhor para ele ter aprendido como se faz para passar sobre uma ponte sem cair no rio!”. O homem que assim falou tinha carradas de razão. Eis o que acontece a muita gente que pensa em instruir-se apenas nas coisas do mundo. Descurando a verdadeira ciência que os pode salvar, qual seja a ciência do Catecismo, acabar perdendo a alma e caindo no inferno. Para evitar esse irreparável dano, a Igreja manda que seus ministros deem o Catecismo; e se estes não o dão, deixam de cumprir graves deveres seus. Mas a Igreja obriga também os seus fiéis, e mormente as crianças, a aprender o que contém no Catecismo. Se alguém ficar na ignorância das verdades da Fé, será condenado, pois está escrito: “Quem é ignorante, será por Deus ignorado: Si quis autem ignorat, ignorabitur” (1 Cor 14, 38). Conclusão Frequência e atenção – Ouvistes a necessidade, a importância e as vantagens do Catecismo; e ainda compreendestes que danos decorrem de o ignorar. Fazei, pois, a máxima questão de participar do Catecismo. Mas deveis também prestar toda a atenção ao que ali se vos ensina. Escutai uma parábola do Evangelho, feita para vós. A parábola de um semeador – Um homem foi semear em seu campo. Uma parte da semente caiu no caminho, e foi pisada pelos viandantes; uma parte caiu entre as pedras e apenas nascida, secou-se, porque não tinha umidade; uma parte caiu entre espinhos, e estes abafaram-na. Uma parte, afinal, caiu em terreno bom, e nasceu e frutificou cem por cento (Lc 8, 5-8). A semente é tudo o que ensina o Catecismo. Os jovens que não escutam, ou escutam mal as explicações do Catecismo, são como esse terreno mau, onde caiu a semente e não frutificou. Deveis, pois, ser o terreno bom: deveis, afinal, escutar com atenção, e conservar como coisa preciosa os ensinamentos do Catecismo, se pretendeis que estes deem bons frutos. Ouvi agora outro exemplo, e depois termino. Tempo perdido numa lição de catecismo – Nos anais da propagação da Fé se lê que um missionário da China, depois de se cansar de ensinar o Catecismo aos jovens, perguntou a alguns deles se tinham entendido alguma coisa. O primeiro responde ingenuamente: “Sim, notei que o vosso nariz é muito comprido”. O segundo disse: “Meu padre, vi os bonitos botões que tendes na túnica, e ainda não me canso de os olhar”. Pobre missionário! Eis o belo fruto de seu ensino! Creio que esse padre não terá interrogado um terceiro menino. Sem ir até os chineses, não se topam, por ventura entre nós mesmo tais jovens que do Catecismo tiram igual proveito? Se aí estiverdes sem atenção, cochichando e virando daqui para acolá, que fruto daí podeis tirar? Saireis ignorantes como ao ali ingressardes! Se, no entanto, prestardes toda a atenção adquirireis a verdadeira sabedoria e conhecereis o caminho seguro que leva ao Céu. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Comentários Eleison nº 816
Por Dom Williamson Número DCCCXVI (816) – 4 de março de 2023 A ECONOMIA É SUPREMA? Se um homem está cego em relação à apostasia, Encontrará sua família e seu país em ruínas. Apesar da única narrativa oficial aceitável no atual mundo de mentiras, segundo a qual Adolf Hitler era o diabo encarnado e os nazistas foram os únicos responsáveis por todos os crimes de guerra da Segunda Guerra Mundial, poucas pessoas negam que entre 1933, quando os nazistas chegaram ao poder, e 1939, quando estourou a Segunda Guerra Mundial, houve na Alemanha uma notável recuperação econômica em benefício de todo o povo alemão. Isso se deu devido, em grande parte, e inquestionavelmente, ao fato de a Alemanha ter escapado por alguns anos do domínio econômico que os “banksters” internacionais exercem sobre quase todas as nações do mundo, pelo qual eles impõem dívidas usurárias para manter essas nações sob seu controle político. De fato, um dos principais motivos para os mesmos banqueiros terem organizado a Segunda Guerra Mundial foi impedir que a Alemanha escapasse permanentemente de seu controle, e, depois que a Alemanha foi esmagada em 1945, esse controle foi imediatamente restaurado. No entanto, um economista que trabalhou para essa fuga temporária dos Mestres do Dinheiro era um membro importante, mas pouco conhecido, do partido nazista, um engenheiro que se tornou economista, chamado Gottfried Feder (1883-1941), e em um trecho de um Manifesto que ele escreveu em 1919, é interessante observar tanto a força quanto a fragilidade de como ele analisa os problemas enfrentados por uma nação moderna, presa entre o capitalismo e o comunismo. Aqui está esse trecho: Nossa maior tarefa social é a abolição da escravidão pelo interesse financeiro. Essa responsabilidade de abolir a escravidão pelo interesse financeiro está acima de todas as outras preocupações do dia. É a única solução para o maior problema do nosso tempo. Trata-se do imperativo moral mais importante em termos sociais, eleva-se em seu significado geral muito além de todos os assuntos do dia, é a solução das questões sociais, é a única saída para a terrível confusão da época. A abolição da escravidão pelo interesse financeiro nos livrará da dominação ultracapitalista, evitando tanto a destruição comunista do espírito humano como a degradação capitalista do trabalho. A abolição da escravidão pelo interesse financeiro abre caminho para uma economia verdadeiramente social ao libertar-nos do domínio avassalador do dinheiro. Abre caminho para um estado baseado no trabalho criativo e nas suas realizações genuínas. No plano econômico, Feder certamente acertou no alvo. É pelo domínio do dinheiro, em particular pela escravidão pelo interesse financeiro, que é a forma moderna da condenável usura, que os banqueiros conseguiram construir sua supremacia mundial no caminho para impor sua tirania mundial sobre toda a humanidade, sua Nova Ordem Mundial. No plano político, Feder também vê claramente a insuficiência do comunismo ou do capitalismo para resolver os problemas sociais de uma nação moderna, e todo observador honesto do Terceiro Reich nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial deve admitir que os nazistas abriram um caminho para outros países em nosso tempo, mostrando como se pode construir “um estado baseado no trabalho criativo e nas suas realizações genuínas”. Mas assim que a guerra estourou, todas essas realizações foram enterradas sob o opróbrio lançado sobre a Alemanha em todo o mundo, para desacreditar totalmente a própria ideia de “abolir a escravidão pelo interesse financeiro”. No entanto, foi o alívio temporário dessa escravidão que desempenhou um papel importante nessas realizações. O que aconteceu para abafar a verdade? O que aconteceu foi que o verdadeiro problema da Alemanha não era econômico nem político, mas religioso. Lutero (1483-1546) havia partido a Alemanha em duas, minando a Igreja Católica: imediatamente no norte e no leste da Alemanha pelo protestantismo; e em longo prazo no sul e no oeste, pelo liberalismo que seu protestantismo sozinho tornou possível. Para reunificar a Alemanha, Hitler teve de contornar a religião e confiar na política patriótica. Mas tentar curar a impiedade com mais impiedade é como tentar apagar um incêndio jogando gasolina nele. O melhor do patriotismo ou da economia é impotente para curar a perda da religião. Agora leia novamente o parágrafo de Feder acima e veja como ele repete enfaticamente a suprema importância do problema econômico. Não é de admirar que ele, os nazistas e Hitler tenham alcançado não a salvação de seu país, mas a sua destruição, como a da Ucrânia hoje. De Deus não se zomba (Gal. VI, 7). Kyrie Eleison.
- Tudo é pó
Por Gustavo Corção publicado n’O Globo em 19-05-1973 ABORDANDO o problema da matéria sob o ponto de vista do Uno e do Múltiplo, que para William James, acompanhado de Paul Grenet, é um dos testes cruciais do pensamento filosófico, chegaremos à conclusão de que o materialismo fica embaraçado, não diante da hipótese de Deus e de anjos, mas justamente diante da mobilidade do ser que, nos dizeres dessa filosofia, tem a hegemonia do Universo. É o próprio ens mobile que deixa o materialista tonto e que o obriga logicamente a seguir o caminho do mecanicismo, que nega a mudança intrínseca e profunda, concedendo apenas a mobilidade extrínseca, enquanto, no lado extremo do problema o espiritualista Bergson, que libertou Maritain e Raíssa da opressão do empirismo, afirma que a mudança completa e profunda é a principal e até a única realidade. O MATERIALISTA coerente, como já vimos em conversas anteriores, é obrigado a pensar num elemento fundamental que produziria todas as formas do Universo pela multiplicidade e pela variedade das posições dos grãos de matéria, e assim explicará as mudanças extrínsecas pela variação de arranjo das mesmas partículas, resolvendo destarte o antigo paradoxo do devenir, pelo qual tudo muda ou pelo qual da mesma coisa se diz que não mudou e no mesmo momento se diz que mudou. Quando um dia apareceu no limiar de minha porta um cidadão barbado, meio calvo, que no decorrer da conversa revelou-se adepto do marxismo e que, após a primeira hesitação, identifiquei com o menino deixado trinta anos atrás num pátio de colégio, o meu primeiro pensamento foi este: Como o Inácio mudou! Mas o primeiro elemento da proposição diz que Inácio é Inácio e continua a ser Inácio; mesmo porque se não houvesse identidade do sujeito que mudou eu não poderia dizer que mudara. O caso seria de substituição e não de modificação. QUALQUER estudante de Filosofia sabe que foi esse o grande problema que Aristóteles resolveu com a famosa fórmula da composição de todos os seres criados em potência e ato; e não ignora também que essa composição de todos os seres, para ter sentido, deve estar pendurada no Ser sem composição e sem vicissitudes, que os filósofos chamam de Ato Puro e os crentes chamam de Deus. Assim, na linha filosófica aristotélico-tomista a potência exprime a pobreza, a indeterminação, um ser que ainda não é o que será ou pode ser, uma espécie de nada relativo, enquanto o ato exprime a riqueza e a plenitude do ser. Será, portanto, na direção oposta às puras potencialidades da matéria que encontraremos, segundo aquela escola de pensamento, o Ser pleno explicador e garantidor de todos os seres. O MATERIALISTA segue o trajeto oposto e vai buscar na própria matéria a imutabilidade e a simplicidade fundamentais que devem dar a razão de ser de cada coisa e de suas transmutações. E o materialista mecanicista, que é o mais coerente e sincero dos materialistas, em face do problema das mudanças, explicará todas as transformações do universo pelo movimento das partículas que o compõem e pelas posições que tomam em determinado instante. Mas para tal pensamento ter consistência terá de se deter diante de tais elementos fundamentais ou de tais átomos, que serão átomos, indivisíveis e inquebráveis, e sem nenhuma composição. Digo que terá de se deter por achar indispensáveis esses grãos de matéria pura, explicadora por suas potencialidades de todas formas observadas e garantidora de todos os seres pela imutabilidade, pela eternidade, pela infinita dureza e indestrutibilidade dos grãos. Será preciso dizer ao leitor que esse atomismo, o dos antigos e dos modernos materialistas, nada tem com a Física corpuscular, onde os corpúsculos, na medida em que são alguma realidade corpórea, continuam a ter matéria e forma como qualquer ser da escala humana? A rigor, e filosoficamente, opõe-se o átomo etmológico e filosófico ao átomo composto e explosivo que assusta o mundo de hoje. Mas não deixa de ser estranho o desatino do pensamento que chega a ver no mesmo elemento fundamental a pura potencialidade e ao mesmo tempo o ato puro. Sim, esses grãos indecomponíveis e imutáveis que são o ser potencial de todo o universo seriam, para si mesmos, na sua própria existência inevitável, indiscutível, o ser em ato puro. ESSAS considerações um tanto áridas nos levam à conclusão já anunciada em outra conversa. O materialismo, sobretudo o materialismo mecanicista, parecendo ser uma visão mais fácil, uma aproximação mais tranquila de todas as coisas, é na verdade uma desordenada extravagância que vai encontrar um deus uno e infinitamente múltiplo nos átomos. Ao contrário do que geralmente se pensa — desde que se ultrapasse a linha do grosso bom-senso destorcido, que mais deveríamos chamar mau-senso — cabe o ônus da prova aos que negam a espiritualidade da alma e a existência de Deus. As provas positivas, arduamente elaboradas pelo pensamento filosófico, são títulos de nossa nobreza e mais servem para provar a largueza da alma que conhece do que a grandeza do objeto conhecido, porque esse objeto — alma espiritual, anjo, Deus — já era conhecido, em termos de profundas intuições ou de fé, antes de terem a existência demonstrada. Têm também para nós as demonstrações filosóficas, ou valor próprio de claridade intelectual que confirma as intuições crepusculares. Seja porém como for, se o problema se coloca em termos polêmicos é indiscutível que o ônus da prova cabe aos materialistas. E se não possuíssemos o compêndio de disparates já publicados pela intemperança intelectual de tais pensadores, poderíamos imaginar a estranha aventura do espírito que parte para a cruzada que consiste na sua própria negação. Convém lembrar aqui o grande paradoxo histórico: foi na corrente cientificista e racionalista derivada de Descartes que tomou corpo a doutrina que nega a espiritualidade da alma humana e a filosofia que reduz a pó o filósofo em plena atividade filosofante: tudo são partículas que se movem ou mudam de posição ou de velocidade. Tudo é pó. * * * ESTA conclusão aparentemente coincide com aquela que a Igreja faz na Quaresma, para lembrar ao homem que é pó e ao pó volverá. Na verdade, porém, o Verbo de Deus só nos lembra nossa miséria, para avivar em nós a humildade diante do Senhorio de Deus, e a gloriosa convicção que somos muitíssimo mais do que o pó de nossa carne.
- “Eu vivi os clamores do meu povo”
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 07-06-1973 RECENTEMENTE — 6 de maio de 1973 — foi publicado com o título deste artigo um "Documento de Bispos e Superiores Religiosos do Nordeste". Em resumo, tal documento descreve as misérias das populações nordestinas e pretende explicá-las pela filosofia que vê sempre na pobreza uma espoliação. No caso atual a espoliação, feita especialmente pelo capitalismo internacional, seria mantida e cruelmente defendida pelo Governo brasileiro, que assim, na análise conjuntural exposta, estaria a serviço daquela trama de capitais estrangeiros. O documento, ainda que alguns de seus signatários talvez o ignorem por congênita incapacidade, hostiliza o governo, inspira-se em critérios de filosofia socialista, e mais especialmente marxista, e destarte contribui para o caudal de anarquismo que põe em perigo de morte toda a Civilização. Na parte que pretende ser uma análise conjuntural, mais de uma vez usa a expressão "classe dominante", que é tipicamente marxista, porque para nós outros os grupos dirigentes não são necessariamente dominantes. A tese anarquista é que atribui sempre uma malignidade intrínseca a qualquer superiorato e a qualquer governo. Nós outros sabemos que há governos opressivos e impatrióticos, como por exemplo aquele que arruinou o Brasil, e pelo qual o primeiro signatário do Documento dos Bispos e Superiores Religiosos do Nordeste nutria ostensiva admiração, e governos patrióticos, como aqueles que libertaram o povo brasileiro, e principalmente o que hoje trabalha para corrigir os erros graves dos anteriores a 64. DEIXEMOS, porém, a pretensiosa análise conjuntural que evidencia a "ignorância especializada" de seus signatários, e vamos à conclusão. De início assinalo o aberrante abuso de confiança, pelo qual os signatários identificam seu grupo, sua filosofia, suas opiniões e suas aberrações com a Igreja. Falam em nome da Igreja! Mas logo depois dizem: "Temos de reconhecer, com espírito de verdadeira humildade e penitência, que a Igreja, nem sempre, tem sido fiel à sua missão profética, ao seu papel evangélico de estar sempre ao lado do povo." Os atrevidos signatários do Manifesto queriam talvez dizer que "nem sempre os bispos, arcebispos, abades etc... agiram em conformidade com a Igreja", mas como já perderam a prática antiga de falar a língua católica, invertem a proposição e dizem, severamente, que nem sempre a Igreja, nos seus vinte séculos, agiu em conformidade com o que pensam alguns bispos, abades e superiores religiosos do Nordeste brasileiro. COMEÇAM por se identificarem abusivamente com a Igreja, e logo após se expõem como uma super-Igreja que coloca a outra, a velha, no banco dos réus. Tudo isto "em espírito de verdadeira humildade". LOGO adiante, e cada vez mais afastados do catecismo, dizem: "A luz, portanto, de nossa Fé e com a consciência da injustiça que caracteriza as estruturas econômica e social de nosso país etc....". Vê-se neste divertido tópico que os signatários do Documento fazem análise econômica com o lumen fidei, não admirando, por isso, que em compensação, coloquem a esperança teologal apontada para o êxito da humanidade neste mundo. NESTA mesma conclusão, em mais de uma passagem, vê-se que é marxista a filosofia inspiradora de todo o Documento. Exemplos: "O processo histórico de sociedade de classes e a dominação capitalista conduzem fatalmente ao confronto das classes." Evitam o termo "luta de classes". E continuam: "Embora seja isto um fato, cada dia mais evidente, esse confronto é negado pelos opressores (sic), mas é afirmado também na própria negação. As massas oprimidas dos operários, camponeses (...) assumem progressivamente uma nova consciência libertadora". Libertadora!? Sim, esse é o termo lançado em ampla circulação pelos clérigos e intelectuerdas que se atrelaram às esquerdas com o objetivo de nos convencer que na União Soviética e na China de Mao Tse-tung os operários e camponeses afinal alcançaram a libertação! OUTRO exemplo: "A classe dominada não tem outra saída para se libertar (sic) senão através de longa caminhada, já em curso, em favor da propriedade social dos meios de produção." * * * RECORDEMOS fatos esquecidos. Anos atrás alguns dos signatários desse Manifesto quiseram ganhar 10% ao mês em agiotagem disfarçada, e deixaram-se enlear num "conto do vigário" por um "capitalista estrangeiro" mais esperto do que os reverendíssimos que ficaram sem o juro e sem o dinheiro dos pobres. A CNBB na época se apiedou dos vigaristas esbulhados por um vigarista mais hábil, e explicou ao Povo de Deus que os bispos e monsenhores nordestinos, por ingenuidade, por candura, tinham sido enganados. Mas esses ingênuos que mal souberam cuidar da finança própria logo depois continuaram a gritar e hoje querem dar ao Governo brasileiro lições de Economia e de Finança pública. * * * EU acredito na existência de exploradores dos pobres: exploradores do suor do pobre e exploradores do pão do pobre. Hoje, entretanto, o mundo nos apresenta um fenômeno muito mais hediondo e muito mais volumoso. Sim, um fenômeno de dimensões planetárias que consiste na exploração da lágrima do pobre. Os senhores bispos e abades da Super-Igreja (que passam pitos na Igreja de Cristo) filiam-se a essa corrente histórica contra a qual espero que o Brasil continue a ser um baluarte. * * * NUMA coisa concordo com o Documento. No título: "Eu ouvi os clamores do meu povo." E resumo em poucas linhas toda a minha piedade pela grande miséria que assola o Nordeste brasileiro. Pobre povo! Pobre gente! Não sei se lhes falta renda per capita, mas sei por esse Documento publicado, e com solar evidência, que lhes faltam bispos, abades e superiores religiosos. Que Deus os socorra em tão grande desamparo.
- Comentários Eleison nº 812
Por Dom Williamson Número DCCCXII (812) – 4 de fevereiro de 2022 CONVERSÃO DA RÚSSIA Ao Imaculado Coração de Maria todos devemos rezar, Para a Santa Rússia, com seu papel salvador cumprir. Devido à guerra que continua assolando a Ucrânia neste ano novo, a Rússia segue aparecendo muito nos noticiários da nossa mídia vil, a qual vem lhe desferindo de modo uniforme uma incessante campanha difamatória. Sem dúvida, isso é parcialmente merecido, porque a Rússia comunista (1917-1991) de fato, nas palavras de Nossa Senhora de Fátima, “espalhou seus erros por todo o mundo”. No entanto, com certeza há muito mais no imenso território russo do que os olhos podem ver. Mesmo sendo Winston Churchill (1874–1965) um político brilhante, a Rússia o deixava desconsertado, a ponto de ele dizer que ela era “uma charada envolta em um mistério dentro de um enigma”. Em contrapartida, Nossa Senhora de Fátima pediu ao Papa e aos Bispos católicos que consagrassem a Rússia ao Seu Imaculado Coração, e então “um período de paz seria dado ao mundo”. Mas por que a Rússia? Por que não outros países muito mais católicos, como Itália ou França? Certamente, o ponto-chave da Rússia é que possui um povo profundamente religioso, que a fez ficar conhecida por séculos, após sua conversão ao cristianismo em 988, como a “Santa Rússia”, com uma capacidade correspondente para o grande bem ou o grande mal. Aqui está o que pode ter desconsertado um materialista moderno como Churchill. Assim também os russos chamam Moscou a “Terceira Roma”, sugerindo que é a sucessora da própria Roma e depois da Constantinopla bizantina, como se Moscou tivesse um papel central que desempenhar na cristianização do mundo. Um famoso assessor russo do presidente Putin, Alexander Dugin, sempre que fala da guerra na Ucrânia dá claramente a entender que a Rússia estaria lutando para impedir que a Nova Ordem Mundial descristianize a humanidade. O próprio Putin sempre defendeu aqueles que são os valores naturais e cristãos contra as perversões imorais do Ocidente apodrecido, destacando assim a figura de um verdadeiro estadista em meio aos fantoches que hoje se erguem como líderes das nações ocidentais. Já aconteceu antes na história de a Rússia ter agido para salvar a Europa dos demônios do liberalismo. Em 1812, Napoleão havia estabelecido a Revolução Francesa em muitos países da Europa, e, naquele ano, reuniu um enorme exército de 600.000 homens para invadir a Rússia e incorporá-la também à sua ambição de uma nova ordem mundial, ainda por nascer. Geralmente se dá crédito ao inverno russo pela derrota de Napoleão, mas foram os russos que, com seu patriotismo e coragem na batalha de Borodino, infligiram um duro golpe no exército invasor. Em 1814, o czar Alexandre I estava em Paris com seus soldados para fortalecer a paz com a França e formar a “Santa Aliança” para ajudar a Europa a manter a Revolução sob controle. Mesmo em 1941, Stalin reabriu as igrejas na Rússia soviética para permitir que a religião e o patriotismo do povo, e não seu comunismo, fizessem a maior parte da dura luta necessária para esmagar o nazismo, para o benefício temporário de todo o mundo. Um famoso romancista russo, Fiódor Dostoiévski (1821-1881), põe na boca de um personagem em seu romance intitulado “Os Demônios” (1871), ou “Os Possuídos”, uma visão assombrosa da futura loucura e posterior conversão da “amada Rússia”. O personagem é um velho e tolo liberal, mas à medida que o delírio e a morte se aproximam dele, passa a ter momentos de pura percepção do futuro: ele vê a Rússia cheia de demônios, tal como o homem do Evangelho (Mc.V, 1-20) possuído por uma legião de demônios, que então, ao ser libertado de todos eles, senta-se calmamente aos pés de Nosso Senhor. O autor estava ou não prevendo a Rússia sendo possuída pela loucura do comunismo e depois sendo finalmente libertada pela futura Consagração ao Imaculado Coração de Maria? Eis o texto de Dostoiévski: Agora me vem à mente uma grande quantidade de ideias. Veja, é exatamente como acontece na nossa Rússia. Esses demônios que saem do homem doente e entram nos porcos são todas as chagas, todos os contágios imundos, todas as impurezas, todos os demônios grandes e pequenos que se multiplicaram naquela grande inválida, nossa amada Rússia, no transcurso de várias épocas. Mas uma grande ideia e uma grande Vontade o envolverão do alto, como aquele louco possuído por demônios, e todos aqueles demônios sairão à luz, toda a impureza, toda a nojeira que estava apodrecendo na superfície... e eles mesmos implorarão para entrar nos porcos; e talvez já tenham entrado neles! Eles somos nós, nós e aqueles (jovens revolucionários), e talvez eu à frente deles, e nós nos lançaremos, endemoniados e loucos, dos rochedos para o mar, e todos nos afogaremos; e esse é o nosso destino, pois foi ao que servimos. Mas o enfermo será curado e “se assentará aos pés de Jesus”, e todos o olharão com espanto... mas agora isso me inquieta muito... (“Os Demônios”, 3ª Parte, Cap. 7-II) Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 815
Por Dom Williamson Número DCCCXV (815) – 25 de fevereiro de 2023 VIGANÒ REVIGORANTE Por fim, um alto clérigo falando com clareza, E é por isso que amamos o Arcebispo Viganò. Em outro atordoante texto do Arcebispo Viganò, publicado em 24 de janeiro, em nome do Deus verdadeiro, da Igreja verdadeira e da Missa verdadeira, ele castiga a Neoigreja do Vaticano II e sua falsa “Missa”. Aqui está um resumo cruelmente curto do longo artigo original, que pode ser acessado em https://www.lifesitenews.com/opinion/abp-vigano-the-latin-mass-and-novus-ordo-cannot-coexist-this-is-a-battle-between-christ-and-satan/ O Vaticano II, não sendo um Concílio dogmático, não pretendeu definir nenhuma verdade doutrinária, limitando-se a reafirmar, frequentemente de forma pouco clara, doutrinas previamente definidas de maneira clara e inequívoca pela autoridade infalível do Magistério. O CVII foi indevida e forçosamente considerado como “o” Concílio, o “superdogma” da nova “Igreja Conciliar”, a ponto de redefinir a Igreja com ênfase nesse acontecimento. Em toda a história da Igreja até o Vaticano II, que um Concílio pudesse, com efeito, ter mais autoridade do que vinte Concílios dogmáticos é algo que nunca havia acontecido. No entanto, aconteceu, em meio ao silêncio da maioria do episcopado e com a aprovação de cinco Romanos Pontífices, de João XXIII a Bento XVI. E nestes cinquenta anos de revolução permanente, nenhum desses Papas jamais questionou o “magistério” do Vaticano II, ou ousou condenar suas teses heréticas ou esclarecer sua dupla linguagem. Pelo contrário, todos os Papas desde Paulo VI tornaram o Vaticano II e sua implementação algo tão central no programa de seu pontificado, que subordinaram e atrelaram sua autoridade papal a tudo o que o Concílio ditou. Seu “magistério” começa com o Vaticano II e termina ali, e os sucessivos Papas proclamaram seus predecessores imediatos como santos pelo simples fato de terem convocado, concluído ou aplicado o Concílio. A terminologia teológica também foi adaptada à linguagem dupla dos textos conciliares, chegando a adotar como doutrinas definidas coisas que antes do Concílio eram consideradas heréticas, como o Estado estar acima da religião. Pela primeira vez, o Papa Bergoglio está perfeitamente certo quando afirma que a Missa Tridentina é uma ameaça intolerável ao Vaticano II, porque de fato essa Missa é tão católica que mina qualquer tentativa de coexistência pacífica entre as duas “formas” do mesmo Rito Romano. Realmente, é absurdo conceber uma “forma” montiniana comum e uma “forma” tridentina extraordinária. O Novus Ordo é a expressão do culto de uma religião muito diferente – a da “Igreja Conciliar”. É um rito espúrio e equívoco, tão “favorecedor da heresia” que só merece ser suprimido e eliminado. Não me surpreenderia se, em um futuro muito próximo, aqueles que abusam da autoridade papal para demolir a verdadeira Igreja não só limitassem a celebração da Missa antiga, como também a proibissem completamente. Se Roma vier a proibir a celebração da Missa antiga, os católicos que acreditam que podem servir a dois senhores – a Igreja de Cristo e a Igreja Conciliar – descobrirão que foram enganados. E terão de escolher entre desobedecer a uma ordem ilícita para obedecer a Deus, ou então curvar a cabeça à vontade dos tiranos que traem seu dever como ministros de Deus. Tudo isso se trata nada menos que da batalha entre Cristo e Satanás. Uma batalha pela Missa, que é o coração da nossa Fé, o trono sobre o qual desce o Divino Rei Eucarístico, o Calvário sobre o qual se renova de forma incruenta a imolação do Cordeiro Imaculado. Essa batalha deve ser travada sobre a diferença essencial entre a visão centrada em Deus da Missa Tridentina e a visão centrada no homem de sua falsificação conciliar. Cuidemos para que, por mais indignos que sejamos, mereçamos o louvor futuro da Igreja, enquanto nos preparamos para as provações por meio das quais daremos testemunho de nosso pertencimento a Cristo. Kyrie eleison.
- XXII – Os deveres para com os pais - O respeito
Os deveres para com os pais O respeito Sabeis que o Senhor deu os preceitos do Decálogo em duas tábuas. Na primeira estavam escritos os deveres que temos para com Deus; na segunda os nossos deveres para com o próximo. E o principal destes (que é o quarto mandamento) é expresso assim: “Honra teu pai e tua mãe: Honora patrem tuum et matrem tuam” (Ex 20,12). Ao colocar primeiro esse preceito, quis Deus nos dar a entender que de coisa alguma faz mais questão do que da honra pelos filhos devida aos pais. Pelo nome de pai, afinal, se compreendem todos os superiores que têm legítima autoridade. O dever de honrar os pais é um dever natural, que foi reconhecido e praticado até pelos pagãos. Quem falta a esse dever sagrado, é um desnaturado, e é a pior das feras. A palavra honrar encerra todos os deveres dos filhos; porque aquele que honra os pais, respeita-os também, e lhes obedece e os socorre: e nisso consiste o verdadeiro amor para com eles. Agora, ó filhos, falar-vos-ei dos principais deveres vossos para com os pais e superiores. I – O respeito II – A obediência III – A assistência I – O respeito 1 – Quem são os pais na família São os representantes de Deus. Deus, que governa a sociedade humana, tem também o governo da família, e este governo ele exerce por meio dos pais, aos quais deu a sua autoridade. Por conseguinte, quem falta ao respeito aos pais, falta ao respeito a Deus. “Quem teme o Senhor, diz o Espírito Santo, honra os pais” (Eclo 3, 8). Portanto, o filho que não honra aos pais, também não tem temor de Deus. 2 – Como se demonstra o respeito De três modos; e os expressa claramente o Espírito Santo: “Com os atos, com as palavras e com toda a paciência: In opere, et sermone, et omni patientia honora patrem tuum” (Eclo 3, 9). a) Com os atos – Não se deve espancá-los, nem desprezá-los com atos vis; nem desgostá-los com uma conduta pouco honesta e pouco cristã; nem fazer coisa alguma que os possa ofender. Deve, ao contrário, usar com eles de toda reverência e impedir que sejam ultrajados por outrem. Exemplos edificantes de respeito aos pais foram dados até pelos pagãos, e mesmo por tiranos. b) Com as palavras – Não se deve nunca dizer aos pais palavras insolentes, arrogantes ou injuriosas. Não se deve criticá-los; nem é lícito manifestar as suas culpas e os seus defeitos, se por desgraça eles os têm. c) Com paciência – O que quer dizer que se devem aceitar de bom grado os seus corretivos e censuras, mesmo que pareçam injustos, e que se devem tolerar os seus defeitos. Mesmo que os pais fossem defeituosos, coléricos, demasiado exigentes... que importa? Eles serão julgados por Deus, mas os filhos não têm o direito de lhes censurar falta alguma nem de os humilhar. Como também não devem envergonhar-se de sua pobreza, porque isso não é culpa. Um belo exemplo de respeito aos pais temo-lo em José, o Hebreu. O respeito de José a Jacó – José, feito vice-rei do Egito, chamou a si seu pai Jacó. Quando soube que este chegava, foi ao seu encontro com uma carruagem magnífica e com seus dois filhos. E mal o viu, atirou-se-lhe ao pescoço, e o abraçou, chorando de ternura. Depoiso fez subir à sua direita e o apresentou ao Faraó, de quem lhe obteve o domínio da terra de Gessém. Quantos filhos, porém, desprezam os pais, zombam deles e os levam ao ridículo! Quantos respondem com arrogância, e chegam até a lhes soltar imprecações e a maltratá-los! Esses não são mais filhos: são monstros que provocam a indignação de Deus e dos homens. O respeito aos maiores e aos mais velhos – O mesmo respeito que se deve aos pais, também se deve usar para com os maiores e os velhos. Esse dever foi praticado até pelos pagãos. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Comentários Eleison nº 813
Por Dom Williamson Número DCCCXIII (813) – 11 de fevereiro de 2022 MAIS DOSTOIÉVSKI A Consagração da Rússia não pode esperar. Infelizmente, Nosso Senhor disse: “será tarde”. Em seu último romance, Os Irmãos Karamazov (1879), o famoso romancista russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) colocou na boca de um monge russo, o padre Zossima, reflexões mais profundas sobre o fracasso do Ocidente liberal e a possível importância futura para o mundo do Oriente cristão, do monaquismo russo em particular. O tempo dirá, mas como os Estados Unidos e a Rússia se preparam para a eclosão da Terceira Guerra Mundial, a Consagração da Rússia, conforme solicitada por Nossa Senhora de Fátima, adquire cada vez mais importância, enquanto a linha de pensamento do Pe. Zossima ganha cada vez mais interesse. Aqui está apenas um trecho, livremente adaptado e resumido do romance, retirado do Livro VI, Capítulo 3, Seção (e): Desses mansos monges, que anseiam pela oração solitária, a salvação da Rússia talvez venha mais uma vez!... na sua solidão, eles conservam a imagem de Cristo bela e imaculada, na pureza da verdade de Deus, desde os tempos dos Padres da antiguidade, dos Apóstolos e dos mártires. E quando chegar a hora, eles a mostrarão aos vacilantes credos do mundo. Isso é um grande pensamento. Essa estrela surgirá do Oriente. ...Olhe para as “elites” mundanas e todos os que se colocam acima do povo de Deus. A imagem de Deus e Sua verdade não foram distorcidas neles? Eles podem ter ciência; mas na ciência não há nada além do que é objeto dos sentidos. O mundo espiritual, a parte superior do ser do homem, é totalmente rejeitado, descartado com ares triunfais, e até mesmo com ódio. O mundo proclamou o reino da liberdade, sobretudo ultimamente, mas o que vemos nessa liberdade deles? Nada além de escravidão e autodestruição! Pois o mundo diz: “Você tem desejos, e então os satisfaça, pois você tem os mesmos direitos que os mais ricos e poderosos. Não tenha medo de satisfazer esses seus desejos, e inclusive multiplique-os”. Nisso eles veem sua “liberdade”. No entanto, o que se segue desse direito de multiplicar os desejos? Que o mundo está cada vez mais unido, cada vez mais como uma comunidade global, à medida que as distâncias são superadas e os pensamentos voam pelos ares? Não confie em tal liberdade, porque ela distorce a natureza dada por Deus aos homens, promovendo nas classes média e alta muitos desejos e hábitos insensatos e tolos, e fantasias ridículas. Os homens vivem então em permanente inveja mútua, ávidos de luxo e ostentação, que chegam a ser encarados como uma necessidade tal que até se suicidarão se não conseguirem satisfazer tão insensatos desejos. Quanto aos pobres, estão sujeitos a afogar suas necessidades insatisfeitas e sua inveja na embriaguez, mas logo estarão bebendo sangue, porque estão sendo levados para as Guerras Mundiais. Assim eu pergunto: esses homens são livres? Objeção: eles estarão lutando pela humanidade! Resposta: eles não podem resistir por muito tempo. Em vez de ganhar a liberdade, afundaram na escravidão; e em vez de servir à causa do amor fraterno e à união da humanidade, eles, ao contrário, caíram na dissensão e no isolamento... Portanto, o serviço à humanidade, o amor fraterno e a solidariedade humana parecem cada vez mais vazios. Pois, como um homem pode livrar-se do hábito de satisfazer os inúmeros desejos que ele mesmo criou para si? Isolado como está por sua “liberdade”, que preocupação terá com o resto da humanidade? Tais homens podem possuir mais “coisas”, ter uma quantidade maior de objetos, mas a alegria desapareceu de suas vidas. O caminho monástico é muito diferente. A obediência, o jejum e a oração são ridicularizados, mas somente através deles está o caminho para a verdadeira liberdade. Suprimo meus desejos supérfluos e desnecessários, castigo minha vontade própria com obediência, e com a ajuda de Deus alcanço a liberdade espiritual e a alegria... A salvação da Rússia vem do povo. E o monge russo sempre esteve do lado do povo... O povo enfrentará os ateus e os vencerá, e a Rússia será una e ortodoxa. Cuide do camponês e guarde seu coração. Educá-lo tranquilamente é seu dever como monges, pois o camponês tem Deus no coração. Kyrie eleison.






