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  • Comentários Eleison nº 834

    Por Dom Williamson Número DCCCXXXIV (834) – 8 de julho de 2022 GLOBALISTAS TRABALHANDO Os verdadeiros católicos devem compreender a Nova Ordem Mundial, Para ver como o Diabo colocou tudo em suas garras. A maior parte do “Comentário” que segue vem da longa entrevista dada pelo Arcebispo Viganò em 13 de maio, que pode ser acessada em The Remnant Newpaper: “The Remnant Newpaper – Archbishop Viganò interviewed on Russian TV [Arcebispo Viganò entrevistado na TV russa]”. A crise ucraniana foi planejada há anos, bem antes do Euromaidan, ou “revolução colorida”, de 2014. O regime corrupto da Ucrânia submeteu-se à elite globalista há muito tempo, de modo que agora o povo ucraniano está sendo massacrado em uma guerra que poderia ter sido evitada simplesmente pela aplicação dos acordos de Minsk de 2015. A verdade é: que a OTAN se comprometeu a não expandir-se para o leste; que a revolução Euromaidan foi conduzida com o apoio do estado profundo americano; que o Protocolo de Minsk não foi respeitado, e ouvimos a própria Angela Merkel admitir que o objetivo desse acordo era dar tempo à Ucrânia para armar-se. Se em 2022 o presidente Putin decidiu defender os russófonos na Ucrânia das contínuas agressões do governo de Kiev, isso não foi algo que aconteceu de repente. Pelo contrário, era exatamente isso que a OTAN queria que ocorresse, depois de mais de uma década provocando a Rússia. Aqueles que desejavam essa guerra tinham dois objetivos paralelos. O primeiro era impedir uma aliança entre as nações europeias e a Federação Russa, de modo a isolar a Rússia visando à sua destruição. A segunda era a destruição também do tecido econômico da Europa, porque é claro que alguém sabia que as sanções contra a Rússia se voltariam contra os países da UE, e os obrigariam a aceitar a chamada transição verde, baseada na fraude da mudança climática. Para alcançar esse objetivo, para o ensaio geral com a farsa da covid de 2020 a 2022, deveria haver um fantoche do estado profundo na Casa Branca, e, portanto, era necessário derrubar o presidente Trump em 2020 por meio de uma fraude eleitoral. Mas para dobrar os ucranianos à vontade dos globalistas, para uma guerra por poderes com a Rússia, sua religião também tinha de ser desestabilizada. Como? Na Igreja Ortodoxa existem dois Patriarcados principais, o de Moscou e o de Constantinopla. A maioria dos ucranianos ortodoxos costumava pertencer a Moscou. Em 2018, para separá-los de Moscou e torná-los independentes da Igreja Russa, o Departamento de Estado dos EUA destinou 25 milhões de dólares ao Patriarca de Constantinopla para que ele reconhecesse a separação da Igreja Ucraniana do Patriarcado Ortodoxo de Moscou. Mas, por que os globalistas passaram pelo Patriarcado Ortodoxo de Constantinopla? Porque há muito tempo está nas mãos da maçonaria, e a maçonaria é um importante instrumento dos “globalistas” em sua busca bimilenar pela dominação global. Por exemplo, tanto o patriarca Atenágoras de Constantinopla quanto seu predecessor eram maçons de grau 33, e o patriarca Bartolomeu de Constantinopla há muito tem sido subserviente ao plano dos globalistas. Não é de admirar que ele se dê tão bem com o Papa Bergoglio, que, a julgar por seus frutos, é um jogador importante na destruição maçônica da Igreja Católica. Assim, a Revolução “globalista” trabalha para destruir a fé e a religião dos cristãos, assim como destrói suas nações seculares pelo caranguejo de duas pinças do liberalismo maçônico e do comunismo ateu. Em uma sociedade sã, os interesses do indivíduo e da sociedade são naturalmente equilibrados. O liberalismo e o comunismo rompem esse equilíbrio, o liberalismo ao deificar o indivíduo, e o comunismo ao deificar a sociedade. Hoje estamos testemunhando o esmagamento do indivíduo e da sociedade pelo erro teológico, filosófico e político do globalismo, endeusando, em vez disso, a elite da Nova Ordem Mundial, que combina o desafio a Deus com o apodrecimento das mentes das pessoas e com o esvaziamento de todas as instituições estabelecidas. É preciso dizer como essa combinação infernal se destina a destruir o tecido social e religioso das nações, ao negar a realeza de Cristo sobre as sociedades e, igualmente, sobre os indivíduos? Kyrie eleison.

  • Comentários Eleison nº 833

    Por Dom Williamson Número DCCCXXXIII (833) – 1 de julho de 2022 TESTEMUNHO DE UMA MULHER Quando a mulher se volta para Deus e para os Salmos, É o fim dos ensinamentos vis do Diabo! Aqui está outro testemunho, de uma mulher que está claramente recebendo luzes, e a caminho de salvar-se, pela oração do Rosário. Louvado seja Deus, louvada seja Nossa Senhora! Sou uma mulher americana na casa dos 50 anos, batizada católica quando criança na década de 1970. Meus pais não eram católicos devotos ou praticantes, mas com eles eu assistia à missa nova, que era a única missa que eu conhecia. Frequentei uma escola primária católica, onde inicialmente havia Irmãs que me ensinavam. Mas de repente elas desapareceram das salas de aula para serem substituídas por professoras leigas. Eu era muito jovem para entender o que estava acontecendo, mas lembro que um dia minha avó gritou para minha mãe: “Eles mudaram a Missa! Por quê?”. Minha avó rezava o Rosário diariamente. Rezo o Rosário que ela me ensinou quando eu tinha cinco anos. Agora é minha inspiração. Acredito que foi a Graça de Deus e as orações dela que me trouxeram até onde estou agora. Atualmente frequento uma capela da FSSPX, pois um amigo me mostrou o que é a verdadeira Missa de todos os tempos. Sua beleza em honra a Nosso Senhor foi um choque para mim. Minha avó também me ensinou o que havia acontecido com a Missa. Levei vários anos para entender e digerir o desastre. E continuo aprendendo. Agora percebo que nasci em uma sociedade industrializada, como todo mundo nos EUA. Atualmente estou trabalhando para uma empresa ambiental, uma corporação sem Deus, na verdade dirigida e operada por franceses com sede em Paris. Todos os anos a empresa elogia e celebra a Revolução Francesa, mas quanto mais aprendo sobre a história católica e essa revolução, mais difícil se torna permanecer na empresa. Chegará o momento em que terei que sair de lá, pois estão impondo ali aos funcionários cada vez mais essas agendas pecaminosas, como a do movimento gay. Venho mantenho contato com um padre para que julgue quando chegará esse momento de saída. Para contrariar o pesadelo que me rodeia no trabalho e na sociedade, continuo a ler os Salmos, que me dão muita esperança, como, por exemplo, o Salmo VII, 16: O inimigo “cavou um fosso, e o fez profundo; mas caiu nesse buraco que ele mesmo abriu”. Os Salmos me ensinam como Deus transforma o mal em bem, de modo que começo a ver como até mesmo Seus piores inimigos, como os “pedestres do Mar Vermelho”, estão realmente cumprindo a Vontade de Deus, só que sem saber disso. Foi assim com a covid, e o é agora com o movimento transgênero. Quanto à covid, eu também sou mulher, claro, mas por ter nascido em nossa sociedade industrializada, não fazia ideia de que Deus não quer as mulheres nos escritórios, de que o ideal é que as mulheres sejam consagradas a Deus como religiosas ou cuidem do lar, cuidem dos filhos e do marido, como boas esposas e boas mães. Foi o confinamento da covid que me ensinou essa verdade, porque, sendo uma gerente financeira que supervisiona várias mulheres sob mim, a maioria delas com filhos no sistema escolar público, pude observar diretamente como, por meio do confinamento, Deus lhes estava mostrando o que uma mãe deve fazer. Obrigadas a ficar dentro de casa, elas se ausentavam do trabalho e passavam muito mais tempo com seus filhos, supervisionando os estudos deles e estreitando o vínculo com eles. Era algo bom de se ver. Quanto ao movimento transgênero, pelo qual os homens querem ser mulheres, nos EUA já vemos homens participando de esportes femininos. Como os homens são naturalmente mais fortes do que as mulheres, eles geralmente vencem, e isso significa que há uma pressão sobre as mulheres, pelo menos nos EUA, para que abandonem os esportes e retomem àquele que deve ser o nosso papel na vida, para o qual Deus nos projetou, pela natureza humana que Ele nos deu, que é diferente da dos homens. Com a graça de Deus, pelo menos algumas mulheres despertarão para a loucura do transgenerismo, e perceberão para o que foram feitas. Na maior parte disso, posso ver a mão de Deus, e, se eu medito em Seus caminhos, isso me dá tanta alegria que posso superar as dificuldades de nossos tempos. Por fim, agradeço à Internet por certos sermões e palestras que não ouço em nenhum outro lugar! Kyrie eleison.

  • Militantes, unamo-nos

    Por Gustavo Corção, publicado n’o Globo em 31-03-1973 TANTOS LEITORES, DIANTE DA INCOMPREENSÍVEL CALAMIDADE DA CIVILIZAÇÃO E DO CATOLICISMO, ME PERGUNTAM AFLITOS: COMO PODE? COMO PODE? TODOS QUEREM TER AO MENOS UMA PISTA, UMA PRIMEIRA APROXIMAÇÃO DO MISTÉRIO DE TAL TEMPESTADE. QUEM NÃO QUERERÁ AO MENOS VISLUMBRAR UMA TÊNUE EXPLICAÇÃO DAS CAUSAS DESSA FEBRE QUE DEU NO MUNDO E SE INFILTROU NA IGREJA? É UMA TENTATIVA, QUE ME CUSTOU ANOS DE ESTUDO E DE AUSCULTAÇÃO DA MÁQUINA DO MUNDO, É ESSA APROXIMAÇÃO QUE HOJE TENHO A ALEGRIA E O TEMOR DE ANUNCIAR NO NOVO LIVRO QUE ACABA DE SAIR: O SÉCULO DO NADA Eis, em resumo, o conteúdo do livro: DEPOIS de uma introdução que anuncia algumas retratações, reafirmações, interrogações e outros ões, e onde o autor traça sua experiência pessoal na tragédia do catolicismo de nosso tempo, e a parte que repercutiu no Brasil, a obra desloca seu observatório para os lugares da Europa de onde nos veio tamanho mal, e de onde esperamos a saudável reação. Refiro-me especialmente à França e à Espanha. OS DOIS primeiros capítulos giram em torno dos equívocos criados pelo esquema Direita-Esquerda, para mostrar que se trata de um jogo falso e falseador, que nos foi imposto pela chamada "esquerda". São análises talvez fastidiosas, para as quais o autor espera a paciência do leitor que quer efetivamente compreender o sentido geral da obra. Daí por diante, e principalmente a partir do início do Século XX, a obra se tece de fatos focalizados, interpretados e arrumados em forma de cronologias paralelas. No Capítulo I da Parte II o autor assinala os marcos onde se vê que os acontecimentos do Século XX sistematicamente favorecem e engrossam a Revolução. No capítulo seguinte nosso observador está ora em Paris, ora em Roma e ora na Espanha. Vê-se neste capítulo que foram as esquerdas, inclusive e principalmente as esquerdas católicas, que provocaram a humilhante queda da França em 40. O LEITOR talvez pergunte: "Mas por que Século do Nada?" O título dessa obra, que focaliza especialmente o Século XX, poderia ser outro. Por exemplo: "O Século do Desespero", porque nesse século, inclusive nos meios católicos ou principalmente nos meios católicos, apostou-se tudo no triunfo temporal do homem: os católicos "progressistas" ou secularizantes querem tudo aqui e agora, e filiam-se à Revolução que, antes de ser um movimento motivado por desejos temporais, é um movimento de anarquia e de contestação de todos os senhorios, a começar pelo de Deus. O resultado de tão desviadas esperanças não tardou: hoje o mundo nos oferece o espetáculo apavorante de um desespero planetário. Todos nos entreolhamos e nos perguntamos como será dentro de vinte anos. TAMBÉM poderia ser chamado o Século das Imposturas, ou o Século dos Empulhamentos, porque em todos os capítulos o autor salienta ou denuncia as falsificações difundidas pela Revolução e por seus vendedores. Dir-se-ia que, particularmente nos últimos séculos, a História é uma coleção de histórias mal contadas. Poderíamos desenvolver a obra com uma antologia dos principais empalhamentos que todos nós engolimos: o do humanismo da Renascença (que na verdade foi o começo de um desumanismo); a Tomada da Bastilha e o 14 de Julho; que só têm igual na nossa Batalha de Itararé, que não houve. EA HISTÓRIA mal contada da Action Française. e de Charles Maurras, que eu mesmo engoli enquanto dedicava o tempo disponível à leitura da filosofia e da teologia, até o dia em que, diante do que chegava aqui dos católicos franceses, e diante do começo da loucura geral, resolvi debruçar-me sobre a história recente da Igreja. Agradecendo a Deus a sobrevida saudável e robusta que me concedeu, estudei nesses últimos anos mais do que em toda a minha vida passada, e descobri, espantado, apavorado, irritado, que em muita coisa tinha sido enganado, tinha sido empulhado, ou tinha sido arrastado pelos erros que vinte e dez anos atrás eram coroas de pedras preciosas. ACHEI-ME na obrigação de trazer ao público não apenas a descoberta de tais empulhamentos, mas também a descoberta das linhas-de-história que revelam a torrente negadora de Deus, a Revolução, que vem de longe, e que em nosso bravo século se alargaram assustadoramente. MAS por que "Século do Nada"? Porque a ideia consciente ou inconsciente que dá continuidade à Revolução é a da reviravolta geral, a da destruição geral (que os anarquistas não disfarçam) e a da volta à estaca-zero. Por esse retorno já merecem os nomes que a si mesmas deram os revolucionários do princípio do século: niilistas. MAS é também no seu ideal de porvir que a Revolução se abre para o vácuo. Todas as correntes e afluentes seguem mais a lei da matéria do que a lei do espírito. Ora a lei número um da matéria é a do desmoronamento, a da degradação de todas as formas, é da entropia crescente — é, em suma, a da evolução para o Nada. Com Teilhard de Chardin ou sem ele, o ponto ômega do revolucionarismo é o Nada. NO CAMINHO dessa Parusia do cinzento absoluto e morno, o homem vai perdendo suas excrescências. suas dimensões espirituais e vai mergulhando num igualitarismo uniforme e infra-humano. NA CONCLUSÃO do livro, que pode ser lida à guisa de introdução, vê-se qual é o plano das potestades que comandam a Revolução. Querem criar o 3° Adão, que realize, no último ato da Divina Comédia, "o pecado terminal", que será unânime — na insensata presunção desses fatores —, já que o 3° Adão é a Humanidade integrada e massificada. O autor esforçou-se por tornar amena a leitura de tão graves problemas, reservando para ulteriores publicações os aprofundamentos que cada um dos marcos históricos reclama. Caso não logre tal intento, o autor espera que outros o completem e o corrijam. * * * CONVIDO TODOS OS LEITORES E AMIGOS PARA UM ENCONTRO AS 8H30M DO DIA 4 DE ABRIL, QUARTA – FEIRA, NA LIVRARIA RUBAYAT, A RUA VISCONDE DE PIRAJÁ, 547, ONDE TEREI O PRAZER DE AUTOGRAFAR O NOVO LIVRO, QUE DEDIQUEI AOS COMPANHEIROS DO BOM COMBATE.

  • Comentários Eleison nº 832

    Por Dom Williamson Número DCCCXXXII (832) – 24 de junho de 2022 SOLZHENITSYN APLICADO A boa arte constrói valores naturais na alma, O que é de grande ajuda para seu objetivo sobrenatural. Na semana passada, nestes “Comentários”, Solzhenitsyn argumentava que as artes mostram o que está acontecendo com a alma dos homens; que as artes modernas revelam um vazio espiritual nas almas modernas; e que esse vazio espiritual não é um bom prenúncio para o homem em nenhum momento. O próprio Solzhenitsyn não era católico; na verdade, em sua juventude, ele estava sem Deus. Mas oito anos de sofrimento nos campos de prisioneiros comunistas o ensinaram que existe um Deus, que lhe deu uma vida espiritual e uma visão da realidade que faltam a muitas almas, secas sob o comunismo no Oriente, mas também ressecadas no Ocidente por séculos de racionalismo e materialismo (isso inclui muitos “católicos” – pensemos no Vaticano II). Apliquemos algumas das lições de Solzhenitsyn às nossas próprias vidas. Em primeiro lugar, nosso desprezo pelas artes: um exemplo disso é como todos os jornais publicam poesia hoje em dia como se fosse prosa (os materialistas não gostam da poesia, que está sempre sugerindo que a vida é algo mais do que somente prosa). Mas pela natureza que Deus nos deu, os homens temos, além de nossos corpos materiais, uma alma imaterial que responde a histórias, músicas, pinturas e esculturas, e precisa delas. Essas “artes” são os produtos mais elevados e espirituais dos homens dotados para escrever histórias, tocar música ou criar pinturas ou esculturas. Eis por que eles mesmos e seu público costumam dizer que os “artistas” estão, em seu melhor momento, “inspirados”; por que os ateus dificilmente podem produzir verdadeiras “artes”; e por que os maiores “artistas” e as maiores “artes” dos últimos tempos podem invariavelmente ser rastreados até a cristandade, como percebeu Sir Kenneth Clark (1903–1983). Ora, no exercício de sua arte, qualquer artista normalmente se esforça para compartilhar algo importante para ele. É por isso que as artes são uma boa indicação do conteúdo da alma dos homens, e é por isso que as histórias, as músicas ou as pinturas populares manifestam a vida espiritual de um povo. Por isso os católicos nunca devem subestimar, como estão sujeitos a fazer sob a pressão do desprezo moderno pelas artes, o valor e a importância das histórias, da música e das artes visuais. Solzhenitsyn está certo ao afirmar que as histórias sem sentido de hoje, a música estridente e as feias artes visuais atuais refletem o grande mal que está presente nas almas modernas. Ele lê nelas o resplendor ardente, ou a perdição, da chamada “civilização ocidental”. Compara com a grande ópera de Wagner, Crepúsculo dos Deuses (1876), na qual toda uma ordem mundial, o Valhalla dos deuses, desaba em chamas no palco. No entanto, para os pais modernos geralmente pouco importa que tipo de música seus filhos ouvem. Nem mesmo dão a devida atenção ao tipo de música de que eles mesmos gostam. Portanto, os “músicos” do rock são livres para roubar desses pais o afeto dos filhos, assim como o flautista de Hamlin roubou com sua música os filhos do povo de Hamlin. Os pais podem perceber tarde demais o mau exemplo que deram aos filhos ao ouvirem eles mesmos lixo se passando por “música”. Opa! Mas como alguém se atreve a chamar música de “lixo”? Porque é isso que a música moderna em grande parte, vazia de valor ou interesse melódico, harmônico ou rítmico, é. Porque se a música não edifica, está fadada a corromper. Por sua própria potência, ela não pode não fazer uma coisa ou outra. Ora, há um limite para a música que alguém pode forçar-se a gostar. Se eu tenho uma alma em estado de “lixo”, não posso gostar de música decente da noite para o dia. Por outro lado, não posso amar nada do que não tenho conhecimento. Então, o mínimo que posso fazer para elevar minha alma é conhecer uma música melhor. A melhor música é o canto gregoriano. Em seguida vem a polifonia, e depois a música clássica. O mais baixo de tudo é a música moderna: jazz, pop, rock e rap, nessa ordem decrescente. Por que? Porque “A melodia”, disse Mozart, “é a alma da música”. O canto gregoriano é pura melodia, e no rap não há melodia. Em algum ponto crucial dessa escada descendente está o músico clássico Beethoven (1770-1827), que combina, de forma única, a ordem do século XVIII com a paixão do século XIX. Por um lado, é por alguns momentos muito colérico e violento para agradar às almas tranquilas. Por outro lado, não é tão calmo a ponto de dizer pouco ou nada aos jovens modernos, que estão muito agitados para poder suportar muita ordem. Mas para quem quer que deseje entrar no mundo da música clássica, uma introdução maravilhosa pode ser o filme da BBC de 2003, Beethoven’s Eroica. O filme é uma reconstrução da primeira apresentação da Sinfonia “Eroica” no palácio particular de um aristocrata vienense em 1804. Vemos a variedade de reações humanas a esta música que marcou uma época, algo novo naquele tempo: a senhora da casa se emociona ao ouvir a carga de cavalaria; sua empregada doméstica, alternadamente ouvindo e flertando; um general tcheco desconcertado com a extensão e a originalidade da sinfonia, mas profundamente comovido apesar de si mesmo; o famoso compositor Joseph Haydn compreendendo plenamente que uma nova era na música havia chegado; e assim por diante. O filme apresenta muito bem tanto esse contexto humano como o marco histórico da Terceira Sinfonia, com a Revolução ao seu redor. Ele, que é fortemente recomendado, pode ser facilmente acessado em https://www.youtube.com/watch?v=UtA7m3viB70. Kyrie eleison.

  • XXV – A Oração - Necessidade da Oração

    A Oração Necessidade da Oração O oficial e o turco – Um oficial francês, feito prisioneiro de guerra na África, tornou-se escravo de um beduíno (senhor turco), o qual o chamava sempre com estas palavras estúpidas: “cão de cristão”. Indignado o oficial, por ser tratado desse modo, disse um dia ao beduíno: “Por que me chamas de cão? Apesar de prisioneiro, não sou um homem igual a ti?”. “Tu, um homem? (retruca o turco com desprezo); não, tu és um cão: há três meses que te tornaste meu prisioneiro, e nunca te vi rezar; e não queres que eu te chame com este nome?”. O turco não estava errado. O homem que não reconhece a lei e o dever da oração faz-se igual aos animais irracionais, os quais, incapazes de conhecer a Deus, não rezam. Por isso, caros jovens, far-vos-ei agora ver: I – Necessidade da oração 1 – Que é a oração? “É uma elevação do espírito e do coração a Deus, para adorá-Lo, agradecer-Lhe e pedir-Lhe o que carecemos”. Assim ensina o Catecismo, que nos faz compreender até o dever que temos todos de rezar. a) Dever de adorá-Lo: Porque Ele é o nosso Criador, e nós somos criaturas suas; ele é o nosso soberano Senhor, e em tudo dependemos dele. É um dever maior e mais estrito do que aquele que nos obriga a honrar os grandes e os superiores deste mundo. b) Dever de agradecer-Lhe: Porque nos tem feito tantos benefícios. Todos os bens que temos e que desfrutamos, porventura não nos vêm dEle? Logo somos obrigados a agradecer-Lhe. Gostaríamos de ser ingratos com Deus? Oh! que coisa iníqua e ignominiosa é afinal a ingratidão! São João Crisóstomo diz: “Com que cara podes tu mirar o nascer do sol sem adorar o amoroso Senhor que to manda? Como podes comer sem agradecer ao bom Deus que te provê e te alimenta? Como te podes pôr na cama à noite, sem bendizer o Senhor por tantos benefícios dele recebidos durante o dia?”. “Seria horrível (aduz Tertuliano), passar mesmo um só dia sem fazer oração: Horrendum est diem transigere sine oratione”. 2 – Esse dever reconheceram-no todos os povos O dever da oração reconheceu todos os povos, até os bárbaros, e sempre o praticaram. Desde que os homens existem, sempre se elevaram preces a Deus em todos os lugares da terra. Os judeus, os cristãos, os hereges, os maometanos, até os selvagens, todos rezam. Conhecer Deus e orar a ele é coisa natural no homem que raciocina. O filósofo Sintennis e o menino – O filósofo Sintennis quis fazer uma experiência, a fim de ver se o homem chega por si a conhecer a Deus e a rezar-Lhe. Tomou, então, um menino que ainda não sabia coisa alguma, e o levou a uma casa de campo, separando-o do mundo e jamais falando-lhe em Deus. Certa manhã, quando o menino já estava crescido, o filósofo o viu ajoelhado no jardim, voltado para o sol, ao qual mandava beijos, dizendo: “Ó tu que és tão belo e estás mais perto do Criador de todas as coisas, saúda-o por mim, e dize-lhe que eu O amo!”. O filósofo lhe disse admirado: “Quem te disse que há um Deus? E quem te ensinou a rezar assim?”. E o garoto: “Tudo o que vejo me diz que há quem fez o mundo, e que o devo adorar”. O filósofo persuadiu-se de que o homem chega por si a conhecer Deus e a rezar-lhe. 3 – Esta obrigação no-la dá Deus E não podemos descurá-la sem culpa. Deus manda-nos o orar, e orar frequentemente. Ouvi o que diz Jesus no Evangelho: Vigilate et orate (Mc 14, 38). Deve-se, pois, rezar sempre e não parar nunca. Vigiai, pois, rezando a todo tempo (Lc 21, 36). Pedi e ser-vos-á dado. Manda-nos até que oremos pelos inimigos: Orai pelos vossos caluniadores (Lc 6, 28). E S. Paulo diz: “Sede perseverantes na oração, velando nelas e nas ações de graças: Orationi instate, vigilantes in ea et in gratiarum actione” (Col 4, 2). O exemplo de Jesus Cristo – Jesus Cristo repetia frequentemente a seus apóstolos que é necessário rezar; e lhes ensinou até o modo e o tempo de orar, e até as palavras que deviam dirigir ao seu divino Pai. Mas contentou-se, porventura, em só lhes dar a ordem? Não: foi Ele o primeiro a dar o exemplo. Menino ainda, ia ao templo rezar; quando se fez batizar por S. João Batista e desceu sobre Ele o Espírito Santo, achava-se em oração (Lc 3, 21). Até noites inteiras passava em oração: Erat pernoctans in oratione Dei (Lc 6,12). E sempre nos deu esse exemplo de orar, até o último momento de sua vida mortal: moribundo na cruz, ainda rezou pelos seus crucificadores (Lc 23, 34). Não teremos nós, então, o dever de praticar o que Jesus nos ordenou com as palavras e ensinou com o exemplo? 4 – A nossa necessidade Dizem alguns: “Que necessidade há de rezar? Des não precisa de nossas orações”. Isto é uma impiedade. De fato, Deus não precisa de nós; nós, porém, temos muita necessidade de Deus. Temos necessidade: a) De perdão – Que deve fazer um menino que haja ofendido um colega, um mestre, um pai? Pedir desculpa e perdão. Assim devemos proceder com Deus. Nunca ofendestes o bom Deus? Oh, quantas vezes! Logo deveis pedir perdão com a prece. b) De ajuda – Quem é fraco pede ajuda a quem é forte. Nós somos fracos e temos necessidade da graça de Deus, que nos faça fortes. “Sem mim não podeis fazer nada”, diz o Senhor; nós não somos capazes nem de um bom pensamento (2 Cor 3, 5). Neste mundo vivemos entre mil perigos: temos muitos inimigos que nos fazem guerra. Tão inermes como somos, tão fracos e inclinados ao mal, como poderemos vencer sem a oração? “É essa a grande arma que nos torna fortes”, diz São João Crisóstomo: Magna armatura est oratio. Quantos jovens se deixaram vencer pelas tentações e caíram miseravelmente em graves pecados porque não rezaram! c) De socorro – Quem pobre pede socorro ao rico. Pois bem, nós somos uns pobres mendigos diante de Deus, de quem devemos esperar tudo, assim quanto à alma como quanto ao corpo. Deus bem sabe as nossas necessidades, e deseja dar-nos suas graças; mas estabeleceu não concedê-las senão aos que as pedem: Non dat nisi petenti (S. Agostinho). Vedes, pois, que todo cristão deve rezar não só algumas vezes, mas todo dia, e frequentemente cada dia, se quer viver virtuosamente. Dizei-me: pode viver uma planta sem umidade? Não. Pode viver o peixe fora d’água? Não. Também o cristão não pode ser bom sem a prece. Pode voar um pássaro se não tem asas? Não. Também não poderemos ir ao Paraíso sem as asas da oração. Por isso S. Afonso dizia: “Quem reza se salva; quem não reza se condena”. Vedes, pois, que grande necessidade temos de orar? 5 – Essa necessidade compreendiam-na bem os Santos Os Santos davam importância à salvação de sua alma. S. Jerônimo refere de S. Tiago, que de tanto ficar ajoelhado a rezar, calejaram-se durissimamente os joelhos. S. Paulo Eremita começava sempre o dia recitando cem vezes o Pai Nosso. Santa Isabel, rainha da Hungria, passava em oração grande parte das noites, e para não prolongar o sono, dormia no chão. S. Martinho rezava sem parar, mesmo quando estava ocupado em trabalhos manuais. No leito de morte continuava a rezar: parou quando a morte lhe tapou a boca. S. Patrício desde menino se levantava de noite, e através do gelo e da neve e debaixo da chuva, ia à igreja fazer orações, e cem vezes por dia se ajoelhava para orar ao Senhor. S. Luís Bertrand, ainda menino, era amiúde encontrado pelos pais num canto da casa a rezar. S. Estanislau Kostka, rapazinho, levantava-se à noite de mansinho, e primeiro se punha de joelhos, depois se deitava de borco no chão com os braços abertos, e assim passava longas horas em fervorosíssimas orações. Assim também fazia S. Luís Gonzaga, que nas noites mais duras do inverno ficava demoradamente ajoelhado na terra nua, para depois cair desmaiado. Eis o que faziam os Santos! Eles conheciam a necessidade da oração. E vós, fazeis assim? Talvez rezeis bem pouco e com dificuldade! E se entre vós houvesse alguém que descurasse até as orações matinais e da noite? Que desgraça seria isso! Oh! se compreendêsseis a utilidade e os efeitos prodigiosos da oração, não procederíeis assim. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

  • Comentários Eleison nº 831

    Por Dom Williamson Número DCCCXXXI (831) – 17 de junho de 2023 SOLZHENITSYN VIU O artista vê o brilho da nossa “cidade em chamas”, Mas, voltar-se-ão os homens para Deus? Não? Que pena! Alexander Solzhenitsyn (1918-2008) foi um escritor russo que ficou famoso por sua forte e clara denúncia do comunismo soviético em sua obra mais conhecida, “O Arquipélago Gulag” (1973). Este livro em três volumes contribuiu bastante para que se mostrasse ao mundo os horrores do comunismo, e foi fruto de sua própria conversão aos valores mais antigos de Deus e da pátria, que experimentou durante os oito anos (1945–1953) em que esteve preso nos gulags soviéticos (campos de prisioneiros). O texto que se segue é um extrato, ligeiramente adaptado, de um discurso que ele pronunciou ao National Arts Club de Nova York em 1993. Mostra sua clara compreensão das artes modernas como reflexo de uma grave falta de vida espiritual nas almas, tanto no Ocidente quanto no Oriente. Todo o nosso mundo está vivendo um século de enfermidade espiritual, que se reflete necessariamente nas artes. Surgiu um sentimento de confusão sobre o mundo não apenas nos antigos países comunistas, mas também no Ocidente, onde um aumento sem precedentes dos benefícios materiais da civilização e a melhora constante dos níveis de vida foram acompanhados por uma erosão e um obscurecimento dos altos ideiais morais e éticos. O eixo espiritual da vida obscureceu, e há artistas cujas obras agora parecem não fazer mais sentido para o mundo, que as vê como um monte de lixo absurdo. Sim, a cultura mundial atravessa hoje uma crise gravíssima. Uma saída tem sido recorrer a novos métodos engenhosos, como se jamais estivesse havendo uma crise, como se modificar o meio pudesse compensar a falta de mensagem. Vãs esperanças. Nada que valha a pena se pode construir com base na negligência dos significados mais elevados ou em uma visão relativista dos conceitos e da cultura em seu conjunto. De fato, é possível discernir algo maior do que um fenômeno confinado à arte brilhando aqui sob a superfície – não de forma luminosa, mas de um sinistro resplendor carmesim, como o de uma cidade em chamas... Pois por trás desses experimentos ubíquos e aparentemente inocentes de rechaço à tradição “antiquada”, existe uma hostilidade profundamente arraigada em relação a qualquer espiritualidade. Esse culto implacável à novidade, com sua alegação de que a arte não precisa ser boa ou pura, desde que seja nova, e sempre mais nova, esconde uma tentativa inflexível e sustentada de minar, ridicularizar e erradicar todos os preceitos morais. Como se não houvesse Deus, nem verdade, como se o universo fosse caótico, não houvesse absolutos, como se tudo fosse meramente relativo. Pois nestas últimas décadas do século XX, a literatura, a música, a pintura e a escultura mundiais mostraram uma tendência obstinada de crescer não mais para o alto, mas para os lados, não para cima, em direção às mais altas realizações das habilidades artísticas e do espírito humano, mas para baixo, em direção à sua desintegração em uma frenética e insidiosa “novidade”. Para decorar os espaços públicos, colocamos esculturas que pretendem que a feiúra pura merece a nossa atenção – e isso já não nos surpreende mais. No entanto, se visitantes do espaço captassem nossa música através das ondas, como poderiam adivinhar que os terráqueos uma vez tiveram um Bach, um Beethoven ou um Schubert, nomes que atualmente estão abandonados como se estivessem desatualizados e obsoletos? Se nós, os criadores de arte, nos submetermos obedientemente a esse declínio, se deixarmos de valorizar a grande tradição cultural dos séculos anteriores, juntamente com os fundamentos espirituais dos quais procedeu essa nobre tradição – estaremos contribuindo para uma perigosíssima queda do espírito humano na terra, para uma degeneração da humanidade em uma espécie de estado inferior, mais próximo do mundo animal. E, no entanto, é difícil crer que permitiremos que isto ocorra. Mesmo na Rússia, tão terrivelmente enferma agora (1993), esperamos que, após o coma e um período de silêncio, possamos sentir o sopro da literatura russa renascendo, e observar em nossos irmãos mais jovens a chegada de forças novas e frescas vindo em nosso auxílio. Kyrie eleison.

  • Os graus do escândalo

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 05-04-1973 O PRÓPRIO Santo Tomás, o Doutor Comum da Igreja, quem nos diz isto: "É preciso, entretanto saber que, se se tratar de um perigo para a fé, os superiores devem ser advertidos por seus inferiores, até publicamente" (IIª IIae qu XXXIII, a.4, ad.2). MAIS adiante Santo Tomás ensina "que o súdito que presume ser em todos os pontos melhor que seu superior corre o risco do orgulho; como, porém, neste mundo ninguém está isento de defeitos, não é mau presumir a superioridade num ponto particular. E é preciso observar também que aquele que exerce este ato de caridade para com seu superior de modo algum rebaixa o seu superior, antes ajuda-o, e "quanto mais elevado é o cargo maior é o perigo". A ARGUIÇÃO dos superiores, em razão do perigo da fé, que está em toda a tradição católica, ganha mais força do que nunca nos tempos em que os escândalos vêm de cima. Todo o mundo já disse em todos os tons que a atual calamidade da Igreja consiste nos escândalos dos bispos, dos provinciais, dos superiores. Eu apenas repito, ora com mais ênfase, ora com sinais de fadiga. Não tem, por conseguinte, nenhum cabimento o espanto escandalizado das autoridades quando eu torno a dizer o que já se escreveu no mundo milhares de vezes. A nota recentemente publicada pela Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro é por conseguinte descabida e extemporânea. Eu sou censurado indiretamente por dizer o que todo mundo já disse; há até quem fale em Cavalo de Tróia, e outros que aludam a autodemolição da Igreja. Por quem? MINHA frase, no artigo extemporaneamente censurado (mas de modo indireto porque a mim mesmo não foi feita nenhuma advertência particular ou pública) estava longe de ser original. Eu jamais disse que a maioria dos bispos é "progressista", e portanto inimiga da Igreja, mas tenho dito e repito que nas infelizes Assembleias e Conferências episcopais, deixando-se os bons arrastar pelos mais ativos, resulta uma lamentável aparência em desfavor da maioria dos bispos. VOLTO ao assunto da nota da Cúria porque até hoje permanece o escândalo das demissões dos 3 professores da PUC de São Paulo, e mais uma vez volto à carga do recente purpurado que em São Paulo parece querer demonstrar acintosamente que não é católico, embora seja cardeal. Esta afirmação parece audaciosa, e por isso passo a demonstrá-la. TOMEMOS um Arcebispo Dom Radamanto, de alguma arquidiocese do Reino da Pasárgada. Suponhamos que se trate de homem disposto a tentações e fraco. Anuncia-se nessa arquidiocese um espetáculo teatral onde se diz com todos os recursos cênicos e verbais que Jesus é amante de Madalena, e um homem como um outro qualquer. Dom Radamanto ouve falar na peça e sente em diversas partes do corpo, dos ouvidos aos pés, a cócega da curiosidade. Não resiste, e os pés o levam, o ouvido e o resto, ao espetáculo. Até aqui, se Dom Radamanto fosse esquivo e discreto, poderíamos dizer: fez escândalo público, coitado, mas esforçou-se por ir disfarçado e esquivo. Primeiro grau de escândalo. IMAGINEMOS agora o caso em que Dom Radamanto não toma precaução nenhuma, e tranquilamente se instala de camarote, sem, todavia, aplaudir o espetáculo. Segundo grau do escândalo, que todavia ainda paga, na fingida austeridade do semblante, o tributo que a hipocrisia deve à virtude. IMAGINEMOS agora o caso de Dom Radamanto não se conter e aplaudir o sacrilégio e a blasfêmia. Terceiro grau de escândalo onde já parece que o personagem se compraz nele. Com mais um passo estamos no quarto grau: Dom Radamanto faz questão de descer do camarote para abraçar o Jesus amante de Madalena. Os católicos já podem sentir esse exagero como uma bofetada. Mas Dom Radamanto fez mais. Pousou para os fotógrafos das revistas de maior difusão no Reino da Pasárgada. Chegou ao quinto grau que, em nossa opinião, consiste em querer publicar seu total desdém pelos critérios da fé e da moral católica, e seu completo desprezo pela fé de seu rebanho. Neste quinto grau o prelado faz uma profissão de Fé anticatólica. E é essa "'autoridade", ostensivamente anticatólica, que manda expulsar da Pontifícia Universidade do Reino da Pasárgada três honrados professores católicos que apoiaram outro professor católico contra quem outra autoridade advertia seus fiéis, porque este outro professor ousara escrever que a calamidade católica é promovida de cima para baixo. PERGUNTARÁ o leitor: e depois? DEPOIS, os três professores do Reino da Pasárgada continuam suspensos, e Dom Radamanto recebeu o chapéu de Cardeal. E a moral dessa história qual é? Nenhuma. Esta história não tem moral.

  • Comentários Eleison nº 830

    Por Dom Williamson Número DCCCXXX (830) – 10 de junho de 2023 TESTEMUNHO DE UMA FAMÍLIA Quando um homem deixa Deus guiar, sua família o segue, E a vida familiar torna-se muito menos esvaziada. Papai satisfaz as necessidades dos filhos e da esposa, Para que Deus os leve a todos para a vida eterna. O autor da longa citação que se segue é um homem maduro que tem um pequeno negócio próprio em Londres, e cuja família recebeu grandes graças de Deus desde que ele respondeu a uma graça especial do Céu e passou a comportar-se como um pai de família católico, ao liderar a oração familiar católica. Há várias lições por aprender do que ele escreve: Deus existe, e continua agindo, especialmente por meio de Sua Mãe. A família humana ainda é como Ele a projetou, e o pai de família segue tendo de liderá-la para o Céu. É natural, e não antinatural, que esposa e filhos o sigam. E para restaurar esta ordem dada por Deus no lar, um instrumento fundamental é o Santo Rosário de Nossa Senhora. Se as almas modernas sofrem de desordem no lar, depende antes de tudo do pai apontar para o Céu e restaurar a ordem, com sua oração, sua fé e seu exemplo. Aos 49 anos, casado e com seis filhos, eu era católico na teoria, mas meu catolicismo era do tipo “o inferno não é real – apenas não seja Hitler, e você ficará bem”. Então recebi um conselho muito gentil, mas firme, de (tenho certeza) Nossa Senhora, que me mostrou que a vida católica que eu levava não era suficiente, pois o Inferno é real, e eu estava a caminho dele... Logo em seguida assisti à minha primeira Missa Tradicional em Latim, e pouco tempo depois participei, entre cerca de 40 homens, de um final de semana de palestras proferidas por um padre tradicional. Todas as palestras valeram a pena, mas o presente foi sentar para almoçar com os outros homens, quase todos, como eu, refugiados de meia-idade que foram chamados tarde para a Fé Tradicional. A maioria se fazia a mesma pergunta: por que demorou tanto para encontrar a verdadeira Fé? Eu pensei: se eu tivesse recebido isso a 20 anos atrás, meus filhos provavelmente ainda seriam católicos, frequentando a Missa, e assim por diante. Foi uma reunião agridoce. Ao voltar para casa, disse à minha esposa que no dia seguinte faria algumas orações matinais. Ela se juntou a mim. Sem nenhum planejamento, encontrei uma pequena novena a São José e pedi algumas bênçãos ao meu padroeiro. Li uma página do Evangelho e ficamos sentados por cerca de dez minutos em silêncio diante de uma estátua de Nossa Senhora. Naquela noite, por volta das 19 horas, ajoelhei-me na sala e rezei o Rosário. Minha esposa, ao passar pela sala, se aproximou e se juntou a mim. Na manhã seguinte, fiz as mesmas orações matinais com minha esposa, e dois dos filhos (que tinham então 14 e 15 anos) se juntaram a nós. Da mesma forma, à noite todos os filhos se reuniram na sala para rezar o Rosário. Não me recordo de ter feito nenhum anúncio ou pedido para que participassem. Se não me falha a memória, acho que apenas disse aos que estavam sentados na cozinha que iria rezar o Rosário na sala. Saí para fazê-lo, e todos eles simplesmente entraram lá. Na manhã seguinte, todos os cinco dos seis filhos, que moravam em casa (o mais velho estava no internato), apareceram para participar das orações matinais. E assim as coisas permaneceram basicamente desde então. O Rosário nunca foi interrompido. O antes e o depois da vida familiar são tão diferentes que concluí que Nossa Senhora enviou Graças para nossa casa. Como essa ordem chegou ao nosso lar? Começou comigo querendo salvar minha alma e, portanto, dando uma liderança geral para a oração familiar e depois o Rosário. Minha esposa seguiu o marido naturalmente, e depois os filhos seguiram nosso exemplo, sem nenhuma ordem dos pais. Pude observar como foram seguindo meus passos e compartilhando meu alívio por saber que o Céu, o Inferno, a morte e o Juízo são todos verdadeiros, para que ajamos retamente. Meu filho mais velho (19 anos) agora está pensando seriamente no sacerdócio, e minha filha mais velha quer desistir da Universidade de Cambridge, onde ela diz que está apenas “dando socos em um cenário feito para homens”. Em vez disso, ela quer “aprender finalmente habilidades úteis para o matrimônio e a maternidade”. A segunda filha (18) está planejando um “passeio de freiras” aos conventos da França, pois pensa que a vida de clausura a está chamando. Três anos atrás, nenhuma dessas crianças estaria pensando dessa forma, eu garanto. É tudo um milagre da Graça. Por que minha família? Como disse Agostinho, não faço ideia. Mas, como disse Agostinho, é melhor eu fazer algo a respeito! Kyrie eleison.

  • Comentário sobre a declaração de Dom Vitus Huonder, por S.E.R. Dom Tomás de Aquino

    † PAX Comentário sobre a declaração de Dom Vitus Huonder O bispo suíço, Dom Vitus Huonder, fez uma declaração que suscitou grande admiração por parte de muitos católicos. Ela se compõe de sete ítens abrangendo: três papas (Paulo VI, Bento XVI e Francisco), a Fraternidade São Pio X, a Nova Missa, a solução da crise e a perseguição feita aos fiéis da Fraternidade São Pio X. À primeira vista, este pronunciamento pode causar boa impressão. Há passagens corajosas a respeito do Papa Francisco e da Nova Missa. No entanto, é impossível não notar, mesmo numa primeira leitura, a lamentável posição teológica de Dom Huonder. Dom Huonder elogia Bento XVI e sua hermenêutica da continuidade. Ele louva o Motu Proprio Summorum Pontificum e o levantamento da injusta excomunhão de Dom Lefebvre. Sobre estes três pontos devemos observar primeiramente que a hermenêutica da continuidade é uma defesa do Concílio Vaticano II e uma impossível concordância deste último com a Tradição da Igreja. Quanto ao Motu Proprio ele consagrou a Missa Nova como a missa do rito romano. A missa de sempre foi relegada à condição de rito secundário. Quanto à excomunhão (que nunca existiu) de Dom Lefebvre nada permite concluir que Bento XVI a suprimiu. O nome de Dom Lefebvre não aparece no documento. Aparecem apenas os nomes dos quatro bispos sagrados por ele. Notemos, enfim, que Bento XVI sempre se posicionou como um inimigo do estado católico, ou seja, como inimigo do Reinado Social de Nosso Senhor. Isto levou Dom Lefebvre a dizer, ao então Cardeal Ratzinger, que eles dois não podiam colaborar, mesmo se Roma desse bispos à Fraternidade São Pio X. Os senhores, dizia Dom Lefebvre, desejam descristianizar a sociedade, e nós queremos cristianizá-la. O Cardeal Ratzinger, mesmo depois de papa, militou pela laicidade dos estados. Para ele o estado é incompetente em matéria de religião. Ele contraria quinze séculos de cristandade. Além disso, o Cardeal Ratzinger esteve sempre envolvido nos acordos das comunidades tradicionais com a Roma Modernista. Estes acordos foram uma “operação suicida” para essas comunidades. Os beneditinos de Dom Gérard, os redemptoristas do Père Sim, o Oasis do Padre Muñoz, os dominicanos de Père de Blignère, a diocese de Campos, as comunidades que já nasceram vinculadas à Roma como a Fraternidade São Pedro e o Instituto Bom Pastor, e certamente muitas outras. Todos estes foram vítimas do Cardeal Ratzinger e de seus auxiliares. Como se não bastasse o que acabamos de dizer, o Cardeal Ratzinger está também envolvido na fundação do seminário Mater Ecclesiae e no esforço de Roma para retirar seminaristas de Écône. Este seminário era apresentado como sendo, em tudo, semelhante ao seminário de Écône, mas com a vantagem de ter a aprovação de Roma. Assim, eles conseguiram atrair alguns seminaristas da Fraternidade São Pio X. Um ou dois anos depois, este seminário foi fechado e os seminaristas foram enviados às suas dioceses de origem. Um destes seminaristas escreveu a Dom Lefebvre dizendo sobre o seu arrependimento de não o ter escutado e de ter dado ouvidos ao cardeal Ratzinger. Podemos dizer que grande parte do esforço de Bento XVI enquanto cardeal e papa foi o de combater Dom Lefebvre. Seu secretário, Dom Gänswein, assegurava que o Motu Proprio Summorum Pontificum se destinava, dentre outras coisas, a afastar os fiéis de Dom Lefebvre. Que a Fraternidade São Pio X não abandone a sabedoria de Dom Lefebvre que conhecia bem tanto a teologia como os homens, e especialmente os liberais modernistas. Enquanto Dom Vitus Huonder ter Bento XVI como um modelo e sua hermenêutica da continuidade como a expressão da Tradição, então nada podemos esperar dele. E, ao contrário, temos que temer que ele não venha a afastar muitos do combate da Fé. Para aqueles que talvez não conheçam suficientemente a crise atual e que talvez sejam tentados a julgar nossa posição pouco católica, nós recomendamos os livros, sermões e conferências de Dom Lefebvre. Ele foi e continua a ser o Santo Atanásio de nossos tempos. A Igreja ainda o reabilitará como Dom Huonder fez nessa declaração. Dom Huonder elogia Dom Lefebvre, mas, infelizmente, não o compreende e não compreende os seus conselhos de nos manter separados dos modernistas até Roma voltar à Tradição da Fé Católica. † Dom Tomás de Aquino OSB

  • XXIV – O Escândalo - As Consequências

    O Escândalo As Consequências III – As Consequências 1 – A multiplicação dos pecados Quem aceitou o escândalo, facilmente o dá a outrem. E, então, quem pode dizer o número dos pecados que os escandalosos fazem os outros cometerem? O escândalo é como uma centelha de fogo que causa um grande incêndio. É como a gangrena que infecciona só uma parte do corpo, e depois se dilata aos poucos por todo corpo. É como o contágio que um único pestilento pode levar a muitíssimas pessoas. E os dados do escândalo dado por uma pessoa, podem durar até séculos. Henrique VIII, rei da Inglaterra (+ 1547), deu um gravíssimo escândalo de impiedade e de desonestidade ao seu reino; e dali por diante, até hoje, inúmeras almas têm perdido a fé. Lutero (+1546) e Calvino (+1564) fizeram o mesmo na Alemanha, e alhures; e com seus escândalos arrastaram à heresia populações inteiras, e por conseguinte milhares e milhares de almas à perdição. Voltaire, e outros como ele no século passado espalharam o escândalo na França, com doutrinas perversas: e tal escândalo dura até hoje! 2 – A grande dívida Sabeis, afinal, a grande dívida que contraiu para com Deus quem deu escândalos? Deverá este prestar contas não só dos pecados que cometeu, mas também dos que fez outrem cometer. Ora, como se poderá reparar a tanto dano causado? Como é difícil! Se o pecado permanece em quem o cometeu, bastará que se arrependa; mas se passou para outrem...? O herege Berengário – Berengário, herege francês (+ 1088), que havia espalhado o veneno de suas heresias, tornou-se afinal penitente; mas chegada a hora da morte, tremia e chorava. O sacerdote que assistia lhe disse: “Por que esse pavor?” e o animava a confiar na misericórdia infinita de Deus. O moribundo respondeu: “De meus pecados bem que espero o perdão, pois os conheço e sei que por eles fiz penitência; mas... os pecados que eu fiz os outros cometerem...?”. esse infeliz a custo pode acalmar-se. Vedes a grande dívida? Amiúde, pois, é o dano causado pelo escândalo absolutamente irreparável. Um menino fratricida – Aurélio, escritor romano, conta que um pagão de nome Macário, na presença de dois filhinhos seus, cortou o pescoço de um forasteiro que dormia em sua casa, para tomar-lhe o dinheiro. Ele pensava que os dois pequenos não percebessem a cruel façanha: entretanto eles viram e notaram tudo, e ficaram muito impressionados. Dias depois, brincando juntos, disse um deles ao outro: “Vamos também fazer aquilo que papai fez ao forasteiro”. E ingenuamente, um deles, o menor deitou-se num banco, fingindo dormir; e o outro com o facão do pai cortou o pescoço do irmãozinho! Eis uma pavorosa consequência, irremediável, de um escândalo dado. E se as almas escandalizadas forem logo para o inferno? Como poderá, quem deu o escândalo, reparar ao seu eterno dano? 3 – Os castigos de Deus Se é grande o pecado de escândalo, será grande também o castigo com que será punido. Jesus Cristo exclamou: “Ai daquele homem, por quem vem o escândalo! Vae homini illi per quem scandalum venit!” (Mt 18, 7). São João Evangelista no Apocalipse, diz ter visto debaixo do Altar as almas dos Santos Mártires, que pediam vingança contra seus perseguidores, exclamando: “E até quando, ó Senhor, ficará sem vingança o nosso sangue? Usquequo, Domine, non vindicas sanguinem nostrum?” (Ap 6, 10). Assim, invocarão as almas perdidas dos escandalizados a vindita sobre os que lhes causaram a ruína. E Deus fará essa vingança. A OBRIGAÇÃO DE REPARAR – Quem roubou, se pretende o perdão deve restituir. Ou restituição, ou condenação! Também para quem roubou a Deus as almas, há a obrigação de as restituir a ele, se pretende ser perdoado. Mas como se poderá fazer tal restituição? Se não se pode fazê-la, deve-se reparar o dano do melhor modo possível. Eis o modo. Quem deu escândalo deve lamentar amargamente o seu pecado aos pés do Crucifixo, pedindo perdão a Deus; e deve com o bom exemplo e com uma vida santa conquistar almas para Jesus Cristo. O santo rei Davi, depois de dar um grave escândalo, ficou seriamente arrependido; e não se dava paz, e chorava dia e noite, e deitava cinzas em sua comida, e misturava com as lágrimas a sua bebida: Cinerem tamquam panem manducabam, et potum meum cum fletu miscebam (Sl 101,10). Afinal protestava que daria o bom exemplo e que converteria as almas dos maus: “Senhor (dizia), ensinarei os pecadores os caminhos vossos, e farei que os ímpios a vós se convertam: Docebo iníquos vias tuas, et impii ad te convertentur (Sl 50). A restituição de S. Raimundo - S. Raimundo de Peñafort, espanhol (+1275), foi então famoso professor na Universidade de Bolonha. Certa vez ele dissuadiu de fazer-se religioso um aluno seu de grande inteligência e bondade, o qual lhe havia pedido conselho. Desde esse dia começou Raimundo a sentir uma apreensão: um pensamento o perseguia dia e noite e lhe dizia: Ah! Raimundo, que fizeste? Foste um anticristo, roubando à Igreja e a Jesus Cristo um jovem de valor, que talvez, ficando no mundo, venha a perder-se!...”. Raimundo se arrependeu cem mil vezes, e se confessou do mau conselho dado; mas a voz da consciência continuava a lhe gritar: “Ladrão! Restituição!”. Finalmente, para remediar ao escândalo dado, e para dar a Deus e à Igreja um súdito, renunciou à cátedra de professor e se fez religioso, entrando na Ordem de S. Domingos. Assim se tornou santo. Diante de um Crucifixo – Um jovem penitente, que antes fora pecador escandaloso, havendo atraído ao mal uns colegas seus, sabeis o que fazia? Ia frequentemente diante de uma imagem do Crucifixo entre os dois ladrões, e, pedindo perdão, dizia: “Ah! Senhor! Entre esses dois ladrões como terceiro me posso colocar, com esta diferença: que eles foram ladrões de trastres e de dinheiro, e eu de almas. Sim, almas eu roubei a essa Cruz e as tirei do vosso lado! Almas que vós resgatastes... que custam o vosso sangue! Jamais julgar-me-ei convertido, se não pensar doravante em conquistar almas para vós de qualquer jeito, a fim de restituir-vos o que vos roubei!” Conclusão Dentre vós, ó queridos filhos, não haverá nenhum escandaloso: quero crê-lo; mas se por desgraça houvesse alguém que haja dado escândalo, já sabe o que deve fazer para remediar a tão grande mal; arrependido, deve pedir perdão a Deus, e para obtê-lo deve dar o bom exemplo. Assim ainda poderá obter perdão. Deveis todos, no entanto, saber que no mundo são muitos os escandalosos, e que muitos jovens perdem a inocência e fazem o mal por causa desses filhos do diabo. Por isso vos digo: Ficai longe dos escandalosos! Fugi deles! Se o diabo vos aparecesse visivelmente, sentiríeis gelar o sangue de pavor, e fugiríeis não se sabe para onde, a fim de o não ver! E, no entanto, não deveríeis tremer muito, pois com um sinal da cruz podeis pôr em fuga todos os diabos. Mais temíveis são os demônios que passeiam por entre nós em carne e osso, isto é, os escandalosos: este sim, deveis temer e deles fugir. S. Bernardino e os ladrões – S. Bernardino de Sena, rapazinho, era de uma candura angélica e de amabilíssimas maneiras que o tornavam querido de todos! Uns rapazolas escandalosos, verdadeiros lobos com pele de cordeiro, abusando de sua simplicidade, insinuaram-se em sua amizade e lhe fizeram ignominiosos convites a fim de lhe raptar o mais rico tesouro que é a graça de Deus. Mas o rapazinho, apenas conhecida a trama diabólica, punha-se a correr, e fugindo gritava: “Aos ladrões! Aos ladrões!”. Imitai este santo, e mantereis facilmente na graça de Deus a vossa alma, e ficareis contentes. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

  • Comentários Eleison nº 829

    Por Dom Williamson Número DCCCXXIX (829) – 3 de junho de 2023 MODERNISMO MORTÍFERO Se a verdade existe, nem sempre poderei ser terno. Deverei fazer a guerra. O Diabo não se rende. Pode não parecer, mas há um fio condutor nos últimos cinco números destes “Comentários”: 824 (29 de abril) A “excomunhão” pela Roma modernista de todos os seis Bispos que participaram da cerimônia de Consagração de quatro sacerdotes da FSSPX em Écône, na Suíça, em 1988, foi intrinsecamente inválida. 825 (6 de maio) O Arcebispo Lefebvre enxergou isso claramente. Seus sucessores não conseguem enxergá-lo com a mesma clareza. 826 (13 de maio) Roma pretende que um modernista aceito dentro da FSSPX possa resolver o problema, 827 (20 de maio) ou que um ex-sacerdote da FSSPX, que é amigo íntimo do Papa, possa fazê-lo, 828 (27 de maio) mas não há acordo, por mais engenhoso que seja, que possa conciliar elementos inconciliáveis como o são a Tradição e o modernismo. É evidente que toda a sequência depende de se considerar essas “excomunhões” de 30 de junho de 1988, seja pela natureza das coisas ou pela natureza da religião católica, “intrinsecamente inválidas”. Esta foi a posição assumida pelo Arcebispo sob o argumento de que, para a Igreja sobreviver, ela deveria ter Bispos capazes de defender a Fé Tradicional (que ele de forma nenhuma inventou) contra o erro mortal do modernismo inventado por clérigos cuja excessiva admiração pelo mundo moderno corrompeu sua fé católica, e que impuseram sua corrupção a quase toda a Igreja apoiados pela massa dos Bispos da Igreja Universal no Concílio Vaticano II (1962-1965). Assim, imediatamente após o Vaticano II, a Igreja oficial tornou-se praticamente incapaz de fornecer em longo prazo Bispos capazes de defender a Tradição Católica, razão pela qual o Arcebispo consagrou quatro desses Bispos contra todas as aparências de desaprovação por parte de Roma. No entanto, o tempo mostrou, depois de sua morte em 1991, que ele estava certo. Sem a sua ação, onde estariam hoje a Tradição e a verdadeira Igreja? Mas, para salvarmos nossas almas, devemos entender por que o modernismo é tão mortal para a Tradição Católica. Se o motivo não estiver claro em nossas mentes, podemos ser tentados amanhã, como estão sendo os sucessores atuais do Arcebispo, a buscar alguma falsa reconciliação com os modernistas de Roma; ou podemos recusar depois de amanhã uma oferta de Deus do dom supremo do martírio nas mãos da cada vez mais criminosa Nova Ordem Mundial. Ora, o Modernismo é o erro de querer adaptar a única e verdadeira religião do único Deus verdadeiro ao mundo que nos rodeia, que é essencialmente ímpio. O que subjaz mais profundamente ao modernismo é o protestantismo, que, com Lutero, se desfez da única religião verdadeira. Ao desfazer-se da Igreja Católica e de grande parte de sua doutrina essencial, os protestantes abriram as portas para o liberalismo, pois em todas as regiões onde prevaleceram contra a resistência católica nas guerras religiosas que se seguiram, eles romperam o monopólio da Verdade nos corações e nas mentes das pessoas. Como resultado, a falsidade na religião foi então estabelecida em partes significativas da Cristandade, antes unidas na religião, de tal maneira que passou a poder competir com a verdade católica. Assim surgiu a próxima grande religião falsa, mais conhecida como liberalismo. A mensagem do liberalismo para católicos e protestantes era: “Parem com as guerras religiosas, parem de lutar uns contra os outros, deixem de levar a religião tão a sério. A paz na terra é melhor do que a paz no Céu. Vivam e Deixem Viver. Tolerância!”. Esta mensagem tornou-se popular. Incorporada na maçonaria, sociedade secreta criada em Londres em 1717, espalhou-se rapidamente pelas colônias inglesas na América e na França, onde teve uma enorme influência nas revoluções americana e francesa de 1776 e 1789, respectivamente. Ambas as revoluções desempenharam, por sua vez, um papel fundamental na eliminação da antiga ordem católica para abrir caminho para a Nova Ordem Mundial de hoje. Mas este princípio de “liberdade religiosa” transforma as mentes em mingau, pois se as ideias religiosas não são sérias, que ideias são sérias? Juntos, o protestantismo e o liberalismo criaram um “admirável mundo novo”, contra o qual a verdadeira Igreja Católica desenvolveu uma corajosa ação defensiva de combate, especialmente na figura do Papa São Pio X no início do século XX. Mas, no final, até os clérigos católicos bendisseram a liberdade religiosa no Vaticano II com seu documento conciliar sobre a “dignidade humana”. O protestantismo e o liberalismo engendraram o modernismo. O modernismo triunfou. Mas é absolutamente oposto à fé católica. Os dois são absolutamente inconciliáveis. Kyrie eleison.

  • A Cristologia da CNBB

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 07-04-1973 LI SÁBADO último a seguinte notícia: "O texto do segundo plano bienal de atividades dos Organismos Nacionais da CNBB para 1973 e 1974 começou a ser executado pelos bispos que integram a Presidência e a Comissão Episcopal e Pastoral. A partir desse mês as reuniões mensais (...). Anteontem pela manhã os bispos estudaram a cristologia, isto é, a parte da Teologia que estuda a pessoa de Cristo. Foram convidados para expor as correntes teológicas sobre Cristo alguns dos teólogos mais conhecidos, entre os quais o franciscano Frei Leonardo Boff." ORA, esse Frei Leonardo Boff é autor de um livro onde, de início, dá sua clave sobre cristologia. Todos nós sabemos que um dia, nos caminhos de Cesarea, Cristo lançou a pergunta: "Que dizem os homens que eu sou?", que provocou a resposta de Pedro: "Tu és o Cristo, filho de Deus vivo", que mereceu canonização de Nosso Senhor: "Feliz és tu, Simão Bar-Jona, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram isto, mas meu Pai que está nos Céus. E eu te digo que tu és Pedro..." (Mat. XV, 13.) POUCO adiante, quando Jesus anunciou sua paixão, Pedro adiantou-se e, tomando a palavra, começou a falar, anunciando um plano bienal para que tal coisa não acontecesse, e ouviu de Jesus:."Vade retro Satana, porque agora é pela carne e pelo sangue que falas..." ORA, à pergunta de Cristo, eis como responde Frei Boff no Cap. 1 de seu livro: "Essa pergunta (...) até hoje possui a mesma atualidade (...) todo o homem que alguma vez se interessou por Cristo não pode se esquivar a semelhante questionamento (sic). "E acrescenta isto que é o tutano de seu saber cristológico: "A CADA GERAÇÃO CABE RESPONDER DENTRO DO CONTEXTO DE SUA COMPREENSÃO DO MUNDO, DO HOMEM E DE DEUS." Isto é, a cada geração cabe responder segundo a carne. ORA, é esse analfabeto, ou esse primário, ou esse 'falso católico que os senhores bispos vão ouvir para saberem quem é o Cristo e o que é o cristianismo. E eu tenho todo o direito de dizer e de lhes lembrar o que responderia Jesus: Vade retro Satana." Escrevi em dezesseis de setembro de 1972 um artigo para denunciar o anticatolicismo desse frade que interroga gerações em vez de interrogar o Pai que está no Céu, ou Pedro que está na Terra. TEMOS agora a nossa consciência católica afrontada, nossa honra cristã esbofeteada, quando vemos que a CNBB toma lições de cristologia com um frade que não tem ciência para si mesmo, e que inventa uma religião a ser referendada por cada geração. A RESPOSTA de Pedro será, até o fim do mundo, aquela que deve ser ensinada a moços e velhos, a brancos, a pretos e amarelos: "Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo." Este é o dado primeiro cuja confissão define o católico, e cuja contestação ou entrega à livre interpretação define o não-católico e o anticatólico. NESSE mesmo passo no Evangelho Nosso Senhor anuncia sua Paixão, e quando tudo se consumou seus discípulos ficaram sabendo que o legado de Cristo, entregue à Igreja nascente, era sua Doutrina e seu Sangue. Esses dois tesouros estão entrelaçados de tal sorte que tocar na Doutrina é tocar no Sangue, e, por consequência, desprezar a Doutrina da Salvação equivale a desprezar o Sangue do Salvador. PELA Doutrina, ou por um simples gesto de culto (colocar num turíbulo uns grãos de incenso e balançá-lo diante do busto de César), os Mártires deram seu sangue, que assim se juntou ao Preciosíssimo Sangue de Jesus. NOSSA religião, amado leitor, é religião em que a procura da santidade é preceito, e não um vago conselho. Não está em pecado mortal quem não atingiu a perfeição do Santos, mas está quem descrê das possibilidades de santificação e quem desiste de continuar o trabalho que conta com a iniciativa primeira de Deus. AOS QUE não apreciam meu estilo fustigante, e talvez tenham razão neste ou naquele caso, ouçam esta súplica que é um rugido transfigurado. Por amor de Deus e por amor de si mesmo, e dos tesouros divinos que receberam, por amor das crianças e dos velhos, dos pobres e dos ricos, por amor de toda essa pobre gente que passa correndo sem ir a lugar nenhum, e avidamente correm atrás do NADA, pelo amor de tudo, pelo amor do Amor, não toquem sem tremer e temer no Verbo e no Sangue. Com Deus não se brinca, de Deus não se zomba. NON dico più. Permanete nela dolce dilezzione de Dio. Gesú dolce, Gesú amore.

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