top of page

Necessita de uma nova pesquisa?

Caso não tenha encontrado a sua busca, tente novamente abaixo com outro termo:

988 resultados encontrados com uma busca vazia

  • O Sedevacantismo

    SUPLEMENTO Nº 3 O SEDEVACANTISMO A questão do sedevacantismo foi levantada por muitos, e Dom Lefebvre, ele mesmo, se perguntou como era possível que um Papa presidisse à destruição da Igreja. “Pois, enfim, um grave problema se impõe à consciência e à fé de todos os católicos desde o pontificado de Paulo VI, dizia Dom Lefebvre numa entrevista concedida ao jornal Figaro em agosto de 1976. Como um Papa, verdadeiro sucessor de Pedro, ao qual não falta a assistência do Espírito Santo, pode presidir à destruição da Igreja, a mais profunda e a mais extensa de toda a sua história, num espaço de tempo tão curto, coisa que nenhum heresiarca jamais conseguiu fazer?”(1) “Temos verdadeiramente um Papa ou um intruso sentado sobre o trono de Pedro? Bem-aventurados aqueles que viveram e morreram sem ter que formular uma tal questão”. (2) Mas Dom Lefebvre não deixou essa pergunta sem resposta. Mesmo se não é possível esclarecer inteiramente essa questão, ou melhor, por isso mesmo, por não se ter um ensinamento infalível do magistério a esse respeito, uma atitude de reserva se impõe. “Fora as ocasiões em que ele usa o seu carisma de infalibilidade, o Papa pode errar. Por que então se escandalizar e dizer: ‘Então ele não é Papa’, como Ario que se escandalizava a respeito das humilhações do Senhor que dizia na sua Paixão: ‘Meu Deus, porque me abandonaste?’ e Ario concluía: ‘Então, ele não é Deus!’ Nós não sabemos até onde um Papa levado por não sei que espírito ou formação, submetido a não sei que pressões ou por negligência pode arrastar a Igreja a perder a Fé, mas nós constatamos os fatos. Eu prefiro partir deste princípio: nós devemos defender nossa Fé; eis aí o nosso dever. Quanto a isso não há a menor sombra de dúvida”. (3) Mais claramente, Dom Lefebvre se perguntava: pode-se afirmar a heresia formal do Papa? Quem tem autoridade para declarar isso? Quem fará as monições previstas pelo Direito Canônico, necessárias para esta constatação? Além disso, se o Papa não é Papa, em que situação se encontra a Igreja? Quem nos indicará o futuro Papa? Como poderá ele ser designado se não há mais cardeais, já que o Papa atual não é Papa e portanto não pode criar validamente novos cardeais? E Dom Lefebvre conclui: “Este espírito sedevacantista é um espírito cismático”. E ainda: “A visibilidade da Igreja é por demais necessária à sua existência para que Deus possa omiti-la durante décadas”. (4) Por essas razões, Dom Lefebvre dizia a seus padres e seminaristas: “Eu não posso admitir que, dentro da Fraternidade, alguém se recuse a rezar pelo Santo Padre e, portanto, se recuse a reconhecer que há um Papa. Seria entrar num caminho que é um impasse. Eu não quero conduzir os senhores a um impasse, pôr os senhores numa situação impossível”. (5) Mas, então, por que na diocese de Campos alguns acusam ou suspeitam os padres da Fraternidade São Pio X de serem sedevacantistas? A resposta; por mais curiosa que possa parecer, é a seguinte: aqueles que acusam os padres da Fraternidade São Pio X de serem sedevacantistas raciocinam da mesma maneira que os próprios sedevacantistas. Para eles; ou o Papa é Papa, e então tudo o que ele diz é certo e tem que ser acatado, ou então, se ele ensina erros graves, ele não é Papa. A verdade é que este dilema é um falso dilema. A verdade é que o Papa, mesmo sendo Papa, pode errar. Fora os casos em que o Papa engaja a sua infalibilidade, ele pode errar. Hoje vemos o Papa errar e difundir o erro e mesmo heresias. Denunciá-lo não é sinal de sedevacantismo mas sim de catolicismo. Além do mais todos os padres da Fraternidade São Pio X assinam um documento, antes de sua ordenação, dizendo que reconhecem Bento XVI como Papa e que rezarão publicamente por ele. Portanto os que atacam a Fraternidade por causa disto não sabem o que dizem. Quanto aos que defendem o sedevacantismo temos um conselho a dar. Um conselho de prudência e de humildade. Se a Santa Igreja não definiu as condições em que um Papa deixa de ser Papa, convém não se avançar neste terreno, pois isto seria também amar novidades, e abandonar os caminhos seguros da doutrina já definida. Amar a Tradição da Igreja é justamente rejeitar novidades e firmar-se no terreno firme do ensinamento do magistério infalível da Santa Igreja. Deve-se também levar em conta o caráter próprio do modernismo e do liberalismo, que admitem uma infinidade de matizes e de graus. Além disso, as heresias do Papa reinante não são necessariamente heresias formais; mas podem ser apenas materiais, como no caso daqueles que não têm noção de estar indo contra o magistério da Igreja. Em seguida, mesmo em caso de heresia formal, resta a questão de saber se o Papa perde o pontificado nesse caso e como. Tudo isto nos convida à sobriedade, e o exemplo de Dom Lefebvre e de Dom Antônio de Castro Mayer deviam ser suficientes para nos preservar desta conclusão, que peca por excesso ao querer dar, para não dizer impôr, solução definitiva a uma questão à qual a Santa Igreja não só não deu ainda solução. O perigo do cisma é certo para os que seguem as doutrinas sedevacantistas. A experiência mostra que isso não é apenas uma hipótese. Já há vários Papas eleitos pelos sedevacantistas. Mais de dez, ao que parece. Isto devia ser o suficiente para inspirar maior sobriedade aos defensores de uma posição que leva a tais loucuras, pondo em risco certo a salvação eterna de suas almas, e de muitas outras. 1- Mgr. Tissier de Mallerais – Marcel lefebvre, éditions Clovis, pág. 515 2- Ibidem – pág.533 3- Ibidem – pág.534 4- Ibidem – pág. 536 5- Ibidem – pág. 536 #Atualidades

  • Comentários Eleison nº 769

    Por Dom Williamson Número DCCLXIX (769) – 9 de abril de 2022 CITAÇÕES DE GETSÊMANI “O justo vive pela fé”. Pela fé ele vê, Que Deus faz tudo pela felicidade eterna dos homens. Muitos católicos estabelecem comparações entre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, que culminou com a Sua crucificação e a Sua morte, e a angústia pré-apocalíptica de Seu Corpo Místico, a Igreja, que leva ao eventual Apocalipse e ao fim do mundo. Ora, sem dúvida é verdadeiro o provérbio que diz que “Os moinhos de Deus moem bem devagar, mas moem finíssimo”, significando que a justiça de Deus é lenta, mas muito mais precisa em sua aplicação, de modo que o fim do mundo não é para amanhã, nem mesmo para depois de amanhã. O mundo ainda tem várias dezenas de anos pela frente. No entanto, as ameaças atuais, por exemplo, de fome e guerra mundiais, lançam já uma luz urgente sobre a narrativa evangélica dos sofrimentos de Nosso Senhor, os quais a Paixão deve ser a melhor época do ano para considerar. Eis algumas citações de São Marcos, XIV, 26–38: 26 E, depois de cantarem um hino, saíram para o monte das Oliveiras. E Jesus disse a seus Apóstolos: “Vós todos vos escandalizarei, pois está escrito (Zc. XIII, 7): ‘Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão’”. Alguma citação poderia lançar mais luz sobre a atual condição da Igreja Católica? O mundo estaria no caos em que se encontra se os católicos não tivessem perdido a cabeça? E os católicos teriam perdido a cabeça se seu pastor e Papa não tivesse sido ferido por sua Pachamama e sua incompreensão, para não dizer ódio, da Tradição Católica? Jesus pode permitir que Seus Papas, como Ele se permitiu a si mesmo, sejam feridos. 29 Pedro disse-lhe: “Ainda que todos se escandalizem, eu não o farei”. Pedro é um bom homem, totalmente devotado a Nosso Senhor, tão corajoso quanto possível, com plena confiança em... si mesmo – e aí está o seu problema. Quantos católicos desde o Vaticano II tiveram plena confiança em sua própria fidelidade a Nosso Senhor... e, no entanto, perderam sua mente católica, à medida que a crise da Igreja avançava? Os próprios sucessores do Arcebispo Lefebvre à frente da FSSPX estão confiantes de que não perderam o rumo – e, no entanto... Nem a assim chamada “Resistência” tem qualquer garantia de que não possa falhar, pois somente a própria Igreja de Nosso Senhor tem essa promessa. Confrades, tenhamos um pouco de humildade. 35 E indo um pouco mais adiante, Jesus caiu por terra e orou para que, se fosse possível, a hora d’Ele passasse. E disse: Abba, Pai, todas as coisas te são possíveis, portanto, afasta de mim este cálice..., mas não se faça a minha vontade, mas a tua. Muitos católicos no mundo atual já estão sob tamanha pressão, que se aferram à sua fé apenas com as pontas dos dedos, e à medida que a pressão fica cada vez mais forte, seu número parece que só faz crescer. Que se consolem com o exemplo do Divino Mestre. Eles têm todo o direito de pedir a Deus Todo-Poderoso que alivie a pressão, como é claro que Ele sempre pode fazer, mas apenas com a condição de que aceitem para si a Sua vontade divina. Por exemplo, Deus pode ter feito a fé e a perseverança de várias outras almas dependerem do próprio exemplo deles de perseverança sob pressão. Ele me deixa o livre arbítrio para desistir de segui-Lo, se eu não resistir ao caos no mundo, hoje ou amanhã, mas onde você e eu estaríamos se Jesus tivesse recusado a tremenda pressão em Sua Paixão? Sem possibilidade de entrar no céu. Somente Sua morte sacrificial abriu as portas do Céu, fechadas pelo pecado original. Portanto, eu devo carregar qualquer cruz que Deus me envie. 37 E Jesus veio e encontrou Pedro, Tiago e João dormindo, e disse a Pedro: “Dormes, Simão? Não podes vigiar por uma hora? Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Como certo comentarista assinalou sabiamente, Nosso Senhor não disse apenas “Orai”, nem disse “Orai e vigiai”, mas “Vigiai e orai”. Por que vigiar antes de orar? Porque se eu não vigiar, ou seja, se eu não ficar acordado, adormecerei e não rezarei mais, como fizeram os três Apóstolos. Quantas almas hoje, “confortavelmente entorpecidas”, estão profundamente adormecidas! Devemos permanecer despertos e observar os acontecimentos mundiais, através dos quais Deus fala, porque todos eles estão sob Seu controle. E também observar os muitos outros acontecimentos que Ele planejará em breve para despertar o maior número possível de almas... Kyrie eleison.

  • Dom Lefebvre e o "una cum"

    Dom Lefebvre e o "una cum" No cânon da Missa, o sacerdote começa rezando pela Igreja: “In primis quae tibi offerimus pro Ecclesia tua sancta catholica, quam pacificare, custodire, adunare et regere digneris toto orbe terrarum una cum famulo tuo Papa nostro N. (Em primeiro lugar, vo-los oferecemos por vossa santa Igreja católica – dignai-vos, através do mundo inteiro, dar-lhe a paz, protegê-la, reuni-la na unidade e governá-la, – e também por vosso servo nosso Papa N. ¹)" No Sel de la Terre nº 37 (p. 240), Dominicus publicou uma “Disputatio sobre o una cum” ² para explicar e defender o verdadeiro sentido dessa oração. Abaixo, damos explicações de Dom Lefebvre, tiradas de uma de suas conferências do retiro pregado às religiosas de Saint-Michel-en-Brenne, em 1º de abril de 1989. Podemos acrescentar às palavras de Dom Lefebvre a opinião do próprio Santo Tomás de Aquino. Em seu comentário sobre as orações da Missa (III, q. 83, a. 4), ele escreve: “Deinde sacerdos secreto comemore, primo quidem, illos pro quibus hoc sacrificium offertur, scilicet pro universali Ecclesia, ET PRO his qui “in sublimitate sunt constituti” (I Timóteo 2, 2); et specialiliter quosdam qui offerunt vel pro quibus offertur. (O sacerdote, em voz baixa, comemora aqueles por quem este sacrifício é oferecido, ou seja, pela Igreja universal­, E POR aqueles que, segundo São Paulo, "estão estabelecidos em dignidade", e especialmente aqueles que oferecem ou por quem se oferece.)” Assim, para Santo Tomás de Aquino, “ una cum” nesta oração equivale a “ et pro (e por)”. Le Sel de la Terre DOM GUILLOU repassa todas as orações do Cânon Romano. Ele as repassa uma após outra e mostra a diferença. Ele dá traduções, traduções muito boas. (...) Por exemplo, para esse famoso una cum..., una cum dos sedevacantistas. "Ah! Os senhores rezam una cum? Rezam una cum no cânon da missa! Então não podemos rezar com os senhores, os senhores não são católicos, não são isso, não são aquilo, não são...” Ridículo! ridículo! Porque eles pretendem que quando se reza una cum summo Pontifice, com o Papa, então se está aprovando tudo o que o Papa disser. É ridículo! Esse não é o significado da oração. Te igitur clementissime Pater. Esta é a primeira oração do Cânon. Eis como Dom Guillou a traduz, uma tradução muito exata (...): "Portanto, nós vos pedimos com profunda humildade, Pai misericordioso, ­e vos suplicamos por Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que vos digneis aceitar e abençoar estes dons, estes presentes, estes sacrifícios, puros e imaculados, que vos oferecemos primeiro pela vossa santa Igreja Católica. Seja de vosso agrado dar-lhe a paz, guardá-la, mantê-la na unidade e governá-la por toda a terra, e com ela, o vosso servo, nosso Santo Padre, o Papa..." Não está dito nessa oração que abraçamos todas as ideias que o Papa possa ter ou todas as coisas que ele possa fazer. “Com ela, vosso servo, nosso Santo Padre, o Papa, nosso Bispo e todos aqueles que têm o culto da fé ortodoxa, católica e apostólica!" Então, justamente na medida em que, eventualmente, infelizmente, os papas [...] estiverem deficientes na fé ortodoxa, católica e apostólica, pois bem, não estamos em união com eles, não estamos com eles, é claro. Rezamos pelo Papa e por todos aqueles que têm o culto a fé ortodoxa, católica e apostólica! Ele [Dom Guillou] fez uma pequena nota sobre esse assunto, precisamente para esclarecer um ­pouco: Na tradução oficial, baseada em um estudo crítico de Dom Botte, o UNA CUM, ou "em união com" dos sedevacantistas de todo tipo, equivale apenas à conjunção "e" reforçada, seja pela necessidade de ­retomar a frase, seja para combinar com o estilo solene do cânon romano. Em todo caso, todo católico permanece sempre em união com o Papa na esfera precisa em que se exerce a assistência divina, infalibilidade confirmada pelo fato de que tão logo haja um afastamento da tradição dogmática, o discurso papal se embaraça em contradições. Recolhamos o bom grão, sabendo que, de resto, agora é mais do que nunca necessário pedir a Deus, com as antiquíssimas Ladainhas Maiores, que as “ordens eclesiásticas” e o próprio “Senhor Apostólico” (isto é, o Papa) sejam “preservados na santa religião”: “Ut dominum apostolicum et omnes ecclesiasticos ordines in sancta religione conservare digneris, te rogamus, audi nos." É um dos pedidos da Ladainha dos Santos. Pedimos a Deus que conserve o Papa na verdadeira religião. Pedimos isso nas Ladainha dos Santos! O que prova que às vezes pode acontecer que, infelizmente, talvez haja hesitações; há passos em falso; há erros que são possíveis. Desde o primeiro Concílio Vaticano, acredita-se com muita facilidade que qualquer palavra que sai da boca do Papa é infalível. Isso nunca foi dito no Vaticano I! O Concílio nunca disse tal coisa. Condições muito precisas são necessárias para a infalibilidade; condições muito, muito específicas. A melhor prova é que durante todo o Concílio [Vaticano II], o próprio Papa Paulo VI disse: “Não há nada neste Concílio que esteja sob o caráter da infalibilidade”. Então está claro, ele mesmo o diz! Ele o disse explicitamente. Não se deve manter essa ideia, que é falsa, e na qual um certo número de católicos mal instruídos, mal ensinados acreditam! Então, evidentemente, não entendem mais, ficam completamente desesperados, não sabem mais a que se ater! Devemos conservar a fé católica como a Igreja a ensina. ______________ 1 — Tradução retirada de: New Sunday Missal, traduzido e apresentado pelos Beneditinos ­de Hautecombe, Brepols, Paris, 1961. 2 — Ver também Le Sel de la Terre nº 39, p. 263. Le Sel de la Terre nº 90, OUTONO 2014

  • XVI – Disposição para a Sagrada Comunhão - Estar na graça de Deus

    1 – Que significa estar na graça de Deus Significa ter a alma pura e limpa do pecado mortal. Quem tem na alma um único pecado mortal, não se acha na graça de Deus; por isso não deve fazer a Comunhão. E, se comungasse nesse estado, cometeria outro pecado mortal, isto é, um horrível sacrilégio. Caros meninos, pelo bem que vos quero, esconjuro-vos a não cometer nem agora nem jamais, um pecado tão grande, como é o sacrilégio. Esta palavra me faz tremer só ao imaginá-la. 2 – Gravidade do sacrilégio Receber Jesus na alma maculada de pecado mortal, significa trair Deus, como o fez Judas Escariotes. O pecado de Judas — Recordai aquele fato que dá terror e arrepio. Judas era um Apóstolo, que, dominado, pela avareza, traiu o seu divino Mestre Jesus Cristo. Jesus, sempre bom, havia-o avisado amigavelmente para que não se maculasse com aquele crime; mas Judas não lhe deu atenção, e fez, na última Ceia, a Comunhão em pecado mortal. Depois, dilacerado pelo remorso, ei-lo no desespero que o induz a enforcar-se numa árvore! Fazer a comunhão em pecado mortal, significa obrigar Jesus Cristo, que é o Deus da santidade, a morar junto com o demônio. Uma barbaridade de Maxêncio — Uma das mais cruéis barbaridades inventadas pelo tirano Maxêncio era esta. Fazia amarrar um vivo com um homem morto, unindo-os corpo a corpo, boca com boca, olhos com olhos..., e os deixava assim agarrados até o defunto com o fedor e a podridão fazer morrer o vivo! *** Ora, crueldade ainda semelhante, e até pior, usa quem comunga em pecado mortal, porque une estreitamente Jesus Cristo vivo e glorioso com uma alma morta e podre, a qual aos olhos de Deus é uma coisa mais suja do mundo. Por isso S. Paulo disse: “Quem comer esse pão ou beber indignamente o cálice do Senhor, será réu do corpo e sangue do Senhor (1 Cor 9, 27). Deus vos conserve longe de tão horrível desventura, qual seja a Comunhão sacrílega! E todavia, antes de comungardes examinai bem a vossa consciência, e se vos achardes n'algum pecado mortal, fazei uma boa confissão. S. Paulo vos diz: “Prove por isso o homem a si mesmo; e assim coma desse pão e beba desse cálice: Probet autem seipsum homo: et sic de pane illo edat, et de cálice bibat”. 3 – As consequências do sacrilégio a) A condenação de Deus: Ouçamos ainda S. Paulo que diz: “Quem comunga indignamente, come e bebe a sua condenação (1 Cor 11, 29). Um costume dos atenienses – Entre os antigos atenienses, quando um réu era condenado à morte, era obrigado a engolir a sua sentença escrita, para saber que sua condenação era irrevogável. Assim acontece a quem comunga indignamente: come também a sua condenação, e se torna objeto de cólera e da vingança de Deus. b) A aceitação do espírito e o endurecimento do coração. O conselho de um chefe de ladrões – Um chefe de salteadores tinha em seu bando um jovem tímido que sentia repugnância em cometer o crime. “Vai, diz-lhe o chefe, faze uma comunhão indigna, e não terás mais medo”. O jovem seguiu o infernal conselho e se tornou o maior celerado de toda aquela súcia de assassinos. Eis as miserandas consequências do sacrilégio. c) O desespero: Após o sacrilégio, penetra facilmente na alma do sacrílego o desespero que leva à impenitência final. “Eis o meu Juiz!” – Achando-se gravemente enfermo um sujeito que tinha a aparência de um bom cristão, foi chamado o Sacerdote para confessá-lo. Este chegou, e depois de o ter confessado, levou-lhe o Santo Viático. Quando viu entrar em casa o sacerdote com o Santíssimo Sacramento, o moribundo se sentou e, apontando o dedo para Píxide, exclamou: “Eis o meu Juiz! Eis quem me condenará! Fiz mal a minha primeira comunhão e afinal todas as outras...!”. Depois recaiu na cama e morreu miseravelmente. d) Os castigos de Deus: O sacrilégio atrai amiúde os castigos de Deus nesta terra. Têm-se visto sacrílegos cair fulminados pela morte repentina, logo após a comunhão mal feita. “Cometi um sacrilégio!”- Numa paróquia da França realizava-se uma vez a comunhão geral dos meninos. Um destes, apenas recebida a Sagrada Partícula, estrebuchou no chão. Correu-se a reerguê-lo: estava frio e sem fala. Levado a uma casa próxima, procurou-se fazê-lo voltar a si. Entrementes eis que chega o Cura, o qual acariciando o pobre garoto, conforta-o com santas palavras: “Sabes que recebeste a Jesus! Confia n'Ele! Ele ajudar-te-á!”. Ao ouvir estas palavras, o menino abriu os olhos e, fixando-os espantados no Cura, exclamou: “Ah! Eu sei... cometi um sacrilégio!”. E não disse mais nada; cerrando os dentes e contorcendo-se horrivelmente, no meio do desânimo dos circunstantes, expirou. Caros meninos, eu vos repito: Jamais vos deixeis induzir ao sacrilégio. Lembrai, que é melhor para vós não comungar, do que comungar com o pecado na alma. E se por suprema desgraça houvesse entre vós quem já tivesse cometido um sacrilégio? Ou mesmo muitos sacrilégios? Haverá ainda remédio para isto? Sim, há! Pode-se ainda reparar tudo, com uma boa confissão. E Deus, que é infinitamente misericordioso, perdoará tudo. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

  • Breve Catecismo sobre o Sedevacantismo

    Breve Catecismo sobre o Sedevacantismo Neste pequeno catecismo sobre o sedevacantismo, tentaremos explicar de forma clara e concisa as principais dúvidas sobre esta questão, uma vez que a desinformação pode ter sérias consequências. O que é sedevacantismo? Sedevacantismo é a teoria daqueles que afirmam que os papas mais recentes, ou seja, os papas do Concílio Vaticano II, não são realmente papas. Portanto, a Sé de Pedro não está ocupada. Esta corrente de pensamento é expressa em latim pela fórmula sede vacante. Qual é a origem dessa teoria? Essa teoria foi concebida por causa da grave crise que a Igreja vive desde o Concílio, uma crise que Dom Lefebvre chamou justamente de "terceira guerra mundial". A principal causa desta crise tem sido a negligência dos Pontífices Romanos, que ensinam ou permitem a disseminação de erros graves sobre o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade, etc. Os sedevacantistas acreditam que verdadeiros papas não poderiam ser responsáveis por uma semelhante crise e, consequentemente, não os consideram “papas reais”. Os sedevacanstistas estão de acordo uns com os outros? Não, pelo contrário. Há muitas posições diferentes. Alguns são da opinião de que, uma vez que a cátedra de Pedro está vazia, alguém deve ocupá-la, e para isso elegeram um "Papa". É o caso da seita de Palmar, na Espanha. Entre aqueles que não vão tão longe, há diferentes correntes. Alguns acreditam que o atual papa é um antipapa, outros que ele é apenas parcialmente papa, um papa materialiter, mas não um formaliter. Alguns sedevacantistas consideram sua posição como uma "opinião possível", e concordam em receber os sacramentos das mãos de padres não sedevacantistas, enquanto outros, chamados de "ultra" pelo Padre Coache [1], acham que é uma questão de fé, e se recusam a assistir a missas nas quais os padres rezam pelo Papa. Mas o que é comum entre todos os sedevacantistas é que eles concordam em que não se reze publicamente pelo Papa. O que significa ser Papa materialiter? A principal dificuldade do sedevacantismo reside em explicar como é possível que a Igreja possa continuar a existir visivelmente (pois recebeu a promessa de Nosso Senhor de que ela perdurará até o fim do mundo) se for despojada de sua cabeça. Os partidários da chamada "Tese de Cassiciacum" [2] criaram uma solução bastante astuta: o atual papa foi validamente nomeado papa, mas não recebeu autoridade papal porque havia um impedimento interno (heresia). Assim, de acordo com a teoria, o papa pode agir de certa forma para o bem da Igreja, como, por exemplo, nomear cardeais (que, por sua vez, são cardeais materialiter), mas ele não é realmente papa. Que pensar dessa solução? Para começar, essa solução não se baseia na Tradição. Aqueles teólogos (São Caetano, São Roberto Belarmino, João de São Tomás, etc.) que analisaram a possibilidade de um papa herético nunca conceberam tal teoria. Além disso, isso não resolve a principal dificuldade do sedevacantismo, ou seja, como a Igreja pode permanecer visível se papas, cardeais, bispos, etc., forem privados de sua "forma", deixando assim a Igreja sem qualquer hierarquia visível. Por outro lado, essa teoria tem alguns erros filosóficos graves porque assume que uma cabeça pode ser materialiter, ou seja, não tem autoridade. Que argumentos os sedevacantistas usam para provar suas teorias? Eles usam dois argumentos: um teológico e outro canônico. O argumento teológico é assumir que um herege não pode ser o chefe da Igreja: ora Francisco é um herege, logo... O argumento legal é salientar que as leis da Igreja tornam inválida a eleição de um herege: ora o Cardeal Jorge Bergoglio era um herege na época de sua eleição, logo... Não é verdade que um papa que se torna herege perde seu pontificado? São Roberto Belarmino diz que um papa que se tornasse um herege formal e manifesto perderia o pontificado. Para que isso se aplicasse a Francisco, ele teria que ser um herege formal, deliberadamente rejeitando o magistério da Igreja; e essa heresia formal teria que ser aberta e manifesta. Mas se o que Francisco frequentemente faz são afirmações ou declarações heréticas que levam à heresia, então não pode ser tão facilmente demonstrado que ele conscientemente rejeita algum dogma da Igreja. E enquanto não houver provas concretas, a coisa mais prudente a fazer é não julgar. Esta foi a linha de conduta seguida por Dom Lefebvre. Se um católico estivesse certo de que Francisco é um herege formal e manifesto, deveria então concluir que ele já não é papa? Não, não deveria, porque de acordo com a opinião "comum" (Suarez), ou mesmo a opinião "mais comum" (Billuart), os teólogos acreditam que mesmo um papa herético pode continuar a exercer o papado. Para perder sua jurisdição, os bispos católicos (que por vontade divina são os únicos juízes em questões de fé além do Papa) teriam de fazer uma declaração denunciando a heresia do Papa. A visão mais comum diz que Cristo, por uma providência particular, para o bem comum e tranquilidade da Igreja, continua a dar jurisdição mesmo a um pontífice manifestamente herético, até que chegue o momento em que ele seja declarado herege manifesto pela Igreja. [3] Em uma questão muito delicada e grave é imprudente ir contra a opinião comum. Como pode ser que um herege, que tenha deixado de ser membro da Igreja, seja seu chefe ou sua cabeça? O padre dominicano Garrigou-Lagrange, confiando em Billuart para seu raciocínio, explica em seu tratado De Verbo Incarnato (p. 232) que um papa herético, mesmo que ele não seja mais um membro da Igreja, pode permanecer sua cabeça, porque o que é impossível no caso de uma cabeça física é possível (embora anormal) para uma cabeça jurídica secundária. A razão para isso é que, enquanto uma cabeça física não pode exercer qualquer tipo de influência sobre os membros sem receber a influência vital da alma, uma cabeça jurídica, como o Pontífice Romano, pode exercer jurisdição sobre a Igreja, mesmo que não receba da alma da Igreja qualquer influência da fé ou caridade interior. Em suma, o Papa é feito membro da Igreja por sua fé pessoal, que ele pode perder, mas ele é o chefe da Igreja visível pela jurisdição e autoridade que recebeu, e estes podem coexistir com sua própria heresia. Os sedevacantistas baseiam sua posição na constituição apostólica Cum ex Apostolatus, do Papa Paulo IV (1555 – 1559). Mas alguns estudos mostraram que essa constituição perdeu sua validade jurídica quando o Código de Direito Canônico de 1917 foi promulgado. Veja-se, por exemplo, o artigo do Padre Albert, O.P., em Sel de la Terre, verão 2000, pp. 67-78. O que permanece em vigor dessa constituição é o seu ensino dogmático e, portanto, não se pode tirar dela nada além do argumento teológico, o qual já examinamos. É verdade que os sedevacantistas afirmam ter uma confirmação de sua teoria nos erros do Concílio Vaticano II e nas leis litúrgicas e canônicas prejudiciais da Igreja Conciliar? De fato, os sedevacantistas acreditam, em geral, que o ensino do Concílio deveria ter sido coberto pela infalibilidade do Magistério ordinário e universal e, portanto, não deveria conter nenhum erro. Mas, como tem erros, por exemplo, liberdade religiosa, então eles concluem que Paulo VI tinha deixado de ser Papa naquela época. Na verdade, se esse argumento fosse aceito, teria que ser dito que toda a Igreja Católica então desapareceu também, e que os "portões do inferno prevaleceram" contra ela, porque o ensino do Magistério ordinário e universal é o mesmo dos bispos, o mesmo que o de toda a Igreja. É mais fácil acreditar que o ensino do Concílio e da Igreja Conciliar não está coberto pela infalibilidade do Magistério ordinário e universal. As razões para o exposto são explicadas no artigo do Padre Pierre-Marie, O.P., sobre a autoridade do Concílio que apareceu em Sel de la terre, "L'autorité du Concile", pp.32-63. Um dos argumentos apresentados é mostrar que o Concílio não apresenta seus ensinamentos como "necessários para a salvação" (o que é lógico, uma vez que aqueles que professam isso acreditam que é possível ser salvo sem a fé católica). Como esse ensino não é imposto com autoridade, não está coberto pela garantia de infalibilidade. O mesmo pode ser dito sobre as leis litúrgicas (a Missa Nova) e as leis canônicas (o Código de Direito Canônico de 1983) promulgadas pelos Papas mais recentes: elas não estão cobertas pela infalibilidade, embora normalmente seriam. Mas os sedevacantistas não estão certos em se recusar a nomear o Papa na missa para mostrar que eles não estão em comunhão (una cum) com um herege (pelo menos materialmente) e suas heresias? A expressão una cum no Cânon da Missa não significa que se afirma estar "em comunhão" com as ideias errôneas do Papa, mas sim que se quer rezar pela Igreja "e pelo" Papa, sua cabeça visível. Para ter certeza dessa interpretação, além de ler os trabalhos de estudiosos feitos sobre o assunto, basta ler a rubrica do missal por ocasião de um bispo celebrando a missa. Neste caso, o bispo deve rezar pela Igreja... Ego indigno famulo tuo, o que não significa que ele reza "em comunhão comigo... seu servo indigno" (o que não faz sentido!), mas reza "e por... mim, seu servo indigno. São Tomás de Aquino não diz que no Cânon não se deve rezar por hereges? São Tomás de Aquino não diz que não se deve rezar pelos hereges (Summa Theologica, III, q. 79, a. 7, ad 2), mas simplesmente ressalta que, nas orações do Cânon da Missa, deve-se rezar por aqueles cuja fé e devoção são conhecidas por Deus (quórum tibi fides cognita est et nota devotio). São Tomás diz: "Para que este sacrifício alcance seu efeito (effectum habet) aqueles por quem se reza devem estar 'unidos à Paixão de Cristo pela fé e caridade'. Não diz que rezar por hereges é proibido. Ele simplesmente diz que essa oração não será tão eficaz como uma oração seria para um católico, e não está prevista no Cânon. A única coisa que pode ser tirada como conclusão a partir dessa declaração de São Tomás é que, se o Papa é um herege (o que ainda não está provado), então a oração dita por ele não terá o efeito pretendido, não habet effectum. Em conclusão, o que devemos pensar do sedevacantismo? O sedevacantismo é uma teoria que não está comprovada a nível especulativo, e é imprudente submeter-se a ela a nível prático (uma imprudência que pode ter consequências muito graves). É por isso que Dom Lefebvre nunca adotou essa posição, e até proibiu os sacerdotes da FSSPX de professá-la. Devemos confiar em sua prudência e em seu senso teológico. Padre Muñoz [4] ressalta que nenhum santo na história da Igreja foi sedevacantista, embora tenha havido um grande número deles que resistiu aberta e vigorosamente aos erros de um papa. Façamos o mesmo. (Traduzido do Sel de la Terre nº 36, 2001.) Notas 1. Padre Coache (1920-1994), doutor em Direito Canônico, foi pároco de Montjavoult até 1973. Ele foi um dos pioneiros da resistência católica contra a revolução conciliar. Seu boletim paroquial transformou-se no “Combate pela Fé", que foi amplamente distribuído, e publicado até sua morte. Juntamente com Monsenhor Ducaud-Bourget ele organizou o épico diálogo de Saint Nicolas du Chardonnet em Paris, França, em fevereiro de 1977. 2. "Cassiciacum" é o nome do lugar para o qual Santo Agostinho se retirou com alguns de seus amigos, após seu batismo, e onde estudou e aprofundou sua fé. No final da década de 1970, o Padre Guerard des Lauriers, O.P., juntamente com um grupo de sacerdotes semelhantes, fundou uma revista chamada Les Cahiers de Cassiciacum, que defendia a postura sedevacantista. A "Tese de Cassiciacum" é o nome dado à teoria de que o Papa é um papa materialiter, mas não formaliter. 3. Billuart, De Fide, Diss, V, a. III, nº 3, obj. 2. 4. Da Diocese de Barcelona, Espanha. Foi ordenado em 1952, e foi vigário de uma paróquia em Barcelona. Juntamente com algumas mulheres ativas no movimento chamado Ação Católica, fundou uma comunidade religiosa contemplativa chamada Oásis, perto de Barcelona. A missão especial dessa comunidade é rezar pelos padres. Depois de conhecer Dom Lefebvre no início da década de 1970, ele decidiu permanecer fiel à missa tradicional. O Arcebispo Lefebvre tinha grande afeição pela comunidade Oásis, cujo apostolado ele considerava muito necessário para a Igreja, e a visitava com frequência. Em outubro de 2000, o Padre Muñoz fundou um segundo Oásis no sul da França.

  • Comentários Eleison nº 768

    Por Dom Williamson Número DCCLXVIII (768) – 2 de abril de 2022 RÚSSIA CONSAGRADA? Os homens não têm ideia de como ofendem a Deus, O castigo que está por vir faz cambalear a mente! Desde que a Mãe de Deus apareceu várias vezes no início do século XX a três crianças portuguesas, incluindo a Irmã Lúcia, para prometer à Igreja e ao mundo um período de paz se o Papa e os Bispos católicos consagrassem a Rússia ao Seu Imaculado Coração, os católicos têm esperado ansiosamente por essa Consagração. Vários Papas fizeram consagrações para cumprir seu pedido: Pio XII em 1942, enquanto a Segunda Guerra Mundial fazia seus estragos; Paulo VI no final do Concílio Vaticano II; João Paulo II três vezes, em 1981, 1982 e em 1984, quando a Irmã Lúcia substituta declarou que a Consagração tinha finalmente sido validamente realizada – mas quem poderia dizer com razão que um período de paz se teria seguido a partir de 1984? Portanto, a guerra aberta com a Rússia na Ucrânia levou o Papa Francisco a realizar mais uma consagração há alguns dias. Será que desta vez foi válida? Pelo menos duas considerações principais sugerem que, em relação ao que Nossa Senhora pediu em Fátima, o que o Papa Francisco fez em 25 de março não foi mais do que aquilo que qualquer um dos seus três predecessores fez. Ora, não é por bem dizer que essas seis consagrações foram inúteis, porque “meio pão é melhor do que nenhum pão”, diz um velho provérbio, e Nossa Senhora terá encontrado a maneira de recompensar, pelo menos por alguma boa vontade, os quatro Papas que tentaram consagrar a Rússia. Por exemplo, em 1942, a consagração de Pio XII certamente não trouxe um fim repentino à Segunda Guerra Mundial, mas com El Alamein e Stalingrado, pelo menos, as marés da guerra começaram a voltar-se para a "paz" da Guerra Fria. Mas o que o mundo precisa, é claro, é de um Papa com fé verdadeira o suficiente em Nossa Senhora para fazer exatamente aquilo que Ela disse que se deveria fazer, e deixá-la resolver os problemas políticos envolvidos. Enquanto isso, em quase todas as consagrações, tem-se visto o receio de mencionar a Rússia pelo nome, por medo de uma reação política. Assim, o texto do Papa Francisco na festa da Anunciação dirigiu-se em primeiro lugar à humanidade em geral, e só em segundo lugar à Rússia e à Ucrânia em particular. Mas não foi isso o que Nossa Senhora pediu, porque foi a Rússia que se entregou aos demônios do comunismo, e foi a Rússia que na década de 1940 estava espalhando seus erros por todo o mundo. Ora, em 2022, parece que a Rússia não é mais um país comunista, e que tenha ocorrido lá um renascimento religioso como reação ao comunismo – 72 anos (1917-1989) foram suficientes! –, mas, segundo alguns observadores, continua sendo um país pagão em muitos aspectos, e por isso ainda precisa de uma consagração especial, sobretudo se também tiver um papel especial que desempenhar no resgate vindouro da cristandade, como pensam outros observadores. Em suma, no momento em que Nossa Senhora pediu a Consagração especificamente para a “Rússia”, ela sabia exatamente o que estava dizendo, e não estava referindo-se à “humanidade”. A outra razão principal pela qual a consagração de Francisco é inadequada é que ela vem do líder da Nova Igreja centrada no homem, que é como um cuco no ninho da verdadeira Igreja, que é centrada em Deus. Assim, as verdadeiras consagrações estão centradas em Deus, em como O temos ofendido, em como nos arrependemos de tê-lo ofendido, em como nos propomos seriamente a reparar essas ofensas. Para um exemplo das Escrituras desse centramento em Deus, veja-se a magnífica oração do profeta Daniel (IX, 3-19). Agora voltemos ao tom, tão leve se fizermos a comparação, do texto de Francisco com sua ênfase nos sofrimentos dos homens, quase como se a paz fosse um bem absoluto e a guerra fosse o mal supremo. Essa visão dos acontecimentos humanos é popular hoje em dia, “politicamente correta”, típica do homem moderno, mas seriamente inadequada, porque essencialmente não está colocando Deus em primeiro lugar. Não se pode acusar o Papa Francisco de não recorrer à Mãe Maria, mas o recurso continua sendo muito humanista. Não há dúvida de que ela seja compreensiva, mas também deve estar desapontada, ao conhecer como conhece o sofrimento que paira sobre a cabeça de toda a humanidade, e sabendo o quão facilmente se poderia evitar tudo, se em qualquer momento dos últimos 90 anos tivessem cumprido seu pedido adequadamente. Há décadas que Suas imagens e estátuas choram lágrimas de água – e de sangue. Continuemos rezando pela Consagração da Rússia. Kyrie Eleison.

  • Comentários Eleison nº 767

    Por Dom Williamson Número DCCLXVII (767) – 26 de março de 2022 GUERRA – II Milhões de almas a esperar, Rogam-vos, Francisco – FAÇA essa Consagração! Se nos conseguintes “Comentários” sobre a guerra, centrados no momento em que dentro das fronteiras da Ucrânia ela é escrita, descemos das alturas de Deus Todo-Poderoso a considerações mais humanas, então lembremos primeiramente aos leitores que deem pouca ou nenhuma atenção às notícias ou aos comentários apresentados ao público pelos vis meios de comunicação ocidentais, porque praticamente todos eles, por culpa dos povos ocidentais, se deixaram cair sob o controle dos inimigos de Deus e da humanidade, que querem a Nova Ordem Mundial ímpia e comunista. Esses meios de comunicação não são nada imparciais nesse confronto entre a Rússia e a Ucrânia, o qual eles vêm provocando deliberadamente desde 2014, quando Victoria Nuland, dos EUA e para os EUA, maquinou a queda do presidente democraticamente eleito da Ucrânia, porque ele não era suficientemente favorável à Nova Ordem Mundial. Esses meios de comunicação mentem, mentem e mentem. Jogue fora a televisão, leia os jornais e logo em seguida lave as mãos com sabão! De fato, a verdade sempre foi uma das primeiras vítimas em qualquer guerra entre os homens, e, se amamos a verdade, devemos cuidar para controlar nossas paixões. É muito natural que eu ame meu próprio país, e, de fato, assim me ordena o Quarto Mandamento, pois meus compatriotas me deram tanto, com meus pais, desde o meu nascimento, para que eu seja quem e o que sou hoje, que tenho com meu país uma dívida de serviço e gratidão. No entanto, “Meu país acima de tudo, certo ou errado”, é um erro das emoções em que é fácil cair. É Deus quem diz o que é certo ou errado, e não o meu país. Não devo esquecer ou trair Deus a ponto de colocar meu país acima dele. Foi isso que a Inglaterra fez na Reforma, com resultados desastrosos para o povo inglês desde então. Quantas almas se perderam eternamente por pura falta de conhecimento ou de cuidado em relação à Fé Católica! O rei Henrique VIII e a rainha Elizabeth I podem ter-se tornado populares, mas os verdadeiros amigos do povo inglês foram os mártires ingleses que colocaram Deus na frente da pátria, e deram suas vidas para que a Fé fosse preservada na Inglaterra. Eles não serão esquecidos. Então, como devo julgar as nações que estão em confronto? Por seus frutos (Mt. VII, 17-19). Quais são os combatentes que velam pelos interesses de Deus Todo-Poderoso, de Jesus Cristo e de Sua Igreja Católica, e quais são os combatentes que depreciam ou perseguem esses interesses? E aqui está outro erro no qual os ocidentais caem facilmente: “A América é boa, a Rússia é má”. Isso pode ter sido verdade em linhas gerais até a década de 1950, quando os Estados Unidos ainda eram cristãos de nome, enquanto a Rússia ainda era completamente comunista, mas desde o estripamento do cristianismo na década de 1960 pelo Vaticano II, os Estados Unidos estiveram cada vez menos comedidos em seu materialismo ateu, enquanto a partir da queda do Muro de Berlim em 1989, os russos têm reconstruído milhares de igrejas destruídas pelo comunismo, incluindo, pedra por pedra, algumas das igrejas mais centrais e importantes de todas. E esse renascimento da religião na Rússia é promovido positivamente pelo presidente Putin. Então, hoje não seria mais verdadeiro dizer: “A Rússia é boa, a América é má”? É claro que há coisas boas na América e coisas más na Rússia atualmente, mas segundo Nossa Senhora de Fátima, é a Rússia que conta, e Ela não pode equivocar-se. Na década de 1920 era a Rússia, e não a Inglaterra ou a América ou qualquer uma das nações ocidentais, que Ela queria que fosse consagrada ao Seu Imaculado Coração, para que a terrível decadência do mundo e da Igreja pudesse finalmente ser revertida. Putin veio uma vez a Roma para falar com o Papa sobre essa Consagração, somente para que o líder religioso mais proeminente do Ocidente lhe dissesse: “Aqui não se fala sobre Fátima”! No entanto, alguns anos mais tarde, Putin enviou representantes a Roma para aprender profundamente sobre Fátima com o Pe. Gruner, quem disse depois que ensinar a esses russos foi uma das coisas mais importantes que fez em todos os anos da sua Cruzada de Fátima. Papa Francisco, consagre a Rússia! Bispos católicos do mundo, pressionem-no para que consagre a Rússia! Leitores, pratiquem a Devoção dos Primeiros Sábados do mês para obter a Consagração! Kyrie Eleison.

  • Nossa luta

    Por Gustavo Corção publicado n’O Globo em 08-09-1973 NOSSA luta obsessiva, talvez monótona para o leitor que nestas colunas procura um breve relax de suas próprias lutas, talvez maçante para os que apreciam variedades literárias, nossa luta tem esse aspecto pesado em razão da infinita importância dos valores disputados. São Paulo foi obrigado a fazer sua altiva apologia em vista da impertinência de seus opositores; e este venerável modelo nos deixa a mesma liberdade quando as circunstâncias nos obrigam. SE O LEITOR está cansado das Conferências Episcopais e das demais siglas que enchem de rugas a figura exterior da Igreja, eu também estou, e cansadíssimo, possuído como Fernando Pessoa de um supremíssimo cansaço. Se o leitor quer leitura mais amena e até mais variada e mais elevada também eu, também eu, modéstia à parte, estou em condições de proporcionar-lhe. Por um feliz acaso, nesta quinzena dobro o cabo da 13ª edição de um livro publicado há mais de vinte anos, e já traduzido em sete línguas, e ao mesmo tempo a 2ª edição de um livro lançado há menos de dois meses. Sim, amigo leitor, Lições de Abismo (AGIR) está na sua 13ª edição; e O Século do Nada (Distribuídora Record) está na sua 2ª edição. ESSES acontecimentos provam que ainda tenho leitores a despeito de tudo, e esta prova, que conforta o animal-escritor, sempre apreciador de alguma carícia para poder prosseguir, ao mesmo tempo obriga, obriga infinitamente o inútil servidor dos servidores da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se o aplauso prova que tenho entre os dedos uma pena capaz de transmitir, ensinar, comover, mover, ao mesmo tempo prova que devo usá-la para o serviço de meu exigente Senhor. E vae mihi se a não usasse! TENTAREI aqui mesmo nestas colunas e nestas mal traçadas linhas, vez por outra, variar o registro para não deixar o leitor dormir ou aborrecer-se demais. O leitor é testemunha que várias e várias vezes já deixei os bispos da América Latina para ocupar-me dos bispos do jogo de xadrez, e até para virar cambalhotas líricas a propósito de sonhos sonhados numa insônia em Lisboa e de uma viagem que não fiz a São Luís do Maranhão de Josué Montelo. O leitor está aí para dizer que não minto e que até já cheguei ao despropósito de escrever em versos o resultado de um eletrocardiograma. MAS passado o delírio, terminado o intermezzo, arrematada a acrobacia, volto ao avental de plantão no serviço de testemunho em razão de dois amores devorantes que não me deixam descanço. O primeiro é o amor do Amor, que sempre deve ser primeiro, total, absoluto, para que os outros tenham direito à mesma doce denominação. A razão essencial e principal de nossa luta há de ser Deus, primeiro servido, Deus, primeiro amado; a razão imediatamente derivada, e mais fácil de explicar porque está ao alcance de nossos sentidos, é a piedade por todos os pobres, pobres em espírito, que vemos no mundo de hoje entregues ao Minotauro do tempo. Dói, e como dói! Ver uma criança, uma flor metida nessa máquina de desidratar que é nosso século. Dói pensar nas criancinhas da América Latina quando vemos que os seus ferozes defensores pretendem engradá-las sob a condição de perder suas almas e quando sabemos que nem engordá-las conseguirão com panelas vazias. Pauvres gens. Pauvres gens, escrevia nas margens dos livros o grande Jacques Bainville que parecia um aristocrata triple sec. A NÓS também, quando lutamos em defesa dos valores de uma civilização agonizante, estamos sempre pensando em gente, em pauvres gens, pobres ou ricos, que o mundo tritura, que os maus levitas abandonam em favor de um ideal abstrato. Nosso Senhor, do alto da Cruz ex-cathedra, disse: "Sitio". Tenho sede, sede de almas, sede de todas as almas que deveriam animar os corpos dos vivos para o itinerário marcado com Sangue, e que são transviados por aqueles mesmos que os deviam proteger. ESSA é a razão de nossa luta. Quando eventualmente puxo a corda do sino e denuncio os encontros de jovens que degeneram em orgias litúrgicas, não é para vos molestar senhores bispos e arcebispos, não é para vos aborrecer que puxo a corda do sino: é porque, não sendo embora padre, tenho entranhas de pai, entranhas de padre, e não posso ver um moço sem entrever um filho, nem posso conhecer tais escândalos sem me afligir com as crianças que se degradam, que se aviltam, que se perdem. Vejo, nesta altura, que abusei demais do exemplo paulino, que nos permite e até nos aconselha a própria apologia quando ela se torna necessária ao serviço de Deus. MAS por hoje, leitor, "altro non vi dico per lo poco tempo que ho. Permanete nella santa e dolce dilezione di Dio. Gesú Dolce Gesù Aurore." CATARINA de Sena escrevia a seu diretor e dirigido frei Raimundo Cápua, e dizia-lhe que ele não quereria ter mais um minuto de descanso se pudesse entrever, num clarão, o valor e a beleza de uma alma imortal. Consumir-se-ia no serviço da salvação das almas pedido pelo Cristo agonizante: "Tenho sede". E AGORA nós, pensando no que já fizemos com a corda do sino, o que nos pesa mais não é a lembrança desta ou daquela demasia, é antes, a lembrança dos minutos omitidos no trabalho de nosso sedento Senhor.

  • Comentários Eleison nº 766

    Por Dom Williamson Número DCCLXVI (766) – 19 de março de 2022 GUERRA DECLARADA – I O mundo inteiro precisa da Consagração da Rússia, Que o levará a uma era de paz e piedade. E assim, entre a Rússia e a Ucrânia, a guerra estourou. É claro que alguns comentaristas mais ou menos ímpios estão despejando uma torrente de comentários políticos e estratégicos mais ou menos bem informados, mas o que os seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo precisam ter é uma visão dos eventos sob a perspectiva de Deus Todo-Poderoso, porque só Ele poderia ter permitido que as partes em conflito chegassem a esse ponto. O que se segue é uma tentativa – longe de ser infalível – de dar a ideia mais resumida do que Ele teria em mente quando permitiu que essa guerra finalmente começasse. Quando Deus criou livremente o mundo, o propósito primordial de Sua generosidade era povoar Seu Céu criado com criaturas capazes de compartilhar Sua própria felicidade infinita. Entre a variedade de criaturas do mundo que Ele escolheu – anjos, homens, animais, vegetais, minerais –, somente duas Ele dotou com o livre arbítrio necessário para compartilharem aquela bem-aventurança. Os anjos, sendo imateriais, usaram ou abusaram de seu livre-arbítrio imediatamente após a sua criação para decidir livremente se queriam compartilhar essa bem-aventurança ou não. Eles não tinham corpo material, tal como os homens, para tomar a decisão de ir para trás e para frente, e, assim, desde o primeiro momento de sua existência eles selaram seu destino eterno. Os homens, por outro lado, viveriam uma vida na terra com alma e corpo, com duração média de 70 anos para decidir, sempre livremente, entre o Inferno e o Céu, entre as seduções do mundo, a carne e o diabo, e os chamados e as graças de Deus. Adão e Eva caíram, prejudicando gravemente todos os demais seres humanos com o pecado original. Mas Deus tomou a natureza humana, uma vez, como Jesus Cristo, para superar aquele dano por meio da única e exclusiva Igreja, que Ele fundou ao morrer como homem na Cruz. Dessa Igreja, e somente dela, depende o cumprimento do propósito de Deus ao criar o mundo. Ora, os homens pecam e despertam o ódio, por exemplo, com a guerra, mas Deus é amor, e por isso Ele castiga o ódio e suscita o amor para manter os homens no caminho do Céu. Portanto, Ele não quer a guerra, mas a permite para que traga os homens à razão. Eis porque a Escritura diz que a guerra é o castigo de nossos pecados (Tiago, IV, 1, etc.). Assim, na Segunda Guerra Mundial, Deus usou, especialmente no confronto titânico entre a Alemanha e a Rússia, os nazistas para castigar os comunistas, e os comunistas para castigar os nazistas. E no Ocidente, no resto da década de 1940, imediatamente após a guerra, os homens devidamente castigados voltaram sua atenção a Deus, que lhes falava, por exemplo, através dos milagres das pombas que prestavam homenagem aos pés das estátuas de Nossa Senhora de Fátima. Mas na década de 1950 o pecado voltou a crescer, e na década de 1960 o Ocidente liderou o mundo na traição à Igreja pelo Vaticano II. E desde o Vaticano II, toda a humanidade cometeu uma série tão longa de crimes em sua guerra contra Deus, que qualquer um se estremeceria ao pensar no castigo que a Terceira Guerra Mundial deverá trazer sobre todos nós, se chegar a esse ponto. No momento em que escrevo estes “Comentários”, as batalhas se limitam à Ucrânia, mas o Ocidente há séculos, em particular desde 1809, vem se colocando sob o controle de uma raça de homens que desejam absolutamente a Terceira Guerra Mundial, porque contam com isso para lhes trazer aquela dominação do mundo que acreditam ser absolutamente devida, como seres muito superiores ao resto da humanidade que não é mais que gado aos seus olhos. Essa gente fará tudo o que estiver ao seu considerável alcance para fazer com que as batalhas na Ucrânia escalem para a Terceira Guerra Mundial. Se eles terão êxito ou não desta vez depende totalmente dos planos do Senhor Deus para a purificação de Sua Igreja. Eles não O conhecem, mas Ele os conhece, e “Ele ri e os reduz ao ridículo”, e Ele “se dirigirá a eles com Sua cólera, e os molestará com Sua fúria” – Salmo II, 4,5. O Ocidente é igualmente culpado, no mínimo, por dar-lhes poder. O que nos resta é rezar para Nossa Senhora de Fátima – “Só eu posso ajudá-los agora” –, a fim de que obtenha para nós a mitigação do já inevitável Castigo. Ela tem planos maravilhosos para o futuro da Rússia, assim que o Papa e os Bispos católicos realizarem sua tão solicitada Consagração ao seu Imaculado Coração. Kyrie Eleison.

  • Ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, por Dom Marcel Lefebvre

    Ato de Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria Prostrados ao pé de vosso trono de graça, ó Rainha do Santíssimo Rosário, propomo-nos a atender, na medida de nossas forças, aos pedidos que fizestes quando, há cem anos, viestes a esta terra para vos mostrardes a nós. Os abomináveis pecados do mundo, as perseguições contra a Igreja de Jesus Cristo, e, o que é pior, a apostasia das nações e das almas cristãs, e o esquecimento por tantos de vossa maternidade de graça dilaceram o vosso Coração Doloroso e Imaculado, tão unido em sua compaixão com os sofrimentos do Sagrado Coração de Vosso Divino Filho. A fim de reparar tantos crimes, pedistes que se estabelecesse no mundo a devoção reparadora ao vosso Imaculado Coração; e para deter os açoites de Deus que predizíeis, fizestes-vos a mensageira do Altíssimo para pedir ao Vigário de Jesus Cristo, juntamente com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao vosso Imaculado Coração. Desgraçadamente, continuam sem atender a vosso pedido. É por isso que, antecipando-nos ao feliz dia em que o Sumo Pontífice finalmente acederá aos pedidos de vosso Divino Filho, e sem nos atribuir uma autoridade que não nos corresponde, mas com uma humilde súplica a vosso Imaculado Coração, enquanto bispo católico, penetrado de solicitude pelo destino da Igreja universal e em união com todos os sacerdotes e leigos fiéis, decidimos responder, de nossa parte, aos pedidos do céu. Dignai-vos, portanto, ó Mãe de Deus, aceitar em primeiro lugar o ato solene de reparação que apresentamos ao vosso Coração Imaculado por todas as ofensas com que ele, juntamente com o Sagrado Coração de Jesus, é afligido pelos pecadores e pelos ímpios. Em segundo lugar, nós vos damos, entregamos e consagramos, tanto quanto está em nosso poder, a Rússia ao vosso Imaculado Coração: rogamo-vos, em vossa misericórdia maternal, que tomeis essa nação sob a vossa poderosa proteção, que façais dela vosso domínio onde reineis como Soberana, que façais dessa terra de perseguições uma terra predileta e bendita. Suplicamo-vos que submetais tão bem essa nação a vós, que, uma vez convertida de sua impiedade oficial, torne-se um novo reino para Nosso Senhor Jesus Cristo, um novo legado para o Seu doce cetro. Que, retornando de seu antigo cisma, ela regresse à unidade do único rebanho do Pastor Eterno, e assim submetida ao Vigário de vosso Divino Filho, torne-se um ardoroso apóstolo do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre todas as nações da terra. Também vos suplicamos, ó Mãe de Misericórdia, por este prodigioso milagre de vossa onipotência suplicante, que manifesteis ao mundo a verdade de vossa mediação universal da graça. Dignai-vos enfim, ó Rainha da Paz, dar ao mundo a paz que ele não pode dar, a paz das armas e a paz das almas, a paz de Cristo no Reino de Cristo, e o Reino de Cristo através do reino de vosso Imaculado Coração, ó Maria. Amém. Dom Lefebvre, sermão de 22 agosto de 1987 em Fatima.

  • Ordenação Sacerdotal do Rev. Pe. Deivid Nass e Ordens Menores do Ir. Elias Tortio Guiao

    Cerimônia ocorrida no dia 19/03/2022, solenidade de São José, no Mosteiro da Santa Cruz.

  • O Padre Arrupe em Cuba

    Publicado por Gustavo Corção n’O Globo em 13-09-1973 QUEM conheça alguma coisa da gloriosa história da Companhia de Jesus, quem acaso já tenha lido, mesmo superficialmente, a vida de seu fundador e de seus heroicos seguidores, ou já tenha passado os olhos, mesmo distraidamente, pelos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, ou quem tenha alguma noção, mesmo aproximada, dos imensos serviços prestados à Igreja, à Civilização e especialmente ao Brasil pelos militantes jesuítas, não pode deixar de sentir admiração, respeito, veneração por essa gigantesca obra deixada pelos filhos de Santo Inácio de Loyola. No Brasil, torno a dizer, sobretudo nos duros tempos da colonização processada num mundo imerso no espesso mercantilismo, foram eles que deixaram, na brutalidade de nossa história nascente, traços luminosos de espiritualidade cristã. O Brasil, que até hoje não teve um santo canonizado, e certamente o não teve mais por causa de nossa negligência do que pela real ausência de qualquer vida cristã chegada ao ápice das virtudes heroicas, quando o tiver, será um santo S. J. RETOMO o fôlego bem empregado nesta justa apologia para passar à mais melancólica das antíteses. Sim, quem sabe, pouco que seja, o que foi a Companhia de Jesus, não pode ler as notícias das declarações do Padre José Arrupe S. J., em Cuba, sem sentir vontade de sentar-se no meio-fio da rua e chorar as lembranças de Sião e o presente em Babilônia. * * * LEIO: "A complexidade da revolução que está sendo feita em Cuba tornou muito difícil poder valorizar plenamente o que foi realizado até agora, principalmente para quem faz uma visita de poucos dias. Contudo, o testemunho de vida dos sacerdotes, religiosos e leigos justifica a confiança dos que esperam que os valores evangélicos enriqueçam cada vez mais o programa de desenvolvimento do País." O PADRE José Arrupe S. J. é o superior-geral da Companhia de Jesus e esta alta posição dá um sentido especialmente deplorável a tal declaração. Se ele dissesse que o tal testemunho justifica a confiança dos que esperam ver um dia os valores evangélicos alterarem e até inverterem a inspiração dos atuais programas marxistas, que, aliás, até agora não passam de programas, ainda poderíamos lamentar a ingenuidade do Pe. Arrupe; dizendo o que disse, só podemos ver sua capitulação, seu abandono de todos os critérios da Igreja, para louvar uma experiência e uma programação política que tem formal e insistente condenação da Igreja. MAIS adiante, sem aspas, o jornal acrescenta: o padre Arrupe disse que não pode deixar de admirar a reflexão ideológica e apostólica a que se dedica a igreja cubana para acompanhar as profundas reformas sociais que se registram no País. E AGORA, novamente entre aspas, lemos: "A Igreja Cubana quer ajudar todos os fiéis a viver sua fé com mais profundidade para que cooperem de forma positiva no desenvolvimento econômico, social e cultural do país." NESTE ponto me vem à mente o título de um livro norte-americano "NONE DARE CALL IT TREASON". Ouso eu: isto se chama traição. O leitor bem-humorado, e que não gosta de se aborrecer, sobretudo aos sábados, dirá que lá venho eu com minhas exagerações! INFELIZMENTE, leitor, não há nenhum exagero no que digo; há apenas constatação de um fato triste e brutal. Estou diante de um superior-geral da Companhia de Jesus, agachado diante dos cruéis inimigos da Igreja, a louvar os que em Cuba se agacharam e adoram Nabucodonosor Rex. E eu imagino o sorriso feliz com que Nabucodonosor afaga as barbas diante de tal espetáculo: a mais altiva raça dos humildes servos de Deus agacha-se diante de sua impiedade, e promete, após profundas "reflexões ideológicas", a ainda se agacharem mais profundamente. * * * NUM salto da memória vejo agora o superior-geral dos frades dominicanos, espanhol de 76 anos — esqueci-me seu nome —, a receber os votos religiosos de um moço preso e acusado de cumplicidade com Marighela nos planos de subversão, de sequestros e assassinatos. Noutro salto da memória dolorida vejo o Provincial e o Vice-Provincial do Convento das Perdizes, em São Paulo, saírem pela porta dos fundos, "chacun avec sa chacune" como recomendava o best-seller medieval, Romance da Rosa. E AGORA, noutra guinada da memória cada vez mais dolorida, vejo a atoarda feita no dia em que ousei escrever o que já foi escrito em todas as línguas do mundo, isto é, que a destruição da Igreja é principalmente devida, com as exceções que sempre haverá e que foram recusadas pelos que me criticaram, aos senhores bispos. Agora acrescento: aos superiores em geral. HOUVE tempo em que o cristão tinha por símbolo o peixe. Ora, o provérbio diz que o peixe apodrece pela cabeça, ou morre pela boca. Não sei se biologicamente é exato o provérbio, mas eclesiologicamente são numerosíssimos os fatos que o confirmam. * * * ESTAMOS assistindo no mundo a um processo de anarquia crescente inspirado por uma secreta e violenta aversão a Deus. Essa revolução, que na Dinamarca avilta os costumes, nos Estados Unidos abala a autoridade presidencial, e na Igreja corrompe superiores, ou nomeiam-se superiores previamente corrompidos, quer destruir uma civilização que, apesar de quatro séculos de Reforma e de humanismo infra-humano, ainda conserva o tropismo ascensional que tem Deus como fim último. O demônio, o orgulho individual (também chamado "carne") e o orgulho coletivo, cultural, social (também chamado "mundo") querem demolir a Igreja. O episódio de que nos ocupamos neste modesto artigo é apenas um também modesto trabalho de demolição. Será a soma de demolidores maior do que a soma dos que clamam? A VITÓRIA de Deus é garantida porque "ninguém como Deus" clama o arcanjo pelo esplendor de sua essência. Bem sabemos que as portas do inferno não prevalecerão. Mas a mesma voz que nos garante a vitória também nos incita a lutar aqui e agora, como se de nós ela dependesse. E então, meu Deus, meu Deus, sobra-nos ao menos o direito de gemer: — Até quando, Senhor? __________ P.S. — Aviso ao leitor que PERMANÊNCIA se associa ao FORHUM (Associação cultural de Formação Humanística) e convida os amigos para a Missa que será celebrada nas intenções do Professor Hélio Fraga, Diretor-Presidente do FORHUM, recentemente nomeado Reitor da UFRJ. Local: Igreja S. José da Lagoa, dia 17, às 19 horas [nota do artigo no jornal].

bottom of page