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  • Masses for the holy souls

    + PAX Dear friends and benefactors, Those who wish can still send us to their list of deceased, because one of the priests of our monastery will offer a mass each November day in these intentions. The monastery does not request a stipend for these Masses. Put this in the e-mail subject, please: LISTA DE FALECIDOS Send to: secretaria@mosteirodasantacruz.org.br Benedictine Monastery of the Holy Cross, Nova Friburgo-RJ, Brazil Support us: www.mosteirodasantacruz.org U.I.O.G.D.

  • Messes pour les défunts

    + PAX Cher amis et bienfaiteurs, Ceux qui le souhaitent peuvent nous envoyer leur liste de fidèles défunts, car un prêtre de notre monastère dira une messe chaque jour de novembre à ces intentions. Le monastère ne demande pas d'honoraire pour ces messes. Envoyer à : secretaria@mosteirodasantacruz.org.br Veuillez mettre ceci comme sujet du courriel: LISTA DE FALECIDOS Monastère bénédictin de la Sainte-Croix, Nova Friburgo-RJ, Brésil Pour nous aider : www.mosteirodasantacruz.org U.I.O.G.D.

  • Missas pelos defuntos

    + PAX Caros amigos e benfeitores, Aqueles que desejarem poderão enviar para nosso e-mail sua lista de falecidos, pois, como de costume, um sacerdote do mosteiro celebrará uma missa cada dia por essas intenções durante o mês de novembro. O mosteiro não exige espórtula para estas missas. Favor colocar no assunto do e-mail: LISTA DE FALECIDOS Enviar a: secretaria@mosteirodasantacruz.org.br Mosteiro beneditino da Santa Cruz, Nova Friburgo-RJ, Brasil Para nos ajudar : www.mosteirodasantacruz.org U.I.O.G.D.

  • Os calos do Arcebispo

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 03-03-1973 TODO o mundo sabe que Jesus Cristo Superstar é uma peça de teatro ultrajantemente sacrílega e totalmente destituída de qualquer dimensão estética. Sua mediocridade burra e repulsiva prova que a intenção principal ou única do seu autor foi a de ganhar dinheiro com mais esse acréscimo da flagelação de Jesus Cristo Nosso Senhor. Será preciso dizer que os atores, em graus maiores ou menores, se associam à blasfêmia e ao escárnio da Cruz? Será preciso acrescentar que os próprios espectadores que acharam no espetáculo algum prazer são cúmplices do mesmo sacrilégio que clama aos céus? ENTRE outros pormenores dou apenas um flash que me foi transmitido por pessoa idônea que, por dever de ofício, viu a peça. Jesus está deitado languidamente no colo de Madalena e Judas, apontando para os apóstolos com frases de escárnio, ouve Madalena que nina Jesus acariciando-o: — Ele para mim é um homem como outro qualquer, eu já tive mil, e mais um não faz diferença. OUVEM-SE palmas escassas não do povo que se esquiva meio envergonhado. Palmas compassadas. De onde vêm? Do alto. Da personificação da Hierarquia que assistiu à peça com deleite. Do Grão-Chanceler que fez questão de trazer o apoio da Hierarquia aos rapazes que faziam molecagem com a figura de Jesus Cristo, Nosso Senhor. COMO se não bastasse sua ostensiva presença no litóstrotos paulista, onde Jesus foi novamente escarnecido, o Senhor Dom Evaristo fez questão de ir aos camarins cumprimentar e abraçar os artistas como se viu em fotografias publicadas em O Cruzeiro de 14 de junho de 1972 e se pôde ler no contundente artigo de Salomão Jorge. O Brasil inteiro conheceu o fato e viu Dom Evaristo Arns abraçado com o rapaz de sexo duvidoso que representara o papel de amante de Maria Madalena. PARA ajuizar o valor de um homem, basta às vezes um só ato. Para um Dom Helder basta a entrevista dada à revista Express; para Dom Evaristo basta-me esta simpatia publicamente manifestada pelos atores e pela peça em que Jesus Nosso Senhor e Nosso Salvador é indignamente ultrajado. Há evidentemente neste ato uma composição de falta de inteligência e de falta de sensibilidade moral, cujas doses não posso aquilatar. Se outra prova dessas duas debilidades precisava, temo-la no dia em que "o sinal visível da unidade da Igreja" (como reza a Nora da Cúria) abençoou e elogiou abundantemente a Editora Vozes que inaugurou em São Paulo suas novas instalações. Todos nós sabemos que a Editora Vozes se distinguiu pelo desembaraço com que publica as mais aberrantes imoralidades e mais amolecadas doutrinas. Hesito na comparação das duas coisas heterogêneas, a Editora Vozes e Superstar, não sei dizer qual das duas coisas ofende mais clamorosamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo. ORA "o sinal visível da Igreja" aplaudiu com entusiasmo os dois ultrajes. Se ainda pudéssemos levar a sério alguma parte da Nota da Cúria relativa à demissão dos três professores, chegaríamos a estas duas conclusões: 1) Se o Grão-Chanceler é realmente "o sinal da unidade da Igreja", concluímos que todo o Episcopado brasileiro bateu palmas na Superstar quando o Grão-Chanceler aplaudiu o sacrilégio, talvez pensando que aquilo era "obra de arte", e toda a Igreja compareceu à inauguração da editora anticatólica, e ostensivamente imoral na maioria de suas publicações. 2) Se verdadeiro católico é "aquele que vive em comunhão com seu Bispo", faça ele o que fizer, concluímos que só poderão ensinar na PUC os professores que assistiram à Superstar em comunhão com o Bispo, bateram palmas, abraçaram os atores, sempre em comunhão com o Bispo; concluímos também aflitos que, para sermos bons católicos em São Paulo, deveríamos apoiar a "missa leiga" e até dizer como D. Lucas Moreira Neves que não encontrava nenhum motivo para proibi-la e que "até a considerava importante iniciativa de sentido pastoral"!!! TIRO ainda uma terceira conclusão da definição que D. Paulo Evaristo Arns dá de "verdadeiro católico": a Igreja Católica teria um aspecto em São Paulo, outro em Campos, outro em Fortaleza, outro em Belo Horizonte, outro em Petrópolis. Sem falar na Holanda e em Roma! A essa colcha de retalhos a Cúria de São Paulo dá o título de "unidade da Igreja" a partir do postulado que faz de Dom Evaristo a personificação da Igreja. ESQUECI-ME de dizer que para ser bom católico em São Paulo é preciso ir a Roma para dizer ao Papa que o Governo brasileiro está violando os direitos humanos, incluindo nas violações o problema dos índios, dos posseiros e dos peões vendidos no Araguaia. De viagem para Roma, Dom Paulo Evaristo Arns declarou que levava estas conclusões da CNBB ao Papa. E AGORA chego à conclusão capital de todos esses pruridos de autoridade, e parece-me que essa conclusão, cuidadosamente traduzida, deveria ser levada pelos bons católicos de outras dioceses a Roma. É a seguinte: Em diversas dioceses do Brasil os arcebispos que aprovam todas as injúrias feitas a Deus e todas as brincadeiras com coisas santas, não toleram que atualizemos a impostação de voz, o tom e o estilo dos reparos feitos por alguém que ainda tenha sensibilidade católica. OU MELHOR: Não lhes pisemos os calos, porque os calos dos srs. arcebispos são muito mais sagrados do que as cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

  • Comentários Eleison nº 849

    Por Dom Williamson Número DCCCXLIX (849) – 21 de outubro de 2023 A QUEDA DA IRLANDA – I Meu país decaiu, mas Deus me estendeu Sua mão, Para que eu não fosse mais uma vítima. Eis a história de outro jovem que encontrou o caminho de regresso à verdadeira Fé, desta vez vinda da Irlanda, outrora tão católica, mas hoje profundamente mergulhada na apostasia. Como Quebec – quanto mais alto estavam, mais forte caíam. Observe como o ponto decisivo de sua conversão foi começar a rezar, particularmente o Rosário. Enquanto crescia no final dos anos de 1990 e início dos anos 2000 na Irlanda, as coisas estavam mudando rapidamente para pior. A desconstrução do passado da Irlanda já estava em marcha. Como era comum para a maioria dos jovens da minha idade, fui batizado e enviado para a escola “católica” local. Mas nunca houve qualquer catequese ou ensino sobre a Fé, e é por isso que se perguntarmos à maioria das crianças na Irlanda que frequentaram uma escola “católica” sobre até mesmo os princípios mais básicos da Fé, elas não serão capazes de responder. O meu regresso à Fé foi de uma maneira pouco convencional. Sempre tive fome de conhecimento, e devorava livros desde criança; mas sem a orientação adequada de figuras de autoridade, fui facilmente desencaminhado por minha natureza decaída. No final da minha adolescência, li muitos tipos diferentes de filosofia, com fases de Marx, Nietzsche e Camus, entre outros. De alguma forma, deparei com os escritos do filósofo italiano Julius Evola, cujo ódio e desprezo absolutos pelo mundo moderno me tocaram. Ele nunca usou a palavra “Deus”, já que ele mesmo não era católico, mas substituiu o termo por “Absoluto” ou “Transcendente”. No entanto, mais ou menos na mesma época em que comecei a ler Evola, comecei também a interessar-me pelo catolicismo, mas por razões mais políticas do que espirituais. O problema surgiu quando olhei para a Igreja de hoje e a comparei com o “tradicionalismo” radical que aprendia com Evola. Naquele momento eu já conhecia algumas das questões relacionadas ao Concílio Vaticano II, e já tinha ouvido falar da FSSPX, mas sabia muito pouco sobre ir à Missa ou sobre as doutrinas da Fé. Li sobre como os católicos rezam e deparei com o Rosário. Eu não entendia por que os católicos rezavam tanto para Maria em vez de para Deus, mas estava disposto a ver o motivo de toda aquela agitação; então comecei a rezar o Rosário. O meu regresso à fé aconteceu durante a “pandemia” de covid, quando as igrejas católicas na Irlanda foram fechadas pelo maior período de tempo na Europa. Eu não tinha para onde ir, e não poderia ter-me beneficiado da Comunhão mesmo que quisesse. Felizmente, estive conversando com alguns católicos pela Internet, e um deles me informou sobre um Padre que estava encontrando-se com algumas pessoas para a Confissão. Contactei imediatamente este Padre, e a minha Confissão realizou-se em um cemitério. Ao confessar-me e tentar voltar à Fé, meu antigo eu ateu estava, de certa forma, morrendo, e eu estava renascendo na Fé. Algo que tenho notado nas comunidades de Missa em latim em Dublin é que a maioria dos homens presentes são novos na fé, enquanto as mulheres tendem a ser católicas de berço. Muitos dos jovens que se descreveriam como católicos tradicionalistas estão cientes da “questão judaica”, e estão informados a respeito dela, mas não estão seguros sobre o que podem fazer para combater os esforços da Sinagoga de Satanás. O que podemos fazer, além de rezar, para combater ativamente os inimigos da Igreja? Uma coisa que nenhum de nós parece ser capaz de compreender verdadeiramente é: o que aconteceu com a Igreja? Como ela chegou ao estado atual em que se encontra? E, por extensão, o que aconteceu com a nossa sociedade? Leio antigas Encíclicas papais e as comparo com o que vejo vindo de muitos na hierarquia da Igreja de hoje, e me pergunto: é a mesma fé? (Não, não é a mesma Fé; é uma nova religião, em guerra com a antiga. Os inimigos da Fé são mais bem combatidos com as armas da Fé. Reze todos os 15 Mistérios do Rosário, todos os dias, por eles... Estamos vivendo o clímax de uma apostasia da cristandade que já dura 700 anos. A sociedade vem caindo junto.) Kyrie eleison.

  • XXVII – Fé e Incredulidade - Natureza e provas da Fé

    Fé e Incredulidade Natureza e provas da Fé A verdadeira glória – Luís IX, rei de França (+ 1270), que depois teve a honra dos altares, conversava certa vez sobre negócios de Estado com um embaixador. Este, que era também um grande adulador, entre outras coisas disse ao rei: “Majestade, congratulo-me convosco, por terdes nascido neste nobilíssimo e florentíssimo reino”. Ao que retruca o soberano: “Não é esta a minha verdadeira glória; mas sim o haver nascido na verdadeira Fé; e aqui tenho de ser chamado Luís de Poissy, porque nesta cidade fui batizado”. Eis um homem que sabia a importância e a necessidade da Fé; e que a prezava como convém: por isso se gloriava de possuí-la. A graça da Fé também vós a possuís, ó jovens. Mas compreendeis bem a sua necessidade? Tentes por ela a verdadeira estima? Será que a conservais íntegra e inconcussa? Sabeis defendê-la contra os assaltos dos inimigos? Para que possais fazer-vos sempre mais fortes “nessa fé que vence todos os erros” e “que é princípio do caminho da salvação”, dir-vos-ei qualquer coisa: I. Da Natureza e das provas da Fé II. Das causas pelas quais ela falta III. Da sua necessidade I – Natureza e provas da Fé 1 – Que é a Fé? É a virtude sobrenatural pela qual cremos, apoiados na autoridade de Deus, naquilo que Ele revelou e nos propõe à crença por intermédio da Igreja. Assim diz o Catecismo: a) Virtude: Quer dizer que esse é um hábito bom de nossa alma, uma disposição para praticar atos aceitos por Deus. b) Sobrenatural: Porque não se adquire só com as forças da natureza, mas é um dom de Deus, que nos vem da sua liberalidade. Diz S. Paulo, “Por intermédio de Cristo vos foi dado o dom, não só de crer nEle, mas também de padecer por Ele” (Flp 1, 29). E ainda: “Pela graça fostes salvos mediante a Fé; e isto não vem de vós (não é pelos vossos méritos), pois é dom de Deus” (Ef 2, 8). c) Cremos: O crer aqui não significa ser de opinião, pensar, mas sim, dar assentimento incondicional às verdades reveladas por Deus, e tê-las como certas. Portanto, recebemos da divina bondade esse dom importante sem nenhum mérito nosso, de preferência a outros povos que vivem nas trevas e nas sombras da morte. Por isso, recomendava S. Paulo a Timóteo que conservasse esse precioso dom: “Ó Timóteo, conserva o depósito: O Timothee, depositum custodi” (1 Tim 6, 20). 2 – O objeto da Fé Em que cremos? Pela fé cremos em Deus; somos assim intimamente persuadidos da sua existência, da sua natureza, de suas imperfeições infinitas; somos convictos de que ele criou do nada o céu e a terra. Pela Fé cremos nos mistérios da vida do Homem-Deus; na origem do homem, em sua queda, em sua redenção, em seus futuros destinos; pois, como diz S. Paulo, “é a fé a base das coisas a esperar-se, demonstração das coisas que não se veem” (Hb 11,1). Pela Fé nós cremos em tudo aquilo que Deus revelou; isto é, todas as verdades que Deus fez conhecer aos homens. 3 – Motivos da Fé Por que cremos? Porque Deus falou. Eis o argumento sobre o qual se apoia a nossa Fé. Ela não se baseia na ciência ou na capacidade humana, mas na palavra de Deus, e na autoridade infalível de sua Igreja. Deus é absolutamente veraz; não pode enganar-se, nem pode enganar. A resposta de um menino – Enquanto o tirano Asclepíades se enfurecia contra o mártir S. Romano, um menino, que se achava nos braços da mãe e que mal sabia falar, elevou a voz voltado para o tirano, dizendo: “Jesus Cristo é o verdadeiro Deus!”. O tirano a ele, rispidamente: “Quem te disse?”. “Minha mãe”, responde o menino. “E a tua mãe quem o disse?”. “Disse-o Deus”, concluiu o menino. Eis os motivos da nossa crença. A Igreja, nossa mãe, nos disse em que crermos, e Deus revelou-lhe todos os artigos da Fé que ela ensina. Aristóteles (outros dizem Pitágoras), por sua vasta doutrina e grande autoridade, era tido em tal veneração, que bastava ele dizer uma sentença ou uma palavra, para admitir-se como oráculo indiscutível; daí vem o proverbial “ipse dixit!”; disse-o ele. Muito mais devemos nós crer em Deus que não se engana nem pode enganar. 4 – As provas Mas falou Deus? Certamente. Falou aos nossos progenitores Adão e Eva; falou aos Patriarcas Noé, Abraão, Isaac, Jacó; depois a Moisés, Davi, Salomão; a Elias e aos outros Profetas: Isaías, Jeremias, Daniel, Ageu, os quais nos transmitiram o que Deus com sua boca lhes disse. Depois enviou a esta terra o seu próprio Filho Jesus Cristo que revelou aos homens a sua vontade e os seus mistérios. Daí S. Paulo: “Deus muitas vezes e de muitos modos falou outrora a nossos pais por meio dos Profetas; e ultimamente falou a nós por meio de seu Filho” (Hb 1,1-2). E toda a palavra escrita por Deus se resume no “Credo”, ou Símbolo dos Apóstolos. Trata-se agora de saber os testemunhos ou as provas que Deus nos deu, para se concluir que Deus nos revelou as Verdade de Fé. Ei-las: a) A realização das Profecias – Predizer com certeza os acontecimentos futuros e distantes, que dependam da livre vontade do homem, é coisa que ninguém pode fazer, a não ser Deus. Ora, os mistérios da Religião foram todos prenunciados muitos séculos antes: e todos se verificaram exatamente. Basta confrontar o Velho com o Novo Testamento, para se certificar disso. Daí dizer Jesus Cristo: “Investigai as Escrituras: são elas que falam a meu favor: Scrutamini Scripturas: illae sunt quae testimonium perhibent de me” (Jo 5, 39). b) Os milagres – Os milagres operados por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos Apóstolos e por seus sucessores. Eles são inúmeros; e até os inimigos do Cristianismo não os puderam negar, antes os exaltaram. Ora, que é o milagre senão a voz com que Deus fala? Mas certamente Deus não concorre com o milagre para provar a falsidade: logo, de haver Deus comprovado com prodígio aquilo em que nós cremos, deve-se inferir que ele o revelou, e que não nos tem enganado. c) Os Mártires – Deram a vida entre os mais atrozes tormentos, para atestar as verdades da Fé. Eles iam ao martírio como a uma festa, e exultavam de alegria sob o gládio dos algozes. Donde essa virtude sobre-humana? E não foram poucos: foram milhares e milhares, e de toda idade e condição. Atestam-nos as próprias Atas dos Gentios. Acrescentem-se os milagres estrepitosos que amiúde acompanhavam o martírio daqueles campeões da Fé, e os prodigiosos efeitos que se lhes seguiam: porquanto “o sangue dos Mártires era semente de novos Cristãos”, como disse Tertuliano. Não se vê nesses fatos o dedo de Deus e uma prova manifesta da divindade de nossa Fé? d) A propagação da Fé – No mundo, de modo realmente maravilhoso a Fé se propagou. Escrevia S. Paulo aos romanos: “A vossa fé é anunciada em todo mundo: Fides vestra anuntiatur in universo mundo” (Rom 1, 8). E ao imperador Trajano escrevia Tertuliano: “Nós somos de ontem, e já estamos por toda a parte: ocupamos as vossas cidades, os vossos castelos, o município, o Senado, o Foro; a vós não deixamos senão vossos templos”. Para obter isso, era mister superar obstáculos que dir-se-iam instransponíveis: era mister destruir a idolatria, a corrupção e os vícios que acompanhavam, e todas as potências conjuradas; e, o que é mais, tornar aceita uma religião que impunha a penitência e a mortificação! E com que meios? Poucos discípulos, inermes, de humilde condição. Nenhum prêmio a eles prometido; mas sim tribulações, perseguições e morte. E, no entanto, essa Religião, que parecia dever ser detestada, a breve trecho foi senhora do universo. Daí o poeta: “Então falei: “Se o mundo convertido Sem milagres de Cristo a lei se houvesse, Este o maior milagre houvera sido”. (Par. XXIV, 106-108) e) A conservação da Fé – A Fé conservar-se através dos séculos, até nós, constitui também uma prova invencível da sua divindade. Quantas lutas não sustenta? Dez perseguições sangrentas se sucederam sem trégua nos primeiros séculos, a fim de sufocá-la. Depois surgiram cismas, escândalos, heresias. Os próprios expedientes do progresso, como as artes, as ciências, a indústria, a imprensa, conjuraram contra o edifício da Fé, para o demolir. E daí? Ela permaneceu sempre tal qual foi desde o início: imóvel, invariável em seus dogmas, em suas crenças, em suas práticas. “Firme como rocha em alto monte.” Sua perpetuidade, em meio as mudanças inumeráveis de todas as outras instituições, prova que ela é obra divina e que tem consigo a palavra infalível de Jesus Cristo: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela: Portae inferi non praevalebunt adversus eam” (Mt 16, 18). (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

  • Comentários Eleison nº 848

    Por Dom Williamson Número DCCCXLVIII (848) – 14 de outubro de 2023 PRECISA-SE DE CATÓLICOS Alguns protestantes ainda têm bom senso, mas os católicos somente Veem plenamente como os inimigos de Deus estão circulando livremente. O Dr. E. Michael Jones (EMJ) é um professor universitário americano cujo nome e cujos livros podem ser familiares a muitos leitores destes “Comentários”, porque durante muitos anos, desde o Vaticano II, ele tem sido um escritor e conferencista prolífico sobre assuntos católicos. Alguns católicos podem não apreciar o fato de ele nunca ter compreendido devidamente o aparente desafio à Autoridade Católica por parte do Arcebispo Lefebvre, especialmente em 1988, quando este consagrou quatro Bispos para salvar a Tradição Católica. No entanto, nenhum católico familiarizado com o trabalho de EMJ pode deixar de apreciar a profundidade da sua fé ou a amplitude da sua cultura, e, sobretudo, a sua disposição para julgar a “cultura” moderna à luz dessa fé. Por exemplo, com o seu último livro recentemente publicado, A Narrativa do Holocausto, ele ousa abordar o mais proibido de todos os assuntos tabus, nomeadamente a alegada morte por gaseamento de seis milhões de judeus nas câmaras de gás nazis do Terceiro Reich (1933-1945). Teremos de ler o livro para ver o que exatamente EMJ diz sobre esse mito incrivelmente influente, mas não há dúvida de que cada vez mais historiadores sérios têm questionado se o “Holocausto” é realmente um fato histórico. Emoção, sim, e muita, mas evidências, pouca ou nenhuma. Eis o que o próprio EMJ diz sobre o lançamento de seu livro: ...Estamos sobrecarregados com pedidos do livro. Na verdade, é possível que a primeira edição esteja esgotada antes do final da semana. Penso que o livro chegou precisamente no momento em que o (1) Estado Profundo se voltou contra Biden e os seus (2) manipuladores judeus. A (3) facção WASP da (4) CIA enfrenta agora uma emergência que a obriga a por os judeus de lado antes que a (5) ADL/AIPAC e outras organizações similares destruam o Império Americano. A situação é semelhante àquela após a Segunda Guerra Mundial, quando a elite WASP teve de intervir para livrar-se do (6) Plano Morgenthau antes que a Alemanha recebesse os soviéticos (7) de braços abertos. A Alemanha está precisamente na mesma situação agora, pronta para sair da NATO e fazer as pazes com a Rússia para que possa ter acesso à energia necessária para manter a sua base industrial. A recente coluna de David Ignatius no Washington Post pedindo a renúncia de Biden é uma indicação de quão desesperado o Estado Profundo está neste momento. Nem todos os leitores compreenderão todas as referências feitas aqui por EMJ, mas o que ele está dizendo aqui merece ser bem explicado. 1. O “Estado Profundo” nos EUA atualmente é o verdadeiro governo do país que opera sob as aparências do governo visível. A prova da sua existência em muitas nações ocidentais é a forma como os partidos no poder podem mudar, mas as políticas não desejadas pelo povo raramente mudam. 2. Um “manipulador judeu” é um judeu que fica logo atrás de um político público para certificar-se de que não fará ou dirá nada que desagrade os judeus. Esses “manipuladores” são agentes-chave do “Estado Profundo” que perseguem os objetivos da Nova Ordem Mundial, sem importar-se se as pessoas a querem ou não. 3. Um “WASP” é um protestante anglo-saxão branco que quer que os judeus ajudem os “WASP’s” a conseguirem o poder mundial, mas não quando os judeus querem esse poder para si próprios. 4. A CIA é uma criação dos WASP’s, e foi fundada para promover a supremacia americana, não a supremacia judaica; mas há muito que está tão infiltrada por judeus ou pelos amigos destes, que já não trabalha para a América, mas para a Nova Ordem Mundial. EMJ diz que a CIA está agora em pânico com o perigo de os judeus destruírem os EUA para seu próprio benefício. 5. A ADL, ou Anti-Defamation League [Liga Antidifamação], e o AIPAC, ou American Israel Public Affairs Committee [Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos], são duas importantes organizações judaicas com uma imensa influência sobre a direção da vida pública nos EUA como um todo. A CIA WASP já não aprecia o poder delas sobre os Estados Unidos. 6. Henry Morgenthau (1891–1968), um judeu, foi secretário do Tesouro dos EUA de 1934 a 1945. No final da Segunda Guerra Mundial, ele elaborou um famoso plano para esmagar totalmente a Alemanha derrotada. 7. Se este plano não tivesse sido abandonado pelo bom senso dos WASP’s, teria levado toda a Alemanha do pós-guerra para os braços dos comunistas soviéticos. O que EMJ está dizendo é que o bom senso é igualmente necessário hoje em dia para impedir que as mesmas pessoas que queriam destruir completamente a Alemanha, destruam completamente os EUA. Kyrie eleison.

  • As causas do fenômeno

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 15-03-1973 LEIO na revista espanhola IGLESIA-MUNDO as declarações do Cardeal Danielou na Rádio Vaticano. Às diversas perguntas feitas pelo entrevistador, o Cardeal Danielou responde com concisão e clareza, mas a mim me parece, com o devido respeito, que às explicações do Cardeal Danielou falta certa profundidade. Quando, por exemplo, lhe perguntam quais podem ser as causas de fundo da crise, o Cardeal responde: "A ORIGEM essencial desta crise reside em uma falsa interpretação do Vaticano II. As normas do Concílio eram muito claras: a) "Maior fidelidade às exigências do Evangelho expressas nas constituições de cada Instituto." b) "Adaptação das modalidades das mesmas constituições às condições da vida moderna" "OS INSTITUTOS que permaneceram fiéis a estas normas experimentam uma profunda renovação e têm numerosas vocações; mas no maior número de casos (digamos francamente em quase todos) as diretrizes do Vaticano II foram substituídas por ideologias errôneas, difundidas por numerosas revistas, conferências, teólogos etc...." * * * ATÉ ALI falava o Cardeal Danielou. Agora um velho leigo estudioso pergunta: Como explicar que a maioria dos religiosos tenha interpretado tão gravemente mal aquelas diretrizes tão claramente boas? A MIM me parece que o Pe. Danielou entrou no jogo de tapar o sol com a peneira. Salta aos olhos que não é possível explicar uma brusca e profunda crise na Igreja, por um erro de interpretação do Concílio, sem admitir a preexistência de uma disposição muito difundida de interpretar erroneamente, na direção da secularização, todas as verdades de Fé; ou então sem admitir que foi no próprio Concílio que essa disposição encontrou o campo favorável e cresceu. O que me parece sumamente pueril é imaginar uma situação anterior normal, um Concílio excelente e santo, e o resultado se traduzir numa quase unânime inclinação a interpretar mal diretrizes claras e boas. ACHO impossível fugir a esta evidência que se impõe: se a situação anterior era relativamente normal, e se o Concílio foi impecável e claro, a explosão de disparates depois dele terá de ser explicada, como na novela de H. G. Wells, por algum gás novo que um cometa tenha infiltrado em nossa velha e honrada atmosfera de azoto, oxigênio, e outras coisas menores. Só nos resta uma alternativa, a de procurar na história recente da Igreja, antes do Concílio, as linhas de "progressismo" preexistente; e procurar no próprio Concílio fatores que, em vez de refrear, ativaram e aceleraram aquelas tendências perniciosas. DE INICIO ponderemos que, no caso de preexistência de tais inclinações na maioria do clero e da hierarquia, o Concílio Vaticano II se desenrolou com um "personnel" da Igreja muito medíocre, e só por milagre poderia refrear tão Impetuosas e más inclinações. ORA, é pueril imaginar que todos os Concílios e todos os papados são bons e benéficos para a Igreja. A história da Igreja mostra mais visivelmente o mistério da permissão divina em relação aos inimigos da Igreja, do que o mistério da assistência divina. E a Fé não desempata o problema porque ambas as coisas são críveis. UM POUCO de estudo mostra que desde o princípio do século agravaram-se as Infiltrações de "mundo" no clero e na hierarquia. A Revolução mundial, que vem das portas do paraíso perdido, passa pela Reforma e pela Renascença, alarga-se em 1789, 1848, 1917 e finalmente no século XX se avoluma assustadoramente, já existia antes do Vaticano II, e tomou parte no Vaticano II. QUE sinais deixou? O próprio Cardeal Danielou se encarrega de exemplificar quando nos mostra a composição molecular de cada artigo do Concílio: metade feita de um princípio clássico e tradicional, e a outra metade enfeitada de Renovação e tornada assim de irresistível sedução. Esta fórmula antitética daria uma síntese feliz se Hegel estivesse certo. O resultado prático foi o de proposições intocáveis, já que escudadas em princípios clássicos e tradicionais, e ao mesmo tempo abertas para as famosas exigências do século. Substituamos a metáfora eufemística "abertura" por uma outar metáfora "brecha", e uma pequena luz iluminará a cripta ou a catacumba onde os progressistas fizeram do Concílio um amplificador de suas inclinações. Todos nós vimos o resultado: aquilo que o Concílio (tradicional) permitia, o Concílio (progressista) alargou e a era pós-conciliar transformou em obrigação. Os exemplos encheriam este artigo. O livro de J. Vaquié intitulado La Revolution Liturgique (Diffusion de la Pensée Française, 1971), é todo ele constituído por exemplos colhidos na Constituição sobre a Sagrada Liturgia. *** DE QUALQUER modo estamos diante de uma situação brutal imposta à consciência dos filhos da Igreja Católica. A apostasia coletiva e sistemática, e mantenedora das aparências, permite uma zona dos membros da Igreja que vivem uma indecisão inocente e uma disciplina ingênua. Mas os mais amorosos das coisas de Deus se debatem numa trama de falta de confiança e de certeza moral dos vários sinais que integram a santa visibilidade da Igreja. Se já não sabemos se a missa é missa, se o padre é padre, não admira que também não saibamos se o bispo é bispo ou inimigo da Igreja vestido de bispo. O Demônio, com a permissão de Deus, conseguiu tirar-nos a tranquilidade exterior, mas agarramo-nos a Cristo Nosso Senhor para não perdermos, nos momentos mais difíceis, a tranquilidade interior que só a presença de Deus pode dar.

  • Comentários Eleison nº 847

    Por Dom Williamson Número DCCCXLVII (847) – 07 de outubro de 2023 MENSAGEM DO CÉU? – II Mas até então, sê paciente, alma minha. As más ações virão à tona, Embora todo mundo as reprima aos olhos dos homens. Hamlet, Ato 1, Cena 2, fim. Nada do que aqui se segue é dogma da Igreja, nem é oficial nem infalível, mas meramente opinião do autor destes “Comentários”, especulando sobre a natureza da Igreja Católica e a sua atual agonia. Há duas semanas, estes “Comentários” (número 845, de 23 de setembro) citavam uma mensagem supostamente vinda do Céu, na qual uma Irmã desconhecida na França assegurava a um padre tradicional que ele continuava servindo a Nosso Senhor, ainda que para isso só aparentemente estaria desobedecendo à Autoridade da Igreja acima dele. Antes de comentar a mensagem, talvez seja necessário citá-la novamente, tal como apareceu há duas semanas, mas com alguns números que sirvam de referência. 1. A Santa Igreja Católica e Apostólica atravessa atualmente uma crise profunda e dolorosa nos seus representantes, e o senhor, Padre, é uma de suas vítimas. 2. Dom Thuc compreendeu a ruptura dentro da Igreja e, como Bispo, assumiu uma posição pessoal que não estava de acordo com as regras, porque ordenou Padres e Bispos sem incardinação, colocando assim todos numa situação irregular, mesmo que sejam fervorosos e queiram exercer um ministério de acordo com o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. 3. Dom Williamson, tendo sido colocado numa situação semelhante ao ser desligado da Fraternidade Sacerdotal São Pio X pelo seu Superior na época, sem motivo válido, deveria ser capaz de compreender a sua situação, porque ele também consagrou Bispos e ordenou Padres. Assim como o senhor, por enquanto, estes também carecem de incardinação. 4. A situação atual dentro da Santa Igreja Católica é tão ruim que o Senhor está feliz com todos os Seus ministros que trabalham fielmente para Ele, com ou sem incardinação. 5. Esta é a resposta do Senhor à sua pergunta. Assim que a Santa Igreja recuperar dentro de si a força da Verdade, os sacerdotes que continuam à deriva poderão reincorporar-se a ela oficialmente, embora extraoficialmente nunca a tenham deixado. O Senhor os abençoe. Fique em paz e seja fiel. 1. A mensagem parte da atual “crise profunda e dolorosa” da Igreja. Negá-la é não compreender nada dos acontecimentos atuais da Igreja. A mensagem mostra verdadeira simpatia por um sacerdote que sofre na crise. 2. Alguns leitores podem escandalizar-se com a mensagem por começar com a menção ao Arcebispo Ngo Dinh Thuc (1897–1984), já que a sua longa carreira a serviço da Igreja não terminou de forma gloriosa. Em princípio, ele compreendeu a gravidade da crise da Igreja na década de 1960 e a necessidade de se tomar medidas de emergência, mas na prática terminou consagrando Bispos e ordenando Padres de modo desenfreado. No entanto, neste contexto, a mensagem utiliza o caso dele para mostrar que os princípios da crise remontam à década de 1960. O fato de Dom Thuc ter exagerado na prática não é estritamente relevante para os princípios subjacentes que continuam vigorando atualmente. A mensagem prossegue reconhecendo tanto a necessidade normal de um sacerdote de incorporação estrutural numa diocese ou Congregação (Autoridade), como a boa vontade dos sacerdotes que fazem todo o possível para servir a Deus (Verdade); ou seja, ela sustenta o equilíbrio entre a Verdade e a Autoridade. 3. E o mesmo se dá com o movimento na Igreja hoje conhecido pelo nome “Resistência” ou “Fidelidade”. Por um lado, esse movimento tem recorrido a medidas anormais ou de emergência para os seus Bispos e novos Padres, como fez o Arcebispo Lefebvre em 1988 (“Verdade”). Por outro lado, esses Bispos e Padres não têm incorporação normal, ou “incardinação”, na estrutura oficial da Igreja (“Autoridade”). 4. No entanto – e aqui está o “ponto final” de toda a mensagem – desde que tais Bispos e Padres trabalhem fielmente para Nosso Senhor, então a falta de incardinação não é tão importante, porque “a situação atual na Igreja é muito má”. Em outras palavras, primeiro a Fé, depois a estrutura; e primeiro a Verdade, depois a Autoridade. 5. Por fim, aqui está o princípio básico do bom senso que resolve o problema original do Padre supramencionado. A Autoridade da Igreja só existe para servir à Verdade da Igreja, e, com ela, a salvação das almas. E assim que a Verdade recuperar o seu legítimo lugar de destaque na Igreja, como acontecerá, então a Autoridade recuperará igualmente o seu lugar secundário, e tudo o que é verdadeiramente legítimo recuperará a sua legitimidade oficial temporariamente perdida. Deo Gratias! Kyrie eleison.

  • XXVI – Trabalho e Estudo - As vantagens do trabalho

    Trabalho e Estudo As Vantagens do Trabalho III – As vantagens do trabalho 1 – Vantagens Espirituais a) Preserva do pecado e mantém longe as tentações Um bom preservativo – Lê-se na vida dos Padres que um monge se queixava de ter sempre tentações violentas. O Superior lhe sugeriu logo o remédio: trabalho contínuo e cansativo. Passado algum tempo, perguntou ao monge se as tentações ainda o perseguiam, e ele respondeu: “Como atender às tentações? Não tenho tempo nem para respirar!”. Um outro monge, que devia fazer um trabalho inútil, queixou-se ao Abade: “Mas por que fazer e depois desfazer? Que brincadeira é essa?”. Respondeu o Abade: “Meu caro, não é desperdiçado o vosso trabalho: evitareis o ócio e os pecados, e ganhareis méritos”. O demônio, como leão rugidor, está sempre em torno da gente, e dá seus assaltos mormente sobre os ociosos. Por isso S. Jerônimo, escrevendo a um certo rústico, dizia-lhe: “Faze sempre qualquer trabalho, de sorte que o demônio te ache sempre ocupado: Facite aliquod operis, ut diabolôs te semper inveniat occupatum”. Se o corpo é domado por um trabalho contínuo, a carne não se revolta contra o espírito. b) O trabalho nobilita o homem e torna-o virtuoso Uma Quaresma na corte – Um imperador certa vez fez um fradezinho pregar a Quaresma à sua corte. Terminada que foi a prédica, o soberano percebeu muitas conversões entre seus cortesãos: estes se achavam humildes, obedientes, retirados, sem os mundanismos habituais: sem vícios afinal. Chamou, então, o pregador e lhe perguntou: “Que dissestes de extraordinário em vossas prédicas? Vejo em grande parte convertidos os meus cortesãos”. Responde o frade: “A todos impus que jamais ficassem no ócio: eis o segredo”. É realmente verdade que o trabalho melhora o homem e o torna virtuoso. c) Faz adquirir méritos para o Céu O trabalho, se é bem feito, além de ser penitência, torna-se prece. Diz S. Agostinho: “Quem trabalha, reza: Qui laborat, orat”. Quem trabalha, pratica a virtude da humildade e da obediência, porque faz a vontade de Deus. As mãos benditas de S. Macário – Nas Vidas dos Santos Padres se lê que o abade Macário foi visitar S. Antão, fazendo uma longa viagem no deserto. Chegando cansado e ofegante à cela do santos, bateu à porta, e S. Antão do fundo de sua gruta: “Ah, és tu Macário?! Espera”. O abade Macário esperou um tempão no sol, recitando salmos. Quando foi introduzido, começou logo a tecer alcofas, conversando ao mesmo tempo sobre as coisas de Deus e da alma com S. Antão. Erguendo-se, afinal, Macário, a fim de voltar à sua moradia, S. Antão jogou-se-lhe aos pés, e beijando-lhe as mãos, exclamou: “Ó santas e benditas mãos, quanta glória no Céu tereis vós, que não sabeis estar parada um só momento, nem numa visita, e após longa viagem!”. O trabalho, por conseguinte, se se quer torna-lo proveitoso para a vida eterna, deve ser santificado com a pureza da intenção. Se quem trabalha não visa outra coisa senão fruir a vida ou fins outros puramente terrenos, em que diferiria de um animal de carga? Por isso diz S. Paulo que tudo o que fazemos, devemos fazê-lo em nome do Senhor, e com o objetivo de glorificá-lo: Omne quodcumque facitis... omnia in gloriam Dei facite (1 Cor 10,31; Col 3,17). Todo trabalho nosso, mesmo pequeno, se o fazemos por Deus e e em união com Jesus Cristo, torna-se precioso e meritório para o Céu. “Tomo a mira!” – Passando um viandante por um longo deserto, viu um penitente solitário que trabalhava e a todo instante fitava o céu. “És astrônomo?”, indagou-lhe o viandante, continuando “Por que a todo momento olhas para cima, em vez de cuidares do teu trabalho?”. Responde o solitário: “Tomo a mira!”. Queria dizer que renovava amiúde a intenção de fazer por Deus o seu trabalho. 2 – Vantagens Materiais a) O trabalho dá riqueza Diz o Espírito Santo: “Quem lavra a sua terra, terá pão para saciar-se: Qui operatur terram suam, satiabitur panibus” (Prov 28,19). O grande homem que foi Benjamin Franklin deixou escrito: “Quem sabe trabalhar não teme dívidas, nem morre de fome nunca. A fome para à porta do homem diligente e não ousa lá entrar”. Um tesouro no campo – Um bom campônio estava para morrer. Sabendo possuir filhos poltrões e negligentes, chamou-os a seu leito, e, para os estimular ao trabalho, disse-lhes: “Deixo-vos como herança um campo, no qual está oculto um tesouro. Depois de minha morte, cavai o campo e procurai por toda parte, se o quereis achar”. Eles, efetivamente, morto o pai, se puseram a cavar com grande diligência, e não deixaram inexplorado um só palmo de terreno. Que acharam ali? Nada de precioso. Mas o terreno, assim revolvido e lavrado, produziu abundante colheita. E foi esse o tesouro de que pretendia falar aquele bom pai. b) Proporciona a estima dos homens e faz honra à Nação Os grandes homens que honraram a pátria foram todos laboriosos. c) Traz paz e alegria, expulsando o tédio Onde se trabalha de boa vontade, reina paz e alegria. Aquilo, afinal, se ganha com maior trabalho, oh! quão mais caro se nos torna! Disse-o até o filósofo pagão: Quod laboriosus acquiritur, magis diligitur (Aristóteles, Étic., IX, 8). E Voltaire em poucas palavras disse tudo: “O trabalho afasta o vício, o tédio e a miséria”. Conclusão Filhos, amai o trabalho e o estudo. É lei de Deus. Cada qual deve aplicar os seus talentos. Quem tem dez, deve dar dez; quem tem cinco, dê cinco. É difícil o estudo? É cansativo o trabalho? Eu o sei: nem por isso vos deveis desanimar. Boa vontade e constância! Trabalhai com Jesus, e para fazer a vontade de Deus, e não achareis pesado o trabalho, nem difícil o estudo. É agora a época de adquirir a ciência, enquanto sois jovens. O Espírito Santo vo-lo diz: Fili, a iuventude tua excipe doctrinam (Eclo 6,18). Assim contentareis o Senhor, os pais e vossos superiores, e preparareis para vós mesmos um futuro de conforto e muitos méritos para o Céu. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

  • SÉ VACANTE SIM, IGREJA VACANTE, NÃO - pelo Rev. Pe. Curzio Nitoglia

    Extrato do artigo A Tese de Cassiciacum O Papado Material Para um debate sereno Padre Curzio Nitoglia [Tradução: Gederson Falcometa] ‘Sé vacante’ sim, ‘Igreja Vacante’ não a) ‘Vacante Sé Apostólica’ na morte de cada Papa, sim Os canonistas e os teólogos definem, e então distinguem, o período de Vacância da Sé Apostólica, que vai da morte de um Papa a eleição do próximo, da falta de Autoridade ou de Hierarquia na Igreja (“Sedevacantismo” mitigado ou absoluto). Durante o Conclave os Cardeais não emanam novas Leis, mas não devem fazer diminuir os direitos da Sé Apostólica, vigiando para manter em vida aqueles existentes (cfr. São Pio X, Vacante Sede Apostolica, 25 de dezembro de 1904; Pio XI, Quae divinitus, 26 março de 1925; Pio XII, Vacantis Apostolicae Sedis, 8 de dezembro de 1945). Então, embora estando morto o Papa, os Cardeais tem ainda certo poder na Igreja universal, como os Bispos mantém a Jurisdição nas suas Dioceses e os Párocos nas Paróquias. Enquanto no caso do “Sedevacantismo” nos encontramos em uma vacância total (ou apenas formal) de poder de jurisdição do papa, dos Cardeais e dos Bispos espalhados no mundo (a partir de 1958/1965) e também em um estado de privação do poder de Ordem (a partir de 1970). Isto é, a Igreja hierárquica não existiria mais, quanto ao poder de Jurisdição, totalmente ou ao menos formalmente segundo a “Tese de Cassiciacum”, sendo por esta Tese a Autoridade pontifícia de Paulo VI até hoje apenas material ou potencial; e além disso o Sacerdócio teria desaparecido a partir de 1970 porque é retido inválido pelo ‘Sedevacantismo’ se é conferido com o novo Sacramental de Paulo VI de 1970. Pelo contrário, Jesus prometeu à Igreja a indefectibilidade [1], dizendo: “Eu estarei convosco até o fim do mundo” (Mt., XXVIII, 20) e “as portas do inferno não prevalecerão contra a Minha Igreja” (Mt., XVI, 19). Portanto, a sua Igreja durará até o fim do mundo, conservando: 1º) a Hierarquia, porque a Igreja é hierárquica e monárquica por Vontade divina e tal permanecerá até o fim dos tempos; 2º) o Sacerdócio, enquanto sem Sacerdócio e Sacrifício a Religião não permanece. A este propósito Santo Ambrósio de Milão (Livro de Salomão, cap. 4) compara a Igreja a um navio “que é continuamente agitado pelas ondas e pelas tempestades do mar, mas que não poderá jamais naufragar, porque o seu mastro é a Cruz de Cristo, o seu timoneiro é Deus Pai, o custode da proa o Espírito Santo e os remadores os Apóstolos” [2] São Beda (In Marcum, cap. VI, lib. II, cap. XXVIII, tomo 4) comenta: "Nesta passagem do Evangelho de Marcos (VI, 47-56) está escrito justamente que a Nave (ou seja, a Igreja) se encontrava no meio do mar, enquanto Jesus estava sozinho em terra firme: porque a Igreja não é atormentada e oprimida por tantas perseguições por parte do mundo, mas as vezes também é suja e contaminada de forma que, se fosse possível, o seu Redentor, nestas circunstâncias, pareceria tê-la abandonado completamente". O Colégio dos Cardeais é ainda árbitro em ato, malgrado a morte do Papa, para os casos urgentes, ou seja, de foro interno e de consciência, que se resolve pela maioria dos votos. Além disso, todo dia deve reunir-se uma “Congregação geral” de todos os Cardeais em Conclave. De resto os Cardeais ficam confinados em Conclave e “colocados em condições de vida desfavorecida para abreviar o mais possível a Vacância da Sé Apostólica” [3], a qual perdurar por meio século é contra a natureza da Igreja. Em contraponto, segundo o “Sedevacantismo” a Vacância dura ao menos desde 1965. Morto o Papa cessam os ofícios de todos os Cardeais, exceto: a) aquele do “Cardeal Penitenciário Maior” [4], que continua a exercitar as funções mais importantes, isto é, os casos de foro interno e de consciência (cfr. Pio XI, Quae divinitus, 26 de março de 1925); b) aquele do “Cardeal Camerlengo” [5], que, longe de decair ou até mesmo cessar totalmente, expressa ao máximo as suas funções mais importantes, que consistem no administrar os bens temporais da Sé Apostólica; c) as “Sacras Congregações” [6] e os “Tribunais Eclesiásticos” [7] que continuam a funcionar limitadamente a faculdades ordinárias, exceto aquelas não urgentes, que podem ser adiadas a futura eleição do Papa. Além disso, São Pio X quis, sabiamente, que a certeza da validade da eleição do Papa ficasse fora de toda discussão e para isso eliminou qualquer sanção desvalidante da eleição do Pontífice feita por alguns Papas precedentemente reinantes (por exemplo, Papa Júlio II, em 1505, tinha sancionado a Simonia como invalidante da eleição pontifícia) [8]. Naquilo que diz respeito a Simonia, essa consiste na troca gravemente ilícita dos bens espirituais por aqueles materiais (por ex. um Cardeal compra por 10 milhões a eleição pontifícia). Ora, Santo Tomás equipara a Simonia ao Ateísmo ou a Irreligiosidade, já que o simoníaco não acredita em Deus, porque compra com dinheiro coisas espirituais como fossem materiais (S. Th., II-II, q. 100, a. 1). Esta analogia é muito interessante, porque a “Tese de Cassiciacum”, não segue a via morta ab initio do “Papa herético”, mas emboca por uma estrada nova e aparentemente viva, segundo a qual a Autoridade é finalizada ao bem comum dos sujeitos. Pelo que um Papa que não quer objetivamente o bem da Igreja, não quer o fim da Autoridade Pontifícia. Então, não é Papa em ato ou formalmente, mas apenas em potência ou materialmente e se tornará Papa em ato apenas quando retirar o impedimento da falta de reta intenção ou de vontade para o bem comum ou o fim da Autoridade. Porém, o ateu ou o irreligioso, que não acredita em Deus, na Religião e então nem sequer na Igreja, não quer o bem da Igreja e das almas. Mas, segundo São Pio X e o Direito Canônico, é igualmente Papa em ato [9]. Então, a via da “Tese de Cassiciacum” (“Sedevacantismo parcial”) desemboca, por seu turno, em uma aporia como aquela, já inicialmente barrada, do “Papa herético” (“Sedevacantismo total”). O candidato eleito canonicamente do Colégio cardinalício, se aceita, ipso facto torna-se Papa em ato [10]. Naquilo que diz respeito a Bento XVI, que vem considerado uma “aparência de Papa” pela “Tese de Cassiciacum” porque não seria Bispo enquanto consagrado depois de 1970 com o novo Pontifical de Paulo VI, antes de tudo seria necessário demonstrar a invalidade das novas Consagrações episcopais; além disso, também se o poder de Ordem e poder de Jurisdição são realmente distintos entre eles, porque a Ordem vem conferida através do apropriado Sacramento, enquanto a Jurisdição vem concedida através da Missão canônica pelo Papa (v. Pio XII,Mystici Corporis, 1943), todavia essas estão “em mútua relação porque a Jurisdição supõe a Ordem e vice-versa o exercício da Ordem é regido pela Jurisdição” [10]. Então, se Ratzinger não fosse Bispo não teria nem sequer em potência próxima se tornado Papa, porque a Jurisdição supõe a Ordem e não tendo ele a Ordem do Episcopado não pode ter em potência próxima a Jurisdição sobre a Igreja Universal como Bispo de Roma. Portanto, ele não seria materialmente Papa, mas apenas “uma aparência de Papa”, exatamente como o ator Ugo Pagliai que no Filme “Sob o céu de Roma” representava Pio XII não era nem mesmo “Papa materialmente”, mas apenas uma “aparência de Papa” representando Eugênio Pacelli. Parece-me claro que a “Sede Vacante em toda morte de Papa” seja essencialmente distinta do “Sedevacantismo”, o qual destrói o ser da Igreja e lhe cria uma virtual, em potência ou em constante divenire segundo a “Tese de Cassiciacum”, enquanto o “Sedevacantismo total” não salva nada. b) ‘Sedevacantismo’ ou Sé vacante há meio século, não Então, é preciso distinguir bem: 1º) o estado transeunte de “Sé Vacante”, que vai da morte de um Papa a eleição de outro, estado em que permanece o Colégio cardinalício capaz de suprir o Papa defunto [12] (uma espécie de Colégio “vigário” do Vigário de Cristo) governando com autoridade e o Episcopado universal [13], mantendo assim a Unidade e a Continuidade ininterrupta da série de Papas desde São Pedro até o fim do mundo e a existência da Igreja, em espera da eleição de um novo Papa; 2º) a “Igreja vacante”, que é o estado de privação de um Papa em ato, do Colégio cardinalício governando com Autoridade vigária e do Episcopado universal tendo jurisdição, estado que poderia materialmente durar até a passagem em ato de tal Papado material. O ‘Sedevacantismo’, então, é substancialmente diverso da Vacância da Sé Apostólica pela morte de cada Papa. De fato, esse praticamente coincide com a “Igreja vacante” e, portanto, tropeça nessa dificuldade: se o Papa material morre sem tornar-se Papa em ato ou formalmente, então, a cadeia ininterrupta da série de Papas se interrompe e as portas dos Infernos teriam prevalecido, estando morta a Igreja de Cristo, passada da potencialidade a corrupção ou ao nada. Na verdade, Aristóteles e Santo Tomás ensinam que há o ‘nada’, a ‘potência’ (ou capacidade de passar ao ato) e o ‘ato’ de ser. Ora “ex nihilo nihil fit (do nada, nada vem)[14]”; “potentia reducitur ad actum, per ens in actu (a potência passa ao ato graças a uma causa eficiente, que é já um ente em ato) [15]” e enfim “ex ente in actu non fit ens, quia iam est ens (do ente em ato não vem o ente em ato, porque é já em ato) [16]”. Aristóteles com a noção de potência, que é distinta realmente do ato e do nada e é pura capacidade de passar ao ato ou de recebê-lo, conciliou o princípio do ser e o fato do divernire. Na verdade, graças a potência (que não é o nada, mas tampouco o ser em ato), o Estagirita explica que “da potência vem o ato, isto é, a potência passa ao ato. Então, o divenire é possível e o ser também, propriamente graças a potência”. Ora, a potência não é o nada, mas é “não-ser em ato” e existe como alguma coisa de intermediária entre o nada e o ser em ato perfeito (por exemplo, a madeira da estátua que vem cinzelada lentamente não é o puro nada, mas nem sequer é a estátua terminada, todavia isso existe enquanto o artista a trabalha e tende ao ato perfeito e não ao movimento perpétuo) [17]. Tal noção metafísica de potência foi aplicada por Padre M. L. Guérard des Lauriers teologicamente e acuradamente ao problema da Autoridade: ele disse que um Papa pode ser tal em ato (ou formalmente) ou apenas em potência (ou materialmente). Isto é, quando se elege um Papa e ele não aceitou ainda a eleição canônica é Papa apenas em potência próxima ou materialmente, se torna em ato ou formalmente quando aceita a sua eleição. Todo homem batizado pode ser eleito Papa e, portanto, ele é Papa em ‘potência remota’; se vem eleito se torna em ‘potência próxima’ e se aceita a eleição canônica se torna Papa ‘em ato’ ou formalmente (recebendo a consagração sacerdotal e episcopal). De fato, “forma dat esse” (Aristóteles e Santo Tomás). Ora, um Papa sem forma ou Papa material não existe em ato, poderia existir se recebesse o ser em ato, como a madeira que não é cadeira, mas pode se tornar. O ente existente existe (ex-sistit, sai fora do nada ou da sua causa) quanto a sua essência, que esta em potência ao ser como ato último, recebe o ser em ato. Portanto, se os Cardeais Montini, Luciani, Wojtyla ou Ratzinger não recebem a forma ou o ato último de ser, não existem como Papa Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI. Além disso, o Cardeal Montini ou Papa Paulo VI estando morto não é mais um homem, mas um cadáver que não é sujeito nem de Ordem sacra (Sacerdócio e Episcopado), nem de Jurisdição (Papado e Bispo de Roma). O cadáver vira pó e torna-se nada, uma vez separado da sua alma ou forma primeira e, portanto, não pode receber o ser ou a forma/ato último e não pode existir, exceto por um milagre da Onipotência divina que restaure a vida ao morto (“ex nihilo nihil fit”), como acontecerá no fim do mundo com a Ressurreição dos corpos. Donde que, se o ‘Sedevacantismo’ quer ser lógico, Montini não pode mais tornar-se Paulo VI em ato de ser e não é mais nem sequer Papa material, mas é um cadáver “pulvis, cinis et nihil”. Onde que João Paulo I se tivesse “convertido” (como queria a “Tese de Cassiciacum”) não teria sido o sucessor de Paulo VI, porque a cadeia ininterrupta dos Papas, desde São Pedro até o último Papa vivente até o Fim do Mundo, teria sido interrompida e a Igreja de Cristo teria terminado com a morte de Paulo VI. Mas tudo isto é contra a Fé definida pela Unidade e Apostolicidade da Igreja. Na verdade, se o Papa material não aceita a eleição, permanece Papa em potência próxima até que não morra. Uma vez morto é um cadáver e não mais um homem batizado, é nihil (ou nada), não é mais potência (ou ens materialiter). Ora ex nihilo nihil fit (do nada não vem nada). Então, a Igreja, segundo o ‘Sedevacantismo’, estaria morta. Como a madeira pode tornar-se estátua em ato, mas, se apodrece e torna pó, não está mais em potência remota (pura madeira) nem em potência próxima (madeira em trabalho, que está se tornando uma estátua) assim o cadáver não é potência (nem sequer remota) ao Papado e não se tornará jamais Papa em ato. A Tese do Papado material ou em potência teve uma dimensão filosófica e teológica inicial notável, mas se exauriu com a morte de Paulo VI e foi completamente superada com a eleição de Bento XVI, o qual padece, pela mesma Tese, não ser Bispo, senão “uma aparência” de Papa (Guérard des Lauriers). Ora “uma aparência” ou um ator que representa um Pontífice não é sujeito de Ordens sacras e de Jurisdição (os Cardeais não elegem um ator ou um que se apresente como Papa, mas escolhem um batizado que aceita a eleição canônica para se tornar realmente Papa em ato) e não é nem sequer em potência remota capaz de se tornar Papa em potência próxima e depois em ato. Segundo o ‘sedevacantismo’ o sucessor de Pio XII, depois da morte do papa material Paulo VI, que não passou ao ato e não pode mais passar sendo defunto, não seria mais o sucessor formal de Pedro, mas seria o Chefe de uma nova “igreja”, essencialmente diversa daquela que fundou Jesus Cristo sobre Pedro, a fortiori não seria o sucessor formal de Pedro o Pontífice eleito depois de Bento XVI, o que é apenas uma “aparência de Papa” e nem sequer um “Papa material”. Mas isto é contrário à Fé católica revelada e definida, que ensina a apostolicidade formal e ininterrupta dos Papas desde São Pedro até o fim do mundo. Se as “hierarquias” eclesiais e espirituais (Papa e Bispos) são os sucessores formais de Cristo, de Pedro e dos Apóstolos, são a Igreja de Cristo tal qual Cristo a quis; caso contrário é o produto de uma Tese intelectual elaborada em um estado de “emergência”. Mas não é o pensamento humano a criar a realidade mesmo em estado de extrema emergência, não é uma Tese teológica a fundar a verdadeira Igreja de Cristo. Tal “igreja”, produto do intelecto humano é essencialmente diversa da Igreja hierárquica e visível de Cristo, me parece mais uma “igreja pneumática”. O real estado de emergência ou necessidade em que nos encontramos não nos autoriza a mudar a essência da Igreja, como Cristo a quis e fundou, idealizando-lhe uma in fieri ou em potência ou material, que não é, mas encontra-se sem passagem para o ato há quase meio século. A Igreja foi, é e será em ato, não em divenire, propriamente como Cristo é hodie, heri et in saecula, “semper idem” e não “semper in fieri”. A sucessão apostólica verdadeira é aquela formal, alimentada pela sua raiz, que é a ‘Pedra’, Cristo, e o seu Vigário na terra, ‘Pedro’. Santo Agostinho ensina que uma simples sucessão material, não unida formalmente com a sua raiz, seria estéril [18]. Como um traço (Bispos/Apóstolos) que parte dos ramos cortados e secos (Papa/primeiro e Príncipe dos Apóstolos) não é vivo e frutuoso. Tire o fundamento e desmorona todo o edifício. Assim, uma sucessão apostólica apenas material é abalada, morta e mortífera. É uma “sucessão” ou “protuberância” histórica, cronológica, material, física, mas não formalmente apostólica viva e vivificante [19]. NOTAS: [1] Do latim “in” – “deficere”, não vir menos, não cessar. [2] C. Mazzella, De Religione et Ecclesia, Roma, 1892, n. 738. [3] F. Roberti – P. Palazzini, Dizionario di Teologia Morale, Roma, Studium, IV ed., 1968, voce “Conclave”, vol. I, p. 360 [4] “Cardeal Penitenciário Maior” é o Cardeal que preside a “Sacra Penitenciária Apostólica”, que na Cúria Romana é o “primeiro Tribunal Eclesiástico”. Tribunal de misericórdia, de perdão e de redenção, quase apêndice do sacramento da Confissão para os casos mais difíceis ou reservados a Santa Sé. Esse concede absolvição, dispensas, comutações e condenações apenas para o foro interno. Ao foro externo providencia as outras Congregações ou Dicastérios da Cúria Romana (cfr. C. Berutti, De Curia Romana, Roma, 1952). A S. Penitenciária remonta aos tempos mais remotos da Igreja (cfr. Benedetto XIV, Costituzione Apostolica In Apostolicae, 13 de april de 1744; Pio XI, Cost. Apost., Quae divinitus, 25 de março de 1935), “ qual fonte aberta aos fiéis para ablução dos pecados” (Pio XI, Cost. cit.). “Em caso de Sede Vacante, o Cardeal Penitenciário Maior não apenas conserva todas as suas faculdades, mas pode também – nos casos de grave e urgente necessidade – fazer aquilo que usualmente é reservado pessoalmente ao Papa” (Pio XI, Cost. Apost., Quae divinitus, cit., n. 12; Pio XII, Cost. Apost., Vacantis Apostolicae Sedis, 8 de dezembro de 1954, n. 17). Se durante a Vacância da Sé Apostólica morresse o Cardeal Penitenciário Maior, os outros Cardeais recolhidos em Conclave devem reunir-se o quanto antes para eleger um Cardeal, que durante a Vacância da Santa Sé, terá o ofício de Penitenciário Maior (Pio XII, Cost. Apost.,cit., n. 14). Como se vê, o período de Sé Vacante é assaz diverso do período contemplado pelo “Sedevacantismo”, no qual existe a ausência ao menos atual se não total de toda Autoridade Papal, Cardinalícia e Episcopal, dada a Heresia do Papa, dos Cardeais e dos Bispos que seguem os erros do Vaticano II (“Sedevacantismo absoluto”) ou a falta de vontade objetiva de fazer o bem da Igreja (“Sedevacantismo mitigado”). [5] “Cardeal Camerlengo” é o Cardeal que preside a “Camera Apostólica”, a qual administra todos os bens e as rendas da Santa Sé e da Cidade do Vaticano durante a “Sé Vacante” (Pio X, Cost. Apost., Vacante Sede Apostolica, 25 de dezembro de 1908). Cfr. G. Felici. [6] “Sacras Congregações”, chamadas também de Dicastérios ou Congregações Romanas, são órgãos colegiados, constituídos por vários Cardeais, que coadjuvam o Papa a governar a Igreja. A sua competência é apenas de foro externo. Cfr. N. Del Re, La Curia Romana, Roma, 1941. [7] “Tribunais Eclesiásticos” são os Órgãos do Ordenamento Judiciário Canônico da Igreja, que administram a justiça, ou seja, julgam imperativamente as controvérsias que surgem na aplicação e na observação, em casos particulares, da Lei emanada pelos Órgãos Eclesiásticos Legislativos. Na Igreja existem Tribunais centrais ou Romanos, que tem competência para causas canônicas ou de direito eclesiástico em todo o mundo. Além disso, existem Tribunais Diocesanos (periféricos ou locais) que tem competência apenas sobre as Dioceses particulares (Cfr. F. Roberti, De Processibus, I, Roma, 1941; F. Della Rocca,Istituzioni di Diritto processuale canonico, Torino, 1946). [8] Cfr. Vittorio Bartoccetti, voce “Conclave”, in “Enciclopedia Cattolica”, Città del Vaticano, 1950, vol. IV, coll. 176–183. [9] A mesma comparação vale para um Cardeal cismático ou herético eventualmente eleito Papa. Se o ateu é eleito validamente, em maior razão o herético, que não nega toda a Religião, mas apenas alguns Dogmas seus. Pelo que a Bula de Paulo VI (Cum ex Apostolatus officio, 15 de fevereiro de 1559, in Bullarium Romanum, Torino, 1862, vol. VI, pp. 551–556, tr. it., in S. Z. Ehler – J. B. Morrall, Chiesa e Stato attraverso i secoli, Milano, Vita e Pensiero, 1958, pp. 207–213) decaí como a Sanção que diz respeito a Simonia de Júlio II de 1505. Além disso, a Bula de Paulo IV "é um ato disciplinar da Igreja, que resume todas as precedentes excomunhões e deposições das funções da Igreja de todos os dignitários. […] Durante o pontificado de Paulo IV — Gian Pietro Carafa (1555–1559), o cisma protestante chega a proporções muito vastas. […]. Contra esta ameaçadora maré, fortemente se insurge o Papa Gian Pietro Carafa. […] A atmosfera era de tal forma inflamada que Paulo IV veio até mesmo a temer a defecção no próprio Colégio Cardinalício. As suas dúvidas diziam respeito particularmente ao influente Cardeal Morone, a qual possibilidade de eleição a Santa Sé era causa de grandíssima apreensão para Paulo IV. […]. A Bula Cum ex Apostolatus ofício […] prevê a possível eleição de um Papa de duvidosa ortodoxia […] sobre o cardeal Morone. A Bula declara inválida a eleição ao Trono pontifício de qualquer candidato, que em precedência se tenha demonstrado conveniente com os cismáticos Luteranos" (S. Z. Ehler – J. B. Morrall, Chiesa e Stato attraverso i secoli, cit., “Bolla Cum ex Apostolatus officio”, Commento, p. 206). Não tendo sido retomada pelo CIC de 1917 e sendo um ato disciplinar, decaí ipso facto mesmo se não abrogada explícitamente como a Bula de Júlio II de 1505 sobre a Simonia. [10] S. Negro, L’ordinamento della Chiesa cattolica, Milano, 1940. [11] A. Piolanti, I Sacramenti, Firenze, 1956, Id., Corpo Mistico e Sacramenti, Roma, 1955; A. Lanza – P. Palazzini, Sacramenti e vita sacramentale, Roma, 1957; L. Billot, De Ecclesia Christi, vol. I, tesi 15- 24, Roma, 1927; R. Zappelena, De Ecclesia, II ed., Roma, 1954; A. Ottaviani, Institutiones Iuris Publici Ecclesiastici, vol. I, Roma, 1936; A. Vellico, Roma, 1921; S. Tommaso d’Aquino, S. Th., II-II, q. 39, a. 3. [12] Se note que a escamoteação de um Colégio Cardinálicio apenas material, o qual pode eleger validamente um Papa, mas não governar em ato a Igreja, não salva a apostolicidade formal. De fato, se o Papa material não passa ao ato e se torna Papa formal, a cadeia ininterrupta dos Papas se interrompe e a Igreja acaba. [13] O Episcopado é: 1º) monárquico (“um apenas é o Bispo para cada Diocese”, Santo Inácio Mártir †107, Philadelphi, IV, 1); 2º) por Vontade ou Instituição divina (S. Inácio., Eph., II, 2; Id., Trall., XIII, 2; Id., Philadel., III, 2; Id., Smyrn., VIII, 1; Id., Eph., V, 3); 3º) como norma inderrogável (S. Inácio., Philadelph.,VII, 1: “sine Episcopo nihil faciatis”). De fato, os Padres eclesiásticos desde 80 d.C. (De S. Inácio de Antióquia, Ephes., I, 2; Damas de Magnésia, Magn., II, 1; Políbio de Trales, Trall., I, 1; até a Policarpo de Esmirna, Ad Polyc., prologo) o ensinam de maneira moralmente unânime, fundando-se sobre as Sagradas Escrituras (Act.,II, 25). Então, tal verdade é contida nas duas Fontes da Revelação (Tradição e Sagradas Escrituras) e proposta para crença pelo Magistério (Conc. di Trento, sess., XXIII, c. 4, DB 960; Conc. Vat. I, sess. IV, c. 3, DB 1828; S. Pio X, Decreto Lamentabili, DB 2050 e 2147), o “Código de Direito Canônico” (can. 329, & 1) lhe sanciona a Instituição Divina. Portanto, a Igreja diocesana e a maior razão a Igreja universal não pode ser governada pelos sacerdotes colegiadamente e a fortiori pelos fiéis, mas inevitavelmente deve ser pelo Bispo (mínimo dois em todo o mundo) com jurisdição na Diocese e o Papa com jurisdição em ato na Igreja universal e não “uma aparência de Papa” (S. Inácio Mártire, Ad Rom., cap. IX). A “aparência” de Papa e dois Bispos incógnitos são uma Igreja pneumática e não visível e então, não são a Igreja de Cristo (cfr. A. VELLICO, De Ecclesia, Roma, 1940, pp. 229–242; Id., De episcopis iuxta doctrinam catholicam, Roma, ed. privata, 1937). [14] Apenas Deus cria do nada. [15] A madeira está, em potência, estátua ou cadeira… mas passa ao ato de estátua ou cadeira… apenas graças a um carpinteiro, que é uma causa eficiente existente em ato. Se a madeira apodrece e torna-se pó e depois nada, sem ter antes se tornado cadeira em ato, ela não é mais cadeira em potência porque “ex nihilo nihil fit”. Idem para o Card. Montini, Luciani Wojtyla, que, estando mortos sem terem se tornado Papas em ato ou formalmente, não tem mais a potência de receber a forma ou o ato do Papado (“do nada não vem nada”): de um morto não pode vir um Papa, porque é nada e não é potência ou capacidade de receber a forma do Papado. [16] Da cadeira ou estátua não vem a cadeira ou a estátua em ato, porque é já cadeira ou estátua em ato. [17] Para entender a ‘Tese de Cassiciacum’ é preciso conhecer a verdadeira definição de matéria e forma potência e ato, essência e ser. Se leiam, então, as primeiras três das ‘XXIV Teses do Tomismo’, aprovadas por Bento XV, sobre noção e a distinção real entre potência/ato, essência/ser e a ‘Tese VIII’ sobre matéria/forma. De fato, não se pode entender tal “Tese” se antes não se conhece que coisa é a matéria, a forma, a potência (remota e próxima), o ato, o nada, o ser como ato último de toda perfeição e o existir. São Pio X encarregou no inverno de 1914 o Padre jesuíta Guido Mattiussi de precisar o pensamento de Santo Tomás sobre as questões mais graves em matéria filosófica, e de condensá-la em poucos enunciados claros e inequívocos. No verão de 1914 o Cardeal Lorenzello, Prefeito da ‘Sagrada Congregação dos Estudos’, apresentou as ‘XXIV Teses’ compiladas por Mattiussi a São Pio X, que lhe aprovou em 27 de julho de 1914 (AAS, 1914, p. 338). Depois Bento XV impôs ao Padre Mattiussi escrever para La Civilttà Cattolica um ‘Comentário das XXIV Teses’, que foi publicado em Roma pela Editora Gregoriana em 1917. Em 7 de março de 1916 a ‘Sacra Congregação dos Estudos’ em nome do Papa Bento XV estabelece que “Todas as XXIV Teses filosóficas exprimem a genuína doutrina de Santo Tomás e são propostas como sicure (tutae) norme direttive” (AAS, 1916, p. 157). O Magistério eclesiástico com Papa Bento XV, em 1917, decide que “as XXIV Teses foram propostas como regras seguras de direção intelectual”. No mesmo ano o ‘CIC’ no cânone 1366& 2 apontou o ‘Decreto de aprovação das XXIV Teses’ como fonte obrigatória para o estudo da filosofia tomista. Portanto, apenas quem estuda a primeira, segunda, terceira e oitava das ‘XXIV Teses do tomismo’ (já comentada sobre este mesmo site, ou emwww.doncurzionitoglia.com) pode empreender o estudo da “Tese de Cassiciacum”. [18] Psalmus contra partem Donati, PL 43, 30. [19] S. Aug., Ep. 223, 3. Cfr. B. Gheradini, La Cattolica, cit., pp. 121–124.

  • Comentários Eleison nº 846

    Por Dom Williamson Número DCCCXLVI (846) – 30 de setembro de 2023 MAUS PASTORES? Queremos sempre mares calmos, fáceis de navegar, Mas Deus quer tempestades, para nos por em provação. Como há certas perguntas que voltam ser feitas, é preciso repetir certas respostas. Desde o início do “movimento tradicional”, logo após o Vaticano II, surgiu a questão de se se deve ou não assistir à missa nova do Papa Paulo VI: “Se ela não é necessariamente inválida, se pode ser válida, por que não posso assisti-la?”. De acordo com a teologia católica da Missa, a resposta dos tradicionalistas desde o início é que mesmo que a celebração de uma missa nova com Matéria, Forma e Intenção corretas seja válida, não se pode assisti-la normalmente porque está tão envenenada pela nova religião humanista do Vaticano II, que muitos católicos que a frequentam regularmente correm o risco de perder sua fé pela exposição a nada menos que uma versão falsa de Deus, do homem, do pecado e da redenção. A Missa Tradicional está centrada em Deus, a missa nova está centrada no homem. No entanto, a aceitabilidade de assistir à missa nova tem sido respaldada nos últimos anos pela alegação de que houve uma série de milagres eucarísticos com hóstias consagradas numa missa nova celebrada por um padre ordenado com o novo rito de ordenação por um bispo consagrado com também com o novo rito de consagração, como, por exemplo, em Sokulka, na Polônia, em 2008. Ora, os tradicionalistas não só afirmam, como procuram demonstrar, que todos os três ritos novos (de Missa, de Ordenação e de Consagração) podem ser inválidos; mas, no caso, deparam com o fato de que em muitos destes supostos milagres eucarísticos há a evidência (verdadeiramente) científica de que a transubstanciação realmente ocorreu. Veja, por exemplo, o livro de 279 páginas publicado recentemente pela Sophia Institute Press, A Cardiologist Examines Jesus, no qual um cardiologista profissional expõe “a impressionante ciência por trás dos milagres eucarísticos”. Uma mente sã, após examinar essa “ciência”, partirá dela. Sokulka aparece no livro das páginas 81 à 95. Duas das vinte e sete chapas fotográficas do livro vêm de Sokulka. Com tais evidências, devemos assumir que pelo menos alguns dos supostos milagres eucarísticos são autênticos. O argumento em favor da missa nova assume então a seguinte forma: se a missa nova é tão ofensiva a Deus e tão prejudicial aos católicos, como afirmam os tradicionalistas, então como é que Deus, o único que pode produzir a evidência por detrás de tais milagres, poderia tê-los operado na missa nova? E como pode ser errado que eu a assista? A resposta mais acima não mudou. Tudo o que a evidência científica fez foi provar, além de qualquer dúvida possível, que a transubstanciação realmente ocorreu na missa onde o milagre aconteceu. Então a pergunta é: como pode um Deus amoroso querer envenenar a fé de Suas próprias ovelhas? A resposta é clássica. Deus não quer o mal, mas quer permitir o mal para extrair dele um bem maior. O mal é a exposição das almas católicas ao veneno humanista que ameaça a sua fé. Este mal foi querido pelos clérigos infiéis que mudaram o Rito da Missa, mas não foi querido por Deus. O que Ele quis foi lembrar aos Seus pastores (bispos) e às Suas ovelhas (leigos) que a Missa é o verdadeiro Sacrifício de Seu Filho, e ambos devem parar de comportar-se como se a Missa fosse apenas um piquenique glorificado. Em Sokulka, por exemplo, o pároco, no momento do milagre e durante vários anos depois, declarou que a devoção à Sagrada Eucaristia aumentou notavelmente em toda aquela região desde o milagre. E a hóstia milagrosa está agora exposta para adoração numa capela lateral da igreja paroquial. Assim, Deus Todo-Poderoso não gosta do que uma multidão de clérigos e leigos têm feito à Sua igreja ao longo dos tempos, começando por Judas Iscariotes, mas Ele quer colocar a Sua infinitamente preciosa Igreja nas mãos de clérigos com livre-arbítrio para merecerem Seu próprio Céu servindo-Lhe bem, embora correndo o risco de demérito por seu desserviço, e Ele quer permitir que Suas ovelhas tenham maus pastores se isso for o que elas merecerem, para que sofram e voltem a querer bons pastores. Mas Ele nunca deixará Suas ovelhas completamente sem liderança, caso queiram chegar ao Céu. Veja como Ele nos deu o Arcebispo Lefebvre para ser pioneiro no retorno à Tradição, e agora o Arcebispo Viganò para dar um exemplo de coragem, ao dizer a Verdade Católica a um poder anticatólico aparentemente esmagador. Kyrie eleison.

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