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- XXI – O Catecismo - Necessidade do catecismo
O Catecismo Necessidade do catecismo I – Necessidade do catecismo 1 – Que é o catecismo Catecismo é a palavra grega que quer dizer ensinamento, instrução, pois realmente no livrinho do Catecismo se ensinam todas as verdades que se devem crer, e os preceitos que se devem observar para alcançar a salvação eterna. Jouffroy e os problemas da vida – Um célebre filósofo, professor da Universidade de Paris, chamado Jouffroy (+1842), foi incrédulo durante muito tempo; mas depois se tornou cristão fervoroso. Pouco antes de morrer, disse a seus amigos: “Eu conheci um livrinho que leem e entendem até as crianças, e no qual estão resolvidos todos os grandes problemas da vida. Lede-o: tal livrinho é o Catecismo”. *** Que são os problemas da vida? São as questões que deram tanto de pensar aos maiores filósofos. Tais são, por exemplo: “Quem é Deus? Donde vem o mundo? Como foi criado o homem? Por que vive o homem? Quais são os nossos deveres? Que nos acontecerá após a morte?” e assim por diante. Essas graves questões os filósofos antigos, como Sócrates, Platão e muitos outros, não souberam resolvê-las, e disseram muitos despropósitos. Se tivessem tido à mão o livrinho do Catecismo, não teriam cansado a cabeça em vão, como fizeram. 2 – Vale a pena conhecer o catecismo? Certamente! Quem pretende salvar-se, deve crer em todas as verdades por Deus reveladas, e observar os mandamentos de Deus. Mas se alguém desconhece tais verdades, como poderá crer nelas? E se desconhece os preceitos divinos, como os poderá observar? Por aí se vê a necessidade que todo mundo tem de saber o catecismo se pretende salvar-se. No Catecismo se aprende a doutrina cristã, isto é, as verdades que Jesus Cristo ensinou de viva voz quando vivia nesta terra. Agora tais verdades nos são propostas a crer pela Igreja. O Divino Salvador não no-las ensina Ele imediatamente, e por si, tais verdades; mas no-las faz ensinar por Pastores da Igreja; e nós devemos destes receber os ensinamentos necessários para servir a Deus e para salvar a alma. De fato, à Igreja e a seus Ministros Jesus Cristo disse: “Ide e ensinai a toda gente: Euntes docete omnes gentes” (Mt 28,19); e acrescentou: “Quem vos escuta, escuta a mim: Qui vos audit, me audit” (Lc 10,16). PARA QUE SERVEM AS OUTRAS CIÊNCIAS, quando não se sabe o que ensina o Catecismo? Podeis ser doutos e sábios como quiserdes; ser peritos nos negócios do mundo, na indústria, no comércio; ser valorosos artistas ou literatos; mas se não sabeis aquilo que serve para a salvação eterna, todo o resto não adiantará a coisa alguma. “Abrir-me-á as portas do Céu!” – Um menino que frequentava o Catecismo, voltava para casa com o prêmio que merecera com a sua diligência. Seu pai, que era um homem sem religião, quando viu esse prêmio disse ao menino asperamente e com ar de censura: “Precisas de outra coisa que não o prêmio de Catecismo! Deves trazer para casa o prêmio de história, de geografia, de aritmética: tais são as ciências que te farão feliz e grande. O Catecismo não te adiantará no exame final, e não te abrirá nenhuma porta na sociedade”. O pobre garoto ficou em princípio confuso; depois criou coragem e respondeu: “O Catecismo servir-me-á para o exame final que me fará Deus e abrir-me-á porta do Céu”. Que bela resposta! E é isso mesmo. Sem a ciência do Catecismo não adiantarão os demais conhecimentos para ir ao Paraíso. 4 – A necessidade reconhecida por grandes homens Essa necessidade de saber o Catecismo, reconheceram-na muitos homens doutos e célebres. Napoleão catequista – Quando Napoleão I, já senhor da Europa, foi exilado na ilha de Santa Helena, encontrou-se com a filha do general Bertrand, a qual tinha então 10 anos, e lhe fez estas perguntas: “Dize-me, sabes o Catecismo?”. “Não”, retruca a menina. “Oh! pobrezinha! Estás na aurora da vida, e não compreendes que perigos te esperam no mundo: que te tornarás, se não conheces a religião? Queres que eu seja teu mestre? Dar-te-ei amanhã a primeira lição”. A menina aceitou de bom grado essa proposta e durante dois anos teve lições de catecismo com Napoleão três ou quatro vezes por semana. Quando ela alcançou os 12 anos, o imperador disse: “Agora me pareces bem instruída: dentro em pouco virá a esta ilha um sacerdote que te preparará para a Primeira Comunhão, e a mim para a morte”. Vede quanto apreciava o Catecismo aquele grande imperador que foi Napoleão! Ele bem compreendia a necessidade que tem todos do Catecismo. 5 – As vantagens Que se ganha com a ciência do Catecismo? Eu já vo-lo disse: o lucro principal e mais importante é o de achar aberta a porta do Céu. Mas há outros lucros que servem para a vida. Com a ciência do Catecismo se aprende: a) A praticar a virtude e cumprir os deveres que se tem para com Deus e para com os homens. O discípulo Zenão – Na história antiga se conta que um jovem mandado por seu pai à escola célebre de Zenão, filósofo grego (+ 264 a.C.). quando, findos os estudos, voltou para casa, o pai lhe perguntou: “Muito bem: que aprendestes de bom do filósofo?”. O jovem modestamente deu esta resposta: “Percebe-lo-eis sem demora”. O pai julgou que seu filho não tivesse obtido nenhum proveito daquela escola; e cheio de raiva lhe cai em cima e lhe bate, gritando: “Desgraçado! Eis o resultado dos meus sacrifícios: perdestes tempo, e me fizeste gastar dinheiro à toa!”. O jovem suportou com paciência as censuras e as pancadas; e quando viu acalmada a indignação do pai, lhe disse: “Eis o que aprendi na escola de Zenão: antes de lá andar, eu não suportaria os vossos maus tratamentos; agora, no entanto, adquiri a virtude e fiquei melhor; estais vendo, pois, que não perdi tempo”. Se esse rapaz aprendeu a ser virtuoso frequentando a escola de um filósofo pagão, que ensinava apenas um pouco de paciência moral, muito mais virtuoso ficará quem frequentar o Catecismo, onde está toda a ciência divina! b) A fazer calarem os incrédulos Quantas vezes ouvem os jovens despropósitos e heresias de incrédulos, e não sabem responder porque não sabem nada de Catecismo! Escutai, porém, como soube responder um índio. Um idólatra e um menino índio – Um menino índio, que sabia bem o Catecismo, uma vez foi insultado por um homem idólatra. Esse homem, com ar de escárnio, disse ao menino na presença de outras pessoas: “Crês em teu Deus, hein? Mas onde está o teu Deus? Deixa-me vê-Lo afinal!...”. O rapazinho, com desenvoltura, responde logo: “O meu Deus, que é o Criador e o Senhor do Universo, está no Céu, na terra e em toda parte. Ele é puro espírito, por isso não vos posso fazê-Lo ver; no entanto, vos mostro o vosso”. E tomando de uma pedra, nela desenhou toscamente uma figura de um boneco; em seguida a pôs no chão e lhe deu um pontapé, dizendo com uma risada: “Eis um de vossos deuses!”. Os presentes aplaudiram, e o malvado motejador ficou confuso. Com a ciência do Catecismo é fácil confundir os incrédulos que pretendem saber muito. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Comentários Eleison nº 796
Por Dom Williamson Número DCCXCVI (796) OS EUROPEUS SÃO CULPADOS Europa, pode haver outros dignos de culpa, Mas, em nome de Deus, olhe para si mesma primeiro! Há um bom e velho provérbio, talvez chinês, que diz: “O sábio culpa-se a si mesmo, o tolo culpa os outros”. Não que os outros nunca sejam culpados, mas uma vez que reconheço que tenho alguma culpa, pelo menos eu mesmo posso fazer alguma coisa a respeito, enquanto, frequentemente, serei impotente para conseguir fazer com que aqueles a quem eu quero culpar façam algo a respeito. Por exemplo, no atual período de preparação da potencialmente catastrófica Terceira Guerra Mundial, alguns europeus estão sendo tentados a culpar tanto os Estados Unidos, como os judeus por atrás dos Estados Unidos, pela cegueira suicida das nações europeias, que se comportam como marionetes dos Estados Unidos. Mas, numa perspectiva mais elevada, os europeus seriam mais sensatos se se culpassem a si próprios. Pois é verdade que os judeus exercem um enorme poder nos Estados Unidos, de modo que se diz que quatro em cada cinco membros do gabinete pelo qual o Presidente Biden governa o país são judeus – sem dúvida uma razão para ele ter ganho o apelido de “Presidente Bidenstein”. Mas quem foi responsável pela eleição do presidente Biden, ou pelo menos por não levantar-se contra a total falsidade da sua “eleição” em 2020, senão o povo americano como um todo? E se então os europeus querem culpar os americanos como um todo, quem são os americanos senão, essencialmente, os descendentes dos europeus que emigraram a partir da Reforma através do Atlântico? À questão de quem é a pessoa central na história dos EUA, não é surpreendente à primeira vista a resposta de Charles Coulombe, de que se trata de um inglês, o Rei Henrique VIII – resposta que é realmente muito razoável? Coulombe chamou a sua história dos Estados Unidos “Progresso dos Puritanos”. A religião é decisiva. Mais perto do nosso tempo, quem, senão um europeu, assinou a Declaração de Balfour para prometer aos judeus a Terra Santa se eles trouxessem os EUA para a Primeira Guerra Mundial do lado da Inglaterra e da França? E quem, senão europeus, para alcançar o mesmo propósito, organizou o truque do torpedo do “Lusitania”? Quem, então, senão os europeus, foi responsável pelos soldados americanos terem inclinado o equilíbrio da guerra contra a Alemanha, em 1918, assegurando, assim, que os diplomatas americanos, com o seu presidente Wilson, desempenhassem também um papel decisivo na elaboração do Tratado de Versalhes, em 1919, que foi concebido para provocar a Segunda Guerra Mundial? E quando esta eclodiu devidamente em 1939 para resistir ao poderio militar de uma Alemanha reanimada, qual era a grande esperança da Europa subjugada senão trazer de novo os Estados Unidos em seu auxílio, o que o presidente Roosevelt conseguiu com o truque de Pearl Harbour, em 1941? E depois da Segunda Guerra Mundial, quem, senão os europeus, confiou nos Estados Unidos para formar – e em grande parte pagando para isso – a aliança defensiva da OTAN para proteger a Europa Ocidental da ameaça de invasão do Exército Vermelho da Rússia soviética? Poderá o Presidente Trump ser responsabilizado por ter querido que a Europa pagasse pela sua própria defesa? Mas, por que os americanos teriam razão em considerar que os europeus, na época e agora, são demasiado covardes e decadentes para defender o “Ocidente” por si mesmos? Porque, como disse Hilaire Belloc, “A Fé é a Europa, e a Europa é a Fé”. Mas a Europa continua perdendo constantemente a Fé, sobretudo desde a Reforma, que abriu o caminho para que a judeu-maçonaria começasse a transformar a “Cristandade” em “civilização ocidental” por um processo de decadência que atingiu o seu clímax com o Vaticano II (1962-1965), onde não foi o Potomac, o rio de Washington, nos EUA, mas sim quatro países do Reno que desaguaram no rio Tibre de Roma: França, Alemanha, Holanda e Bélgica. Pois, mais uma vez, os europeus podem muito bem acusar o Vaticano II de ter “americanizado” a Igreja, e a acusação tem fundamento, mas quando os Cardeais e Bispos americanos no Concílio promoveram vigorosamente a adoção pela Igreja Católica do ideal de “liberdade religiosa” do seu próprio país, não tiveram a maioria dos votos no plenário do Concílio. Quem a teve? Franceses, alemães, holandeses e belgas. Estes últimos completaram a vitória temporária do liberalismo sobre a Igreja Católica. Mas tenhamos paciência. Deus Todo-Poderoso está longe de ter dito a Sua última palavra. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 804
Por Dom Williamson Número DCCCIV (804) – 10 de dezembro de 2022 AS PERGUNTAS QUE SE SEGUEM – III Como os herdeiros do Arcebispo podem ser tão cegos? O mal é bom, para a “mente aberta” dos liberais. 3 Excelência, ao acompanhar os últimos números destes “Comentários”, fiquei um tanto confuso. O Capítulo Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em 2012 foi ou não foi obra de traidores? Em caso afirmativo, por que ser tão tolerante com eles? Se não, por que qualificar seu trabalho como “desastre”? Devo admitir não ter havido clareza suficiente, o que reflete a confusão causada pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), onde, tal como o grito de Macduff após o assassinato de Duncan (Macbeth, II, 3), “A confusão agora fez a sua obra-prima”. Mas deixemos que o Catecismo tente esclarecer essa confusão. Para que um pecado seja mortalmente grave, são necessárias três coisas: em primeiro lugar, que o pecado seja em si mesmo, objetivamente, suficientemente grave para causar a morte espiritual da alma; em segundo lugar, que o pecador esteja consciente de que seu ato é mortalmente pecaminoso; e, em terceiro lugar, que ele dê seu pleno consentimento para cometer o ato pecaminoso. Isso significa que se alguém comete o que é de fato um pecado mortal sem saber que o é, então o ato é objetivamente pecaminoso, mas não subjetivamente, por causa de sua ignorância. Foi esse o caso de muitos católicos depois do Vaticano II. Pois, no Vaticano II, um complô diabólico para destruir a Igreja Católica conseguiu persuadir os clérigos na liderança da Igreja a substituir a verdadeira Fé centrada em Deus por uma falsa paródia dessa Fé, centrada no homem. E esses clérigos – dois Papas e cerca de 2.000 Bispos – continuaram, por sua vez, a persuadir a grande maioria das almas católicas em todo o mundo a adotar a nova religião humanista, porque esses Papas e Bispos pareciam ser aquela Autoridade que essas almas sabiam que Cristo havia instituído para conhecer, pregar e proteger a Verdade, ou seja, Suas próprias verdades imutáveis de salvação. Portanto, os líderes do Vaticano II, que sabiam exatamente o que estavam fazendo para destruir a Igreja, eram extremamente culpados, enquanto quaisquer Bispos, Padres e leigos abaixo deles que foram enganados – e essa era a maioria deles – eram relativamente inocentes. Como diz o Arcebispo Viganò, na época ele não conseguia acreditar que seus colegas pudessem estar querendo destruir a Igreja. Ele crê nisso agora, porque o confronto com a imoralidade que sempre se segue à corrupção da doutrina católica abriu seus olhos para como a Autoridade havia traído a Verdade. Ora, o grau exato de culpa ou inocência em cada alma que participou dessa traição desde então é conhecido por Deus, mas o bom senso é suficiente para dizer que uma grande proporção de católicos que segue a apostasia do Vaticano II desde então foi mais vítima do pecado do que pecadora, e aqui está a razão de bom senso para que nós a julguemos com indulgência. Quanto mais culpados eram os pastores, mais inocentes eram as ovelhas, porque quando seguiam os representantes da Autoridade Católica, elas acreditavam seriamente que era uma fonte segura daquela Verdade que é absolutamente necessária para salvar suas almas. 3b Sim, mas os maus frutos que se seguiram ao Concílio já deveriam ter aberto muito mais olhos do que abriram. Muitos católicos preferem a nova religião branda. A tolerância deve ter seus limites! É verdade, e é aqui que entra o pecado objetivo de traição à Fé. A doutrina da religião conciliar é falsa, corrompe a moral, está destruindo a Igreja e enviando inúmeras almas para o Inferno. O Concílio mesmo foi o produto final de séculos de podridão moral, sempre crescente, da decadência da Idade Média em diante. Esse crescimento explica – sem desculpar – a cegueira dos Bispos que votaram no Vaticano II, porque o que o Arcebispo Lefebvre então viu, todos deveriam ter visto. Em contrapartida, pelo menos objetivamente, eles então traíram, e agora os líderes da Fraternidade que o Arcebispo construiu para resistir à podridão ainda querem colocar-se sob os líderes dessa falsa religião, mais podres do que nunca – o que pode ser exemplificado pela Traditionis Custodes. Assim, esses criadores da Neofraternidade são, por sua vez, traidores. Seu Fundador repudiou os romanos que eles amam e com quem estão hoje, segundo o que se diz, conspirando para mudar os Estatutos da Fraternidade com os quais ele montou sua estrutura. Se a informação for verdadeira, não admira que os modernistas romanos insistam em uma nova estrutura, aberta e não mais fechada à apropriação pelos traidores de Roma e da Neofraternidade. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 805
Por Dom Williamson Número DCCCV (805) – 17 de dezembro de 2022 O COLAPSO DO OCIDENTE Então, de quem é a casa que pode resistir a todas as tormentas? Somente a d’Ele, construída em Deus, e não sobre areia! O Natal se aproxima, e o cenário mundial está sombrio. O que Nosso Senhor diz aos Seus Apóstolos? “No mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo” (Jo. XVI, 33). Lembremo-nos do que Ele venceu com o resumo abaixo de uma conversa realizada em setembro passado com um dos melhores comentaristas que aparecem agora regularmente na Internet, Gonzalo Lira (busque no Youtube por: “End of Abundance w/Gonzalo Lira (live)”): O Ocidente está à beira do colapso civilizacional. Estamos entrando em território obscuro com o que se anuncia para o nosso futuro próximo, como a vinda da moeda digital e o sistema de crédito social. O presidente da França, Macron, declarou o fim da “era da abundância”, e nos dizem que cada crise será “pior do que a anterior”, e não haverá retorno ao “velho normal”. A crise da covid de 2020 foi sucedida pela crise da Ucrânia de 2022, na qual os líderes ocidentais praticamente declararam guerra à Rússia usando a Ucrânia como vítima. As sanções foram planejadas para prejudicar o povo russo e derrubar o governo no Kremlin. No entanto, em sua arrogância, esses líderes julgaram mal a economia russa. A Rússia não precisa do Ocidente. Existem agora outros compradores do gás russo. O Ocidente perdeu sua posição dominante na economia global. As exportações de petróleo bruto russo sancionadas pelo Ocidente foram redirecionadas para China, Índia e Brasil. As sanções contra a Rússia aceleraram o inevitável colapso econômico do Ocidente. A base industrial do Ocidente foi esvaziada. A renda das pessoas está implodindo. Os custos dos combustíveis e dos alimentos estão aumentando. Estamos prestes a sofrer outra Grande Depressão, como a dos anos de 1930; uma depressão inflacionária não vista na Europa desde a Alemanha de Weimar. Essa grande depressão econômica será acompanhada por escassez de energia e de alimentos. Será que existe uma saída para o colapso iminente das economias ocidentais? Somente acabando com as sanções. No entanto, o Ocidente está dominado pela insanidade e pela psicose em relação à Rússia. A histeria tomou conta. Existe agora no Ocidente um ódio e uma desconfiança arraigados da Rússia, alimentados por um constante bombardeio de propagandas e mentiras. A farsa do “Russiagate” fez de Trump um “agente russo” e um “fantoche de Putin”. Como poderá o Ocidente retornar dessa psicose à política racional? E qual é a resposta da classe política ocidental ao colapso social e econômico da Europa? Culpar Putin. A crise energética é “culpa da Rússia”. No entanto, foi o Ocidente que transformou a energia em arma e iniciou a guerra de sanções. Mesmo que agora as potências ocidentais quisessem chegar a um acordo, por que a Rússia o aceitaria? A Rússia não negociará com o regime de Zelensky, este sim um fantoche do Ocidente. Não se pode confiar na palavra do Ocidente após o fracasso dos acordos de Minsk. O destino da Europa é sofrer com a fome, o frio e a escuridão. O dano durará por gerações. (Daquela entrevista, realizada no outono, pra cá, ninguém menos que uma ex-dirigente ocidental, Angela Merkel, chanceler da Alemanha de 2005 a 2021, admitiu em público que os dois acordos de Minsk de 2014 e 2015 foram assinados por líderes ocidentais simplesmente para obter tempo para que a Ucrânia se preparasse para a guerra. Por que a Rússia deveria agora confiar em qualquer tentativa de negociação da parte deles?) Voltemos a Nosso Senhor: “Portanto, não vos preocupeis” por comida ou bebida ou roupa (ou luz ou aquecimento), pois “seu Pai celestial sabe que necessitais de tudo isso. Buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt. VI, 31-33). Mas se, caríssimos leitores, a humanidade despreza Sua própria existência, sem falar em Seu reino e Sua justiça, o que ela pode esperar? Ver Mt. VII, 26-27. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 806
Por Dom Williamson Número DCCCVI (806) – 24 de dezembro de 2022 VEM, MENINO JESUS! Melhor ser atravessado por uma espada flamejante, Do que escandalizar os pequeninos de Nosso Senhor. Eis a história de um milagre ocorrido poucos dias antes do Natal de 1956 na Hungria ocupada pelos comunistas. A história chega até nós através de um tal Pe. Norbert, pároco em Budapeste, que tempos depois fugiu para o Ocidente. Ela já deve ser conhecida por alguns leitores destes “Comentários”, mas não o é por todos. O texto foi retirado de https://americaneedsfatima.org/childrens-stories/come-infant-jesus. Agradecemos ao site “America Needs Fatima”. Gertrude era uma militante comunista raivosa que trabalhava como professora do primário em uma escola de meninas. Ela assumiu como missão tentar roubar a fé católica de suas alunas, e constantemente zombava de sua crença ou ensinava-lhes o marxismo. Uma aluna em particular, Angela, uma pequena líder inteligente e devota, pediu ao Pe. Norbert para deixá-la receber a Sagrada Comunhão diariamente para ajudá-la a suportar a constante perseguição de sua professora. “Ela vai persegui-la ainda mais”, advertiu-a o Pe. Norbert. Mas a menina de dez anos insistiu que precisava de Jesus mais do que nunca. A partir daquele dia, sentindo que havia algo diferente, Gertrude iniciou uma verdadeira campanha de tortura psicológica. Em 17 de dezembro, a professora concebeu um truque cruel, com o objetivo de desferir um golpe mortal contra o que ela chamava “antigas superstições que infestavam a escola”. Com uma voz doce, ela começou a ensinar o materialismo ateu às crianças, argumentando que só as coisas que podem ser vistas e tocadas é que existem. Para ilustrar seu ponto, ela pediu a Angela que saísse da sala. Então fez com que toda a sala de aula a chamasse de volta. As meninas gritaram: “Angela, entre!”, e Angela entrou naturalmente, intrigada, mas desconfiada de que ali houvesse uma armadilha. “Vejam, meninas”, explicou Gertrude, “porque Ângela é uma pessoa viva, alguém que podemos ver, ouvir e tocar, quando a chamamos, ela nos ouve. Mas suponhamos que... chamássemos o Menino Jesus, em quem algumas de vocês parecem acreditar... vocês acham que Ele as ouviria?”. Houve um silêncio carregado... Então, algumas vozes disseram timidamente: “Sim, cremos”. “E você, Ângela?”, perguntou a professora. Agora Ângela compreendia. Ela esperava uma armadilha, mas não tão terrível. Porém, ela respondeu com fé ardente: “Sim! Eu creio que Ele me ouve!”. Gertrude soltou então uma gargalhada alta e longa. Em seguida, voltando-se para a classe, disparou; "Bom, então vamos chamá-lo!”. Silêncio. Os argumentos da comunista não tinham sido totalmente ineficazes. De repente, Ângela correu para a frente da sala, com os olhos brilhando. Diante de suas colegas, ela gritou: “Ouçam meninas, vamos chamá-lo! Chamemo-lo todas juntas: ‘Vem, Menino Jesus!’”. Todas as meninas ficaram de pé e começaram: “Vem, Menino Jesus! Vem, Menino Jesus...”. Gertrude se assustou. Ela não esperava essa reação. Mas as jovens continuaram. Agora, uma aura de esperança rodeava a pequena líder. Quando a expectativa estava no auge, a porta da sala de aula se abriu silenciosamente, e um brilho intenso resplandeceu ali, entrando na sala de aula e aumentando ligeiramente como a luz de um grande fogo suave. No meio desse esplendor, havia um globo que brilhava com uma luz ainda mais clara. Enquanto as meninas e a professora observavam, inertes, o globo se abriu, revelando um belo menino vestido com uma túnica brilhante. Seu sorriso era encantador, e as meninas sorriam de volta, em perfeita paz e alegria. Então, suavemente, o globo se fechou e desapareceu pela porta. As crianças ainda olhavam extasiadas naquela direção, quando um som agudo as fez voltar a si: "Ele VEIO!", gritava a aterrorizada professora, “Ele VEIO. . . . !!!”, que em seguida fugiu pelo corredor. O Pe. Norberto interrogou as meninas uma por uma. Ele atestou sob juramento que não encontrou a menor contradição em seus relatos. Quanto a Gertrude, foi internada em um manicômio. O tremendo choque da aparição afetou sua mente ímpia, e ela não parou mais de repetir: “Ele veio! Ele veio!”. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 809
Por Dom Williamson Número DCCCIX (809) – 14 de janeiro de 2022 A EXPANSÃO RUSSA Rezemos e rezemos, Quinze Mistérios todos os dias. Uma das grandes vantagens de um sujeito ter uma fé católica fortalecida e bem informada, é que nem mesmo as notícias de que a Rússia possui um imenso arsenal, que quase garante que nos leve à Terceira Guerra Mundial, deixá-lo-ão alarmado. A vontade de Deus está cumprindo-se no mundo, e até mesmo Seus inimigos estão contribuindo para a realização dessa mesma vontade divina. Se estes querem impedi-Lo de povoar o Céu com as almas que O amam e Lhe obedecem, estarão enfurecendo-se em vão, e na realidade O ajudam. Eles instrumentalizam o mundo, e Ele os instrumentaliza. Para mais detalhes sobre a expansão massiva das forças armadas russas que o presidente Putin acaba de anunciar, assista no Youtube ao excelente vídeo: Russian military prepares for conflict with neocons and NATO [Militares russos se preparam para o conflito com os neocons e a OTAN] (https://www.youtube.com/watch?v=021JkYHJy1Y). Nas semanas que antecederam o Natal, realizou-se em Moscou uma série de reuniões de alto nível, das quais participaram os líderes políticos e militares russos, e onde Putin explicou que o Ocidente está tão determinado a destruir a Rússia, que ela não tem escolha a não ser preparar-se para um grande confronto com as nações europeias da OTAN, com os americanos por trás da OTAN, e com os chamados “neocons” por trás dos americanos. Quanto à OTAN, é uma aliança de nações europeias criada originalmente pelos EUA e com eles durante a Guerra Fria, após a Segunda Guerra Mundial, para permitir que a Europa se defendesse contra a ameaça muito real de invasão por parte da Rússia comunista. Naquela época a OTAN era essencialmente defensiva; mas como a Guerra Fria acabou na década de 1980, a OTAN teve de justificar sua existência tornando-se ofensiva por meio de uma expansão para o leste, em direção à Rússia. Isso alarmou os russos, pois seus antigos inimigos na Europa agora estariam assentados em suas fronteiras ocidentais. Pela mesma razão, os russos não queriam que a Ucrânia se juntasse à aliança militar da OTAN, assim como na década de 1960 os EUA não queriam mísseis russos em Cuba, e para evitá-los ameaçaram desencadear a Terceira Guerra Mundial. Quanto aos “neocons”, essa é uma das muitas expressões usadas para evitar nomear aquela raça de pessoas à qual pertencem quatro em cada cinco membros do gabinete democrata do presidente Biden, que agora governa os EUA. Por que evitar nomeá-los? Porque seu mero nome evoca aquela hostilidade contra eles que os levou a serem expulsos de uma nação anfitriã após a outra, mais de 80 vezes ao todo, em todo o mundo. Qualquer um poderia suspeitar que, ao dominar os EUA e instrumentalizar sua força militar, eles poderiam ter em mente estabelecer mais uma vez sua ditadura comunista em todo o mundo, pela qual cada um deles seria um rei e todos os outros escravos. Não é de se admirar que eles desejem que seus nomes e suas ações sejam desconhecidos. Mas tal ambição é insana? Não para os descendentes remotos daquela raça uma vez eleita por Deus para ser a raça do Messias, e a rampa de lançamento de Seu Novo Testamento e da Igreja Católica. Mas quando seu Messias veio e, claro, se recusou a servir às suas ambições mundanas – criando, em vez disso, um povo de Deus eleito pela fé, e não pela raça –, eles se voltaram contra Ele, crucificaram-No e fizeram o possível desde então para destruir aquela continuação de Sua Encarnação, que é a Igreja Católica. Então, se supormos que a “Santa Rússia” seja o último obstáculo sério no caminho da Nova Ordem Mundial deles, teremos aí um motivo profundo e antigo para os “neocons” levarem os EUA a empurrar a OTAN para destruir a Rússia. Mas a Rússia não é católica, certo? É verdade, mas ao recuperar-se do comunismo (1917-1989) está voltando-se para Cristo. Para recuperar-se também dos erros da Igreja Ortodoxa, precisa absolutamente daquela Consagração ao Imaculado Coração de Maria pelo Papa e pelos Bispos católicos à qual Ela se referiu em Fátima em 1917. Só então será dado “um período de paz” à nossa Igreja atormentada e a este mundo atormentado. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 807
Por Dom Williamson Número DCCCVII (807) – 2 de janeiro de 2022 A TRADIÇÃO SE FORTALECE A “Roma” de hoje não cuidará adequadamente de suas ovelhas? Então precisamos ter pastores que guardem a verdadeira Fé. (Com um pedido de desculpas pela publicação tardia destes CE em particular.) Neste início de Ano Novo está prevista a ordenação, na Ilha Esmeralda, de outro sacerdote para a Tradição Católica, por um Bispo que é bem conhecido naquele país não como tal, mas como padre. Isto se deve ao fato de que ele foi consagrado em privado há quase dois anos, em janeiro de 2021, quando, devido à falsa crise da covid, todas as restrições para viajar estavam a pleno vapor. Estava então parecendo que a Irlanda ficaria completamente isolada da Inglaterra por um período indefinido. Desse modo, o que mais poderia continuar protegendo, na “Terra dos Santos e Eruditos”, aqueles católicos que compreendem os perigos para a sua Fé, tanto no que diz respeito à Neoigreja como à Neofraternidade Sacerdotal São Pio X? Esses católicos podem não ser numerosos, mas por sua rara compreensão da Fé católica imutável, eles têm uma rara importância para o futuro da Igreja. Essa preciosa consagração poderia ter permanecido privada por mais tempo, se as circunstâncias não parecessem tornar-se cada vez mais hostis à Tradição Católica. Assim como os Bispos católicos são essenciais para a sobrevivência da Igreja, por meio do poder das Ordens Sacras, para ordenar padres e consagrar Bispos, os Bispos tradicionais também têm sido essenciais para a sobrevivência da Tradição Católica. Quando o Arcebispo Lefebvre consagrou quatro Bispos em 1988 sem a permissão clara dos líderes oficiais da Igreja em Roma, que ninguém pense que ele estava simplesmente desafiando esses líderes, porque estes, na verdade, haviam dado permissão em princípio para que pelo menos um daqueles então padres fosse consagrado. Mas na hora de marcar uma data para a consagração, o então Cardeal Ratzinger evitou por tantas vezes fazê-lo, que o Arcebispo viu claramente que nunca poderia, na prática, usar a permissão que a autoridade eclesiástica lhe havia inicialmente concedido. Esse momento foi decisivo para que o Arcebispo Lefebvre compreendesse que a Verdade Católica nunca seria devidamente defendida pelos modernistas que governavam em "Roma", e por isso ele foi em frente e consagrou como Bispos quatro de seus próprios padres, para garantir a "Operação Sobrevivência" – como ele a chamou –, a sobrevivência mesma da Tradição Católica. Na época, muitos católicos crentes não entenderam sua atitude e a condenaram abertamente; mas hoje, depois da Pachamama e de pretender-se abolir o rito Tradicional da Missa com a Traditionis Custodes, e depois de uma série de outras heresias virem do topo da Neoigreja, muitos desses mesmos católicos agora admitem que foi em grande parte graças àquelas consagrações de 1988 que a verdadeira Igreja sobreviveu. Na crise sem precedentes da Igreja, acelerada por seus próprios líderes que separaram sua Autoridade Católica da Verdade Católica no Vaticano II (1962-1965), o Arcebispo Lefebvre nunca desprezou ou desafiou a verdadeira Autoridade da Igreja; ele simplesmente colocou a Verdade da Tradição na frente dessa Autoridade encarnada nos neomodernistas; e, ao fazê-lo, cada vez mais católicos ainda têm uma Tradição à qual podem unir-se. As almas honestas entre eles reconhecem a dívida imensurável da Madre Igreja para com o Arcebispo. Agora, no início da década de 2020, Deus Todo-Poderoso ainda não achou por bem reunir a Verdade Católica e a Autoridade Católica, então os neomodernistas ainda estão no controle de “Roma”, e a Fé ainda precisa ser sustentada apesar de “Roma” . Portanto, deve-se dar sequência àquilo que o Arcebispo iniciou ao colocar a Verdade antes da Autoridade. No entanto, ainda que a Verdade Católica deva ser preferida em última instância à Autoridade Católica – que foi instituída por Nosso Senhor somente para defendê-la – caso a "Autoridade" se oponha a essa Verdade, a mesma Verdade em um mundo decaído precisa da Autoridade para protegê-la, de modo que sem essa Autoridade do alto a Verdade terá sérias dificuldades. Por exemplo, os sucessores do Arcebispo tiveram tantos problemas para liderar a Fraternidade depois de sua morte que, por meio de uma política de busca por aprovação de “Roma” (muito além do que ele teria feito), eles mudaram tanto a Fraternidade do Arcebispo, que se tornou conveniente dar a ela um novo nome, como, por exemplo, “Neofraternidade”. E tal como a multidão de católicos depois do Vaticano II seguiu seus líderes da Igreja para a Neoigreja, os seguidores da Fraternidade do Arcebispo seguiram seus sucessores em sua Fraternidade para aquela que então se pode chamar “Neofraternidade”, uma vez que esses sucessores contam com a aprovação oficial dos neomodernistas de “Roma”. É por isso que, tal como em 1988, ou ainda mais hoje em dia, para a sobrevivência da Tradição Católica, surge a necessidade da consagração de Bispos sem Autoridade Romana, por assim dizer, para manter a defesa da Fé do Arcebispo acima de tudo. Daí a consagração, em particular, do padre Giacomo Ballini, aqui na Inglaterra, em 14 de janeiro de 2021. A atual crise da covid mostrou com que coragem ele velou pela Missa e pela Fé de sempre. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 808
Por Dom Williamson Número DCCCVIII (808) – 7 de janeiro de 2022 NAÇÕES, TOMEM CUIDADO! Ó pequeno rebanho, diz Deus, não tenhas medo, Pois Ele mesmo te fez tão pequeno. A coleção de 150 salmos do Antigo Testamento tem, como o resto da Bíblia, Deus Todo-Poderoso como seu autor principal, enquanto os vários seres humanos que Ele inspirou para compô-los, especialmente o rei Davi, são meramente os autores instrumentais dos Salmos. Pelos horrores da guerra de trincheiras na Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha enviou cada um de seus soldados para a guerra com um exemplar do Novo Testamento e dos Salmos no bolso. Para os horrores ameaçadores da Terceira Guerra Mundial, os leitores destes “Comentários” farão bem em familiarizar-se com o manual próprio de oração de Deus: os Salmos. Eles não estão de maneira nenhuma desatualizados. Aqui, por exemplo, está o Salmo 2, que vai direto ao ponto da Terceira Guerra Mundial: é melhor as nações prestarem atenção a Deus Todo-Poderoso e Seu Filho unigênito, o Messias, Nosso Senhor Jesus Cristo, porque Deus existe, Ele reduz ao ridículo seus esforços tolos para desafiá-Lo e expulsar Seu Filho de Seu mundo; e as nações pagarão por isso se não caírem logo em si. O Salmo tem quatro partes, com o título que se segue. I As nações conspiram em vão contra Deus e Jesus Cristo 1 Por que as nações conspiram e os povos tramam em vão? 2 Os reis da terra se levantam, e os governantes juntos conspiram contra o Senhor e o seu Ungido, dizendo: 3 “Rompamos as suas ataduras e sacudamos de nós as suas cordas”. A partir de 1717, a maçonaria foi criada pelos inimigos de Deus essencialmente para destruir a Igreja Católica. Com seu lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, infectou tão eficazmente as mentes dos homens com o humanismo ateu, que em 2023 poucos homens modernos ainda podem imaginar que virar as costas para Deus é o seu grande problema. A grande maioria terá que aprender isso sofrendo. II Toda conspiração desse tipo está fadada ao fracasso e ao castigo 4 Aquele que está sentado nos céus ri; o SENHOR os reduz ao ridículo. 5 Então Ele lhes falará na Sua cólera, e os aterrorizará em seu furor, dizendo: 6 “Estabeleci o meu rei em Sião, o meu santo monte”. O homem moderno, não tendo ideia de Deus, não tem ideia de quão ridículo diante de Deus é toda a sua postura e o seu belicismo. Mas é melhor o homem moderno tomar cuidado, porque se ele continuar irritando Deus, a Terceira Guerra Mundial será devastadora. A solução de Deus é o “monte santo” de “Sião”, ou seja, a Jerusalém do Antigo Testamento, representando aqui o “monte santo” do Novo Testamento, ou seja, a Igreja Católica. III O Decreto divino, pelo qual Jesus Cristo é Rei dos reis e Senhor de todas as nações 7 Contarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: “Tu és meu Filho, hoje te gerei. 8 Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e dos confins da terra a tua possessão. 9 Com vara de ferro as quebrarás e as despedaçarás como a um vaso de oleiro. O Pai divino gera desde a eternidade o Filho divino, e uma vez que o Filho divino se encarna na história humana, basta pedir, e o Pai lhe dará “todo o poder no céu e na terra” (Mt. XXVIII, 18). O poder é tal que, se os pecados dos homens o tornarem necessário, não apenas a Ucrânia, mas todas as nações do mundo poderiam ser despedaçadas. IV Conclusão prática: nações, comportem-se; bem-aventurados os piedosos 10 Agora, pois, ó reis, sede prudentes; estejais prevenidos, ó governantes da terra. 11 Servis ao Senhor com temor, e regozijai-vos com Ele com tremor. 12 Abraçai a disciplina, para que o Senhor não se ire, e pereçais no caminho justo, pois Sua ira se acende rapidamente. 13 Bem-aventurados todos os que n’Ele se refugiam. O temor de Deus é o princípio da sabedoria. O desprezo de Deus por parte do homem moderno pode ter consequências terríveis. Mas as almas que temem a Deus não têm nada que temer, nem mesmo em 2023. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 810
Por Dom Williamson Número DCCCX (810) – 21 de janeiro de 2022 SACERDÓCIO APRECIADO – I Pobres modernos, com seus intermináveis psi-, psi-, psi-! Eles estão certos que a alma, ou “psique”, é uma mentira! Aqui está outro testemunho fascinante de um jovem moderno, que mostra como o mundo de hoje está desesperado para preencher o vazio deixado pela rejeição a Deus Todo-Poderoso e Seu divino Filho, Jesus Cristo, e Sua Igreja Católica. Estudando “Psicologia” na universidade, ele recebeu uma grande graça de conversão pela qual passou a ver que tudo o que um “psicoterapeuta” pode fazer, um padre pode fazer melhor – onde há a Fé. Leia: Dediquei cinco anos ao estudo da psicologia em uma universidade moderna. Tenho apenas 23 anos, então esses cinco anos foram uma boa parte da minha vida. Eu estava me convertendo durante a universidade, ao mesmo tempo que cheguei a convencer-me dos Preambula Fidei (razões que levam à fé), e dei meus primeiros passos em direção ao catolicismo. Então, na metade dos meus estudos universitários, eu já era católico, mas ainda não havia me dado conta do problema da Neoigreja. No entanto, quando saí da universidade, percebi que a Neoigreja representava uma nova religião, e rompi com ela. Ao desenvolver-me na instrução religiosa e na filosofia tomista, percebi que o que chamam Psicologia não é Psicologia, mas um conjunto de disciplinas que servem à chamada “Psicoterapia”. Entre essas disciplinas certamente está a Psicologia, mas a disciplina principal é na verdade a Ética. O que um psicólogo faz, mesmo que conheça a pequena parte útil da ciência moderna, é antes Ética, e é a mesma coisa que os padres de antigamente faziam, utilizando a Ética teológica, que é exatamente uma parte, embora não a principal, da direção espiritual. Percebi, depois que comecei a cuidar de pacientes, que os transtornos mentais sempre se resumem a um problema ético ou religioso, a vícios capitais, e sua cura sempre depende da virtude, mesmo que os vícios de alguns pacientes tenham vindo de sua condição corporal, de alguma doença fisiológica ou psiquiátrica, etc. Então, depois disso, vi que levar meus pacientes à cura sempre exigia dizer coisas que deveriam ser ditas por um padre na direção espiritual. Procuro não dar ordens como as que um padre poderia dar na direção espiritual, e sempre proponho as coisas como sugestão. Na verdade, quanto menos fé um paciente tem para recorrer a um padre, mais eu “tomo as rédeas”; e quanto mais fé um paciente tem para confiar em um padre, mais eu lhe digo que recorra em última instância a um padre, sobretudo quando esse paciente precisa de algum conselho prático. Mas não tenho certeza se essa profissão, que é moderna, deveria existir ou ser exercida por leigos. Posso ter tido, apesar das minhas fragilidades pessoais, alguns bons resultados, sempre olhando as coisas pelo ângulo da Ética de Santo Tomás, mas às vezes tenho que fazer ou falar coisas que deveriam antes ter sido feitas ou ditas por um padre. É verdade que o número de padres é muito reduzido, e a direção espiritual hoje em dia é algo que só se consegue com muita sorte, porque os padres tradicionais têm multidões para atender. É verdade que às vezes posso ver as coisas de um ângulo diferente que o padre nem sempre pode ver, mas a realidade é que não tenho nem a graça de estado nem as prerrogativas de um padre. Sei que em 1953 e em 1958, Pio XII falou aos Psicólogos e Psicoterapeutas, e nessas alocuções aprovou implicitamente a profissão. Mas especialmente na alocução de 1958, o Papa parece partir de algumas premissas erradas. Ele mostra uma certa incompreensão do que é ciência, confundindo-a com a ciência moderna, e também uma certa ingenuidade em relação à psicologia moderna. Então eu me pergunto se a aprovação dele é realmente justificada. Pra resumir, um leigo pode ser um psicoterapeuta? E quais seriam suas prerrogativas, responsabilidades e limites? (Fim do testemunho.) Resposta: qualquer “psicoterapeuta” que ainda possua algum bom senso e amor pós-cristão ao próximo pode fazer o bem às almas aflitas, mas o bem se fará muito mais por sua caridade e bom senso do que por quaisquer palavrórios pseudocientíficos. Ele tem as prerrogativas, as responsabilidades e os limites de qualquer homem para com seus semelhantes. Mas que não finja ser nenhum tipo de padre ou “cientista” no verdadeiro sentido dessas palavras, pois só estará sendo um pseudocientista e um substituto ímpio de um padre piedoso. Kyrie eleison.
- Cristianismo e Macumba
Por Gustavo Corção publicado n’O Globo em 09-06-1973 A REVISTA "Manchete", em dois números sucessivos, parece empenhada em desmoralizar o monaquismo cristão, que sempre foi a fina flor do cristianismo, e seu mais sólido reduto em todos os grandes momentos da história. No primeiro número (1102), com esplêndida apresentação gráfica, o religioso escolhido para tal mister foi D. Timóteo Amoroso Anastácio, monge beneditino, abade da Arquidiocese de Salvador, e abade assistente do Abade Presidente da Congregação Beneditina do Brasil. Ora, foi esse ilustre personagem que a revista "Manchete" escolheu para dialogar com D. Olga do Atakelu, "uma das figuras mais importantes do Candomblé". E o autor da sensacional reportagem nos dá esta informação suplementar: "Eles se conheceram há oito anos no terreiro de Alaketu... durante uma festa em louvor dos orixás", por onde se vê que é pós-conciliar a devoção de D. Timóteo pelo candomblé. A ENTREVISTA tem forma de conversação, onde D. Olga diz o que pensa e o que sabe dentro de seu mundo de crenças, ideias e valores, e onde D. Timóteo dá um espetáculo de bobice, agachando-se para ser ecuménico, compreensível, moderno, massificado e achatado. QUEM conheceu D. Timóteo moço, sério, piedoso, vê com tristeza, com pena, o pobre títere estampado pela revista "Manchete", ao lado da Mãe-de-Santo, a exalar bobice. D. Timóteo nunca foi muito inteligente, mas quando vivia cercado e amparado pela Igreja, tinha a sabedoria que vem da seriedade e do senso comum, e que a verdadeira Fé vivifica, mas agora que se deixou devorar, ou que passou a ser membro do Corpo Místico do Monstrengo, já não consegue esconder, na fisionomia e nas palavras, aquela bobice que dá pena. NÃO podemos, todavia, limitar nossas apreciações e sentimentos entre as linhas demarcadoras do que foi e do que hoje é D. Timóteo Amoroso Anastácio. QUEM sabe alguma coisa do que significa o confronto da Igreja de Cristo com os cultos idolátricos, quem ainda se lembra que foi para bem demarcar esse infinito contraste que os mártires deram seu sangue, não pode ver a estampa da "Manchete" sem vertigem de dor e de cólera. Porque, se em todos os cultos e religiões há complacências de Deus e matéria para todas as obscenas benevolências humanas, então, então, então..., não apenas o sangue dos mártires, mas também e principalmente o preciosíssimo Sangue que até o fim do mundo será sacramentalmente derramado no Santo Sacrifício do Altar e que uma vez — quando Jesus experimentou em sua natureza humana potencializada ao infinito pela união com a natureza divina — foi derramado cruentamente para nossa salvação, foi em vão sofrido, em vão derramado. Sim, se todos os cultos e religiões se equivalem e comportam amáveis confrontos, então não houve salvação, é vã a nossa Fé, e nós somos as mais desgraçadas criaturas porque sonhamos com um castelo de ouro, fogo e sangue onde face a face veríamos o Pai e agora acordamos numa paisagem lunar de infinita desolação. SIM, D. Timóteo, os mártires enfrentaram as mais horríveis mortes para testemunhar a transcendência, a distância sem medida que separa o cristianismo das falsas religiões e das superstições idolátricas; e por isso ouso dizer, sem nenhum prazer, que sua entrevista estampada em "Manchete" é o reverso do cristianismo, é o antimartírio. E para agravar essa impiedade não posso deixar sem nenhum reparo a hipocrisia suplementar de que se reveste, ou de que se veste. Refiro-me ao hábito de resplandescente brancura com que D. Timóteo foi ao encontro da mãe-de-santo quando é público e notório que muitos monges beneditinos de Salvador, senhores do Oficio Divino, procuram suas estalas no coro vestidos de blusão e calça. Guardo ainda na memória o preceito deixado pelo próprio São Bento: nihil operi Dei praeponatur. Nada tenha primazia sobre o Ofício Divino. Ora, a entrevista publicada em "Manchete" parece indicar, ou me engano?, que no espírito de D. Timóteo a "Manchete" e a Mãe-de-Santo prevaleceram sobre o Ofício Divino. Digo prudentemente "parece" e prudentemente pergunto "ou me engano" porque é realmente difícil saber o que pensam, se pensam, os ex-religiosos hoje devorados pelo Monstrengo. E forçoso é convir que o sorriso de D. Timóteo que tenho diante dos olhos na página 93 de "Manchete" parece simplesmente indicar que seu dono não pensa em nada. É ecumênico, bóia na onda, deixa-se fotografar e sorri. * * * NO NÚMERO seguinte da mesma revista, o religioso escolhido para desmoralizar o monaquismo foi Frei Raimundo Cintra, dominicano. No preâmbulo da reportagem a revista explica que esses fenômenos decorrem do Concílio Vaticano II que "colocou o problema religioso em termos de um universalismo que implica uma profunda tolerância face aos credos mais diferentes"... E apresenta o frade e o umbandista irmanados nessa "tolerância". * * * NÃO vou aqui repetir o que já disse de D. Timóteo e que se aplica a Frei Raimundo com ligeiros retoques. D. Timóteo pertencia à Ordem religiosa fundada há mais de 14 séculos por São Bento, que é, com toda justiça, apontado como o PAI, não apenas da forte raça dos cenobitas, mas também, na abundância de seus dons, de toda a Civilização cristã ocidental. Frei Raimundo Cintra pertencia à Ordem fundada por São Domingos de Gusmão para a pregação e combate às heresias. Essa Ordem deu ao mundo alguns de seus mais gloriosos santos: Santo Tomás de Aquino, doutor comum da Igreja, Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja e padroeira da Itália, Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina. Frei Raimundo Cintra, agora membro do Corpo Místico do Monstrengo, nos informa que já conhecia o Dr. Cavalcanti, o umbandista, desde 1967, "quando eu o convidei, em nome do diretor do Instituto Nacional Pastoral, a realizar palestras sobre a matéria de sua especialidade". NÃO tendo eu conseguido, no confronto das duas entrevistas, decidir qual é a menos tola, deixo a leitores mais pacientes esse trabalho. O que é inegável é que ambos se inserem numa nova tolerância que já não é católica porque, a rigor, não é nada. É ESCUSADO acrescentar que as autoridades eclesiásticas não censuram Dom Timóteo nem Frei Raimundo. Só censuram quem os censurar.
- Comentários Eleison nº 819
Por Dom Williamson Número DCCCXIX (819) – 25 de março de 2023 PANORAMA GERAL Deus diz aos homens perversos: “Esta é a vossa hora, Mas somente Eu dou permissão ao vosso poder trevoso” (cf. Lc. XXII, 53). Para todos os leitores que tenham acesso à Internet e que queiram manter a mente livre do monte de mentiras que compõem a narrativa oficial sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, há, ainda acessíveis no Youtube, pelo menos quatro notáveis narradores da verdade que, pelo menos até agora, provaram ser repórteres em quem se pode confiar para saber o que realmente está acontecendo na infeliz Ucrânia. São eles: três americanos, o coronel Douglas MacGregor, Scott Ritter e Gonzalo Lira; e uma equipe de dois gregos que atendem pelo nome de The Duran, Alex Cristoforou e Alexander Mercouris, que mora em Londres. Em youtu.be/021JkYHJy1Y se pode encontrar os Duran em uma conversa fascinante datada de pouco antes do Natal do ano passado, mas não desatualizada, sobre todo o pano de fundo da guerra. Segue abaixo um resumo da conversa. O objetivo do Ocidente na Ucrânia é destruir a Rússia. O objetivo do fornecimento de mísseis de longo alcance e drones pela OTAN não é fazer com que a Ucrânia alcance uma vitória militar, mas criar o caos e semear mal-estar e divisão na Rússia. A crise na Ucrânia foi arquitetada pelo Ocidente com a pretensão de fomentar uma revolução colorida na Rússia e uma mudança de regime. As sanções desequilibrariam a liderança russa, e o povo russo se levantaria e derrubaria Putin, enquanto a economia entraria em colapso. No entanto, aconteceu o contrário. A economia russa está estável, a popularidade de Putin continua alta e a Rússia agora está embarcando em um grande reforço militar para esmagar a Ucrânia. A ex-chanceler alemã Angela Merkel admitiu recentemente que o acordo de Minsk (assinado por Rússia e Ucrânia em 2014) serviu apenas para que o Ocidente ganhasse tempo para rearmar a Ucrânia. A Rússia determinou que o confronto direto com o Ocidente é agora inevitável. Ou a OTAN se dissolve e a UE se desfaz, ou haverá um conflito. A OTAN continuará a expandir-se em direção à Rússia ou há de encarar a realidade? No entanto, os neoconservadores de Washington estão levando o Ocidente para uma armadilha. Estão fazendo de tudo para arrastar a guerra até o último ucraniano. Estão pedindo “o que for necessário”, incluindo soldados dos EUA no solo, como o caminho para uma vitória ucraniana (essa exigência já foi feita em Londres pelo jornalista do Guardian, Simon Tisdall). O posicionamento das tropas americanas na Ucrânia significarão a 3ª Guerra Mundial. O Pentágono resistirá à estratégia neoconservadora? Possivelmente, mas se a guerra vai se prolongar é algo que pode depender de quem estiver no poder nos EUA. O principal obstáculo para os neoconservadores não é a Rússia, mas a China. A China tem uma economia muito maior do que a Rússia, com um exército muito maior. A estratégia neoconservadora é que os EUA entrem com força e rapidez na Ucrânia, eliminem a Rússia com a mudança de regime, e então tenham um caminho livre para a guerra com a China. É uma aposta temerária do tipo “o vencedor leva tudo”. Estamos chegando ao ato final da obra. A sabotagem deliberada dos gasodutos Nord Stream demonstra até onde os neoconservadores estão dispostos a chegar. Se são capazes de explodir um gasoduto, onde irão parar? A grande vantagem desta apresentação da guerra na Ucrânia é que ela dá a resposta mais convincente para questões bastante sérias: por que esta guerra, tão prejudicial para tantas nações, está sendo travada? Quem está por trás dela, e qual é a sua motivação? Para castigar os gentios apóstatas em todo o mundo, Deus está usando como seu flagelo uma raça de homens (“neoconservadores”) em seu esforço para alcançar aquela tirania sobre o mundo que eles acreditam ser seu por direito. Eles estão causando danos inimagináveis, mas nunca poderão ir além do que Ele permite, e nada menos que isto mudará os caminhos dos homens. Kyrie eleison.
- Reflexões sobre a afetividade grupal
Por Gustavo Corção publicado n’O Globo em 10-05-1973 ESTOU aqui entre dois extremos. De um lado é antigo como o mundo o gosto que têm os amigos de estarem juntos, em torno da lareira ou do ar condicionado, a falar de qualquer coisa e de tudo, e a sentir que todas as coisas do mundo as estrelas, os infusórios, o acontecimento do mês ou do dia, servem de barraca para o efêmero mas gostoso acampamento da amizade. O Livro Sagrado não deixou de registrar esse dado da humana condição: “Ecce quam bonum et quam jucundum, habitare fratres in unum!”. NO EXTREMO oposto está o fenômeno moderno e falsificado das comunidades de grupos onde é o grupo que produz a amizade quimicamente adoçada ou apimentada, e não a amizade que faz o grupo. Como sabemos, o mundo moderno, principalmente nas monstruosas cidades, apresenta alarmante densidade demográfica de solidões. Não sendo bom que o homem esteja só, ainda que o cerquem as árvores odoríferas de uma paraíso, e não mais sabendo como fazer amigo, o pobre homem moderno cai facilmente no visgo ou no mel dos grupos que lhe oferecem um calor de afetividade que até os animais apreciam. E quando esse grupo não parece exigir as obrigações, os compromissos, os princípios, as regras que cansam e confrangem, então a pobre alma sozinha põe-se em estado de férias e deleita-se com o xarope de afetividade servido pelo grupo. Mas a natureza das coisas tem muita força: na continuação do artifício o pobre isolado que caiu num grupo começa a colar-se, a sentir-se comprometido com vínculos de uma real amizade que logo implica solidariedade e obrigações. E se ele não tem fora do grupo compromissos fortes de doutrina e de vida, ele irá onde o levar o grupo. Faltando-lhe certa resistência de caráter, hoje rara, o pobre grupalizado irá até onde ninguém antes imaginara que ele fosse capaz de ir. SE ESSE grupo, por sua vez, é tão disponível como seus solitários membros acontecerá o mesmo com ele. Poderá começar vagamente cristão, vagamente civilizado, sem sólida doutrina e vigorosos princípios, e lentamente transforma-se em qualquer coisa se dois ou três líderes de qualquer coisa se apoderarem das alavancas. Não há nada mais perigoso, hoje, do que essa vaga e superficial afetividade de grupos católicos de frouxa doutrina e moles princípios. As pessoas têm a sincera impressão de que aquele tépido convívio lhe faz bem. Recomendam-no. Defendem-no se alguém se queixa da frouxidão da doutrina e da moleza dos princípios. A Revolução Mundial, flagelo pior do que todas as guerras mundiais, tem lançado no mundo grupos assim, ou tem aproveitado o que outros, com as melhores intenções, fundaram. O Comando Central da Revolução, que tem mais coerência e eficácia do que a hierarquia da Igreja, já deu suas ordens: “todos às comunidades de base”. E LOGO se observa o fenômeno de coagulação da pobre humanidade atordoada. É preciso vigiar. É preciso desconfiar muito das comunidades que logo produzem um gás de “fraternidade cristã” sem nenhum zelo pelos Mandamentos do Pai, sem nenhum amor intransigente pelas doutrinas do Filho, e sem nenhum discernimento do verdadeiro Amor do Espírito Santo. Em algumas dessas comunidades inebriadas da chamada “fraternidade cristã” que começa pela “morte do Pai”, e pela igualdade democrática que nada tem de cristã, observaram-se rapidíssimas transformações que as levam ao terrorismo ou às bacanais. Há casos em que a decência se mantém longo tempo. Esses são escolhidos para desmentir quem denuncia aqueles. E assim que congregam a tolice e a esperteza humana para a liquidação de todos os valores. Parece-me fulgurantemente óbvio que os Cursilhos de Cristandad se enquandram bem nesta espécie de fenômeno que acabo de descrever. *** MAS TALVEZ seja melhor contar uma história. A do Fagundes, que começa na sexta-feira em que encontrou o Honorato. Ah! Que tempo! Quantos anos? Você quantos filhos tem? Netos ainda não... Não, o Honorato ainda não tinha netos. Fagundes com sentimento de superioridade ostentou o retrato de dois: um casalzinho. Mas Fagundes esconde o tédio de sua vida de juiz, homem estimado, casado com uma santa senhora. Honorato agrediu: _ O que fazes? - Eu saio de casa todos os dias... você sabe que sou juiz..., respondeu timidamente Fagundes. - NÃO é isto que pergunto. Pergunto o que fazes pelo mundo. Fagundes baixou a cabeça e confessou que não fazia nada pelo mundo. Honorato passou-lhe o braço pelo ombro, valendo-se de sua maior estatura, e com voz cálida lembrou os tempos de colégio e acabou gabando-se do grupo que reunia em casa às quartas-feiras, aos “mercredis” para discutirem problemas da atualidade. Apareça, apareça. Você vai gostar do papo, e dos salgadinhos da patroa. Papo excelente. Temos o Ruy Gonçalves, o Tancredo da Petrobrás, o Sales Freire. Fagundes vergava sob a cruz de sua ignorância. - Precisa desentocar, homem! O mundo precisa de gente lúcida como você. Precisa aparecer. CHEGANDO em casa Fagundes contou o encontro e lançou com fingido desprendimento a ideia dos “mercredis”. Dois dias depois parava seu Opala no meio-fio do apartamento onde no 5ºandar cintilavam as ideias, e serviam-se salgadinhos ingeridos da trama dos problemas do mundo moderno. Foi recebido com ruidosa simpatia e confusa e profusamente apresentado. E logo a discussão que interrompera retomou seu calor. Falava-se do Vietnam, das dissidências sino-soviéticas, da queda do dólar, do Chile e da política do Vaticano. Honorato tinha ideias nítidas, claras, fortes, mas não encontrava acolhimento pacífico de um indivíduo com cara de gato que balançava a caça parecendo duvidar de tudo, exceto da ideia secreta, sua, que parecia querer guardar para o momento decisivo. - Eu quero o estouro! - Eu também, eu também – uivou Honorato – mas, não assim sem planos, sem preparações. Eu estou com o Fagundes, que ainda ontem me dizia: “Tudo tem sua hora”. Todos olharam para o Fagundes, que cruzou a perna e acendeu o cigarro com confiança em si. Não se lembrava precisamente do contexto em que lançara aquela frase feliz. O caso é que agora os dois combatentes de vez em quando se voltavam para o Fagundes... Voltando-se meia-noite e trinta para casa, depois de um silencia feliz, Fagundes abriu-se: - Bom papão! Excelente papo! *** ABREVIANDO, direi que Fagundes tornou-se assíduo aos “mercredis” de Honorato. No mês seguinte já se sentia iniciado num grupo para um mundo melhor. Em três meses engolia colherinhas de doutrina. E seis meses depois, para estupor da família, de Vara, e de todos os seus conhecidos, Fagundes estava preso por participação indireta num ato de terrorismo praticado para a edificação de um mundo melhor.




