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  • A necessidade de explicar tudo

    A necessidade de explicar tudo Gustavo Corção Nas primeiras linhas da entrevista ao Figaro, por Dom Marcel Lefebvre, publicada quinta-feira última nestas colunas, lemos aflitos que Dom Lefebvre acha necessário explicar que a Igreja de Cristo é uma realidade sobrenatural, uma sociedade mística. Porque me afligi? Por ver que no meio do tormentoso processo criado em torno do Bispo que só deseja continuar o que sempre fez na Igreja, o entrevistado tem de começar pelos mais elementares ensinamentos de catecismo. Pensei em Machado de Assis – cuja crítica do Primo Basílio se agigantava num planisfério de mediocridade – a exclamar com indiscreta impaciência: «Arre! é preciso explicar tudo!» O torturado bispo francês, sem nenhum sinal de impaciência, também tem necessidade de explicar tudo. A quem? Ao povo da fille ainé de l’Eglise ou àqueles mesmos que o acusam de desobediência e de indisciplina cismática? A verdade é que, em todo o alarido e mesmo nas declarações mais ou menos oficiais que a insólita suspensão a divinis provocou, o termo Igreja, por uma brutal sinédoque, designa a parte visível da Igreja terrestre, e essa mesma despojada de seu belo título tridentino de Igreja Militante. Parece que todo o mundo hoje sabe o que é suspensão, sabe até de ciência recente o que quer dizer a divinis, mas pouquíssima gente católica sabe o que quer dizer Igreja. Daí a trágica, a apavorante necessidade de explicar tudo a começar pelo: «És cristão? – Sim, pela graça de Deus sou cristão». Aqui intercalo uma lembrança pessoal recente e não menos dolorosa. Conversando com um amigo religioso que bondosamente defendia um eminente prelado, atalhei com impaciência: – Mas meu caro, ele não sabe rudimentos de catecismo! Meu amigo riu-se, para não chorar, e gemeu: – Você já encontrou muitos bispos ou arcebispos que conheçam rudimentos de catecismo? Caberia aqui, depois desse melancólico desabafo, abrir uma larga digressão sobre o conteúdo do Concílio e principalmente sobre a direção geral que lhe imprimiram. Mas voltemos à mutilação do conceito de Igreja, que está explícita ou implícita em tudo o que se imprime em torno da insólita suspensão de um dos raros bispos católicos (descontado o amargo exagero de meu amigo) que sabe com especial e amorosa penetração o que é Igreja. E já que a oportunidade se oferece, esbocemos nós um resumo da doutrina que restitui à Esposa de Cristo todas as suas dimensões místicas. Instituída em sua estrutura hierárquica por Nosso Senhor, sobre a pedra de Pedro, e depois nascida do lado aberto de Jesus adormecido na Cruz, a Igreja na terra começa sua peregrinação entre as aflições dos homens e as consolações de Deus. E à medida que se salvam as almas que voltam guiadas por Jesus à casa do Pai, cresce a Igreja do Céu que, dentro da comunhão dos santos, mantém duas relações vitais com a Igreja na terra; uma vertical que traz aos vivos deste mundo envelhecido e atormentado a ajuda e o exemplo dos supervivos que já ouviram dizer: «Eis que faço tudo novo» (Ap.21) e já receberam a palma da vitória; a outra relação é a linha horizontal do encontro marcado em que Jesus volta para julgar os vivos e mortos. O primeiro esquecimento e a conseqüente mutilação praticada no Concílio foi a do caráter Militante da Igreja da terra, sempre em guerra com seus cruéis inimigos, desde os ensinamentos de Jesus e especialmente de São Paulo Apóstolo até o Concílio de Trento. A tentativa vã e ímpia de transformar a Igreja Militante numa Igreja alargada, conciliatória, pacificadora, tolerante é oficialmente proclamada no discurso de encerramento do Concílio, e cada dia lembrada e posta em prática na Igreja pós-conciliar. No Brasil, entre milhares de exemplos temos o recente festival maçônico em Salvador, e o lirismo marxista do Bispo Dom Pedro Casaldáliga. Eis aí um dos frutos da chamada Igreja pós-conciliar. Se a Igreja católica se reduz à Igreja da Terra desligada dos compromissos tradicionais, isto é, da custódia do depósito sagrado e da salvação das almas; se se admite o conúbio da Religião de Um Deus que se fez homem com uma religião do homem que se fez Deus, então entende-se que o Chefe Supremo dessa organização tenha autoridade humana e poder de exigir que Dom Lefebvre, para permanecer ligado a essa instituição, ao seu regimento, deva aceitar todas as reformas do Concílio sem nenhuma veleidade de apelo para instância mais alta. Se porém ainda cremos que a Igreja Católica, na Terra e no Céu, é anterior e superior às novidades trazidas para acomodar a Igreja da terra à mentalidade contemporânea, então é forçoso convir que seria mais razoável que a hierarquia que agora governa a Igreja da terra mais se empenhasse em buscar na Igreja do Céu sinais de agrado e de apoio das reformas conciliares, do que buscar na própria terra, no próprio mundo neutro ou inimigo, os critérios para julgar o valor de tais frutos. Tantos são os sinais mais ou menos graves da ruptura da tradição, que sem hesitação podemos dizer – com o que aprendemos no regaço da Igreja onde queremos viver e morrer – que o rumoroso caso de Dom Lefebvre ultrapassa de muito a dimensão de uma questão disciplinar: o que esta em jogo é o valor que damos ao Sangue de nosso Salvador. Ou pela Fé nele nutrida damos o testemunho de nosso próprio sangue; ou então, proclame-se aos quatro ventos que o problema se reduz a uma estrita e humana disciplina sem possibilidade de recursos à instância mais alta, para a paz de consciência e até sem possibilidade de defesa. Independentemente do caso de Dom Lefebvre, o esquecimento das verdadeiras dimensões sobrenaturais da Igreja, reduzida a uma sociedade multinacional associada ao Comunismo e à Maçonaria, e totalmente absorvida nos negócios deste mundo, envolve uma tenebrosa impostura porque, com o pretexto de melhor servir o homem, priva os infelizes habitantes deste mundo depravado, da última esperança a que todos se apegam. Ao homem não se pode propor somente o humano. Escondam-lhe a Casa Dourada que justos e pecadores, nos caminhos da vida têm como a estrela dos magos; tirem-lhe a devoção dos santos do Céu, eles se acotovelarão nos terreiros espíritas. Tirem-lhe os santos anjos, eles procurarão os demônios. E as almas se perdem diante dos Pastores mais inventivos do que o Senhor Jesus que por vezo do ofício quis nos salvar num tosco madeiro com seu Preciosíssimo Sangue. Non dico più. Permanete nella santa e dolce dilezione di Dio. Gesù dolce. Gesù amore. #GustavoCorção

  • Nosso Colégio São Bento e Santa Escolástica

    Nosso Colégio São Bento e Santa Escolástica Nosso Colégio São Bento e Santa Escolástica é dirigido pelas irmãs Rosarianas, cujo trabalho tem dado frutos de qualidade, embora o número de alunos seja ainda bastante pequeno. Tres professoras, uma das quais é uma irmá, asseguram as aulas. Duas irmãs se ocupam, uma da direção e outra do secretariado. A Escola Católica é uma das instituições mais importantes na restauração da sociedade católica. Ajude-nos a ajudar a formar verdadeiros membros da Santa Igreja e futuros companheiros dos anjos na vida eterna. Com grande generosidade as Irmãs do Instituto Nossa Senhora do Rosário fundado pelo Rev. Pe. Fernando Conceição Lopes, vieram se ocupar de nosso Colégio São Bento e Santa Escolástica. A Kombi da escola já foi comprada e abençoada. As crianças, as professoras, as irmãs e os monges agradecem a todos os que nos ajudaram a comprá-la e lhe asseguram de suas orações. Ajuda para a escola Banco: Itaú Conta: 47957-8 Agência: 0222 CNPJ 30.171.417/000188 #Irmãsrosarianas

  • Boletim da Santa Cruz Nº 46

    BOLETIM DA SANTA CRUZ Nº 46 NOVEMBRO DE 2011 Caríssimos amigos e benfeitores, Muito obrigado! Nosso carro está comprado. É o presente de Natal que recebemos com profunda gratidão de suas mãos generosas. É um Fiat, modelo UNO, o novo modelo, cor preta, básico, que nos custou R$ 25.500,00, comprado na promoção da autorizada aqui de Friburgo. Mas se este presente alegrou o nosso Natal, Nosso Senhor nos alegrou mais ainda com um novo presente. As irmãs do Pe. Fernando Conceição Lopes, fundador do Instituto Nossa Senhora do Santo Rosário, vieram se instalar nas terras do mosteiro para se ocupar de nossa escola, São Bento e Santa Escolástica. Assim as nossas crianças terão uma formação para poder enfrentar este mundo, inimigo de Deus e corruptor da infância e da juventude. Nós confiamos essas corajosas irmãs à sua generosidade, pedindo-lhes uma pequena ajuda para que possamos fazer os trabalhos necessários para que elas tenham o necessário para trabalharem na escola, a qual necessita de reformas cujo custo se eleva a cerca de R$ 30.000,00. A todos nossos votos de uma santa festa de Natal, na serenidade do estábulo de Belém e longe do espírito do Mundo que desconhece e persegue o Verbo Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo, filho de Maria Santíssima, razão de toda nossa esperança. 22 de novembro de 2011 festa de Santa Cecília Dom Prior. CRÔNICA 10 de novembro Enterro de Dona Aparecida de Araújo Carvalho, mãe de nosso Dom Antônio Maria. Toda a comunidade se transportou a Niterói para a cerimônia. 12 de novembro Chegada do Rev. Pe. Alain Marc Nély, Segundo Assistente de Dom Fellay, que vem nos visitar e se entreter com cada um dos irmãos. Sua visita fez grande bem à nossa comunidade e permitiu ao Rev. Pe. Alain de melhor nos conhecer. 16 de novembro Partida do Rev. Pe. Alain Marc. 20 de novembro Partida de Dom Antônio Maria e de Irmão André para Anápolis. Eles vão ajudar ao Pe. Fernando Conceição Lopes na cerimônia de bênção de sua nova igreja, do Instituto Nossa Senhora do Rosário. 23 de novembro A bênção da igreja é feita por Dom Alfonso de Galarreta. Estão presentes também o Rev. Pe. Rodolfo Eccard Vieira, da Fraternidade São Pio X, o Rev. Pe. Jahir Britto de Souza e o Irmão Lourenço, da Familia Beatae Mariae Virginis. 24 de novembro Sua Excelência Reverendíssima, Dom Alfonso de Galarreta, conferiu o sacramento da crisma a 35 crianças e adultos na Igreja do Pe. Fernando Conceição Lopes. Partida de Dom Prior para pregar o retiro de cinco irmãs do Instituto Nossa Senhora do Rosário, em preparação para os votos no dia da Imaculada Conceição. Nossos melhores votos de Natal e Ano Novo Desde onde nasce o sol Até os últimos confins da terra, Cantemos a Cristo Rei, Nascido da Virgem Maria. O Criador do mundo Revestiu-se de um corpo humano, A fim de que, salvando nossos corpos através de Seu Corpo, Suas criaturas não perecessem. Do hino de Laudes de Natal #Boletins

  • Considerando

    CONSIDERANDO 1º) Que Dom Lefebvre opôs-se a Dom Gérard quando este tencionava fazer um acordo com as autoridades modernistas de Roma. Acordo este a respeito do qual Dom Gérard dizia que Roma dava tudo e não pedia nada; 2º) Que o mesmo Dom Lefebvre após as sagrações disse que, a partir daquele momento, ele só assinaria um acordo com Roma, se as autoridades romanas subscrevessem diversos documentos da Igreja que condenam os erros atuais; 3º) Que, ainda Dom Lefebvre, arrependeu-se de haver assinado um protocolo de pré-acordo com o Vaticano em vista de obter a permissão para sagrar bispos, pois chegou à conclusão de que as intenções das autoridades romanas não eram boas; 4º) Que, novamente Dom Lefebvre, disse a Bento XVI, na época ainda Cardeal, que eles não podiam se entender e que nós, os tradicionalistas, procuramos cristianizar o mundo e ele, o Cardeal, e os demais progressistas procuram descristianizar o mundo; 5º) Que a Fraternidade São Pedro, que tinha de Roma a faculdade de rezar exclusivamente a Missa tradicional, foi obrigada posteriormente a aceitar que seus membros pudessem rezar também a Nova Missa; 6º) Que Dom Lefebvre disse não convir colocarmo-nos sob a autoridade de alguém que não professa a Fé em sua integridade; 7º) Que em tempo de guerra preocupar-se em seguir as leis positivas[1] pode constituir-se numa imprudência, a qual pode equivaler em certos casos ao suicídio; 8º) Que a experiência mostra que pouquíssimos são os que voltam atrás quando as autoridades romanas não cumprem com suas promessas (como foi o caso da Fraternidade São Pedro); 9º) Que o estado de “reconciliação” com Roma causa um efeito de não considerar mais as autoridades romanas (progressistas) como inimigas a quem se deve combater; 10º) Que Dom Lefebvre disse serem os progressistas comparáveis a uma doença contagiosa, dos quais, portanto, devemos nos afastar, para não acontecer de nos contagiarmos; 11º) Que em todas as partes do orbe os fiéis estão em “estado de necessidade”, o qual lhes dá direito a um sacerdote de doutrina integralmente católica assim como a terem os Sacramentos e a Missa tradicionais. E que os sacerdotes têm o dever de caridade de ir atender a esses fiéis, mesmo sem permissão do Bispo do lugar. JULGAMOS 1º) Que se Dom Lefebvre estivesse vivo, ele se negaria a fazer qualquer acordo com as autoridades romanas, por mais que elas nos oferecessem, e mesmo que não nos pedissem nada em troca, se essas mesmas autoridades não condenassem os erros modernos que se insinuam no seio da Igreja, condenados pelos Papas anteriores; 2º) Que hoje ainda Dom Lefebvre não conseguiria entender-se com Bento XVI, visto que este ainda tem os mesmos pensamentos que quando Cardeal; 3º) Que não podemos confiar nas promessas feitas por homens que desfazem as garantias para a Tradição, garantias essas que eles mesmos deram anteriormente; 4º) Que, assim como Dom Lefebvre o julgou, não devemos colocarmo-nos debaixo da obediência de alguém que não professa a Fé em sua integridade; 5º) Que na terrível guerra em que nos encontramos (entre a Santa Igreja e o modernismo; entre a verdade e o erro; entre a luz e as trevas) procurar a regularização de nossa situação é uma imprudência e um suicídio: é entregarmo-nos ao inimigo; 6º) Que seria de certo modo tentar a Deus colocarmo-nos em uma situação que provavelmente: a) nos conduzirá a cedermos em pontos importantes quando as autoridades romanas progressistas exigirem isso de nós; b) nos fará deixarmos de tratar com certas autoridades como inimigos a serem combatidos; c) fará que nos deixemos “contaminar” com o progressismo; 7º) Que seria um erro restringirmos nosso campo de ação aos lugares que nos designassem as autoridades romanas ou permitissem os Bispos diocesanos e não irmos atender aos fiéis que nos chamam, pelo fato de aí não termos permissão oficial de exercer o ministério sacerdotal, pois isso seria desconsiderar o “estado de necessidade” geral e grave. NO ENTANTO Poderiam objetar-nos que Dom Lefebvre conhecia muito bem tudo o que dissemos e, apesar disso, em diversas ocasiões ele manifestou o desejo de que a situação da Fraternidade fosse regularizada diante das autoridades romanas. RESPONDEMOS Que ainda que isso seja verdade, no entanto, desde maio de 1988 Dom Lefebvre não mais manifestou esse desejo e, pelo contrário, a partir dessa época tomou a posição de que qualquer entendimento com as autoridades romanas deveria ser antecedido por uma profissão de Fé por parte de Roma sobre os grandes documentos anti-liberais do Magistério, como, por exemplo, Pascendi, Quanta Cura, etc.. E ele conservou essa nova posição até a morte. O motivo que o levou a essa mudança foi o fato de ele ter passado a ver claramente que a Roma neo-modernista não tinha a menor intenção de proteger ou de aprovar a Tradição Católica. CONCLUSÃO União jurídica com Roma? Sim, mas na integridade da Fé católica, sem a qual ninguém pode se salvar e na liberdade de cumprirmos nossos deveres para com Deus e o próximo. Arsenius [1] Por exemplo: as leis do trânsito. #Atualidades

  • Boletim da Santa Cruz Nº 47

    BOLETIM DA SANTA CRUZ Nº 47 ABRILDE 2011 Caros amigos e benfeitores, Graças às irmãs do Instituto Nossa Senhora do Rosário nosso colégio foi reaberto com as cinco primeiras séries do primeiro ciclo. Vindas de Anápolis de uma comunidade em pleno crescimento, elas chegaram em Friburgo no dia 21 de dezembro. Sem perder um minuto, elas começaram os preparativos para a reabertura do colégio. Tanto a parte administrativa como as dependências do colégio necessitavam de reparos que só um esforço contínuo e intenso poderiam realizar num prazo tão curto, já que queríamos iniciar as aulas no início de fevereiro. Graças a Deus, os auxílios não faltaram, nem da parte da Inspeção Escolar, nem da parte dos pais de alunos, dos amigos e dos profissionais contratados. Agradecemos especialmente a generosa ajuda dos benfeitores, sem a qual nada poderia ter sido feito. Nosso colégio, por hora, não pode cobrar mensalidade devido aos seus estatutos. Além disso, temos algumas crianças cujos pais não podem arcar com uma contribuição à altura das despesas do colégio. Nossa folha de pagamento embora não seja muito elevada é maior que nossos rendimentos atuais. Agradecemos a todos que puderem nos auxiliar nesta obra com uma pequena contribuição mensal, por pequena que seja. Uma das irmãs exerce a função de diretora, outra de secretária e uma terceira de professora da 5ª série, o que facilita grandemente o funcionamento do colégio. Que os santos padroeiros do Instituto Nossa Senhora do Rosário, São Domingos de Gusmão e Santa Catarina de Sena, obtenham de Deus, juntamente com São Bento e Santa Escolástica, todas as graças necessárias para que este empreendimento dê frutos, trinta, sessenta ou cem por um, como diz o Evangelho. Dom Prior DOUTRINA O conhecimento de Deus, sol da alma O conhecimento de Deus, crescendo em nossa alma, faz crescer a própria alma; este conhecimento a ilumina e a torna fecunda em boas obras. Toda a vida racional procede, como a árvore que sai da semente, de duas noções fundamentais, a noção de causa e a noção de fim. Subir dos efeitos à causa é o próprio da vida intelectual; agir para um fim, é o próprio da vida moral. Ora, Deus é, ao mesmo tempo, a causa suprema da qual tudo procede e o fim último para o qual tudo converge. Desta dupla qualidade de causa e de fim Deus preside, do alto de sua majestade infinita, a todos os atos de nossa vida intelectual e moral. Seu conhecimento é indispensável para o desenvolvimento de nossa alma. 1º – Este conhecimento da causa suprema de todas as coisas que é Deus é o sol de nossa vida intelectual. Quando nós falamos de vida intelectual estamos falando da vida de todos os homens, quaisquer que sejam. Jacinta de Fátima, pequenina que era, tinha bem viva esta vida da inteligência como se pode ver pelas respostas e considerações que ela fazia. Muitas vezes são as pessoas mais simples que demonstram mais sabedoria quando consideram tudo a partir da luz da Fé que ilumina nossas almas. Estas almas têm uma vida intelectual que tem um nome: sabedoria. À medida que nossa razão aprofunda a causa universal de todo ser, ela se dá conta da harmonia do mundo, das leis que regem o universo, das relações entre os diversos seres que o compõem, do encadeamento das causas segundas (ou seja, da ação das criaturas) que concorrem à atividade infinitamente fecunda de Deus. 2º – O conhecimento de Deus como fim de nossas ações é a bússola da vida moral. Deus, como bondade suprema, é o fim (objetivo último) de toda criatura. É para Deus que devem tender todos os atos de nossa vida. É, por comparação com Deus, que nós julgamos do grau de bondade de todas as coisas e portanto da bondade de cada um de nossos atos. Assim não devemos nos espantar se Santo Tomás nos diz: “A primeira coisa que se apresenta à criança quando ela atinge a idade da razão, é de pensar em Deus como sendo o fim supremo ao qual tudo deve ser ordenado” (Iª Iae Q LXXXIX a 3 ad 3um). Que aconteceria então se o homem estivesse numa ignorância absoluta em relação a Deus? Aconteceria que, semelhante aos animais, ele não gozaria nunca de uma vida verdadeiramente e propriamente racional. Pois, o que é o homem agindo como ser racional, senão o homem tomando posse de sua vida e a ordenando a um fim? Ora, como o homem poderia estar em condições de determinar um objetivo à sua existência, se ele ignorasse a Deus, que é o fim[1] de todos os seres? Neste estado, sua consciência permaneceria sem bússola e, apesar de possuir uma noção confusa de bem e de mal, ele não saberia discernir o verdadeiro bem nem o verdadeiro mal. Nos é difícil sondar a profundidade das trevas onde permaneceria uma alma que não conhecesse a Deus, precisamente porque tendo nascido numa sociedade cristã, nós não podemos sequer imaginar o que seria uma sociedade absolutamente sem Deus. Mas lancemos os olhos sobre os povos selvagens cujo extremo grau de degradação nos enche de espanto e horror. Nós podemos constatar aí o obscurecimento da noção de Deus. E entre esses povos esta noção de Deus não desapareceu, mas foi somente alterada, materializada. Estes selvagens têm vagamente a idéia de um Ordenador, um Organizador supremo do qual fala Santo Tomás.[2] Para conceber o que se tornaria o homem absolutamente isolado de toda noção de Deus é necessário descer ainda mais e descer até o nível dos animais. É a faculdade de conhecer e de amar o seu Criador que estabelece a demarcação a mais essencial entre o homem e o animal. O animal imita por instinto as obras da razão, como construir um ninho ou como juntar provisões e dividir as tarefas como se vê entre as formigas. No entanto o animal é radicalmente incapaz de rezar e de adorar. A distinção entre homem e animal já está na razão mas é sobretudo no fato de poder se elevar a Deus pela oração e a adoração que se vê toda a diferença entre os homens e os animais. Ao contrário, quanto mais o conhecimento de Deus cresce e se separa dos erros grosseiros, mais a alma se torna espiritual e mais o homem se eleva e se aproxima dos anjos, mais também a sociedade humana entra em posse da verdadeira civilização e da verdadeira liberdade. Pois não há senão a verdade que nos torna livres, diz Nosso Senhor. Com a pregação do Evangelho, com a difusão da verdadeira Fé se realizou, sobretudo na Europa, nos séculos passados o que havia sido predito pelos profetas: “As feras, diz Isaías, não terão mais o poder de causar danos nem de matar sobre a montanha santa, porque a terra ficará repleta do conhecimento de Deus, como as ondas de um mar transbordante.” (Is. XI, 91). “O homem, diz Jeremias, não terá mais necessidade de ensinar ao seu próximo ou a seu irmão, lhe dizendo: ‘Aprende a conhecer o Senhor.’ Pois todos, diz o Senhor, lhe conhecerão, do menor ao maior” (Jer. XXXI, 34). Já houve tempos em que estas profecias eram uma realidade, ou melhor, em que os homens viveram de uma maneira em que este conhecimento de Deus era presente na vida das nações, como foi, por exemplo, no tempo de São Luiz, rei da França. Hoje, infelizmente, procura-se instituir uma educação em que o conhecimento de Deus está ausente, ou profundamente deformado. Só a Fé nos permite conhecer realmente a Deus, a Fé verdadeira, virtude infusa por Deus em nossas almas. As falsas religiões não nos permitem conhecer a Deus realmente e não conduzem a Ele. Conclusão prática: Devemos refletir a respeito do momento tão solene em que a alma da criança, ao chegar à idade da razão, deve escolher a Deus como seu fim último. Neste momento a criança toma por assim dizer, posse de si mesma, e deve se entregar a Deus. Padres, professores, catequistas, pais e mães devem pelas aulas, conselhos, exortações e exemplos, preparar este momento em que a alma da criança vai se posicionar em relação a Deus. Dá-se, com toda razão, uma importância toda especial à primeira vinda de Jesus Sacramentado no coração da criança. Mas devemos dar também grande importância a este momento em que a alma da criança se voltará para Deus como para seu fim último ou dar às costas para Ele, preferindo a criatura ao Criador. Devemos rezar e ajudar as crianças para que elas entrem na idade da razão através de um ato de amor de Deus! (texto do Rev. Pe. Emmanuel André com pequenos retoques) Crônica 8 de dezembro – Imaculada Conceição Bela cerimônia no Instituto Nossa Senhora do Rosário na qual cinco irmãs fazem seus primeiros votos temporários, três postulantes recebem o véu de noviças e uma irmã renova seus votos. Dois monges de Santa Cruz participam da Cerimônia. 19 de dezembro Missa de sétimo dia em São José dos Campos pelo repouso da alma de Maria Esperança Silva, irmã do Frei Pacífico, Capuchinho de Morgon. 21 de dezembro Chegada das irmãs do Instituto Nossa Senhora do Rosário: Irmã Maria Francisca, Irmã Maria Teresa, Irmã Maria Cecília, Irmã Maria de Lourdes, e as noviças: Irmã Camila, Irmã Isabel e Irmã Cristina. 24 de dezembro Chegada de amigos de Abagé, na Bahia. Grupo de jovens interessados pela Tradição. 27 de dezembro Pré-matrículas para o colégio São Bento e Santa Escolástica. Para começar, duas crianças: Maria Helena e Paulinho. 28 de dezembro Visita de Dona Meire e Suzana de Maringá – PR. 31 de dezembro Os monges renovam seus votos no final de nosso retiro anual. 1º de janeiro Missa cantada com a presença do Prof. João Carlos Rosolini que se ocupa de um coral de meninos em Santa Luzia em Minas Gerais. O Prof. João Carlos fica alguns dias conosco e nos dá excelentes aulas de canto assim como às irmãs do Instituto Nossa Senhora do Rosário. 4 de janeiro Distribuição dos cargos para o ano de graça de 2012. Como resolução de comunidade para este ano: o bom zelo. 8 de janeiro Chegada de hóspedes de Recife, o coronel Jessé e seu filho, Paulo. 12 de janeiro Chegada de Raul de Maringá que se prepara para partir para Avrillé com dois outros amigos, Luiz Carlos e Renan, para ingressarem na Ordem de São Domingos. 23 de janeiro Chegada do Rev. Pe. Ernesto Cardozo que vem para as confissões extraordinárias. 24 de janeiro Partida do Pe. Cardozo que nos faz à tarde uma conferência sobre os corpos incorruptos. Chegada do Pe. Fernando assim como do Luiz e Renan, do grupo de Maringá. 26 de janeiro Partida do Pe. Fernando após ver as irmãs e dar-lhes os conselhos necessários para que prossigam a sua bela vocação de formar as inteligências e corações das crianças no conhecimento e no amor de Deus. 14 de fevereiro Chegada da superiora das irmãs Rosarianas, Irmã Verônica acompanhada pela Irmã Maria do Perpétuo Socorro. 15 de fevereiro Partida de nossos amigos de Maringá para a França, rumo à Avrillé. Nota do Celeireiro As reformas no colégio São Bento e Santa Escolástica alegram o coração das crianças de nosso colégio mas não deixam de ser uma dor de cabeça para o celeireiro que deverá assegurar as novas despesas. O corte de uma floresta de eucaliptos deve nos trazer algum alívio. São José fará o resto, se, à sua ajuda, nós acrescentarmos nossos constantes esforços. A todos os que puderem ajudar-nos, nossos agradecimentos e a promessa de nossas orações. Uma missa será rezada mensalmente pelos benfeitores do colégio. Que Nosso Senhor seja a recompensa de todos nossos amigos e benfeitores. ir. Celeireiro [1] Fim aqui significa objetivo, bem, pois o bem é aquilo que todo ser procura e Deus é a fonte de todo bem e portanto o fim de todos os seres. [2] O autor, que escreveu este texto no século XIX, diria certamente que nossa sociedade atual se aproxima cada vez mais deste estado dos selvagens nos quais a noção de Deus está alterada, materializada e, o que é pior, anulada em muitos casos. Isto explica certamente o porque do grande número de adolescentes de hoje que se entregam ao uso de drogas, não conhecendo o fim para o qual eles foram criados. #BoletimdaSantaCruz

  • Duas correntes

    DUAS CORRENTES Duas correntes se manifestam hoje na Tradição. Uns querem um acordo. Outros, não. Uns dizem: -É preciso entrar na Igreja. Outros respondem: -Quem já está dentro não precisa entrar. -Mas nós precisamos da legalidade, retrucam os primeiros. -Foi assim que caíram o Barroux, Campos e tantos outros, respondem os segundos. -Mas nós não cairemos, não é possível que Deus permita que tal coisa aconteça. -“Quem está de pé, cuidado para que não caia” adverte São Paulo. (I Cor. 10, 12) As mesmas causas produzem os mesmos efeitos. Se Bento XVI beatifica quem excomungou Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, se Bento XVI celebra o jubileu de prata da reunião de Assis, se Bento XVI defende o Concílio Vaticano II como sendo a Tradição, então os males que vimos no pontificado de João Paulo II se repetirão no de Bento XVI. Enquanto a Roma liberal dominar a Roma eterna; enquanto o maior desastre da história da Igreja desde a sua fundação, ou seja, o Concílio Vaticano II, fôr a referência privilegiada dos Bispos, dos Cardeais e do Santo Padre não haverá solução. -Mas Roma está mudando, retomam os defensores dos acordos. -Mudando em que? -Roma liberou a missa e retirou as excomunhões, respondem os primeiros. -Mas de que serve liberar a missa de sempre se Roma deixa coexistir as duas missas? Lemos no Antigo Testamento que Abraão expulsou a escrava Agar e Ismael seu filho para que Isaac não ficasse com o filho da escrava, pois diz São Paulo: “Aquele que tinha nascido segundo a carne perseguia o que tinha nascido segundo o espírito” e São Paulo acrescenta: “assim também agora” (Gal. V, 29). Abraão fez isto atendendo, a contragosto, a um pedido de Sara e Deus deu razão à Sara, pois a que é livre não devia ser equiparada à escrava. A missa nova é Agar. Ela não tem direitos. Ela tem que ser suprimida. Quanto ao levantamento das excomunhões, de que serve retirá-las se se beatifica quem as fulminou? Apesar de um certo benefício jurídico desses dois atos, “liberação” da missa (que nunca fora proibida) e “levantamento” das excomunhões (que nunca tiveram validade), o benefício espiritual de cada um deles ficou bem comprometido pelo contexto contraditório em que foram realizados. Ou é João Paulo II que tem razão ou é Dom Lefebvre. Não se pode exaltar João Paulo II e retirar, se é que retiraram, a excomunhão de Dom Lefebvre. Os dois não podem ter razão ao mesmo tempo. Isto é puro modernismo. Quanto à missa, se dá o mesmo. Se se permite as duas, o resultado é a contradição. É um princípio de dissolução. É um princípio de corrupção da fé católica. -Mas, dirão os acordistas, Roma não pode pôr fim a esta crise de uma só vez. As coisas humanas não se resolvem de um só golpe. Para pôr ordem no caos atual será necessário muito tempo. -Sim. Não há a menor dúvida. Mas o começo desta ordem só virá quando o Papa tiver a intenção de instaurar esta ordem. Mas aqui uma questão se impõe. Bento XVI deseja pôr ordem na Igreja? -Certamente, dirão alguns dentre os acordistas. -Nada é menos certo do que isto, respondemos nós. Pôr ordem na Igreja não é imitar Napoleão que estruturou a Revolução e, desta forma, a perpetuou. Para semear a desordem é necessário um pouco de ordem, dizia Corção. Bento XVI é um homem de ordem, mas a ordem que ele deseja não é aquela trazida pela Realeza Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, para ele “o problema do Concílio foi assimilar dois séculos de cultura liberal”[1] . É isto que Bento XVI dá sinais de querer fazer com sua hermenêutica da continuidade. -Mas, insistem os outros, aos poucos Bento XVI tomará cada vez mais a defesa da Tradição. Ele precisa de nós. Ele quer a nossa ajuda para combater o modernismo. -Campos também falava assim. Como Bento XVI pode querer nossa ajuda para combater o modernismo se ele mesmo é modernista? Ele pode combater certos modernistas, mas combater o Modernismo, ele só poderá depois de deixar de ser modernista. -Mas desta forma não se chegará nunca a uma solução. -Não sei. O que sei é que Santo Anselmo dizia que Deus não ama nada tanto neste mundo como a liberdade da sua Igreja. Pôr a Tradição sob a autoridade de homens que não professam a integridade da Fé católica é fazer exatamente o contrário do que Deus mais ama. -Mas neste caso o senhor está identificando a Tradição e a Igreja? -Perfeitamente, já que a Igreja é essencialmente tradicional e não pode deixar de sê-lo.[2] -Mas então quem é Bento XVI, se ele não é tradicionalista? -Ele é um Papa liberal que escraviza a Igreja. Pôr-se sob sua autoridade sem que ele renegue os erros por ele professados é pôr Sara sob o jugo de Agar, Isaac sob o jugo de Ismael. Ora, nós somos filhos da livre e não da escrava cujo filho é Vaticano II, escravo de dois séculos de cultura liberal. -Qual é então a solução? -A conversão do Papa. -Mas como obtê-la? -Rezando e combatendo. Deus não nos pede a vitória, mas sim o combate. Como dizia Santa Joana d’Arc, “os soldados batalharão e Deus dará a vitória”, pelo Imaculado Coração de Maria. Eis aí toda a nossa esperança. ir. Tomás de Aquino OSB [1] Do Liberalismo à Apostasia, Ed. Permanência pág. 10. [2] Evidentemente a questão é complexa. O título do livro de Ploncard d’Assac a resume de certa forma: “A Igreja ocupada”. Uma conferência de Dom Lefebvre sobre as notas da Igreja, feita em 1988 para responder aos argumentos acordistas de Dom Gérard lançam também uma luz penetrante sobre a questão. #Atualidades

  • É preciso colocar o dedo na ferida

    É PRECISO “COLOCAR O DEDO NA FERIDA”[1] Como o senhor encara a situação em que se encontra atualmente a Igreja? Na consideração dessa situação tomamos[2] como guia Dom Marcel Lefebvre: 1° Porque ele era um membro da hierarquia e, portanto, pertencia à Igreja docente. 2° Porque seus conhecimentos filosóficos e teológicos eram do mais puro catolicismo, visto ser ele doutor em teologia e em filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana no tempo do Papa Pio XI. 3° Porque sua vida foi de uma santidade incontestável, inatacada até mesmo pelos seus inimigos. E essa santidade nos dá uma garantia de perfeição da sua prudência e, portanto, do seu juízo prudencial. 4° Porque ele conheceu a Igreja nos tempos anteriores ao Vaticano II, esteve neste Concílio e presenciou as mudanças operadas após o mesmo. Conversou pessoalmente com vários Papas, tratou com vários Chefes de Estado e foi superior de toda uma Congregação religiosa em que havia vários bispos submetidos a ele. Além disso, era tido na maior estima do Papa Pio XII. Por todos esses motivos, cremos ser Dom Lefebvre uma referência segura para sabermos como devemos proceder e julgar os acontecimentos atuais. Mas não é perigoso tomar uma pessoa como referência, sendo Nosso Senhor Jesus Cristo a única referência para todo católico? Com efeito, só a Nosso Senhor Jesus Cristo podemos seguir incondicionalmente; mas Ele mesmo quis que recebêssemos Sua doutrina através de outros homens. Por isso, à medida que temos fiéis transmissores dessa doutrina, devemos confiar neles, especialmente quando possuidores de garantias como as que citei, que se encontram em Dom Lefebvre. Ademais, devemos estar conscientes de que nem todos os que têm o dever de estado de serem os fiéis transmissores da doutrina de Nosso Senhor o são realmente. Daí a necessidade de um discernimento acurado, de modo especial nos dias de hoje, para saber em quem podemos confiar. Tendo vista o critério que o senhor propõe seguir, volto à primeira pergunta: como encarar a situação em que se encontra atualmente a Igreja? A história é mestra da vida. Só compreenderemos convenientemente essa situação se estivermos ao par dos seus acontecimentos históricos. Assim, é preciso saber que desde o século XIX havia no seio da Igreja homens aos quais o Papa Pio IX qualificou como os piores inimigos da Santa Igreja e que eram chamados de “liberais”, cuja característica mais marcante era a de, estando em meios católicos, agirem e falarem como católicos, mas estando em meios mundanos e/ou anticatólicos, agirem e falarem como mundanos e anticatólicos. Defendiam, sobretudo, a separação entre a Igreja e o Estado. Depois, esse mesmo espírito de liberalismo gerou uma doutrina herética: o modernismo, que será condenado, já no século XX, pelo Papa São Pio X, como sendo o conjunto e resumo de todas as heresias. O modernismo contava com muitos membros do clero e, mesmo após a condenação, permaneceram camuflados no seio da Igreja, pois seu objetivo era destruí-la por dentro, “implodi-la”, diferentemente dos hereges do passado, que, ao serem condenados, saíam da Igreja e passavam a combatê-la de fora. Nos tempos de aparente submissão à condenação à sua doutrina, os modernistas continuaram a difundir seus erros secretamente, de modo especial nos seminários, conseguindo, assim, subirem, aos poucos, até aos mais altos graus da hierarquia. Finalmente, um que compartilhava das “novas idéias”, após a morte de Pio XII, irá conseguir sentar-se na cátedra de São Pedro. A partir de então, paulatinamente, os maiores inimigos de Nosso Senhor e de Sua Igreja irão passar a ocupar os cargos mais importantes na Igreja, os cargos de comando. Os neo-modernistas passarão a ser chamados de “progressistas”. Essa é a situação em que nos encontramos: a Santa Igreja está ocupada e dominada pelos seus maiores inimigos, pelos maiores inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo. E qual é o erro fundamental do modernismo? O Papa São Pio X, em sua encíclica Pascendi, descreveu magistralmente todo o organismo doutrinário do modernismo, e aí vemos que tudo se resume em um erro capital: para os modernistas, a fé consiste em um sentimento religioso. E desse princípio desastroso vem todo um conjunto de erros: agnosticismo, racionalismo, evolucionismo doutrinal, humanismo, a liberdade religiosa, o relativismo, o indiferentismo religioso, o subjetivismo, o naturalismo. Vem também em conseqüência o afirmar que todas[3] as religiões são boas, pois seriam todas nada mais que a expressão do sentimento religioso de cada homem. Por outro lado, este erro teológico procede de um erro filosófico: o idealismo. Os sucessores de João XXIII também foram modernistas? Infelizmente sim.[4] Mas pode acontecer que o chefe visível da Igreja professe uma fé diferente da fé da Igreja? Defenda uma heresia? Os que negam essa possibilidade dividem-se em dois grupos: os sedevacantistas e os indevidamente chamados “conservadores”. a) os sedevacantistas, diante do fato notório do modernismo dos últimos Papas, asseveram que a sede de São Pedro está vacante, e que os homens que, sucessivamente, a estão ocupando não são Papas. b) os “conservadores”, fechando os olhos à realidade dos fatos, procuram entender de modo católico até os mais estranhos ensinamentos dos últimos Papas, até suas mais extravagantes atitudes. E, em muitos casos, acabam “assimilando” esta ou aquela doutrina dos modernistas, quando não na teoria, ao menos na prática. Nós, porém, não negamos a possibilidade de que um Papa caia em heresia e que tente destruir a Santa Igreja a ele confiada para regê-la. E nossa asserção se fundamenta nos seguintes princípios: 1º Quando um Bispo cai em heresia, ele continua a ser bispo de sua diocese até ser destituído pelo Papa. Portanto, a heresia, por si só, não faz um membro da hierarquia perder o cargo que possui na Igreja. Ademais, ninguém na terra está acima do Papa para poder destituí-lo. 2º A declaração de heresia formal só se faz quando, após advertência da autoridade competente, alguém permanece aferrado à sua heresia, após o que profere-se um decreto. Ora, quem na terra tem autoridade sobre o Papa para declará-lo herege formal? 3º Poucos foram os modernistas excomungados desde São Pio X até Pio XII, apesar de haver muitos deles na Igreja nesse período, pois o modernismo é uma heresia que admite muitos matizes e se manifesta de uma maneira muito ambígua. Se esses modernistas não foram expulsos da Igreja e mantiveram-se em seus cargos, por que os Papas modernistas não poderiam também continuar a ser Papas? 4º O fato de assumir ou perder a autoridade sobre uma sociedade é algo bem misterioso e, em geral, tido como fato consumado, desde que essa autoridade foi geralmente aceita por todos. 5º Ademais, seria imprudente tomar a posição de negar a possibilidade de um Papa ser herege, pois dando-se o caso, e tirando-se a conclusão de que ele não é Papa, isso implicaria muitas conseqüências graves, de difícil solução, como as seguintes: quem teria autoridade para o depor? Como seria eleito um Papa, por exemplo, não modernista, no caso de que a maioria dos Cardeais fosse modernista? Ou ainda: no caso de não haver mais Cardeais nomeados pelos Papas tradicionais, os nomeados pelo “falso Papa” não seriam verdadeiros Cardeais e, então, quem elegeria um novo Papa? Visto que se trata de uma opinião, sem um veredicto definitivo da Igreja, o mais prudente é julgá-lo ser verdadeiro Papa, mas não segui-lo na direção falsa que imprime à “nova eclesiologia” nem colocar-se sob suas ordens. Mas essa atitude não denota um espírito cismático? De forma alguma. Aderimos de todo o coração à Roma eterna e a todos os Papas que precederam os Papas modernistas. Estaríamos em cisma se negássemos que o Papa seja o chefe visível da Igreja, como fazem os ortodoxos; ou se negássemos ser verdadeiro Papa um Papa legitimamente eleito, como ocorreu no chamado “cisma do Ocidente”; ou se fizéssemos uma igreja paralela, nacional, como ocorreu na Inglaterra do século XVI ou na China comunista. Foram os modernistas que fizeram uma igreja paralela, dentro da própria Santa Igreja. Teríamos um espírito cismático se nossa atitude fosse inspirada na rebeldia à autoridade da Igreja. Ora, o motivo que nos leva a resistir aos membros modernistas da hierarquia é, pelo contrário, nossa adesão ao Magistério da Igreja, que se opõe às doutrinas modernistas. Os cismáticos chamados “Velhos Católicos”, do século XIX, também acusavam a Igreja de inovar sua doutrina e afirmavam serem eles os conservadores da doutrina tradicional da Igreja. Não se dá o mesmo atualmente com os tradicionalistas? A semelhança é somente em aparência. Lutamos contra o modernismo, heresia já condenada pela Santa Igreja. Muitos atuais membros da hierarquia são conhecidamente defensores da teologia modernista; eles não fazem mais segredo disso. E toda a “nova eclesiologia” está fundada sobre os princípios modernistas. Então, os senhores se julgam os “donos da verdade”… Nenhum verdadeiro católico é “dono da verdade”, mas discípulo da Verdade. É na medida em que adere sem restrições às verdades reveladas pelo Divino Mestre, ensinadas por Sua Igreja, que o católico rejeita, com toda firmeza, qualquer erro doutrinário. No entanto, a acusação de que os últimos Papas são modernistas é muito grave… Sim, muito grave. E tanto mais grave quanto verdadeira. E em que o senhor se apóia para afirmar isso? Nos fatos. Nos fatos históricos, conhecidos e notórios. Entre muitos fatos que poderíamos aduzir para provar a verdade dessa afirmação, citaremos só alguns, mas que, pela sua evidência, bastam. João XXIII: Antes de ser Papa, era tido como suspeito de modernismo.[5] Assumindo o pontificado, seu governo mostrou-se como um papado caracteristicamente de transição, tendo a marca do fim do “tempo das condenações”, quando os modernistas puderam “respirar tranqüilamente”, pois já não seriam “incomodados”. Isso mostra claramente que João XXIII antes de ser Papa já simpatizava com as doutrinas modernistas e que, sendo Papa, continuou no mesmo caminho. Paulo VI: Antes de ser Papa, na Secretaria de Estado, já manifestava o seu liberalismo.[6] Após ser Papa, apoiou, no Vaticano II, a ala progressista, de maneira que esta chegou a lograr muitos triunfos na redação dos documentos deste Concílio.[7] Por que esse apoio senão porque estava “do lado” dos modernistas? E este Papa empenhou-se em aplicar metódica e oficialmente as reformas que tinham como base a doutrina do Vaticano II.[8] João Paulo II: Antes de ser Papa, era admirador de uma filosofia e de uma teologia de cunho modernista.[9] Quando tornou-se Papa, em sua Encíclica Dominum et Vivificantem, chegou mesmo a defender uma verdadeira heresia: a de que a Encarnação fez com que todos os homens estejam unidos a Deus e, mais precisamente, em uma mensagem aos povos da Ásia, que pela Cruz e Ressurreição de Nosso Senhor cada pessoa (e, portanto, todos os homens) se torna filho de Deus, participante da natureza divina e herdeiro da vida eterna.[10] E muitas de suas ações e palavras manifestaram claramente que continuava a ser o pró-modernista de outrora. Dois exemplos: a) Ele elevou ao cardinalato a três modernistas cujas obras haviam sido condenadas por Pio XII, sem que eles hajam renunciado a seus erros modernistas. Por que “reabilitar” e promover modernistas senão porque pensava como eles, contrariamente a seu antecessor Pio XII?[11]; b) Ele pediu ao prefeito de Roma que cedesse gratuitamente um terreno para a construção de uma mesquita.[12] Qual a causa dessa sua atitude tão escandalosa senão porque ele estava imbuído da doutrina modernista? Pois, se a fé é apenas um sentimento religioso, porque impedir que os muçulmanos ou qualquer homem ponha em prática a sua “fé”? Bento XVI: Antes de ser Papa, assim como seu antecessor, era admirador de uma filosofia e de uma teologia modernistas.[13] Chegou também a defender uma verdadeira heresia, negando que o sacrifício cruento de Nosso Senhor na cruz haja sido um sacrifício propiciatório.[14] Quando tornou-se Papa não se retratou desse erro, e muitas de suas ações e palavras manifestam claramente que continua a ser o pró-modernista de antes. Dois exemplos entre outros que poderia citar: a) Ele demonstrou sua aprovação à reunião de Assis, feita por seu antecessor,[15] reunião essa que contava com representantes de várias religiões falsas, chamadas todas elas para rezarem a seu “deus” (!?) pela paz. Que significa isso senão que ele (assim como João Paulo II) está imbuído da doutrina modernista? Pois, se a fé é apenas um sentimento religioso, cada qual pode rezar a “seu” deus conforme o “sente” em si; b) Em uma carta aos bispos do orbe, ele exprime uma doutrina tipicamente modernista: “todos aqueles que crêem em Deus procurem juntos a paz, tentem aproximar-se uns dos outros a fim de caminharem juntos – embora na diversidade das suas imagens de Deus (?!) – para a fonte da Luz: é isto o diálogo inter-religioso”[16]. No entanto, não devemos ficar falando mal dos nossos superiores. Muito menos do Papa. Certamente. No entanto, quando um superior nosso, mesmo se for um Papa, por causa de seu modo de proceder ou de falar, é causa da condenação eterna de seus súditos, pode-se denunciar os seus erros, para que nosso próximo se dê conta do perigo em que se encontra. No caso concreto que estamos tratando, se não nos dermos conta da terrível guerra na qual nos encontramos (guerra entre a luz e as trevas, entre a verdade e o erro), mais cedo ou mais tarde, acabaremos caindo nas insídias que os modernistas continuamente estão armando contra os verdadeiros católicos, para que estes entrem em sua “nova eclesiologia”. Isso é o que eles querem, porque agora eles estão com o poder nas mãos e estão bem conscientes que nos podem “absorver”. No entanto, as autoridades romanas ultimamente querem acabar com essa guerra, querem legalizar a situação dos tradicionalistas, mas estes querem permanecer separados de Roma. Não aceitamos essa oferta de legalização não porque queiramos ficar separados de Roma. Aliás, nunca nos separamos da Roma eterna e sim da modernista. A causa porque não aceitamos essas ofertas é porque sabemos muito bem (e os modernistas também o sabem muito bem) que a aproximação com os modernistas causa freqüentemente (e em muitos que considerávamos “cedros do Líbano”) diminuição no combate aos erros desses inimigos de Deus e da Igreja, e até aceitação de um ou mais pontos da doutrina deles. Aproximar-se deles “contagia”. Ademais, é preciso notar como se processou a implantação do modernismo na Igreja após a morte do último Papa que o combateu. João XXIII foi um Papa de transição, dando “direito de cidadania” aos modernistas, ao mesmo tempo que deixava permanecer quase tudo tradicional na Igreja. Paulo VI foi o Papa da implantação metódica e oficial das reformas modernistas em todos os níveis na Igreja. João Paulo II foi o Papa da consolidação dessas mesmas reformas. Os modernistas estavam, agora, na tranqüila posse da situação. Já podiam “abrir os braços” aos “dissidentes” que não aceitaram tudo o que acontecera. Já podiam colocar os “tradicionalistas” numa situação oficial, incorporá-los à “nova eclesiologia”, sem perigo para eles, modernistas, de perderem a condução das coisas no sentido que eles tinham e têm em mira. A missão do pontificado de Bento XVI é a de consolidar essa “unificação”. Mas isso não é julgar mal a intenção do Papa? Foi o próprio Bento XVI que disse que o motivo das discussões doutrinais que Roma começou a entabular com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X era a aceitação do Vaticano II (e, portanto, da Nova Missa, fruto dos princípios deste Concílio) e do magistério pós-conciliar.[17] Mas que mal há na Nova Missa e no Vaticano II? Vejamos só um aspecto da Nova Missa e outro do Vaticano II. Isso bastará para provar que os católicos não podem aceitá-los, ao menos em seu conjunto. A Nova Missa: O problema fundamental da Nova Missa não está no fato de ela ser celebrada em português e “de frente para o povo” ou com falta de reverência. Mesmo se rezada em latim, “de costas para o povo”, o celebrante usando todos os paramentos, etc., a Nova Missa não deve ser celebrada pelos sacerdotes nem assistida pelos fiéis. Por que? Daremos um motivo entre vários outros que poderiam ser dados. Mas este é tão importante que basta para provar o que dizemos. Mons. Bugnini, que foi quem elaborou a Nova Missa, declarou no Osservatore Romano que sua intenção, nessa elaboração, era agradar aos “irmãos separados” protestantes. Essa, portanto, foi a finalidade, a causa final, daquele que produziu a Nova Missa. E sua finalidade foi atingida? Infelizmente sim. Um pastor protestante declarou que agora já se podia celebrar a ceia protestante utilizando-se o missal romano e que isso era “teologicamente” (segundo a “teologia” protestante) possível! Sim, Mons. Bugnini alcançou seu objetivo: equiparou a Nova Missa ao rito protestante da ceia. E que isso quer dizer? Que há heresias na Nova Missa? Não. Ademais, a Missa é, por acaso, uma profissão de fé? Não exatamente, mas nosso modo de rezar deve estar conforme nosso modo de crer. A Igreja sempre entendeu assim, e os hereges também. É por isso que ao longo da historia os hereges que iam surgindo foram forjando para si cerimônias que manifestassem liturgicamente as suas heresias. A Nova Missa é a expressão litúrgica da mais terrível de todas as heresias: o modernismo. Dom Fernando Rifan, fechando os olhos aos fatos mais evidentes, defende a Nova Missa, apoiando-se numa argumentação capciosa, capaz de enganar muitas almas. Ele argumenta da seguinte maneira: A Igreja não pode decretar uma lei litúrgica que seja prejudicial às almas. Ora, a Igreja decretou a Nova Missa. Logo, a Nova Missa não é prejudicial às almas. O erro desse silogismo está em sua “menor” (a Igreja decretou a Nova Missa), pois quando um Papa age de forma a tentar destruir a Igreja, a Igreja não está nele. Ora, o que há de mais destrutivo para a Igreja do que transformar-lhe a Missa em uma ceia protestante? Portanto, Paulo VI ao decretar a Nova Missa, não foi a Igreja que a decretou. Dá-se algo de semelhante no exercício da autoridade legítima: Os súditos, quando obedecem a um superior, obedecem a Deus, pois a autoridade vem de Deus. No entanto, quando um superior dá uma ordem contra a Lei de Deus, ele está fazendo um abuso de poder, e, então, se os súditos lhe obedecerem, não estarão obedecendo a Deus, pois neste caso o superior não estará investido da autoridade de Deus. Aplicando esse princípio ao nosso caso, vemos que a Igreja não pode estar dando a sua autoridade a um Papa que ordena que se celebre uma Missa que é equiparada à ceia protestante, justamente porque esse Papa fez um abuso de poder. O Vaticano II: O Concílio Vaticano II contém vários documentos doutrinariamente inaceitáveis e em seu conjunto está impregnado de um espírito que não é católico. Apenas um exemplo entre outros que poderíamos aduzir. Ele é de uma gravidade tão grande que basta para provar nossa asserção. Desde o início do Concílio houve uma oposição entre dois Cardeais defendendo cada qual uma doutrina: um a doutrina católica da tolerância religiosa e o outro a doutrina liberal (assumida pelos modernistas) da liberdade religiosa. Ora, o Concílio Vaticano II, em seu documento que trata desse assunto, deu “ganho de causa” à doutrina liberal. E por mais que autores, como D. Basílio OSB e Dom Fernando Rifan, queiram tentar demonstrar que essa doutrina é católica e que está de acordo com vários pronunciamentos anteriores da Igreja, eles nunca poderão prová-lo diante dos seguintes fatos concretos: A própria Santa Sé, em aplicação do ensinamento do Vaticano II, procurou que vários países deixassem de ser oficialmente católicos.[18] Essa atitude é inteiramente contrária a tudo o que a Igreja sempre ensinou. Neste ponto Bento XVI está também de acordo João Paulo II.[19] Assim, a ação deles é realmente contra o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.[20] Arsenius [1] Este artigo está feito à maneira de uma entrevista e por isso o “entrevistado” fala simplesmente o que sabe sobre o assunto, sem reportar-se a documentos. Mas colocamos em notas de rodapé algumas referências de textos que podem ser consultados, quando falamos dos Papas recentes. [2] Pretendo usar o plural majestático para não ter que repetir: “eu, eu, eu” e também porque o que exponho aqui pode ser a expressão do que outros também pensam. [3] E não somente a única verdadeira, a Santa Igreja Católica. [4] O modernismo se apresenta de uma maneira ambígua e com muitos matizes. Se não se pode dizer que esses Papas são modernistas em toda a extensão da palavra, eles são, no mínimo, liberais que fazem parte do movimento modernista. [5] Cf. Congar, ou a Nova Teologia (cadernos Semper) pág. 26-27 [6] Cf. Marcel Lefebvre (por D. Tissier de Mallerais) pág. 247-248. Ver também Do Liberalismo à Apostasia pág. 240-241. [7] Cf. Do Liberalismo à Apostasia pág. 240-241. [8] Cf. Do Liberalismo à Apostasia pág. 244-245 e 249-250. [9] Cf. Cien años de modernismo (pelo Pe. Bourmaud) pág. 396-397. [10] Cf. Sim Sim Não Não (edição brasileira) nº 174, pág. 8 e Marcel Lefebvre (por D. Tissier de Mallerais) pág. 557. [11] Cf. revista Iesus Christus nº 134, pág. 5. [12] Cf. revista Iesus Christus nº 134, pág. 17. [13] Cf. revista Semper nº 77, pág. 1-6. Ver também Cien años de modernismo (pelo Pe. Bourmaud) pág. 383. [14] Cf. Conferência de D. Tissier de Mallerais dada no Simpósio Pascendi (9, 10 e 11 de novembro de 2007, Paris) em www.co-redentora.com.br [15] Cf. revista Tradición Católica nº 215, pág. 18-21. [16] www.vatican.va/português/cartas/cartas2009/10 de março de 2009 [17] “Os problemas, que agora se devem tratar, são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos Papas. (..) Não se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade.” cf. www.vatican.va/português/cartas/cartas2009/10 de março de 2009 [18] Cf. Do Liberalismo à Apostasia pág. 187, 252 e 254. [19] Cf. Do Liberalismo à Apostasia pág. 254-255. [20] Cf. Do Liberalismo à Apostasia pág. 256. #Atualidades

  • Mapas mosteiro 2

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  • Mapas mosteiro 1

    Posição Geográfica do Mosteiro da Santa Cruz: 22º 11′ 18,92″ S 42º 32′ 57,47″ W Clique aqui para visualizar mais de perto a região do Mosteiro. #Semcategoria

  • A vida em um mosteiro beneditino

    A VIDA DE UM MOSTEIRO BENEDITINO Nosso Bem-aventurado Pai São Bento indica em sua Regra o critério fundamental da vocação monástica: si vere Deum quaerit, isto é, se aquele que bate à porta do mosteiro procura verdadeiramente a Deus. É essa procura de Deus que condiciona e explica todas as observâncias monásticas e estabelece o contraste entre o mundo e o mosteiro: no mosteiro, o ofício divino, a obediência e os opróbrios, como diz São Bento, e no mundo, sobretudo no mundo atual, o descaso pelo seu culto verdadeiro, a desobediência à Sua lei e o orgulho, que faz os homens fugirem da cruz de Nosso Senhor sem se darem conta que encontrarão outra bem mais pesada, pois só o jugo de Nosso Senhor é leve e só o Seu fardo é suave. Mas para adaptar-se à uma vida que apresenta tantos contrastes com a vida do mundo tanto quanto ao espírito como quanto às práticas externas, a Santa Regra e o Direito Canônico estabeleceram etapas através das quais o candidato vai tomando conhecimento aos poucos da vida e costumes monásticos e os superiores vão, por sua vez, examinando o mesmo, para ver não só se ele procura verdadeiramente a Deus, mas também se ele tem as aptidões necessárias para o nosso gênero de vida. Após um primeiro contato com o superior, o futuro candidato se instala na hospedaria, e durante cerca de cinco dias observa os costumes da casa, e conversa com o mesmo superior, para se ver se tem as aptidões mínimas necessárias. Sendo aceito, entra no postulantado, que dura cerca de seis meses, onde vai sendo educado nos costumes monásticos. Transcorrido o postulantado, em uma cerimônia de vestição, a pessoa troca a roupa do século pelo hábito religioso e muda o seu nome civil para um nome de religião. Inicia-se então o noviciado que dura dois anos, no fim dos quais o noviço fará os votos temporários de pobreza, castidade, obediência e estabilidade no mosteiro. Sendo agora já um monge professo (temporário), este continua no exercício das virtudes cristãs por um período de três anos, findos os quais poderá renová-los por mais três anos ou emitir os votos perpétuos, conforme o superior da casa achar conveniente. Podemos dizer que no mosteiro há três classes de monges: irmãos conversos, irmãos de coro que não são padres e irmãos de coro que são padres. Os irmãos conversos dedicam-se mais ao trabalho manual, não tendo obrigação de assistência ao coro. Os irmãos de coro não padres, ao contrário, têm uma carga horária de trabalho manual um pouco menor, porém têm a obrigação de ir ao coro, para a recitação do ofício divino. Os irmãos de coro que são padres, são em tudo semelhantes à classe anterior, porém acrescidos da dignidade do sacerdócio, pela qual devem celebrar a Santa Missa e confessar, quando designados para isso. #DoutrinaMonástica

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    Mosteiro da Santa Cruz Galeria de fotos #Semcategoria

  • A teologia do Santo Sacrifício da Missa

    A TEOLOGIA DO SANTO SACRIFIÍCIO DA MISSA A “Confissão de Augsburgo”, protestante, viu bem a mudança radical do novo rito da missa, ao declarar: “Nós fazemos uso das novas preces eucarísticas (católicas) que têm a vantagem de pulverizar (reduzir a pó) a teologia do Sacrifício” (“L’ Eglise d’ Alsace”, dez/73 e jan/74. Apud“La Messa di Lutero”, por Dom Lefebvre). Essas “preces eucarísticas” da missa nova, oficialmente em número de quatro, mas que já são muito mais, correspondem ao único “Cânon” da Missa tradicional. É a parte central e sacrifical da Missa, e que fica entre o “Sanctus” e o “Pater Noster”. É exclusiva do celebrante que deve pronunciá-la em latim e em voz baixa (Concílio de Trento). Nela tem lugar a grande “Ação sacrifical de Jesus Cristo”, que Ele renova na Consagração. É através dela que Cristo se torna presente realmente, e se coloca sob as Espécies Sacramentais em estado de Vítima imolada. Aí renova Ele a oblação sacrifical que fez de si mesmo ao Pai na Cruz. E isso, em virtude da Ordem (Sacramento do sacerdócio) que deu aos Apóstolos de fazerem o mesmo que ele tinha feito (Lc. 22,19). É o seu ato sacrifical, que é único e uno, e que foi realizado uma vez por todas, cruentamente na Cruz e misticamente, na última Ceia. E que, por sua ordem, de novo se torna presente, de modo místico, mas real, em cada verdadeira Missa. Assim, deu Jesus cumprimento à profecia de Malaquias: “Do nascente ao poente (…) e em todo lugar, será oferecido ao meu nome uma oblação pura” (Mal. 1,11). A Santa Missa abrange ou realiza os quatro fins do Sacrifício: o latrêutico ou de adoração; o eucarístico ou de ação de graças; opropiciatório ou de expiação; e o impetratório ou de súplica. O fiel, unindo-se por esses atos a Jesus Cristo, que, na Missa como na Cruz, é ao mesmo tempo, Sacerdote e Vítima, participa dos frutos da Redenção e cumpre os seus deveres fundamentais para com Deus. Desses frutos também participam todos os fiéis espalhados pelo mundo. O caráter sacrifical da Missa católica é indicado por vários modos: a) Por ser a renovação e perpetuação, de modo incruento, do Sacrifício da Cruz, o qual, por sua vez, deu cumprimento aos sacrifícios figurativos do Antigo Testamento. Jesus Cristo unificou, na Cruz e na Ceia-Missa, os vários aspectos dos sacrifícios figurativos da Antiga Aliança indicados acima (nº 4 deste). b) Pelas palavras de sentido sacrifical da liturgia dos sacrifícios figurativos do Antigo Testamento, das quais Jesus fez uso na última Ceia:“Isto é o meu Corpo que é entregue por vós”, e “Este é o Cálice de meu Sangue que é derramado por vós”. Note-se o verbo no tempo presente (texto original), indicando um derramar de seu Sangue no próprio ato consecratório. c) Pela realização da “morte sacramental” de Jesus significada através da Consagração das espécies do pão e do vinho, em separado. A separação sacramental do Corpo e do Sangue significa e realiza misticamente a morte de Jesus Cristo. d) Pelo ofertório, com as preces que o acompanham, e que indicam explicitamente que a Santa Missa é sacrifício, e sacrifício propiciatório, isto é, que desagrava a Deus pelos pecados, para os quais impetra o perdão. De fato, nele o celebrante declara que o oferece “… por seus pecados…, pelos de todos os fiéis vivos e defuntos… para que a todos aproveite a vida eterna”. e) Por fim, a Fé da Igreja que sempre professou essa verdade e no Concílio de Trento sentenciou infalivelmente contra os protestantes: “Se alguém disse que a Missa é só Sacrifício de louvor, e não propiciatório (…) seja anátema (Denz. Sch. 1753). “Sacrifício de louvor” era o que ainda admitia Lutero. Não basta, porém, isso para termos toda a “teologia do sacrifício”, que é necessário admitir-se completa e que a Confissão protestante de Augsburgo declara “ter sido pulverizada pelas novas preces eucarísticas” da missa nova. Por isso, a primeira medida de Lutero contra o caráter sacrifical da Missa, foi a supressão do ofertório, que mais explicitamente o expressa. Depois fez as outras mudanças. Foi igualmente o que fez Paulo VI na nova missa, transformando o ofertório em uma simples apresentação de dons conforme prática judaica na suas sinagogas. Em seguida, Lutero alterou as palavras da instituição, fazendo da parte consecratória e da narrativa, que são bem distintas, uma só, e mandando pronunciar tudo em tom narrativo e em voz alta. Tudo para suprimir qualquer idéia de ação pessoal do celebrante e pois, toda a idéia de sacrifício; e assim inculcar nos assistentes a idéia protestante de simples ceia-memorial. Também a reforma de Paulo VI, do rito da Missa, alterou a forma da Consagração, transpondo para fora dela as palavras “Mysterium fidei”, e suprimindo o ponto gráfico que separava bem a parte narrativa, da parte consecratória, de modo que o celebrante é levado a pronunciar tudo em tom narrativo como quem apenas conta um fato acontecido no passado, e não como quem faz uma ação pessoal, que torna de novo presente a mesma realidade operada por Jesus Cristo, e por Ele ordenada que fosse renovada perpetuamente mediante o ministério do sacerdote (Lc. 22,19). Vê-se pois, por essa pequena amostra – e há muitos outros pontos nos quais a missa nova não é mais a pura expressão da Fé Católica – como é de suma importância a nossa fé nesse aspecto da Missa como sacrifício. Aí está a prova. Os protestantes tomam ares de festa com a sua supressão, através da Missa nova. No entanto, não ficou nisso toda a reforma luterana do rito da Missa, mas tendo por objetivo suprimir a própria Missa, partiu Lutero para a supressão do sacerdócio católico, que fora instituído por Jesus Cristo, para garantir a perpetuidade do santo Sacrifício da Missa. Pois ele sabia bem que sem sacerdote verdadeiro não há missa verdadeira, mas simples ceia-comemorativa da última Ceia celebrada por Cristo. Por isso, seguindo esse mesmo espírito, a atual reforma do rito da Missa, feita por Paulo VI, apresenta uma clara tendência a prescindir do padre como único sacrificador da Divina Vítima no sacrifício do Altar. De fato, a “Institutio generalis”, que promulga o novo rito, ao dar uma definição de Missa, que os protestantes assinariam, apresenta a Missa como sendo constituída essencialmente pela “assembléia dos fiéis reunidos para celebrar o memorial do Senhor, sob a presidência do celebrante”. Note-se que foi acrescentada posteriormente a afirmação de que o celebrante “agit in persona Christi” (age no lugar de Cristo e como seu representante), [mas esta] não alterou a afirmação de que quem celebra o “memorial do Senhor é a assembléia dos fiéis” (cf. Institutio Generalis, nº 7), e não o sacerdote, sozinho. Preparou-se assim, a negação explícita da própria presença sacramental e real de Jesus Cristo na Divina Eucaristia, como atualmente os neo-modernistas mas avançados estão fazendo. Os neo-catecumenais, por exemplo, que proíbem os fiéis de se ajoelharem na Consagração, porque – dizem – tudo não passa de simples símbolos. Eis aí a prova de que a Nova Missa leva gradualmente ao protestantismo. É o bastante para já se entender porque os Cardeais Ottaviani e Bacci, em carta a Paulo VI, ao lhe apresentarem o “Breve Estudo Crítico da nova missa”, tenham afirmado: “O novo rito da Missa se distancia de modo impressionante, no seu todo e nos seus pontos particulares, da teologia católica da Missa”. Também ultimamente, o Cardeal Stickler declarou que “o novo rito da Missa é uma adaptação à idéia protestante do culto”. Ele cita também o escritor francês Jean Guitton que escreveu o seguinte: “O Papa Paulo VI me confiou que era sua intenção assemelhar, o mais possível, a nova liturgia ao culto protestante” (em “Fideliter”, nº 109). Isso confirma o que já havia dito o perito em Liturgia, Mons. Klaus Gamber: “A reforma litúrgica de Paulo VI foi mais radical que a de Lutero” (Em “A Reforma Litúrgica em questão” – Ed. Francesa, com prefácio do Cardeal Ratzinger). No. 099 – Julho de 2001 #Atualidades

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