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  • Nossa fundação na França

    Carta aos amigos e benfeitores de N. Sra. de Bellaigue Setembro de 2001 – Nº 1 Caros amigos, Uma das coisas que mais chamam a atenção do observador ignorante das estações na Europa, é a força com a qual a vida retoma seu curso na primavera. A relação com a Ressurreição de Nosso Senhor é evidente. O mestre não disse: “Eu sou a Ressurreição e a Vida?” Oito meses se passaram desde nossa chegada a Bellaigue. Nós temos assistido a uma discreta, mas verdadeira ressurreição dessa abadia, que esteve morta por mais de dois séculos. Mas a “Deus nada é impossível”: como Lázaro, a abadia esteve simplesmente adormecida. Sem dúvida que as centenas de monges que aqui nos precederam se alegram no Céu e intercedem poderosamente por nós. São muitas as graças que nossa Fundação, filha do Mosteiro da Santa Cruz, tem recebido de Deus. Nós desejamos comunicá-las não somente aos nossos hóspedes, oblatos e famílias que se aproximam da abadia, mas também aos nossos amigos brasileiros, sempre lembrados em nossas orações. Realmente as almas consagradas formam que a boca da Igreja, que rende a Deus o tributo de adoração e de louvor que lhe é devido. Todas as suas ações, mesmo as mais simples, são como a repercussão da salmodia e dos hinos. Assim a vida do religioso torna-se toda inteira uma oração. cumprindo o preceito de nosso Redentor “cumpre sempre orar e nunca desfalecer.” Que N. Sra. de Bellaigue vos cumule de todas as suas bênçãos. D. Anjo, O.S.B. Crônica Outubro: 14. Grande festa em Vérac. Hoje é a tomada de hábito dos nossos irmãos Plácido e Bernardo-Pio, nossa partida para Bellaigue e chegada das irmãs do Oasis (Espanha). Como presente de adeus, os fiéis de Verác nos deram o sino que nos chama aos ofícios aqui em Bellaigue. Novembro: 5. Primeira Missa na igreja abacial, com assistência de cerca de 200 pessoas. Os irmãos trabalham na fabricação de cidra, pois recebemos de herança milhares de maçãs! Dezembro: 24. Vigília de Natal. Às 21:30 h, matinas solenes. Toda a igreja abacial foi iluminada com pequenas velas. Depois da missa, nós convidamos os fiéis para o tradicional chocolate na hospedaria. Janeiro: 6. Epifania. Recebe o escapulário mais uma oblata, irmã Francisca Romana. Janeiro: 25. Grande passeio ao santuário de N. Sra. do Trigo, pelas regiões dos Cambralhas. Março: 21. N.P.S. Bento. Visita das alunas da escola N. Sra. da França. Março: 23. A administrção dos Monumentos Históricos vem nos visitar. Estamos de acordo com relação aos trabalhos a fazer. Abril: Hospedaria superlotada para a Semana Santa. Os ofícios foram integralmente cantados. Abril: 21. Sábado “in albis”. Visita do R. Pe. Nely, do priorado de Marselha. Já tivemos a alegria de receber muitos padres, religiosos e religiosas amigos do mosteiro, que vêm sempre apoiar a nossa fundação. Maio: 27. Domingo. O R. Pe. Nely prega nosso retiro anual, tendo por tema o espírito de S. Bento. Junho: 10. Domingo da Ssma. Trindade. Oblatura do ir. Luís. Já temos uma dezena de oblatos. Junho: 23. Tomada de hábito de nosso ir. Bento. #SobreoMosteiro

  • Como chegar ao Mosteiro

    COMO CHEGAR AO MOSTEIRO Clique aqui para visualizar o caminho VINDO DE AVIÃO I – Ao chegar no Galeão, tome o ônibus especial que sai da calçada do aeroporto e faz a ligação com a Rodoviária Novo-Rio 2 (R$2,60). II – Se o avião chegar no aeroporto Santos Dumont, procurar igualmente condução (ônibus ou táxi) para a Rodoviária Novo-Rio. 2 VINDO DE ÔNIBUS I – RIO – NOVA FRIBURGO Compre a passagem do ônibus para FRIBURGO em qualquer guichê de empresa 1001 (R$40,00) variando do horário e modo condicional, na RODOVIÁRIA NOVO-RIO.2 II – NOVA FRIBURGO O ônibus deixa os passageiros no “TERMINAL SUL” 3 , a 6 Km do centro de Friburgo 4 . III – CAMINHO PARA O MOSTEIRO ATENÇÃO! Primeira providência: compre um cartão de telefone e avise o mosteiro de sua chegada. a) TÁXI (40 min.; R$60,00) Tome um táxi defronte do “Terminal Sul” 3. Peça para levá-lo para o Mosteiro da Santa Cruz, na Janela das Andorinhas, depois de Riograndina 5. A corrida deve durar 40 min. e custa R$60,00/80,00. ATENÇÃO! Antes de entrar no carro pergunte quanto vai custar e, se achar caro, não entre. Procure outro. b) ÔNIBUS (1:20 min.; R$2,60) Tome um ônibus defronte do “Terminal Sul” 3 chamado “INTEGRAÇÃO” e salte na “RODOVIÁRIA URBANA” 4, no centro de Friburgo. Esta RODOVIÁRIA URBANA 4 é uma estação de baldeação, onde se troca de ônibus sem pagar uma nova passagem, igual a uma estação de metrô. HORÁRIO DOS ÔNIBUS: “Alto dos Michéis /Janela das Andorinhas” – 5:20h (só nos dias de semana); 7:30h (8:15h aos domingos); 11:50h; 15:50; 17:50h e 19:50h. O ônibus deixa perto da entrada do Mosteiro, para melhor detalhar o ponto de descida, poderá solicitar mais auxílio se informando ao motorista do veículo e, precisando ainda mais, aos passageiros que estiverem dentro da condução já estando na área rural. #Semcategoria

  • Vida Monástica

    VIDA MONÁSTICA Nosso tempo é dividido entre oração, estudo e trabalho. A oração litúrgica, o Ofício Divino, ocupa o primeiro lugar: “O fundamento íntimo do estado religioso, escreve D. Romain Banquet, é a prática contínua e mais perfeita possível do primeiro mandamento: ‘Adorar a Deus e amá-lo de todo coração’. É por isso que S. Bento escreve na Regra que ‘nada deve ser preferido ao Ofício Divino’, ‘nihil operi Dei praeponatur’. São Bento traduz simplesmente a vontade de Deus e a da Igreja quando ele coloca o Ofício Divino acima de tudo. Tudo, no plano divino, se refere à celebração da glória de Deus” (Doctrine Monastique de Dom Romain Banquet, p.76) Ao Ofício Divino e inspirada nele se acrescenta a oração pela qual o monge une-se a Deus de maneira mais pessoal. Aliás, a observância do silêncio não tem outra finalidade senão a de tornar mais fácil essa união ao longo de todo o dia. Depois da oração, o estudo ocupa um lugar importante em nossa vida. Como poderia ser de outra forma se nós só amamos o que conhecemos? E, conhecendo, o amor não procura conhecer ainda mais? A esse respeito nós só temos de seguir nossos predecessores que sempre amaram o estudo, e é por isso que encontramos cinco Doutores da Igreja entre os filhos de  São Bento. Nossos candidatos ao sacerdócio fazem parte de seus estudos no Seminário da Fraternidade São Pio X na Argentina o que nos deixa felizes por termos assim um laço a mais com a obra de Dom Lefebvre. Esperamos poder ter futuramente nosso próprio corpo docente o que permitirá que todos os estudos sejam feitos no mosteiro, estudos que se prolongarão durante toda a existência do monge, inspirando e esclarecendo sua vida de oração e o apostolado que pode lhe ser eventualmente confiado. Enfim o trabalho manual completa as ocupações do monge, dando-lhe ocasião de fazer penitência, de se identificar com Nosso Senhor trabalhando em Nazaré e formar seu julgamento por esse contato cotidiano com a realidade das coisas mais humildes mas tão admiráveis da criação, na horta, na cozinha, na padaria e nos diversos ofícios da casa. O horário que regula essas três grandes atividades do monge em nosso mosteiro é o seguinte: 03:30 – MATINAS,  seguidas da “Lectio Divina” 06:00 – LAUDES, seguidas de oração mental 07:00 – Café da manhã 07:30 – PRIMA, seguida de aulas 10:00 (ou 11:00) – TERÇA e MISSA CONVENTUAL 12:00 – SEXTA seguida de almoço 14:15 – NOA, seguida de trabalho manual 17:00 – VÉSPERAS, seguidas de oração 18:00 – Jantar 18:45 – Capítulo 19:00 – COMPLETAS 20:00 – Apagar as luzes Uma vez por semana, após Noa, a comunidade faz uma caminhada recreativa. Além disso, ao menos duas vezes por ano toda a comunidade faz o que chamamos “grande passeio” e que nada mais é do que uma grande excursão a pé pelas matas das redondezas, ocasião em que passamos o dia “em família” ao ar livre, o que não nos impede de aí cantar o Ofício Divino e louvar assim o Criador! Às nossas atividades propriamente monásticas acrescenta-se, além da assistência espiritual e de formação a nossas irmãs, um discreto apostolado junto às famílias da região assim como a orientação espiritual da pequena escola mantida pelo mosteiro. #DoutrinaMonástica

  • Dom João da Cruz

    DOM JOÃO DA CRUZ Nascido na Argentina, chamado José Schöo, antes de receber o hábito beneditino, conheceu a Tradição através da Fraternidade São Pio X, na qual ingressou estudando inicialmente na Argentina e em seguida em Ecône, na Suíça. Atraído pela vida monástica entrou no mosteiro beneditino de Santa Maria Madalena, na França. Aí fez sua profissão perpétua em 1982. Ordenado sacerdote por S. Ex. Dom Marcel Lefebvre em 1986, foi enviado ao Brasil no ano seguinte para ser um dos fundadores do nosso mosteiro da Santa Cruz em Nova Friburgo no Estado do Rio de Janeiro, onde foi Mestre de noviços. Após a separação com o Mosteiro Sainte Marie Madaleine du Barroux ficar consumada, D. João voltou ao nosso mosteiro, indo em seguida para Santa Maria (RS), onde foi recebido pelo dedicado, fiel e extremamente generoso Sr. Otero. Sua presença em Santa Maria marcou profundamente muitas almas e preparou o terreno para a obra que lá realiza hoje o Rev. Pe. Pascal ajudado pelo Rev. Pe. Carlos. Devido à sua saúde, D. João teve que se recolher ao mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe nos Estados Unidos, onde foi também Mestre de noviços, vindo a falecer no dia 29 de junho deste ano, em conseqüência de suas doenças suportadas com heróica resignação. Digamos agora algumas palavras sobre as virtudes de nosso saudoso Dom João. Como sacerdote, Dom João exerceu sobre inúmeras almas o que é próprio de um sacerdote, ou seja, o zelo para encaminhá-las para Deus. Nesse particular quantos poderão testemunhar sobre as graças recebidas através do ministério sacerdotal de Dom João da Cruz, o qual levou muito longe essa dedicação atenta para com cada alma em particular! Ainda como sacerdote, o seu amor à missa o fazia rezá-la com uma reverência e dignidade que impressionaram a Revda. Madre Marie Christianne, fundadora dos Carmelos da Tradição e irmã de Dom Lefebvre, como ela mesma contava. Ainda como sacerdote, devemos notar os sermões de Dom João, que tocavam fundo nas almas devido não só à expressão sempre densa e incisiva, mas, sobretudo pela sua Fé e sua experiência do sofrimento, que o acompanhou ao longo de toda a sua vida. Para conhecer D. João como monge, bastava visitar a sua cela, reflexo de seu amor pela regularidade, ou seja, de seu amor à Santa Regra, pela observância deste código de santidade legado por Nosso Bem-aventurado Pai São Bento. Neste rápido esboço sobre D. João não podemos deixar de lembrar a sua doença. Que martírio foi para ele essa doença que justamente o impedia de observar as prescrições da Regra e a ficar prostrado no leito, atormentado horas a fio pela dor! Essa dor contínua foi, sem dúvida alguma, o caminho privilegiado de sua santificação e de sua penetrante direção das almas, pois só quem sofreu entende os sofrimentos do próximo. Para terminar, lembremos que em 1988 quando Dom Gérard Calvet fez inaceitáveis acordos com Roma, Dom João da Cruz foi o primeiro a tomar a corajosa decisão de se separar da obediência de Dom Gérard, preferindo obedecer antes a Deus do que aos homens, compreendendo o que dizia São Bernardo: “Aquele que faz o mal porque lho ordenaram, não faz ato de obediência, mas sim de rebelião”. Que todos esses exemplos de dedicação sacerdotal, paciência nas provações, fidelidade à Fé, amor da missa e da estrita observância da Regra permaneçam sempre vivos em nossa lembrança. A seus familiares apresentamos aqui nossos pêsames e lhes asseguramos de nossos sentimentos de simpatia nessa circunstância dolorosa. D. Tomás de Aquino OSB Prior do Mosteiro da Santa Cruz #SobreoMosteiro

  • Histórico

    HISTÓRICO O Revdo. Pe. Jean-Baptiste Muard nasceu em 24 de abril de 1809 em Vireaux, na diocese de Sens, França. Desejando  fundar uma comunidade religiosa, descobre a Regra de São Bento quando de uma viagem a Subiaco (Itália). Conquistado pelo equilíbrio de vida que ela propõe entre trabalho e oração, volta para a França em 1848 com seus dois primeiros companheiros e faz seu noviciado na Trapa de Aiguebelle. Em 1850, ele instala sua comunidade nascente nas florestas do Morvan (Yonne), no lugar chamado “La Pierre-qui-Vire”. Quando em 19 de junho de l854 ele vem a falecer, cerca de vinte monges compõem a comunidade que conhece uma rápida expansão sendo hoje a Abadia Sainte Marie de la Pierre-qui-Vire. Em 1864 Louis Banquet, jovem seminarista de 24 anos e subdiácono desde dezembro de 1863, ingressa no noviciado da Pierre-qui-Vire recebendo posteriormente o nome religioso de Romain. Dez anos depois, D. Romain Banquet começa a dirigir espiritualmente uma jovem de dezessete anos, Marie Cronier, que estava terminando seus estudos na Abadia de Jouarre e que é beneficiada por graças particulares. Inicia-se, assim, uma amizade espiritual que durará até o fim de suas vidas. Marie Cronier recebe em 29 de janeiro de 1883 a revelação do plano de uma obra à qual o Senhor os chama: “… uma arca espiritual que será Sua própria morada, onde as almas viverão dEle, onde Ele será o Bem-amado. Será seu lugar escolhido, se as almas chamadas tiverem a felicidade de compreendê-lo.” Em 1937 um grupo de monges de En  Calcat funda o priorado de Notre-Dame de Madiran que, erigido em abadia em 1946, transfere-se em 1952 para Tournay, perto de Lourdes. Com o crescimento do mosteiro do Barroux , Dom Gérard decide fazer uma nova fundação e resolve fazê-la  no Brasil não só pelos laços de amizade que conservara como também pela presença de dois brasileiros em sua comunidade. Em l988, porém, uma grave decisão se impôs à comunidade nascente: Dom Gérard  acabava de se separar de D. Lefebvre tomando uma nova direção em detrimento da Fé. Ora, assim como no tempo do arianismo era sinal de ortodoxia estar em comunhão com Santo Atanásio, assim em nossos dias o mesmo se deve dizer com relação aos então únicos bispos totalmente fiéis à Tradição da Igreja. O Mosteiro da Santa Cruz decidiu então se separar de Dom Gérard o que, apesar de inevitáveis dificuldades,  não impediu o  desenvolvimento da pequena comunidade pois de todas as partes do Brasil e também da Europa chegou-lhe o necessário apoio espiritual e mesmo material permitindo a continuidade da vida monástica. Em 1992 duas oblatas seculares do Mosteiro da Santa Cruz partem para a França para lá , no mosteiro de Notre-Dame de Toute Confiance, iniciarem-se na vida monástica em vista de uma futura fundação de monjas junto à de seus irmãos beneditinos. Tendo terminado, já no Brasil, sua formação religiosa, em 30 de novembro de 1999, festa de Santo André,  recebem, na capela do Mosteiro da Santa Cruz, das mãos de S. Exa. Revma. Dom Bernard Tissier de Mallerais, a Consagração das Virgens e fazem também sua profissão monástica perpétua consolidando assim a fundação do Mosteiro do Sagrado Coração de Jesus. Desde a ruptura de Dom Gérard em 1988 com D. Lefebvre, os tradicionalistas franceses desejavam a fundação de novo mosteiro beneditino na França, fundação essa que teve seu início em agosto de l999 com a partida de um pequeno grupo de monges do Mosteiro da Santa Cruz e também com a ajuda do mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe, do Novo México (EUA), o qual foi fundado por um monge americano da comunidade do Barroux que havia se separado, como a fundação brasileira, de Dom Gérard. Com a ajuda dos fiéis tradicionalistas não só da França como também de muitos outros países, a comunidade conseguiu adquirir em julho de 2000 uma antiga abadia cisterciense na região central da França, Notre-Dame de Bellaigue, e vai-se desenvolvendo bem, com as bênçãos de Deus e de Nosso Pai São Bento. U.I.O.G.D. #SobreoMosteiro

  • Boletín No. 47

    BOLETÍN DE LA SANTA CRUZ Nº 47 JUNIO 2012 Queridos amigos y benefactores, Gracias a las hermanas del Instituto de Nuestra Señora del Rosario, nuestra escuela fue reabierta con los cinco primeros grados de la educación primaria. Ellas vienen de una comunidad de Anápolis en pleno crecimiento. Llegaron a Friburgo el 21 de diciembre. Sin perder un minuto, comenzaron los preparativos para la reapertura de la escuela. Fueron necesarias unas reparaciones, tanto de la parte administrativa como de las instalaciones, que sólo podrían concluirse con un esfuerzo continuo e intenso, ya que queríamos comenzar las clases a principios de febrero. Gracias a Dios, no hay falta de ayuda, ni por parte del Ministerio de Educación, ni por parte de los padres de los alumnos, de los amigos y de los profesionales contratados. Agradecemos especialmente la generosa ayuda de nuestros benefactores, sin la cual nada podríamos haber hecho. Nuestra escuela, por el momento, no puede cobrar las mensualidades debido a sus estatutos. Además, tenemos algunos niños, cuyos padres no pueden pagar una mensualidad igual al costo de nuestra escuela. Nuestra planilla de pago, aunque no muy alta, es mayor que nuestro ingreso actual. Agradecemos a todos los que nos puedan ayudar en este trabajo con una contribución mensual, por pequeña que sea. Una de las Hermanas desempeña el cargo de directora, otra de secretaria y una última de maestra de quinto grado, lo que facilita enormemente el funcionamiento de la escuela. Que los santos patronos del Instituto de Nuestra Señora del Rosario, Santo Domingo y Santa Catalina de Siena, obtengan de Dios, junto con San Benito y Santa Escolástica, todas las gracias necesarias para que este proyecto dé sus frutos, treinta, sesenta o cien por un, como dice el Evangelio. Dom Prior DOCTRINA El conocimiento de Dios, el sol del alma El conocimiento de Dios, cuando crece en nuestra alma, hace crecer la propia alma; este conocimiento la ilumina y la hace fecunda de buenas obras. Toda la vida racional procede, como el árbol que sale de la semilla, de dos nociones fundamentales: la noción de causa y la noción de fin. Subir de los efectos a las causas es propio de la vida intelectual, actuar para un fin, es propio de la vida moral. Ahora bien, Dios es al mismo tiempo, la causa suprema de la cual todo procede y el último fin hacia el cual todo converge. De esta doble calidad de causa y de fin, Dios preside, de lo alto de su majestad infinita, todos los actos de nuestra vida intelectual y moral. Su conocimiento es imprescindible para el desarrollo de nuestra alma. 1 – Este conocimiento de la causa suprema de todas las cosas que es Dios, es el sol de nuestra vida intelectual. Cuando hablamos de la vida intelectual, nos referimos a la vida de todos los hombres sin distinción. Jacinta de Fátima, siendo niña, tenía bien viva esta vida de la inteligencia, como se puede ver por las respuestas y consideraciones que ella hacía. Con frecuencia son las personas más simples que demuestran más sabiduría cuando consideran todo desde la luz de la fe, la cual ilumina nuestras almas. Estas almas tienen una vida intelectual llamada sabiduría. A medida que nuestra razón se profundiza en la causa universal de todo ser, se da cuenta de la armonía del mundo, de las leyes que rigen el universo, de las relaciones entre los diversos seres que lo componen, de la cadena de causas secundarias (es decir, de la acción de las criaturas) que contribuyen a la actividad infinitamente fecunda de Dios. 2 – El conocimiento de Dios en cuanto fin de nuestras acciones es la brújula de la vida moral. Dios como bondad suprema, es el fin (objetivo último) de toda criatura. Es para Dios que deben tender todos los actos de nuestra vida. Es por comparación con Dios, que juzgamos el grado de bondad de todas las cosas y por tanto, la bondad de cada una de nuestras acciones. Por eso, no debemos sorprendernos si Santo Tomás nos dice: “Lo primero que se presenta al niño cuando llega a la edad de la razón, es pensar en Dios como el fin supremo a quien todo debe ser ordenado” (Iª IIae, q. LXXXIX a. 6, ad 3um). ¿Qué pasaría entonces si el hombre estuviese en una ignorancia absoluta acerca de Dios? Sucedería que, a semejanza de los animales, no gozaría de una vida verdadera y propiamente racional. Porque, ¿qué es el hombre que actúa como ser racional, sino el hombre que es señor de su vida y la ordena a un fin? Ahora bien, ¿como podría el hombre ser capaz de determinar un objetivo a su existencia, si ignorase a Dios, que es el fin[1] de todos los seres? En este estado, su conciencia perdería la brújula y, a pesar de tener una noción confusa del bien y del mal, no podría distinguir el verdadero bien ni el verdadero mal. Nos es difícil sondear las profundidades de las tinieblas donde permanecería un alma que no conociese a Dios, precisamente por haber nacido en una sociedad cristiana, no podemos imaginar lo que sería una sociedad absolutamente sin Dios. Pero consideremos a los pueblos salvajes, cuyo grado extremo de degradación nos llena de asombro y horror. Podemos constatar ahí el obscurecimiento de la noción de Dios. Y entre estas personas la idea de Dios no despareció, sino que sólo fue alterada, materializada. Estos salvajes tienen una vaga idea de un Ordenador, de un Organizador supremo de que habla Santo Tomás.[2] Para concebir lo que sería el hombre absolutamente aislado de toda noción de Dios es necesario descender más y descender al nivel de los animales. Es por la facultad de conocer y amar a su Creador que se establece la más esencial delimitación entre el hombre y los animales. El animal instintivamente imita las obras de la razón, como construir un nido o como juntar las provisiones y dividir los trabajos, como se ve entre las hormigas. Sin embargo, el animal es radicalmente incapaz de rezar y adorar. La distinción entre el hombre y el animal está en la razón, pero es sobre todo, por el hecho de que puede elevarse a Dios mediante la oración y la adoración, que se ve toda la diferencia entre los hombres y los animales. Al contrario, cuanto más crece el conocimiento de Dios y se separa de los toscos errores, más espiritual se torna el alma y el hombre se eleva y se acerca más a los ángeles, y también la sociedad humana entra en la posesión de la verdadera civilización y la verdadera libertad. Porque no hay nada más que la verdad que nos hace libres, como lo dice Nuestro Señor. Con la predicación del Evangelio, con la difusión de la verdadera fe, se llevó a cabo, principalmente en Europa en los siglos pasados, lo que había sido anunciado por los profetas: “Las fieras, dice Isaías, ya no tienen el poder de hacer daño o matar sobre el santo monte, porque la tierra se llenará del conocimiento de Dios, como las olas de un mar desbordante. “(Isaías XI, 91). “El hombre, dice Jeremías, ya no tendrá más necesidad de enseñar a su prójimo ni a su hermano, diciéndole: “Conoce al Señor.” Pues todos lo conocerán, dice el Señor, del menor al mayor” (Jer. XXXI, 34). Ya hubo tiempos en que estas profecías fueron una realidad, o mejor dicho, cuando los hombres vivían de una manera que este conocimiento de Dios estaba presente en la vida de las naciones, como, por ejemplo, en el tiempo de San Luis, rey de Francia. Hoy en día, por desgracia, se busca establecer una educación en la que el conocimiento de Dios está ausente, o profundamente deformado. Sólo la fe nos permite conocer realmente a Dios, la verdadera fe, la virtud infundida por Dios en nuestras almas. Las religiones falsas no nos permiten conocer verdaderamente a Dios ni nos conducen a Él. Conclusión práctica: Debemos reflexionar sobre el momento solemne en que el alma del niño cuando llega a la edad de la razón, debe escoger a Dios como a su fin último. En este momento el niño toma, por así decirlo, posesión de sí mismo, y debe entregarse a Dios. Los sacerdotes, maestros, catequistas, los padres de familia, deben por medio de las clases, consejos, exhortaciones y el ejemplo, preparar este momento en que el alma del niño va a encontrarse con Dios. Con razón se da una importancia muy especial a la primera venida de Jesús en el Santísimo Sacramento en el corazón del niño. Pero también debemos dar gran importancia a este momento en que el alma del niño se tornará para Dios como a su último fin o lo rechazará, prefiriendo a la criatura en lugar del Creador. Debemos orar y ayudar a los niños para que ellos entren en la edad de la razón por medio de un acto de amor a Dios. (Texto del Rev. P. Emmanuel André, con pequeños retoques) CRÓNICA 8 de diciembre – Inmaculada Concepción Hermosa ceremonia en el Instituto de Nuestra Señora del Rosario en que cinco hermanas hacen su profesión temporal, tres postulantes reciben el velo de novicias y una hermana renueva sus votos. Dos monjes de Santa Cruz asisten a la ceremonia. 19 de diciembre Misa de séptimo día en Sao José dos Campos, por el eterno descanso del alma de María Esperanza Silva, hermana de Fray Pacífico Capuchino de Morgon (Francia). 21 de diciembre Llegada de las Hermanas del Instituto de Nuestra Señora del Rosario: Hermana María Francisca, Hermana María Teresa, Hermana María Cecilia, Hermana María de Lourdes, y las novicias: Hermana Camila, Hermana Isabel y Hermana Cristina. 24 de diciembre Llegada de los amigos de Abagé, Bahía. Grupo de jóvenes interesados en la tradición. 27 de diciembre Inscripciones para la escuela de San Benito y Santa Escolástica. Inauguran las inscripciones María Helena y Paulinho. 28 de diciembre Visita de la Sra. Meire y Suzana de Maringá, Paraná. 31 de diciembre Los monjes renuevan sus votos al final de su retiro anual. 1º. de enero Misa cantada en presencia del Prof. Juan Carlos Rosolini que se ocupa de un coro de niños en Santa Luzia, Minas Gerais. El profesor Juan Carlos está unos días con nosotros y nos da excelentes clases de canto, así como a las hermanas del Instituto de Nuestra Señora del Rosario. 4 de enero Distribución de encargos para el año de gracia 2012. Tomando como resolución de comunidad para este año el buen celo. 8 de enero Llegada de hospedes de Recife, el coronel Jessé y su hijo, Paulo. 12 de enero Llegada de Raúl de Maringá que se prepara para ir a Avrillé con otros dos amigos: Luiz Carlos y Renan, para ingresar juntos en la Orden de Santo Domingo. 23 de enero Llegada del Rev. Ernesto Cardozo que viene para las confesiones extraordinarias. 24 de enero Partida del Padre Cardozo que por la tarde nos dio una conferencia sobre los cuerpos incorruptos. Llegada del Padre Fernando Conceição así como de Luiz y Renan del grupo de Maringá. 26 de enero Partida del Padre Fernando después de ver a las hermanas y darles los consejos necesarios para que continúen con su hermosa vocación de formar las inteligencias y los corazones de los niños en el conocimiento y el amor de Dios. 14 de febrero Llegada de la Superiora de las Hermanas Rosarianas, Hermana Verónica, acompañada de la Hermana María del Perpetuo Socorro. 15 de febrero Partida de nuestros amigos de Maringá para Francia, rumbo a Avrillé. NOTA DEL MAYORDOMO Las reformas en la escuela San Benito-Santa Escolástica alegran el corazón de los niños de nuestra escuela, pero no dejan de ser un dolor de cabeza para el Mayordomo que debe garantizar los nuevos gastos. El corte de unos árboles de eucalipto nos da un poco de alivio. San José se encargará del resto, si, con su ayuda, sumamos nuestros esfuerzos constantes. A todos los que nos puedan ayudar, nuestro agradecimiento y la promesa de nuestras oraciones. Una misa se rezará mensualmente por los benefactores de nuestra escuela. Que Nuestro Señor sea la recompensa de todos nuestros amigos y bienhechores. Hno. Mayordomo. [1] Fin aquí significa objetivo, bien, pues el bien es aquello que todo ser procura y Dios es la fuente de todo bien y por tanto el fin de todos los seres. [2] El autor, que escribió este texto en el siglo XIX, diría ciertamente que nuestra sociedad actual se aproxima cada vez más de este estado de los salvajes en los cuales la noción de Dios está alterada, materializada y, lo que es peor, anulada en muchos casos. Esto explica ciertamente el porqué del grande número de adolescentes de hoy que se entregan al uso de drogas, no conociendo el fin para el cual ellos fueron criados. #Boletines

  • A espiritualidade do Concílio

    A espiritualidade do Concílio GUSTAVO CORÇÀO ANTES DE QUALQUER consideração sobre o que aconteceu ontem em Lille ou amanhã acontecerá em Roma ou Paris, é indispensável a recolocação dos eixos principais do affaire Lefebvre: em todos os textos esse dramático desenlace de um amontoado de equívocos e erros é apresentado como uma recusa da parte de Dom Lefebvre. Esse virtuoso prelado é apontado como rebelde, isto é, como alguém que, por iniciativa própria e primeira; recusa obediência a um superior hierárquico. E SSA APRESENTAÇÃO mal feita em quase todas as noticias, explica-se por mil fatores sobejamente conhecidos, mas forçoso é reconhecer que, pela primeira vez nos dez anos de “Igreja Pós-conciliar”, corre pelo mundo inteiro uma emoção e um interesse surpreendentes. Como?! Este bravo mundo ainda se ‘interessa pela Religião e especialmente pela Religião Católica?! Infelizmente esse interesse e essa emoção, mesmo no meio dos católicos praticantes, se perdem num ambiente em que as referências doutrinais foram destruídas e espezinhadas. Daí a necessidade de recolocação cuidadosa do problema em seus verdadeiros termos. Não há no caso uma simples recusa, e sim uma recusa provocada por outra recusa mais grave, que não foi promovida por Dom Lefebvre, e sim por toda uma organização eclesiástica, reunida em concílio, e continuada com sínodos, Conferências Episcopais, com o objetivo, tornado hoje evidente, de recusar a continuação tradicional, obediente, da Igreja de Pio XII, Pio XI, Bento XIV, São Pio X… São Pedro, Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje, só não vê que as famosas reformas conciliares produziram não apenas uma Igreja reformada, deformada, transformada, mas Outra, igreja, quem não quer ver, ou quem muito pouco conhecia da Face e da Voz da Esposa de Cristo. Todos nós, para quem esta tenebrosa evidência crescia irresistivelmente, e se impunha como um dever de testemunho, rogávamos a Deus instantemente, gemendo e chorando, que o Sumo Pontífice, Vigário de Cristo, guardasse paternal dileção pelos seus filhos católicos, ainda que por debilidade de temperamento, que o Cardeal Gut chamou de “sua grande bondade”, não tivesse forças para reprimir os mil agravos cometidos no mundo inteiro contra o Sangue de Nosso Salvador; ainda que lhe faltassem forças, e que disto tanto sofresse, para castigar um Hans Kung, e os desvarios de tantos cardeais indignos, relapsos, que Santa Catarina de Sena não hesitou chamar “demónios incarnados”, ainda assim rogávamos a Deus, à Virgem Santíssima, a São Miguel Arcanjo, a São José, a São Pio V, a São Pio X que protegesse nosso Papa Paulo VI e que de todos os modos o defendessem da tentação de ser Papa conciliador de duas Igrejas inconciliáveis. Chegamos à humilhação de pedir, de esperar que, caso tal coisa acontecesse, não chegasse à extremidade de romper os vínculos de paternidade com aqueles que só desejam viver, se santificar, e morrer na mesma Igreja em que receberam o batismo. AFLITOS, NÃO COMPREENDÍAMOS como podia o coração católico do Santo Padre não recusar os evidentes resultados da vitória obtida pelos inimigos da Igreja. Nós os recusamos. Dom Lefebvre, antes de nós, desde o Concílio, deu todos os sinais de alerta e de santa repugnância. Ele via, como hoje vemos claramente, que a tradição, a artéria viva que nos traz o Sangue de, Cristo e todos os bens da Igreja, os sacramentos, a autoridade dos Bispos e a suprema autoridade do sucessor de Pedro, estava sendo cortada. E por isto nós recusamos aquela nova Igreja, que recusava a tradição. AGORA, NUM RETROSPECTO trazido pela atoarda do affaire Lefebvre, impôs-se à nossa atenção o pronunciamento principal com que se encerrou o Concilio, e com o qual ficou ostensiva a ruptura do resultado conciliar anunciado, com a doutrina, com a identidade, com a tradição católica. No tópico 8 da alocução de encerramento do Concílio, de 7 de dezembro de 1965, lemos: “A religião de Deus que se fez homem, se encontrou com a religião, sim a religião, do homem que se fez Deus” é a religião do orgulho e choque, uma luta, uma condenação? Poderia ter acontecido, mas não foi o que aconteceu. A antiga história do Samaritano foi a pauta da espiritualidade do Concilio. Uma simpatia imensa o penetrou”, (grifo nosso) DETENHAMO-NOS na consideração da “espiritualidade” do Concilio, e consideremos que ela se opõe frontalmente à espiritualidade católica em qualquer dos seus riquíssimos matizes. NA ESPIRITUALIDADE CATÓLICA, ensinada por São João da Cruz, Santo Tomás, Santa Catarina de Sena, Santa Tereza d’Avila, Santa Terezinha do Menino Jesus, São Francisco de Salles, Santo Ignácio de Loyola, São Domingos, e Santo Agostinho — “a religião do homem que se faz Deus” é a religião do orgulho e seu espírito só pode ser o das Trevas. Será possível admitir qualquer coalizão entre as duas Igrejas? O redator da passagem acima transcrita, levado pela ideia mestra do humanismo que tudo quer conciliar, deixou-se levar pela ideia de que a Igreja — estando aqui para servir — deve ser essencialmente tolerante. MEU DEUS! NÃO PRETENDO ensinar o padre-nosso ao Vigário, mas também não quero e não posso deixar passar em silêncio uma tão grave oportunidade de mais obedecer a Deus do que aos homens. É elementar doutrina da eclesiologia católica que a Santa Igreja do Verbo Incarnado, na sua virgindade maternal, configurada pela Mãe de Deus, é solícita e misericordiosa para todas as fraquezas dos homens, mas é virginalmente, adamantinamente intolerante com a força má de seu orgulho. A IGREJA DO VERBO INCARNADO, em todos os tempos, soube consolar os homens que se humilham, e soube com energia incansável reprimir, condenar, castigar os que ousam se erguer contra a Majestade de Deus. #GustavoCorção

  • A fé vem antes da legalidade

    Dom Tissier de Mallerais: “A fé vem antes da legalidade” Rivarol – Dom Tissier de Mallerais – entrevista realizada por Jérôme Bourbon – publicada em de junho de 2012. Há dez anos entrevistamos Dom Tissier de Mallerais por ocasião da publicação de sua volumosa biografia de Mons. Lefebvre, publicada pelas edições Clovis: Marcel Lefebvre. Une vie. O ex-arcebispo de Dakar concedeu uma longa entrevista a RIVAROL em 1968 que marcou data, dois anos antes de fundar a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Por ocasião da reedição de sua obra L’étrange théologie de Benoît XVI, Herméneutique de continuité ou rupture, pelas edições du Sel, Convento de Haye aux Bonhommes, 49240 Avrillé (19 euros), novamente entrevistamos Dom Tissier num momento em que graves divisões surgem no seio da Fraternidade Sacerdotal São Pio X sobre a questão de um acordo com Bento XVI. Nesta entrevista realizada em 1o de junho pode-se ver que Dom Tissier, nascido em 1945 e que é um dos quatro bispos sagrados pelo prelado de Ecône em 30 de junho de 1988 – o único de nacionalidade francesa –, se opõe abertamente à estratégia de alinhamento com Bento XVI proposta por Dom Fellay. RIVAROL : Fala-se muito sobre a “reintegração” iminente da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) na “Igreja Oficial”. O que significa isso exatamente? Dom TISSIER de MALLERAIS: “Reintegração”: a palavra é falsa. A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) jamais saiu da Igreja. Está no coração da Igreja. Onde há a pregação autêntica da fé, ali está a Igreja. Este projeto de “oficialização” da FSSPX me deixa indiferente. Nós não precisamos, nem a Igreja. Já estamos no topo, como um sinal de contradição que atrai as almas nobres, que atrai muitos jovens sacerdotes, apesar de nosso estatuto de párias. Querer-se-ia colocar nossa lâmpada sob o alqueire por nos integrar no orbe conciliar. Este estatuto proposto de prelazia pessoal, análogo ao do Opus Dei, é um estatuto para um estado de paz. Mas atualmente estamos em pé de guerra na Igreja. Seria uma contradição querer “regularizar a guerra”. R. : Mas alguns na Fraternidade Sacerdotal São Pio X pensam que ainda seria um bom negócio. Mas V. Exa. Revma. não se sente incomodado por esta situação “irregular”? Dom TISSIER : A irregularidade não é nossa. É de Roma. Uma Roma modernista. Uma Roma liberal que rejeitou o Cristo-Rei. Uma Roma condenada por todos os papas até as vésperas do concílio. Por outro lado, a experiência das sociedades sacerdotais que se alinharam com a Roma atual mostra que todas elas, uma após a outra, inclusive Campos e o Bom Pastor, foram obrigadas a aceitar o Concílio Vaticano II. Sabe-se o que aconteceu com Dom Rifan, de Campos, que agora não mais objeta a celebração da nova missa, e proibiu seus padres de criticar o Concílio! R : O que V. Exa. Revma. responderia aos que creem que Roma mudou com Bento XVI? Dom TISSIER : É verdade que Roma fez alguns gestos em favor da tradição. Principalmente ao declarar que a missa tradicional jamais foi suprimida e, secundariamente, ao suprimir em 2009 as chamadas excomunhões, declaradas contra nós quando fomos sagrados bispos por Dom Lefebvre. Estes dois gestos positivos geraram amargas queixas contra Bento XVI por parte do episcopado. Mas o papa Bento XVI, embora seja papa, continua modernista. Seu discurso programático de 22 de dezembro de 2005 é uma profissão da evolução das verdades de fé segundo as ideias dominantes de cada época. Apesar de seus gestos favoráveis, sua intenção ao nos integrar no orbe conciliar, não pode ser outra senão nos conduzir ao Vaticano II. Ele mesmo teria dito isto a Dom Fellay em outubro de 2005, e uma nota confidencial, publicada fraudulosamente, recentemente o confirmou. R : Mas alguns acham que Bento XVI, vindo da Baviera católica e tendo – segundo eles – “desde sua juventude, uma profunda piedade”, inspira confiança. O que lhes responderia? Dom TISSIER : É verdade que este papa é muito simpático. É um homem amável, polido, reflexivo, um homem discreto mas de uma autoridade natural, um homem de decisão que resolveu vários problemas na Igreja com sua energia pessoal. Por exemplo, problemas morais neste ou naquele instituto sacerdotal. Mas ele é imbuído do concílio. Quando diz que a solução do problema da FSSPX é um dos objetivos de seu pontificado, ele não percebe onde está o verdadeiro problema. Ele o situa mal. Ele o vê em nosso chamado “cisma”. Ora, o problema não é o da FSSPX, é o problema de Roma, da Roma neomodernista que não é mais a Roma eterna, que não é mais a mestra de sabedoria e de verdade, mas que se tornou fonte de erro depois do Concílio Vaticano II, e que assim continua até hoje. Portanto a solução da crise só poderá vir de Roma. Após Bento XVI. R. : Como V. Exa. Revma. vê a solução deste desacordo da FSSPX com Bento XVI, visto por muitos como escandaloso? Dom TISSIER : É verdade que a FSSPX é uma “pedra de escândalo” para os que resistem à verdade (cf 1 Pedro 2.8) e isto é um bem para a Igreja. Se formos “reintegrados”, cessaremos por este fato mesmo de ser um espinho cravado no dorso da igreja conciliar e cessaremos de ser a rejeição viva da perda da fé em Jesus Cristo, em sua divindade, em sua realeza. R : Mas V. Exa. Revma. , junto com seus dois colegas, escreveram uma carta a S. Exa. Revma. Dom Fellay para recusar um acordo prático com Bento XVI. Quais são as razões desta recusa? Dom TISSIER : A difusão da carta se deve a uma indiscrição de que não somos culpados. Recusamos um acordo puramente prático porque a questão doutrinal é primordial. A Fé vem antes da legalidade. Não podemos aceitar uma legalização sem que o problema da Fé seja resolvido. Submetermo-nos agora incondicionalmente a uma autoridade superior imbuída de modernismo, seria expor-nos ao dever de desobedecer. E para que? Dom Lefebvre dizia já em 1984: “ninguém se coloca sob uma autoridade, quando esta tem todos os poderes para nos destruir”. Creio que isso é sábio. Gostaria que produzíssemos um texto que, rejeitando as sutilezas diplomáticas, afirmasse nossa fé e por consequência nossa rejeição dos erros conciliares. Esta proclamação teria a vantagem de primeiramente dizer a verdade ao papa Bento XVI, que é o primeiro a ter o direito à verdade, e, em segundo lugar, restauraria a unidade dos católicos da tradição em torno de uma profissão de fé combativa e inequívoca. R : Alguns creem que o proposto estatuto de prelazia pessoal vos protegeria suficientemente dos perigos de abandonar o combate da fé. O que V. Exa. Revma. responde? Dom TISSIER : Isto é inexato. Segundo o projeto de prelazia, não estaremos livres para erguer novos priorados sem a permissão do bispo local e, além disso, nossas recentes fundações deverão ser confirmadas por estes mesmos bispos. Isso seria submeter-se inutilmente a um episcopado globalmente modernista. R : Poderia V. Exa. Revma. precisar este problema da fé que V. Exa. Revma. deseja que seja resolvido em primeiro lugar? Dom TISSIER : Com muito prazer. Trata-se, como dizia Dom Lefebvre, da tentativa do Concílio Vaticano II de reconciliar a Igreja com a revolução, de conciliar a doutrina da fé com os erros liberais. O próprio Bento XVI o afirmou em sua entrevista com Vitorio Messori em novembro de 1984 ao dizer: “o problema dos anos 1960 (portanto do concílio) era a aquisição dos valores mais maduros de dois séculos de cultura liberal. São valores que, apesar de nascidos fora da Igreja, poderiam encontrar seu lugar, uma vez purificados e corrigidos, na sua visão do mundo. E isso é o que se fez”. Eis a obra do concílio: uma conciliação impossível. “Que conciliação pode ter a luz com as trevas?”, diz o Apóstolo, “que acordo entre Cristo e Belial?” (2 Cor 6.15) A manifestação emblemática desta conciliação é a Declaração sobre a liberdade religiosa. Em lugar da verdade do Cristo e de seu reino social sobre as nações, o concílio coloca a pessoa humana, sua consciência e sua liberdade. É a famosa “mudança de paradigma” que confessou o cardeal Colombo nos anos 1980. O culto do homem que se faz Deus em lugar do Deus que se faz homem. (cf. discurso de Paulo VI no encerramento do concílio, em 7 de dezembro de 1965). Trata-se de uma nova religião que não é a religião católica. Com esta religião não queremos nenhum compromisso, nenhum risco de corrupção, nem mesmo uma aparência de conciliação. A chamada “reconciliação” daria justamente essa aparência. Que o Coração Imaculado de Maria, imaculado em sua fé, nos guarde na fé. #Atualidades

  • Mortalium Animus

    CARTA ENCÍCLICA MORTALIUM ANIMOS DO SUMO PONTÍFICE PIO XI AOS REVMOS. SENHORES PADRES PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS DOS LUGARES EM PAZ E UNIÃO COM A SÉ APOSTÓLICA SOBRE A PROMOÇÃO DA VERDADEIRA UNIDADE DE RELIGIÃO Veneráveis irmãos: Saúde e Bênção Apostólica. 1. Ânsia Universal de Paz e Fraternidade Talvez jamais em uma outra época os espíritos dos mortais foram tomados por um tão grande desejo daquela fraterna amizade, pela qual em razão da unidade e identidade de natureza – somos estreitados e unidos entre nós, amizade esta que deve ser robustecida e orientada para o bem comum da sociedade humana, quanto vemos ter acontecido nestes nossos tempos. Pois, embora as nações ainda não usufruam plenamente dos benefícios da paz, antes, pelo contrário, em alguns lugares, antigas e novas discórdias vão explodindo em sedições e em conflitos civis; como não é possível, entretanto, que as muitas controvérsias sobre a tranquilidade e a prosperidade dos povos sejam resolvidas sem que exista a concórdia quanto à ação e às obras dos que governam as Cidades e administram os seus negócios; compreende-se facilmente (tanto mais que já ninguém discorda da unidade do gênero humano) porque, estimulados por esta irmandade universal, também muitos desejam que os vários povos cada dia se unam mais estreitamente. 2. A Fraternidade na Religião. Congressos Ecumênicos Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor. Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a Ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual. Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão. 3. Os Católicos não podem aprová-lo Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que juogam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império. Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada. 4. Outro erro. A união de todos os Cristãos. Argumentos falazes Entretanto, quando se trata de promover a unidade entre todos os cristãos, alguns são enganados mais facilmente por uma disfarçada aparência do que seja reto. Acaso não é justo e de acordo com o dever – costumam repetir amiúde – que todos os que invocam o nome de Cristo se abstenham de recriminações mútuas e sejam finalmente unidos por mútua caridade? Acaso alguém ousaria afirmar que ama a Cristo se, na medida de suas forças, não procura realizar as coisas que Ele desejou, ele que rogou ao Pai para que seus discípulos fossem “UM” (Jo 17,21)? Acaso não quis o mesmo Cristo que seus discípulos fossem identificados por este como que sinal e fossem por ele distinguidos dos demais, a saber, se mutuamente se amassem: “Todos conhecerão que sois meus discípulos nisto: se tiverdes amor um pelo outro?” (Jo 13,35). Oxalá todos os cristão fossem “UM”, acrescentam: eles poderiam repelir muito melhor a peste da impiedade que, cada dia mais, se alastra e se expande, e se ordena ao enfraquecimento do Evangelho. 5. Debaixo desses argumentos se oculta um erro gravíssimo Os chamados “pancristãos” espalham e insuflam estas e outras coisas da mesma espécie. E eles estão tão longe de serem poucos e raros mas, ao contrário, cresceram em fileiras compactas e uniram-se em sociedades largamente difundidas, as quais, embora sobre coisas de fé cada um esteja imbuído de uma doutrina diferente, são, as mais das vezes, dirigidas por acatólicos. Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grêmio. Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé. 6. A verdadeira norma nesta matéria Advertidos, pois, pela consciência do dever apostólico, para que não permitamos que o rebanho do Senhor seja envolvido pela nocividade destas falácias, apelamos, veneráveis irmãos, para o vosso empenho na precaução contra este mal. Confiamos que, pelas palavras e escritos de cada um de vós, poderemos atingir mais facilmente o povo, e que os princípios e argumentos, que a seguir proporemos, sejam entendidos por ele pois, por meio deles, os católicos devem saber o que devem pensar e praticar, dado que se trata de iniciativas que dizem respeitos a eles, para unir de qualquer maneira em um só corpo os que se denominam cristãos. 7. Só uma religião pode ser verdadeira: A revelada por Deus Fomos criados por Deus, Criador de todas as coisas, para este fim: conhecê-lO e serví-lO. O nosso Criador possui, portanto, pleno direito de ser servido. Por certo, poderia Deus ter estabelecido apenas uma lei da natureza para o governo do homem. Ele, ao criá-lo, gravou-a em seu espírito e poderia portanto, a partir daí, governar os seus novos atos pela providência ordinária dessa mesma lei. Mas, preferiu dar preceitos aos quais nós obedecêssemos e, no decurso dos tempos, desde os começos do gênero humano até a vinda e a pregação de Jesus Cristo, Ele próprio ensinou ao homem, naturalmente dotado de razão, os deveres que dele seriam exigidos para com o Criador: “Em muitos lugares e de muitos modos, antigamente, falou Deus aos nossos pais pelos profetas; ultimamente, nestes dias, falou-nos por seu Filho” (Heb 1,1 Seg). Está, portanto, claro que a religião verdadeira não pode ser outra senão a que se funda na palavra revelada de Deus; começando a ser feita desde o princípio, essa revelação prosseguiu sob a Lei Antiga e o próprio crisot completou-a sob a Nova Lei. Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditas, de modo absoluto, em deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja. 8. A única religião revelada é a Igreja Católica Acreditamos, pois, que os que afirma serem cristão, não possam fazê-lo sem crer que uma Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga, além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu Autor, já não estão todos em consenso. Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si. Entretanto, cristo Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça (Mt 16,18 seg.; Lc 22,32; Jo 21,15-17), pelo magistério de uma voz viva (Mc 16,15) e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste (Jo 3,5; 6,48-50; 20,22 seg.; cf. Mt 18,18; etc.). Por esse motivo, por comparações afirmou-a semelhante a um reino (Mt, 13), a uma casa (Mt 16,18), a um redil de ovelhas (Jo 10,16) e a um rebanho (Jo 21,15-17). Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: “Ide, pois, ensinai a todos os povos” (Mt 28,19). Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: “Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?” (Mt 28,20). Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18). 9. Um erro capital do movimento ecumêmico na pretendida união das Igrejas cristãs Ocorre-nos dever esclarecer e afastar aqui certa opinião falsa, da qual parece depender toda esta questão e proceder essa múltipla ação e conspiração dos acatólicos que, como dissemos, trabalham pela união das igrejas cristãs. Os autores desta opinião acostumaram-se a citar, quase que indefinidamente, a Cristo dizendo: “Para que todos sejam um”… “Haverá um só rebanho e um só Pastos”(Jo 27,21; 10,16). Fazem-no todavia de modo que, por essas palavras, queriam significar um desejo e uma prece de cristo ainda carente de seu efeito. Pois opinam: a unidade de fé e de regime, distintivo da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu até hoje e nem hoje existe; que ela pode, sem dúvida, ser desejada e talvez realizar-se alguma vez, por uma inclinação comum das vontades; mas que, entrementes, deve existir apenas uma fictícia unidade. Acrescentam que a Igreja é, por si mesma, por natureza, dividida em partes, isto é, que ela consta de muitas igreja ou comunidades particulares, as quais, ainda separadas, embora possuam alguns capítulos comuns de doutrina, discordam todavia nos demais. Que cada uma delas possui os mesmos direitos, que, no máximo, a Igreja foi única e una, da época apostólica até os primeiros concílios ecumênicos. Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conhecam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progessos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso. Estas são, Veneráveis Irmãos, as afirmações comuns. Existem, contudo, os que estabelecem e concedem que o chamado Protestantismo, de modo bastante inconsiderado, deixou de lado certos capítulos da fé e alguns ritos do culto exterior, sem dúvida gratos e úteis, que, pelo contrário, a Igreja Romana ainda conserva. Mas, de imediato, acrescentam que esta mesma Igreja também agiu mal, corrompendo a religião primitiva por algumas doutrinas alheias e repugnantes ao Evangelho, propondo acréscimos para serem cridos: enumeram como o principal entre estes o que versa sobre o Primado de Jurisdição atribuído a Pedro e a seus Sucessores na Sé Romana. Entre os que assim pensam, embora não sejam muitos, estão os que indulgentemente atribuem ao Pontífice Romano um primado de honra ou uma certa jurisdição e poder que, entretanto, julgam procedente não do direito divino, mas de certo consenso dos fiéis. Chegam outros ao ponto de, por seus conselhos, que diríeis serem furta-cores, quererem presidir o próprio Pontífice. E se é possível encontrar muitos acatólicos pregando à boca cheia a união fraterna em Jesus Cristo, entretanto não encontrareis a nenhum deles em cujos pensamentos esteja a submissão e a obediência ao Vigário de Jesus Cristo enquanto docente ou enquanto governante. Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual. Mas, se pudessem fazê-lo, não parece existir dúvida de que agiriam com a intenção de que, por um pacto que talvez se ajustasse, não fossem coagidos a afastarem-se daquelas opiniões que são a causa pela qual ainda vagueiem e errem fora do único aprisco de Cristo. 10. A Igreja Católica não pode participar de semelhantes reuniões Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo. 11. A verdade revelada não admite transações Acaso poderemos tolerar – o que seria bastante iníquo-, que a verdade e, em especial a revelada, seja diminuída através de pactuações? No caso presente, trata-se da verdade revelada que deve ser defendida. Se Jesus Cristo enviou os Apóstolos a todo o mundo, a todos os povos que deviam ser instruídos na fé evangélica e, para que não errassem em nada, quis que, anteriormente, lhes fosse ensinada toda a verdade pelo Espírito Santo, acaso esta doutrina dos Apóstolos faltou inteiramente ou foi alguma vez perturbada na Igreja em que o próprio Deus está presente como regente e guardião? Se o nosso Redentor promulgou claramente o seu Evangelho não apenas para os tempos apostólicos, mas também para pertencer às futuras épocas, o objeto da fé pode tornar-se de tal modo obscuro e incerto que hoje seja necessários tolerar opiniões pelo menos contrárias entre si? Se isto fosse verdade, dever-se-ia igualmente dizer que o Espírito Santo que desceu sobre os Apóstolos, que a perpétua permanência dele na Igreja e também que a própria pregação de Cristo já perderam, desde muitos séculos, toda a eficácia e utilidade: afirmar isto é, sem dúvida, blasfemo. 12. A Igreja Católica: depositária infalível da verdade Quando o Filho unigênito de Deus ordenou a seus enviados que ensinassem a todos os povos, vinculou então todos os homens pelo dever de crer nas coisas que lhes fossem anunciadas pela “testemunha pré-ordenadas por Deus” (At. 10,41). Entretanto, um e outro preceito de Cristo, o de ensinar e o de crer na consecução da salvação eterna, que não podem deixar de ser cumpridos, não poderiam ser entendidos a não ser que a Igreja proponha de modo íntegro e claro a doutrina evangélica e que, ao propô-la, seja imune a qualquer perigo de errar. Afastam-se igualmente do caminho os que julgam que o depósito da verdade existe realmente na terra, mas que é necessário um trabalho difícil, com tão longos estudos e disputas para encontrá-lo e possuí-lo que a vida dos homens seja apenas suficiente para isso, com se Deus benigníssimo tivesse falado pelos profetas e pelo seu Unigênito para que apenas uns poucos, e estes mesmos já avançados em idade, aprendessem perfeitamente as coisas que por eles revelou, e não para que preceituasse uma doutrina de fé e de costumes pela qual, em todo o decurso de sua vida mortal, o homem fosse regido. 13. Sem fé, não há verdadeira caridade Estes pancristãos, que empenham o seu espírito na união das igrejas, pareceriam seguir, por certo, o nobilíssimo conselho da caridade que deve ser promovida entre os cristãos. Mas, dado que a caridade se desvia em detrimento da fé, o que pode ser feito? Ninguém ignora por certo que o próprio João, o Apóstolo da Caridade, que em seu Evangelho parece ter manifestado os segredos do Coração Sacratíssimo de Jesus e que permanentemente costumavas inculcar à memória dos seus o mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros”, vetou inteiramente até mesmo manter relações com os que professavam de forma não íntegra e incorrupta a doutrina de Cristo: “Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem digais a ele uma saudação” (2 Jo. 10). Pelo que, como a caridade se apóia na fé íntegra e sincera como que em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal. 14. União Irracional Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros? E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina? Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo? Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor? Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo – Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar – e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, “único mediador de Deus e dos homens”? (1 Tim. 2,5). 15. Princípio até o indiferentismo e o modernismo Não sabemos, pois, como por essa grande divergência de opiniões seja defendida o caminho para a realização da unidade da Igreja: ela não pode resultar senão de um só magistério, de uma só lei de crer, de uma só fé entre os cristãos. Sabemos, entretanto, gerar-se facilmente daí um degrau para a negligência com a religião ou o Indiferentismo e para o denominado Modernismo. os que foram miseravelmente infeccionados por ele defendem que não é absoluta, mas relativa a verdade revelada, isto é, de acordo com as múltiplas necessidades dos tempos e dos lugares e com as várias inclinações dos espíritos, uma vez que ela não estaria limitada por uma revelação imutável, mas seria tal que se adaptaria à vida dos homens. Além disso, com relação às coisas que devem ser cridas, não é lícito utilizar-se, de modo algum, daquela discriminação que houveram por bem introduzir entre o que denominam capítulos fundamentais e capítulos não fundamentais da fé, como se uns devessem ser recebidos por todos, e, com relação aos outros, pudesse ser permitido o assentimento livre dos fiéis: a Virtude sobrenatural da fé possui como causa formal a autoridade de Deus revelante e não pode sofrer nenhuma distinção como esta. Por isto, todos os que são verdadeiramente de Cristo consagram, por exemplo, ao mistério da Augusta Trindade a mesma fé que possuem em relação dogma da Mãe de Deus concebida sem a mancha original e não possuem igualmente uma fé diferente com relação à Encarnação do Senhor e ao magistério infalível do Pontífice romano, no sentido definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano. Nem se pode admitir que as verdade que a Igreja, através de solenes decretos, sancionou e definiu em outras épocas, pelo menos as proximamente superiores, não sejam, por este motivo, igualmente certas e nem devam ser igualmente acreditadas: acaso não foram todas elas reveladas por Deus? Pois, o Magistério da Igreja, por decisão divina, foi constituído na terra para que as doutrinas reveladas não só permanecessem incólumes perpetuamente, mas também para que fossem levadas ao conhecimento dos homens de um modo mais fácil e seguro. E, embora seja ele diariamente exercido pelo Pontífice Romano e pelos Bispos em união com ele, todavia ele se completa pela tarefa de agir, no momento oportuno, definindo algo por meio de solenes ritos e decretos, se alguma vez for necessário opor-se aos erros ou impugnações dos hereges de um modo mais eficiente ou imprimir nas mentes dos fiéis capítulos da doutrina sagrada expostos de modo mais claro e pormenorizado. Por este uso extraordinário do Magistério nenhuma invenção é introduzida e nenhuma coisa nova é acrescentada à soma de verdades que estando contidas, pelo menos implicitamente, no depósito da revelação, foram divinamente entregues à Igreja, mas são declaradas coisas que, para muitos talvez, ainda poderiam parecer obscuras, ou são estabelecidas coisas que devem ser mantidas sobre a fé e que antes eram por alguns colocados sob controvérsia. 16. A única maneira de unir todos os cristãos Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela. Dizemos à única verdadeira Igreja de Cristo: sem dúvida ela é a todos manifesta e, pela vontade de seu Autor, Ela perpetuamente permanecerá tal qual Ele próprio A instituiu para a salvação de todos. Pois, a mística Esposa de Cristo jamais se contaminou com o decurso dos séculos nem, em época alguma, poderá ser contaminada, como Cipriano o atesta: “A Esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pudica. Ela conhece uma só casa e guarda com casto pudor a santidade de um só cubículo” (De Cath. Ecclessiae unitate, 6). E o mesmo santo Mártir, com direito e com razão, grandemente se admirava de que pudesse alguém acreditar que “esta unidade que procede da firmeza de Deus pudesse cindir-se e ser quebrada na Igreja pelo divórcio de vontades em conflito” (ibidem). Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultície afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22). 17. A obediência ao Romano Pontífice Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos. Por acaso os antepassados dos enredados pelos erros de Fócio e dos reformadores não estiveram unidos ao Bispo de Roma, ao Pastor supremo das almas? Ai! Os filhos afastaram-se da casa paterna; todavia ela não foi feita em pedaços e nem foi destruída por isso, uma vez que estava arrimada na perene proteção de Deus. Retornem, pois, eles ao Pai comum que, esquecido das injúrias antes gravadas a fogo contra a Sé Apostólica, recebê-los-á com máximo amor. Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, “Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo” (Conc. Later 4, c.5)? Escutem a Lactâncio chamado amiúde: “Só… a Igreja Católica é a que retém o verdadeiro culto. Aqui está a fonte da verdade, este é o domicílio da Fé, este é o templo de Deus: se alguém não entrar por ele ou se alguém dele sair, está fora da esperança da vida e salvação. é necessário que ninguém se afague a si mesmo com a pertinácia nas disputas, pois trata-se da vida e da salvação que, a não ser que seja provida de um modo cauteloso e diligente, estará perdida e extinta” (Divin. Inst. 4,30, 11-12). 18. Apelo às seitas dissidentes Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu magistério e regime. Oxalá auspiciosamente ocorra para Nós isto que não ocorreu ainda para tantos dos nossos muitos Predecessores, a fim de que possamos abraçar com espírito fraterno os filhos que nos é doloroso estejam de Nós separados por uma perniciosa dissensão. Prece a Nosso Senhor e a Nossa Senhora. Oxalá Deus, Senhor nosso, que “quer salvar todos os homens e que eles venham ao conhecimento da verdade”(1 Tim. 2,4) nos ouça suplicando fortemente para que Ele se digne chamar à unidade da Igreja a todos os errantes. Nesta questão que é, sem dúvida, gravíssima, utilizamos e queremos que seja utilizada como intercessora a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da graça divina, vencedora de todas as heresias e auxílio dos cristãos, para que Ela peça, para o quanto antes, a chegada daquele dia tão desejado por nós, em que todos os homens escutem a voz do seu Filho divino, “conservando a unidade de espírito em um vínculo de paz” (Ef. 4,3). 19. Conclusão e Bênção Apostólica Compreendeis, Veneráveis Irmãos, o quanto desejamos isto e queremos que o saibam os nossos filhos, não só todos os do mundo católico, mas também os que de Nós dissentem. Estes, se implorarem em prece humilde as luzes do céu, por certo reconhecerão a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo e, por fim, nEla tendo entrado, estarão unidos conosco em perfeita caridade. No aguardo deste fato, como auspício dos dons de Deus e como testemunho de nossa paterna benevolência, concedemos muito cordialmente a vós, Veneráveis Irmãos, e a vosso clero e povo, a bênção apostólica. Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia seis de janeiro, no ano de 1928, festa da Epifania de Jesus Cristo, Nosso Senhor, sexto de nosso Pontificado. Pio, Papa XI. #DoutrinadosPapas

  • O Catecismo da Igreja Católica é católico?

    O Catecismo da Igreja Católica é católico? Pe. François-Marie Chautard Tal foi a questão que se colocou em 1992, quando este catecismo apareceu. Ela foi resolvida rapidamente, enquanto esta obra apareceu às pressas como a forma catequética do Vaticano II. O próprio João Paulo II o escreveu e as grandes banalidades do Vaticano II recebem nele um lugar especial, como nos atestam alguns exemplos seguintes: A aplicação do Vaticano II “Após a renovação da liturgia e a nova codificação do Direito Canônico da Igreja latina e dos cânones das Igrejas católicas orientais, este Catecismo dará uma contribuição muito importante à obra de renovação de toda a vida eclesial, querida e aplicada pelo segundo Concílio do Vaticano” [1] “11.[2] A finalidade deste Catecismo é apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do II Concilio do Vaticano e do conjunto da Tradição da Igreja.” A inerrância bíblica “107. Os livros inspirados ensinam a verdade. «E assim como tudo o que os autores inspirados ou hagiógrafos afirmam, deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, por isso mesmo se deve acreditar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro, a verdade que Deus quis que fosse consignada nas sagradas Letras em ordem à nossa salvação» (DV 11)” “136. Deus é o autor da Sagrada Escritura, ao inspirar os seus autores humanos: age neles e por eles. E assim nos dá a garantia de que os seus escritos ensinam, sem erro, a verdade da salvação (cf. DV 11)”. Insidiosamente, o Catecismo da Igreja Católica, assim como o Vaticano II, restringem a inerrância (ou seja, a ausência de erro) da Sagrada Escritura apenas às verdades da salvação (fé e moral). Muito pelo contrário, a Sagrada Escritura (mas não todas as suas traduções em todos os seus detalhes) não contém nenhum erro, por ser inspirada por Deus, e, portanto, é infalível em cada parte e em todos os assuntos. São, pois, sessões inteiras da verdade bíblica que o Catecismo de 1992 faz cair por terra. A inversão dos fins do casamento “2201. A comunidade conjugal assenta sobre o consentimento dos esposos. O matrimónio e a família estão ordenados para o bem dos esposos e para a procriação e educação dos filhos. O amor dos esposos e a geração dos filhos estabelecem, entre os membros duma mesma família, relações pessoais e responsabilidades primordiais.” Assim como no Código de Direito Canônico de 1983, aceita-se a inversão dos fins do casamento, contrariamente ao ensino constante da Igreja, como nos mostra esse cânon do antigo código: “O fim primeiro do matrimônio, é a geração de filhos e sua educação”[3] As falsas religiões “819. … O Espírito de Cristo serve-Se destas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos estes bens provêm de Cristo e a Ele conduzem (cf. UR 3) e por si mesmos reclamam «a unidade católica» (LG 8)” Este é um grave erro. Que se possa excepcionalmente se salvar nas falsas religiões não significa que se possa salvar pelas falsas religiões, elevadas ao estatuto de “meios de salvação”. A supressão do Limbo “1261. Quanto às crianças que morrem sem  Baptismo, a Igreja não pode senão confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito do respectivo funeral. De facto, a grande misericórdia de Deus, «que quer que todos os homens se salvem» (1 Tm 2, 4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que O levou a dizer: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis» (Mc 10, 14), permitem-nos esperar que haja um caminho de salvação para as crianças que morrem sem Baptismo. Por isso, é mais premente ainda o apelo da Igreja a que não se impeçam as criancinhas de virem a Cristo, pelo dom do santo Baptismo.” Isso é o esquecimento do Limbo e, ao mesmo tempo, uma atenuação muito clara da necessidade do batismo para a salvação. Como se espantar em seguida do desafeto dos pais católicos pelo batismo dos pequeninos! [1] João Paulo II, constituição apostólica Fidei Depositum. [2] Os números são do próprio Catecismo. Os textos citados foram extraídos do site oficial do Vaticano: www.vatican.va [3] C. 1013 § 1. Cf. também Pio XI em Casti Connubii: “Nenhuma lei humana poderia furtar ao homem o seu direito natural e primordial do matrimônio, ou limitar de algum modo aquele que é o fim principal da união conjugal estabelecida desde o começo pela autoridade de Deus: crescite et cultiplicamini”. #Atualidades

  • Um dia o povo inglês acordou protestante

    Um dia o povo inglês acordou protestante Gustavo Corção Trago ainda Hoje, e ainda motivada pelo affaire Lefebvre uma interessante contribuição de Jean Dutourd publicada em France Soir, no qual a situação do Bispo francês é comprada à do bispo inglês John Fisher, único opositor de Henrique VIII que levou se testemunho até o martírio. Eis o resumo daquela longa e dolorosa histórico: “Em 1535 John Fisher, bispo de Rochester, foi executado por ordem de Henrique VIII “defensor da fé”, porque, único entre os prelado ingleses, recusou a transformar a missa, que é a renovação do sacrifício da Cruz num simples “serviço de comunhão”. Em outras palavras, foi ele o único a se opor à protestantização da Igreja da Inglaterra. Protestantização que se estabeleceu sorrateiramente depois da morte do último obstáculo.” “O povo vendo que as caras eram as mesmas julgou que a religião não mudara.” Interrompo Jean Dutourd para resumir seu texto num susto aplicável a toda a atualidade católica: amanhã ou depois o povo católico do mundo inteiro, na sua brutal e mole maioria acordará protestante, ou nem sequer acordará. A nova religião das Conferências Episcopais ou do Homem que se faz Deus, segundo a lógica interna da mudança perpetua, que os tolos tomam como manifestação de vitalidade quando, na verdade, são sinais de desmoronamento e de morte, essa nova religião em perpetuo devenir depressa atingirá as mais desordenadas formas de protestantismo, não conseguindo sequer manter as formas mais altas e tradicionais da Reforma. No ponto em que se acha o fenômeno, essa igreja ainda reclama para si o Papa eleito na Religião Católica – um Papa diminuído pela colegialidade que já renunciou o báculo e já se desfez da tiara. Não estamos exagerando, nem gracejando, mas observando três fatos de brutal objetividade: a troca de báculo, sinal de autoridade e de governo, por um bastão de peregrino, o desaparecimento da tiara em torno da qual se tecem as mais variadas suposições, e a hipertrofia das conferências episcopais, tudo isto converge para um sombrio prognóstico. Teilhard de Chardin lançou uma fórmula que não tem sentido nenhum na sua fenomenologia: “Tudo o que sobe converge”. Ao contrário, onde a lei da matéria se sobrepõe à do espírito, é mais acertado dizer que “tudo o que cai converge”. No caso vemos em todas as tendências da outra igreja uma convergência para baixo: uma naturalização do que era sobrenatural, de uma democratização do que era hierárquico, de uma protestantização do que era católico. E isto tudo se passa sem parecer acorda as consciências do povo adormecido. Amanhã ou depois, as Conferências Episcopais julgarão desnecessárias a eleição de um novo Papa. Para que? Caberá aos católicos que permanecem católicos o encargo de restabelecer a continuidade interrompida. O affaire Lefevbre, terá servido para alertar as consciências dos bispos ainda católicos, ou se perderá na tempestade apocalíptica que já se anuncia. O autor do artigo publicado em France Soir continua nestes termos: “Quatrocentos anos mais tarde Fisher foi canonizado. Será que dentro de quatrocentos anos ou até antes D. Lefebvre não estará também canonizado?” “Seu crime é exatamente o mesmo que o de Fisher. Ainda não lhe cortaram a cabeça, mas não é impossível que este ancião morra de tristeza depois da decisão tomada pelo Papa.” “Tudo é obscuro no “affaire” D. Lefbvre que parece mais uma escamoteação. Proibe-se D. Lefebvre de celebrar a missa, de administrar os sacramentos e de pregar.” “Mas Por quê? Ninguém o esclarece. Será porque ele diz o Pai nosso e o Credo em latim, porque mantém a liturgia tradicional, prepara seminaristas como eram formados há apenas vinte anos atrás?” “Nenhum ato de acusação foi publicado. Parece que lhe reclamam o não ter aceito as orientações do último Concílio, o qual aliás tinha explicitamente afirmado que não era “doutrinal” mas “pastoral”. O crime de D. Lefebvre seria então o de se apegar tradição de Santo Tomás de Aquino, e do Concílio de Trento sobre a qual a Igreja viveu mais de setecentos anos.” “O mínimo que se pode dizer desse papa é que é um personagem ondulante e diverso. Um dia declara as coisas mais santamente tradicionalistas às quais todos os Lefebvre da cristandade poderiam subscrever; no outro dia afirma que ele mais do ninguém tem o “culto do homem”. No século XIV, havia um papa e um anti-papa que se excomungavam mutuamente. Hoje tem-se por vezes a impressão que o papa e o anti-papa estão unidos na mesma pessoa, pelo modo com que a dita pessoa sobra o frio e o calor.” “Somos sempre mais impiedosos com os irmãos ou parentes próximos. O papa que vária vezes recusou receber D. Lefebvre, que o condenou sem ouvi-lo recebe acintosamente o Sr. Gromyko que é ateu, representa o Gulag e que pertence a um governo que há sessenta anos persegue os cristãos.” Não acompanho o paralelo traçado por Jean Dutourd, entre o caso Fisher e o caso Lefebvre, porque para imaginar a possibilidade de uma canonização é preciso, previamente confiar na continuidade da Igreja Católica Militante. Não me parece provável a canonização de Dom Lefebvre; mas parece-me certa a ideia de que, desde já, sua mansa e inabalável permanência seja no Céu festejada pela alegria dos santos e dos anjos. Hoje, sem atrevimento, talvez possamos dizer que haverá igual ou maior alegria no céu pelos justos que perseveram até o martírio embora sem efusão de sangue por falta de coragem de seus perseguidores. #GustavoCorção

  • Em torno do affaire Lefebvre

    Em torno do affaire Lefebvre Gustavo Corção O mosaico de testemunhos reunidos pelo Jornal do Brasil em torno de Dom Marcel Lefebvre tem a originalidade de começar pelo depoimento de D. Avelar Brandão que assim mereceu especial destaque. Ouvi-o com toda a atenção. Logo de início, em tom grave de incontestável e ilibada autoridade, Dom Avelar Brandão no diz: “é cedo, para afirmar que a desobediência de Dom Marcel Lefebvre já signifique de fato um cisma, é na verdade um sintoma alarmante, um gesto incompreensível”. Pergunta D. Avelar Brandão: “Lefebvre é somente ele ou passou a ser um instrumento de outros que nada têm a ver com a Igreja?”. Na sua opinião, que Lefebvre possa ter amor ao latim e ao rito da missa anterior ao Concílio, bem assim tendências pessoais de conservadorismo político, entende-se, mas que suas convicções cheguem ao ponto de provocar uma rebelião, uma atitude formal de rejeição da autoridade do Papa já não se pode admitir. A mim, e certamente aos milhares de católicos que leram essas entrevistas, o que certamente parecerá mais difícil admitir e entender é a tranquilidade grave e pausada com que fala em rebelião e desobediência à autoridade do Papa o mesmíssimo personagem que três meses atrás, desobedecendo a mais de dois séculos e de não sei quantos papas, empurrado certamente por forças e interesses contrários ao da Igreja, participou de festividades maçônicas em Salvador. Para mais escandalizar as consciências católicas, Dom Avelar Brandão fez questão de mencionar na loja maçônica o nome do Papa Paulo VI; e fez questão de frisar as boas relações que mantém com o Sumo Pontífice. Como se viu, a seguir, não houve sinal nenhum de reprovação diante do escândalo, da desobediência, da ruptura ostensiva do Cardeal Primaz do Brasil com toda a tradição católica. Um ou dois anos atrás dificilmente poderia contar a indignação e o fluxo de objetivos e advérbios que essa paixão da alma costuma produzir. Hoje, com o preço de muito estudo e muito sofrimento, creio ter compreendido melhor a largura, a altura e a profundidade do fenômeno que tanto aflige a consciência católica e a distância abismal que nos separa da “Igreja do homem que se faz Deus”. Hoje não me sinto indignado e envergonhado com o desembaraço de Dom Avelar Brandão diante da atitude de Dom Lefebvre. O quadro de valores em que Dom Avelar Brandão se sente à vontade na loja maçônica, e ainda mais a vontade no J.B. para criticar e qualificar severamente o apego de Dom Lefebvre à sua Igreja e à sua obra, é decididamente diverso daquele em que se movem todos os católicos que assistiam assustados ao desmoronamento da santa missa e das santas intransigências da Igreja, e agora assistem com começo de alento sinais de resistência católica que por toda a parte surgem, e entre os quais Dom Lefebvre se destacou pela grandeza de sua obra, e por que não? Pela grandeza de sua figura de Bispo Católico que deve incomodar muita gente. Sim, são diversos os valores, os critérios, os sentimentos, os afetos, são diversas, para não dizer opostas, a religião do Verbo Incarnado, e a nova religião do Humanismo que tolera tudo, que tem aberturas para todas as aberrações da mentalidade contemporânea, mas só não pode suportar o que ainda lhes venha lembrar a religião dos santos, a religião de um Reino que não é deste mundo que abandonaram. Não há portanto o que estranhar nas reações de Dom Avelar Brandão e de Dom Evaristo Arns, cuja explicação é a mesma. O que eles dizem e fazem está na lógica da nova Igreja que ostensivamente se separou da tradição católica, e portanto da Igreja de Cristo. No depoimento de D. Eugênio Sales, as causas mais profundas da desobediência estão no orgulho. Concordamos inteiramente com este enunciado de conhecidíssima verdade, mas devemos lembrar que o amor-próprio, causa e raiz de todos os pecados, não é causa somente dos atos de desobediência; está também na raiz dos que não somente erram mas perseveram no erro. E isto tanto pode ocorrer com o mais obscuro dos fiéis, como com os Bispos que persistem em erros graves, por que não com o próprio Papa? Estamos pois no domínio das ideias gerais aplicáveis a todo o mundo, e não vejo como possa D. Eugênio Sales, à distância, sondar os rins e os corações para saber que o caso particular de Dom Lefebvre e de outros que lutem ardorosamente na defesa do depósito sagrado se expliquem sempre pelo orgulho. O que aprendi com os doutores da Igreja leva-me a concluir, sem hesitação, que os princípios do novo humanismo propalados pelo Concílio são propagadores do orgulho, sob disfarce de exaltação dos valores humanos. Toda nossa civilização está marcada por esse veneno e a CNBB não faz outra coisa senão difundi-lo. Cabe aqui entretanto observar que a principal e mais grave manifestação do orgulho não se observa de homem para homem, ainda que um desse esteja investido de autoridade de direito divino, por cujo uso e abuso deverá responder, não perante o próximo ou a História, como diz a Gaudium et Spes, 55, mas diante de Deus. Mais adiante, no seu depoimento, D. Eugênio Sales acrescenta, para procurar o meio termo do problema: “Cabe reconhecer também que a culpa não recai somente em Dom Lefebvre. Todos os que inovam abusivamente na liturgia, na disciplina e na doutrina, também ferem a unidade da Igreja. São seguidores dos princípios que norteiam esse bispo, embora em extremo campo oposto”. Se o eminentíssimo Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro me permite um modesto reparo a esta simetria, eu diria que os inovadores que levam a Missa à sua destruição, como no artigo de 5ª feira gritava o Pe. Auvray, não são desobedientes. São consequentes com os princípios introduzidos pelos reformadores conciliares. Quem melhor os qualificou, a nosso ver, foi D. Ivo Lorscheider que, em entrevista concedida há cerca de dois meses declarou que o Papa Paulo VI dirige a Igreja no seu caminho para a frente, com serenidade, sem atender “à estagnação dos conservadores nem à impaciência dos contestadores”. Acho muito feliz o termo achado por D. Ivo: “Impaciência” para designar aqueles que não esperam o sinal verde dos bispos ou conferências episcopais para se entregarem aos comunistas, ou para receberem condecorações em lojas maçônicas. Dom Ivo parece dizer-lhes: – Não sejais impacientes, que nós lá chegaremos. Porque a Igreja não pode ficar amarrada, como disse D. Avelar Brandão. E aí está o princípio esparso em a moderna civilização. O princípio que envenenou o Concílio. O princípio que Dom Lefebvre recusa. A igreja foi fundada sobre pedra e não sobre rodas. E Jesus disse claramente: “Passarão o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão”. E agora Dr. Alceu Amoroso Lima, duas palavras. Agradavelmente surpreendido com a menção de meu nome em suas colunas, e especialmente agradecido pelo interesse com que o Sr. vem acompanhando meu declínio, leio sua declaração: “Gustavo Corção, meu amigo durante vinte anos, que perdeu o estilo e o humor”. Confesso que o meu primeiro impulso foi o de soltar a frase de Cyrano de Bergerac: “C’est um peu court jaune homme”. A segunda tentação foi a de procurar na página do J.B., ou alhures, quem terá encontrado as prendas literárias que o escritor Gustavo Corção perdeu. Pensando melhor, achei nas declarações do doutor Alceu matéria de agradecimento, que é muito mais abundante neste vale de lágrimas do que às vezes parece, quando consentimos que a serpente do amor próprio nos dite a conduta e a palavra. Obrigado Dr. Alceu, obrigado pela lembrança da amizade de vinte anos, e pela bondade com que assinalou meu desgaste. Se em todo este inglório batalhar só perdi o estilo e o humor, louvado seja Deus, porque em verdade, nunca me passou pela ideia que doas essas tribulações devesse ser suportadas para que na hora de Deus tivesse o direito de clamar: – Combati o bom combate, guardei o estilo e o humor. #GustavoCorção

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