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  • Novos "catecismos”

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 03 de fevereiro de 1972 "Compete a todos os fiéis, principalmente aos clérigos, aos Constituídos em dignidade eclesiástica e aos que são eminentes pela doutrina, enviar os livros que julgarem perniciosos aos Ordinários do lugar ou à Sé Apostólica; de modo especial compete esse mister aos Legados da Sé Apostólica, aos Ordinários do lugar e aos Reitores de Universidades". CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO (ainda não demolido) art. 1.397. COMO nada foi feito por aqueles a quem competia especialmente tal mister, e como se trata de mais um pernicioso "catecismo", agora meio-sangue holandês, e de mais uma obra aprovada pelas autoridades eclesiásticas, declaradamente difundida à sombra do Instituto Nacional de Pastoral da CNBB, e acintosamente elogiada pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e além disso se trata de obra elaborada em três opúsculos, a partir de 1970, por um padre já inutilmente denunciado aos Ordinários do lugar como promotor de indecorosos encontros de jovens em chamadas "missas jovens", o simples fiel, o menos imperativamente designado pelo Código de Direito Canônico se acha no dever de suplicar ao Sr. Núncio Apostólico que encaminhe esta carta à Santa Sé com especial apelo ao coração de Sua Santidade Paulo VI, cuja autoridade é afrontosamente negada nas publicações catequéticas do Pe. Rodolfo Jesoirens, editadas pela SONOVISO. SANTÍSSIMO Padre, AJOELHADO aos pés do "Cristo na Terra", e invocando a inspiração da "dolce mama Caterina" que sempre soube falar aos Papa com afogueada sinceridade e incomparável humildade, venho pedir-lhe o socorro da firme autoridade em favor dos católicos do Brasil que sofrem o desamparo das autoridades na matéria que sempre constituiu o maior zelo da Mater et Magistra , que guarda o depósito do preciosíssimo Sangue para distribuí-lo sob as espécies dos sinais sensíveis sacramentais, e também sob as espécies do ensino catequético. Santidade, o socorro especial que no momento dirijo à Santa Sé refere-se aos sucessivos "novos catecismos" para jovens, e mais especialmente aos últimos publicados que envio por especial favor do Núncio Apostólico. COMO Vossa Santidade verá imediatamente num rápido primeiro exame, trata-se de uma obra extremamente vulgar que supõe nos moços brasileiros de 17 a 18 anos um grau de debilidade mental próxima da oligofrenia. Além disso, vê-se logo que a fenomenologia à bon marché em que se baseia, e metodologia da dinâmica de grupos só serve para conglomerar moços em torno de um mimetismo e de uma solidariedade etária sem nenhum valor moral. Se quisermos ver alguma forma nesse amontoado de "experiências" conduzidas pelos mais inexperientes homens do orbe, diríamos que temos um manual de adestramento da mais chato naturalismo, da mais ousada negação de todas as transcendências, com a agravante da má-fé com que, aqui e ali, usam o nome de Deus. MAS se quisermos caracterizar formalmente o defeito dessas obras perniciosas, diríamos: total preterição da Igreja e do Papa como jamais protestante algum ousou fazer. Para os autores dessa ginástica holandesa de massificação jovem a Igreja e o Papa simplesmente não existem. E um dos sinais mais eloquentes desse alheamento à vida da Comunhão dos Santos, além do afrontoso desprezo da autoridade do Papa, é o desprezo que manifestam por todos os santos. Numa só página em 3 volumes aparecem nomes de santos num quadro de inepta caracterologia, onde S. Francisco de Assis é "nervoso ou instável", o Santo Cura d'Ars "sentimental ou melancólico", São Bento Labre "amorfo" (!!) e Santa Bernardette "apática" (!!!). PARA exemplificar o que disse acima do defeito formal dessas perniciosas publicações, tomo a parte amplamente reservada ao sexo, aos amores humanos legítimos ou não, ao divórcio e ao anticoncepcionalismo. Tudo isto dirigido a jovens de 17 e 18 anos de ambos os sexos, sempre misturados demais e aproximados demais por padres famintos desta espécie de espetáculo. NO CAPÍTULO relativo ao divórcio e à felicidade conjugal (vol. 2, p. 41), depois de uma "I Tempestade Mental", e de debates em que moços e moças de 17 a 18 anos discorrem sobre casos de infelicidade conjugal, chegam os autores a uma CONCLUSÃO: "UMA LUZ NO HORIZONTE” A COMISSÃO Episcopal de Teologia da CNBB, reunida em Belo Horizonte de 17 a 20 de fevereiro de 1970, declarou no parecer dado ao projeto n.° 4217,62 do Deputado Nélson Carneiro: "Não quer a Comissão de Teologia deixar de reconhecer a existência de diversas questões complexas, vinculadas ao assunto, e que necessitam de ulteriores estudos." É VERDADE que no fim desse tópico os autores dizem que "é melhor prevenir que remediar", coisa que a humanidade inteira já sabe, em todas as terras, em todos os tempos e sobre todos os assuntos. Descontado portanto esse óbvio excessivo, o que resta é que a questão do divórcio continua aberta a despeito de todos os pronunciamentos da Igreja. MAIS nítido ainda é o capítulo que trata das pílulas anticoncepcionais. Há muitos esquemas, calendário para a prática da abstinência periódica, descrição de outros processos contraceptivos, abortivos e esterilizantes. Segue-se a recomendação da leitura edificante para os jovens: "Enciclopédia Bloch n.° 7", "Realidade", de maio de 68, "Fatos e Fotos", de abril de 67, "Manchete", de fevereiro de 70, "Pais e Filhos", n.° 2, "Ele e Ela",' de setembro de 70, "Life", "Control de la Natalidad", setembro de 70. FALA-SE depois abundantemente em "amor", citam-se passagens do Antigo Testamento para provar que "nesse tempo houve uma subestima" de outro versículo, que aliás é do mesmo tempo. Invoca-se a Gaudium et Spes; mas, por uma estranha disposição de espírito dos autores, não há uma só menção à encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI ainda reinante. O nome do Papa, a lembrança, a alusão ao fato de termos um Papa não ocorre uma só vez nesses opúsculos incentivados e aprovados pelas autoridades eclesiásticas da CNBB. E É ESSA afrontosa omissão, esse desembaraço diante da Autoridade máxima da Igreja que constitui o defeito capital, a estrutura formal dessas obras; e assim fazendo, Santíssimo Padre, nós sabemos que não é somente a Sua pessoa que é esquecida e desprezada. O que é formalmente desprezado e ultrajado nessas obras perniciosas e vergonhosas para nosso clero é o preciosíssimo Sangue de nosso Salvador. NESSE meio tempo citam-se abundantemente nomes alheios à história da Salvação: Lenine, Luther King e outros menos conhecidos. Santíssimo Padre, permanete nella dolce dilezione di Dio, Gesú dolce, Gesú amore .

  • A tragédia da autoridade

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 10 de fevereiro de 1972 TODOS nós sabemos que o mundo moderno está envolvido numa guerra mais mundial, porque mais geral e mais penetrante, do que as duas anteriores. Uma torrente histórica vem de longe, recebendo afluentes, engrossando para desaguar num estuário de anarquia e desordens com que os visionários pretendem contestar a obra de Deus e dos homens, pretende repelir a ideia de continuação e tradição, e até ousa pretender uma revolução mundial a fim de voltar à estaca zero para a recriação do mundo, do homem a partir desse zero, ex nihilo . UMA das peças essenciais do jogo é o princípio da autoridade que nunca esteve tão molestado e nunca foi tão contestado. E uma das consequências desse estado de coisas é o mau exercício da dita autoridade por todos que dela se acham investidos. Há uma razão profunda na raiz de tamanho mal: a autoridade, em seus variados níveis, é uma exigência da lei natural. Sem essa ideia é impossível a família, é impraticável a Cidade, é impensável uma Civilização. POR outro lado, há na ideia de autoridade algo que parece soar falso ou que parece antinatural: como poderemos admitir que um homem se torne rei ou chefe da multidão de homens feitos do mesmo barro? A ideia de autoridade aparece logo como antagônica de ideal de igualdade que parece ser uma das metas do dinamismo da história: os séculos trabalham para produzir um nivelamento humano, dizem os vários seguidores do anarquismo revolucionário. A autoridade será então, no dizer deles, uma categoria anti-histórica. O senso comum, ao contrário, nos diz que o sucesso de qualquer obra humana exige unidade de ação, e essa unidade exige que uns mandem e outros obedeçam. Mas o senso comum é a primeira vítima das correntes revolucionárias. E o mundo moderno, desaguador de uma civilização que durante quatro séculos apostou tudo nas revoluções, está aí para nos oferecer uma amostra de que será o próximo mundo cada vez mais moderno, condenado a ser continuamente moderno. JÁ SE disse mil vezes que a crise de civilização, em que estamos imersos, é uma crise de autoridade; mas é preciso acrescentar que a crise da autoridade tem dois lados: o primeiro consiste na agressão exterior e na contestação do princípio pelos anarquistas; o segundo consiste no mau exercício da autoridade. AS PESSOAS investidas de algum superiorato sentem-se vagamente envergonhadas porque uma das coisas mais difíceis para o indivíduo é resistir de algum modo ao empuxo irracional que vem da massa em movimento histórico. E todos pensam que a autoridade será tanto melhor quanto mais benigna e suave, como todos também pensam que democracia será tanto melhor quanto mais puramente democrática, isto é, quanto menos acentuado é o valor e o prestígio das elites, e quanto mais decapitado o corpo político. A DIFICULDADE do exercício das mais legítimas autoridades, a do Papa, a de um bispo, a de um abade, a de um pai-de-família e a de um chefe de estado começa na cercadura dos seus mais próximos auxiliares. E o que mais frequentemente se vê, nessa matéria, produz tais deformações, tamanhos disparates, que, em vez de falar na tragédia da autoridade, seria melhor dizer comédia da autoridade. A crise da hierarquia eclesiástica é hoje um dos mais graves e pungentes dramas de nossa história. Desde o papado, onde a suprema autoridade da Igreja é o sucessor de Pedro e portanto o "doce Cristo na Terra" como dizia Catarina de Sena, tem-se a penosa impressão de um cerco. Com o pretexto de melhor servir a Igreja, segundo critérios que vêm mais dos trovões sísmicos da história do que dos trovões do Sinai, muitos bispos se levantaram para diminuir a autoridade do Papa, para contestar o primado de Pedro, ou para colocá-lo numa espécie de presidência, no mesmo nível do colegiado de Bispos. ALÉM disso há a cercadura, os assessores, os secretários, os peritos, que se movem em torno do Cristo-na-Terra pomposamente crucificado, como em torno da Cruz primeira se moviam os soldados romanos, os curiosos, enquanto junto à cruz se imobilizava Stabat , a Mãe de Deus, Mãe da Igreja, Mãe dos homens. * * * E DE ONDE vem o fermento de desordem que corrói no mundo todas as formas de autoridade? Respondo a essa interrogação com as palavras de São Pio X, que deveria ser considerado o patrono de todas as legítimas autoridades, porque soube levar a sua a um grau heroico. "PODERÁ alguém ignorar a doença grave e profunda que neste momento, mais do que nunca, mina as entranhas da sociedade, e dia a dia se agrava corroendo-a até a medula e arrastando-a à ruína total? Essa doença, que bem conheceis, é a da atitude do homem diante de Deus: é o abandono, a apostasia (dos mais próximos e é a soberba insensata indiferença de muitos), mas nós não duvidamos da palavra do profeta (Ps. LXXII. 27): "Eis que perecerão todos os que se afastarem de Vós..." É O AFASTAMENTO de Deus, que a parte do mundo mais cristianizada vem operando há quatro séculos, que torna absurda e inaceitável a ideia da autoridade, porque todas as situações humanas de superiorato só têm sentido. e só encontram verdadeiro apoio, não na confusa e irracional "vontade geral", mas no temor de Deus que é o modelo perfeito de todas as autoridades. Na verdade — agora compreendemos melhor — toda a corrente revolucionária, que quer destruir o passado de pedra em favor de um futuro de névoa, é uma corrente parricida. DENTRO dela, as instituições de direito divino, como o Episcopado, oscilam, vacilam e dão espetáculos derrisórios de desmoralização da autoridade, de dentro para fora, deixando abandonado à perplexidade e às lágrimas o povo humilde dos fiéis que, em lugar da figura de um Pai, veem frequentemente um burocrata, quando não veem um acrobata ou uma vedeta.

  • A falsa bondade

    Por Gustavo Corção, publicado n'O Globo em 04 de março de 1972 Quando hoje percorremos, já com fastio, as páginas dos novos catecismos, ou dos novos livros escritos e ilustrados à sombra da frondosa pastoral catequética, a impressão dominante que logo nos assalta é a de uma açucarada e viscosa falsificação da bondade produzida pela tenebrosa estupidez, ou pela mais tenebrosa perversidade dos "novos" que aos borbotões se desprendem todos os dias da verdadeira Igreja, Una, Santa, Católica etc., em demanda de outra mais tolerante, e por isso apontada como mais bondosa do que a Igreja de Jesus Cristo e dos Santos que imitaram seu áspero e difícil exemplo. Seria mais exato dizer que essa edulcoração e esse amolecimento dos valores formam uma espécie de peste rósea que atingiu o mundo, a começar pela civilização ocidental em processo de crepuscular decadência e de desintegração. À Igreja caberiam o alarma e a lição do revigoramento, mas para nosso maior sofrimento, e para imprevisíveis e inimagináveis sofrimentos de nossos filhos e netos, processou-se neste mesmo glorioso século a maior e mais grave trahison des clercs e é na Igreja-egrediente (por derrisão chamada de "progressista") que se notam as mais espantosas e repugnantes falsificações de tudo, a começar pela falsificação do amor, feita num tom infinitamente repugnante que lembra as vozes das prostitutas do princípio do século, que atrás das rótulas chamavam os pedestres: "entra simpático!" Nos tempos de Pio X, quando foi preciso opor uma severa condenação aos abusos do Sillon , pôde o grande e santo pontífice dizer aos desgarrados que se perdiam "levados por um mal norteado amor pelos fracos", porque nesse tempo o mundo católico ainda guardava a ressonância da doutrina dos dois amores que, desde a Didaqué , ilumina a cristandade. Nos tempos que correm espalhou-se pelo mundo a pestilencial doutrina de que qualquer sentimento meloso merece o mesmo nome de amor. No mesmo limiar deste dolente e amolecido século, ainda podia um Marcel Proust fazer a belíssima evocação de figuras humanas marcadas pelo "visage antipathique et sublime de la vraie bonté". Anos antes, a pequenina Bernardette, que trouxe toda a vida estampada em sua figura o reflexo da Virgem Santíssima, e que sempre se destacou das irmãs por ser la plus petite , teve um temporário cargo de vigilância e superiorato na enfermaria. Sua função, que cumpriu irrepreensivelmente, era a de observar que fossem bem cumpridas as recomendações do médico e da superiora. Um dia, entrando na enfermaria, viu uma das irmãs sentada numa cadeira a ler um livro de piedade. Surpreendida em falta, desculpou-se dizendo que se sentia muito bem e que se levantara para ler melhor o livro piedoso. E Bernardette, instantaneamente: "Onde é que se viu piedade cosida com linha de desobediência?" Hoje vão-se tornando inacreditáveis ou incompreensíveis todas as frases de gênios e de santos porque o mundo inteiro parece acometido de uma hepatite espiritual, e os homens se tornam cada dia mais fracos, ou "flacos" como diria Oswald de Andrade. Em famosa alocução, já no seu tempo, Pio XII queixava-se dos afrouxamentos e temia sobretudo "o cansaço dos bons". Hoje seria o caso de temer não apenas o cansaço, mas o amolecimento e a transfiguração da fraqueza, da omissão, de todas as tolerâncias em nova virtude que vem substituir a "antipática e sublime" virtude da força moral que hoje só se vê nos fioretti dos santos e nos retratos antigos. Além disso convém notar que a pomada de nova bondade que envaselina o planeta tem uma característica muito especial: cada um fabrica a sua, graduando-lhe a viscosidade e especificando-lhe o cheiro. O que importa, nessas campanhas de mãos, pés e demais partes do corpo estendidas, sim, o que importa soberanamente nesse afã de ver em toda a parte fragmentos do Evangelho, boa-vontade, humanismo e interesse pela pessoa humana, é o completo e límpido desprezo pela vontade de Deus. * * * Já observei que em todos os chamados "catecismos" munidos de todas as aprovações eclesiásticas comparecem arquétipos da nova idade do mundo, e nunca faltam Luther King e o astronauta. A presença constante do astronauta se explica pela infinita estupidez de alguns homens de Igreja que acham muito mais maravilhosa a ida do homem à Lua do que a vinda do Filho de Deus à Terra. Quanto à obsessão em torno de Luther King confesso que não atinei com nenhuma explicação plausível, nem cheguei a encontrar uma pista. Qual será o denominador comum, a afinidade? Não sei. Sei que nós outros, católicos, temos uma maravilhosa coleção de heróis da santidade. Falei atrás em Bernardette, a menina que viu a Virgem Santíssima. Essa menina é sem dúvida possível um dos mais belos exemplos da humanidade. Sua força, disfarçada pela pequenez e pela asma, chega aos mais altos níveis do heroísmo. Sua personalidade tem a riqueza e a dureza de um diamante. Suas respostas admiráveis são cintilações de um coração que já é fácil e diretamente movido pelos Dons. Pois bem, no último catecismo caído da frondosa pastoral catequética, a propósito de variedades temperamentais, Bernardette é dita "caráter amorfo ". Na verdade, o que esses autores não conseguem esconder é a sua profunda aversão pela santidade. Certamente lhes parece, a todos esses fabricantes de pomadas, duras demais, não-somente a palavra referente ao pão da vida, mas todas as palavras de Deus.

  • Modificação de dados bancários do Mosteiro da Santa Cruz

    + PAX Estimados benfeitores do Mosteiro da Santa Cruz, Comunicamos que nossa antiga conta corrente do Banco do Brasil será encerrada e, por esta razão, orientamos que os doadores recorrentes que utilizavam esta conta para nos auxiliar, o façam pela nova conta corrente principal, cujos dados apresentamos abaixo: BANCO SICOOB - 756 Agência: 3260 Conta Corrente: 154041-6 Mosteiro da Santa Cruz CNPJ: 30.177.471/0001-30 Chave Pix: mostsantacruz@gmail.com Muito obrigado pela sua caridade! U.I.O.G.D.

  • Ordenação subdiaconal do Ir. Geraldo Maria, O.S.B.

    + PAX Compartilhamos com nossos fiéis, amigos e benfeitores, com muita felicidade, as fotografias da ordenação subdiaconal de nosso Ir. Geraldo Maria, O.S.B. A cerimônia, presidida por S.E.R. Dom Tomás de Aquino, ocorreu no dia de hoje (01/03) no Convento Dominicano de Avrillé, sendo o subdiaconato conferido a um irmão beneditino, um dominicano e dois seminaristas da Companhia dos Apóstolos de Jesus e Maria. Além dessas ordenações, a tonsura também foi conferida a outro irmão dominicano, e as ordens menores de exorcista e acólito a um dos seminaristas da CAJM e a um dominicano. U.I.O.G.D. * Créditos das imagens: Site oficial do Seminário de Avrillé ( https://apotresdejesusetdemarie.fr/ordination-avrille-mars-2025/ ).

  • Svetlana quer um lar

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 09 de março de 1972 O LEITOR certamente se lembra de Svetlana, a filha de Stalin que em 1967, conseguindo evadir-se do paraíso socialista, refugiou-se nos Estados Unidos. Depois de cabeçalhos descomunais que provocou na imprensa do mundo inteiro, a figura de Svetlana já declinava no poente da publicidade e já mergulhava no crepúsculo do esquecimento geral quando, para meu espanto, reapareceu no noticiário do mês passado. Espalhara-se a notícia de que Svetlana pretendia divorciar-se de seu quarto marido, o arquiteto norte-americano William Qualquer Coisa. Entrevistada, Svetlana exclamou: "Por Deus, eu não pensei nisto. Jamais quis separar-me dele. A divergência que existe entre nós é apenas de estilo de vida." E a filha de Stalin explicou aos jornalistas que possuía uma casa em Tallesin Oeste, Arizona, onde mora com seu marido e uma filha de dez meses. DA EXPLICAÇAO de Svetlana conclui-se que ela efetivamente deixou a casa, mas alega que não quer deixar o marido. E por que razão deixou ela a casa onde o marido se obstina em permanecer? Por uma razão simples e límpida como a água da fonte. O sistema de vida que o marido quer manter em Tallesin é comunal , dentro da Fundação Frank Lloyd Wrighy, que pretende realizar uma comunidade de famílias, mas Svetlana queixa-se amargamente desse sistema, onde não existe possibilidade da vida particular , que é o seu sonho. "DURANTE os dois anos que passamos em Tallesin jamais tivemos um fim de semana para nós. Nem sequer um fim de semana normal. Eles querem levar em Tallesin uma vida baseada numa filosofia especial, enquanto eu só aspiro a uma vida privada e pacífica." HÁ NESSE episódio um polinômio de contradições, ou melhor, de pilhérias e gaiatices que só a verdadeira vida real é capaz de inventar. Uma delas é o tom tranquilo, inteiramente destituído de qualquer miligrama de humor, com que Svetlana publica seu sensatíssimo desejo de um lar. Realmente, essa senhora de 46 anos, dos quais quarenta soviéticos, nos fala, ou julga que tem o direito de nos falar como se fosse a filha de um farmacêutico de Pindamonhangaba. A FILHA do fiador de Hitler na invasão da Polônia e no desencadeamento da II Guerra Mundial que, por uma espantosa convergência de traições, resulta no benefício e na consolidação de um dos dois criminosos, a filha do tirano que, depois das próprias tiranias, prestou aos novos tiranos o sinistro serviço póstumo de se tornar escoadouro, sifão de toda a intrínseca malignidade do comunismo, a filha de Joseph Stalin julga ter adquirido nos Estados Unidos o direito de falar como se não tivesse existido e não continuasse a existir o fenômeno dentro do qual viveu muito à vontade durante quarenta anos. Poderia, na mesma entrevista, ter dito, com a autoridade, de connoisseur , que desse negócio de estilo de vida comunal estava cheia. Podia alegar, em tom tragicômico, que pagara para ver. Podia buscar no seu coração, que afinal de contas tem as mesmas coronárias e os mesmos aurículas e ventrículos de todos os honrados corações, um mínimo de simpatia pelos pobres idiotas que encontrou em abundância crescente no país que a acolheu, como acolheu tantos e tantos rejeitados e perseguidos pela Europa enlouquecida. Podia em suma declarar que desejava viver em paz no seu "home sweet home", mas prometia lutar um pouco mais para libertar seu marido americano da mais sinistra besteira da história humana. NÃO É MENOS estranha, ou menos revoltante, a placidez com que os próprios americanos veiculam a notícia. E eu imagino sem grande dificuldade a fisionomia e a coleção de frases que compõem os personagens integrados na Fundação Frank Lloyd Wrighy, embora ignore totalmente quem foi o monumental idiota que está nos alicerces dessa experiência que enaltece e inflama o "homem exterior" em prejuízo da verdadeira pessoa humana feita à imagem e semelhança de Deus. * * * A FAMÍLIA é um grupo, uma comunidade de direito-natural, uma sociedade exigida pela natureza do homem. Pode-se dizer sem demasia que o homem é o animal-familiar; ou, com Santo Agostinho, que uma multidão sem famílias é um aglomerado infra-humano. A MESMA lei natural que exige a família com base no casamento monogâmico e indissolúvel também exige a constituição da Cidade, isto é, da sociedade maior em que todas as famílias e todos os indivíduos militam sob boas e sábias leis, eunomia , tomam consciência afetiva e moral da necessidade de uma espécie de amizade cívica, mais larga e alta do que a amizade familiar, em vista do bem comum. Três palavras gregas resumem essa filosofia da convivência política: eunomia , filia e eleutéria . NESTA pauta Aristóteles dizia que o homem é o animal-político, isto é, o animal que deve viver na Polis. ENTRE a densa sociedade familiar e a larga sociedade civil que hoje chamamos pátria, podemos organizar mil pequenos e inofensivos agrupamentos, já que o homem atrai o homem, mas todo o cuidado é pouco em relação às filosofias políticas que têm a pretensão de internacionalizar o homem e de destruir a ideia de pátria. O mundo moderno está se esmerando em alcançar esses dois objetivos com que pretendem fundir o mundo numa grande massa que unanimemente se mova para contestar a lei natural, isto é, para negar e repelir o senhorio de Deus.

  • Homenagem final a S.E.R. D. Richard Williamson

    + PAX Abaixo disponibilizamos uma seleção de fotografias do funeral de S.E.R. Dom Richard Williamson, ocorrido na Inglaterra. Estiveram presentes nesta cerimônia cinco bispos sagrados por D. Richard Williamson: D. Tomás de Aquino, D. Gerardo Zendejas, D. Paul Morgan, D. Michał Stobniki, D. Giacomo Ballini, bem como sacerdotes e religiosos de inúmeras regiões de todo o mundo. Por ocasião desta cerimônia, que contou com alocução de D. Paul Morgan, também houve homenagem de familiares e um tributo escrito por S.E.R. D. Carlo Maria Viganò. U.I.O.G.D.

  • A vida continua

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 17 de março de 1972 COM profundo alivio que marco no meu sucinto diário este dia em que terminam as férias, os meses de dispersão, de programas ferozes, de protelações e desapropriações misteriosas; sim, os meses em que sempre ocorre uma catástrofe de dimensões nunca vistas produzidas pela rebelião dos elementos. Anos atrás foi o elemento água que se esqueceu do doce nome de irmã-água e se tornou uma fúria devastadora; neste ano foi o fogo que escolheu São Paulo para marcar sua cólera, quase diria sua impaciência de corrigir ou castigar os desvarios humanos. Além disso, há sempre, nesses três meses de distensão frenética a que dão o nome de férias, mortes jovens nas estradas de Petrópolis e Teresópolis. ESCREVI há muitos anos, quando ainda tinha em Petrópolis uma casa de verão, um artigo onde provava cabalmente que era preciso ter saúde de ferro para resistir a esse peculiar tipo de descanso. Hoje, que já não posso gabar-me de nenhuma espécie metálica de saúde, resolvo o problema de minhas férias pessoais de modo mais simples: trabalhando como relógio velho. O perigo é parar, é interromper o ritmo da série de coincidências maravilhosas e milagrosas que mantém vivo um corpo qualquer, e por mais forte razão um pobre corpo menos do que qualquer. Por isso não paro; e por isso me alegro quando retomo o contato com todos os outros ritmos. * * * A BOLA do mundo também não tem férias marcadas nas constelações zodiacais. Seu destino é girar monotonamente, como mulher, diante do mestre Sol, que de doze em doze horas fecunda um e outro hemisfério com seu olho de fogo vivo. MAS a humanidade que nasceu, quase seria melhor dizer que deu, nesse mundo, como espécie de mofo inquieto, não tem a mesma monotonia dos corpos celestes. Ao contrário, e nesses dias mais do que nunca, o dito mofo agitou-se e produziu, também mais do que nunca, uma abundante secreção de tolerâncias e molezas. A VISITA do Presidente Nixon à China não traz nenhuma vantagem econômica ou espiritual para o Ocidente, nem para o Oriente; mas traz ao planeta um indiscutível acréscimo de amolecimento geral. O grande mandamento que paira no firmamento desta quadra do século é indubitavelmente este: "Amolecei-vos!" Essa é a bandeira; seu cumprimento será a virtude máxima: o mundo tende a transformar-se numa geleia. Por isso , e para mostrar ao mundo e aos seus compatriotas que ele é um homem de seu tempo, e que ninguém poderá gabar-se de ser mais gelatinoso, mais up to date , o Presidente Nixon, depois do carnaval da recepção na ONU dos sequestradores da China, atende ao mundo que tinha ânsias eróticas de mais essa abertura do Ocidente. Há homens especialmente dotados que têm o instinto profundo das verdadeiras ânsias do mundo dos homens, que raramente coincidem com o que eles mesmos dizem em seus alaridos. É preciso possuir o ouvido fino dos auscultadores da História para adivinhar o que quer o mundo através da contraditória algazarra do que diz querer. Em outras palavras, há homens especialmente dotados para sentir aquilo que certa época paradoxalmente precisa: são raros; muito mais abundantes são os dotados de um mimetismo que os leva a trazer ao mundo a pior contribuição. Receio muito que o Presidente Nixon e que a quase totalidade dos dirigentes do mundo atual pertençam a esta segunda espécie, a dos que puxam para baixo. Na continuação desse rebaixamento progressivo nossos bisnetos andarão alegremente de quatro. E não haverá mais bem e mal: tudo será neutro e vagamente azul. * * * A VIDA continua. E é por isso que ontem estivemos a dar uma arrumação na sede da Permanência, que já pelo seu nome é uma bandeira de continuação. E também continua o curso que venho oferecendo há mais de vinte anos a um grupo de fiéis que agora trazem os filhos que nesse meio tempo nasceram, cresceram e querem continuar a mesma misteriosa e vertiginosa course aux flambeaux . EM palavras menos enevoadas: segunda-feira, 13, às 18 horas, na Rua das Laranjeiras, 540, começaremos as palestras deste ano. A entrada é franca, e o leitor está convidado. Falaremos das coisas do Reino de Deus e tenho a intenção de passar a metade do ano letivo na consideração do oitavo e do nono artigos do Símbolo dos Apóstolos. Começaremos, pois, segunda-feira, 13, pela solene profissão de Fé: "Creio no Espírito Santo." E desde já imploro ao mesmo Espírito que me diga o que devo dizer. E APROVEITO para anunciar aos amigos de Permanência que neste fim de ano nos caíram do céu novos combatentes dispostos a permanecer, e que tencionamos dilatar o campo de nossas publicações graças a equipamentos recebidos de generosos doadores. Mas, para que esse programa de expansão seja bem sucedido, é preciso que os assinantes mantenham suas assinaturas e que os homens ricos que assistem com interesse e aprovação ao nosso combate nos tragam sinais concretos de sua generosa simpatia. Precisamos da ajuda e participação de muitos e até estranhamos que não sejam mais numerosos, não façam fila em nossa porta os que pressentem a verdade e a beleza da causa que defendemos.

  • A Espanha e a guerra

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 23 de março de 1972 AINDA a propósito do tabloide Domingo , que recentemente empreendeu a reprise de todas as mentiras com que o génio mau da revolução mundial quis se vingar do incompreensível heroísmo espanhol em 1936, vale a pena recordar. Vale sempre a pena recordar para não nos transviarmos demais nessa aventura que é a marcha da civilização. QUANDO em 1940 a França caiu vencida, Maritain nos Estados Unidos escreveu para os franceses, de que se sentia tão cruelmente separado, páginas admiráveis que bem traduziam a dor imensa que passou pelo mundo como um vento de maus presságios: "É cruel demais ter de explicar ou de tentar explicar o desastre de seu próprio país. Na verdade, ainda não medimos bem a extensão de nossa desgraça. Mais do que nunca a França nos aparece como uma pessoa viva, preciosa em sua carne e em sua alma, preciosa para o mundo, carregada de promessas, de dons, de beleza e de doçura; e agora ferida, caída no chão e indizivelmente humilhada. (...) A impressão que todos nós aqui sentimos, a de que a França foi traída por todos os lados, corresponde sem dúvida à realidade desde que se dê ao termo "traição" um sentido muito mais extenso, mais complexo e, ao mesmo tempo, muito mais doloroso e menos carregado de intenções criminosas do que se costuma dar." ANTES disso, em 1939, a propósito do pacto germano-soviético, e independentemente das implicações superficiais e próximas que tal pacto trazia, um velho colaborador de Esprit , ao arrepio do anti-anti-comunismo de Mounier, já nos falava de uma traição imensa: "CRENDO não fazer senão um pacto restrito, [...] Hitler atrela à URSS, mais do que ao bolchevismo, e às incertezas de uma civilização asiática, o carro meio desmantelado dos destinos ocidentais. [...] Hitler apunhalou seu cúmplice soviético, correu à BBC para fazer a mais precipitada, a mais estúpida declaração jamais feita por um Chefe de Estado. Em vez de contar até dez ou de dizer ao microfone da BBC que "o governo de Sua Majestade acompanhava com interesse o desenrolar dos acontecimentos no front oriental da Alemanha", Winston Churchill se precipita vorazmente sobre a "oportunidade", com a estúpida ideia de que não havia um minuto a perder, e depois de lembrar que sempre fora um tenaz adversário ao totalitarismo comunista diz-nos esta monstruosidade: "The past, with its crimes, its follies, and its tragedies fades away." Quando estava na hora de lembrar, no supremo instante em que a recordação ganha um fulgor de perenidade, Churchill acha que deve esquecer. E atira-se nos braços de Stalin que o deixa num gelado suspense sem resposta. Sim, Stalin deixa o impetuoso guerreiro britânico sem resposta de 22 de junho a 7 de julho. Churchill descobre que tem o dever de "quebrar o gelo" e repete a declaração de amor ao inimigo da semana atrasada que só se tornou não-inimigo pela vilania de seu cúmplice. Stalin se digna responder, e já é para reclamar a abertura da segunda frente... CONSUMA-SE assim a segunda traição que logo é alegremente ratificada pelo 'Presidente Roosevelt. Mas a maior, a mais grave das traições contra a Civilização, contra o Cristianismo foi praticada pelos franceses da democracia-cristã ou da mais extremada esquerda que, na Resistance , formaram o primeiro grande foco de infiltração comunista nos meios católicos. O pacto Franco-Soviético, com seu enquadramento de novas circunstâncias, foi mais gravemente torpe do que o pacto germano-soviético que ainda poderia escusar-se em termos de imperativos estratégicos e de história superficial. DEPOIS da Resistance , a obter de Franco uma passagem para suas tropas chegarem a Gibraltar. Todos hoje ainda lançam contra a Espanha martirizada de 1931 a 1936 a acusação de haver negociado com a Itália e a Alemanha nazista, num tempo em que todas as nações da Europa, em arranjos de n nações duas a duas, procuravam nervosamente acordos e alianças. Todos se lembram do bombardeio de Guernica mas esquecem a ajuda russa dada aos vermelhos que na Espanha incendiavam igrejas e conventos, matavam "curas" pelo simples e cristalino fato de serem "curas", e violavam freiras, pelo fato não menos adamantino de serem esposas de Cristo. E ESQUECEM que, durante toda a Guerra, quando o fechamento do Mediterrâneo, com a conquista de Gibraltar, poderia decidir a vitória dos totalitários, na sua imperturbável coragem, o general Franco sempre disse "não" a todas as solicitações e ameaças nazistas. E os ingleses venceram a Guerra porque os espanhóis não traíram a civilização. E foi por isso, pelo insuportável espetáculo de sua grandeza, que a Espanha teve contra si todos os "vencedores" da Guerra. Com o primarismo filosófico que na época ditava normas ao ocidente, a ditadura espanhola parecia a única mancha do felizardo planeta azul. Todos queriam a cabeça de Franco; todos queriam ver a Espanha nivelada pelo pacto franco-soviético ou pela capitulação dos países de língua inglesa diante das nações cativas — a Polónia, a Estônia, a Lituânia, a Roménia etc. etc. agora tombadas, e "indizivelmente humilhadas" até hoje. FOI WINSTON Churchill que teve a nobreza de defender a Espanha, e de apontar, no discurso que fez nos primeiros dias da vitória, a significação imensa da resistência espanhola. [...]

  • Comentários Eleison nº 915

    Por Dom Williamson Número CMXV (915) – 25 de janeiro de 2025   POR QUE “RESISTÊNCIA”? Por que ter receio da FSSPX? Por seu direcionamento. Ela leva à aceitação dos erros da Roma infiel.   Segue abaixo um testemunho de um padre que saiu da FSSPX, que remonta a 2013. Ele está aqui ligeiramente encurtado e adaptado. Basicamente, Roma insiste que a FSSPX aceite a missa nova e o Vaticano II. Mas, passados doze anos, a FSSPX não cedeu em nenhum dos dois pontos:   Se, como um grupo de 25 adultos e 10 crianças, o que representa cerca de um terço de uma paróquia normal da FSSPX, decidimos tornar-nos independentes, não foi por causas emocionais. Não estamos zangados, amargurados ou ressentidos com a FSSPX. Nem saímos dela por amor à mudança ou por excitação. Basicamente, fomos forçados a sair da FSSPX por ela faltar com a verdade. Nunca quisemos contribuir para a destruição do movimento tradicional. O que fizemos foi estudar seriamente os documentos que lançam luz sobre a recente crise da FSSPX, e o bom trabalho da “Resistência” nos possibilitou entender o que aconteceu. Esperamos progressivamente encorajar mais padres e fiéis a fazerem o mesmo.   Finalmente percebemos que, para todos os propósitos práticos, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X havia tornado-se, na verdade, a décima congregação religiosa a unir-se à Igreja Conciliar. Mesmo que nenhum acordo tenha sido assinado até agora, o princípio de um acordo possível foi adotado pelo Capítulo Geral de julho de 2012 . Ou seja, não importa a quantidade de condições que os líderes da FSSPX possam insistir em impor para esse eventual acordo, mas sim que eles decidiram que a Fraternidade poderia, doravante, assinar um pacto com aqueles que estão mudando implacavelmente a Fé Católica. Nas últimas negociações entre Dom Lefebvre e o Cardeal Ratzinger, que levaram às Consagrações de junho de 1988, o Cardeal demonstrou que Roma não tinha intenção de fazer nada sério pela Tradição Católica. Daí em diante, o Arcebispo nunca mais falou com autoridades romanas. Ora, não é a missa nova uma abominação diante de Deus, que ajuda inúmeras almas a perder a Fé Católica? Como pode algum católico digno desse nome até mesmo pensar em fazer um acordo com os defensores impenitentes de tal falsificação do único e verdadeiro Sacrifício indispensável de Nosso Senhor?   Lembro-me de Dom Lefebvre citando o profeta Malaquias ao falar contra a missa nova: “A vós, ó sacerdotes, que desprezais Meu nome e dizeis: ‘Em que desprezamos o Teu nome?’, Eu respondo: Vós ofereceis pão imundo sobre Meu altar; e se vós dizeis: ‘Em que Te profanamos?’, Eu digo: Sua mesa do Senhor é desprezível. Se vós ofereceis ofertas imperfeitas cegas para sacrifício, não é isto mau? E se vós ofereceis um coxo ou um doente, isto não é mau?... Diz o Senhor dos exércitos”. (1, 6-8).   A missão da FSSPX nunca foi integrar a estrutura da Igreja Conciliar para “transformá-la” desde dentro. Essa ilusão foi condenada por Dom Lefebvre em 1988 após as Consagrações. A missão da Fraternidade é treinar verdadeiros sacerdotes católicos. Esses sacerdotes, por sua vez, pregarão a Verdade e lutarão vigorosamente contra o erro, sem compromissos ou “conversas”, “diálogos” ou “negociações”. Essa pequena legião será então como um farol que atrai as almas de boa vontade. A atual administração da Fraternidade está reprimindo os que divergem e expulsando os críticos. A única maneira de continuarmos recebendo a Verdade e a proclamando alto e claro é separando-nos dessa nova FSSPX. Estejamos prontos para fazer muitos sacrifícios, rezemos muito pela solução da crise e por nossa perseverança na boa luta.   Você pode objetar: quando será o momento de nos unirmos a Roma? Como saberemos se temos um bom Papa? A resposta é bem simples: quando o Papa condenar publicamente a missa nova e proibir sua celebração sob pena de excomunhão; quando ele condenar e rejeitar publicamente todo o Vaticano II e suas consequências. Em outras palavras, quando ele tomar medidas  para limpar a bagunça. E se perguntarmos quando podemos confiar totalmente na FSSPX novamente, a resposta é a mesma: quando todos os líderes da FSSPX e padres da Fraternidade que promoveram a nova linha forem rebaixados; quando os textos do Capítulo de 2012 forem devidamente condenados; quando os padres fiéis forem justificados pela nova administração; quando um livro sobre a história dessa crise for publicado e lido anualmente em nossas comunidades; quando um novo Capítulo Geral abdicar-se de qualquer contato com autoridades conciliares, até que Roma tenha limpado a sua bagunça. E se parece que isso nunca poderá acontecer, eu respondo simplesmente: E daí? Qual é o problema? Vamos apenas cumprir nosso dever, dar glória a Deus e deixá-Lo lidar com nossos antigos colegas que estão em perigo de comprometer-se. Rezemos e nos sacrifiquemos por sua conversão, com certeza. Mas comprometer-nos e colocar-nos em perigo? Jamais! No entanto, permaneçamos unidos a eles em oração. Kyrie eleison.

  • Pobre Chile

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 20 de abril de 1972 ANTES de chorar a sorte do Chile quero conversar com meu querido leitor sobre o "fascismo". Recentemente, o Professor Alceu Amoroso Lima, paramentado com seu pseudónimo Tristão de Athayde (que na era pós-conciliar já devia ter raspado o h e aparado o y ), escreveu um artigo intitulado "O fascismo brasileiro", no qual evoca o fantasma do integralismo , esquecendo-se de dizer o papel de encorajador em nosso fascismo indígena. Receando que meu amigo leitor não cumpra pontualmente o dever cívico de ler os artigos de Tristão de Athayde; e receando que sua juventude tenha deixado para trás todos esses fantasmas da funesta década dos 30, tomo a liberdade de lembrar que "fascismo", no sentido próprio, foi o nome dado por Benito Mussolini ao seu movimento, e depois generalizado e aplicado aos regimes ditatoriais que se afastavam dos moldes da democracia liberal (que nesse tempo era dogma no mundo ocidental). Tornou-se logo desvairadamente equívoco o termo, antes mesmo de se tornar unívoco na simples significação de máxima abjeção. NA ÉPOCA dos trinta o termo derivado do fascio italiano, que na antiga Roma fora símbolo de autoridade, era aceito e admitido como uma forma de exaltação de valores humanos que a invasão do comunismo e do anarquismo deprimira. Houve nessa onda de exaltação valores admiráveis como Brasillach, Drieu de la Rochelle, na França, e Luís Antônio Primo de Ribera, na Espanha, ao lado de valores sinistros no nazismo, e mais ou menos cómicos no fascismo italiano. Essa onda de entusiasmos, legítimos uns, criminosos outros, e equivocados todos, foi varrida com a derrota do eixo Roma-Berlim. Mas o cadáver do termo foi embalsamado na URSS, a principal vencedora da II Guerra por obra da inacreditável estupidez da política dos povos de língua inglesa, e tornou-se o palavrão ideológico perfeito para imobilizar e transformar qualquer adversário em estátua de sal. TUDO isto para dizer como Tristão de Athayde e Fidel Castro hoje em 1972 definem o "fascismo". Para nosso colunista o exemplo que oferece de fascismo é o Governo do Presidente Médici. Em 1968 houve em Nanterre um episódio que vale a pena lembrar: os estudantes maoístas (mas sobretudo interessados na promiscuidade sexual que ainda era vagamente proibida) detectaram em certo grupo um estudante como nós, leitor amigo. Não pederasta, não defensor da liberdade sexual, não maoísta. Dez ou doze pegaram-no e queriam atirá-lo pela janela do 2° ou 3° pavimento e quando o Reitor conseguiu se interpor e evitar o assassinato os "jovens" gritaram: — É um fascista! — É um homem, respondeu-lhe o Reitor. — Não, não é um homem, é um fascista. * * * E AGORA vamos à definição de Fidel Castro produzida na sua visita ao Chile num de seus discursos de duas ou quatro horas. Ei-la: "O fascismo é o que tudo resolve pela violência, ataca as Universidades, fecha-as, reduze-as ao silêncio, ataca os intelectuais, persegue e reprime suas atividades; ataca os partidos políticos, as organizações de massa, e as organizações sindicais e culturais, de modo que nada há mais violento, mais retrógrado e mais ilegal do que o fascismo." O FATO de tal definição coincidir ponto por ponto com o que acontece na URSS e na falsa China não assomou sequer ao limiar da consciência de Fidel Castro porque seu discurso não deu sinais de mínima hesitação. Lembro-me de nosso guapo Brizola que, em 1958, na TV, alegrava-se com a lei que nosso congresso "nacionalista" produzira para bloquear a entrada de capitais estrangeiros no Brasil. Acaloradamente Brizola abriu os braços e lançou a comparação gloriosa: "A data de hoje só tem igual no Brasil à data da abertura dos portos." Mas aqui o centauro deteve-se e via-se no seu olhar esgazeado um susto, uma interrogação: "Abertura? Abertura? Parece que eu disse uma asneira". E sem saber exatamente qual, saiu-se com um berro que afirmava sua confiança no futuro do Brasil. Felizmente para nós esse futuro realizou-se com a corrida do centauro (que era metade cavalo e outra também) e com o advento do Governo do Presidente Médici que, além de várias qualidades, tem a suprema perfeição de desagradar a Tristão de Athayde — critério que para mim tangencia a infalibilidade. * * * AGORA lembro-me de que me comprometi, desde o título, a chorar sobre os chilenos. Choremos. Leio a notícia de milhares de homens e mulheres que desfilaram na noite de ontem pelas ruas de Santiago em protesto contra o Governo de Allende. Passaram cantando o hino chileno e dando vivas à "democracia" e à "liberdade". Pobre gente. Pobre povo a gritar disparates que os ventos espalharão pela imensidão do Pacífico, esquecidos de que perderam a dignidade de nação porque acreditaram demais na democracia , e sobretudo na cristã, e entraram demais no jogo que faz da liberdade a categoria suprema, acima do Bem e da Verdade que ela poderá liquidificar se bem lhe aprouver. MAS o aspecto mais sinistro da notícia é aquele onde se lê: "A chegada do ex-Presidente Frei foi marcada por deliberantes aplausos." POBRE Chile. Pobre gente. Ainda terão de sofrer muita coisa, senhoras e senhores, porque ainda não compreenderam a primeira linha da traição que entregou o Chile à trama da Revolução. Ainda aplaudem Frei. Ainda esperam a salvação do lado da "democracia cristã". Pobre povo, cuja felicidade está resumida em algumas pseudoideias que borboleteiam na cabeça de Tristão de Athayde e cujas esperanças estão resumidas a três ou quatro vermes de ideias que se arrastam na cabeça de Eduardo Frei.

  • Morte e mortificação

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 24 de fevereiro de 1972 A MINHA preparação para uma espécie de retiro, que pretendia fazer no começo da quaresma, foi bruscamente interrompida pela brutal notícia da morte de meu querido Moacyr Padilha, tão moço, tão forte, tão belo e tão bom, que em 4 meses foi devorado pelo câncer mais cruel e voraz de que já ouvi falar. Fui visitá-lo na Casa de Saúde poucos dias depois de uma inútil intervenção cirúrgica, e logo que me assentei a seu lado e que vi seu rosto marcado tive a certeza de que a morte já se apoderara dele, e o que eu via era ao mesmo tempo lancinantemente doloroso e misteriosamente consolador. Já duas vezes vi morrerem moços, em todo o esplendor da vida, e naquela tarde de meses atrás eu via pela terceira vez a mesma coisa misteriosíssima que duas vezes já me aparecera em rostos muito amados. E o que eu via era mais do que uma doçura resignada, mais do que humildade de um coração bom — era uma velada mas bem perceptível alegria que não se iluminava com as luzes deste mundo. O leitor incrédulo dirá que estou aqui fazendo má literatura à custa de um moço tão profundamente e tão magnanimamente chorado. Estou, isto sim, tentando dizer o indizível, mas Deus sabe que não minto se ainda acrescentar que, nesse momento único que vale por todos os anos de amizade que não tivemos, também ele compreendeu o que eu compreendera. A família em volta da cama, todos em atitude tensa lutavam para não dar ao doente um só sinal. Ele mesmo, provavelmente, também lutará depois com terrível sofrimento, também se crispará, mas naquele instante fugaz em que me olhou, me sorriu, e pegando-me a mão beijou-a furtivamente como menino bom que se despede de um pai, naquele instante decisivo eu creio que nosso querido Moacyr aceitou a vontade de Deus, como também creio que a luz de bondade que passou por seu rosto já emagrecido foi um sinal do agrado de Deus. Fugi. Não voltei a visitá-lo, talvez por covardia, mas também por saber que nós já não tínhamos mais nada a dizer neste mundo; e a ideia de apagar em mim aquele relâmpago de eternidade era insuportável. * * * DISSE atrás que a morte de Moacyr Padilha, bruscamente anunciada na 5ª ou 6ª feira passada, interrompeu minha preparação de quaresma. Agora retifico: essa morte trouxe uma dimensão nova para o meu pobre e mesquinho retiro. Trouxe-me a ideia de imitar em cada instante de meu dia aquele instante em que Padilha se mortificou , isto é, se desprendeu. ANTES de morrermos pela inglória decomposição de nosso corpo, ou pela atitude amotinada e desordenada de algumas moléculas de proteína, Deus espera de nós as mortificações voluntárias, pequeninas, mil e mil vezes entremeadas em nossos afazeres, e até mesmo em nossas orações exteriores demais. Deus espera de nós o que muito poucos têm a coragem heroica de dizer. Esta vida que yo, vivo es privación de vivir; y asi, es contino morir, hasta que viva contigo: oye, mi Dios, lo que digo que esta vida no la [quiero;] que muero porque no [muero.] NÃO SE diga daí que o homem é um ser para a morte. Longe disso, é um ser para a vida, mas vida plena e não esta passagem num mundo velho e exausto em que viver " es privación de vivir ". POR ISSO ensinam-nos os mestres espirituais a fina arte da mortificação que consiste em desfazer as mil e mil malhas que tecemos em nosso não viver e que nos impedem de viver desde já a nova vida que um dia teremos na clara terra dos ressuscitados. POR ISSO, na ansiedade de voar, cortamos os fios, ou devemos cortá-los, levando esse desejo multiplicado mil e mil vezes até os vasos capilares de nossa vida terrestre. Ensinemos a nossa alma temerosa da escuridão, ao nosso pobre corpo crispado, essa prática de querer Deus continuamente, pelos poros, diria até essa prática de querer Deus em nível molecular. Só assim desde já começaremos a viver a vida dos ressuscitados, porque só assim evitaremos que um só instante de nossa vida e uma só partícula de nosso corpo queiram prender-se a este viver " que es privación de vivir ". MIL E MIL vezes morramos, voluntariamente, com ímpeto de amor para podermos dizer com altivez ao câncer: onde está teu aguilhão? Morramos mil vezes nesta Santa Quaresma para ressuscitarmos com o Rei do claro país dos ressuscitados. A Páscoa e a Quaresma nos são oferecidas pela Igreja como clima espiritual favorável a essas mortificações que constroem e que nos preparam para a Páscoa das Páscoas. O TERMO parece negativo e triste: mortificação; mas este é apenas, entre muitos, um exemplo da linguagem espiritual que — como ensina Garrigou-Lagrange — é sempre hiperbólica e antitética, e muitas vezes, por provocação, diz o contrário do que quer dizer. Não há no desejo espiritual de mortificação nenhum pessimismo contrário à boa doutrina: há apenas a expressão de um vigoroso anseio de outra vida mais plena — aquela que levava São Paulo a clamar: "Vivo eu?! Não. Vive Cristo em mim." Há até, diria eu, uma veemência de Esperança nesse termo que a muitos parecerá envolvido em crepes: mortificação. Se não nos mortificamos, mil e mil vezes por instante, como respiramos, como nos pulsa o coração não decolaremos e não estaremos prontos para ressuscitar com Cristo Nosso Senhor. Seremos então apanhados no meio da vida no flagrante apego por um vida " que es privación de vivir ". * * * EU TENHO a consoladora "impressão" de que nosso querido amigo Padilha não se deixou surpreender por um câncer cruel e vulgar. Antes de se submeter seus tentáculos creio ter adivinhado que já se mortificara e que na profundidade da alma já escolhera a vida nova com Cristo na terra dos ressuscitado: já fizera sua Páscoa. E peço a Deus que sua família e seus amigos vivam essa quaresma de luto com mortificação que nos enche de Esperança e de desejo de viver outra vida além e acima " deste contino morir ".

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