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  • Comentários Eleison nº 569

    por Dom Williamson PREPARAM-SE OS LIBERAIS Capitulantes, a Igreja e a Fé vêm primeiro, E Menzingen tem de sair perdendo! Nem todos estão dormindo. Alguém na França está vigiando como os liberais estão-se preparando para assumirem o iminente Capítulo Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, no qual ela tem sua última chance – provavelmente a última mesmo – para defender a Fé Católica contra o Vaticano II, como o fez Dom Lefebvre. Quem quer que seja essa pessoa, ela escreveu um excelente artigo no Fidélité catholique francophone denunciando certas palavras sinistras do Secretário Geral da Fraternidade, o Pe. Christian Thouvenot, ditas em uma entrevista à revista do Distrito alemão da Fraternidade, no início deste ano. O que se segue deve muito a este artigo. Em primeiro lugar, as palavras sinistras: “É provável que a questão do presente status de Prelazia Pessoal seja levantado no Capítulo Geral (em julho). Mas só o Superior Geral está na chefia da Fraternidade, e ele é o único responsável pelas relações entre a Tradição e a Santa Sé. Em 1988, Dom Lefebvre deixou este ponto bem claro”. Estas palavras são sinistras porque permitem que se interprete que Menzingen, o Quartel-general da Fraternidade no qual o Pe. Thouvenot trabalha, esteja preparando membros e seguidores da Fraternidade para que o Capítulo Geral seja o momento e o lugar no qual Dom Fellay legalmente tomará para si a responsabilidade de aceitar a oferta de Roma de uma Prelazia Pessoal, e, aceitando-a, mutile de uma vez por todas a habilidade da Fraternidade de defender a Fé resistindo à Missa Novus Ordo e ao Concílio Vaticano II. E estas palavras são sinistras porque são ambíguas ou falsas. Em primeiro lugar, não é o Superior Geral sozinho o chefe da Fraternidade. Pelos Estatutos da Fraternidade estabelecidos por Dom Lefebvre, é verdade que, uma vez eleito o Superior Geral, ele tem notáveis poderes ao seu dispor, e pelo prazo de no mínimo doze anos, porque o Arcebispo queria que o Superior Geral tivesse tempo e poder para fazer algo, sem ser impedido como ele mesmo tinha sido pelos Padres do Espírito Santo. Mas o encontro do Capítulo Geral a cada seis ou doze anos está acima do Superior Geral, e ele deve seguir as políticas decididas ali. Hoje, na teoria, o Capítulo Geral de 2012 decidiu que qualquer “normalização canônica” da Fraternidade requereria uma maioria de votos do Capítulo Geral inteiro, mas, na prática, Dom Fellay já prosseguiu para “normalizar” com Roma as confissões da Fraternidade, as ordenações e os matrimônios. E hoje seu Secretário Geral fala como se o Capítulo Geral não tivesse mais nada por dizer, como se Dom Fellay sozinho pudesse “normalizar” o restante. Será que todos os quarenta futuros capitulantes de julho estão cientes do que Menzingen está dizendo? Eles concordam com isso? Em segundo lugar, o Pe. Thouvent afirma que Dom Fellay – sozinho? – é responsável pelas relações entre a Tradição Católica e a Santa Sé. Não há dúvida de que ambos, Roma e o próprio Dom Fellay, gostariam deste quadro, pois Roma poderia garfar toda a “Tradição” de uma vez só, e Dom Fellay estenderia seu império. Mas “Tradição” é uma coleção de variadas e heterogêneas sociedades e comunidades religiosas que certamente não concordam todas em serem garfadas pela Roma Conciliar, ou lideradas por Dom Fellay. Por esta razão, Dom Lefebvre repetidamente se recusava a ser chamado chefe da Tradição Católica. Mas ambos, Dom Fellay e seu Secretário, estão jogando o jogo da Roma Conciliar. E, em terceiro lugar, se o Arcebispo insistia, no tempo das sagrações, em 1988, que ele sozinho ainda estava no controle das relações da Fraternidade com Roma, era porque sabia que os jovens colaboradores ao seu redor não eram páreos para os astutos romanos, como vimos nós mesmos desde a sua morte em 1991. Não foi por confiança na estrutura da Fraternidade que ele dotou o Superior Geral de uma graça especial para estar à altura dos romanos conciliares. Quando os homens querem errar, não é necessariamente uma estrutura que irá salvá-los. Mas o que o Arcebispo poderia fazer? Ele teria de morrer algum dia! Leitores, se vocês conhecem algum capitulante de julho, pergunte-o se ele sabe o que o Secretário Geral está dizendo! Kyrie eleison. #Atualidades #DomWilliamson #Textos

  • Amor, casamento, divórcio

    Por Gustavo Corção (retirado de “A Ordem”, de Fevereiro de 1952) Se eu asseverar que existem muitos casais infelizes, e que o número deles tende a crescer, tornando-se uma componente considerável de nossa crise social, creio que ninguém exigirá de mim as estatísticas comprovantes. Há certas coisas que saltam aos olhos; e tenho para mim que a maioria dos inquéritos e dos levantamentos estatísticos só serve para mostrar, com o adorno das cifras, o que todo o mundo está cansado de saber. Chego até a pensar que muitas dessas pesquisas sociológicas são movidas por um gosto semi-consciente de desvalorizar o bom-senso, ou de levar ao descrédito os mais elementares princípios. No caso vertente, e para descobrir que as famílias estão funcionando mal, eu não preciso andar de porta em porta com um impertinente questionário. Basta-me observar a rua, os bondes, os cafés, para poder concluir que as casas já não retêm as pessoas. A febre nas ruas prova a agonia das casas. E como a felicidade conjugal está vinculada à casa, ao equilíbrio, ao poder de retenção da casa, posso deduzir do aspecto publicado nas ruas as infelicidades escondidas nas casas. Além disso, temos dados mais convincentes nos casos mais próximos. Realmente, salta aos olhos do mais descuidado observador que o número de casais infelizes cresce dia a dia, e que esse problema já pesa na sociedade com graves repercussões no econômico e no político. Diante de um fenômeno desta natureza, e de tão sérias conseqüências, o problema que logo se impõe é o da pesquisa das causas. Mas nem todo o mundo pensa assim. Há pessoas, animadas de excelentes intenções, que não crêem na utilidade dessa pesquisa, ou não têm tempo a perder nessas ponderações. Chegam correndo, nervosos e filantrópicos, com a primeira maravilha curativa que encontraram para as contusões de amor, sem considerar o perigo de agravar a causa do mal com o tratamento do sintoma. Se há pessoas infelizes é preciso socorrê-las com urgência. Se há casais desajustados, é preciso proporcionar-lhes, o mais depressa possível, uma nova combinação de pares mais harmoniosos. A idéia que preside essa terapêutica matrimonial é a seguinte: os casamentos se fazem por acaso, numa espécie de movimento browniano de encontros fortuitos, em que não pesa a razão. E assim sendo, para libertar o homem dessa tirania do acaso, é preciso conceder-lhe sucessivas oportunidades até que possa encontrar a boa solução. Ora, o que pretendo mostrar nesse estudo é que a causa principal desse estado de coisas é justamente essa negligência das causas; ou melhor, é o clima de futilidade e de irresponsabilidade em que se fazem os casamentos. Poderíamos aqui invocar os inquéritos organizados nos Estados Unidos. Eles provam insistentemente que a maioria dos divórcios é motivada por coisas de uma espantosa futilidade; e provam também, como era de esperar, que se uniram levianamente os que levianamente se desunem. Esta é a causa principal dos muitos casamentos infelizes: a falta de preparação, a leviandade com que se casam, a atmosfera de frivolidade, de imprudência e de imaturidade que cerca o mais grave dos atos humanos. É claro que o homem é extraordinariamente engenhoso na arquitetura de sua infelicidade. Ainda que os fatores extrínsecos sejam seguros e bonançosos, o homem traz em si a borrasca. Ainda que os elementos econômicos, afetivos e temperamentais sejam favoráveis, o homem se encarrega freqüentemente de inventar sua desventura. As causas da infelicidade são pois numerosíssimas. São entrelaçadas, combinadas, variadas, convergindo todas para o mesmo epílogo de lágrimas. Não pretendo deixar aqui uma receita de paraíso conjugal, nem pretendo que o problema seja fácil. A vida conjugal sempre foi difícil; e sempre o será. Mas o que se pode dizer sem erro, e sem ridículo otimismo, na atual conjuntura em que vivemos, é que o desvario ultrapassou seus razoáveis limites, e que alguma coisa pode e deve ser tentada no sentido de uma recuperação. E para isto cumpre isolar, no emaranhado de causas, aquela que mais influi na aceleração do mal. Torno a dizer que é a imaturidade, o despreparo. As outras causas são todas tributárias dessa imensa bacia hidrográfica da frivolidade. As pessoas se casam por motivos oblíquos; se casam sem saber o que é o casamento; fundam família sem conhecer o que é a família; mudam de estado com ponderações menores do que os motivos de escolha de uma carreira, e às vezes tão leves como as que determinam a escolha de uma gravata. Ignoram a natureza do novo estado; desconhecem-se mutuamente os que se propõem viver unidos; e se ignoram a si mesmos, seus próprios recursos, seus novos deveres, suas responsabilidades novas. Ora, o divorcista começa por conceder que esse desatino é normal, e nos traz um remédio que ainda o tornará mais desatinado. Seu remédio virá pois incrementar as causas do mal. Se já existe uma alarmante falta de seriedade no regime da indissolubilidade, é fácil imaginar o delírio a que se chegará no regime do divórcio. E essa é a primeira contradição intrínseca do divorcismo: pretende curar alargando as fontes do mal, pretende remediar com sua pomada de emergência dez infelizes, à custa de cem outros que já se colocam na fila da infelicidade. Mas o divorcista — seja dito em sua homenagem — não percebe essa contradição; e não a percebe justamente porque renunciou, de antemão, usar aquilo com que se evidenciam as contradições. Para ele, como já disse, o casamento é casual, essencialmente irrefletido, e não pode deixar de ser assim uma espécie de loteria onde pesa mais a sorte do que a razão. Dizem por exemplo que o amor é cego, e que é impossível, em meses de noivado, conhecer perfeitamente a pessoa com quem se delibera fundar uma família. Concedo que é impossível, em meses, conhecer perfeitamente o outro. Vou até mais longe. Se é preciso conhecer perfeitamente o outro em todos os seus recantos psicológicos, a vida inteira não basta, e deveríamos adiar todos os casamentos par o dia do juízo final. Ou então, para atender às flamas do mais impaciente amor, deveríamos estipular que os noivos esperassem a provecta idade dos senadores. O que é evidente, nesse pessimista irracionalismo, é que a incapacidade de conhecer o outro, se destrói o casamento indissolúvel, destrói também o divórcio. Porque o divórcio se baseia justamente nessa idéia insensata de que, num certo ponto da vida conjugal, a gente esgota completamente o conhecimento do outro, a ponto de lhe recusar a mínima possibilidade de recuperação. Concedamos pois que o noivado é curto para a exaustiva análise dos noivos. Mas daí a recusar a possibilidade de um certo conhecimento, e a necessidade de uma certa preparação, vai um abismo. Essa idéia se reduz a afirmar que o homem está completamente desarmado para os atos mais graves de sua vida. Sua razão lhe serve para instalar um aparelho de rádio, mas é incompetente para fundar família. Sua inteligência lhe basta para demonstrar que a soma dos três ângulos internos de um triângulo é igual a dois retos, mas é deficiente para apreender a natureza desse outro triângulo em cujo vértice nasce uma criança. É claro que a vida está cheia de imprevistos. A própria criança é um destes, e dos mais terríveis. Mas dizer que a vida é somente formada de imprevistos, diante dos quais o homem é impotente, equivale rigorosamente a denunciar toda a validez da moral. Convém firmar este ponto: a pessoa que admitir a incompetência da razão nos atos mais graves da vida está admitindo tacitamente a falência total dos princípios de moralidade. Bem sei que já muita gente admite essa falência, e que seria preciso deslocar a origem das coordenadas, e escrever um outro livro para discutir esse problema. Neste que agora escrevo [1] suponho no leitor esse mínimo — a confiança na ordem moral. E já me declararia satisfeito se conseguisse convencer algum divorcista de seu radical amoralismo. Seria um progresso para ele se largasse o equívoco e enfrentasse com lealdade o niilismo moral. Aliás, se isto acontecesse, o divorcista deixaria de pleitear o divórcio, e passaria a defender o amor sem regras. Dizer que o amor é cego equivale a afirmar a radical incompatibilidade entre o amor e a razão. O caloroso amor será cego; a lúcida razão será gélida. Divide-se então o homem em si mesmo de um modo irremediável, e o fogo do amor será uma loteria com poucos prêmios e muitos bilhetes brancos. A razão virá mais tarde, quando esfriar o amor, para passar um pito no apaixonado; ou para se rir amarelo da ilusão dos que ainda vivem nos amorosos torpores. É claro que, se chamamos de Razão essa mesquinha faculdade de passar pitos ou de achar sorrisos de gélido escárnio, haverá uma absoluta incompatibilidade entre a Razão e o Amor. Se a Razão é apenas cálculo e mesquinharia, já está implícita nesta definição a incompatibilidade e a cegueira do amor. Neste caso, a moça que se casa com um rapaz padrão O para ter um caso de peles, estará fazendo um casamento de razão. o moço que se casa com uma velha rica também estará fazendo um casamento de razão. Ora, no meu vocabulário, esses dois estão consumando os menos razoáveis, os mais insensatos casamentos. Estão, inclusive, fazendo um cálculo errado. Estão cegos. No meu vocabulário, isto é, no vocabulário do bom-senso e da reta filosofia, o único casamento razoável é o casamento de amor. A razão é intrinsecamente generosa, e é vivificada e dilatada pelo amor. Procurarei explicar-me melhor, apelando para as mais profundas ressonâncias das almas. E começo por perguntar: Quem quererá ser amado sem ser compreendido? Realmente, os mais humildes, os menos filosóficos namorados sabem que a compreensão é uma nota essencial do verdadeiro amor. Nos seus delírios, nos seus românticos arroubos, o mal-atendido namorado se queixa de serincompreendido. Vai nessa queixa, evidentemente, muita estultice, porque às vezes a amada se afasta do seu suplicante por lucidez. Seja como for, usada com justiça ou com insensatez, o fato é que a nota de compreensão é inseparável do conceito que todo o mundo tem do amor. De onde se conclui que no unânime consenso, e de acordo com os mais profundos instintos do homem, o amor não pode ser cego. Ao contrário, o amor é lúcido. O amor, o verdadeiro amor é ardentemente compreensivo. Só quem ama verdadeiramente, conhece verdadeiramente. Se é verdade que o conhecimento precede o amor, é verdade também que o amor precede a dilatação do conhecimento. O amor, o verdadeiro amor tem um conhecimento penetrante, candente, fino, lúcido; tem um conhecimento de ressonância profunda, de identificação, de conaturalidade. O amor, o verdadeiro amor advinha, penetra, descobre, simpatiza, faz suas as aflições do outro, dá ao outro suas próprias alegrias. É compreensivo. Mas não é compreensivo no sentido que se dá a esse vocábulo, quando quer significar uma tolerância que fecha os olhos. Não. O amor verdadeiro é compreensivo num sentido maior, que não fecha os olhos, mas que também não fecha o coração. Vê as falhas do outro, vê as misérias do outro, com uma generosa inquietação, com uma piedosa solicitude. Mas vê. Vê com amor. Mas vê. E é nessa visão que ele encontra as forças de paciência para os dias difíceis, e que se defende das amargas decepções. A miséria, o defeito, a falha, apresentados pelo amor, conservam sempre a dignidade do contexto em que foram apreendidos, sem sacrifício da veracidade. Porque o amor é veraz; é verídico; é essencialmente amigo da verdade. E como compete à razão guiar a alma nos caminhos da verdade, segue-se com lógica irresistível que a razão é o piloto do amor. Mas há um amor que é efetivamente cego; um amor que não é verídico; um amor que não é compreensivo; um amor que não é transformante, e que não ressoa, que não simpatiza, que não advinha, que é inimigo da verdade. É o amor-próprio. Cegueira voluntária, o amor-próprio se compraz nas mentiras que agradam as paixões. Princípio de divisão interna, o amor-próprio divide o homem de si mesmo. A maioria dos dramas consiste no equívoco com que se rotula de amor a triste pantomima do amor-próprio. Esses romances de amor são comédias de erros em que cada um engana o outro, e a si mesmo se engana, com o jogo gracioso que se convencionou ser próprio da juventude e da esgrimagem dos sexos. O centro de todos os disparates é o amor-próprio, a divisão do eu, o divórcio interno entre a vontade e a inteligência, em torno do qual se forma a constelação de tendências que Karen Horney chamou de pride system. O rapaz que descobre, um ano depois do casamento, que foi pescado por causa do padrão O, e que sua mulher casou-se efetivamente com o casado de pele, dificilmente poderá alegar a obnubilação produzida pelos encantamentos do noivado. Sua decepção é injusta. Não viu porque não quis ver. Cegou-se por amor-próprio. Enganou-se a si mesmo, e por conseguinte faltou com a devida veracidade, isto é, com o verdadeiro amor. Estenda pois a si mesmo a decepção, e procure dar-lhe os nomes de humildade e paciência. E sobretudo procure, agora em bases mais autênticas, recuperar a lealdade ferida pela comédia do amor. Conceder plenos direitos à amarga decepção da vaidade ferida, equivale a conceder direitos ao egoísmo, e a negar as verdadeiras possibilidades de recuperação na base da verídica humildade. Este é o ponto de soberana importância. Por mais generalizado que esteja o disparate, o equívoco, o mal-entendido, não é possível estruturar a sociedade na base de um irracionalismo que proscreve a razão, e que anula todas as oportunidades de restauração dos valores genuínos. Daquele pobre casal de ludibriados, eu diria que a verdadeira oportunidade de amor começa nessa ferida, justamente nessa hora magoada em que a humildade pode vencer o egoísmo. E é nessa oportunidade única que lhes pretendem roubar, para que recomecem indefinidamente, sem progresso, sem lucro, sem dor, a insípida comédia de erros. Torno a dizer que o amor é lúcido, que a razão é o piloto do amor, e que o casamento exige de cada um a exata tomada de consciência, que de modo algum significa uma ducha gelada na incandescência do amor. E volto a asseverar que a causa principal da crescente instabilidade conjugal está na leviandade e na falta de preparação. A preparação para o casamento pode ser considerada em três partes: 1o. — Conhecimento da natureza do ato, e do novo estado. O que é o matrimônio? O que é a família? Qual é o fim principal do casamento? 2o. — Conhecimento mútuo no amor. 3o. — Conhecimento de si mesmo, preparação material e moral de cada um, tendo em vista as exigências do novo estado. Vou aqui abordar somente a primeira parte, que poderíamos chamar de preparação remota, porque deve ser anterior, para ser mais eficaz, ao encontro de amor. É claro que essa tomada de consciência da natureza do matrimônio será benéfica em qualquer momento da vida conjugal; mas é claro também que sua anterioridade trará um acréscimo considerável de garantia para a felicidade conjugal. Não é demais insistir na importância dessa tomada de consciência. A sociedade inteira, com seus múltiplos problemas depende da concepção de casamento e família, que se respira. A sorte do mundo depende, em primeira linha, da compatibilidade entre as instituições e o amor. Se o amor for banido das estruturas; se o amor ficar reduzido a uma entidade vadia e desclassificada; ou se o amor só tiver um lugar de repouso fora das categorias sociais, ainda que seja um trono romanticamente instalado acima das vicissitudes da vida comum — a sociedade humana conhecerá uma espantosa degradação. O amor precisa casa. O amor quer morar nas casas dos homens, nas instituições dos homens. E é esse o principal objetivo de nosso estudo: traçar a planta baixa e os cortes principais da Instituição conjugal, isto é, da Casa do Amor. As pessoas que se casam levam escondidos no enxoval os seus múltiplos defeitos. Se fosse preciso ser perfeito para casar-se o casamento só conviria aos santos. Ou então, como desejam os defensores do individualismo divorcista, só conviria para os poucos felizardos que encontrassem um perfeito encaixe das recíprocas imperfeições. O casamento, nesse caso, não teria nenhuma eficácia sobre os cônjuges, podendo até servir para os confirmar no satisfeito egoísmo. Ao contrário, em sã doutrina, nós afirmamos que as instituições bem fundadas na natureza das coisas, exercem uma influência benéfica, que reverte sobre as pessoas, em analogia com o que se chama “graça de estado”, no plano da vida sobrenatural. A casa ajuda os casais. As imperfeições das pessoas são socorridas, e de certo modo compensadas, desde que exista uma boa compreensão da estrutura em que estão engajadas. E no casamento isto é de capital importância. Saber o que é o casamento, o que é uma família, é a meu ver o primeiro e imprescindível fator da felicidade conjugal. Faltando essa clara consciência do ato e do estado, ainda que haja amor, igualdade de fortuna, paridade de gosto, de educação e de temperamento, o casal dificilmente se equilibrará nos dias de tormenta. A firmeza da casa está na tomada de consciência do casal, na exata compreensão da natureza da instituição e do novo estado. É desse aspecto do problema que trata o presente estudo, e cumpre advertir que aqui nos colocamos na perspectiva da razão, e não na luz da fé. O casamento é aqui considerado na sua natureza como instituição humana; e a crítica que fizermos ao divórcio tem a mesma perspectiva do direito natural. #GustavoCorção

  • Ordenação do Ir. João Batista – Ordination du fr. Jean-Baptiste – Ordination of Br. John

    + PAX ​ PORTUGUÊS Caros amigos e benfeitores Damo-lhes uma boa notícia: a ordenação SACERDOTAL de nosso Irmão João Batista (agora diácono), que acontecerá no dia 24 de junho. Pedimos suas orações por ele, para que seja um santo sacerdote, para a maior glória de Deus e salvação das almas. Aproveitamos também para dizer que as comunicações com os amigos e benfeitores não serão mais feitas  a partir do e-mail mostsantacruz@gmail.com, mas do seguinte:secretariusmonasterii@gmail.com Fotos anexas de sua ordenação DIACONAL. Em união de orações, Renato Müller Secretário de Dom Tomás de Aquino FRANÇAIS Cher amis et bienfaiteurs, Nous vous donnons une bonne nouvelle: l’ordination SACERDOTALE du fr. Jean-Baptiste (qui est diacre en ce moment), laquelle aura lieu le 24 juin prochain. Nous vous demandons vos prières pour lui, pour qu’il soit un saint prêtre, pour la gloire de Dieu et le Salut des âmes. En pièces attachées, les photos de son ordination DICONALE. Nous profitons pour vous dire aussi que les communications avec les amis et bienfaiteurs désormais ne seront plus faites depuis  l’adresse courriel mostsantacruz@gmail.com, mais depuis la suivante : secretariusmonasterii@gmail.com En union de prières, Renato Müller Secrétaire de Mgr Thomas d’Aquin ENGLISH Dear friends and benefactors: We are writing you to give you good news: the PRIESTLY ordination of our Brother John Baptist OSB (now deacon), which is going to take place on June 24. We ask for your prayers for him, so that he may be a holy priest, for the greater glory of God and the salvation of souls. We also take this opportunity to say that communications with friends and benefactors will no longer be made from the e-mail account mostsantacruz@gmail.com, but from the following: secretariusmonasterii@gmail.com His DIACONAL ordination photos are attached to this message. United in prayers, Renato Müller Secretary of Bp Thomas Aquinas U.I.O.G.D. #Atualidades

  • VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 61

    02 de junho de 2018 “Vox túrturis audita est in terra nostra” (Cant. II, 12) No artigo passado faltou-nos fazer um comentário sobre o novo Magistério. Este não é o Magistério da Santa Igreja, ainda que tenha coisas verdadeiras, mas misturadas com falsas. Assim, as diversas doutrinas dos diversos hereges são falsas, ainda que tenham coisas verdadeiras, pois estas estão misturadas com falsas. A Igreja só tem o direito (e o dever) de transmitir o depósito revelado, no qual, evidentemente, não há erro algum. Conclusão: submeter-se ao Catecismo tradicional, ao Magistério tradicional, ao Código de Direito Canônico anterior ao novo, aos Sacramentos tradicionais, à Missa de sempre, é submeter-se à Santa Igreja e à hierarquia da Santa Igreja, é submeter-se ao Papa e ao episcopado católicos. Pois quando, por uma imperscrutável permissão divina, ocorre de o Papa e os bispos pertencerem a uma seita (ainda que verdadeiro Papa e verdadeiros bispos, que ocupam verdadeiros postos na hierarquia católica), eles passam a não ser mais referência para os católicos, os quais devem referir-se aos Papas anteriores a essa situação anormal, e aos bispos que ainda hoje se opõem a essa situação. O que está ocorrendo atualmente na Igreja é dramático. Nossa atitude pode ser mesmo apavorante para alguém que não mediu a profundidade do problema. Mas é um fato. As coisas são o que são, e não podemos “tapar o sol com a peneira”. Queira Deus que Ele continue a ter misericórdia de nós, mostrando às pessoas, como têm feito frequentemente, quão verdadeiro é o nosso modo de encarar essa fase da história da Igreja, pela qual passamos. Que Maria Santíssima não nos abandone e nos faça perseverar na fidelidade à Igreja de Seu Divino Filho. Arsenius U.I.O.G.D #Atualidades #Fátima #Textos

  • VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 60

    19 de maio de 2018 “Vox túrturis audita est in terra nostra” (Cant. II, 12) Perdoem-me os leitores pela falha que cometemos em nosso número anterior, pois, vendo que o texto estava ultrapassando o espaço conveniente para a edição, resolvemos transferir o último parágrafo (aliás incompleto) para o número seguinte (este, no caso), mas esquecemos de apagá-lo no número anterior, o que resultou em um texto parcialmente incompreensível. Mas neste número retomamos, desde o começo, o parágrafo interrompido e o prosseguimos. No decurso dos séculos, Deus permitiu as heresias; e um grande bem que Ele tirou desse mal foi a explicitação da doutrina já crida na Igreja. Creio que, semelhantemente, podemos aplicar isso à realidade da “Igreja Conciliar”. Dom Lefebvre e Corção afirmaram a real existência de uma “igreja parasita”, sem descer a detalhes sobre no quê ela consistia. Depois, procurou-se explicar essa realidade com comparações: moedas, câncer, “amante” etc.. Mas, como “toda comparação claudica”, fazia-se mister uma explicação mais precisa. Julgo haver sido encontrada na exposição feita em um artigo da revista Le Sel de la Terre (revista, aliás, que aconselho nossos leitores a assinar), cujo autor cuidou em não se identificar (provavelmente para não ser “punido”) e que parece haver encontrado o verdadeiro significado dessa Igreja Conciliar: é uma seita, uma reunião de pessoas que têm uma doutrina “religiosa” diferente da da Santa Igreja, organizada, com a finalidade de “reformar” essa mesma Santa Igreja por dentro, sem sair dela, tomando os seus postos de comando. Então, essa “igreja” se encontra dentro da Igreja Católica, mas é distinta dela. E os membros dessa seita, tendo nas mãos os postos de comando da Santa Igreja, impõem a sua “organização eclesial”, para os católicos se submeterem a ela. Daí vêm a Nova Missa, o novo Catecismo, o novo Magistério, o novo Código de Direito Canônico, os novos Sacramentos… Não foi a Santa Igreja que decretou a Nova Missa, não foi a Santa Igreja que decretou o novo Catecismo, não foi a Santa Igreja que decretou o novo Código de Direito Canônico, não foi a Santa Igreja que decretou os novos Sacramentos. Foi um homem que ocupa o mais alto grau da hierarquia católica, mas que pertence à dita seita ao mesmo tempo que pertence ao corpo da Santa Igreja, pois é batizado, e talvez até mesmo pertença à alma da Igreja (só Deus o sabe), pois o modernismo estraga de tal modo as cabeças, que é possível haver verdadeira Fé (interior) junto com erros doutrinais. Ainda não terminamos o nosso assunto. Em um próximo número, se Deus quiser, o concluiremos. Arsenius U.I.O.G.D #Crise #Fátima #Textos

  • VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 59

    12 de maio de 2018 “Vox túrturis audita est in terra nostra” (Cant. II, 12) A Igreja Católica é Una. Essa unidade é requerida porque a verdade se opõe à falsidade. Uma diferença (de culto, por exemplo, entre os orientais) que não inclui uma falsidade não requer uma diversidade de igrejas. A Igreja (com maiúscula) é a Igreja Católica. Ela é a Igreja, por antonomásia. É o protótipo, aquela em que se realiza plenamente o significado dessa palavra (a qual vem do latim ecclesia, que quer dizer reunião, com motivo religioso, organizada, com finalidade religiosa). É a reunião por excelência: a melhor de todas e que todas devem considerar como modelo. Assim, por exemplo,  acontece com a palavra bíblia (que quer dizer: o livro): isso não porque os outros livros não sejam livros, mas porque a Bíblia é o livro por excelência. O mesmo não se pode dizer da palavra religião, a qual só se aplica verdadeiramente ao Catolicismo, pois ela significa religar, ligar novamente o que estava separado; e o que se trata aqui é de religar o homem com Deus, os quais haviam sido separados pelo pecado, tanto o de Adão como os nossos. Ora, só a Igreja fundada pelo mesmo Deus é depositária do Sacrifício Redentor que realizou a obrar de reunir o que havia sido separado. Portanto, é um uso indevido aplicar às outras “igrejas” o nome de religião, pois não religam nada. Diante do que foi dito, vamos considerar a expressão “Igreja Conciliar”. Ela foi empregada pelo Cardeal Beneli. Dom Lefebvre, já em 1976, havia denunciado a existência de uma outra “igreja” no seio da Santa Igreja. Afirmação, portanto, não causada por uma emoção passageira por ocasião das sagrações episcopais de 1988 (como, parece, está-se pensando entre aqueles que, na “Tradição”, não querem acreditar na existência dessa outra “igreja”, pois agora eles têm em vista um “acordo” ou “entendimento” ou “reconhecimento” ou “oficialização” ou qualquer outro nome que queiram dar à mesma realidade). De seu lado, também Gustavo Corção já falava na “outra”, referindo-se à mesma infiltrada “igreja”. Em um próximo artigo pretendo dar continuidade a esse assunto. Arsenius U.I.O.G.D #Atualidades #Fátima #Textos

  • VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 58

    21 de abril de 2018 “Vox túrturis audita est in terra nostra” (Cant. II, 12) Ainda sobre o mesmo assunto da Igreja. Como vimos, a Santa Igreja tem um corpo e uma alma. Em que consiste o seu corpo? No culto (parte externa dos Sacramentos, da Santa Missa etc.), no governo (postos hierárquicos), no ensino, nas pessoas batizadas. E em que consiste sua alma? São as virtudes sobrenaturais (teologais e morais), os dons do Espírito Santo, o depósito das verdades reveladas (morais e dogmáticas), as graças santificante e atuais, que nos vêm ordinariamente pelos Sacramentos. A Igreja Católica é Santa. É um erro dizer que ela é santa e pecadora. No entanto, é um fato que muitos de seus membros são pecadores. Portanto, o que inalienavelmente é santo é a alma da Igreja, onde não há ruga nem mancha. Assim como, por sinédoque, chamamos os homens de almas (“nesta paróquia há tantas almas”), dando ao todo o nome da parte principal. A alma da Igreja é o que há de principal na Igreja e na qual não pode haver pecado nem erro algum. Na medida em que o corpo da Igreja está em conformidade com a santidade de sua alma, ele, o corpo, é santo. Se o que é realizado nesse corpo é conduzido, ordenado, direcionado por sua alma, de acordo com sua doutrina dogmática (inteligência) e moral (vontade), isso é católico e divino, caso contrário, é humano e falível. Demos um exemplo à guisa de comparação: se um sonâmbulo pular de um lugar alto e morrer com a queda, não se lhe pode imputar esse ato como um suicídio, porque a pessoa que age no sono age sem o uso da razão (inteligência e vontade) e, portanto, sem culpa, podendo-se dizer que não foi a pessoa que agiu: foi o seu corpo sem estar sob o império da alma (cujas duas potências são a inteligência e a vontade) Deve-se observar que entre os pecados que podem haver nos membros do corpo da Igreja, encontra-se a heresia: pecado contra a Fé. Esse pecado, nos bons tempos, levava à exclusão desse membro, por um decreto da hierarquia; mas enquanto esse decreto não é feito, o dito membro continua a ser membro da Igreja (membro morto se a heresia é formal, membro vivo se a heresia é somente material). Arsenius U.I.O.G.D

  • VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 57

    7 de abril de 2018 Fundada em 1717 a Maçonaria foi condenada por Clemente XII em sua encíclica In Eminente de 28 de abril de 1738, ou seja, 21 anos após a sua fundação. Como se não bastasse esta condenação, os sucessores de Clemente XII voltaram ao assunto denunciando sem cessar a seita maçônica e suas doutrinas. Esta repetição pela qual um papa retoma o que seus predecessores disseram tem grande importância. “Quando um Papa denuncia ou afirma algo apoiando-se sobre o passado, isto reforça a sua própria palavra. (…) Uma doutrina que é ensinada desta maneira, uma condenação feita desta forma parece ser infalível”, diz Dom Lefebvre( C´est moi l´accusé…Editions Clovis, 2014, pag. 142). Como nota o Pe. Guy Castelain, da Fraternidade São Pio X, a simples encíclica In Eminenti já parece engajar a infalibilidade pontifícia, pois nela o papa fala como Supremo Pastor, definindo claramente o que deve ser observado, num assunto de fé e de moral, obrigando a todos os fiéis, sem exceção. Entre os documentos mais significativos que se seguiram aos de Clemente XII podemos citar as encíclicas: Providas( de Bento XIV, 1751), Ecclesiam( de Pio VII, 1821), Quo Graviora( de Leão XII, 1826), Qui Pluribus( de Pio IX, 1846), Humanum Genus( de Leão XII, 1884). Não foi, porém, só nestas encíclicas que a Igreja falou e condenou a Maçonaria. O “Sommaire de Théologie Tomastique”, publicado em 1969 pelas “Editions de Bien Public”, Canadè, indica o impressionante número de 200, os documentos da Igreja que mencionaram a Maçonaria. O livro”Les enseignements originaux des popes sur la Franc-maçonnerie de 1717 ò nos jours”, éditions Téqui França, traz o texto de quase 30 entre eles. Mas qual é a finalidade que se propõe a Maçonaria para ser objeto de tal condenação? Sua finalidade, nos diz Leão XIII, é a destruir inteiramente toda ordem religiosa e social nascida das instituições cristãs. Destruir o reino religioso e social do Xto. Rei, ou seja, destruir toda ordem sobrenatural e estabelecer uma ordem fundada no naturalismo, para não dizer no satanismo pois é aí que se terminará esta empresa que prepara a vinda do Anticristo. São Pio X, desde a primeira encíclica de seu pontificado descreve o plano destes infelizes obstinados: “Em nossos dias, é bem verdade, as nações espumaram e os povos meditaram projetos insensatos contra o seu Criador. E tornou-se quase universal o brado dos inimigos: “Retirai-vos para longe de nós”. Daí, na maioria dos homens, uma rejeição total de todo respeito por Deus. Daí os costumes de vida tanto privados como públicos nos quais não se tem em nenhuma conta a soberania de Deus.” Não é o que vemos hoje não só na sociedade civil, mas também na Igreja Conciliar? Qual será o resultado deste combate feito contra Deus que atingirá seu paroxismo no advento do Anticristo? “Nenhum espírito sensato pode pô-lo em dúvida, escreve São Pio X. Está, sem dúvida, ao alcance do homem que quer abusar de sua liberdade, violar os direitos e a autoridade supremos do Criador, mas ao Criador cabe sempre a vitória, e isto não é tudo. A ruína paira tanto mais de perto sobre o homem quanto mais ele se levanta audaciosamente na esperança de seu triunfo. Disto nos adverte Deus Ele mesmo nas Sagradas Escrituras. Deus fecha os olhos sobre os pecados dos homens, mas em breve, despertando como um homem cuja embriaguez aumentasse a força, Ele esmaga a cabeça de seus inimigos. Que todos saibam que o rei da terra, de toda a terra, é Deus. Que os povos compreendam que eles não são senão homens.” E Supremi Apostolatus – 4 de outubro de 1903. Assim se terminará ou pelo juízo final (ou por algo que o precederá) este reino do Anti-Cristo preparado pelas sociedades secretas. Que Maria Santíssima nos guarde sob sua proteção nestes dias de aflição.

  • VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 56

    24 de março de 2018 Estamos, neste artigo, continuando as considerações que fizemos em nosso número anterior sobre a Santa Igreja. A Igreja Católica define-se com mais propriedade como sendo o Corpo Místico de Cristo. E nesse corpo, Nosso Senhor Jesus Cristo é a cabeça e todos os mais que pertencem a esse mesmo corpo (inclusive o Papa) são seus membros. Dessa Cabeça divina desce a graça santificante a seus membros. E essa graça é para todos os homens (ainda que nem todos a recebam), desde Adão até o último homem que existir. Portanto, mesmo os homens do Antigo Testamento que tiveram a dita de a receber, receberam-na por Nosso Senhor Jesus Cristo, e pertenciam à Igreja Católica. E se alguém, por acaso, se salva com o batismo de desejo, pertencendo externamente a uma falsa religião, na verdade pertence à Igreja Católica, mesmo sem o saber. Vimos uma primeira distinção em partes, que se pode fazer na Igreja: uma parte é a Cabeça, e a outra os membros. Mas a Igreja é uma realidade complexa, acerca da qual precisamos fazer várias outras distinções para poder bem compreendê-la. Com efeito, sob um outro aspecto, o do lugar onde se encontram os seus membros, podemos distinguir a Igreja triunfante (composta por aqueles que estão no Céu), a Igreja padecente (composta por aqueles que estão no Purgatório) e a Igreja militante (composta por aqueles que estão na Terra). Ainda, sob o aspecto da guarda e da transmissão da Revelação, faz-se a distinção entre a Igreja docente (a que ensina: o Papa e os Bispos) e a Igreja discente (a que é ensinada: os demais membros). Mais outro aspecto: a Igreja, que é comparada a um homem, tem um corpo e uma alma. E nesse corpo podemos distinguir seus membros vivos e seus membros mortos. Os vivos são os que estão recebendo, da Cabeça, a vida sobrenatural da graça santificante. Os mortos são os que não estão recebendo essa vida. São como os membros gangrenados de uma pessoa: esses membros pertencem ao corpo aparentemente, materialmente, mas não formalmente, pois o sangue não os irriga mais; neles não está mais a vida do corpo. Em uma próxima vez, se Deus quiser, continuaremos nossas considerações sobre este tema. Arsenius

  • VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 55

    17 de março de 2018 “Vox túrturis audita est in terra nostra” (Cant. II, 12) Neste número de “A Voz de Fátima” pretendendo começar uma série de artigos nos quais tecerei considerações sobre a Santa Igreja, que, se Deus quiser, terá sua continuação em números futuros indeterminados, conforme dispuser a Divina Providência. Feliz culpa de Adão, que nos mereceu um tal e tão grande Salvador! Deus só permite o mal para daí tirar um bem maior. Ele permitiu o pecado de Adão, para daí tirar o bem infinitamente maior da Encarnação e da Redenção. E, em consequência da Encarnação e da Redenção, constituiu a Santa Igreja. A Santa Igreja é o meio, que Deus instituiu, através do qual os homens devem participar da vida divina, primeiramente na obscuridade da Fé e depois na visão, no gozo e na posse de Deus. Essa é a finalidade para a qual foram criados todos os homens, finalidade cheia de amor (e que amor! Amor incrível! Infinito!) por cada um de nós. E não temos o direito de não querer esse dom inestimável. Seremos justamente castigados se o recusarmos. Poderíamos pensar que o nosso bem é o que queremos para nós. Mas nosso Pai, nosso bom Pai, nosso melhor Amigo, Aquele que se fez nosso irmão e até quer ser nosso Filho, Ele sabe que, muitíssimas vezes, o que queremos é péssimo para nós. Como alguém que tenha um filho ou um irmão ou uma mãe que não querem absolutamente vê-lo bêbado porque sabem que isso é um mal para ele. Mas ele acha que isso é bom: como ele gosta de beber até a embriaguez!… “Por que essas pessoas, que deveriam me querer bem, ficam me reprovando de fazer o que tanto gosto?” Porque sabem que isso não é bom. Assim Deus para conosco. Conclusão, todo homem deve pertencer à Santa Igreja para se salvar. E só se pode pertencer à Santa Igreja por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi porque Ele morreu por nós é que cada um de nós pode receber a participação de Sua vida divina, pela graça santificante. Arsenius U.I.O.G.D

  • VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 54

    10 de março de 2018 Para aprofundarmo-nos cada vez mais na mensagem de Fátima, paremos para meditar algumas passagens das memórias da Irmã Lúcia como as que seguem: “Meus pais levavam uma vida dura e simples, mas calma e feliz” (Memória VI), “Um dia, eu vi chegar perto da porta um pobre. Eu entrei em casa e disse a meu pai: ‘Está aqui um pobre pedindo esmola’. Meu pai se levantou, foi à lareira e, com sua faca, cortou a corda de um chouriço. Pegando-o perguntou à minha mãe: ‘- Olhe! Posso dar isso a esse pobre? Isso não vai fazer falta? ’ Minha mãe respondeu: ‘ – Pode. O que damos aos pobres, nunca nos faz falta.’” (Memória V) “Cada dia, quando os sinos da igreja paroquial tocavam o Ângelus, meu pai parava o trabalho, com a cabeça descoberta, ele recitava três Ave Marias e voltava para casa.” (Memória VI). Que belos exemplos para serem imitados por nós! Referindo-se à segunda aparição do Anjo, a Irmã Lúcia diz: “As palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito como uma luz que nos fazia compreender quem é Deus, quanto Ele nos ama, quanto Ele quer ser amado por nós, o valor do sacrifício, quanto o sacrifício é agradável a Deus, como Ele converte os pecadores em vista de nossos sacrifícios”( Memória IV) Coloquei separadamente essas frases para darmos a devida atenção a cada uma delas e, assim, procurar impregnar-nos das mesmas. E o Anjo indica um dos mais preciosos sacrifícios: “Sobretudo, aceitai e suportai com submissão os sofrimentos que o Senhor vos enviar”. (Memória IV). Nossa Senhora deseja iluminar-nos, assim, como um amor especial por Deus e pelo mistério da Santíssima Trindade: “E a luz que emana de Nossa Senhora é uma luz fortíssima, tão intensa, que, entrando em nossos corações e penetrando até o mais profundo de nossa alma, nos faz ver-nos a nós mesmos em Deus.” (cf. Memória IV) E para recebermos essa luz de Nossa Senhora não é necessária uma visão extraordinária como a dos pastorzinhos, mas é preciso um avanço sério na vida espiritual, que é um dever de todos nós. E se fizermos isso, poderemos dizer com Francisco: “o que mais gostei foi ver Nosso Senhor nessa luz que Nossa Senhora nos colocou no peito. Amo tanto a Deus! Mas, Ele está tão triste, por causa de tantos pecados! Nós não devemos fazer nenhum pecado!” (Memória IV) Que Maria Santíssima nos ajude a alcançarmos essa graça! Arsenius U.I.O.G.D

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