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- Comentários Eleison nº 727
Por Dom Williamson Número DCCXXVII (727) – 19 de junho de 2021 A SUPLICA DE VIGANÒ Estes “Comentários” já citaram mais de uma vez Nossa Senhora dizendo no Japão em 1973: “Só eu posso ajudá-los agora”. É típico da sabedoria do Arcebispo Viganò levá-la a sério. Nem todos os leitores destes “Comentários” devem ter visto a súplica que ele fez a Ela no mês passado: Nobre Senhora e Rainha do Céu, olha para nós, teus filhos, nesta hora de escuridão e aflição. Digna-te a ouvir e cumprir nossa humilde e confiante oração, em uma hora em que as forças do Inimigo se multiplicam em um assalto do Inferno a Deus, à Sua Igreja e a toda família humana. Como modelo e exemplo de humildade e obediência à vontade de Deus, ilumina nossos governantes para que se lembrem de que a autoridade que exercem pertence a Deus perante a quem responderão, o Juiz justo, pelo bem que houverem feito e pelo mal que tiverem cometido. Virgem fidelíssima, ensina os responsáveis dos assuntos públicos a honrar as obrigações morais de seu cargo, recusando qualquer tipo de conivência com o vício ou o erro. Como nossa Intercessora diante do Trono de Deus, cura nossos males do corpo e da alma, pois és chamada justamente Saúde dos Enfermos; guia agora os médicos e profissionais de saúde em sua profissão, e ajuda-os a cuidar dos enfermos e a atender os mais fracos. Dá-lhes coragem para enfrentar qualquer um que os obrigue a matar pessoas ou torná-las enfermas por meio de tratamentos inadequados ou medicamentos prejudiciais. Pede ao divino Médico das Almas, Nosso Senhor, que desperte na consciência deles o sentido do seu verdadeiro papel e dever de promover a vida e a saúde corporal. Como fugitiva no Egito, Vós salvaste teu divino Filho do massacre de Herodes; salva os nossos filhos das ameaças morais e materiais que pesam sobre eles, protege-os da verdadeira praga do pecado e do vício, e dos planos criminosos da ditadura ideológica que procura esmagar seus corpos e suas almas. Dá força aos pais e educadores para que possam enfrentar uma droga perigosa e moralmente ilícita que está sendo experimentada nas crianças. Frustra as tentativas daqueles que atacam sua inocência, que se esforçam para pervertê-las em sua tenra idade, enganando sua inteligência e corrompendo sua moral. Ao passar deste mundo para a vida eterna, Vós foste consolada pela presença de Vosso Filho; esteja perto agora dos enfermos, dos idosos, dos moribundos, especialmente daqueles que são forçados por regras desumanas a enfrentar a morte sozinhos em uma cama de hospital sem os sacramentos. Consola-os, inspirando-lhes a dor pelos seus pecados e o desejo de oferecer os seus sofrimentos em reparação dos pecados cometidos, para que possam deixar esta vida com o consolo de morrer na amizade de Deus. Como a mãe dos sacerdotes, dá luz aos nossos Pastores para que abram os olhos à ameaça presente, para que se tornem testemunhas coerentes de Cristo teu Filho, valentes defensores do rebanho que o Senhor lhes confiou, valentes adversários do erro e do vício. Liberta-os, Virgem Santíssima, de todo respeito humano e de toda conivência com o pecado. Incendeia-os com o amor de Deus e do próximo, ilumina sua mente e desperta sua vontade. Diante de ti, fogem os demônios do Inferno; destrói os planos diabólicos desta odiosa tirania, o engano da pandemia, as mentiras dos artífices da iniquidade. Que a luz da Verdade resplandeça acima das mentiras, assim como a verdadeira luz de Cristo resplandece acima das trevas do erro e do pecado. Confunde teus inimigos e humilha sob teus pés a cabeça orgulhosa de todos aqueles que se atrevem a desafiar o Céu, e buscam estabelecer o reino do Anticristo. Como Medianeira de todas as Graças e nossa Corredentora, por decreto divino, alcança-nos a graça de ver o Triunfo do teu Imaculado Coração, ao qual nos consagramos, nossas famílias, nossas comunidades, nossa Igreja, nossa pátria e o mundo inteiro. Que assim seja, na Festa da Ascensão, Arcebispo Viganò, 13 de maio de 2021.
- Ecumenismo e “Liberdade Religiosa”: algo “novo” em luta com o “antigo”
Artigo publicado em nosso antigo site em 18/11/2010 O fato O teólogo da Casa Pontifícia, Georges Cottier, disse em uma entrevista a Avvenire (19 de janeiro de 2002) que por trás da rejeição da reforma litúrgica de Paulo VI «se esconde muito mais: a rejeição do Concílio, do ecumenismo, do principio da liberdade religiosa». Não seremos nós quem lhe contradirá; antes, ao contrário, confessamos que identificou muito bem os dois pontos em que se centra a resistência ao Concílio: ecumenismo e “liberdade religiosa”. Acrescentemos que estes dois pontos poderiam reduzir-se a um só, dado que o novo e falso conceito de “liberdade religiosa” se elaborou com vistas ao ecumenismo. Em todo o caso, ecumenismo e “liberdade religiosa” constituem os dois maiores pontos de ruptura com a doutrina tradicional da Igreja, e não seria difícil demonstrar que com eles se conecta qualquer outra “novidade” que vá contra o “antigo” presente nos textos do Concílio, assim como tampouco seria difícil provar que qualquer “novidade” que vá contra a doutrina da Igreja constitui uma corrupção inaceitável dela. Desenvolvimentos e corrupções doutrinais O Vaticano I declara: «E, com efeito, a doutrina da fé que Deus revelou não foi proposta como um achado filosófico que deva ser aperfeiçoado pelo engenho humano, mas sim entregue à Esposa de Cristo como um depósito divino, para ser fielmente guardada e infalivelmente declarada» (Denzinger nº 1800). Por isso não se dá nunca nada substancial e absolutamente novo na doutrina da Igreja. O “novo” que aparece nela em virtude do desenvolvimento ou explicitação doutrinal não passa de uma novidade acidental e relativa. Assim, por exemplo, quando a Igreja fazia rezar pelos fiéis defuntos, já ensinava implicitamente o dogma do purgatório; e, quando desta prática litúrgica se inferiu o dogma do purgatório, deu-se a passagem do ensinamento implícito ao explícito, mas não houve nenhuma “novidade” em sentido próprio. Diga-se o mesmo do primado, implícito na prática do recurso a Roma, ou do dogma da Imaculada Conceição, implícito na maternidade divina de Maria, etc. A Igreja, com efeito, exerce seu magistério de vários modos: — de maneira explícita (mediante documentos do magistério, teólogos “aprovados”, catequese, pregação etc.); — de maneira implícita (mediante a prática, particularmente a litúrgica, e as leis disciplinares). — de maneira tácita, por fim, mediante os documentos ou “monumentos” da tradição (1), nos quais o magistério da Igreja tomou corpo, por assim dizer, no curso dos séculos: livros litúrgicos, normas disciplinares, instituições, ordens religiosas, igrejas e monumentos, devoções, práticas de caridade, obras de zelo ou de piedade, vida dos Santos canonizados, civilização, costumes, língua e arte dos povos cristãos (2), etc. Pode suceder que, por diversas circunstâncias (heresias, ofuscamento de uma verdade ensinada só implícita ou tacitamente, etc.), se dê a passagem do magistério implícito ao explícito, ou se faça necessário o retorno ao ensinamento explícito de uma verdade que a Igreja se havia limitado a propor tacitamente por um tempo (3). Um exemplo do retorno do magistério tácito ao explícito se deu, por exemplo, em relação à Tradição, quando a Igreja definiu a noção exata daquela no Concílio de Trento, contra os protestantes, noção que se havia limitado a propor tacitamente no período escolástico. Assim, pois, toda a explicitação da doutrina não é mais que «uma maneira de afirmar com mais clareza, com mais precisão, com mais certeza, com mais insistência as verdades reveladas que sempre se creram, ao menos implicitamente» (4). Razão por que, apesar do desenvolvimento doutrinal de vinte séculos, Pio XII podia escrever que a Igreja «cumpre o mandato que tem de conservar sempre puras e íntegras as verdades reveladas, e as transmite sem contaminações, sem acréscimos, sem diminuições» (5). Todo o “novo” que seja irredutível ao “antigo” não é um desenvolvimento, mas uma corrupção da doutrina católica. As “novidades” do Vaticano II Com o Vaticano II houve uma irrupção de algo “novo” na Igreja. E isto é já de per si uma novidade sem correspondência na história do progresso doutrinal, sempre lento, gradual, ponderado. Trata-se de algo “novo” que, a partir do Concílio e em nome deste, se infiltrou em todas as maneiras em que se expressa o magistério ordinário: — modo explícito: “novas” doutrinas, “novas” catequeses, “novas” interpretações ou “releituras” dos Padres da Igreja e até da Escritura Sagrada; — modo implícito: “nova”, ou melhor, “novas” liturgias, “nova” disciplina (se é que a podemos chamar assim), “novas” práticas, e a verdadeira Igreja de Jesus Cristo considerada do mesmo modo que as seitas heréticas e/ou cismáticas, que o hebraísmo e que as religiões falsas; — modo tácito: a todos os documentos do magistério precedente se desconsidera na medida do possível, destruindo-os ou sepultando-os no esquecimento, enquanto uma “doutrina” nova de alto a baixo vai tomando corpo e fazendo-se sensível ante nossos olhos em “monumentos” inteiramente novos. Diante de tamanha irrupção de “novidades”, aos católicos lhes cabe o dever perante Deus, e por conseguinte o direito irrenunciável perante os homens, de perguntar-se se estas “novidades” são desenvolvimentos ou corrupções doutrinais, «se a Igreja de hoje — para dizê-lo com o Cardeal Ratzinger — é realmente a de ontem, ou se a mudaram por outra sem fazê-lo saber» (6). O contraste com o “antigo”: índice de corrupção doutrinal Em tais circunstâncias, os católicos não estão desprovidos em absoluto de um critério objetivo para poder distinguir o desenvolvimento legítimo das corrupções doutrinais. O critério, acessível a todos, ensinam-no os Padres da Igreja, a unanimidade dos teólogos realmente católicos (quer dizer, que “conhecem as regras da fé” e as respeitam), a prática e o próprio magistério da Igreja. São Vicente de Lérins escreve em seu Commonitorium (século V), ideado precisamente para encontrar «uma regra certa» que permitisse aos católicos distinguir a verdade do erro em tempos em que «a astúcia dos novos hereges exige uma vigilância e uma atenção cada vez maiores»: «Mas se objetará: Não se dará, segundo isso, progresso algum da Religião na Igreja de Cristo? Dê-se em boa hora, e grande. Quem haverá tão mesquinho para com os homens e tão aborrecível a Deus que trate de impedi-lo? Mas de tal maneira, que seja verdadeiro progresso da fé, não uma alteração dela. A saber, é próprio do progresso que cada coisa se amplifique em si mesma; e o próprio da alteração é que algo passe de ser uma coisa a ser outra» (XXIII, 1-3). Depois, comentando a exortação de São Paulo a Timóteo (I Tim 6, 20: «Ó Timóteo, guarda o depósito, evitando as profanas novidades de palavras»), São Vicente de Lérins explica: «Profanas novidades de palavras. De palavras, a saber: as novidades de dogmas, de matérias, de sentenças que são contrárias à antigüidade e ao passado...».(XXIV, 3-4) (7). Aí está, pois, a regra: se no âmbito da Igreja desponta algo “novo” contrário ao antigo não é uma verdade tirada de seu tesouro, mas a cizânia do erro semeada pelo inimicus homo (Mt 13, 24-3O) (8). Não cabe dúvida quanto a tal coisa. «Ao antigo é que há que ater-se: se a novidade é profana, a antigüidade é sagrada»; é a novidade a que deve cessar «de fazer recair suspeitas sobre a antigüidade e de formular acusações contra ela»; é a novidade a que há de deixar de «molestar e perseguir a antigüidade», enquanto a fé antiga não deve cessar «de opor-se à novidade com todas as suas forças» (9). Entre os teólogos realmente católicos nos apraz citar aqui o Cardeal Newman, porque os modernistas tergiversam com respeito a ele injustamente. Entre os critérios que pormenoriza para distinguir um desenvolvimento legítimo da corrupção doutrinal, o Cardeal Newman põe «a tendência dos desenvolvimentos posteriores em conservar a doutrina possuída precedentemente»; assim, pois, quando o “novo” tenda, em contrapartida, a excluir o “antigo”, estamos sem dúvida ante uma corrupção doutrinal (10). Trata-se, em essência, do cânon leriniano. No mesmo critério aparece inspirada a prática da Igreja nos Concílios dogmáticos consagrados a distinguir a verdade católica da heresia. Já determinou o segundo Concílio de Nicéia (787), ao condenar o conciliábulo dos iconoclastas (Constantinopla, 753), que a coerência doutrinal com a tradição constitui uma das condições da ecumenicidade de um Concílio: «Como poderia ser por sua vez o Sétimo [Concílio] aquele que não concorda com os seis santos Concílios ecumênicos que lhe precederam? [...] Seria como se alinhássemos seis moedas de ouro e lhes acrescentássemos depois um vintém: não se poderia chamar sétima à última, e isso em razão da diversidade de sua matéria...» (11). «Como poderia [...] pretender ser o Sétimo o que não segue os seis Concílios que lhe precederam?... Vós, que haveis violado as tradições daqueles seis [Concílios precedentes], como haveis podido chamar sétimo ao vosso?»: assim o santo abade Estêvão havia reprovado aos iconoclastas, 25 anos antes, sua ruptura com a tradição, razão por que o mataram a pauladas (12). Por último, o magistério infalível da Igreja fez sua a regra leriniana no Vaticano I, repetindo-a ao pé da letra na Constitutio de fide catholica, sessão III: «Cresça, pois, e muito e poderosamente se adiante em quilates, a inteligência, ciência e sabedoria de todos e de cada um, ora de cada homem particular, ora de toda a Igreja universal, das idades e dos séculos, mas somente em seu próprio gênero, quer dizer, no mesmo dogma, no mesmo sentido, na mesma sentença» (Denzinger nn.1800 e 1818). Ecumenismo e “liberdade religiosa”: não progresso, mas corrupção doutrinal Quando se iniciou o Vaticano II, a Igreja gozava da posse secular e indiscutida de doutrinas explícitas relativas: — à verdadeira Igreja de Jesus Cristo e, por conseguinte, à posição das seitas heréticas e/ou cismáticas, do hebraísmo e das religiões falsas; — às relações Igreja/Estado e, em particular, à noção exata de “liberdade religiosa” e à tolerância dos cultos falsos (13). Ademais, a Igreja gozava, na abertura do Vaticano II, de uma liturgia, expressão íntegra e inequívoca de fé católica. A estes três campos (eclesiologia, relações Igreja/Estado, liturgia) invadiu-os o que de “novo” trazia o Concílio. Por desgraça, era algo “novo” contrário, ou melhor, em pugna com o antigo. Com efeito, se a Igreja ensina, como ensinou sempre até o Vaticano II, que a Igreja de Cristo é uma só, que fora dela não há salvação e que, portanto, as demais supostas “Igrejas” não são igrejas, mas seitas, «igrejas ilegítimas» (São Irineu), «sarmentos secos» (Santo Agostinho), e que os indivíduos particulares, se padecem de ignorância invencível, podem salvar-se só em virtude da pertença in voto à Igreja verdadeira, de modo algum desta doutrina constante pode inferir-se hoje, com o Vaticano II, que «as igrejas e comunidades separadas [...] de nenhuma maneira estão desprovidas de sentido e valor no mistério da salvação. Porque o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como meios de salvação» (14). Não pode inferir-se tal coisa porque a doutrina “nova” exclui a antiga abertamente e ofende as verdades reveladas que se contêm nela a título de conseqüências. Com efeito, a doutrina nova descobre que são legítimas as “igrejas ilegítimas”, que a seiva da graça divina corre pelos “sarmentos secos” e, em conseqüência, que a Igreja de Cristo já não é única nem constitui «a arca única de salvação» (Denzinger n. 1647). Depois, no pós-Concílio, em nome do decreto conciliar Nostra Aetate, se promoveu também as religiões não-cristãs à categoria de caminhos de salvação, pelo menos «extraordinários». Mais ainda: se a Igreja ensina, como o fez sempre até o Vaticano II, que Nosso Senhor Jesus Cristo tem direito, por ser Deus, de reinar não só sobre os indivíduos mas também sobre as sociedades, e que, por conseguinte, só a Igreja Católica goza do direito natural e divino à assistência negativa e positiva do Estado, na qual se compreende outrossim o dever de impedir o culto público das religiões falsas, a não ser que motivos de prudência política aconselhem sua tolerância, desta doutrina constante da Igreja não pode deduzir-se de maneira alguma, com o Vaticano II, que exista um “direito” da pessoa humana de que não se lhe impeça a profissão pública e associada de sua crença falsa ou até irreligiosa (15), nem que o mesmo “direito” caiba às seitas e às religiões falsas (16). Não se pode deduzir isso porque a doutrina “nova” exclui a antiga e não deixa imune a verdade revelada que esta compreende a título de conseqüência. Com efeito, no dizer da doutrina “nova”, a Igreja católica já não é a única igreja instituída por Deus e, por conseguinte, cessa o direito unicamente da Igreja católica à assistência do Estado, cessa o dever do Estado de impedir o culto público das religiões falsas e lho substitui pela obrigação de favorecê-las sem discriminação; e já nem há meio de falar em “tolerância”. Em suma, Nosso Senhor Jesus Cristo já não goza do direito de reinar sobre as sociedades; seus próprios ministros o destronaram. O anterior pode bastar para provar que as “novidades” do Concílio não são progressos, mas corrupções doutrinais, e o confirma irrefutavelmente tudo o que a hierarquia vem fazendo no pós-Concílio em nome daquele, mas contrariamente à tradição católica: a primeira e segunda “reuniões de oração” de Assis, junto com as outras iniciativas ecumênicas, sempre vedadas pela Igreja; a liquidação dos Estados católicos que restavam, incluída a Itália, em razão das “novas” concordatas; a supressão das duas estrofes relativas à realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo no hino das primeiras e segundas vésperas de Cristo Rei etc. etc. Para quê continuar a enumeração? Basta pensar que o Cardeal Ratzinger chegou a declarar “perimée” (17), quer dizer superada, defunta, a doutrina católica sobre as relações Igreja/Estado (como se uma doutrina constante da Igreja pudesse negar-se sem negar também a infalibilidade desta). Quanto à nova liturgia, de maneira alguma se pode considerar legítimo um Novus Ordo, do qual a posteridade deduzirá (fazendo uso do princípio acima mencionado segundo o qual “a lei da oração estabelece a lei da fé”) que a Igreja professou na última etapa do século XX uma fé mais protestante do que católica no tocante ao Santo Sacrifício da Missa. Sim, o “teólogo da Casa Pontifícia” acertou em cheio: a resistência católica não luta tão-somente contra o rito de Paulo VI (que nasceu igualmente por motivos ecumênicos), mas também contra “o Concílio, o ecumenismo, a liberdade religiosa”, contra todo o “novo” que se quer acreditar como “desenvolvimento doutrinal”, segundo parece, ao passo que constitui uma corrupção evidente da doutrina à que a consciência católica está vinculada sub gravi. Hirpinus Notas: (1) Dictionnaire de Théologie Catholique, verbete Eglise, col. 2194. (2) V. J. M. Vacant, Le Magistère de l'Eglise et ses organes. (3) Franzelin, De Divina Traditione, tese XXIII. (4) Pio XII, Munificentissimus Deus. (5) Il Sabato, 30 de julho-5 de agosto de 1988. (6) Commonitorium, n. 1, 2, 23, 24. (7) Franzelin, De Divina Traditione, tese XXIV. (8) Commonitorium, n. 32. (9) H. Newman, Essay on the Development of Christiam Doctrine. (10) V. Peri, I Concili e le Chiese (Os Concílios e as igrejas), Roma, 1965, pp. 24-25; texto grego em Mansi, t. XIII. (11) Ibid., p. 33, n. 25. (12) V. Dictionnaire de théologie catholique, verbete Igreja, col. 2212 ss. (13) Les principes de la Théologie catholique, ed. Téqui, Paris, p. 427. (14) Unitatis Redintegratio, 3. (15) Dignitatis Humanae, n. 2. (16) Ibid., n. 4. (17) Vide Rapporto sulla Fede (Informe sobre a fé), p. 211.
- V - JUÍZO PARTICULAR - A Sentença
1 – A maldição Depois do processo que lhe for feito, que esperará o pecador? A terrível, justa e inapelável sentença. E que dirá Jesus Cristo Juiz? Ai de mim! Tremo só ao pensar nisso! Eis o que dirá: “Como em vida menosprezaste o meu sangue com os teus pecados, esse mesmo sangue será a tua condenação: Vai-te daqui, maldito, para o fogo eterno!” Maldição de Deus” Oh! Que espantosa desgraça! “Fora daqui!” – Filipe II, rei da Espanha (+ 1598), quando numa festa assistia à Santa Missa, observou que dois cortesãos seus estavam na igreja sem respeito, conversando e rindo. Finda a missa, o rei os mandou chamar, encarou-os com olhar terrível e lhes disse: - Assim assistis aos mais sagrados e tremendo Mistérios? Fora daqui! E não apareçais mais em minha Corte! Estas palavras foram como um raio para aqueles infelizes. Trêmulos e chorosos se foram embora; e foi tal a sua mágoa que um deles morreu dois dias depois, e o outro enlouqueceu. Vedes que fazes a cólera de um rei da terra? Ora, que angústia e espanto para um pecador quando vir Jesus Cristo Juiz indignado, e ouvir dEle as terríveis palavras: “Fora daqui, maldito!” A alma do pecador é então presa dos demônios que dizem exultantes: “É nossa!” 2 – A condenação – pensamento salutar Tal é o fim reservado a quem leva má vida. Pensem bem nisso os que vivem despreocupados, como se nunca devessem morrer, nem apresentar-se ao Tribunal de Deus. A cada um deles grita São Paulo: “Crês que escaparás ao juízo de Deus? Existimas, homo, quia tu effugies judicium Dei?” (Rom 2,3) A ideia do juízo fazia tremer o santo rei Davi que dizia: “Eu temo, ó Senhor, os teus juízos: A judicium enim tuis timui” (Sl 118,120). “Não chames a rigoroso juízo o teu servo” (Sl 142,2). E assim com essa ideia sempre fixa na mente se mantinha na santidade. Quantos afinal, pensando na condenação do Juízo, de pecadores se tornaram penitentes e santos! Diante de um cadáver que fala - No ano de 2082, numa grande capela junto à igreja de Nossa Senhora de Paris, celebravam-se os funerais de um Doutor da Universidade, que se chamava Raimundo Diocrès. O morto lá estava no ataúde, coberto só com um véu, segundo os costumes daquele tempo, e à roda do ataúde estavam muitas personagens. Quando, ao oficiar, um dos sacerdotes pronunciou as palavras: Responde mihi, quantas habeo iniquitates..., eis que o defunto se senta e se ouve uma voz que disse: “Por justo juízo de Deus sou acusado”. O espanto empolga os assistentes e se suspendem as cerimônias. Entrementes se observa o cadáver, porém este está imóvel, frio, rígido como antes. Aí se continua o sagrado rito: mas como? Às palavras “Respondi mihi...” de novo se ergue o defunto e diz: “Por justo juízo de Deus sou julgado”, e torna a cair no ataúde. O espanto se faz maior em todos e se chamam o médico a fim de que examinem o cadáver; mas verificam que o morto está morto de verdade. A custo se começa outra vez o Ofício; e pela terceira vez, ao pronunciar-se as palavras Responde mihi..., o cadáver, erguendo-se, responde com acento terrível: "Por justo juízo de Deus sou condenado”. Aí se deixa toda cerimônia sagrada, e sepulta-se o cadáver fora do sagrado. Entre as personagens presentes àquele fato prodigioso havia um dos maiores Doutores daquele tempo, o qual tomou logo a resolução de deixar o mundo. Retirou-se por isso num lugar deserto perto de Grenoble, e ali se tornou o fundador dos cartuchos e se tornou santo. Este personagem convertido é S. Bruno. Feliz dele que pensou seriamente no Juízo de Deus! Ai, porém, dos que nunca pensam nisso, e vão a esse Tribunal com a alma maculada de tantas culpas! Que coisa horrível é cair nas mãos do Deus vivo! Horrendum est incidere in manus Dei viventis! (Hebr 10,31). Conclusão Queridas crianças, chegará para vós também o dia em que devereis comparecer ante Jesus Cristo Juiz para serdes julgadas; e chegará mais depressa do que pensais. Poderia ser daqui a uns anos... daqui a uns meses... e até hoje mesmo: quem o sabe? E se Deus vos chamaste hoje ao seu Juízo, estaríeis tranquilos?... Ora, é fácil aplacar o Senhor. E como se aplaca Deus? Com uma boa confissão e com o arrependimento. Enquanto é tempo, procurai evitar a condenação no Juízo de Deus, e vivei como se cada dia fosse aquele em que devêsseis comparecer ante o divino Juiz. Assim não O verei irado, mas ouvirei deles as belas palavras: “Ó meu servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor: Euge, serve bone et fidelis, intra in gaudium Domini tui” (Mt 25,21). (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- O Problema moral da clonagem
Texto resgatado de nosso antigo site, publicado em 27/12/2010 A clonagem é ilícita porque supõe uma produção e não uma procriação (1) : A Lei de Deus estabelece que o homem seja procriado no ato unitivo do amor do pai e da mãe, dentro do matrimônio. Este tem por fim primordial a procriação, e só dentro do Instituto do Matrimônio e como conseqüência do ato conjugal é lícita a descendência. S. S. Pio XII, no seu Discurso sobre a Esterilidade e a Fecundidade (19 de Maio de 1956). O Papa assinalava então a inseparabilidade da procriação e da relação conjugal: "Nunca é permitido separar estes dois aspectos, até ao ponto de excluir positivamente seja a intenção procriadora, seja a relação conjugal". Com respeito à fecundação artificial - portanto, aplicável hoje à clonagem - assinalava: - "A respeito das tentativas da fecundação humana "in vitro", basta-Nos observar que se deve excluí-las como imorais e absolutamente ilícitas." - "A fecundação artificial ultrapassa os limites do direito que os esposos adquirem pelo contrato matrimonial, a saber: direito a exercer plenamente a sua natural capacidade sexual na realização natural do ato matrimonial. O contrato em questão não lhes confere direito à fecundação artificial, porque semelhante direito não está de modo algum expresso no direito ao ato conjugal natural, nem poderia dele deduzir-se". Assim, não olvidemos que Deus é o único dono da vida, e Criador das leis que a regem. Portanto, sob nenhum motivo, nem por razões humanitárias, nem por causa de um mal entendido progresso científico, nem por nenhum interesse comercial, é lícito esquecer Deus. Este é o argumento último e inapelável que se opõe não só à clonagem humana, mas também às técnicas de fecundação artificial. Javier Mª Pérez-Roldan Nota (1) Há que distinguir entre os vários termos. Criar, que o dicionário da Real Academia define como produzir algo de nada; procriar, engendrar, multiplicar uma espécie; e fabricar, produzir objetos em série, geralmente por meios mecânicos. O ato de criação é exclusivo de Deus, que criou tudo do nada; O ato procriador é próprio de cada ser vivo, que engendra descendência pelos meios com que a natureza o dota; E a fabricação é própria do ser humano, que por sua própria indústria e inteligência é capaz de utilizar como instrumento tudo aquilo que tem ao seu alcance, para produzir, por sua vez, novos objetos. A clonagem não é, pois, um ato criador, só próprio de Deus, e nem sequer um ato procriador, porquanto sai das regras que a natureza estabelece, mas uma mera fabricação, tanto quanto utiliza meios técnicos, e se bem que produza uma vida, fá-lo como se tratasse de mais um objeto, sem chegar a compreender o elevado sentido que a própria vida humana tem, fazendo um uso desta meramente instrumental.
- A Vida Religiosa
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo, em 10/08/74 FOI NUM DOS ANOS QUARENTA. A pedido de Alceu Amoroso Lima formulado em abril de 1941, no Mosteiro de São Bento, no dia do batismo de minha filha Maria Luísa — já assumira eu a vice-presidência do Centro Dom Vital e a direção da revista A Ordem, com o apoio de Fábio Alves Ribeiro. Poucos anos depois tive a boa sorte de adoecer, creio que de uma inflamação de vesícula biliar, que me obrigou a ficar meio acamado, e forçado a interromper por alguns dias a cadeia tirânica de aulas e aulas. BENDITAS CÓLICAS. NAQUELE TEMPO já nos abríramos, Fábio e eu, sobre o mal-estar que nos causavam certas singularidades do movimento litúrgico, que não nos soavam como de bom quilate católico. Nessa semana de resguardo, Fábio trouxe-me diversos livros, entre os quais dois volumes de Garrigou Lagrange: Perfection Chrétienne et Contemplation, que me abriram as portas da luminosa síntese do tomismo e do carmelo, colunas místicas da religião católica erguidas por tão grandes santos: Santo Tomás, Santa Catarina de Sena, São João da Cruz, Santa Teresa d'Ávila, Santa Teresinha do Menino Jesus, lado a lado, e com o mesmo embasamento da grande tradição beneditina que está na base de todo um arcabouço místico que se diferenciou naquelas correntes que deram à Igreja o grande esplendor de santidade que até hoje orienta as almas que se gloriam na Cruz de Nosso Senhor. APRENDI E PASSEI A ENSINAR DURANTE vinte anos no Centro Dom Vital, que a vida de mais amorosa procura da perfeição é a de contemplação, pela qual a alma se deixa conduzir "pelo modo dos dons, mais do que pelo trabalho e esforço, no modo das virtudes". E é nas casas religiosas fechadas em torno do único necessário, que se realiza melhor essa entrega total que Cristo mesmo define, quando diz que "Maria escolheu a melhor parte". E HOJE, RETOMANDO O VELHO LIVRO do mestre querido, que durante vinte anos ensinou no grande movimento de Meudon, animado por Jacques e Raissa Maritain, leio a belíssima epígrafe que, desde a primeira página, ilumina a obra inteira: "Optati datus est mihi sensus, invocavit et venit in me spiritus sapientiae" (cap. VII, 7). "Optei (escolhi, quis) e foi-me dado o senso, o gosto; invoquei, pedi, e sobre mim desceu o espírito da sabedoria". Onde se vê que o dom da sabedoria, que pareceria diretamente e antes de tudo ligado à inteligência das coisas mais altas, aparece-nos aqui, antes de tudo e diretamente ligado a um ato da vontade, ato de amor, opção primeira e decisiva da alma. Daí, desse vértice supremo, o dom dos dons comandará todos os outros que harpejam as cordas da alma agraciada: dom de inteligência para a mais espontânea e flumíneo entendimento da palavra de Deus, o dom da esperança, para avivar o gosto das promessas e adestrar a alma no desapego das coisas deste mundo, e lembrar vivamente que "o meu Reino não é deste mundo"; o dom da ciência ligado à Fé e à Esperança que realça o tudo de Deus contra o nada da criatura; e os demais que completam a obra do Espírito que em nós opera. O dom dos dons, que o termo do livro santo, optati, prende diretamente à vontade, é aquele mesmo a que se refere Jesus, quando disse que Maria escolheu a melhor parte. Se no frontão de todos os conventos ou na porta de todos os religiosos devêssemos escrever uma só palavra, creio que nenhuma outra seria mais própria do que esta: OPTATI. * * * ONDE ESTÃO OS PADRES, OS MESTRES CAPAZES de continuar a grande lição de conduta sobrenatural? Onde estão os capazes de recomendar a leitura de um Garrigou-Lagrange? Onde os seguidores dos grandes Mestres, cuja doutrina foi canonizada pela Igreja? A reunião de apelidados "religiosos" no Colégio de São Bento, pomposamente chamada "assembleia dos religiosos", veio dizer-nos que o último mestre espiritual morreu há dez anos, e que a Igreja dos "dons do Espírito Santo" espalhou-se no mundo e morreu. Tenho uma dúzia de opúsculos escritos por vários "religiosos" ex-jesuítas, ex-franciscanos, ex-não-sei-o-que, e não vejo nenhuma referência aos Exercícios de Santo Inácio à subida do Carmelo, nenhuma lembrança de Santo Tomás, São João da Cruz, Santa Teresa d'Avila, Santa Catarina de Sena, São Francisco de Salles; nenhuma alusão à "escolha da melhor parte", nenhum clarão da presença de Maria. DE QUE FALAM, ENTÃO, OS OPÚSCULOS? De uma só idéia de imaturo dopado: "nestes últimos dez anos grandes modificações se observaram no mundo". Diante dessa abobalhada constatação que ninguém contestará, esses pobres diabos que tanto falam em crítica, em "questionar", quando se trata da Igreja e da Tradição, não têm o vislumbre de uma, simples idéia, a de investigar se devemos aceitar passivamente a imposição de tais modificações, admitir que são necessariamente boas para o mundo, e que por isso serão ainda mais imponentes para os que se guiavam pelo Espírito Santo. DIANTE DESSE ESPETÁCULO DE DOPADOS, cuja divisa será esta: "empurraram-me e eu cedi", podemos admirar o bom humor do cardeal espanhol designado para presidir o espetáculo. Entrevistado, responde alegremente a todas as perguntas. Mas o jornalista esqueceu-se de perguntar ao Bispo de Pamplona o que fez ele do maior seminário da Espanha e do mundo. Pelo diapasão dos opúsculos, imagino que ele responderia tranquilamente: — O que fiz? Destruí-o. — Destruiu-o?!! — Sim. Por que não? Recebi ordens do Príncipe do Mundo e cumpri-a. ENCERROU-SE A "ASSEMBELIA DOS EMPURRADOS". Agora preparam-se os Cardeais e Bispos a obedecer ao Príncipe do Mundo na realização do Sínodo, em setembro próximo.
- Comentários Eleison nº 726
Por Dom Williamson Número DCCXXVI (726) – 12 de junho de 2021 VERDADE E AUTORIDADE – I “Obedecer” ao Concílio enceguece parcialmente a pessoa, Pois ela tem de deixar a Verdade parcialmente para trás. Uma leitora destes “Comentários” ficou recentemente desconsertada com o que lhe pareceu uma explicação relativamente insatisfatória dada por um prestigioso líder tradicionalista sobre este voltar a estar sob a autoridade da Igreja oficial depois de ter seguido por vários anos a liderança do Arcebispo Lefebvre (1905-1991), para então levar sua pequena Congregação, com efeito, de volta à autoridade da diocese local oficial e de Roma. Estes "Comentários" explicam habitualmente o caráter insatisfatório de um raciocínio como o dele sob a óptica da Verdade e da Autoridade da Igreja, feitas para serem companheiras, mas separadas pelo Vaticano II (1962-1965) uma da outra. Nossa leitora diz que foi muito ajudada por esta explicação, de modo que a fornecemos novamente a todos os leitores. A verdade é essencial para a Igreja Católica como não o é para nenhuma outra instituição na face da terra. Se pretende, como o faz, representar o único Deus verdadeiro que se chama "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo XIV, 6), se então fosse pronunciar uma única falsidade e apegar-se a esta, seria essencialmente descreditada. Nenhuma outra instituição humana, para permanecer sendo digna de crédito, depende tanto de evitar a menor falsidade que possa haver. No entanto, o pecado original é uma realidade tremenda; é negada pelo homem moderno em geral, mas é a razão pela qual a verdade não floresce naturalmente quando se a expõe no mercado, como pensava Thomas Jefferson de forma tão otimista. Mas a salvação dos homens depende da verdade de Deus (Jo XVIII, 37), e é por isso que Deus dá Sua divina autoridade à Sua divina Igreja para que esta imponha Suas divinas verdades aos homens rebeldes e obstinados até que se submetam a elas. Tendo em vista, pois, a pecaminosidade dos homens, a Autoridade da Igreja é a protetora e a sustentadora essencial de Sua Verdade. Por exemplo, Lc XXII, 31: “Simão (Pedro), roguei por ti para que a tua fé não desfaleça” = Verdade – “e quando te voltares” = para a Verdade, “fortalece os teus irmãos” = exerce a tua Autoridade. Observe-se aqui como a Verdade é o propósito e a base da Autoridade da Igreja (como o Arcebispo Lefebvre entendia de maneira tão singular) e a precede, mas ao mesmo tempo tem, para os homens pecadores, tal necessidade da Autoridade da Igreja. Para os propósitos de Deus, a Verdade (a doutrina) e a Autoridade (a hierarquia) devem ser companheiras inseparáveis. Mas aqui está o problema. No Vaticano II, a Autoridade Católica (o Papa e os Sacerdotes Conciliares) se separou da Verdade Católica ao pretender que a doutrina modernista fosse católica quando absolutamente não o é – mas se pode fazer, como assim se fez, com que pareça. E a partir de então, como disse o Arcebispo, todos os católicos necessariamente se viram divididos em dois. Ou seguiam a Autoridade Católica (Papa e Bispos) e abandonavam mais ou menos a Verdade Católica (que a Autoridade havia abandonado), ou seguiam a Verdade Católica e tinham de abandonar mais ou menos as autoridades católicas. Visto que o Papa e os Bispos se recusaram resolutamente a retornar à Verdade e à Tradição católica, os católicos que se aferravam à Verdade católica tinham de livrar-se mais ou menos da autoridade católica legítima, ou daquela autoridade que parecia legítima. E assim, com o pastor sendo golpeado doutrinariamente (especialmente os Papas Paulo VI e João Paulo II, porque Paulo VI estava conduzindo a dança modernista), então as ovelhas necessariamente se dispersaram. Muitas eram 100% Autoridade e nada de Doutrina. Algumas eram, digamos, 85% Autoridade e 15% Doutrina. Outras eram 60% Autoridade e 40% Doutrina. E assim sucessivamente. O Arcebispo Lefebvre era 100% Doutrina, mas seguia sendo 15% Autoridade, por assim dizer. Ele sempre insistiu em reconhecer, respeitar e obedecer ao Papa como Papa sempre que a Verdade (a Fé) o permitisse. Mas a partir do maldito Concílio, enquanto a Autoridade se divorciava da Verdade, havia no interior de cada católico (que levava sua Fé a sério) um cabo de guerra ocorrendo entre a Verdade Católica e a Autoridade Católica. Ora, o líder cujo comportamento tanto desconsertou nossa leitora no início era e é um católico sério e devoto, então ele é um homem puxado que pode ter agido em três etapas: em primeiro lugar, seguiu e obedeceu devotamente com sua Congregação o que parecia ser a Autoridade católica normal. Em segundo lugar, ele percebeu que o Arcebispo estava certo em colocar a Verdade antes da Autoridade, e seguiu seu exemplo de “desobedecer” a Roma, para ser fiel à Tradição Católica. E, em terceiro lugar, quando o Arcebispo morreu em 1991 e seu carisma pessoal sumiu de cena, o poderoso magnetismo da Roma Católica se reafirmou, e o puxão da Autoridade o empurrou para seguir a Neofraternidade e voltar a estar sob a aparente Autoridade dos botões vermelhos e mesas de mogno de “Roma”. Kyrie eleison.
- Oração dos associados da Confraria Pela Conversão dos Hebreus
100 dias de indulgência, por S.S. Leão XIII, 15 de julho de 1893. "Deus de bondade, Pai das misericórdias, nós Vos suplicamos pelo Coração Imaculado de Maria e pela intercessão dos Patriarcas e dos santos Apóstolos, que lanceis um olhar de compaixão sobre os restos de Israel, a fim de que eles cheguem ao conhecimento de nosso único Salvador Jesus Cristo, e que participem das graças preciosas da Redenção. Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem".
- Os Sinais Monásticos
Por Dom João Batista, OSB
- Igreja e Estado
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 15-08-1974 CAUSOU-ME ESTRANHEZA, para não aludir por enquanto às outras paixões da alma, o artigo aparecido no Caderno Especial do "Jornal do Brasil", com o mesmo título deste meu; assinado por Carlos Castelo Branco que parece entender o que seja a coisa chamada Estado mas não dá sinais de ter a menor noção do que seja a coisa chamada Igreja. ANTES DE QUALQUER COMENTÁRIO estou pronto a admitir que apesar do exagero dos anos idos e vividos conservei certa forma do corpo e do espírito que, por sua permanência, não consegue encaixe no puzzle desta modernidade tão evidentemente amalucada. Os tolos dizem e dirão que vivo fora da realidade sem se darem conta do disparate, porque não faço outra coisa, todos os dias, demonstrando pelo protesto ou pelo gemido que vivo com muita vivacidade dentro da dita. O FATO É QUE DESTA VEZ QUEM PARECE VIVER fora da realidade é o inteligente cronista do atualizadíssimo jornal, que no caso cochilou diante de acontecimentos atordoantes para descrever a suave e sonolenta paz que debuxa seus primeiros sinais. DE INÍCIO DEVO NOTAR QUE O CRONISTA do JB [Jornal do Brasil, N.E.] toma desde os primeiros tópicos de seu artigo uma indisfarçada, diria mesmo uma descarada posição de apoio e aplauso à anti-Igreja dos progressistas que identifica sistematicamente com a Igreja de Cristo um abuso de equívoco que um ouvido católico não pode suportar. Suplicamos ao Sr. Carlos Castelo Branco que não fale tão desembaraçadamente daquilo que tão abismalmente desconhece. NO ENTUSIASMO DE DEFENDER O QUE CHAMA DE IGREJA, não somente incidindo numa abusiva sinédoque, mas num responsável equívoco, diria quase num dolo, o Sr. Castelo Branco chegou a escrever isto: "A Revolução brasileira que se fez para libertar o País de uma ameaça subversiva, era em substância um movimento que refletia a profunda reação das elites financeiras empresariais e da classe média contra o estado de coisas que se criara com o aparente desgoverno do Sr. João Goulart." A LEITURA DESTE TÓPICO me trouxe uma vergonha, uma tristeza envergonhada pelo cronista que até então estimara através de muitas divergências. Agora vejo a inteligência em que apostara descer ao nível dos Basílicos OSB e dos Tristãos de Athayde. O Sr. Castelo Branco desce ao linguajar dos marxistas sem ser marxista, e chama de aparente desgoverno a anarquia total trazida pelo João Goulart de triste memória. E neste tópico amesquinha totalmente o movimento libertador do Brasil em 1964, desdizendo assim tudo o que disse de bem de homens públicos dos governos anteriores, que agora expõe ao ridículo. MAIS ADIANTE, ABUSANDO DE SUA IGNORÂNCIA especializada em matéria de religião, ousa tentar tapar o sol com peneira de pedreiro, quando quer atenuar ou adoçar o triste e perverso papel dos padres de passeata e de marxismo, os padres que transformaram moços e moças católicos, egressos de colégios até então respeitadíssimos, em terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que um energúmeno eclesiástico aplaudia e encorajava no Palais des Sports diante de 20.000 dopados que se inebriavam de ódio contra o Brasil. Não sei se o Sr. Castelo Branco conhece ou não conhece os fatos que cobriram nosso clero de opressiva tristeza e depressiva vergonha. Se conheceu, agora mente; se não conheceu, agora fala irresponsavelmente em matéria gravíssima. TERMINA TENTANDO LANÇAR O GOVERNO GEISEL contra seus ilustres antecessores, nestas palavras aladas: "Sabe-se que a normalização da política repressiva é um dos objetivos do Governo..." Interrompo para um aparte: a verdadeira normalização de uma política repressiva de uma subversão perversa só pode ser a da firmeza sempre mais enérgica da repressão do mal. Continuo a citação do Sr. Castelo: "e isso permitiria que daqui por diante se evitem excessos e se respeitem direitos e prerrogativas que de há muito vinham sendo postos de lado. Se tal ocorrer, a Igreja terá concorrido, pela atitude conciliatória dos seus chefes..." QUE IGREJA? QUE CHEFES? — "... para um Estado de Direito, objetivo e meta do Chefe de Estado a quem se atribui de dar à Revolução de 64 sua verdadeira dimensão política". DEUS NOS LIVRE DESSA DIMENSÃO que o Sr. Carlos Castelo Branco ousa atribuir ao Presidente da República, e ousa imaginar que é desejada pelo povo brasileiro que até hoje, desde abril de 1964, apoiou e aplaudiu os governos que salvaram o Brasil. AGORA VOLTO A FALAR NA ALIENAÇÃO que marca todo o artigo encomendado não sei por quais forças ocultas. O fato é que, pela primeira vez, que eu saiba, o Sr. Carlos Castelo Branco fere o ídolo dos ídolos, com a ignorância de um FATO REALÍSSIMO E BRUTALÍSSIMO. SIM, ELE NOS FALA EM TEMPOS DE BONANÇA entre os progressistas, que ele chama Igreja, e o Estado, no momento em que, por indicação da CNBB, por consentimento do Núncio, essa gente chamada Igreja por carismática proclamação do Sr. Castelo Branco, acaba de agredir os brios dos brasileiros e de esbofetear o Governo do Brasil. REFIRO-ME À INDICAÇÃO DO SR. HÉLDER CÂMARA como REPRESENTANTE DO BRASIL para o próximo Sínodo a ser realizado em setembro próximo em Roma. Ora, parece-me evidente que o Sr. Câmara não pode representar o Brasil em um congresso de ornitólogos, dentistas, paleontólogos, filatelistas, não somente por não entender nada de nada, mas principalmente por ser notoriamente antibrasileiro, e difamador oficial, com diploma do PC, dos governos que salvaram o Brasil da podridão do século. Por mim sinto o rosto ainda a arder da bofetada que me coube; e não posso crer que o Governo continuador da grande missão brasileira na defesa da Civilização seja insensível à injúria a que agora se associa o Sr. Castelo Branco.
- Comentários Eleison nº 725
Por Dom Williamson Número DCCXXV (725) – 5 de junho de 2021 III GUERRA MUNDIAL A sinagoga reina com a permissão onisciente de Deus. Sem isso, nada deteria nossa autoperdição. A terceira guerra mundial aproxima-se. Acabamos de ter um conflito militar gravíssimo na fronteira russo-ucraniana entre os exércitos destes dois países, especialmente mobilizados para isto. A guerra aberta parece ter sido evitada no momento, mas muitos observadores consideram que não poderá ser evitada indefinidamente; e não por supostamente a Rússia querer a guerra, pois não a quer, mas porque há uma raça de homens que há poucos milhares de anos se propôs a dominar o mundo, que por centenas de anos domina a Europa, e que há dezenas de anos domina os EUA. Essa raça recentemente dominou a Ucrânia, e a está usando, junto com a OTAN europeia, para provocar a Rússia até a terceira Guerra Mundial. Conta com isso para conquistar a hegemonia mundial para os Estados Unidos que pretende controlar. Infelizmente, sempre que a guerra estoura, uma das primeiras vítimas é sempre a Verdade, e então digamos algumas coisas enquanto ainda podem ser ditas, antes que as emoções do "patriotismo" turvem tanto a razão dos homens que estes não consigam mais pensar com clareza. O amor à própria pátria é, como tal, não só legítimo, mas também ordenado pelo quarto mandamento. No entanto, como disse uma vez a enfermeira Edith Cavell (1865–1915), “o patriotismo não é suficiente. Não devo sentir ódio nem rancor por ninguém". Enquanto ainda se pode pensar com clareza, que os católicos cuidem de manter suas mentes livres da propaganda massiva e poderosa que há muito tempo trabalha para persuadir a todos de que o impulso dos EUA para o controle mundial é o melhor caminho por seguir para o mundo inteiro. Mas essa propaganda e esse impulso são alimentados pela mentira, e Nosso Senhor chama Satanás "mentiroso e pai da mentira" (Jo VIII, 44). A mentira é a pegada segura de Satanás. Ora, com todos os seus defeitos graves, o presidente Trump (2017–2021) retirou os EUA do engajamento em guerras, assim como o presidente Putin da Rússia (1999–hoje) ressuscitou seu país preparando-se para a guerra, mas também refreando firmemente suas forças militares em relação a qualquer grande guerra, e isso desde o início de sua presidência. Portanto, a “Sinagoga de Satanás” (Apoc. III, 9) viu-se diante da necessidade de livrar-se de ambos. Contra Putin, houve várias tentativas de assassinato, mas nenhuma delas funcionou ainda, então ele tem de ser constantemente desacreditado por um monte de mentiras na vil mídia ocidental (totalmente controlada pela mesma Sinagoga), como a de ser um belicista que deseja invadir a Europa, a de ter interferido na eleição surpresa de Trump em 2016, etc. Da mesma forma, desde quase o início da presidência, Trump foi perseguido pela Sinagoga (Schumer, Schiff, Nadler, etc.) com o que mostrou ser outro pacote completo de mentiras (fabricado por um inglês), no sentido de que ele estaria em conluio com a Rússia de Putin. Uma vez que essas mentiras também falharam, o risco de ele ser reeleito pelo povo americano teve de ser absolutamente afastado em 2020 por meios justos ou sujos, de modo que quando os primeiros votos apontaram para uma vitória esmagadora de Trump, então todos os meios sujos possíveis foram implantados no meio da noite para fabricar uma imensa quantidade de votos falsos que “elegeram” Biden pela manhã. E assim a Sinagoga teve na Casa Branca o títere belicista que desejava. Uma vergonha para todo americano "decente" que conscientemente consentiu com a grande quantidade de mentiras em torno dessa "eleição". Seu outrora nobre país corre o risco de ser severamente castigado – por Putin. Desconfiem do "patriotismo" americano. Os verdadeiros amigos de seu país são aqueles que dizem a verdade, como Putin. Prestem atenção ao bom senso dele, não à mídia. É claro que não sabemos como os eventos acabarão. Pode ser que Nossa Senhora consiga ainda por um tempo segurar o braço vingador de seu Filho, mas parece que chegará o momento em que Ela não poderá mais fazê-lo. E parece que a humanidade está chafurdando tanto em seu caminho de pecado que nada menos que os horrores da guerra nuclear serão suficientes para colocá-la de joelhos. Esse é o propósito de Deus, dar às almas bem-intencionadas uma chance de abrir seu caminho para o Céu que dificilmente têm agora, sufocados como todos estamos em um mundo sobre o qual reina a Sinagoga, com a permissão de Deus, por nossa própria culpa. Rezemos todos os dias o Rosário de Nossa Senhora – “Só eu posso ajudá-los agora” (Akita, 1973). Kyrie eleison.
- V – O juízo particular - O Processo
V – O Juízo Particular O Processo 1 – A ideia da prestação de contas S. Hilarião – S. Hilarião (+ 371), penitente austeríssimo, próximo da morte tremia todo ao pensar em ter de render contas de todas as suas obras. E para criar coragem dizia à sua alma apavorada: “Ó minha alma, bem sabes que servi a Deus durante 70 anos num deserto; por que então ainda temes?” 2 – Processo rigoroso Quando a alma estiver perante Deus, ser-lhe-á feito um rigoroso processo. Este não durará muito tempo: far-se-á num segundo; mas para compreendê-lo devemos considerá-lo de modo sensível. Eis os acusadores: a) O demônio está ali pronto para apresentar ao pecador todas as suas iniquidades, lembrando-lhe as renúncias e as promessas feitas no Batismo: Praesto erit diabolus; ante tribunal Christi recitabit verba professionis nostrae (S. Agostinho). “Esse pecador (dirá o demônio) renunciou a mim, e depois cedeu sempre às minhas tentações e deu atenção a minhas sugestões. Eis aqui a fila dos seus pecados...” b) A consciência dirá com a sua censura: “Sim, é verdade: de fato cometestes esses pecados. Tua malícia será a tua condenação, e tua rebeldia gritará contra ti.” Tente o pecador dizer: “Esse mal eu não fiz... Esse, eu não sabia que era pecado... Esse bem eu não pude fazer...”. A consciência gritar-lhe-á: “Mentiroso! Isto são desculpas vãs! Para o bem porventura de faltou tempo? E de certos pecados não sentias remorso? A ignorância?! Tu quiseste a ignorância: podias e devias instruir-te, e essa ignorância culposa te condena”. c) E que dirá o Anjo da guarda? Ele foi testemunha de tudo... Deu sempre as suas boas sugestões... Mas se nunca foi ouvido?! Como poderá servir de advogado de defesa? “Lê aqui!...” – O Ven. S. Beda conta que na Inglaterra um valoroso capitão, próximo da morte, teve essa espantosa visão. Ao pé de sua cama estavam dois homens negros com um grande livro na mão, os quais lhe disseram: - Lê aqui: verás todas as iniquidades que cometeste em vida. E enquanto isso os expunham ante seus olhos. Viu depois um Anjo com um livrinho em que era pouca a escrita e o resto era papel em branco. Disse-lhe o Anjo: - Lê aqui o pouco bem que fizeste. Fez-se, então, o confronto das partes, e os espíritos negros invocavam justiça; de sorte que o Anjo bom, muito triste, teve de dizer: - Sim, é vosso! 3 – A prestação de conta ao Juiz "Então pedirá o Senhor contas de suas obras ao pecador: Redde rationem villicationis tuae" (Lc 16,2) “Agora me reconheces?” – Um rei da Inglaterra chamado Rocaredo, indo à caça, perdeu-se numa selva. Veio a noite, e ele ficou meio medroso. Andou daqui para ali, finalmente topou uma casa. Bateu à porta e foi recebido por um aldeão. Mas este, não havendo conhecido o rei, o tratou muito mal e lhe deu até pancada. No dia seguinte o rei se repôs a caminho e, de volta à corte, mandou chamar o aldeão que o havia hospedado à noite e lhe disse: - Agora me reconheces? Estas palavras apavoraram de tal modo o infeliz, que ele caiu fulminando (Segneri). *** “Agora me reconheces?”, dirá também o Juiz indignado ao pecador. Eu sou o Deus que te criou, e que devias amar e servir. Eu te fiz tantos benefícios; e tu, ingrato, começastes a ofender-me desde menino, antes de conhecer-me, e te uniste ao demônio para me fazeres guerra. Presta-me, pois, conta dos pecados que cometeste: de tantos olhares maus; de tantas palavras escandalosas. Presta-me contas de tantas obras más que fizeste ocultamente, dizendo: “Ninguém me vê”; e no entanto, eu te vi, eu que sou o Juiz e a testemunha: Ego sum judex et testis (Jer XXIX, 23). Presta-me contas de tantas desobediências e faltas de respeito aos pais e aos mais velhos. Praticaste tais pecados e eu sempre me calei (Sl 49,20). Presta-me contas de tantas festas não santificadas, que passaste em jogos e passeatas com companheiros do pecado. Quando muito ouvias uma missa: porém, mesmo esta ouvias mal, conversando, rindo, perturbando os bons. Não ias ouvir as prédicas, na doutrina. Cometestes esses pecados e eu me calei. Presta contas dos escândalos dados, e das almas que arruinaste tornando-as presa do demônio. Cometestes esses grandes pecados e eu me calei. Presta contas também do bem que podia fazer e não fizestes. Tinhas tempo para jogos, mas não para recitar umas orações; levantavas-te pela manhã e dormias a noite sem nem se lembrar de mim. Por tua causa instituí os sacramentos, fonte de toda graça; e os recebestes bem raramente! E até recebeste o meu corpo e o meu sangue na Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal, cometendo, ainda, enormes sacrilégios! Cometestes esses pecados horríveis e eu sempre me calei. Eis, como numa balança, as tuas iniquidades e o que eu fiz por ti. Vês? Por ti desci do Céu à terra; menino, vagi numa cabana; trabalhei até os 30 anos; fui injuriado, flagelado, coroado de espinhos! Por ti derramei o sangue; morri na cruz numa infinidade de espasmos... Podia eu fazer mais? E tu, ó iníquo, acreditavas talvez que eu deveria calar-me sempre? E que eu fosse igual a ti? Eis diante de ti toda a tua iniquidade: Existimasti, inique, quod erro tui similis? Arguam te, et statuam contra faciem tuam (Sl 49, 21). (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)










