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- Os Novos Missionários
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 20 – 07 – 74 O VOLUME DE 6 DE JUNHO de SEDOC tem duas páginas dedicadas aos índios do Brasil que merecem ser lidas pelo exagero de disparates nelas concentrados. Como de costume os autores das mal traçadas linhas começam por declarar que falam em nome da Igreja Católica. E é em nome dessa instituição fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo para continuação de sua obra redentora: "Ide, ensinai todas as nações batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a observar tudo o que eu vos comandei. E eu estarei convosco até a consumação dos séculos." (Mat. XXVIII, 20) — É em nome dessa Igreja que, SEDOC ensina exatamente o contrário à sombra protetora da CNBB para servir as bandeiras dos inimigos da Igreja, não sabemos se por dinheiro ou por amor. EIS O QUE DIZ SEDOC: "No presente, quando a ordem do dia é a do desenvolvimento e da integração, os missionários se vêem obrigados a se colocar em frente única ao lado dos índios, impedindo, num esforço titânico, seu total desaparecimento. Enriquecidos por formação antropológica, base de qualquer trabalho sério com o índio, o missionário de hoje se coloca ao lado dele procurando conhecer e respeitar toda a herança cultural de que o índio é possuidor. Descobriu que o mundo indígena pervade todas as duas atividades dando a nervura a todos os seus procedimentos como grupo. Há muito índio hoje que pede para ser batizado, para casar na Igreja etc... para imitar o branco E É SISTEMATICAMENTE DISSUADIDO PELO MISSIONÁRIO QUE ESTÁ MUITO MAIS INTERESSADO QUE O ÍNDIO VIVA PROFUNDAMENTE A SUA RELIGIOSIDADE NORMATIVA DE TODA SUA VIDA" (realce nosso)... "Tudo isto está trazendo uma reviravolta na atitude dos missionários." DIFICILMENTE SE ENCONTRARÁ no mundo inteiro página mais estúpida e cruel do que essa antropologia do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Deixando o cuidado da evangelização, que já se tornou para os novos missionários coisa completamente esquecida ou desprezada, começo por dizer que essa antropologia do CIMI talvez conheça vagamente o antropóide, mas não sabe o que é um homem, e não sabe que a tendência natural de todos os homens foi sempre a de imitar aqueles que subiram. TODOS OS POVOS DO MUNDO seguiram essa grande lei da ascensão: assim é que a editora VOZES imita as primeiras impressoras da Europa Central embora para fins menos piedosos. Nós poderíamos aqui abrir um capítulo de dúvidas para os progressos humanos mal norteados, mas no nível do 2 + 2 = 4 em que nos colocamos somos seguidores de Wuttenberg. ORA, A ANTROPOLOGIA DOS NOVOS MISSIONÁRIOS do CIMI fecha ao índio o alfabeto e a imprensa. Não sei se fecha também a imitação farmacêutica e se os índios são sistematicamente dissuadidos de tomar um laxante, ou um sedativo. É CURIOSO QUE ESSES EGRESSOS do catolicismo, onde tinham tão abundante, tão rica e tão bela tradição humana (para não falar na divina!), tenham jogado fora tudo em nome de um princípio progressista, e agora, em nome do oposto, querem acorrentar o pobre índio do Brasil à sua miserabilíssima cultura paleozóica. POBRES ÍNDIOS. Eles querem ser gente, querem ter espingardas, e mais adiante, na mesma linha, quererão ter máquinas de escrever, carros, cartórios, querem ter títulos e NPF, querem ser gente, mas os missionários do CIMI estão vigilantes, atentos, para que eles não procurem evoluir no modo de moer a mandioca ou de pescar. Defensores da amostra indígena no museu dos séculos, o CIMI, sob pretexto de conservá-los na pureza de sua autenticidade antropológica, querem deixar os índios mais apartados do que os negros nas mais desumanas experiências de segregação. * * * VOLTO A DIZER QUE DEIXEI DE LADO o problema da evangelização para salientar o aspecto grotesco do erro que cometem no mesmo plano em que tão pedantemente se inscrevem. Mas agora voltemos à palavra de Jesus: "Ide, ensinai e batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", e pasmemos diante da insolência desses missionários que, no mais monstruoso dolo da história da civilização, pretendem se inculcar como católicos, organizados num quadro novo CIMI, católico, sujeito à CNBB também católica. Meu empenho de velho professor é o de demonstrar que toda essa gente, e todos esses novos quadros, agem sistematicamente, regularmente, como se fossem os mais ferozes inimigos da Igreja Católica, em que creio, e dentro da qual quero viver e morrer. PELA FASTIDIOSA REPETIÇÃO da demonstração que me inculcam, sou forçado a crer no que me dizem eles: são nossos inimigos, são os combatentes que entraram nos recintos eclesiásticos no bojo do cavalo de Tróia. O que me parece incompreensível é que outras vozes não surjam para reforçar o meu sino de alarme. Teremos nós chegado a tão extrema miséria nos quadros da Igreja Católica?
- Anexo documental - D. Castro e D. Lefebvre
Em 21 de novembro de 1983, Dom Antônio de Castro Mayer assinou em companhia de Dom Lefebvre uma Carta ao Papa com um anexo que expunha as causas principais da «dramática situação» eclesial. Reproduzimos o anexo para que se meça o valor do "bom combate" empreendido por estes dois bispos católicos, e para demonstrar que tal "dramática situação" não só perdura até hoje mas se agravou. Por isso não podemos deixar de nos fazer a mesma pergunta (que ficou sem resposta) de um jornalista brasileiro: «Como se explica que já não tenha razão de ser a divisão entre o clero formado por Dom Antônio de Castro Mayer e a "igreja conciliar"?» «ANEXO DOCUMENTAL» I. Concepção “latitudinarista” e ecumênica da Igreja. A concepção da Igreja como “povo de Deus” se encontra já em numerosos documentos oficiais. Desta concepção emana um significado latitudinarista e um ecumenismo falso. Alguns fatos patenteiam tal concepção heterodoxa: as autorizações para construir salas destinadas ao pluralismo religioso; a edição de Bíblias ecumênicas, que já não são conformes à exegese católica; as cerimônias ecumênicas, como a de Cantuária. Na Unitatis Redintegratio se ensina que a divisão dos cristãos «é motivo de escândalo para o mundo e obstaculiza a pregação do Evangelho a todos os homens... que o Espírito Santo não despreza o servir-se das outras religiões como instrumento de salvação». O mesmo erro se repete no documento Catechesi tradendae de João Paulo II. Na mesma linha, e com afirmações contrárias à fé tradicional, João Paulo II declara na catedral de Cantuária, em 25 de maio de 1982, «que a promessa de Cristo nos leva a confiar em que o Espírito Santo deterá as divisões introduzidas na Igreja já depois de Pentecostes»; como se nunca se tivesse dado na Igreja a unidade de credo. O conceito de “povo de Deus” induz a crer que o protestantismo não é mais que uma forma particular da mesma religião cristã. O concílio Vaticano II proclama «uma autêntica união no Espírito Santo» com as seitas heréticas (Lumen Gentium, 14), «certa comunhão com elas, se bem que imperfeita ainda» (Unitatis Redintegratio, 3). Esta unidade ecumênica contradiz a encíclica Satis Cognitum de Leão XIII, que ensina que «Jesus não fundou uma Igreja que abraça várias comunidades que se assemelham genericamente, mas que são diferentes e não se acham ligadas por um vínculo que forme uma igreja única». Tal unidade ecumênica é contrária também à encíclica Humani Generis de Pio XII, que condena a idéia de reduzir a mera fórmula a necessidade de pertencer à Igreja Católica; é contrária igualmente à encíclica Mystici Corporis do mesmo Papa, que condena a concepção de uma Igreja «pneumática», a qual constitui, segundo a dita concepção, o laço invisível entre as comunidades separadas na fé. Tal ecumenismo é contrário igualmente aos ensinamentos de Pio XI na encíclica Mortalium Animos: «Sobre este ponto é oportuno expor e rejeitar certa opinião falsa que está na raiz do problema supramencionado e desse movimento complexo com o que os acatólicos se esforçam por realizar uma união entre as igrejas cristãs. Os que aderem a tal opinião têm sempre na boca as palavras de Cristo: ‘... que todos sejam um...; ...e haverá um só rebanho e um só pastor’ (Jo 17, 21; 10, 16); e pretendem que com tais palavras Cristo expressa um desejo ou uma prece que nunca se realizou. De fato, pretendem que a unidade de fé ou de governo, que constitui uma das notas da verdadeira Igreja de Cristo, não existiu praticamente até o dia de hoje, e que ainda agora continua não existindo». Esse ecumenismo, condenado pela moral e pelo direito canônico, chega a permitir que os Sacramentos da Penitência, da Eucaristia e da Extrema-Unção se recebam de «ministros acatólicos» (cânon 844 do código novo), e favorece «a hospitalidade ecumênica» ao autorizar os ministros católicos a administrar o sacramento da Eucaristia aos acatólicos. Tudo isso é abertamente contrário à revelação divina, que prescreve a «separação» e rejeita a mistura «entre a luz e as trevas, entre o fiel e o infiel, entre o templo de Deus e o das seitas» (II Cor 6, 14-18). II. Governo colegial-democrático da Igreja Depois de ter arruinado a unidade da fé, os modernistas contemporâneos se esforçam para livrar-se tanto da unidade de governo como da estrutura hierárquica da Igreja. A doutrina, já sugerida pelo documento Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, será recolhida explicitamente pelo novo código de direito canônico ao ensinar que o colégio dos bispos unido ao Papa goza igualmente do poder supremo, e isso de modo habitual e constante (cânon 336). Esta doutrina do duplo poder supremo é contrária ao ensinamento e à prática do Magistério eclesiástico, especialmente no concílio Vaticano I (Denz. 3055) e na encíclica de Leão XIII Satis Cognitum: só o Papa goza de tal poder supremo, que comunica na medida em que o considera oportuno e em circunstâncias extraordinárias. A este grave erro se liga a orientação democrático-eclesial, que faz residir o poder no «povo de Deus», como o ratifica o direito novo. Tal erro jansenista é condenado pela bula Auctorem Fidei de Pio VI (Denz. 2602). A tendência a fazer participar a «base» no exercício do poder, se reconhece na instituição do sínodo [permanente dos bispos] e das conferências episcopais, dos conselhos presbiterais e pastorais, e na multiplicação das comissões romanas e nacionais, bem como das que há no seio das congregações religiosas (veja-se a respeito o concílio Vaticano I, Denz. 3061 — Novo Código de Direito canônico, cânon 447). A degradação da autoridade na Igreja é a fonte da anarquia e da desordem que reinam hoje por toda a parte. III. Os falsos direitos naturais do homem A declaração Dignitatis Humanae do concílio Vaticano II afirma a existência de um falso direito natural do homem em matéria religiosa, contrariamente aos ensinamentos pontifícios que negam formalmente tamanha blasfêmia. Assim, Pio IX na encíclica Quanta Cura e no Syllabus, Leão XIII nas encíclicas Libertas Praestantissimum e Immortale Dei, Pio XII no discurso Ci Riesce aos juristas italianos negam que a razão ou a revelação fundamentem semelhante direito. O Vaticano II crê e professa de maneira absoluta que «a verdade não pode impor-se senão com a força própria da verdade», o que se opõe formalmente aos ensinamentos de Pio VI contra os jansenistas do concílio de Pistóia (Denz. 2604). O concílio Vaticano II chega ao absurdo de afirmar o direito a não aderir à verdade nem segui-la: o direito a obrigar os governos civis a já não fazer discriminações por motivos religiosos, estabelecendo a igualdade jurídica entre a religião verdadeira e as falsas. Tais doutrinas se fundam em um conceito falso da dignidade humana, que deriva dos pseudofilósofos da Revolução Francesa, agnósticos e materialistas, os quais foram condenados no passado por São Pio X no documento pontifício Notre Charge Apostolique. O Vaticano II prognostica que da liberdade religiosa nascerá uma era de estabilidade para a Igreja. Gregório XVI, em contrapartida, reputa por desfaçatez suma afirmar que a liberdade imoderada de opinião seria benéfica para a Igreja. O Concílio expressa um princípio falso na Gaudium et Spes ao considerar que a dignidade humana e cristã deriva do fato da Encarnação, a qual restaurou essa dignidade em beneficio de todos os homens. O mesmo erro se afirma na encíclica Redemptor Hominis de João Paulo II. As consequências do reconhecimento, por parte do Concílio, deste falso direito do homem destroem os fundamentos do reinado social de Nosso Senhor, arruínam a autoridade e o poder da Igreja em sua missão de fazer reinar Nosso Senhor nos espíritos e nos corações combatendo as forças satânicas que subjugam as almas. Ao espírito missionário, por conseguinte, acusá-lo-ão de proselitismo exagerado. A neutralidade dos Estados em matéria religiosa é injuriosa para Nosso Senhor e para sua Igreja quando se trate de Estados de maioria católica. IV. Uma concepção errônea do poder do Papa Certamente, o poder do Papa na Igreja é um poder supremo, mas não pode ser absoluto nem ilimitado, dado que está subordinado ao poder divino, que se expressa na Tradição, na Escritura Sagrada e nas definições promulgadas pelo Magistério eclesiástico (Denz. 3116). O poder do Papa está subordinado ao fim para o qual lhe foi conferido, e limitado por este. Tal fim é definido claramente pelo Papa Pio IX na constituição Pastor Aeternus do concílio Vaticano I (Denz. 3070). Seria um abuso de poder intolerável modificar a estrutura da Igreja e pretender apelar para o direito humano contra o direito divino, como se faz na liberdade religiosa, na “hospitalidade” eucarística autorizada pelo direito novo, na afirmação de dois poderes supremos na Igreja. Salta aos olhos que, nestes casos e em outros semelhantes, é um dever para todo e qualquer sacerdote e para todo e qualquer fiel católico resistir e negar obediência. A obediência cega é uma absurdidade, pois ninguém está isento de responsabilidade por ter obedecido aos homens antes que a Deus (Denz. 3115), ao passo que a resistência em questão deve ser pública se o mal é público e constitui motivo de escândalo para as almas (Suma Teológica II-II, q. 33, a. 4). São princípios elementares de moral que regulam as relações dos súditos com todas as autoridades legítimas. Por outro lado, esta resistência acha uma confirmação no fato de que há tempo só são penalizados os que se atêm firmemente à Tradição e à fé católica, ao passo que não são molestados os que professam doutrinas heterodoxas ou cometem autênticos sacrilégios: é a lógica do abuso de poder. V. Concepção protestante da missa A nova concepção da Igreja, a julgar pela definição que deu dela o Papa João Paulo II na constituição preliminar do Novo Código de Direito Canônico, comporta uma mudança no ato principal da Igreja, integrado pelo sacrifício da missa. A definição da nova eclesiologia define com exatidão a nova missa: um serviço e uma comunhão colegial ou ecumênica. Não se pode definir melhor a nova missa, a qual, como a nova ‘igreja’ conciliar, rompe abertamente com a Tradição e o Magistério da Igreja. Trata-se de uma concepção mais protestante que católica, e que explica tanto tudo o que se exaltou indevidamente quanto o que se diminuiu. Contrariamente aos ensinamentos do concílio de Trento na sessão XXII, contrariamente à encíclica Mediator Dei de Pio XII, exagerou-se o papel dos fiéis na hora de participar da missa e rebaixou-se o do presbítero, reduzido a mero presidente; exagerou-se o papel da liturgia da palavra e diminuiu-se a importância do sacrifício propiciatório; exaltou-se a ceia comunitária, secularizando-a — tudo isso à custa da fé na presença real operada pela transubstanciação e do respeito devido a ela, ao passo que com a supressão da língua sagrada se pluralizaram os ritos até ao infinito, profanando-os com acréscimos mundanos ou pagãos, e difundiram-se traduções falsas, em detrimento da fé verdadeira e da piedade autêntica dos fiéis. E, no entanto, os concílios de Florença e de Trento haviam anatematizado todas essas mudanças e afirmado que o cânon da missa remontava aos tempos apostólicos. Os Papas São Pio V e Clemente VIII insistiram na necessidade de evitar alterações e mudanças, conservando perpetuamente este rito romano consagrado pela tradição. A dessacralização da missa, sua “secularização” preparam a “secularização” do sacerdócio ao modo protestante. A reforma litúrgica de corte protestante é um dos maiores erros da igreja conciliar, e uma das mais daninhas para a fé e a moral. A situação da Igreja, posta em estado de busca, introduz na prática o livre exame protestante, resultado da pluralidade de “credos” no seio da Igreja. A supressão do Santo Ofício, do Índex, do juramento antimodernista suscitaram nos teólogos modernos uma necessidade de novas teorias, que desorientam os fiéis e os empurram para o movimento carismático, o pentecostalismo, as comunidades de base... É uma autêntica revolução, dirigida francamente contra a autoridade de Deus e da Igreja. Os graves erros modernos, condenados constantemente pelos Papas, desenvolvem-se agora sem travas no seio da Igreja: 1. As filosofias modernas, antiescolásticas, existencialistas, antiintelectualistas, são ensinadas nas universidades católicas e nos seminários maiores. 2. O humanismo é favorecido pela necessidade das autoridades eclesiásticas de fazer eco ao mundo moderno e considerar ao homem o fim de todas as coisas. 3. O naturalismo — a exaltação do homem e dos valores humanos — faz esquecer os valores sobrenaturais da redenção e da graça. 4. O modernismo evolucionista causa a rejeição da Tradição, da Revelação, do Magistério de vinte séculos. Já não existem verdades imutáveis nem dogmas. 5. O socialismo e o comunismo: a negativa por parte do concílio a condenar estes erros foi escandalosa e induziu a crer com toda a razão do mundo que hoje o Vaticano é favorável a um socialismo ou a um comunismo mais ou menos cristão. A atitude da Santa Sé durante estes últimos quinze anos, tanto além como aquém da cortina de ferro, confirma esta crença. Por fim, os acordos com a maçonaria, com o conselho ecumênico das igrejas e com Moscou reduzem a Igreja ao estado de prisioneira, fazem-na de todo incapaz de cumprir livremente sua missão. Trata-se de autênticas traições que clamam vingança ao céu, como os elogios tributados nestes dias ao heresiarca mais escandaloso e mais nocivo para a Igreja: Lutero. É hora de a Igreja recuperar a liberdade de realizar o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo e o reino de Maria sem se preocupar com seus inimigos».
- VII - O Inferno - Ele existe!
Os quatro estandartes – Um pintor valoroso, mas de vida má, foi escolhido por uma comunidade a fim de pintar quatro estandartes que representassem: um a Morte, outro o Juízo, o terceiro o Inferno, o quarto o Paraíso; isto é, os 4 Novíssimos. O artista, pensando no ganho e na honra, pôs toda a mestria nesses trabalhos que deviam ser expostos ao público. Mas achou uma fortuna maior do que o ganho e a honra. E eis de que modo. Quando pintou o Inferno com as cores mais tétricas, as figuras dos condenados e demônios com as mãos pavorosas atitudes, ele próprio ficou horrorizado ao ver sua pintura. E aí se pôs a pensar: “Se prossigo na minha má vida, por certo irei para o inferno: com muitas iniquidades o tenho merecido!” Essa ideia o abalou e fê-lo chorar amargamente e o induziu a mudar de vida. Eis o ganho que ele teve. *** Pudesse eu também pintar-vos o inferno assim para fazer-vos conceber um salutar pavor; para que pudésseis livrar-vos daquele terrível lugar de tormentos. Os santos sempre pensavam nisso; e é por isso que se mantinham no serviço de Deus, longe de todo pecado. Eles praticavam a advertência do Espírito Santo: “Em qualquer ação tua lembra-te dos novíssimos, e não pecarás jamais: In omnibus operibus tuis memorare novíssima tua, et in aeternum non peccabis” (Ecl 7,40). Façamos isso também nós, imitando Santo Agostinho, que dizia: “Desçamos (com o pensamento) vivos ao inferno, para ali não descermos realmente depois de mortos. Eis três pontos para meditar: 1 – Há inferno. 2 – Que se sofre no inferno. 3 – Quanto durará o inferno. A Existência do Inferno a) Verdade e Fé O inferno é uma verdade de fé. Deus revelou-a. no Antigo Testamento falam neles Moisés, Jó, Isaías, Davi... No Novo Testamento quantas vezes é também lembrado o inferno! Jesus Cristo nos faz ouvir repetidamente essa grande verdade no Santo Evangelho. Pretendeis que Deus nos engane? Eis um fato registrado no Evangelho, que fala claramente no inferno para onde irão os maus após a morte. O rico epulão – Havia um homem rico que se vestia de púrpura (roupas preciosas) e dava todo dia suntuosos banquetes. E havia um pobre mendigo de nome Lázaro, todo cheio de chagas, que jazia à porta daquele rico, ansioso por saciar-se com as migalhas que caíam da mesa dele; e ninguém lhas dava. Ora, acontece que o mendigo morreu e foi levado pelos Anjos ao seio de Abraão. O rico morreu também, deixando seus aposentos dourados, e foi sepultado no inferno: Mortuus est dives, et sepultus est in inferno (Lc 16,22). Ao se achar naquele báratro de chamas e ressequido por uma sede cruel, ergueu os olhos e viu Abraão e em seu seio Lázaro. Aí exclamou: - Ó, pai Abraão, manda-me Lázaro com um dedo molhado n’água para refrescar-me a língua, pois estou atormentado nestas chamas. Mas não foi atendido. Por isso tornou a suplicar: - Ao menos manda-me à minha casa avisar aos meus parentes, para que não venham a cair também neste lugar de tormentos. E Abraão lhe disse: - Bem o sabem eles de Moisés e dos Profetas que há o inferno: que os ouçam (Lc 16, 19-31). b) Os pagãos e todos os povos Até os filósofos, historiadores e os poetas pagãos, como Platão, Hesíodo, Homero, Virgílio, em suas obras, falam do inferno, como lugar de tormentos para os maus. Todos os povos antigos e modernos, civilizados e bárbaros, de qualquer religião e de qualquer lugar da terra, tem acreditado e acreditam no inferno com suas penas eternas. c) A própria razão nos deve convencer dessa verdade Deus é justo: portanto deve punir o mal. Ou pretendeis que os assassinos, os ladrões, os ímpios e todos os inimigos de Deus tenham a mesma recompensa dos santos e dos mártires? A prisão dos reis e a de Deus – Um ímpio se gabava com uns amigos seus de não crer no inferno. Um homem de bom senso, que o escutou, se ergueu para dizer: - Olá! Credes que os reis da terra possam mandar para a cadeia os malfeitores e os patifes? - Sim – retruca o incrédulo – e ai de nós se não houvesse prisões! - Pois bem, Deus também, rei do universo, preparou a prisão para os que ultrajam a sua Majestade infinita: e essa prisão é o inferno. Ai de nós se não o houvesse! Deus não seria mais justo. O ímpio aí ficou confuso. *** Até muitos incrédulos têm crido na verdade do inferno. Entre estes, o ímpio Voltaire, que negou tantas verdades de fé, deixou escrito: “Sou obrigado a dizer que o inferno existe”. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- VI - O Juízo Universal - A Sentença
1 – Aos Justos Feito o exame das consciências e revelados os pecados e as boas obras de todos, Jesus Cristo Juiz pronunciará a grande sentença que ficará para sempre. Qual será? Ei-la. Aos justos que estão à direita ele voltar-se-á com o olhar doce e benigno, e dirá: “Eis chegado o momento em que enxugarei vossas lágrimas, recompensarei vossas fadigas, premiarei vossas virtudes. Porque me servistes fielmente, vinde, ó abençoados de meu Pai; tomai posse do Reino preparado para vós desde a fundação do mundo: Tunc dicet his qui a dextris eius erunt: Venite benedicti Patris mei, possidete paratum vobis regnum a constitutione mundi (Mt 25, 34). Oh! Que alegria para os jovens que no Juízo tiverem a sorte de ouvir dirigidas a eles tais palavras! Abençoados de Deus!... Ter dele a glória imortal! Eris corona gloriae in manu Domini (Is 62, 30). Que felicidade! 2 – Aos Réprobos Voltado em seguida para os réprobos com olhar fulmíneo dir-lhes-á: “A vós que em vida não me quisestes conhecer nem servir, que me maltratastes com as iniqüidades, que desprezastes o meu sangue... a vós a minha maldição: Fora daqui, malditos, para o fogo eterno! Tunc dicet et his quia a sinistris erunt: Discedite a me maledicti in ignum aeternum! (Mt 25, 41). E aí eles aos montes, berrando, desesperadamente e blasfemando, cairão na voragem do inferno, e ouvirão fechar atrás de si a tremenda porta de fogo com eterno segredo. E Deus jogará as chaves da hórrida prisão no mar da eternidade. Os justos, ao contrário, voarão alegres e bendizendo a Deus, para a eterna felicidade do Céu. Assim terá fim o dia do Juízo Universal, que a Igreja com razão chama “dia bem grande e amargo”: Dies magna et amaris valde. E aí quem está salvo, está salvo, e quem está condenado, está condenado. Conclusão Dizei agora, ó queridos filhos, em que Juízo nos devemos encontrar? E que sentença será a minha? Qual a vossa? Estaremos à direita com os eleitos, ou à esquerda com os condenados? Depende de nós. São Jerônimo e a trombeta do Juízo – S. Jerônimo († 420), grande doutor da Igreja e dos maiores penitentes, deixou todas as belezas e magnificências de Roma, para ir ocultar-se num deserto da Palestina. Ali não fazia mais do que pregar, estudar e mortificar-se com aspérrimas penitências. Amiúde tomava de uma pedra e com ela batia no peito já chagado e sangrento, pedindo a Deus piedade. Por que isto? Ele pensava sempre no Juízo Universal; e por isso aterrorizado exclamava: - Ai de mim! A todo momento me parece ter nos ouvidos o som da trombeta que se fará ouvir no Vale de Josafá com esta fala: Surgi, ó mortos, vinde ao Juízo! Semper videtur illa tuba insonare in auribus meis: Surgite mortui, venite ad judicium! E nesse Vale qual será a minha sorte? Estarei com os eleitos ou com os réprobos? Terei a sentença da bênção ou da maldição?”. Também S. Alberto Magno exclamava: “Toda vez que penso no dia do Juízo, tremo todo: Quoties diem Judicii cogito, toto corpore contremisco”. Pensemos nele também nós. E se nesse grande dia vos quiserdes achar à direita entre os eleitos, ponde logo mãos à obra, remediando o passado e iniciando uma vida santa. Ó bom Jesus, Deus de misericórdia, recordai que pela nossa salvação sofrestes tantos padecimentos e derramastes o vosso sangue: a vós rogamos ter piedade de nós. Oh! Salvai-nos no dia do Juízo: Recordare, Jesu pie, Quod sum causa tuae viae, Ne me perdas illa die! (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Livrai-nos Deus de nossos inimigos
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 25-07-1974 UM LEITOR AMIGO telefonou-me hoje com palavras de compreensão e encorajamento. Graças a Deus não são poucos os telefonemas desta espécie. Mas hoje, creio que pela primeira vez senti a necessidade de assinalar a presença de uma posição prévia que freqüentemente marca essas manifestações sobre os conflitos em questão. Sim, hoje, numa espécie de retrospecção multiplicada, corno se tivesse em mim acionado às avessas um computador, observo uma constante nessas comunicações de meus leitores amigos e correligionários. Muitos se queixam do público dilaceramento da Igreja, dos debates entre irmãos da mesma Fé que, no calor da controvérsia, podem chegar a ferir a Caridade e apresentar a triste figura da Igreja ferida em sua unidade. Não, caro leitor amigo e correligionário, os artigos de luta que venho mantendo em público, abertamente, sem nenhum disfarce e sem nenhuma precaução especial no arredondamento das frases, não têm por objeto as divergências dos irmãos na Fé e sim as injúrias feitas à Igreja pelos seus INIMIGOS. Não sou eu quem pretende sondar o foro íntimo para dizer quem pertence à Igreja e quem está fora dela como inimigo a destruí-la; são eles mesmos que fazem questão de assim se caracterizarem, sem nenhum equívoco e de quase nos forçar a dar-lhes crédito. Escrevo sobre o que escrevem e falam, ou o que deles alardeiam os seus vastos meios de comunicação, e não hesito um segundo em dizer que aceito o combate e que me considero INIMIGO e não apenas um irmão na Fé, com amenas divergências. BEM QUISERA, bem quisera mais freqüentemente entreter-me aqui da grandeza e da beleza das coisas de Deus; ou até entreter-me em discussões vivas, mas realmente amistosas, sobre reais e dolorosas divergências que me separam de alguns irmãos na Fé. Preferiria o debate elevado e sempre inspirado pela santa Caridade, que tem como primeira exigência o amor da verdade. Muitas vezes me entretenho com amigos sobre todos os assuntos que tocam a sagrada doutrina, e não tenho hoje mais feliz passatempo. Mas a sinistra realidade é a do combate público, escandaloso, que o inimigo faz à Igreja, e que, portanto, nos impõe. VOLVO, QUASE UM SÉCULO para lembrar a primeira lição de catecismo recebida de minha mãe. Creia-me o leitor ou não, mas o fato é que realmente me lembro. Suspendendo a esferográfica um instante, revi esse momento que peço a Deus rever na hora de minha morte: eu pequenino, nos joelhos de minha mãe, aprendia o Pelo Sinal. Segurava-me ela a mão e, com meu pequenino polegar, fazia o sinal iniciador da vida católica, repetindo as palavras: PELO SINAL DA SANTA CRUZ LIVRAI-NOS DEUS, NOSSO SENHOR, DE NOSSOS INIMIGOS, EM NOME DO PAI, DO FILHO, E DO ESPIRITO SANTO. HOJE, DEPOIS DE UM SÉCULO de empulhamentos e do triunfal "aggiornamento" trazido por uma apoteose de equívocos, querem nos inculcar a amolecida idéia de um cristianismo sem combate, sem inimigos e, por via de conseqüência, sem necessidade do sinal da Cruz. Ouso dizer que a paz mundial, a paz terrestre, a paz feita de bem-estar e de comodismo, etc... constitui uma das principais preocupações do Demônio. Muito melhor do que nós, ele sabe que a obsessão desse cuidado nos leva ao abandono de qualquer ideal de Bem e de Verdade, e diverte-se em saber também que esse é o caminho da mais espantosa explosão de inimizades que o mundo conhecerá. Por mim, confesso que me apavoro, quando sinto o horror que esta simples palavra provoca nesta atualidade costurada de ecumenismos, cursilhos, diálogos e demais retalhos da fantasia dopada. Uma vez, conversando com um general, usei inadvertidamente este vocábulo: "os nossos INIMIGOS", e ouvi esta afetuosa observação: Professor, eu prefiro o termo adversário... Calei-me aterrado. Se os padres e os militares não sabem mais o que é "inimigo", quem o saberá? Porque, na verdade, as duas instituições que devem ter a viva noção desta entidade, são realmente a Igreja e o Exército. Aqui, no Brasil, as desavenças acaso ocorridas entre essas duas instituições se explicam umas vezes pelo fato de não serem "da Igreja" aqueles que em nome dela pretendem falar, outras vezes pelo fato de não saberem, os homens de Igreja, que o Exército de 84 até hoje luta a seu lado contra o inimigo comum. IMAGINO QUE NESTA ALTURA meu leitor esteja a revolver as idéias que aprendeu sobre Caridade, Evangelho, Perdão e outras grandes noções que auriu no regaço da Igreja. Sendo estudioso, lembra-se que o Concílio de Trento trouxe esta definição lapidar: A Igreja Militante é aquela parte de seus membros (ainda na Terra) que luta contra três cruéis Inimigos: o Diabo, o Mundo e a Carne. MAS MEU LEITOR TAMBÉM SE LEMBRARÁ de uma palavra de Cristo: Mas eu vos digo amareis vossos inimigos... "Meu Deus, como conciliar tantas idéias aparentemente, opostas?! Como poderei amar se devo combater? Respondeu dizendo: combatendo! Porque esta é a melhor forma de Caridade a que ele tem direito. Por incrível que pareça são os pacifistas que pecam contra a Caridade quando querem que todos se unam e se misturem na mesma indiferença em relação à Verdade e ao Bem. Sim; não há mais odioso pecado contra a Caridade do que a amável condescendência com que permitimos e colaboramos com a permanência no erro e no mal. Não fazer questão de incomodá-lo, de combatê-lo, de tirá-lo da sua tranqüilidade no erro e no mal, é fazer uma das obras prediletas do Demônio.
- VI - O Juízo Universal - O Exame de Consciência
1 – A vista do Juiz Queridas crianças, ouvistes num só exemplo como se dará o comparecimento do Juiz divino no Juízo Universal. Agora assistis ao exame de consciência. Um olhar investigador – O rei Frederico II da Prússia (1756), durante a guerra dos 7 anos, após uma batalha vitoriosa, invernava na Saxônia. Ali um copeiro de nome Glasau deliberou matá-lo, e lhe apresentou num copo uma bebida envenenada. O rei, que havia notado qualquer coisa estranha na atitude de seu servo, fixou-o profundamente no rosto. Ante esse olhar o servo começou a tremer tão forte, que lhe cai da mão o copo. Aí confessou ao rei o assassínio que havia meditado. Eis como só o olhar penetrante de um rei bastou para fazer tremer e aniquilar um malvado. *** Ora, como deverão tremer os pecadores quando os fulminar o olhar de Deus que tudo conhece e que de tudo pedirá pormenorizadíssimas contas. Quantus tremor est futurus, Quando Judex est venturus, Cuncta stricte discussurus! 2- O Livro Aberto Será, então, aberto o grande livro onde tudo está anotado, o bem e o mal de cada qual: Liber scriptus proferetur, In quo totum continetur. E tudo será revelado diante dos Anjos e dos homens; tudo: não só as obras, mas também os segredos do coração; pois todas as coisas são nuas e reveladas aos olhos de Deus: Omnia nuda et aberta sunt oculis eius (Hebr 4,13). Aí Ele aclarará os esconderijos das trevas, e manifestará os conselhos dos corações (1 Cor 4,5). E tudo o que está oculto surgirá, e ninguém ficará impune. Para os justos: Oh! Que consolo e glória, ao ouvir todas as suas boas obras, os esforços para vencer a tentação, as orações, as mortificações. Para os maus: Que confusão e opróbrio, ao ouvir revelados todos os seus feios pecados, as imposturas, as mentiras, os furtos, as desobediências, os escândalos dados, as vinganças... os sacrilégios cometidos desde o uso inicial da razão. Eram crianças de poucos anos, e já velhos na malícia! 3 – As Desculpas Que desculpas, então, ante as censuras de Jesus Cristo Juiz que porá diante dos pecadores todo o mal que hajam cometido? Nabucodonosor e o rebelde Sedecias – Lê-se na História Sagrada que Nabucodonosor fez um terrível juízo de Sedecias que se rebelara contra ele. Primeiro lhe mostrou os benefícios que lhe fizera, depois lhe disse: - Eu podia mandar-te cortar a cabeça; e, no entanto, te dei a coroa de rei. Eu podia enterrar-te numa cova, e, no entanto, te pus num trono. E tu?... Ingrato! Viraste contra mim todas as tuas forças para trair-me! Pois bem, fica sabendo que és indigno de ainda ver o meu rosto. E imediatamente mandou arrancar-lhe os olhos, e o fez meter numa prisão, todo acorrentado. Que desculpas podia dar Sedecias? *** Também não poderão desculpar-se os pecadores no Juízo de Deus que, na presença do Universo, porá ante eles todos os seus benefícios, as suas graças, o seu sangue derramado, e todas as infidelidades e ingratidões deles. E, então, que desespero para os pecadores desgraçados que se encontrarem à esquerda! Trêmulos e berrando quererão esconder-se; mas onde?... Gritarão às montanhas: “Caí sobre nós!”, e às colinas: “Sepultai-nos!” (Lc 23,30). Oh! Que dia haverá mais pavoroso do que este? Quantos pecadores converter-se-ão e tornar-se-ão santos ao pensar em se ver envergonhados no terrível exame que se fará nesse dia! (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Vida Religiosa (I)
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 1-8-1974 LI NOS JORNAIS A NOTÍCIA da reunião de centenas de religiosos, sob os auspícios da Conferência dos Religiosos, e logo me alarmei na previsão dos disparates que jorrarão para tristeza e vergonha dos que permanecem católicos e, principalmente, dos religiosos que permanecem verdadeiramente fiéis a seus votos. Já me chegam recortes e opúsculos previstos, mas, antes de me espalhar nos comentários dessa matéria, quero hoje responder a uma questão central que foi brutalmente lançada pelo conferencista de uma das sessões: "A vida religiosa" — disse o conferencista — não tem apoio nas Sagradas Escrituras". ORA, ESSA AFIRMAÇÃO é INEXATA e leviana. Em muitos pontos poderíamos assinalar o apoio negado, mas contentemo-nos, no momento, com o magno texto em que Santo Tomás e seus discípulos tão abundantemente se estribaram. Respondendo ao moço que lhe perguntou o que deveria fazer para ser perfeito, Nosso Senhor respondeu: "Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuis, distribui o preço pelos pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me." O moço recuou e voltou triste, porque era muito rico. Mas não nos precipitemos a concluir que desta sorte se recusou ao preceito geral e irrecusável sem recusa mortal de Deus: o de procurar sempre a maior perfeição do amor de Deus. Santo Tomás ensina que o moço se intimidou diante dos meios aconselhados por Jesus, mas nada no texto prova que, com a recusa dos meios, tenha recusado os fins. Eis o texto de Santo Tomás: "Nessas palavras do Senhor é preciso distinguir o que traça o caminho a seguir para chegar à perfeição, a saber: "Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres" e aquilo em que concerne a essência da perfeição: "Segue-me." A esse propósito São Jerônimo escreve: "é por não bastar tudo deixar que Pedro acrescenta aquilo em que consiste a Perfeição: "nós te seguimos". (.... ) Vê-se, pois, nos termos deste texto que os conselhos têm um caráter de meio." NO SEU TRATADO SOBRE A SANTIFICAÇÃO dos sacerdotes, De sanctificatione sacerdotum, ed. Marietti, p. 85, Garrigou Lagrange volta a insistir nessa idéia de que a perfeição não reside no Conselho de pobreza, e cita Santo Tomás na IIª IIae a. 6 ad primum: "A perfeição da vida cristã, como já vimos, não consiste essencialmente na pobreza voluntária, que é apenas um meio de atingir a perfeição. Não se deve, pois, imaginar que a perfeição cresça à medida que a pobreza se torne maior. A soberana perfeição é compatível com a opulência." A PRÁTICA DOS TRÊS CONSELHOS EVANGÉLICOS, pobreza, castidade e obediência, não é obrigatória para a procura da perfeição sempre maior, que é preceptiva. Mas o mesmo Garrigou Lagrange nos ensina em Les Trois Ages de la vie Interienre, Tome I, p. 282 e seguintes, que é difícil a subida da perfeição, sem o "espírito dos conselhos", i. é, sem o espírito de desprendimento. Ora, esse espírito dificilmente se adquire sem a prática efetiva dos conselhos, coisa que constitui a regra do estado religioso para o qual Jesus chamou o moço rico e também para o qual S. Paulo convida quando diz que não casar é melhor do que casar. E, portanto, errônea e leviana a frase eructada na reunião dos religiosos no colégio São Bento. Pronunciada por um religioso ela se reveste de uma especial repugnância. ALÉM DAQUELAS ESPECULAÇÕES TEOLÓGICAS que com firmeza nos levaram a tão clara e sabida conclusão, todos nós - refiro-me aos católicos - sabemos que, desde os primeiros anos da vida da Igreja, a vida religiosa, instituída, procurada para tornar mais seguro o caminho da perfeição, tornou-se causa exemplar, princípio de animação, modelo oferecido ao Povo de Deus disperso no mundo. Pode-se até dizer que, ao longo dos vinte séculos percorridos, o maior ou menor esplendor da Igreja correu sempre paralelo ao maior ou menor esplendor do monarquismo. Durante 15 anos ensinamos estas coisas certas e guardadas no coração da Igreja. No Centro Dom Vital ensinamos que a vida religiosa é a via excelente de seguir o Cristo, e que as casas religiosas são o sal purificador que, dentro da comunhão dos santos, compensavam, completavam nossos pecados e nossas deficiências. As religiosas dos mosteiros beneditinas e nos carmelos eram vistas por nós como as melhores servidoras do mundo sendo as melhores servidoras de Deus. Ajudavam-nos mais com suas orações e seus silêncios do que pretendem hoje as virgens ou ex-virgens acometidas de uma loquacidade idiota e de um ativismo demente. A ÚLTIMA ESPERANÇA QUE PODEMOS TER nessa reunião é a de que venham descobrir o que perderam: o que desprezaram, e a falsidade da burlesca proposta com que nos tentam enganar depois de se terem enganado a si mesmos. Por mim confesso que não abrigo grandes esperanças. Depois do mal que fizeram, o restabelecimento só virá através de dores espantosas. AO CARO AMIGO BENEDITINO que sacudia seu escapulário a perguntar se "aquilo" era então uma pataquada, envio aqui esta palavra de velho amigo. Agarremo-nos àquele "e segue-me" porque estamos na hora penúltima da ascensão do Calvário. Imitemos Jesus nos últimos passos de nossa vida e de sua vida. Sigamos o rastro do Sangue. E imitemos chorando "Aquela que chora" na Sallete, e em tantos outros pontos deste mundo tão seu, verte lágrimas diante do medonho espetáculo que por toda a parte oferecem os sacerdotes, os bispos e cardeais, e principalmente os "religiosos" que vomitam o que prometeram num dia, cuja marca no céu parece ter-se descolado e caído no abismo. MAIS DE UM PADRE RELIGIOSO NESTES dias visitou-me para trazer a boa notícia de que são muitos os que choram. Bem-aventurados, porque serão consolados. Amice, ploremos et oremus invicem.
- VI - O JUÍZO UNIVERSAL - O comparecimento do Filho de Deus
Um peregrino e o dia do Juízo Universal – Um devoto peregrino atravessava um dia o Vale de Josafá na Palestina, e caminhando recitava orações. Ao dizer o Credo parou às palavras: Inde venturus est judicare vivos et mortuos, e começou a pensar: “Eis aqui o lugar onde Jesus virá do Céu para julgar os vivos e os mortos. Virá no dia da ira, das tribulações e das angústias, dia de calamidade e de miséria: Dies irae, dies tribulationis et angustiae, dies calamitatis et miseriae (Sof 1, 15); dia que não teve nem nunca terá igual no terror. Isso é também verdade de fé!” Parecia a esse peregrino ver no ar o divino Juiz em toda a sua majestade, no ato de julgar os pecadores; e diz a história que ele ficou tão apavorado, que ninguém mais o viu rir, e bastava lembrar-lhe do Juízo para o fazer tremer e chorar. Quantos, no entanto, também entre os jovens, jamais pensam nessa verdade! Se pensam nisso, sim, poriam o cérebro em condições, e viveriam como bons cristãos! Consideremos agora o Juízo Final. 1 – O Comparecimento do Filho de Deus a) A terrível cena Um quadro do Juízo universal – O monge S. Metódio (+ 861), que converteu à fé cristã a Bulgária e outras nações bárbaras, era também um bom pintor. Um dia ele foi chamado pelo rei dos búlgaros, de nome Bógoris, o qual lhe disse: - Deveis fazer-me um belo quadro para eu pôr em meu palácio, e quero que esse quadro represente coisas que metam medo a todos os que olharem. É mister saber que esse rei era pagão e meio selvagem, e só se deleitava com caçadas de animais ferozes e cenas terríveis. O santo, então, recomendando-se a Deus, pintou o Juízo Universal. No meio do quadro via-se Jesus Cristo em sua tremenda majestade entre as nuvens e num trono de glória, rodeado pelos anjos; à direita uma fila de pessoas com os rostos esplendorosos de luz (os justos); à esquerda uma multidão de pessoas monstruosas com caras horríveis, cheias de pavor e de desesperada angústia (os pecadores). Em baixo, afinal, se via um abismo cheio de figuras horrendas e demônios, e desse abismo saíam chamas ameaçadoras e foscas. Quando o rei viu esse quadro ficou impressionado e perguntou: - Que espetáculo é esse tão magnífico e pavoroso? Aí Metódio lhe deu a seguinte explicação. b) Os dois juízos S. Metódio e a explicação do quadro - Majestade - iniciou S. Metódio -, esse quadro representa o Juízo Universal. Ficai sabendo que logo após a morte haverá, para todos, o Juízo Particular; isto é, deveremos todos comparecer perante Deus para dar conta do bem e do mal que tivermos feito em vida. Mas além do juízo particular, haverá outro Juízo, que se diz Universal, e este será feito por Jesus Cristo no fim do mundo no Vale de Josafá. Ao Juízo Universal deverá apresentar-se todos os homens do mundo, que existiram, que existem e que existirem; grandes, pequenos, soberanos e súditos, sábios e ignorantes, ricos e pobres, bons e maus. Ao ouvir isso o rei começou a empalidecer e indagou: - Quando e como será o Juízo Universal? Responde Metódio: - Esse dia ninguém o sabe, nem os Anjos do Céu, exceto o Pai (Deus) (Mt 24,36). Como depois se dará o Juízo, di-lo a Santa Escritura. Primeiro haverá sinais: guerras espantosas dos povos e dos reinos, que se lançarão uns contra os outros (Mt 24,7). Depois o sol escurecerá, e a lua não dará mais a sua luz, e cairão do céu as estrelas, e haverá a destruição do Universo (Mt 24,29); depois virá do céu um dilúvio de fogo que destruirá tudo (2 Pedr 3,10). E então será grande a tribulação, como não houve desde o início do mundo. E tudo isso é verdade de Evangelho. c) A ressurreição diferente Quando estiver tudo destruído pelo fogo, os Anjos soarão uma trombeta que se fará ouvir nos quatro ventos; e os mortos ressuscitarão (1 Cor 15,52). E aí se dará um grande espetáculo. Todos os mortos saídos de seus túmulos, da terra, do mar, dos abismos, deverão estar vivos. Mas com que diferença? As almas dos bons, vindas do Céu, retomarão o seu corpo belo, resplendente, impassível (Mt 13,43). As almas dos réprobos, surgidas do inferno, unir-se-ão aos seus corpos que, no entanto, serão disformes, horríveis, esquálidos, fedorentos. d) A separação Depois virão os Anjos, e separarão os malvados dos justos (Mt 13, 49). E os justos ficarão à direita, e os pecadores à esquerda. Não vos parece vê-los? Todos os blasfemadores, caluniadores, desonestos, soberbos, ladrões, avarentos, escandalosos, sacrílegos, serão separados dos bons; e, vendo-os, dirão com raiva: Eis aqueles de quem zombamos em vida (Sab 5,3). Estultos que fomos! Julgávamos uma insensatez a sua vida; eis, no entanto, como se incluíram entre os filhos de Deus (Sab. 5, 4-5). e) A cruz Feita a separação, abrir-se-ão os Céus, e entre fileiras de Anjos aparecerá o sinal do Filho do Homem: a Santa Cruz (Mt 24,30). E aí bater-se-ão no peito todas as tribos da terra. Aí os réprobos cairão como fulminados. E que berros de choro! Que pavor! Que desespero! Ao passo que os justos rejubilar-se-ão! *** Depois o divino Juiz fará um exame público: manifestará as consciências todas, revelando as culpas, diante de todo mundo. Depois pronunciará a sentença da bênção sobre os bons e a de maldição sobre os maus; e estes irão para o eterno suplício com os demônios: os justos, ao contrário, para a vida eterna (Mt 24,46). Eis o que ouviste no quadro pintado: a tremenda verdade do Juízo, que é verdade de Evangelho”. Assim concluiu o monge S. Metódio. Ao ouvir isso o rei Bógoris ficou aterrorizado: fez-se logo instruir na religião, e, iluminado pela graça de Deus, converteu-se ao Cristianismo, e com ele se converteram também os seus súditos. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Ordenações sacerdotais, diaconais, ordens menores e tonsura da SAJM
Ordenações sacerdotais, diaconais, ordens menores e tonsura da SAJM, ocorridas na França no dia 14 de junho de 2021.












