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- X – A Confissão - Necessidade e Vantagens
A clemência de um rei para com um cortesão (parábola) – Uma vez havia um rei poderoso, bom e misericordioso. Esse rei acolheu em seu paço um homem pobre, ignorante e mau. Ele mandou vesti-lo de novo, instruir e educar... e, depois lhe deu um alto cargo em sua corte. Eis o malandrim transformado em cortesão, confidente do rei. Ouvi, porém, o que ele fez. Em vez de ser reconhecido e fiel a seu benfeitor, tentou, com uma conjura e uma traição, expulsá-lo do trono. O rei recebeu a tempo o ato indigno do vil traidor, e o condenou à forca, pois assim o queria a justiça. Quando, na grande praça cheia de gente, lá estava o carrasco para enforcar o malfeitor, eis que chega um escudeiro do rei, o qual grita: “O rei quer conceder graça a esse assassino... mas sob uma condição!”. O cortesão toma fôlego e abre o coração à esperança. Quem sabe qual era a condição? Ei-la: o malfeitor devia confessar a sua culpa (que era secreta) a um dos Ministros, à sua escolha. Figurai o contentamento do condenado! Ter a salvação por tão pouco preço! Confessou logo o seu crime, e teve o perdão. Depois o bom rei ainda o acolheu em seu paço. *** Ouvistes? Quem é o rei? É Deus. E o malfeitor, quem é? É o pecador que ofendeu um Rei e um pai tão bom. Tal pecador mereceu a condenação ao inferno. Mas como o Senhor quer a salvação de todos (e por isso se fez homem e morreu na cruz), eis que instituiu um Sacramento, por meio do qual qualquer pecador, manifestando a um Ministro de Deus os seus pecados, ainda pode obter o perdão e salvar-se. Esse Sacramento é a Penitência, ou seja, a Confissão. Compreendeis que grande benefício, que graça do Senhor é a Confissão? Ficai atentos, e ouvireis como ela é necessária e vantajosa. I – Necessidade da Confissão 1 – A Instituição – Os caminhos que levam ao Céu são dois: o da inocência e do da penitência. Quem não é mais inocente, se quer salvar-se, deve recorrer à penitência que é o único remédio para cancelar os pecados. Quem perdoa os pecados é o Senhor; mas ele quer que os confessemos a seus Ministros, isto é, aos Sacerdotes, os quais têm de Deus o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo. Eis como lhes deu o Senhor esse poder: Jesus Cristo, ressurrecto, apareceu aos seus Apóstolos, que foram os seus primeiros Sacerdotes, e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo: Serão perdoados os pecados a quem os perdoardes; e serão retidos a quem os retiverdes: Accipite Spiritum Sanctum: Quorum remiseritis peccata, remittuntur eis; et quórum retinueritis, retenta sunt (Jo 20, 22-23). 2 – A Tábua da Salvação – Que seria de muitos, se não houvesse esse Sacramento? Estariam eternamente perdidos! Por quê? Depois de batizado, o homem pode ainda pecar, e não pode receber outra vez o Batismo que cancela os pecados. Ai de nós por isso se não fosse a Confissão! A qual cancela todos os pecados que se cometem após o Batismo. A Confissão é chamada a segunda tábua após o naufrágio. Quando um barco, batido pela tempestade, vai ao fundo, os marujos e viajantes que estão a bordo não tem outra salvação a não ser alguma tábua, ou pedaço de pau: a isto se agarram, e se salvam. Assim, quem sofre o naufrágio espiritual por causa dos pecados, não mais podendo ter a tábua da salvação do Batismo, salva-se com a da Penitência. E o Senhor só estabeleceu esse meio, com o qual se pode readquirir a sua graça. Por conseguinte, para quem pecou mortalmente, ou confissão, ou condenação! Caros filhos, se algum dia tiveste a grande desgraça de cair nalgum pecado mortal, se quereis o perdão deveis confessá-lo: porque qualquer outro meio que vos viesse à mente praticar, por exemplo orações, esmolas, jejuns, penitências... seria tudo inútil. Ou confessar-se ou perder-se. Pelágio e as inúteis penitências – Nas histórias de São Bento se lê de certo jovem de nome Pelágio, que, criado no santo temor de Deus, era uma flor de virtude e de inocência. Falecidos seus parentes, retirou-se num eremitério e ali levava uma vida de santo. O demônio, invejoso de sua virtude, continuamente o molestava com fortíssimas tentações; mas o inocente jovem vencia sempre com a arma da oração. Mas como? Um dia deixou a oração, e caiu num pecado impuro. Aí foi tomado de grande tristeza, e suspirando dizia: “Ó pobre Pelágio, como é que caíste! Antes era filho de Deus, e agora és escravo do demônio! Estão perdidos todos os méritos que adquiristes!” Nessa triste condição se pôs a maltratar seu corpo e a reduplicar as orações, pensando assim poder obter o perdão de seu pecado; mas confessar-se... não! Não teve mais coragem de dizer aquela sua culpa a nenhum confessor. Que adveio daí? Levou avante assim até a morte, e morreu com o seu pecado! Que lhe valeram todas aquelas penitências? Perdeu-se miseravelmente, quando por todos era estimado um santo! 3 – O Fácil remédio negligenciado – Porventura muito exige o Senhor para nos dar o seu perdão? Poderia com justiça exigir de nós penitências, jejuns, peregrinações...; e nós deveríamos atender a suas condições, e ainda agradecer-lhe. Olhai, no entanto, que bondade e que indulgência! Ele quer apenas que confessemos os pecados. É pouco, não é verdade? E, no entanto, muitos nem isso fazem; e a confessar-se, preferem ficar com seus pecados nas costas, fugindo do médico e do remédio que os pode curar. Cegos e estropiados que fogem de S. Martinho – Narra-se na vida de S. Martinho, bispo, que uns desgraçados (cegos, estropiados, ulcerosos simuladores) estavam um dia reunidos a tagarelar; quando subitamente ouviram que vinha a eles o santo Bispo. Aí se confundiram, e... toca a correr, uns daqui, outros dali. Sabeis por quê? De medo que o Santo os curasse. Sabiam que ele com milagres curava muitos doentes; e eles não queriam saúde, a fim de continuarem em seu tráfico... de ganhar sem trabalhar. *** Caso estranho, sim? E, no entanto, quantos, também entre os jovens, fazem assim! Preferem viver com a alma doente, ulcerosa, sem a graça de Deus e estar à beira do inferno, a curar-se e a readquirir a graça e a amizade de Deus por meio da Confissão. Há afinal outros que gostariam de ficar curados na alma porque sabem que estão mal com os pecados; mas são preguiçosos e indolentes... e recusam o remédio da confissão, que lhes parece demasiado amargo! 4 – Deve-se procurar a cura – É mister fazer como aquele pobre enfermo de que fala o Evangelho, e que estava ao pé da piscina probática. O enfermo e a piscina probática – Havia em Jerusalém uma fonte, denominada piscina probática, com cinco pórticos. Jazia ali uma turba de enfermos, cegos, estropiados, paralíticos, os quais esperavam o movimento da água. E de fato um Anjo do Senhor em certa época descia à piscina, e a água era agitada. E aí quem mergulhasse nela primeiro, ficava curado. Entre aquela turba havia um homem enfermo há 38 anos. Jesus o viu e lhe disse: - Queres ficar são? E o enfermo: - Senhor, não tenho ninguém que me lance n’água. E Jesus: - Levanta-te, toma a tua cama e anda. E naquele instante foi curado o enfermo. Apanhou sua cama e andou (Jo 5,29). *** Esse homem, sim, desejava a cura! Que significa a piscina probática? Significa o Sacramento da Penitência, por meio do qual se sara de qualquer moléstia, ou seja, de qualquer pecado. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- O Prêmio Popular
Publicado por Gustavo Corção, n’O Globo em 21-02-1974 “EM OSLO, a 13 de fevereiro de 1974, Dom Hélder receberá o "prêmio popular da paz". As notícias chegadas de lá nos dizem que numerosas pessoas e diversos movimentos de vários países tomarão parte na cerimônia. A atribuição desse prêmio significa, dizem as notícias, a vontade de apoiar em sua ação alguém que para muitos represente a luta pacífica dos oprimidos para conquista de um pouco de justiça." LENDO este texto, o leitor de bom-senso julgará que se trata de um movimento anticomunista, porque todos nós estamos cansados de saber que desde 1917 nenhuma experiência humana feriu tão gravemente a justiça e a esperança dos pobres como o comunismo. Mas o leitor de bom-senso se engana, o texto veio dos comunistas que se reúnem na Noruega para glorificar Dom Hélder. Sim, Dom Hélder! NÓS pensávamos que esse personagem já se pulverizara e já voltara ao nada, mas a notícia nos diz que ele está em Oslo, tentando cobrir com um prêmio "popular" o prêmio Nobel perdido. Continuemos a ler a notícia comunista: "As pessoas ou grupos que desejarem se associar a esse testemunho, e não souberem como fazer, podem enviar suas contribuições ao C.C.P. 2414. 13 de M. T. Nepére, 169, Avenue Jupiter 1190, Bruxelles, en mentionnant: " Prêmio da Paz, Dom Hélder Câmara." EIS aí o trabalho de coleta, de encanamentos, calhas e esgotos construídos para a convergência de dinheiro em favor do amigo dos pobres de Olinda e Recife, que por uma curiosa configuração geográfica tem o centro em Oslo, e o centro do centro no bolso de Dom Hélder Câmara. PARA mover e comover os sonhados doadores, o boletim que me enviaram transcreve passagens de uma conferência (inédita em francês) de Dom Hélder, pronunciada em 21 de agosto de 1973 em Rouland, Noruega, durante o encontro dos pastores luteranos dos países do norte sobre a "dimensão horizontal da Reconciliação". Perdão! Essa conferência pronunciada numa pequena cidade da Noruega, para pastores do norte, foi pronunciada em francês ou em norueguês? Eu não me espantaria se Dom Hélder a pronunciasse em javanês ou em candidomendês, porque "a dimensão horizontal da reconciliação" deve produzir o mesmo ruído em qualquer idioma. O essencial é que os amigos luteranos tragam o seu dinheirinho em francos, dólares ou marcos para o bolso de Dom Hélder. Como diria Teilhard de Chardin, tudo que chegar a este ponto-omicron converge. Eis o trecho do discurso que Dom Hélder teria pronunciado em línguas: "Para os opressores é muito cômodo e vantajoso que a Igreja se consagre à evangelização do mundo, que ela procure humanizar o mundo com exclusão de qualquer implicação política. Os que assim pensam, temendo a denúncia das injustiças e o combate não violento em favor da promoção do homem, não se dão conta que, deste modo, já tomaram uma opção política a favor da opressão..." ATÉ hoje Dom Hélder não explicou em língua alguma como se fará esse "combate não violento" para arrancar do poder os opressores e para implantar o doce regime comunista. Imagino que os combatentes devam usar espingarda de rolha, e projéteis de manteiga de cacau, como os canhões humanitários do saudoso Barão de Itararé em Dom Xicote. PROSSIGAMOS a instrutiva leitura do documento que nos anuncia a ressurreição de Dom Hélder no círculo polar ártico: "Mas nós, neste momento, poderemos nós fazer pequenas minorias sem recursos materiais em face das estruturas mais pesadas e opressivas do que nunca?" NÃO, Dom Hélder, é claro que o Sr. e seus companheiros de luta não podem ficar em pequenas minorias sem recursos. É evidente que precisam inventar conferências, prêmios, para arrancar o rico dinheirinho com que se compram os melões. Ou quererá o leitor que Dom Hélder na era espacial faça milagres? Continua o documento: "Quem poderia imaginar que o átomo, tão minúsculo, pudesse conter desde milênios e para outros tantos milênios um tal poder? Quem poderá medir a força do amor se nós não nos fecharmos às inspirações do Espírito Santo?” E EIS logo após como soa nos ouvidos de Dom Hélder o sopro divino: "... encorajemos, na escala regional e nacional a união de todas as minorias que, sob nomes diferentes, queiram de um modo pacífico, mas determinadas, verdadeiras e corajosas, sacudir o jugo das opressões." COMO se vê, Dom Hélder sacode os adormecidos, Dom Hélder mobiliza as minorias que sob várias denominações queiram modificar a face da Terra, e para, evidentemente, é preciso lembrar que nada se faz sem dinheiro. ESSE boletim que me veio parar às mãos, pode ser interpretado de dois modos diversos e até opostos. Muitos leitores certamente pensarão que Dom Hélder está se multiplicando, se espalhando e se tornando mais perigoso do que nunca. O MEU pressentimento é oposto: parece-me que ele está estrebuchando para sobrenadar antes de mergulhar no descrédito total. Os apelos de dinheiro são significativos. Para mim, desconfio que seus empresários começam a desconfiar da inutilidade de suas caretas e da vacuidade de seus discursos. O pobre diabo de reformador do mundo, que já deixou de acreditar em tanta coisa, é capaz de estar começando a desconfiar de seus prestígios. Se isto se processasse pela via da humildade e da contrição, poderia ainda talvez achar o caminho perdido; mas se se processar pela via do orgulho ferido, do desânimo, então ele se precipita nos abismos. QUALQUER hipótese eu tenho a esperança de não ouvirmos falar tão cedo nesta triste figura.
- Comentários Eleison nº 734
Por Dom Williamson Número DCCXXXIV (734) – 07 de agosto de 2021 GOVERNOS SEM DEUS - I O Oitavo Mandamento proíbe completamente as mentiras. E com razão, pois elas pulverizam a vida humana. Sem um Deus verdadeiro ou Seu juízo pessoal na hora da morte para temer, o que impede os governantes ou as elites governantes de explorar sua posição privilegiada para seu próprio benefício e não o do povo que governam? Um político moderno não responde a ninguém, exceto à grande mídia. A grande mídia responde a umas poucas pessoas que pertencem a uma raça que deseja dominar o mundo por meio da instalação de sua Nova Ordem Mundial. Mas esta NOM só pode instalar-se secretamente, porque eliminará os últimos vestígios da Cristandade, incluindo todas as liberdades que derivam da mesma Cristandade – não é a liberdade que dá a verdade, por causa do pecado original; é a verdade que dá a liberdade (Jo. VIII, 32), foi a verdade cristã que deu ao Ocidente suas liberdades políticas, e a vida, enquanto a NOM planeja matar bilhões da população mundial (tal como as “vacinas” de covid estão começando a fazer). Portanto, os atuais governantes ímpios do mundo são obrigados a fingir que estão promovendo a vida e a liberdade das pessoas, quando, na realidade, estão preparando a morte e a escravidão delas. É por isso que os políticos são tão mentirosos, especialmente desde a Revolução Francesa em 1789, quando o Ocidente cambaleou para a esquerda, para longe de Deus. Ilustre-se essas grandes acusações com base na vida real recente: as ações do governo de Sua Majestade da Grã-Bretanha. No site de web de um partido nacionalista britânico (patria-uk.org), um patriota britânico escreveu um artigo que apoia a afirmação de D. Viganò publicada nestes “Comentários” na semana passada, a saber, que os povos do mundo devem parar de pensar que seus governos estão governando para o benefício de todos. Muito pelo contrário. Segue um resumo editado da primeira metade do artigo de Dennis Whiting: Atualmente não estamos no comando de nosso próprio país: temos um governo de ocupação que cria sua própria “verdade” e faz girar os acontecimentos de acordo com uma narrativa pré-concebida. Desde o ano 2000, produziram-se várias catástrofes para as quais as explicações oficiais do governo não são credíveis. Especialmente o 11 de setembro, o 7 de julho e, mais recentemente, o envenenamento de Salisbury. As narrativas desses e de eventos semelhantes divulgadas por sucessivos governos e fielmente difundidas pela grande mídia são inconsistentes e incoerentes. Em 2014, em um discurso nas Nações Unidas, o então primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, caracterizou o questionamento das narrativas oficiais por parte dos “teóricos da conspiração” como uma forma de “terrorismo de direita” que precisava ser combatida. Desde o início da covid-19, o governo britânico tem-se dedicado freneticamente a combater as narrativas alternativas, criando órgãos como a Integrity Initiative, e agora ameaça criminalizar qualquer busca séria pela verdade com a Online Harms Bill (lei sobre danos causados online). A Behavioral Insights Team [Equipe de Conhecimento do Comportamento] foi criada em 2010 como um órgão oficial responsável perante o Cabinet Office. Sua função é a gestão psicológica da percepção pública. O SAGE (Scientific Advisory Group for Emergencies [Grupo de Assessoramento Científico para Emergências) é um órgão semelhante criado para assessorar o Cabinet Office, juntamente com seu subgrupo SPI-B (Scientific Pandemic Insights Group on Behaviors [Grupo de Perspectivas Científicas sobre o Comportamento]). Em 2020, o SPI-B declarou que "um número considerável de pessoas ainda não se sente suficientemente ameaçadas pessoalmente [pela Covid-19]" e que "é necessário aumentar o nível de percepção da ameaça pessoal entre aqueles que são complacentes, utilizando mensagens emocionais contundentes”; em outras palavras, deve-se intensificar o medo para garantir que o público em geral aceite a narrativa do governo sobre a COVID-19. Da mesma forma, após o envenenamento misterioso dos Scripals em Salisbury em março de 2018, o governo teve alguma dificuldade em fazer valer a narrativa oficial. Portanto, na reunião do G7 em junho daquele ano, a então primeira-ministra Theresa May anunciou que “os líderes do G7 concordaram em estabelecer um novo Mecanismo de Resposta Rápida”. Isso significava que todas as nações do G7 aceitariam automaticamente a versão de tais eventos fornecida por um de seus membros, e reagiriam da maneira apropriada... Em outras palavras, sete dos principais governos do mundo prometeram unir-se na organização das mentiras! Vejam nestes Comentários da próxima semana o resto do artigo de Whiting. Kyrie eleison
- Comentários Eleison nº 733
Por Dom Williamson Número DCCXXXIII (733) – 31 de julho de 2021 GRANDE RESET? Caros leitores, rezem para que a verdade católica seja proclamada, Por muitos mais Arcebispos do rebanho de Deus. Para o Festival de Filosofia realizado há dois meses em Veneza, o Arcebispo Viganò escreveu mais uma de suas esplêndidas sínteses sobre os acontecimentos modernos, apresentando uma visão verdadeiramente católica, como a que todos os religiosos deveriam ter, mas que pela loucura conciliar a grande maioria deles continuam impedindo-se de fazê-lo. À Igreja, em sua angústia sem precedentes, que se aproxima do fim do mundo (cf. Mt, XXIV), Deus seguramente reservou este Arcebispo como um farol de luz, para continuar a anunciar a plenitude da Verdade de Deus que o resto de seus colegas tem estado sufocando mais ou menos desde o encerramento do miserável Concílio Vaticano II, há mais de meio século. Segue um resumo da carta do Arcebispo sobre "O Grande Reset: a última grande mentira". A falta de “bom senso” nos indivíduos em grande parte tornou possível esse ataque contra Deus, contra a Igreja e contra a raça humana que representa o Grande Reset. A irracionalidade, a abdicação da razão, a aniquilação do juízo crítico e a negação da evidência são os verdadeiros vírus pandêmicos de nosso tempo. Devemos renunciar à premissa reconfortante que nos diz que nossos líderes agem pelo nosso bem. A realidade não é apenas diferente, mas diametralmente oposta ao que nos está sendo dito. Os trabalhadores do Grande Reset consideram que já escravizaram a tal ponto as massas que não precisam temer nenhuma revolta. Essas massas agora acreditam que sua salvação depende de vacinas e, em breve, estenderão as mãos para receber um chip sob a pele. E se a farsa da “pandemia” desaparecer, o próximo engano está pronto: as “mudanças climáticas” imporão a “transição ecológica” e o “desenvolvimento sustentável”. Essas mentiras são a marca registrada dos arquitetos dos vários Grandes Resets dos últimos séculos: a Pseudorreforma Protestante, a Revolução Industrial, a Revolução Francesa, a Revolução Russa, as duas Guerras Mundiais, a Revolução de 1968 e a queda do Muro de Berlim. Dessa longa série de Grandes Resets organizada pela mesma elite de conspiradores, nem mesmo a Igreja Católica conseguiu escapar. Também ela, com o Concílio Vaticano II, viu como se dava uma maior compreensão da liturgia por parte do povo como pretexto para destruir a Missa apostólica, para anular a linguagem sagrada e profanar os ritos. Portanto, esse último Grande Reset pode ser atribuído a todos os outros ataques que no curso da história tentaram anular a obra da Redenção e estabelecer a tirania do Anticristo. O que está acontecendo corresponde a um plano diabólico que ao longo dos séculos perseguiu um único objetivo: A Nova Ordem Mundial. O passo final é o estabelecimento de um governo conjunto no qual o comando é assumido por alguns tiranos sem rosto, eles mesmos entregues à adoração da morte e ao pecado. A realeza de Cristo estava no caminho? O Vaticano II a deslocou para o fim do mundo, deixando a Igreja como vítima do mesmo engano democrático no qual as sociedades civis haviam caído quase dois séculos antes, na Revolução Francesa. Ao reconhecer a legitimidade do erro e das falsas religiões, a Igreja se destronou a si mesma com as próprias mãos, reduzindo-se a ter de implorar pela aprovação dos poderosos senhores deste mundo, a cujas ordens se submeteu. Hoje, cada um de nós tem a possibilidade de escolher alinhar-se com Cristo ou contra Cristo. Entreguem-se a Ele com renovado zelo, para que a Coroa que Seus inimigos lhe arrancaram seja restituída Àquele que é Nosso Rei. Fazei com que Nosso Senhor reine em vossas almas e em todos os âmbitos da vida privada e pública. Somente onde Cristo reina há verdadeira paz e concórdia: a paz de Cristo no reinado de Cristo. Que Deus conceda muitos anos mais a este excepcional Pastor de almas, o Arcebispo Viganò. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 732
Por Dom Williamson Número DCCXXXII (732) – 24 de julho de 2021 A VIDA É PRECIOSA “Quando nasci, não aceitei o Inferno!” Deus te deu tudo que necessitavas para viver bem. “E então o iníquo (o Anticristo) será revelado, e o Senhor Jesus o matará com o sopro de sua boca e o destruirá com sua aparição e sua vinda. A vinda do iníquo pela ação de Satanás será acompanhada de todo tipo de portentos, sinais e prodígios mentirosos, e de todo engano perverso para aqueles que haverão de perder-se, por recusarem-se a amar a verdade e assim ser salvos. Por isso, Deus há de enviar sobre eles uma operação de engano, para fazê-los acreditar no que é falso, para que sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas antes se comprouveram na iniquidade” (II Tes. II, 9-11). Se muitos dos profissionais sérios que estudaram os conteúdos das inoculações relacionadas à covid estão certos, então muitos milhares daquelas pessoas que foram inoculadas já morreram por causa disto. Mas o pior ainda está por vir, dizem eles, porque a inoculação compromete a própria defesa imunológica natural do organismo, de modo que qualquer nova exposição ao vírus pode vir a ser fatal, sobretudo a partir deste outono no hemisfério norte, com a reabertura da temporada de gripe. Resta saber se essa terrível profecia é verdadeira, mas considerando quantos danos em mortes e lesões a chamada "vacina" já causou, a profecia parece bastante possível, se não provável, e, se for verdadeira, então haverá um grande número de pessoas bastante zangadas. Que se enfureçam com todos os propagandistas que mentiram dizendo que a “vacina” era segura e eficaz, políticos, jornalistas, médicos, dentre outros, é uma coisa. O problema é que serão tentadas a culpar a Deus, e se arriscam a recorrer a citações como a anterior para provar seu ponto de vista. Então, na calmaria antes da possível tormenta, olhemos para esta citação que não é a única desse tipo. Então, como pode Deus enviar positivamente o erro e, em segundo lugar, o que Lhe dá direito de impor Sua ideia de “Justiça”? Em primeiro lugar, Deus é a Bondade absoluta, porque Ele é o Ser absoluto, e somente a falta de ser pode ser má. É absolutamente impossível que Deus cause diretamente o mal moral. O que Ele pode fazer é causá-lo indiretamente, ao não dar a graça ou as graças que teriam impedido aquele mal moral de produzir-se. Nesse caso, Ele não está agindo positivamente, mas está abstendo-se de agir, ou agindo negativamente, para permitir que o mal se produza. Ele é totalmente livre para dar ou não dar aquelas graças que teriam evitado o mal, e se as desse sempre, estaria com efeito impedindo os seres humanos de exercerem seu livre arbítrio e merecerem o Céu. Mas um Céu imerecido não poderia ter a qualidade de um Céu merecido, e é por isso que vivemos neste “vale de lágrimas” – Deus nos criou só para o melhor, mesmo que isso exigisse o “dano colateral” de um “vale de lágrimas” no qual a maioria de todas as almas criadas escolheria o Inferno (Mt. VII, 13-14). Em segundo lugar, quem fez com que a “verdade” fosse verdade? Quem fez com que o “falso” fosse falso? E por que o “verdadeiro” é “justo”? E por que o “falso” é “injusto”? Resposta: Deus criou o universo para ser o lar da humanidade como um todo ordenado composto de muitas partes. A ordem de Deus em nosso lar é verdadeira (corresponde à mente de Deus), é bela (os habitantes das cidades modernas continuam saindo delas nos finais de semana para desfrutar das belezas da Natureza/Ordem de Deus) e é boa (essa Ordem é real, está na natureza, não é só um produto da minha imaginação). Portanto, a Ordem de Deus é verdadeira, bela e boa em toda a Sua Criação, e Deus criou minha alma do nada para dar-me um número de anos de vida suficiente para que meu livre arbítrio possa escolher entre reconhecer essa bondade em Sua Criação e amar o Criador e então dar-me a oportunidade de ir para Seu Céu para a bem-aventurança eterna; ou recusar-me a reconhecer a bondade do Criador em e por trás de Sua Criação, e em Sua oferta absolutamente maravilhosa de bem-aventurança eterna em troca de uns poucos anos de minha observação da verdade e da justiça de Sua Ordem. Em suma, a verdade e a retidão não são arbitrárias, mas se baseiam no que é, em minha fé em sua bondade e em minha submissão a ela. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 731
Por Dom Williamson Número DCCXXXI (731) – 17 de julho de 2021 O DEUS PERMANENTE A verdadeira Judá é a Igreja, e Deus lhe dará Um Papa e um Monarca, fazendo-a reviver. O homem está mudando o tempo todo – não há necessidade de demonstrar isto –, ao passo que Deus em si não pode mudar o mínimo que seja. Ele é o próprio Ser (e ainda dizem por aí que Ele não existe!), de modo que tem todo o ser n’Ele, e não há nenhum ser que possa adquirir. Mas se sofresse qualquer mudança, Ele adquiriria algum ser; portanto, Ele não pode mudar. Ora, os Salmos foram todos escritos por Deus, por meio de instrumentos humanos como o Rei Davi, mas em última instância por Deus, de modo que cada Salmo é um pequeno autorretrato do Deus imutável, sempre tão fiel a Ele, apesar de toda confusão dos homens nas épocas seguintes, incluindo a nossa. Vejamos no Salmo 77 (78 na numeração moderna) o que está no centro da confusão da covid, que remonta à primavera do ano passado. Não é complicado. 1–4 O Salmista começa chamando a atenção dos seus ouvintes: para a geração vindoura, ele contará as glórias de Deus no passado, tal como as gerações anteriores as contaram; note-se, eis a Tradição. Perceba-se como hoje a “educação” faz exatamente o contrário, até mesmo proibindo os “educadores” de mencionar o próprio nome de Deus. 5 Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e fixou uma lei em Israel, ordenando aos nossos pais que ensinassem aos seus filhos; 6 para que a geração seguinte os conhecesse, os filhos ainda por nascer, e se levantassem e contassem sobre Ele aos seus filhos, 7 para que pusessem a sua esperança em Deus, e não se esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os Seus Mandamentos; obviamente, a “educação” moderna está querendo excluir Deus. 8 E para que não sejam como seus pais, de uma geração obstinada e rebelde, uma geração cujo coração não era firme, e cujo espírito não era fiel a Deus. Aqui está a essência da nossa geração, em 2021. 9–20 Por exemplo, mesmo depois de todos os milagres pelos quais Deus conduziu os israelitas para fora do Egito e para a Terra Prometida, como água suficiente para todo um povo ser arrancada da rocha seca, ainda havia aqueles que se recusavam a obedecer a Deus, dizendo que Ele nunca poderia alimentá-los no meio do deserto. 21–22 Portanto, quando o Senhor ouviu, encheu-se de ira; um fogo foi aceso contra Jacó, Sua ira aumentou contra Israel; porque eles não tinham fé em Deus e não confiavam em Seu poder salvador. Deus está igualmente zangado com o Ocidente moderno sem fé, porque este confia nos “cientistas” e políticos que mentem, em materialistas que estão cegos, e não n’Ele. A covid é o castigo. 23–29 No entanto, Deus alimentou os israelitas abundantemente com maná. 30 Ainda assim eles pecaram. 31 Novamente Ele os golpeou. 32 Ainda assim, eles não creram. 33 Ele os matou. 34–37 Então eles se voltaram para Ele, mas não de modo sincero. 38-40 Deus, em Sua bondade, recordando a fragilidade dos homens, os perdoou, mas quantas vezes eles O entristeceram no deserto! 41–51 Quantas vezes se esqueceram completamente de tudo o que Ele havia feito no Egito para castigar igualmente egípcios e israelitas. Quantas vezes Deus açoitou a Europa moderna com revoluções e guerras terríveis, e agora com a covid (menos o suposto vírus do que a funesta “vacina”). Ainda assim, as pessoas continuam ignorando-O consideravelmente. 52–58 Por fim, Deus conduziu Seu povo à Terra Prometida, mas mesmo lá ele praticou a idolatria. 59–64 Mais uma vez Deus se enfurece, rechaçando Israel e entregando os israelitas aos seus inimigos covidistas e comunistas hoje. 65–66 Mais uma vez, Deus cede, e, desta vez, dispersa os inimigos dos israelitas. Se ao menos os ocidentais se virassem e voltassem para Deus, tanto os covidistas quanto os comunistas poderiam desaparecer como uma rajada de vento. 67–72 Mas Deus ainda ama especialmente Judá, e lhe deu o grande Rei Davi. Kyrie eleison.
- IX – O Paraíso - O Caminho para lá ir
1 - Mas quem irá para o Paraíso? Qual o caminho que lá conduz? A essa posse feliz irá quem é inocente e limpo de coração: Innocens manibus et mundo corde (Sl 23,4). Irão aqueles que, além de não terem feito mal, tiverem feito o bem: Qui non accepit in vano animam suam (ibid). 2 - O Caminho espinhoso O caminho do Paraíso é cheio de espinhos. Neste mundo é preciso padecer; mas ouvi o que diz S. Paulo: “Os padecimentos do tempo presente não têm proporção com a glória vindoura que em nós se manifestará: Non sunt condignae passiones huius temporis ad futuram gloriam quae revelabitur in nobis” (Rom 8,18). As duas coroas - Santa Catarina de Sena (+ 1380) amiúde tinha visões. Certa vez lhe apareceu Jesus Cristo trazendo na mão duas coroas, uma de ouro e a outra de espinhos; e lhe disse: “Escolhe uma destas coroas; mas fica sabendo que se queres nesta vida a de ouro, terás depois os espinhos na outra vida; no entanto, se preferires os espinhos nesta terra, terás a coroa de ouro na eternidade”. A santa escolheu logo a coroa de espinhos. *** Quem quer apenas gozar neste mundo padecerá no outro, como aconteceu ao rico epulão. No entanto, quem sofrer com paciência e resignação aqui, terá lá alegrias celestiais, como aconteceu ao pobre Lázaro. Aliás, os padecimentos por aqui são breves, e a recompensa lá em cima é imensa: Merces vestra copiosa est in coelis (Mt 5,12). Conclusão Queridos filhos, quereis ficar sem a felicidade do Paraíso, que Jesus Redentor nosso nos mereceu, derramando o Seu sangue? Mantende para lá os olhos! Lá é a nossa pátria... o nosso Reino... Nossa moradia não é aqui! Buscamos a futura: Futuruam inquirimos (Hebr 13,4). A Mãe dos Macabeus – Lê-se na Sagrada Escritura (2 Mac 7) que o rei Antíoco fez trucidar muitos hebreus em Jerusalém. Havia naquele tempo uma boa mãe que tinha sete filhos, os quais temiam e amavam a Deus. O tirano queria que esses bons filhos desobedecessem às leis de Moisés e ofendessem a Deus; porém, eles não. E ouviam a mãe que lhes dizia: - Sêde fieis a Deus e não temais a morte! Foram, então, martirizados do modo mais cruel. O tirano mandou arrancar-lhes os cabelos, cortar-lhes as mãos e a língua; fê-los queimar em fogo lento... Nesse tormento morreram seis filhos ante os olhos da mãe. Restava o último, o menor e o mais amável garotinho. O impiedoso algoz, voltado então para aquela mãe, lhe disse: - Tem compaixão desse teu filho. Se fizeres com que ele me obedeça, restitui-lo-ei salvo; senão, desabafarei sobre ele e depois sobre ti todo o meu furor. Aí a mãe toma nos braços o filhinho, banha-o de lágrimas e lhe diz alto: - Caro filho, olha o Paraíso que te receberá dentro em pouco: Peto, nate, ut aspicias ad coelum (2 Mac 7, 28); teus irmãos estão lá a te esperar; fica firme em teu propósito, e terás a coroa da glória! O filho sofreu o martírio, e a mãe também, de preferência a renunciar ao Paraíso. *** Meus filhos, que dizeis? Que pensais agora? Não se trata absolutamente de passar entre as espadas e o fogo para ir ao Paraíso: o Senhor quer muito menos! Basta fugir dos pecados; viver sempre no santo temor de Deus, frear as paixões... praticar as virtudes... Pensai, pois, bem nisso! Os olhos no Céu! E resolvei ganhar a todo custo o Paraíso! (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Melhores Relações?
Publicado por Gustavo Corção n’O Globo em 07-03-1974 UM LEITOR me pergunta por carta se eu nutro esperanças "do reatamento do diálogo entre o Estado e a Igreja no novo governo". Em primeiro lugar peço ao leitor o obséquio de colocar a questão em termos mais compreensíveis. Diálogo, por exemplo, é um termo que não emprego nem aceito nesse sentido inculcado anos atrás pelas esquerdas para significar tolerância, adesão e até submissão às correntes comunistas. Com esse vocábulo mágico, nos anos 60, transformavam-se na PUC e na FNF mocinhas egressas de colégios católicos em terroristas. Ou também engravidavam-se as ditas mocinhas. QUALQUER resistência oposta ao sedutor, disto ou daquilo, desencadeava a fórmula fulmínea: então você não é do diálogo! E a pobrezinha, apavorada de tal excomunhão, rendia-se. TOMEI nojo ao vocábulo, outrora límpido e belo, e só o empregarei para designar os de Platão ou semelhantes. Certamente o amigo quer me perguntar se espero "melhores relações" ou "menos atritos" ou "maior entendimento" entre o novo governo e os eclesiásticos que nos últimos anos tantas vezes perturbaram a ordem pública a favor de uma caricatura de "justiça social" que hoje só pode ser engolida pelos tolos irremediavelmente tolos. POSTA a pergunta nesses termos, posso ainda simplificá-la a bem da clareza: terei eu esperanças de melhor comportamento cívico da CNBB e dos eclesiásticos desordeiros por conta própria? MESMO sem ser profeta nem adivinho, esboço o meu temor: não acredito no progresso ou no amadurecimento da maioria episcopal que fala a língua das esquerdas e pensa que pensa pelo pensamento delas. Não vejo possibilidade de emenda onde não se vê o mais débil sinal de contrição ou atrição. Eles estão satisfeitos e felizes. Depois de terem engolido a idéia central: que a Igreja deve acompanhar as andanças do "mundo" para não ficar atrasada; depois de terem achado luminosas as "aberturas" para as ruas nos momentos e lugares de maior perversão; depois de terem acreditado que a razão está em aqueles que vinte anos atrás eram inimigos da Igreja; depois de um novo credo descobrem entusiasmados que estão aqui, como "Igreja", para agradar aos homens até o desprezo de Deus... AS PESSOAS que fazem essas sucessivas descobertas deveriam, decentemente, aliviar-nos de suas presenças nos lugares católicos. Deveriam ser mais sinceras. Enganam-nos elas tão deslavadamente? Ou enganam-se primeiro a si mesmos para depois nos enganarem? Não sei. A profissão de fé que fazem de mil modos todos os dias, sem incluir a singela declaração "não sou católico", é todavia equivalente. Se eu disser que um Tal não é católico não me acusem de juízo temerário. Longe de mim essa pretensão de sondar os rins e o coração. Direi que Dom Tal tantas e tantas vezes declarou aos quatro-ventos suas ideias não-católicas que, vencido e fatigado, me inclino dizendo: — Acredito, acredito... * * * VEJAM a idéia genial escolhida este ano para a Campanha da Fraternidade, cuja fraternidade cada ano me parece menos clara. Inventaram uma frase, uma interrogação que foi feita a Caim depois do fratricídio (Gen. IV,9). CADA piedosa senhora que entrar na Igreja para cumprir o preceito ou nutrir sua devoção, esbarrará naquele colérico cartaz, como se todos os presentes suspeitassem que ela acabava de apunhalar seu irmão. Aliás seja dito, de passagem, que essa acentuação da idéia de fraternidade tornou-se suspeita. Em si mesma, não há idéia mais cristã desde que colocada no seu honrosíssimo terceiro lugar. Permita-me aqui o leitor dois dedos de teologia, e voltemos sempre a Santo Tomás para honrarmos assim o ano de seu centenário. Na IIª llae qu. 26 a.4 Santo Tomás arma e resolve o problema da hierarquia na Caridade. Sabemos que o amor de si mesmo é geralmente visto com suspeição, como se sempre fosse o mau egoísmo. A doutrina dos dois amores que está no cerne da moral cristã ensina-nos que há um bom amor de si mesmo, e um mau amor de si mesmo. E para surpresa de muitos despreparados em doutrina cristã, Santo Tomás responde afirmativamente à pergunta da questão acima: "Deve amar-se a si mesmo mais do que ao próximo?" Depois das opiniões hesitantes ou erradas ergue-se o sed contra com a autoridade do Evangelho e já com o resumo do argumento de Santo Tomás: "Sed contra em Mat. XXII, 39, lê-se: "Tu amarás teu próprio como a ti mesmo." Por onde se vê - diz Santo Tomás - que o amor-de-si-mesmo é como um modelo do amor do próximo. Ora, o exemplar é superior à imitação. Logo, o homem deve amar-se a si mesmo mais do que ao próximo." NO RESPONDEO, Santo Tomás desenvolve a doutrina dos dois amores a que atrás aludimos, e coloca a hierarquia da Caridade nestes termos: "Deus, o próprio eu, o próximo." Para ajudar aqueles que se escandalizarem com essa ordem lembro simplesmente o seguinte: em nosso juiz particular, simbolizado na balança de São Miguel, Deus nos pedirá contas do que fizemos com o próximo, com os de casa, com os filhos etc., mas antes de tudo pedirá contas do que fizemos nós com o nosso primeiro próximo, isto é, o que fizemos nós de nós mesmos e dos "talentos" recebidos. * * * QUERENDO ser mais realista do que o rei, os revolucionários da perversa e degradante Revolução Francesa ousaram inscrever o doce nome da Fraternidade entre os outros de sua divisa. Curiosa "fraternidade" que começava por matar Deus, o Pai do Céu, e por guilhotinar o Rei! REAPARECE o termo em todas as turbulências democráticas que começam pelo meurtre du Père. E agora, na "brave new Church" vimos, desde os primeiros dias da balbúrdia dos anos 60 mais de um jovem padre, transformado em conferencista e eventualmente em mágico pela nova posição do altar voltado para o povo, dizer esta monstruosidade: "O cristianismo consiste essencialmente no amor do próximo." Ouvi isto com estes ouvidos que a terra há de comer; como também, num domingo, ouvi o jovem sombrio e mal encarado que oficiava, dizer ISTO: - O cristianismo é essencialmente o amor do próximo... só! POR onde se vê que essa suspeitíssima fraternidade é, mais uma vez, o disfarce da "morte de Deus". SÓ AGORA vejo que não respondi cabalmente à pergunta do meu leitor. Sábado voltarei ao assunto se Deus quiser.
- Um caminho já percorrido - Nota sobre o Motu Proprio Traditionis Custodes
Por S. Exc. Rev. D. Tomás de Aquino Três papas, no passado recente, legislaram canonicamente sobre a Santa Missa através de um Motu Proprio: S.S. João Paulo II, S.S. Bento XVI e S.S. Francisco. Os três pontífices exaltaram a Nova Missa. João Paulo II exigiu que se aceitasse a Missa Nova para se ter o direito de rezar a Missa de Sempre. Bento XVI deu à Missa Nova o título de "Rito Ordinário" e exigiu que os padres a rezassem ao menos no Triduum Paschale. Francisco exige daqueles que se beneficiam do Motu Proprio que não excluam a validade e a legitimidade da reforma litúrgica, bem como as doutrinas emanadas do Concílio Vaticano II e o magistério dos papas conciliares. Todos esses três Motu Proprios tem em comum a aceitação da nova religião. Todos aqueles que estão ligados a Roma através de algum acordo sentem agora o peso da mão do Soberano Pontífice que os força a aceitar essa nova religião. Mais uma vez se vê a posição certeira de Dom Marcel Lefebvre, que nunca fez uso de um Motu Proprio para legitimar sua ação, mas conservou a Missa de Sempre porque ela é a Missa da Tradição, Missa que São Pio V canonizou, dando a todo padre o direito de rezá-la para sempre, de forma inderrogável. Que Maria Santíssima, que venceu todas as heresias, nos faça seguir o caminho traçado por D. Lefebvre e D. Castro Mayer, apressando o esperado triunfo da Igreja, que nos virá justamente pela intercessão d'Aquela que é a Medianeira de todas as graças.
- IX - O Paraíso - Os Bens do Paraíso
Um eremita e a vista do Céu – Dois nobres cavaleiros, indo à caça, toparam um eremita que numa mísera cabana levava vida bem penitente. Aí o interrogaram: - Como podeis estar aqui? Não sentis a melancolia e os incômodos...? Retrucou o eremita: - Oh! Sim! Sinto-os. Mas quando sofro e estou melancólico, vou àquela janelinha (e apontava a janelinha da cabana), e imediatamente me reconforto e me rejubilo. Um dos cavaleiros foi à janelinha, a fim de ver o que havia lá fora. Depois disse ao eremita: - Meu caro, eu não vejo nada, e vós, o que vedes? E o que é que, visto por vós, tanto vos consola? Disse o eremita: - Como? Não vedes o Céu? É este o meu grande conforto nas penas: a vista do Céu. *** Queridos filhos, esta terra é para todos um lugar de penas; é um vale de lágrimas. Aqui não há senão desconfortos, dores, enfermidades, desgraças. Vós também, embora pequenos, tendes os vossos padecimentos no corpo e na alma. Não é assim? Pois bem, façamos também como aquele eremita: pensemos no Céu. Aí teremos motivo de nos rejubilar. I – Os bens do Paraíso a) Não se pode descrever – Que podereis dizer do Paraíso? Uma curiosa amostra – Hiérocles, escritor grego, conta que um sujeito tinha um belíssimo palácio que pretendia vender. A fim de fazer propaganda do tal palácio, tirou de uma parede dele um tijolo, e andava girando a mostrá-lo ao povo, dizendo: “Quem quer comprar a minha casa? É belíssima! Eis aqui uma pedra como amostra!”. O povo só fazia rir, e exclamava: “Esse homem está doido! Pode-se ter ideia de uma casa, vendo dela só um tijolo?” *** Eu também pareceria esse homem se vos quisesse descrever as alegrias do Paraíso; pois tudo o que os mais doutos disseram do Reino do Céu, ainda é menos do que essa pedra do palácio, para fazer compreendê-lo. “Pretender descrever o Paraíso (diz o Pe. Segneri Jr.) seria o mesmo que tomar na mão um carvão e querer pintar uma bela luz”. Por isso S. Paulo, que foi arrebatado ao terceiro Céu, disse: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, nem penetrou no coração dos homens o que Deus tem preparado para os que o amam (1 Cor 2,9). Os santos que experimentaram um pouquinho dele nesta terra, quando queriam falar nisso diziam apenas: “Paraíso! Paraíso!”. E aqui terminavam num doce pranto e ficando em êxtase. *** Assim, quando as criaturas querem vingar-se sobre o pecador e destruí-lo, Deus misericordioso lhes diz: “Não! Deixai-o viver ainda; poupai-o, para que possa converter-se: Nolo mortem impii, sed ut convertatur et vivat”. (Ez 33,11). b) O que podemos saber dele Uma resposta de S. Agostinho – Um dia uma boa menina que agora é santa (e era filha de Santa Paula), escreveu uma carta a S. Agostinho, pedindo-lhe que lhe dissesse alguma coisa dos gozos do Paraíso. E o santo Doutor respondeu com estas palavras: “A alma no Paraíso gozará da isenção de todos os males, da posse de todos os bens e da visão beatífica de Deus”. Eis tudo: muito em pouco. Três coisas, portanto: Nenhum mal, todos os bens e a vista de Deus. c) Nenhum mal e todos os bens O sonho de um menino – Um menino sonhou que o Senhor havia tirado do mundo todos os males. Por conseguinte, não mais enfermidades, não mais desgraças, nem dores, nem afãs: pois todos os viventes eram sadios, ricos, alegres, contentes. Oh! Que belo mundo! Que felicidade! Além disso, parecia-lhe que na terra havia toda espécie de bens: jardins deliciosos, belíssimas plantas, flores perfumosas, ervas delicadas, dulcíssimos frutos... Depois uma eterna primavera sem igual: nada de gelo, nem de sol ardente, nem de chuva, nem de ventos; depois palácios de mármores finíssimos e dourados, com todas as comodidades... E ele era dono de tudo! Depois comidas esquisitas... e todos os divertimentos. E que lhe parecia que o Senhor dissesse: Aqui não falta nada: queres jantares? Ei-los prontos; queres músicas? Ei-las prontas. Queres teatros, espetáculos, torneios? Queres caçadas, cavalos, automóveis, criados...? Mas ai de mim! O menino acordou e se encontrou em suas misérias como dantes! *** Direis: Mas isso era o Paraíso? Será assim o que teremos no outro mundo? Pobrezinhos! Eu vos lamento! O Paraíso da outra vida é coisa muito diferente! O que sonhou o menino é um paraíso material e terrestre. No entanto, o Paraíso que Deus preparou para os bons é bem mais belo, mais esplêndido, mais delicioso. É tal que nossa mente de modo algum o pode imaginar. • Lá, nenhum mal – Neste mundo sofreis, chorais, sois infelizes... Lá, no entanto, serão enxutas as lágrimas dos beatos, não haverá mais morte, nem luto, nem clamores, nem sofrimentos (Apc 21,4). Termina para sempre toda aflição. • Lá, todos os bens – São Fulgêncio e as belezas de Roma – Achando-se S. Fulgêncio em Roma por ocasião de grandes festas, ao ver aquela cidade toda iluminada e resplandente, aqueles magníficos palácios, aqueles monumentos e toda aquela grandeza, pensou logo no Paraíso, e voltando para seu companheiro, disse: “Olha que magnificência! Oh! Como deve ser bela a Jerusalém celeste! Se neste mundo se concede tanta honra e deleite aos homens que amam a vaidade, qual será a honra, a glória e a paz dos Santos que no Paraíso contemplem a verdade?” (Massini). O profeto Isaías chama a celeste Jerusalém cidade rica, cidade de festas e de importantíssimas solenidades. “Teus olhos verão Jerusalém, mansão de abundâncias (Is 33,20). *** Que maravilha! Que admiração! Que encantamento para as vossas almas, se entrardes naquela mansão! Que júbilo para vós, ver virem ao vosso encontro os cidadãos do Céu! Os vossos parentes... os amigos... ver os Anjos e os Santos vossos protetores, os quais vos dirão: “Agora não sois mais, como fostes, hóspedes e peregrinos na terra; mas sois nossos concidadãos, e da família de Deus (Ef 2, 19). Maior será vossa alegria diante do trono de Maria Santíssima, a nossa advogada, a nossa Mãe. Ver Nossa Senhora...! E dizer-lhe: se estamos no Paraíso, é por vossa causa, ó querida Mãe, que me guardastes e me preservastes do pecado. Ver Nossa Senhora e ouvi-La falar...! E ser por Ela abraçados e acariciados...! Já não é isso um Paraíso de imensa alegria?! d) A vista e a posse de Deus Mas o que levará ao auge a felicidade dos justos no Paraíso será ver Deus, a Augusta Trindade; poder fixar os olhos na Humanidade santíssima de Jesus Cristo Salvador. Que raios de luz sairão daquele rosto divino! Lê-se de Santa Teresa que uma vez ela viu em espírito, por um instante e de passagem, a Humanidade santíssima de Jesus. Ficou ela nesse momento tão extasiada, que daí por diante o próprio sol lhe parecia pálido, e as mais belas pessoas lhe pareciam esqueletos disformes e pavorosos. No Paraíso veremos Deus, justamente como Ele é: Videbimus eum sicuti est (1 Jo 3,2). Ver Deus, centro de todos os bens... fonte de beatitude... abismo de luz inacessível! Será isso que constituirá o verdadeiro Paraíso. Oh! Que torrentes de alegria, de contentamento, empolgarão os justos! (Sl 25,8). No Paraíso veremos Deus, amá-Lo-emos e possui-Lo-emos para sempre, exclamava S. Agostinho. No Paraíso seremos felizes pela própria felicidade de Deus; seremos ricos pelas próprias riquezas de Deus; gozaremos das mesmas alegrias de Deus. E não teremos mais medo de perder essa felicidade: ela não deixará de existir! Durará eternamente! Neste mundo nunca estamos certos de que uma bela coisa dure mesmo por pouco tempo. Hoje se é rico, e amanhã se pode estar pobre; hoje se está sadio e amanhã se pode estar doente ou morto. Não é assim? Mas lá no Paraíso, sempre felicidade, sempre doçuras! Lá, sempre com os Santos, com Maria Santíssima, com Jesus! Sempre! Sempre! Ó Paraíso, como és belo! Como és desejável! (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- VIII – A Misericórdia de Deus - Deus acolhe os pecadores
I – A volta (Deus acolhe os pecadores) Reportemo-nos agora com o pensamento ao Filho pródigo que lá deixamos sob o carvalho. Que dizia a si mesmo aquele miserável? – Quantos criados em casa de meu pai lá passam bem, têm pão abundante, têm delícias... e eu aqui morto de fome! Mas, então, continuarei nesta vida infeliz? E se eu voltasse para o meu pai...? Por que não? Ele é tão bom! Conheço-lhe bem o coração. Mas que lhe direi? Jogar-me-ei aos seus pés... e dir-lhe-ei: Pai, perdão! Pequei contra o céu e contra vós; não sou mais digno de ser chamado vosso filho; tende-me ao menos como o ultimo de vossos criados. Surgam, et ibo ad patrem meum (Lc 15,18). E se levanta: lá deixa o rebanho de animais, e, através dos bosques, vai em busca da estrada real, e anda, anda... II – Entretanto seu pai não tinha paz com a perda do filho; e todo dia ia ao terraço da casa e levava longe o olhar, sem o ver nunca de volta. Um dia eis que ele enxerga vir um jovem com roupas rasgadas, pálido e contrafeito, que caminha com dificuldade. Aí sente bater o coração... Olha bem, e diz: “Aquele é o meu filho”. E desce depressa a escada e corre ao seu encontro. O filho se põe de joelhos a seus pés, e chorando gostaria de dizer as palavras que já havia pensado: “Pai, perdão! Pequei...” Mas seu pai não lhas deixa dizer; lança-lhe os braços ao pescoço e beija-o. depois o introduz em casa e grita aos servos: “Depressa, trazei a roupa mais bonita e ponde-a nele; ponde-lhe também o anel no dedo e os sapatos nos pés; matai o vitelo mais gordo, e convidai os parentes e amigos... E faça-se um alegre banquete; pois esse meu filho estava morto e ressuscitou; estava perdido e foi achado”. E se deu um lauto jantar, com grande alegria dos convidados. III – Vedes que bom pai foi esse, para com um filho tão malvado? Achais um semelhante nesta terra? Não. Pois bem, Jesus Cristo, que contou esta parábola do Filho pródigo, diz que um pai semelhante nós todos temos no céu. Esse pai é Deus. Ele acolhe amavelmente todo pecador que se converte; perdoa-lhe todos os pecados, como os esquece para sempre: Peccatorum tuorum non recordabor (Is 43,25); e reveste-o de sua graça. Depois convida todos os Anjos e Santos do Céu a festejar. Escutai as palavras de Jesus Cristo: “Eu vos digo que se fará uma grande festa no Céu por um pecador que volta à penitência (Lc 15,7). Ah! Sim! O Senhor é bom e infinita é sua misericórdia. Conclusão Ora, queridos filhos, haverá alguém dentre vós que duvide do perdão do bom Deus? Ouvi como ele fala: “Convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque ele é benigno e misericordioso” (Jl 2,13). Madalena, a pecadora – Recordai-vos de Madalena. Era uma mulher tão impura, que na cidade tinha o apelido de pecadora: Mulier, quae erat in civitate peccatrix (Lc 7,37). E, no entanto, quando ela se converteu e lamentou os seus pecados aos pés de Jesus Cristo, como se tornou cara ao Senhor! Com rosto sereno Ele ergueu a mão para abençoá-la, e lhe disse com grande doçura: “Todos os teus pecados te são perdoados: vai em paz: Remittuntur tibi peccata...: vade in pace” (Lc 48,50). Santa Margarida de Cortona – Ela foi também grande pecadora; e, no entanto, foi por Deus perdoada; não só isso: mas após a sua conversão, Jesus lhe quis tanto bem, que amiúde lhe aparecia e lhe dizia com carinho: “Margarida, tu és a minha pecadora; servir-me-ei de ti para trazer à penitências outros pecadores”. *** Vós também sereis queridos do Senhor se voltardes arrependidos ao seu seio amorável. Lançai-vos, pois, aos pés desse bom Pai que vos abre os braços, e dizei-lhe com o coração humilde e contrito: “Pai, eu pequei! Sei que não sou digno de ser chamado vosso filho, pelas múltiplas ofensas graves que vos fiz. Mas Vós sois tão bom e misericordioso...! não me rejeiteis, pois, mas acolhei-me e perdoai-me! E, então, eu cantarei eternamente as vossas misericórdias: Misericordias Domini in aeternum cantabo (Sl 88,2). (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- O Reformismo e a Fé
Publicado por Gustavo Corção n’O Globo em 27-04-1974 NO ARTIGO de quinta-feira, a propósito de mais uma fantasia litúrgica, deixei escapar um grito de susto e de medo: — Eles não têm mais Fé; e têm raiva de quem ainda a guarda. Dirão que exagerei a correlação entre a irrequietação do reformismo e a defesa da Fé. Mas hoje, passados três dias, volto à preocupação e começo pelo começo. TODOS NÓS sabemos que a Fé divina guardada, defendida e servida pela Igreja católica é um dom gratuito de Deus, tornado na alma humana uma virtude teologal infusa, uma qualidade sobrenatural, graças à qual temos uma nova pupila para ver as coisas do mundo sob nova iluminação, e para desde já entrever a Glória de Deus. Esse dom nos é dado por Deus da plenitude de graças do Cristo. Mais precisamente: é da usina de nossa salvação, a Cruz, que procede a energia salvífica que nos leva de volta à casa do Pai. NÓS MESMOS não nos salvamos, não nos erguemos por nossas forças, mas temos o triste privilégio de podermos perder, desdenhar, não defender, não resguardar o tesouro resgatado com o Sangue de nosso Salvador. Não apenas por estes ou aqueles pecados em que caímos, mas principalmente pela atmosfera de pequenos descuidos, ou pela soma enorme de pequenos descasos com que cercamos nossa Fé. TODO ESSE reformismo trepidante que quer ser eficiente e só consegue ser profundamente desrespeitoso produz na alma um triste desengano: ora, se é assim ao rés do chão mais pisado e enlameado que queremos trazer a herança de cristo, se é em linguagem "popular" que devemos falar a nosso Rei, se os hierarcas encarregados do condicionamento do depósito nos anunciam que durante vinte séculos os santos se enganaram de tom, a alma ferida começa a sangrar, e nessa hemorragia começa a diminuição da fé que salva e santifica. Quando ao silêncio sagrado se prefere a bulha, quando à língua da tradição e do mistério se prefere a língua popular e quando à permanência do costume, das palavras, dos gestos se prefere o tolo moto-perpétuo do cão que corre atrás do próprio rabo, pode-se, sem receio de exagero, gritar que são os próprios pastores que abrem aos lobos as portas do redil... E NÃO é isto que temos agressivamente diante dos olhos em cada notícia dessa geração de almas inquietas e carnais, que saboreiam o arruído, a confusão, a comunidade no desprezo da palavra de Deus em favor do alarido humano? TOMEMOS como especial exemplo os mistérios da Fé que nos eram trazidos na liturgia da Santa Missa; e entre esses tomemos com especial amor a Fé na presença real de Nosso Senhor no pão e no vinho transubstanciados. No momento em que o padre pronuncia as palavras consagratórias todas as almas cristãs presentes deveriam ter dessa presença uma consciência, não digo necessariamente um "sentimento" mas a consciência intensa de uma situação única, incomparável, em que o incompreensível, o bizarro, o mysterium iniquitatis consiste na tranquila desatenção, na aplicada naturalidade com que fitamos aquela hóstia onde pela fé (isto é, pelas gotas do Sangue aplicadas em nosso resgate) sabemos que estão ali, na sombra das espécies, coisas tão exímias. Está ali Ele mesmo, meu Jesus! — está ali seu corpo, está seu sangue, a caminhar dia a dia conosco, com a mesma sede de almas — "sítio!" — até o fim do mundo. JÁ NOS encheram de estupor e indignação os pruridos doutrinários que nos vieram de Roma, mais de Carthago do que de Roma, mais do Cavalo de Tróia do que da Igreja. Refiro-me às modificações feitas no Ordo Missae, em espetáculos oferecidos aos risonhos heréticos de Taizé, para celebrar esta parte da autodemolição. Nesse trabalho dirigido por um Aníbal que galgou os Alpes e invadiu Roma, vimos a Missa virada de pernas para o ar, e em lugar da idéia da presença real eucarística proposta à Fé dos fiéis, vimos um jogo de espelhos e palavras excessivas, impróprias e descabidas a apresentarem a idéia de três presenças diferentes: a chamada presença espiritual apoiada no texto de Mateus XVIII, 20: "Onde dois ou três em meu nome estão reunidos, aí estou EU no meio deles". A OUTRA presença é aquela trazida pelo diálogo estabelecido entre o fiel que crê com fé divina na presença eucarística e o outro que dest'arte se prende na crença escatológica. "Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a Vossa vinda". Quando os comentadores se admiraram, os reformistas não conseguiam compreender a impropriedade de tais passagens; desde que todas se referiam à presença do Senhor, parecia-lhes que todas se somavam e se ajudavam. Ora, para quem sabe alguma coisa da arte de dizer, salta aos olhos a evidência contrária: no trecho da missa em que se situa a consagração que realiza a mais relevante e misteriosa presença, a eucaristia, todas as regras da arte de bem transmitir mandam concentrar nela com omissão de qualquer outra, a idéia de presença de Nosso Senhor. Há, assim, na passagem de Mateus que se refere à presença espiritual uma impertinência desastrosa para o vigor da Fé. As pessoas habituam-se a diluir em vários aspectos a idéia de presença de Jesus, e só isto deixa em lugar de um sentido austeramente católico, um outro sentido para todos os gostos. ESPERO QUE o meu leitor compreenda a delicadeza de todas as cercaduras psicológicas do momento central da Missa, e compreenda que não se deve expor a pensar habitualmente e negligentemente errado em matéria tão grave. A RESPOSTA escatológica à interpelação eucarística não é menos diluidora da Fé, nem menos nociva. Nas outras coisas, tom de voz, gestos, posição do corpo, podem também se insinuar usos vulgares, relaxamentos, descuidos que vêm todos dizer, no fundo de cada coração, que é vã a nossa Fé. Tudo murmura que fomos enganados e que somos as mais desgraçadas criaturas. E os leiloeiros dessa velharia asiática nos incitam à gritaria popular: é a última chance do cristianismo.









