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- Novena aos Santos Anjos, por São João Bosco - Dia 03
TERCEIRA CONSIDERAÇÃO Benefícios quotidianos dos Anjos da Guarda O jovem Tobias viajando em companhia de seu Anjo foi uma perfeita imagem de todos nós que também caminhamos acompanhados pelo nosso. Havia porém nele uma diferença: Tobias via-O sem saber que era um anjo, ao passo que nós, ao contrário, sabemos quem é mas não O vemos. De família pobre e com o pai cego, Tobias teve de empreender uma longa e perigosa viagem, sendo ainda jovem e inexperiente no conhecimento dos caminhos. E então? Apenas tinha ele posto os pés fora de casa quando encontrou-se com um belíssimo jovem (o Anjo Rafael) que, vestido para viagem, ofereceu-se gentilmente como companheiro e guia. Assim também nosso Anjo, desde que aparecemos neste mundo, põe-se junto a nós, ao nosso lado, nunca nos abandonando ao longo de todo o caminho de nossa vida. E quem pode contar de quantos perigos não nos livrou nosso amoroso Guarda, e de quantos bens não nos fez Ele participar? Bem sabemos a quantos perigos estamos expostos em nossa infância, quantas são as vicissitudes de nossa juventude e durante todo o decurso de nossa vida, ora por doenças, ora por viagens, ora por problemas difíceis ou por encontros nocivos, ou ainda por casos adversos e inesperados. Todos recordamos quão amiúde nos vimos livres, de maneira providencial e quase milagrosa, de tais perigos. Lê-se de uma pessoa que, sentindo-se inspirada a sair de casa, esta desabou mal ela tinha saído; outra afastou-se de um lugar e logo entendeu que havia assim escapado de um incêndio; outra ainda, ao modificar seu itinerário, evitara uns assassinos ; mais outra, por ter-se deixado ficar em casa, livrara-se de catástrofes ou de emboscadas. E a que se deve tudo isto senão à vigilância amorosa de nosso Anjo, que sem cessar vela atentamente sobre nós? Assim verifica-se bem claramente o dito do Real Profeta segundo o qual o Anjo do Senhor nos livra dos perigos: "Um Anjo do Senhor postar-se-á em volta daqueles que O temem, e os libertará" (Salmo 33, 8). Ele está junto de nós, diz Santo Ambrósio, e caminha à nossa frente para que nada nos possa causar dano. Cada um de nós pode dizer com Tobias que, apesar de tantos riscos já corridos, acha-se agora são e salvo graças ao seu bom Anjo da Guarda. Tobias, com efeito, recuperou rapidamente a avultada soma que lhe era devida, e após ter atribuído o fato à bondade do devedor, logo percebeu ter sido graças à bondade do Anjo que ele encontrara o melhor modo de cobrar a quantia. Ele imputou a uma feliz obra do acaso o fato de ter-se casado segundo a lei e o dever com uma mulher de sua condição, tão honesta quanto abastada, mas deu-se conta de pois de que isto também era um favor do Anjo. Tomou por revés o ter corrido o risco de ser devorado por um enorme peixe, mas percebeu ter sido isto ainda um benefício de seu Anjo, que serviu-se do peixe para pôr em fuga um demônio e para devolver a vista ao seu pai que era cego. Assim, nesta série de acontecimentos que pareciam fortuitos, a gratidão do jovem reconheceu a ação constante e benfazeja de seu Anjo, e prorrompeu com esta exclamação: "Por Ele fomos cumulados de todos os bens" (Tobias 12, 3). "Oh, que excelente cuidado têm os Anjos para conosco", exclama comovido Santo Agostinho, "quão afetuosa é esta vigilância com que eles nos assistem a todo momento, em todas as circunstâncias e onde quer que estejamos!" Meu Anjo da Guarda, quanto é verdade que tivestes também para comigo semelhante conduta de amor! Basta uma olhadela sobre os anos que passaram, sobre os acontecimentos, para que meu coração logo me diga que foi por vossa causa que fui preservado dos males a que escapei. O mesmo deve ser dito dos bens de que aproveitei. Reconheço que tudo o que sou e o que tenho, meus bens e meus dias, tudo foi-me dado por Vós. PRÁTICA Todo sucesso obtido e todo risco evitado, reconhecei-o como fruto da intercessão, das luzes e da assistência do Santo Anjo. Por isso dirigi-lhe vossas orações de manhã e de noite, e especialmente ao empreender alguma viagem ou ao sair de casa; rezai de todo o coração em tempo de dúvidas e angústias, suplicando-lhe que vos bendiga e vos livre de toda desgraça. EXEMPLO Um acontecimento ocorrido há pouco confirma de modo maravilhoso que os Anjos da Guarda nos dispensam todos os dias grandes favores. Em 31 de Agosto de 1844, sendo necessário que uma pessoa fizesse uma viagem para resolver um assunto, foi-lhe sugerido que se recomendasse ao seu Anjo da Guarda para o sucesso da empresa, o que foi feito com gosto tanto pela pessoa em questão quanto pelos seus acompanhantes, ficando assim colocada em mãos angélicas todo o propósito da viagem. Tendo já o veículo que os levava feito longo trecho do caminho, de repente desatam os cavalos em desembestada carreira e galopam tão desenfreados que nem sequer sentem as puxadas nas rédeas para fazê-los parar. Entre gritos de pavor o carro choca-se num monte de pedras, vira-se de lado, derruba quantos vão dentro e avaria-se gravemente. Tendo a portinhola saltado fora, correm todos grande risco de serem esmagados, enquanto os cavalos continuam o endiabrado galope. Não esperando outro socorro senão o de seu Anjo da Guarda, um dos passageiros grita com o que lhe resta de voz: "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador..." Foi o bastante para salvá-los todos. Imediatamente acalmam-se os animais e os passageiros tranquilizam-se como podem. Estupefatos, olham-se uns para os outros e constatam que nenhum deles sofrera o menor dano, o que os faz exclamarem: "Bendito seja Deus e o Anjo da Guarda que nos salvaram!" E tendo retomado o caminho, chegaram com sucesso ao destino. Eis confirmada com este fato a verdade que Deus nos ensina pela Sagrada Escritura, segundo a qual o Senhor nos deu um anjo que nos serve de protetor e guarda em todos os nossos caminhos: "O Senhor enviou seus anjos para que te guardassem em todos os teus caminhos" (Salmo 90, 11).
- X – A Confissão - Readquire-se a graça
2 – Readquire-se a graça É a liberdade dos filhos de Deus, rompendo-se as cadeias que mantinham a alma escrava do demônio. O pássaro preso à linha – S. Anselmo, arcebispo de Cantuária, topou um garoto que trazia um pássaro preso a uma comprida linha, e se divertia a deixá-lo voar um pouco para depois o puxar a si. E a brincadeira durava. Não podendo S. Anselmo suportar o tormento do pobre pássaro, chegou-se ao menino e cortou a linha; assim ficou livre o prisioneiro. O garoto se foi a choramingar; mas o santo muito alegre disse aos que estavam presentes: - Vistes! Dei a liberdade a um pobre prisioneiro. Ora, sabei que quando tendes em cima de vós os pecados também sois prisioneiros... e em poder do demônio que vos mantém presos com as cadeias. Mas quando vos confessais, tais cadeias são cortadas por aquelas palavras que diz o sacerdote ao vos dar a absolvição. Eis o grande benefício da confissão. 3- É perdoada a pena eterna Imaginai um homem condenado à morte por crimes. Esse homem apresenta uma súplica ao rei para ser agraciado; e o rei cancela a sentença de morte. Que graça! Não é verdade? Também o pecado acarreta a pena da morte eterna, isto é, da eterna danação: e se alguém morre com pecado mortal vai direto para o inferno. Ora, a confissão é a súplica que obtém de Deus a graça de livrar do inferno e de ainda merecer o Paraíso. 4 – Readquire-se os méritos perdidos Imaginai um navio carregado de tesouros. Numa borrasca esse navio naufraga, e os tesouros vão todos para o fundo do mar. Quem os vai depois pescar? Ficam perdidos! Assim, quando alguém peca gravemente, perde todos os méritos que pode ter adquirido em muitos anos. Vede, porém, que milagre opera a confissão: faz recuperar todos os méritos que o pecado havia feito perder. 5 – Readquire-se a paz do coração Com o pecado na alma, ninguém pode gozar da paz: só tem remorsos e pavor. Mas quando é absolvido no sacramento da confissão, então sim, se sente contente e goza da verdadeira paz! O pecado é um espinho no coração: se o pecador se confessa, arranca o espinho e se sente bem. O pecado é um veneno que intoxica a alma: quando o pecador se confessa, põe fora o veneno e se sente livre. *** Estas são as principais vantagens da confissão; sem falar em muitas outras graças espirituais e noutras vantagens temporais que acarreta esse sacramento. Conclusão Quem não gostaria agora de aproveitar-se de tão grande benefício de Deus, fazendo uma boa confissão? Imaginai que um anjo fosse às portas do inferno e falasse assim aos danados: - Míseros danados, o Senhor manda-me dizer-vos que Ele concede uma hora de prazo a quem dentre vós se quer confessar. Que aconteceria? Todos os condenados certamente sairiam, a fim de fazer uma boa confissão. E depois? Sobre a porte do inferno poder-se-ia escrever: “Casa a alugar”: porque os que estão lá dentro iriam todos salvos para o Paraíso. Agora, pois, que ninguém dentre vós ache dificuldade em confessar-se bem nestes Exercícios. Uma boa confissão será para vós o início de uma vida santa e abrir-vos-á o Céu. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Novena aos Santos Anjos, por São João Bosco - Dia 02
SEGUNDA CONSIDERAÇÃO Os Santos Anjos nos amam por amor de Jesus e de Maria A primeira medida do amor que os Anjos da Guarda têm por nós lhes é dada pelo próprio amor de Jesus, e é com o Divino Coração, tão terno e ardente por nós, que eles aprendem a nos amar. Jesus me ama? Então tenho a certeza de que meu Anjo também me ama muito, pois Jesus muito me amou. «Os Anjos nos amam por que Cristo nos amou»¹, diz São Bernardo. Além disso, os Anjos têm sempre presente a vontade expressa do Pai celeste, que quer que todos eles à porfia se apliquem a prestar homenagens a seu dileto Unigênito feito homem. O que não farão eles, pois, pelo Homem-Deus ? Pois bem, eis o que Jesus lhes ordena: serem protetores das almas que Ele mesmo redimiu, fazendo-os ver em suas cicatrizes quanto Lhe custou uma só alma, esta pérola preciosa pela muito queridas filhas de suas chagas e destinadas a um dia fazerem parte da família deste excelso Pai, que é também Pai dos Anjos. Mas o angélico amor cresce ainda mais por causa do amor que eles têm por Maria, sua augusta Rainha. Santa Brígida diz que, tendo Deus dado aos Anjos, assim que começaram a existir, o conhecimento da grandeza da Mãe do Verbo Divino, ficaram eles desde então por Ela incendidos de um amor tão vivo, tão puro, tão reverente que mais se comprazem em poder um dia servi-La do que em serem eles mesmos as principais e mais perfeitas criaturas da onipotência divina. Chegada a plenitude dos tempos, eles se ocuparam com santa emulação em servi-La durante sua vida e elevaram-na em seguida ao Céu em solene triunfo, onde A veneram em seu trono ao lado de seu Filho. Rodeiam-na sem cessar com sua homenagens e felicitam-se por terem sido por Ela escolhidos como dispensadores amantíssimos das ternuras que sua solicitude tem para com nossa pobreza. E Maria, ao expedi-los em nossa defesa e guarda, lhes diz "São os meus filhos que Deus me deu" (Gen. 48, 5). Estas almas que confio a vosso cuidado são minhas filhas, que possuo pela solene doação que o próprio Jesus me fez do alto da cruz na pessoa de São João. Delas sou mãe e rainha, e vô-las confio. Se ao reflexo deste amor os corações dos apóstolos inflamavam-se a ponto de não recuarem ante os esforços, as privações, as torturas e até mesmo a morte mais cruel, contanto que fosse para o bem das almas, que ardor por mim não suscitará o amor angélico do meu Anjo da Guarda, que inflama-se ao receber os raios de amor do Coração de Maria? Ah ! Meu querido Anjo, não posso entender o amor que tendes por mim, porque tampouco posso entender vosso amor por Jesus e Maria, e entendo ainda menos o amor que têm Estes por mim. Uma só coisa me é clara, que sou culpado de ter tão mal correspondido até agora. Oh! Anjo meu, tão afetuoso protetor de minha alma, que ao espelhar-Vos continuamente nos corações de Jesus e de Maria, deles obtendes novas flamas de amor divino, fazei que doravante meu coração não pense senão em Vos amar, a Jesus meu Redentor e a Maria minha mãe amantíssima. PRÁTICA Ao ir à igreja, especialmente durante a celebração da Santa Missa, convidai vosso Anjo da Guarda a adorar convosco Jesus sacramentado, e quando não puderdes ir, pedi-Lhe que o faça em vosso nome. Fazei o propósito de cumprimentar Maria Santíssima com a recitação do Angelus, saudação muito agradável à Virgem e aos Anjos, através da qual pode-se ganhar indulgências. EXEMPLO A vida da beata Maria Crucificada manifesta-nos concretamente o que foi exposto na presente consideração. Esta grande serva de Deus, guiada e confortada por seu Anjo da Guarda, chegou rapidamente a tão alto grau de perfeição que sempre exclamava com São Paulo o desejo de separar-se do corpo para unir-se a Jesus, seu celeste esposo : «Desejo morrer e estar com Cristo» (Filipenses 1, 23). Num êxtase, viu uma multidão de anjos, onde parte queria conduzi-la ao Paraíso, como ela ardentemente desejava, ao passo que outros anjos ainda a queriam em vida para merecer uma coroa ainda mais preciosa no céu. Então apareceu Maria Santíssima e, tendo proferido uma só palavra, todos os anjos uniram-se a Ela cantando unânimes: Gloria in excelsis Deo. Maria Crucificada viveu ainda alguns anos, até que aqueles anjos que na terra haviam-na assistido com sumo cuidado, acompanharam festivamente sua alma ao céu, honrando também o corpo e o sepulcro da falecida com muito alegres melodias, ouvidas por várias pessoas. ------ 1 - São Bernardo, Sermões, 1º Sermão sobre São Miguel, nº 3.
- Comentários Eleison nº 740
Por Dom Williamson Número DCCXL (740) – 18 de setembro de 2021 O BALIDO DOS CORDEIROS O Arcebispo Lefebvre estava certo: os lobos ocupam Roma, O que faz dela qualquer coisa que não o lar dos verdadeiros católicos. No final do mês passado, em Courtalain, na França, quinze superiores de comunidades católicas tradicionais, mas em situação regular com Roma, emitiram uma declaração conjunta em antecipação ao seu encontro com o Papa Francisco alguns dias depois, por causa de seu razoável temor de perder sua estimada situação regular com Roma. Pois, com efeito, em 16 de julho, o Papa Francisco havia publicado seu Motu Proprio Traditionis Custodes, afirmando, com toda a sua aparente autoridade que era hora de pôr fim ao uso do rito Tradicional da Missa na Igreja. Por acaso teriam sido convocados por Roma no início de setembro para que vissem rompida sua situação regular com ela? Depois de proibir tão duramente a Missa em latim, seria totalmente lógico que proibisse as Comunidades que fazem uso dessa Missa. E assim, alguns dias antes de seu encontro com o Papa, eles se reuniram para considerar o perigo, e, no final de sua reunião, emitiram uma Declaração conjunta de sua posição, sobre a qual o melhor comentário vem de um fabulista de 2.600 anos atrás. Segue abaixo um breve resumo de sua Declaração. Os 15 Superiores que assinamos abaixo desejamos antes de tudo enfatizar nosso amor à Igreja e nossa fidelidade ao Papa. Mas desde sua recente condenação da Missa em latim, estamos sentindo-nos suspeitos, marginalizados e desterrados. Longe de pretender representar, como tradicionalistas que somos, sermos a verdadeira Igreja, dependemos do Papa de Roma e dos Bispos diocesanos para nossa salvação e nossa fé. Nós nos submetemos lealmente à sua Autoridade e aos seus ensinamentos, incluindo os do Vaticano II e das reformas que advieram dele. Rogamos que nos perdoe se algum espírito de partidarismo ou orgulho tiver surgido entre nós. Pedimos um diálogo humano e pessoal e confiante, no qual possamos contar nossa triste história, especialmente quando, firmes nas promessas de Roma, construímos nossas Comunidades. Acima de tudo, esperamos que nos seja concedido um diálogo verdadeiramente humano e misericordioso. Contribuímos para a diversidade dessa liturgia que está no coração da Igreja. E não é o próprio Papa Francisco quem diz que devemos ir ao encontro de todas as almas, para ajudar cada uma delas a encontrar seu próprio modo de pertencer à Mãe Igreja? E aqui está a fábula de Esopo (620-564 a.C.), chamada "O Lobo e o Cordeiro": Certa manhã, um cordeiro perdido estava bebendo água na margem de um riacho na floresta. Naquele momento, um lobo faminto passava pelo riacho, procurando algo para comer, e logo pôs seus olhos no cordeiro. Como regra, o senhor lobo abocanhava esses deliciosos petiscos sem pestanejar, mas aquele cordeiro parecia tão indefeso e inocente que o lobo sentiu que deveria ter algum tipo de desculpa para tirar-lhe a vida. "Como se atreve a passar por meu riacho e remexer toda a lama?", gritou ferozmente. "Mereces ser punido severamente por tua imprudência!". “Mas, alteza”, respondeu o trêmulo cordeiro, “não te zangues! Não posso estar turvando a água que tu bebes mais acima. Lembra-te, tu estás rio acima, e eu rio abaixo". "Deixas tudo lamacento, de qualquer modo!" retrucou o Lobo ferozmente. "E, além disso, ouvi dizer que tu mentiste sobre mim no ano passado!". "Mas como eu poderia tê-lo feito", replicou o Cordeiro, "se eu nasci este ano?". "Se não foste tu, foi o teu irmão!" "Eu não tenho irmãos." “Bem, então”, rosnou o Lobo, “era alguém de tua família de qualquer maneira. Mas não importa quem seja, não pretendo perder o meu café da manhã". E sem mais palavras, o Lobo agarrou o pobre Cordeiro e carregou-o para a floresta. Kyrie eleison.
- Novena aos Santos Anjos, por São João Bosco - Dia 01
João Melchior Bosco nasceu aos 16 de Agosto de 1815 em Becchi, um lugarejo da cidade de Castel Nuovo d'Asti (hoje Castel Nuovo Bosco, no Piemonte, Itália), e foi batizado no mesmo dia. Órfão de pai aos dois anos de idade, foi educado por sua mãe que, apesar da pobreza, esforçou-se com muito discernimento e piedade a fim de que os defeitos da criança não impedissem que os dons naturais se transformassem em verdadeiras virtudes. Em 1835, João Bosco entrou no seminário de Chieri, na diocese de Turim, e em 5 de Junho de 1841, quando ordenado padre, passou a se chamar Dom Bosco. Aconselhado pelo futuro São José Cafasso (1811-1860), do qual já era íntimo, passou três anos no Convictório Eclesiástico de Turim para aperfeiçoar sua formação sacerdotal. Familiarizou-se então com as obras de Santo Afonso de Ligório (1696 1787), a cuja doutrina seria fiel pelo resto da vida. Há muito o animava o zelo apostólico. Vários sonhos, cujas relações foram às vezes escritas por ele mesmo, contribuíram para esclarecer sua vocação: evangelizar os adolescentes pobres e abandonados. Desde seu primeiro ano de sacerdócio, começa a reunir jovens operários no intuito de catequizá-los e distraí-los. Sua obra não tarda a chamar-se Oratório de São Francisco de Sales, título que manifesta em Dom Bosco as influências de São Filipe Neri (1515-1594), fundador do Oratório, e do santo bispo de Genebra e Annecy (1567-1622). Crescendo o número de meninos, novas necessidades aparecem, às quais Dom Bosco obriga-se a remediar: cria sucessivamente aulas noturnas (1844), uma oficina de aprendizes (1847), uma escola secundária (1848), colônias de férias (1848) e cursos profissionalizantes (1853). No bairro do Valdocco, em Turim, onde ele se instala definitiva mente em 1846, Dom Bosco funda, pouco a pouco, um centro extremamente importante. Mas seu zelo ultrapassa Turim. Escreve para os jovens os livros História da Igreja para uso das escolas (1845) e História Sagrada para uso das escolas (1847), um manual de vida cristã intitulado A juventude cristã instruída sobre seus deveres (1847) assim como uma História da Itália contada à juventude (1855) entre outros, que se espalham por todos os lados. Dom Bosco começou sua obra literária em 1844 com uma edificante biografia de Luís Comollo (1818-1839), um condiscípulo de seminário, seguida de outras, mais íntimas à família salesiana: a de São Domingos Sávio (1842-1857), em 1859, e a de Miguel Magone (1845-1859), em 1861. Estas últimas obras eram editadas numa coleção de brochuras periódicas chamada Leituras Católicas, fundada em 1853 para o povo simples da cidade e do campo, surpresos pela onda anticlerical que se alastrava pelos Estados sardos depois de 1848. A sociedade fundada por Dom Bosco ganha corpo a partir de 1859. Desenvolvendo-se rapidamente, ela passa as fronteiras do Piemonte, sai da Itália e alcança outros países como a França e a Argentina. Seus membros são habitualmente chamados salesianos e recebem oficialmente a aprovação de Roma no dia 1º de Março de 1869, tornando-se membros de uma congregação de votos simples. Paralelamente a esta congregação masculina, Dom Bosco, levado pelas circunstâncias, também funda, em 1872, uma congregação de religiosas dedicadas à educação das moças, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. Não tardou tampouco a ser fundada uma Ordem Terceira, a Pia União dos Cooperadores Salesianos, reconhecida por Pio IX em 1876. Pouco a pouco a reputação do santo sacerdote alcança Roma e toda a Itália. Pio IX tinha-o em grande estima devido a seu senso diplomático, sua sabedoria e prudência; parece ter recorrido a seus serviços para a solução do problema das dioceses italianas vacantes. Durante os últimos anos de sua vida, Dom Bosco esteve na França e na Espanha para fazer coletas. Paris e Barcelona reservaram-lhe verdadeiros triunfos. Decerto aclamava-se em sua pessoa o apóstolo da juventude operária, porém mais ainda o taumaturgo: anúncios do futuro, visões inexplicáveis, curas e sonhos instrutivos eram correntes em sua vida. A posteridade o admira sobretudo como Educador. Sua pedagogia aparece mais em sua maneira de ser e em suas diretrizes ocasionais do que em seus escritos didáticos, rápidos e incompletos. O tratado sobre o método preventivo em educação (1876) exemplifica esta idéia. Sua pedagogia é deliberadamente fundada na caridade cristã e leva em grande consideração a instrução religiosa e a vida sacramental dos jovens. Dom Bosco pensa que uma educação sem amor é sempre imperfeita e que a religião deve sempre acompanhar a razão na obra de formação. Seu falecimento ocorre em 31 de Janeiro de 1888. Sua causa de beatificação foi introduzida em 23 de Julho de 1907 e em 2 de Junho de 1929 Pio XI o beatificou. Foi canonizado pelo mesmo papa, no dia 1º de Abril de 1934 e em 17 de Janeiro de 1958, Pio XII declarou-o padroeiro celeste dos aprendizes. Sua festa é celebrada no dia 31 de Janeiro. Foi com sua mãe Margarida que Dom Bosco aprendeu a conhecer e a amar os anjos, especialmente seu Anjo da Guarda, cuja preciosa companhia foi-lhe muitas vezes sensível durante a vida. Não é de se espantar, portanto, que uma de suas primeiras publicações tenha sido um convite à devoção ao nosso Anjo. Trata-se essencialmente de uma novena preparatória à festa dos Santos Anjos, incluindo, para cada dia, uma meditação, uma breve prática e um exemplo. Para coroar a novena, uma décima consideração é consagrada ao dia da festa. A presente tradução oferece aos leitores de língua portuguesa a possibilidade de familiarizarem-se com este opúsculo de Dom Bosco. Introdução Uma prova da excelência do homem é certamente o fato dele ter um Anjo da Guarda. Deus, uma vez criados o céu, a terra e todas as coisas que existem no céu e na terra, deixou todas essas criaturas seguirem por si mesmas o curso de suas leis naturais, segundo a disposição ordinária da providência que as conserva. Não é essa no entanto a situação do homem. Depois de tê-lo dotado de nobres faculdades, tanto espirituais quanto corporais, e lhe tendo legado o domínio sobre todas as demais criaturas, quis Deus que ele fosse assistido por um espírito celeste, que dele tomasse conta desde o primeiro instante de sua existência no mundo, olhando por ele noite e dia, acompanhando-o em suas viagens, defendendo-o de todos os perigos tanto da alma quanto do corpo, aconselhando-o sobre os males a evitar e sobre o bem a fazer. Grande é a dignidade do homem, grande a bondade de Deus, à qual temos o imperioso dever de corresponder. Portanto, com o intuito de animar os fiéis a terem uma viva devoção a estes bem-aventurados espíritos que, pela inefável Providência de Deus nos foram destinados como custódios, os Sumos Pontífices concederam muitas indulgências às orações que os honram e também às associações instituídas em honra deles. Além disso, de modo a avivar ainda mais a gratidão e a confiança que devemos a estes celestes benfeitores, redigiu-se o presente opúsculo, no qual se expõem, em forma de novena, os mais vigorosos e ternos motivos que devem nos levar a protegermo-nos sob seu santo patrocínio. Ajunta-se ao final uma décima consideração com uma cantiga espiritual que se pode cantar no dia da festa correspondente. Feliz será aquele que, meditando sobre o grande mérito do seu Anjo, prestar-lhe as homenagens que se sugerem nestas páginas, tornando-se para sempre seu devoto. Assim terá consigo um indubitável indício de sua salvação eterna, visto que os teólogos e mestres de espiritualidade, apoiando-se nas autoridades da Divina Escritura e dos Santos Padres, reconhecem ser um dos sinais de predestinação a terna e constante devoção aos Santos Anjos Tutelares. Que o Senhor bendiga estas páginas e todos os que as lerem. Primeira Consideração (Primeiro dia) A bondade de Deus ao nos destinar os Santos Anjos da Guarda Nosso Pai Celeste manifesta para conosco uma grande e incompreensível bondade ao dar-nos um anjo como custódio. E esta divina bondade é a que nos quer filhos, dignos filhos de tão grande Pai. Por isso, ao criar-nos, imprimiu Ele em nós sua imagem e semelhança, nomeando-nos herdeiros de todos os bens paternos que se encontram nas alturas do céu. E assim como aos filhos de um grande rei é designado um educador de grande caráter, que os instrui e inspira-lhes sentimentos principescos e grandes, assim também nos é reservado por Deus, desde nosso nascimento, um de seus Altos Ministros celestes que nos preste os mesmos serviços. Quer Ele, com efeito, que um Anjo nos tome nos braços desde o primeiro instante em que aparecemos neste mundo: "Eles te levarão em suas mãos" (Salmo 90, 12). Ele deve constantemente, por vontade de Deus, tomar-nos sob sua guarda e defesa, infundindo-nos o primeiro leite da piedade e da virtude. Segundo a expressão dos Santos Padres, nosso bom Deus quer que durante toda nossa vida um Anjo seja verdadeiramente educador e guia de cada um de nós, como se fôssemos seres menores de idade que Deus educa neste mundo para depois elevá-los ao trono e coroá-los. "Como são amáveis Vossos desígnios sobre mim, ó meu Deus", exclama São Bernardo, "nos quais descubro Vossa paterna bondade para comigo e a meu favor. Vejo-Vos, Deus meu, a velar com solicitude sobre mim e ocupar-Vos continuamente comigo. E com que cuidados Vos mostrais, com quais desvelos! Vossa bondade é tal que ao me prometerdes o céu já empregais em meu favor tudo quanto lá se encontra. Tendes no céu Vosso Filho Unigênito e O enviais para que morra por mim. Tendes lá Vosso amor consubstancial, o Espírito Santo, e eis que O fazeis descer sobre mim em profusão. Tendes ainda os Vossos Anjos e os mandais de lá de cima para que me assistam e me guardem. Enviais em serviço estes bem aventurados espíritos. Vós os encarregais de guardar-me. Vós os escolheis para fazer deles nossos preceptores e guias." Bondade admirável de Deus quanto à obra de minha salvação! Se sou débil, tenho comigo um sustento firme e invicto; se sou pobre, tenho um provedor rico e generoso; se estou infeliz, tenho comigo um Anjo transbordante da mais plena felicidade. Se além disso sou frio para com Deus, tenho comigo alguém que é um incêndio de caridade; se me vejo carregado de culpas, comigo tenho quem pode aplacar a indignação de Deus. Oh, quanta verdade há na famosa afirmação de Tertuliano, que diz ser nossa salvação algo como a grande preocupação de Deus! Ah, quão pouco compreendemos o preço de nossa alma! Oh meu Deus! Fico estupefato diante de tanta bondade para comigo, e ao mesmo tempo pasmo com o fato de ter vivido até agora com tanta ingratidão. E Vós, meu amantíssimo Anjo da Guarda, não permitais que eu continue assim tão ingrato e tão pouco reconhecido. Descerrai meus olhos, enternecei meu coração, fazei que eu corresponda ao meu Deus e que corresponda também a Vós, a ambos conservando a minha alma, que com tanto afeto guardais para que um dia ela possa, com vosso júbilo, ser coroada de glória no paraíso. PRÁTICA Cada dia, ao menos pela manhã e à noite, ao rezar a oração Santo Anjo do Senhor tenha a intenção de agradecer a Deus pela bondade que teve para conosco ao dar-nos tão excelso príncipes como custódios. EXEMPLO Esta bondade de Deus em ter-nos destinado um Anjo como custódio é confirmada na prática pela vida da beata Joana da Cruz. Esta menina, ainda criança, foi agraciada com o dom da presença visível de seu Anjo da Guarda, que lhe serviu de mestre durante toda a infância. Uma vez adulta, e sempre guiada pelo mesmo mestre, abraçou a vida religiosa, e tendo-se tornado superiora do mosteiro, sempre resolveu maravilhosamente os mais espinhosos problemas. Cada vez que surgia algum inconveniente na comunidade, seu Anjo da Guarda era quem lhe sugeria o melhor modo de corrigir os defeitos alheios, e desta maneira tornou-se ela uma grande santa. Por meio de seu Anjo soube também em que dia haveria de morrer, e na data indicada apareceu-lhe o Anjo com aspecto muito alegre para acompanhá-la e conduzi-la à posse dos bens celestes. (O devoto do Anjo da Guarda, por São João Bosco [Edições Trifolium, Avrillè, 2012])
- X – A Confissão - As vantagens
Eu não gostaria, porém, que viésseis forçados a esse Sacramento. A ele vos devem atrair as suas vantagens. São grandes! Escutai. 1 – Ficam destruídos os pecados Que quer dizer? Para compreender isso, é mister compreender bem que mal é o pecado numa alma. Diz o Profeta Jeremias: “Sabe e vê que má e dolorosa coisa é teres abandonado o Senhor teu Deus: Scito, et vide, quia malum et amarum est reliquisse te Dominum Deus tuum” (Jer 2, 19). Como era a alma antes? E como ficou depois do pecado? O rei Nabucodonosor e sua transformação – Lê-se na Sagrada Escritura (Dan 4) que o rei Nabucodonosor tinha cometido muitas iniquidades e pelo Senhor foi punido deste modo. Um dia passeava ele pelo palácio de Babilônia e dizia com sua soberba: “Não é esta a grande Babilônia que edifiquei com o meu poderio e com o esplendor de minha glória?”. Mal acabou de dizer isso, uma voz vinda do Céu lhe disse: “Ó rei Nabucodonosor, o teu reino não será mais teu. Serás expulso do meio dos homens e habitarás com os animais e com as feras”. E imediatamente se cumpriu esta palavra. O rei, privado de seu reino, foi expulso para as selvas, onde comia feno com os bois e onde lhe cresceram os cabelos e as unhas, de sorte que parecia um animal. E nesse estado viveu sete anos; depois do que, tendo-se convertido, foi reposto no trono (Dan 4, 28-31). *** Eis o que acontece espiritualmente a quem se rebelou contra Deus com o pecado: fica como aquele rei infeliz, e é comparado aos jumentos e aos animais que não têm raciocínio (Sl 48,12). Mas quando se arrepende e confessa, todos os seus pecados são cancelados, como se nunca os houvesse praticado. Resta apenas a obrigação da satisfação. E se fossem muitos e gravíssimos os pecados? Seriam todos cancelados? Sim, todos. Imaginai, pois, um homem de cem anos, que em sua vida não tivesse feito outra coisa senão contínuos pecados; que também tivesse feito sempre confissões e comunhões sacrílegas. Que enormidades teria ele em sua consciência! Pois bem, se fizesse uma boa confissão, todas essas enormidades estariam canceladas. Escutai o que diz o Senhor pela boca de Isaías: “Se os vossos pecados forem como o carmesim, ficarão brancos como a neve: Si fuerint peccata vestra ut coccinum, quase nix dealbabuntur” (Is 1,18). Pecados escritos e desaparecidos – Apresentou-se a Santo Antônio de Pádua um grande pecador, para confessar-se. Mas estava tão confuso que não podia falar, e só dava soluços. Disse o santo: - Vai, escreve os teus pecados e depois volta. O penitente assim fez. Lia depois ao santo os seus pecados, como os havia escrito. Assim que terminou a confissão, viu ele que do papel desaparecera o escrito e restava a folha em branco. O Senhor fez esse milagre para consolar aquele pecador e mostrar-lhe que o Sacramento da penitência destrói qualquer pecado. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Comentários Eleison nº 739
Por Dom Williamson Número DCCXXXIX (739) – 11 de setembro de 2021 FALA UM HOMEM DO DINHEIRO Chega uma avalanche de mentiras quando a Deus se despreza. A covid dita as regras – não deveria ser nenhuma surpresa. Doug Casey é um investidor muito bem-sucedido nos EUA, com muitos anos de experiência em fazer dinheiro. Ele não só tem conhecimento em finanças, o que mantém seus pés no chão, mas também certa cultura integral que deve a uma formação em humanidades. Naquilo que ele escreve, apenas menciona a religião, mas combina o melhor realismo dos homens de dinheiro com um conhecimento da natureza humana. Ele não é de forma nenhuma infalível, mas suas visões do mundo são interessantes. Aqui está uma delas, adaptada e resumida, do último dia 7 de julho, intitulada “Por que a maioria das pessoas confia sua forma de pensar aos ‘especialistas?’”. Graças à Internet e à tecnologia moderna, as pessoas agora têm fácil acesso a uma grande quantidade de informações sobre quase todos os assuntos, embora pareçam ter menos pensamento crítico do que nunca. Isto se dá certamente porque a tecnologia, como a Internet, é intrinsecamente mecânica e inteiramente previsível, ao passo que os seres humanos não são máquinas, mas seres espirituais com livre arbítrio, não previsíveis, mas que requerem sabedoria para o manejo deste. Para esse livre-arbítrio, a tecnologia é totalmente alheia, mas enquanto a sabedoria requer um pensamento pessoal que pode envolver um esforço doloroso, as soluções do Google são tão fáceis quanto instantâneas. É por isso que, se pensar por mim mesmo custa muito esforço, posso muito bem recorrer ao meu computador não humano em busca de uma resposta. Mas, no lugar de uma sabedoria que peneire, um computador pode oferecer-me apenas uma massa de informações não peneiradas, momento em que, trate-se de uma questão de finanças, economia, política ou muitos outros âmbitos, me vejo obrigado a recorrer a "especialistas" que me digam o que devo pensar. No entanto, a maioria dos especialistas hoje tem somente uma formação técnica estreita, e não a ampla educação humana de ontem. Então, em vez da visão de pássaro de um filósofo sobre o meu problema, encontro a visão de minhoca de um técnico. E quanto cada vez mais os dados necessários para dirigir uma sociedade atual se tornam técnicos e complicados, cada vez menos pessoas se tornam filósofos, no verdadeiro sentido da palavra, e cada vez mais se tornam inúteis as credenciais das “universidades” modernas. Um “diploma universitário” muitas vezes significa, nos tempos de hoje, simplesmente assumir na juventude uma dívida que mal pagarei pelo resto de meus dias, em troca de nada melhor do que uma camuflagem de minha mediocridade. Em busca de soluções genuínas, posso então recorrer às celebridades, porque presumo que as pessoas famosas sabem alguma coisa, mas embora sejam bonitas e se apresentem bem, na realidade sabem pouco ou nada. Voltemos à fabricação de “especialistas”. O contrassenso da covid não fez mais do que acelerar essas tendências. Em meio à histeria, a maioria das pessoas acreditava como robôs nos “especialistas em saúde”, e atacava os sábios que utilizavam suas mentes para trazer informações e dados lógicos que desafiavam a narrativa estabelecida. Assim, a grande mídia e o “establishment” selecionaram um conjunto de especialistas em saúde com credenciais, promoveram-nos e disseram ao público que eles sabiam do que estavam falando, como, por exemplo, o Anthony Fauci, que agora foi elevado do nada ao controle quase ditatorial. Pelo contrário, as pessoas que escreveram vários artigos revisados por pares e fizeram um trabalho de laboratório sério não contam de forma nenhuma, porque discordam do Czar Fauci. Assim, "especialistas em saúde" agora estão entre nossos governantes, porque dizer às pessoas que elas vão morrer, que seus entes queridos estão em perigo, é uma poderosa motivação para levá-las a fazer o que se lhes diz. Tudo isso está levando a um estado policial com muitos tentáculos. As pessoas que dirigem o Estado têm o controle sobre a circulação do dinheiro, a economia, o sistema educacional, os meios de comunicação e o sistema médico. Os mesmos governantes têm há muito castrado a verdadeira religião. Estão substituindo-a por versões atualizadas do marxismo (que sempre foi uma religião secular, embora se afirmasse “científica”), como o Greenismo e o Wokeismo (ambos, religiões substitutas). Nossos governantes montaram uma guerra em muitas frentes: eles culparão a covid pelo colapso da economia e, à medida que a depressão se alargue, eles também culparão o aquecimento global. A covid e o aquecimento global são duas mentiras cósmicas projetadas para evitar a culpa pelo caos que se aproxima e para estabelecer a tirania mundial dos globalistas. E aí já eram os “especialistas”! Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 738
Por Dom Williamson Número DCCXXXVIII (738) – 4 de setembro de 2021 CASTIGO MISERICORDIOSO? Grande Deus, por favor, permita que eu sempre compreenda, Que o absurdo da covid vem diretamente de vossas mãos. (Não que Vós causeis o mal, mas permitis, Que os homens maus o escolham por aqui.) Estes “Comentários” frequentemente fazem referência a um Castigo iminente, inclusive a uma “chuva de fogo”, que um Deus irado infligirá sobre uma humanidade pecadora. No entanto, os católicos sempre aprenderam da Igreja sobre a extrema misericórdia de Deus Todo-Poderoso, a suprema misericórdia do Sagrado Coração de Jesus. Veja-se, por exemplo, as maravilhosas revelações de Sua misericórdia feitas à Irmã Josefa Menéndez em um convento francês na década de 1920, e descritas em seu livro “O Caminho do Amor Divino”. Diga ao mundo, disse Nosso Senhor à Irmã, que desejo perdoar qualquer pecado que qualquer pessoa tenha cometido, se tão só voltar-se para mim com confiança na minha misericórdia. A certa altura, ela achou Sua misericórdia tão extrema, que Ele teve de dizer a ela: “Sim, Irmã, escreva o que acabo de dizer, escreva!” A pergunta que então talvez surja é: como pode um Deus tão misericordioso pensar em infligir à humanidade uma “chuva de fogo” como aquela sobre a qual Nossa Senhora nos alertou em Akita, no Japão, em 1973? Para os católicos liberais que perderam as rédeas das grandes verdades de sua Fé, o problema é insolúvel. Para eles, se Deus existe, Ele é um velhinho doce (perdão, divino Senhor!) que jamais poderia castigar ninguém por nada, de modo que, se o Inferno existe, ele está virtualmente vazio, exceto talvez para Caim e Judas Iscariotes (e Adolf Hitler). Por outro lado, para os católicos que ainda valorizam seu catecismo de bolso com suas verdades antigas, a solução é óbvia – que eu viva de acordo com essas verdades antigas, e verei por que é totalmente normal que um Deus misericordioso castigue os homens pecadores, inclusive severamente. Por exemplo, Deus existe, e d’Ele procedemos todos os seres humanos, por meio de Sua criação individual de nossas almas espirituais que dão vida a nossos corpos materiais; e para Ele estamos destinados a ir ao morrermos, para Seu glorioso Céu, por termos crido n’Ele, amado, servido e obedecido a Ele durante nossa breve vida na terra. Isso tampouco é irracional ou injusto de Sua parte, dada a variedade de dons que Ele derrama sobre nós durante nossa breve vida. Assim, imediatamente depois da morte começa a vida eterna, que durará para sempre no Céu ou no Inferno, dependendo do uso que tivermos feito de Seus dons. Portanto, se amamos a Deus aqui embaixo, desfrutaremos de bem-aventurança eterna com Ele em Seu céu. Se desafiamos a Deus aqui embaixo, suportamos a tortura eterna sem Ele, no Inferno que Ele criou para os pecadores obstinados e os anjos caídos (Mt. XXV, 41). De qualquer maneira, no Céu ou no Inferno, a próxima vida depois da morte para cada homem que viveu dura para todo o sempre. Portanto, a vida do homem na terra, mesmo que dure 80 ou 100 anos, é tão breve quanto um sopro de vento, enquanto sua vida depois da morte é tão eterna, de certa forma, quanto o próprio Deus. Então, em que vida é mais importante ser feliz? Na próxima vida, evidentemente. Não rezava Agostinho: “Senhor, castiga-me o quanto quiseres nesta vida, contanto que não tenhas de castigar-me na próxima!”? O problema é que, por culpa de Adão e Eva desde o princípio da raça humana, as tentações nesta vida de desafiar a Deus, especialmente as do orgulho e da sensualidade, podem ser tão tentadoras que os homens escolhem com mais facilidade o caminho para o Inferno do que o caminho para o Céu (Mt. VII, 13-14). Então, o que Deus precisa fazer para ajudar os homens, não obstante, a escolher o Céu, como Seu amor deseja que todos eles façam, sem exceção (I Tim. II, 4)? Ele tem o poder de obrigá-los todos a escolher o Seu caminho, mas isso destruiria todo o propósito de criá-los, porque então o Seu Céu estaria preenchido, na verdade, com robôs. Assim, o que Deus prefere fazer é dar a conhecer à consciência natural de todos os homens Seus Dez Mandamentos, e, se os homens continuam a tocar no fruto proibido, castigá-los de uma forma ou de outra para que voltem a escolher o Céu. Mas será que os castigos mais pesados desta vida podem ser comparados às torturas do Inferno eterno? Nem de longe! Então, quão cruéis são de fato os castigos mais cruéis nesta vida, se só me ajudam a manter-me no caminho certo para desfrutar da vida eterna? Se eu escolho suportá-los da maneira certa, entendendo que provêm do amor de Deus, então eles absolutamente não serão essencialmente cruéis. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 737
Por Dom Williamson Número DCCXXXVII (737) – 28 de agosto de 2021 A SABEDORIA DE LEFEBVRE – II Senhor, eu creio, mas dai-me crer mais. O mundo inteiro que me rodeia pode enganar-me! Além do equilíbrio entre liberalismo e sedevacantismo (cf. estes “Comentários” da semana passada), há outro ângulo a partir do qual se pode observar a sabedoria do Arcebispo Lefebvre ao resistir “encarando” os Papas Paulo VI e João Paulo II, que é o quão excepcional ele foi naquele momento ao perceber o quanto aquela resistência era necessária para a Igreja. Quando em 1974 ele fez sua Declaração de novembro que seria a Carta do Movimento Tradicional que viria, e quando em 1975 ele foi castigado por isso com a “suspensão” oficial de sua Fraternidade Sacerdotal São Pio X, e em 1976 com sua suspensão pessoal de toda atividade como Bispo por parte de Roma, a grande maioria de seus confrades no episcopado se puseram do lado de Roma, e muitos deles pressionaram continuamente para que ele cedesse a Paulo VI e parasse de “desobedecer”. Ao longo de todo o caminho até a consagração de quatro Bispos em 1988 para a Tradição Católica, ele esperava ser capaz de reunir um pequeno grupo de quatro ou cinco Bispos tradicionais que sabia que obstruiriam seriamente a dissolução em curso da Igreja pelos modernistas, mas embora tenha visitado muitos, nunca encontrou nenhum que se unisse a ele em sua posição pública contra os dissolventes romanos. Só em 1981 um confrade finalmente se uniu a ele em público, e isso só porque o Bispo de Castro Mayer, que acabava de completar 75 anos, teve de renunciar ao cargo de Bispo diocesano de Campos, no Brasil. No entanto, manteve-se fiel ao lado do Arcebispo, em público, especialmente na cerimônia de consagração de Bispos em 1988, um gesto enormemente apreciado pelo Arcebispo, porque demonstrou que este não era o único que julgava que a crise da Igreja justificava uma ação tão drástica como as Consagrações episcopais sem a aprovação papal. E os dois Bispos clarividentes permaneceram juntos até que ambos morreram, com um mês de diferença entre um e outro, em 1991. No entanto, nenhum dos dois foi seguido, durante muito tempo depois de sua morte, por seus seguidores, o que põe em destaque o quão excepcional havia sido a clarividência de ambos. No Brasil, o grupo de sacerdotes de Campos não tardou em dividir o Bispo de Castro Mayer em dois: o pastor obediente antes de sua rebelião “contra Roma”, e o “rebelde desobediente”. E declarando que sua lealdade era para com “Castro I”, eles afundaram coletivamente voltando para debaixo das saias de Roma. Quanto à Fraternidade estabelecida em todo o mundo que o Arcebispo havia deixado, passados alguns anos seus líderes estariam estabelecendo contatos privados com representantes da Igreja oficial em conversações organizadas do GREC, e dentro de alguns anos o Superior da Fraternidade estaria anunciando em público que só faltava o selo final para um acordo oficial entre a Fraternidade e Roma. Para crédito dos líderes da Fraternidade, o acordo nunca aconteceu, pelo menos ainda, mas para seu descrédito, não foi por falta de tentativas, e há entre Roma e a Neofraternidade um forte acordo oficioso. Mas como alguém ousa desacreditar tão fortemente os líderes da Fraternidade por seus nobres esforços para recuperar sua legítima condição como Congregação reconhecida dentro da Igreja oficial? Resposta: basta verificar os frutos desses mesmos esforços. Pode-se comparar os frutos da Fraternidade quando, com o Arcebispo à frente, ela repudiava fortemente o contato com os traidores da Fé em Roma, com os frutos da Fraternidade que se tem visto com os sucessores dele à frente tentando chegar a um entendimento com Roma? Se se concede, não é que a Fraternidade não estivesse dando frutos depois que começou a tratar aqueles romanos como se fossem católicos, mas na crise cada vez mais grave – e que não ameniza! – da Igreja, há de se pensar quantos frutos reais a Fraternidade poderia ter dado se não tivesse afastado as almas com uma mensagem ambígua: “Sim, claro que os romanos são maus, mas não podem ser assim tão maus! Eles nos darão reconhecimento se não os tratarmos tão mal!”. Não, eles são realmente muito maus. São os principais responsáveis pela destruição da Igreja, da qual depende a salvação ou a condenação de milhões e milhões de almas. Eles seguem com ela, claramente, com o último Motu Proprio do Papa Francisco, e tampouco deixaram de fazê-lo nos últimos 60 anos. Então, como é que o Arcebispo viu isso tão claramente, mas não fizeram o mesmo seus confrades e seus sucessores? Pela força e pureza da fé dele. Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 736
Por Dom Williamson Número DCCXXXVI (736) – 21 de agosto de 2021 A SABEDORIA DE LEFEBVRE – I Nós não idolatramos nem adoramos D. Lefebvre, Mas damos graças a Deus por este grande homem de guerra! O que estes “Comentários” têm a dizer sobre o último escândalo esmagador do Papa Francisco, a saber, seu Motu Proprio Traditionis Custodes, por meio do qual ele faz tudo o que pode para extinguir o antigo rito tradicional da Missa em latim, e assegurar-se de que desaparecerá para sempre das celebrações da Missa? Antes de mais nada, estes “Comentários” dão glória a Deus por ter-nos dado Dom Lefebvre como modelo para guiar-nos nesta crise de fim de mundo da Igreja. Ele terminou seus dias supostamente “excomungado” pelos clérigos da Igreja oficial; e não foi seguido fielmente pelos clérigos líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que ele mesmo ergueu. Mas o registro histórico do que ele fez e disse está aí, e sua sabedoria em relação ao futuro da Igreja fica mais clara a cada dia que passa. Esse registro nos diz exatamente como ele teria reagido ao Traditionis Custodes. Por um lado, teria rejeitado uma vez mais a falsa doutrina do Vaticano II, que está por trás da Missa Novus Ordo e que até hoje se esforça para abolir todos os vestígios do antigo rito tridentino da Missa, o qual desde 1969 provou ser o concorrente indestrutível da Missa Nova do Papa Paulo, e que viverá muito depois que a Missa Nova estiver nas latas de lixo da história. Por outro lado, mesmo com o problema agonizante para os católicos lançado pelos Papas que lutam contra a Tradição Católica mais amargamente do que nunca, como Francisco neste Motu Proprio, parece muito pouco provável que o Arcebispo tivesse declarado que o Papa Francisco não é Papa. Em vez disso, para o bem da estrutura da Igreja, teria insistido no respeito e na cortesia para com todos os aparentes Papas do Vaticano II, deixando para a Igreja oficial exclusivamente, em um tempo futuro mais tranquilo, decidir que status atribuir a esses Vigários de Cristo que tiveram tão pouca compreensão da Tradição Católica. Este equilíbrio do Arcebispo entre condenar a doutrina dos Papas conciliares, mas respeitar seu cargo, passou a ser conhecido como "Reconhecer e resistir": reconhecer seu cargo, resistir à sua doutrina. Mas como uma política por seguir pelos católicos, ela é alvo de fortes críticas de ambos os lados. Os liberais dirão: se você reconhecer corretamente o cargo, não tem o direito de resistir às suas ordens. Os “sedevacantistas” antiliberais inverterão essa posição, dizendo que se você resistir com razão aos falsos comandos do ofício, então você não pode continuar reconhecendo o cargo que emite esses comandos, ou seja, você não pode reconhecer e resistir ao mesmo tempo, só pode ser uma coisa ou outra. Não, disse o Arcebispo, eu rejeito os ensinamentos, mas não necessariamente o cargo. Os Papas católicos que odeiam a Tradição são um mistério que se resolverá em uma época futura da Igreja, se se quiser e puder fazê-lo. E nesta posição o Arcebispo tem sido seguido desde então por muitos católicos, não por causa de sua autoridade oficial da qual ele tinha pouco ou nada, mas porque, confrontados pelos mesmos problemas na Igreja, eles próprios chegaram às mesmas conclusões que ele, e, portanto, o seguiram, tornando-o, assim, o pioneiro do equilíbrio e da sanidade na crise em curso da Igreja. E então o que permitiu ao Arcebispo manter o equilíbrio e a serenidade quando, na esteira do Concílio, tantos católicos crentes perderam a fé na Igreja ou se desesperaram em relação a ela? Sem dúvida, foi sua fé inabalável em um Deus e uma Verdade que estão muito acima de todas as mudanças ou influências humanas, da política ou do que quer que seja; um Deus e uma Verdade consagrados na Tradição Católica em benefício dos seres humanos, mas que não estão de maneira nenhuma intrinsecamente sujeitos aos humanos nem dependem destes. Eis aqui as alturas em que vivia no espírito, e das quais descia para a vida quotidiana, não admitindo mudanças indevidas nas coisas de Deus, nem exigindo demasiada perfeição nas coisas dos homens. Os liberais estão loucos para querer adaptar a única e verdadeira Igreja de Deus à nossa era de impiedade, enquanto os católicos se enganam quando duvidam da Providência de Deus na condução de Sua Igreja. Então o Papa Francisco está louco, mas Jesus Cristo, como Ele mesmo disse em Mt. XXVIII, 20, está com Sua Igreja até o fim do mundo. Kyrie eleison.
- Glória ao Homem
Publicado por Gustavo Corção n’O Globo em 31-01-1974 ESTUDANDO em Santo Tomás o problema da necessidade da Graça, contido na Iª. IIªe. qu. 109, detenho-me nos pontos em que o Doutor Angélico conclui que, no estado de corrupção o homem já não pode por suas próprias forças naturais realizar, em toda a sua plenitude, o bem, o próprio bem natural proporcionado à sua natureza. Poderá sim fazer aqui e ali coisas boas, atos bons. Mas não será capaz de viver bem sem desfalecimentos e descontinuidades. SANTO Tomás aborda o problema pensando no homem em estado posterior ao pecado original; mas não aborda o problema do que será e do que poderá, não apenas um homem afastado de Deus, ainda mergulhado numa civilização, de algum modo cristã, mas este outro pavoroso problema que para nós se arma com extrema angústia: o que poderá fazer de bom uma civilização, um mundo inteiro afastado de Deus. ATÉ hoje vivemos a experiência do ateísmo esparso e individual; e até, por uma antítese que talvez não seja muito difícil explicar, temos a experiência vivida de homens que se dizem ateus e que nos confundem com virtudes que muitas vezes não encontramos onde elas deveriam ser viçosas e abundantes. Eu possuo uma especial coleção de ateus ou pseudo-ateus pelos quais tenho real admiração e profundo respeito. Tenho para mim que essas pessoas possuem a fé oclusa das criancinhas batizadas, mas padecem de um bloqueio psicológico que os impede a clara consciência, ou digamos assim: a clara consciência das obscuridades próprias da Fé, e por conseguinte impedem a profissão do Credo. Por sinais indiretos podemos alimentar nossa esperança, mas não podemos achar repouso senão no oferecimento a Deus de tudo que Ele quiser nos tirar para a salvação daqueles amados irmãos. A convivência de católicos e não-católicos é dolorosa, e só não será dolorosa para os católicos que perderam as últimas noções do valor do Sangue de nosso resgate. IMAGINEMOS agora a situação de um mundo em que nos recintos da própria Igreja o gosto de agradar aos homens já chegou, em movimento acelerado, ao esquecimento e ao desprezo de Deus. SANTO Tomás, com a graciosa ingenuidade dos grandes santos, para exemplificar as obras boas que ainda pode fazer o homem sem o auxílio da graça, diz: "pode ainda fazer alguns bens particulares como construir casas, plantar vinhas e outras obras do mesmo gênero" (Iª. IIªe. qu. 109, a.2). O ESTADO galopante a que está chegando uma civilização em agonia, e uma Igreja onde parece que as mais altas responsabilidades estão inebriadas de agradar aos homens, num tal eclipse com que a permissão de Deus pune o abuso de graças de milhões de cristãos em vários séculos, neste lumiar do apocalipse que já se delineia, nós vemos esta situação espantosa que fica aquém das margens ingenuamente expostas por Santo Tomás. Vejam: os homens são ainda capazes de construir uma cidade e de distribuir razoavelmente os frutos das vinhas. É na própria glória técnica que esta civilização, tão elogiada pelos inebriados levitas que cantam hinos de glória ao homem, atinge o seu visível fracasso. Sim, amigo, considera um aparelho de televisão. Em si mesmo é uma maravilha de atingimento da inteligência humana. Falo de meu próprio ofício e de metade de minha vida, e posso pôr um pouco de água fria nessa aboborada estupefação que ficam os leigos diante de um aparelho eletrônico. Posso gabar-me de ter inventado em 1926 um órgão eletrônico que só pouco depois apareceu na França inventado por um Martenot, se não me falha a memória. Estou habilitado a dizer que esse atingimento da técnica é muito mais fácil do que o atingimento da sabedoria, porque a obra técnica é facilmente comunicável e facilmente capitalizada. Pode dividir-se em equipes e somar-se em resultados, enquanto o saber da sabedoria tem de ser atingido do princípio por cada um. Mas depois dessa água fria, e para não assustar os espíritos fracos, concedamos que um aparelho de televisão ou um órgão eletrônico são coisas maravilhosas. Ora, salta aos olhos dos mais distraídos que o uso dessas maravilhas está longe de ser maravilhoso. A TELEVISÃO, na melhor das hipóteses, e com os melhores programas, é um poderoso massificador de carne humana. Multiplicando a ação massificadora pela ação corruptora dos programas perversos feitos para agradar ao homem temos o monstruoso resultado que se agiganta no ocaso de uma civilização. O LEITOR aflito, e ansioso por tranquilizar-se, me perguntará que lógica existe entre os programas pornográficos, e o humanismo delirante que a própria hierarquia eclesiástica admira? Qual a lógica que existirá entre as deferências da Igreja diante da ONU, e os programas pornográficos da Tv? RESPONDEO dicendo que esse paralelo é mais fácil de demonstrar do que talvez pensasse o leitor. Vejamos: se as altas categorias se inclinam diante de um humanismo que pratica o culto do homem, isto quer dizer que nesse humanismo em que o homem deixa de reconhecer e proclamar o senhorio de Deus, vê-se que o homem se recusa ao Senhor e se inclina para o que é inferior, isto é, para o homem exterior. Ora, nesse humanismo em que até a Igreja parece inclinar-se diante do homem, essa inclinação para baixo se transmitirá a cada alma. E quando o homem se inclina a admirar o que lhe é exterior e interior, para tornar bem ostensiva a liturgia de tal culto, chegará à pornografia que é a atitude anti-hierática, a atitude última duma alma rebaixada. E aí está o futuro que se delineia diante de uma humanidade que acelerou o culto do homem até o desprezo de Deus. Ao cabo de alguns séculos nem casa de cachorro saberão construir, e nem capim saberão plantar. Desde já não sabem mais os homens construir uma cidade e muito menos guardar e manter os valores de civilização até aqui guardados. Chegamos a estas conclusões sombrias a partir do estudo de uma questão da Suma Teológica, e da confrontação da doutrina com os quadros que os famosos mass media nos proporcionam. SERÁ preciso dizer que a nossa responsabilidade, nossa — dos CATÓLICOS, é maior do que a de todos os outros?
- Comentários Eleison nº 735
Por Dom Williamson Número DCCXXXV (735) – 14 de agosto de 2021 GOVERNOS SEM DEUS – II O tempo está descompassado. Ó sorte maldita, Que um dia me fez nascer para consertá-lo! (Hamlet, final do Ato 1) Os leitores devem lembrar-se do artigo de um patriota britânico, Dennis Whiting, nestes “Comentários” da semana passada, no qual ele denunciou o governo britânico por organizar mentiras para dirigir o país, especialmente, mas não somente, relacionadas ao disparate da covid. Chamar isso de “disparate da covid” não significa negar qualquer realidade ao vírus da covid (ainda que ele nunca tenha sido devidamente isolado). Quer dizer que o fenômeno covid, quando se apresenta a nós como um problema médico por nossos políticos e pela grande mídia, não faz sentido. É somente quando se o considera como um importante instrumento político para a escravização da humanidade que faz todo o sentido, e então se vê que não provém apenas de nossos meios de comunicação e políticos títeres, mas de seus muito mais sinistros titereiros, o poder judaico-maçônico que criou o mundo moderno para lutar contra Deus. Ao longo dessas linhas segue a prometida segunda metade do artigo de Whiting. A gestão da “pandemia”, ao que parece, dominou a Grã-Bretanha e a maior parte do mundo. No entanto, a covid-19 é uma nova espécie desagradável de influenza, mas não é uma pandemia. Não há cadáveres nas ruas. Os diretores das funerárias não estão fazendo horas extras. As taxas globais anuais de mortalidade não aumentaram significativamente, se é que aumentaram. Mais de 99% das pessoas que pegam a doença sobrevivem, e a idade média dos que falecem pela doença é de 82 anos. A vacinação em massa, o suposto remédio para a crise, não é um verdadeiro remédio, mas sim um enorme crime. As pessoas estão sendo tratadas como cobaias submetidas a “vacinas” experimentais que apresentam sintomas adversos em uma escala horripilante. Os confinamentos não são planejados para conter a “pandemia”, mas para destruir as pequenas empresas e fazer com que toda a sociedade dependa do grande governo e dos bilionários. O que está acontecendo hoje não surgiu do nada. O plano de governança global vem amadurecendo há mais de um século. Depois da Primeira Guerra Mundial, seu núcleo mudou do Império Britânico para os EUA. Financiadores em Nova York apoiaram tanto a Revolução Bolchevique quanto a ascensão de Hitler, com a intenção de criar guerras e transtornos que só se poderiam resolver pela formação de um governo mundial. A maquinaria está agora trabalhando para dividir e desorganizar a sociedade. Aqueles cujo objetivo é “reconstruir melhor” querem derrubar tudo primeiro. Os ataques dos neomarxistas e neoconservadores do Ocidente às crenças e práticas cristãs têm sido implacáveis. O objetivo deles é criar um novo tipo de ser humano, e precisam para isso eliminar os antigos padrões de referência de como devemos comportar-nos. (Nada menos! Ênfases dos C. E.) Todos nós temos de fazer o que pudermos para resistir a esta Nova Ordem Mundial que está ameaçando levar-nos à escravidão. Hamlet – aquela figura do homem comum criada por Shakespeare no início da era moderna – não estava ansioso para enfrentar o desafio, mas sabia que não poderia fugir dele: O tempo está descompassado. Ó sorte maldita, Que um dia me fez nascer para consertá-lo! (Hamlet, final do Ato 1) Quando Whiting escreve sobre o fenômeno covid como "um enorme crime" com "sintomas adversos em uma escala horripilante", ele não está exagerando, como uma imensa quantidade de material na Internet atesta – por exemplo, o trabalho admirável que está sendo feito pelo advogado alemão Reiner Fuellmich e sua equipe. Ele está otimista, mas é de se temer que o castigo de Deus siga seu curso, caso contrário, apenas retornaremos à nossa vida sem Deus, digna de ser vomitada. Kyrie eleison. (Nenhum dístico dos C. E. pode competir com Shakespeare.)





