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  • Comentários Eleison nº 756

    Por Dom Williamson Número DCCLVI (756) – 8 de janeiro de 2022 PSICOLOGIA DAS MASSAS Deus Todo-Poderoso é grande. Se se vem a afastá-Lo, Deixa-se, sem dúvida, um grande, grande vazio por preencher! Deve-se desconfiar enfaticamente dos “professores” de psicologia das “universidades” modernas quando falam de bom senso, mas o Dr. Mattias Desmet, professor de Psicologia Clínica na Universidade de Ghent, na Bélgica, pode ser uma exceção a essa regra. Ele não faz menção a Deus, mas, na Internet, em https://www.youtube.com/watch?v=uLDpZ8daIVM, ele diz muitas verdades humanas sobre Por que tantas pessoas ainda acreditam na narrativa da covid. Não é um problema relacionado à verdade. É, como explica o Dr. Desmet, um problema de seres humanos vazios e ansiosos que se apegam a uma sensação de preenchimento, que é falso, apresentada pela grande mídia. Leia a seguir um resumo (parcialmente adaptado) de uma de suas entrevistas. A maioria da população mundial caiu sob uma espécie de feitiço: uma "formação de massas" ou hipnose de massas. A formação de massas é um tipo específico de formação de grupos que pode surgir na sociedade sob certas condições: 1. As pessoas experimentam uma falta de vínculo social, uma falta de conexão social. 2. Uma grande parte da sociedade sente uma falta de sentido no mundo. 3. Existe uma ansiedade geral na sociedade, uma ansiedade sem um enfoque específico. Por exemplo, na Bélgica, que tem uma população de 11 milhões de habitantes, se utilizam cerca de 300 milhões de doses de antidepressivos por ano. 4. Há frustração e agressividade, mas não dirigidas a um objetivo ou a uma causa específica. Sob essas condições, as pessoas conectam sua ansiedade geral a um objeto específico de ansiedade apresentado através da grande mídia. A grande mídia não apenas dá enfoque à ansiedade sem nome, por exemplo, à covid, mas também fornece uma estratégia concreta para lidar com ela (“lockdowns”, etc.). As pessoas então passam a participar conjuntamente da estratégia para lidar com a ansiedade. Surge uma nova forma de ser social. Por exemplo, na Inglaterra se viu por um tempo o absurdo bater de panelas na rua às 20h nas quintas-feiras para reconhecer os “heróis” do Serviço Nacional de Saúde, “lutando” com a suposta “ameaça esmagadora” da covid. Mas todo mundo pôde sentir-se bem no novo grupo, com um sentimento acolhedor de solidariedade em uma ação significativa: "Salve nosso Sistema Nacional de Saúde!". As pessoas dentro dessa formação de massas (hipnose de massas) devem participar todas dos “lockdowns”, do uso de máscaras e das vacinações. Se alguém não participar, não estará demonstrando solidariedade ao novo grupo. As medidas relacionadas à covid destinam-se a identificar quem faz parte do novo grupo social, como um culto, e nada mais. Não são respaldadas pela ciência nem têm capacidade para vencer a "pandemia". A covid é uma crise psicológica, e não biológica. A focalização artificial da ansiedade conduz, além disso, a um campo de atenção muito estreito. As pessoas estão cientes apenas de uma pequena parte da realidade, na qual a narrativa midiática concentra sua atenção. Qualquer argumento contra a narrativa da covid que esteja fora desse pequeno campo de atenção ganha muito pouca força ou não ganha nenhuma, porque as pessoas só conseguem ver a “pandemia” através dessa pequena lente, como se nada mais importasse. A narrativa artificial também permite que políticos insubstanciais se estabeleçam mais uma vez como líderes. Antes da covid, eles estavam perdendo o controle, mas agora podem ressoar através da grande mídia, o que lhes permite hipnotizar a massa da população. E a verdade? Esqueçam! Ela interfere na narrativa. Mas essas narrativas artificiais requerem um inimigo. Com a questão da covid, serão os não-vacinados, que serão os “culpados” de todas as infecções e mortes. Eles devem ser marginalizados, desumanizados, e vacinados à força, se tudo mais falhar. Caros leitores, se tudo mais falhar, rezem o Rosário para que a Mãe de Deus possa deter esses servos do Diabo! Ela pode. Kyrie eleison.

  • Comentários Eleison nº 755

    Por Dom Williamson Número DCCLV (755) – 1º de janeiro de 2022 “RESISTÊNCIA” 2022 À obediência cega, a fé que enxerga é superior. O tempo de a obediência retornar é posterior. Se por "Resistência" entendemos esse agrupamento informal de sacerdotes e leigos católicos que se esforçam para manter e viver a fé e a moral do catolicismo tradicional anteriores ao deslocamento essencial do catolicismo pelo mundo moderno através do Concílio Vaticano II, então quais são suas perspectivas para o ano novo que acaba de chegar? Na aparência, essas perspectivas não são brilhantes, porque o Diabo parece estar vencendo, com o contrassenso da covid, a batalha pelo controle de nosso mundo. Mas, na realidade, são brilhantes, porque se a "Resistência" sobreviveu até agora, só pode ser porque Deus lhe está concedendo graças mínimas de sobrevivência de acordo com Sua promessa de estar com Sua Igreja até o final do mundo, promessa essa que permanece de pé (Mt. XXVIII, 20). Mas, quais são os princípios pelos quais o movimento de “Resistência” (ou de “Fidelidade” como também pode ser conhecido) surgiu, e continua surgindo? A maioria dos sacerdotes que se reconhecem como pertencentes ao movimento são antigos sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X que não gostavam das políticas que passaram a ser adotadas oficialmente por esta a partir do Capítulo Geral de 2012. Essas políticas se caracterizavam por uma espécie de benevolência para com os governantes da Igreja em Roma, e para com as decisões do Vaticano II que formaram esses governantes, benevolência essa que o Arcebispo Lefebvre, o fundador da Fraternidade, nunca havia demonstrado em relação a nenhum deles. E o que há de errado em os católicos mostrarem benevolência para com os governantes da Igreja? Não é dever dos católicos mostrar respeito e obediência aos dirigentes da Igreja, em particular ao Papa? Sim, essa é a regra normal, mas há uma exceção, que é quando a fé católica está em perigo. Infelizmente, ela está em sério perigo pelos documentos mais típicos do Vaticano II (1962–1965), por exemplo, Lumen Gentium, Unitatis Redintegratio, Gaudium et Spes e Dignitatis Humanae, dentre outros. E pior ainda do que os erros graves, mas particulares nestes documentos conciliares, disse o Arcebispo perto do final dos seus dias, é o subjetivismo geral que os impregna a todos, ou seja, aquele movimento da mente pelo qual um homem antepõe seus sentimentos subjetivos em relação à verdade objetiva. Mas, se não há verdade objetiva, como pode haver um Deus verdadeiro? O Vaticano II abriu as portas para a Pachamama no século XX. Mas o Papa (ou pelo menos o aparente Papa) Bergoglio não mostra uma benevolência especial para com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X? Isso, diz o Arcebispo Viganò (que já foi o número 11 dentro do Vaticano), é apenas um truque de sua parte para induzir a Fraternidade a abandonar aquele status jurídico de independência da hierarquia oficial da Igreja que o Arcebispo Lefebvre tão cuidadosamente lhe assegurou, mas que seus líderes atuais ainda parecem querer trocar pela aceitação oficial plena pela Autoridade aparente da Igreja. No entanto, neste exato momento, esses líderes devem admitir que é apenas o status não oficial da Fraternidade que a protege da marreta da Traditionis Custodes que agora destrói todas as outras comunidades tradicionais que se esforçam para preservar a verdadeira Missa, mas que ainda querem respeitar a Autoridade sem Verdade dos romanos. A salvaguarda dessa Verdade que é a Fé Católica, sem a qual ninguém pode salvar-se (Hb. XI, 6), foi a missão e a força e a glória do Arcebispo e de sua Fraternidade Sacerdotal São Pio X original. A força foi minada e a glória foi manchada nos últimos 10 anos apenas pela sombra do compromisso com as autoridades infiéis da Igreja, mas a missão permaneceu, e permanece até o Ano Novo; e permanecerá de fato até que o Senhor Deus coloque o Papa novamente de pé. Nesse ínterim, a (assim chamada) “Resistência”, como qualquer remanescente fiel ao longo dos tempos, não requer grandes números, nem prestígio, nem aprovação oficial, mas, para salvar as pedras da rua de terem de gritar (cf. Lc. XIX, 40) exige de seus seguidores fidelidade à verdadeira Fé, e pode muito bem em algum momento exigir mártires. E assim, se os católicos fixarem os olhos no Céu e rezarem com seriedade, serenamente, com constância, se possível, todos os 15 mistérios do Rosário todos os dias, eles não poderão aproveitar melhor o ano de 2022. Feliz Ano Novo! Kyrie eleison.

  • Os “teólogos” modernos

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 29–09–1973 LEMBRA-ME aqui o estupor do meu caro amigo Gladstone Chaves de Melo quando leu nos jornais um pronunciamento qualquer de oitenta teólogos de uma cidade norte-americana: — "O que me espanta" — disse-me ele — "não é o teor do pronunciamento, é simplesmente o fato de nessa cidade existirem oitenta teólogos". E tem toda razão o professor Gladstone Chaves de Melo, porque realmente nunca houve no mundo tantos teólogos como hoje; mas também nunca houve tão pouca teologia. NÃO pretendo, nestas modestas colunas, inculcar ao leitor um curso de teologia, mas talvez pudesse dizer-lhe algumas palavras que o capacitem a distinguir facilmente a existência ou não existência de algum pensamento teológico em textos assinados por oitenta ou mais teólogos; oitocentos ou mais bispos. Para começar direi que teologia é, para nós católicos, uma ciência e uma sabedoria, que tem por objeto o DADO REVELADO visto na FÉ, trabalhado com a luz da razão para uma conexão que fez da Revelação um todo orgânico, palpitante de vida, e acessível a essa obra conjunta da luz da Fé e da razão. O texto que não tiver essa estrutura fundamental onde prevalecem de um lado a Revelação e de outro a luz da Fé, não é teologia. Mas não basta encontrar aqui e ali citações das Sagradas Escrituras, não basta falar em evangelização, não basta falar em Fé com maiúscula ou minúscula para que o texto seja católico ou teológico. Muitos e muitos dos documentos modernos, a despeito desses ornatos, são colocados na perspectiva das ciências humanas naturais, e quase sempre mal colocados. Na maior parte dos casos trata-se de má sociologia disfarçada em teologia. Dou ao leitor alguns recursos fáceis para poupar trabalho. Se o texto insiste demasiado nos tempos modernos, ou refere-se com demasiada insistência a alguma parte geográfica do planeta — por exemplo: América Latina — é melhor afastá-lo e ligar a TV. DOU ainda outro critério que serve para uma prévia aquilatação do texto inculcado como teologia. A teologia, como dissemos, é a ciência da revelação. Poderá ter todos os objetos materiais do mundo desde que se subordinem a esse objeto formal. Todos os problemas humanos podem ser focalizados pelo teólogo desde que o veja na luz da Fé e no contexto da Revelação, e desde que o interesse desse problema transcenda o plano de seu objeto material e seja elevado à ordem da economia da Salvação e da vida eterna. Quando se percebe que o texto põe seu capital interesse num problema temporal, ainda que cite quarenta vezes a Gaudium et Spes ou outro documento eclesiástico, podemos ter a tranquila certeza de que se trata de teologia desidratada, ou em pó. Ou falsificada. TRAGO ainda um terceiro critério pelo qual o leitor logo perceberá o embuste que quer passar por católico. É o seguinte: o estudo teológico seriamente católico tem uma marca que não basta para qualificá-lo, mas cuja ausência basta para desqualificá-lo. É a sua inserção na doutrina secularmente ensinada pela Igreja. A obra, como a de Teilhard de Chardin, que não se apoia em um só doutor da Igreja, que não se nutre em um Santo Agostinho, não se desenvolve em Santo Tomás, não cita um outro teólogo desta ou daquela ordem religiosa, que desconhece a patrística e a escolástica, que em suma nos surge sem linhagem, se pretende ser pensamento católico, comete a horrível impiedade de se mover na mais completa e desembaraçada preterição de todas as intenções da Igreja — e basta essa impiedade para desqualificá-la como obra católica. E AQUI cabe uma advertência: também não basta citar o Concílio Vaticano II para inserir uma obra no grande contexto do Magistério, e da obra dos santos doutores, porque esse recurso, frequentemente usado pelos 80 ou 800 "teólogos" modernos, pretende fazer dos textos conciliares uma suma que atualiza, condensa e dispensa o menor relance para alguma questão de Santo Tomás. Essa falsa reverência ao Concílio é outro aspecto da mesma impiedade que consiste em querer ser católico sem nenhuma atenção para o imenso e admirável contexto católico que integra a sabedoria da Igreja. TENHO diante de mim um livro dito de teologia: além de duas ou três referências ao Concílio não cita uns só dos santos doutores da Igreja. O autor pensa sozinho. E quando alguma dúvida o leva a vacilar procura apoio num autor protestante, preferivelmente alemão. DIRÁ o leitor que meus critérios são superficiais. Não o nego. Mas servem para um primeiro teste, e em 99 casos em 100, servem como autêntico exame vestibular e eliminatório. Vários Papas e até Concílios da Igreja aconselharam enfaticamente o estudo de Santo Tomás que se tornou assim o Doutor Comum, o atingimento máximo da teologia especulativa, que poderá ser desenvolvido, dilatado, mas jamais rejeitado sem ruptura da Igreja em sua dimensão histórica que é inseparável de sua dimensão de eternidade. Não é, portanto, concebível um pensamento católico que imagine sequer a possibilidade de começar no Concilio Vaticano II, ou até no falso concílio de Mendelin. Tal pretensão é mais ímpia que a do mais desvairado protestantismo, porque nem sequer discute ou recusa o pensamento da Igreja: ignora-o ou o despreza.

  • Comentários Eleison nº 754

    Por Dom Williamson Número DCCLIV (754) – 25 de dezembro de 2021 A SOLUÇÃO DE JÓ Se as almas devem morrer aos milhões para serem salvas, Que assim seja – a humanidade covid é depravada. Depois que os três primeiros capítulos do Livro de Jó estabeleceram o problema do sofrimento das almas que parecem inocentes, nos 34 capítulos seguintes, em uma discussão entre Jó e quatro de seus amigos, surgiram três soluções: Elifaz, Bildade e Sofar disseram que o sofrimento é sempre um castigo, Eliú disse que também pode ser uma advertência, e o próprio Jó disse que é um mistério impenetrável. Mas, no decorrer da discussão ele havia questionado mais de uma vez seu Criador, por Quem sua fé sabia que o sofrimento lhe havia chegado. E assim, embora a paciência de Jó fosse admirável – “o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o Senhor” (I, 21) –, não era, no entanto, perfeita. Jó deu ao Deus Todo-Poderoso perguntas para responder. Aqui estão elas: por que Deus dá vida às almas que anseiam amargamente pela morte (III, 20-21)? Por que Ele escolhe Jó para maltratá-lo (X, 2-3)? Por que Ele oculta Seu rosto de Jó e o trata como se fosse um inimigo (XIII, 23-24)? Por que aqueles que O conhecem nunca veem Seus dias (XXIV, 1–2)? E, finalmente, “Oh, se eu tivesse alguém que me ouvisse! (Aqui está a minha assinatura! Que o Todo-Poderoso me responda (XXXI, 35)!”) Jó é um homem “íntegro e reto” (I, 1), mas em seu sofrimento extremo não está isento de pedir contas ao Todo-Poderoso. Está claro que Jó não é um santo de gesso, mas um homem de carne e osso, com reações humanas. No entanto, o Deus Todo-Poderoso conhece a virtude de Jó, e sabe que foi somente ela que o levou a ser posto à prova por Satanás, e, por isso, embora Ele não responda a ninguém e não precise dar uma resposta a Jó, Ele o fará, assim que Jó e seus quatro amigos se manifestarem (XXXVIII-XLI). Ora, não é a resposta que Jó ou nós mesmos poderíamos ter esperado, porque o Senhor Deus não responde diretamente a nenhuma das perguntas de Jó. Em vez disso, Ele apela à Sua própria e incomensurável majestade, infinitamente acima de todos os cálculos meramente humanos, em algumas das páginas mais sublimes de toda a Escritura, para Sua autorrevelação, e que faríamos bem em manter ao nosso lado, até que o Castigo de Deus ponha fim aos contrassensos da covid e a todo o sofrimento que desencadeará. “Muito bem, Jó. Tu me interrogaste. Agora deixe-me interrogar-te (XXXVIII, 2). Onde estavas enquanto eu lançava os fundamentos da terra? Já ordenaste alguma vez a manhã ou indicaste à aurora seu lugar? Atas as constelações ou afrouxas os laços de Órion? Acaso conheces as leis dos céus? Dás ao cavalo sua força? É por tuas ordens que a águia voa alto? Pode teu braço igualar o braço de Deus, ou pode tua voz retumbar como a Sua? Se ninguém se atreve a provocar o crocodilo, quem tu achas que ousaria enfrentar-Me?...” Sob o impacto destas perguntas e de muitas outras semelhantes, Jó tem a sabedoria de ceder (XL, 3–5): “Não sou ninguém, o que posso dizer? Não tenho mais nada que dizer”. Mas ele foi respondido: Deus está infinitamente acima dos pensamentos meramente humanos – Seus pensamentos não são os nossos, e nossos caminhos não são os Seus (Is. LV, 8–9). As perguntas de Jó podem não ter sido respondidas diretamente, mas a sede de Jó por algumas respostas foi afogada na inescrutável majestade de Deus. E Deus passa a advertir Jó contra o orgulho, como exemplificado em duas das criaturas mais orgulhosas de Deus entre Seus animais, o hipopótamo, Beemote (XL, 15-24), e o crocodilo, Leviatã (XLI). Jó humilha-se e admite que suas perguntas estavam fora de lugar – “...falei de coisas maravilhosas que me superam e as quais desconheço, sem compreendê-las... por isso eu me desprezo e me arrependo no pó e na cinza” (LII, 2–5). Como última palavra em relação a todos os sofrimentos de Jó, Deus culpa os quatro amigos de Jó por sua ignorância e dureza para com ele, mas ao próprio Jó Ele devolve sua família e prosperidade, e muito mais do que antes (XLII, 7–17). Benditas são aquelas almas que nunca questionarão os propósitos ou planos de Deus em meio a todo o caos e toda a dor que se desprenderão do contrassenso da covid nos próximos anos. Podemos não saber o que estamos fazendo, mas Deus sabe desde a eternidade o que está fazendo: levando-nos para o Céu! Kyrie eleison.

  • Comentários Eleison nº 753

    Por Dom Williamson Número DCCLIII (753) – 18 de dezembro de 2021 GANTRY REVISITADO Chorai, povos do mundo, uni-vos na dor; Aqui vêm os “Comentários”, a culpar-nos novamente! Elmer Gantry (no Brasil, Entre Deus e o Pecado) é um filme clássico dos Estados Unidos, lançado em 1960, sobre um vigarista que persegue uma atraente pregadora revivalista chamada Irmã Falconer. Em sua busca pela Irmã, ele encontra uma antiga vítima de seus encantos que ainda o ama, mas que fica indignada por ele estar agora perseguindo outra mulher, e então ela lhe diz: “Conte-me uma boa e grande mentira em que eu possa acreditar, mas abrace-me forte". De tão verdadeira, esta citação apareceu nestes “Comentários” há quase dez anos, em 13 de outubro de 2012, no número 274, de onde uma leitora se lembrou dela e a reaplicou ao mundo da covid. O que lhe chamou a atenção em 2021 foi que mesmo diante da gravidade dos danos causados a pessoas famosas pela injeção para covid, tão logo estas falam, seus fãs se voltam contra elas! O cantor pop Eric Clapton é um exemplo. Outro exemplo, mais recente, é Kyle Warner, um popular ciclista de mountain bike de Idaho, nos Estados Unidos, que foi gravemente ferido pela injeção para covid, mas que nos vídeos anteriores parecia estar lidando bem com seu infortúnio. No entanto, em um vídeo mais recente se pode vê-lo desatando a chorar, não tanto por causa da lesão em si, mas por causa do ódio que chega de toda parte por ele ter contado sua história e, assim, fazer a injeção parecer ruim. O que raios está acontecendo? Foi assim que a leitora destes “Comentários” se lembrou de Elmer Gantry: ela imaginou os fãs de hoje clamando aos titereiros que controlam os políticos, os médicos e os meios de comunicação, todos ainda fabricando o golpe covid, “Por favor, nos engane! Amamos o modo de vida podre que vocês nos dão! Por favor, finjam que não estão aí, e nós fingiremos também!”. Este é um ponto que vem sendo continuamente enfatizado por estes “Comentários”. Desde que Lutero fingiu não deformar, mas reformar a Igreja Católica, a marca registrada da "civilização ocidental" não católica passou a ser a hipocrisia, porque os protestantes fingiram querer o que Deus quer, mas na realidade eles e seus descendentes, todos iguais – puritanos, liberais, socialistas, comunistas, etc. –, quiseram o que quiseram para eles mesmos. Durante todo o processo, por trás das diversas pretensões de virtude, esteve a única realidade do avanço da podridão, não mais controlada pela única e verdadeira Igreja. Por fim, a podridão se infiltrou até mesmo dentro da Igreja, e isso foi o Vaticano II. Na realidade, os Bispos modernistas foram os piores hipócritas de todos. Mas, que os povos não finjam, em nome da democracia, que são inocentes, ou que a podridão, antes ou agora, é toda culpa de seus dirigentes, sejam eles políticos ou médicos ou meios de comunicação. São os povos que querem o almoço grátis de seus políticos, a contracepção e o aborto por parte de seus médicos, e todo o cenário de mentiras de seus meios de comunicação. E daqui vem a podridão da covid, não resistida, mas positivamente promovida por uma multidão de políticos fantoches, médicos delinquentes e meios de comunicação vis, todos mentindo a cada passo que dão. Portanto, é culpa do próprio povo que o seu mundo esteja virando de cabeça para baixo, que Fauci seja transformado em herói e Kyle Warner em vilão. Esta foi a conclusão dos “Comentários” de uma década atrás: “Conte-me uma boa e grande mentira em que eu possa acreditar, mas abrace-me forte". Amando-o ainda como ela ama, tudo o que ela quer é ser enganada. Esse é o mundo que nos rodeia. Tudo o que se pede é que se seja enganado. Eis por que vivemos em um mundo de mentiras de Satanás: não queremos Deus. Ora, a vida sem Ele não pode funcionar – ver Salmo 126, v.1, e somente olhe ao seu redor –, mas nós queremos desesperadamente acreditar que a vida funciona melhor que tudo sem Ele. Na verdade, dizemos aos nossos líderes: “Nós os elegemos para que nos digam boas e fortes mentiras e nos mantenham firmes em nossa impiedade. Por favor, façam um 11 de setembro, um 7 de julho (o 11 de setembro do Reino Unido), ou qualquer coisa que vocês quiserem, contanto que nós possamos continuar a acreditar em vocês como substitutos de Deus para cuidar de nós. Quanto maior a mentira, mais acreditaremos, mas vocês devem sujeitar-nos com força. Apertem os nossos estados policiais tanto quanto vocês quiserem, mas desde que mantenham Deus de fora. É de se estranhar que tenhamos o mundo satânico que temos? Kyrie eleison.

  • Vestição de irmãs - Fundação beneditina do Mosteiro da Santa Cruz [fotos]

    A cerimônia de vestição das Irmãs Maria Salette dos Sacrários Abandonados e Maria Teresa de Jesus Flagelado, que farão parte da fundação do novo mosteiro beneditino brasileiro em seu ramo feminino, ocorreu na quarta-feira (08/12), dia da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Abaixo disponibilizamos algumas fotos da cerimônia realizada no Mosteiro da Santa Cruz. U. I. O. G. D.

  • Comentários Eleison nº 752

    Por Dom Williamson Número DCCLII (752) – 11 de dezembro de 2021 PACIÊNCIA DE JÓ O sofrimento de amanhã nos aterrorizará, Mas Deus está muito acima de todos nós! Se conhecemos a segunda e mais longa seção do Livro de Jó por aquela "paciência" pela qual ele é famoso, é porque os capítulos 4 a 37 consistem em um diálogo entre Jó e quatro de seus amigos, no qual pretendem consolá-lo, mas, na verdade, não fazem mais do que esfregar sal em suas feridas. Como disse Jó, que amigos! Na terceira seção, que compreende os capítulos 38 a 42, o próprio Deus intervirá para entregar a verdadeira solução, que só Ele poderia dar com tanta autoridade, e da qual certamente necessitamos para enquadrar corretamente em nossas mentes o contrassenso da covid, o Castigo cada vez mais próximo, e o fim do mundo. Jó é paciente com seus amigos porque os três primeiros insistem que ele deve ter pecado para ter merecido o terrível sofrimento de sua perda completa de bens e saúde, e o quarto aproxima-se só um pouco mais da verdadeira explicação. No entanto, em busca da solução, os três amigos mais velhos de Jó: Elifaz, Bildade e Sofar, anunciam muitas verdades valiosas sobre a conexão entre o pecado e o sofrimento. Acontece somente que aplicam mal seus bons princípios ao caso particular de Jó, tal como este o percebe e lhes diz. Sabe o Céu que o pecado da apostasia mundial é mais do que suficiente para o merecimento do castigo do comunismo mundial que desce sobre nós por meio de criminosos da covid como Schwab, Gates, Fauci e seus manipuladores ocultos, mas não tem a plena responsabilidade, na medida em que também há inocentes que sofrem. Geralmente, é claro, o sofrimento está intimamente relacionado com o pecado, porque aquele só veio ao mundo com este. Antes da Queda, Adão e Eva não podiam sofrer, pois estavam protegidos de qualquer tipo de sofrimento por seu dom sobrenatural da Justiça Original; mas uma vez que pecaram, isso foi substituído pelo Pecado Original, através do qual sua natureza perdeu a perfeição de seu equilíbrio e de sua firmeza, e a partir de então tornou-se profundamente falha. Consequentemente, a natureza humana subjacente à falha continua sendo de Deus e continua sendo boa, mas sua condição falha veio de Adão e Eva, e isso é tão grave que só pode ser eliminado pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, mesmo assim, Deus deixa nossa natureza com as consequências da Queda para que lutemos com nossa natureza falha até morrermos, e assim mereçamos o Céu. Portanto, se a fraude da covid causar nos próximos anos todo o sofrimento para o qual foi planejada, jamais devemos culpar a Deus, mas sim aos Seus inimigos humanos, que fazem guerra contra Ele para expulsá-Lo de Sua própria Criação. Assim, dos capítulos 4 a 31, os três amigos de Jó tentam, por sua vez, persuadi-lo de que ele pecou: por impaciência, presunção, desespero, contradição com a justiça de Deus, recusa a arrepender-se, vanglória, arrogância, etc. No entanto, Jó pacientemente refuta cada um deles, porque ele é um homem “íntegro e reto” que sabe que pode não estar livre de pecado, mas não é culpado como o acusam. Respondendo a Bildade no capítulo 19, ele faz uma famosa declaração de fé na Redenção e na ressurreição, ainda mais notável por Jó ser um pagão sem acesso, até onde sabemos, à Revelação do Antigo Testamento: “Eu sei que meu O Redentor vive e, por fim, se levantará sobre a terra, e, depois que minha pele for assim destruída, então, da minha carne verei a Deus”. Com tanta fé em sua mente e em seu coração, não é de admirar que ele rejeitasse as acusações de seus "consoladores". Esta fé não é um conto de fadas nem um autoengano, mas a pura verdade, e é essa verdade católica em nossas mentes e em nossos corações que nos pode levar e nos conduzirá serenamente através de uma grande quantidade de provações e tribulações nos próximos anos. “Senhor, eu creio, ajuda a minha incredulidade” (Mc .IX, 24). Senhor, concede-nos, católicos oprimidos pela apostasia atual, aproveitarmos a qualquer momento de relativa calma para que nossa fé seja forte o suficiente para sustentar-nos através de qualquer grau de turbulência que permitas em nosso caminho até o Céu. Eliú, capítulos 32 a 37, é o quarto amigo de Jó a falar, mais jovem do que os três anteriores e indignado com a incapacidade deles de rebater a Jó. Ele diz coisas boas sobre a justiça de Deus, a quem Jó estaria equivocado ao questionar, e diz que Deus usa o sofrimento para manter as almas fora do Inferno, mas não tem uma resposta direta para o problema do sofrimento de inocentes, resposta que deve vir de Deus mesmo (38-42). Kyrie eleison.

  • Comentários Eleison nº 751

    Por Dom Williamson Número DCCLI (751) – 4 de dezembro de 2021 POLÍTICOS SACRÍLEGOS O que Deus condenou, os políticos não podem aprovar. A Lei Eterna nem mesmo eles podem modificar. Na Assembleia Geral de Outono de 2021 da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (United States Conference of Catholic Bishops – USCCB) realizada em Baltimore, de 15 a 18 de novembro, dever-se-ia considerar a aplicação do Cânon 915 do Código de Direito Canônico (1983), que diz: Não devem ser admitidos à Sagrada Comunhão aqueles que tiverem sido excomungados ou interditados após a imposição ou declaração da pena, e os que tiverem perseverado obstinadamente em pecado grave manifesto. Antes da Assembleia Episcopal, o Cardeal americano Raymond Burke fez uma Declaração, cujos pontos principais estão resumidos a seguir: Os Bispos abordarão a prolongada e gravemente escandalosa situação dos políticos católicos que persistem em apoiar e promover políticas tais como o aborto, em grave violação dos preceitos mais fundamentais da lei moral, ao mesmo tempo que alegam ser católicos devotos, especialmente apresentando-se para receber a Sagrada Comunhão. Este é um assunto crítico: uma questão de vida ou morte para os que ainda não nasceram, e de salvação eterna para os políticos católicos envolvidos. Costuma-se dizer que o que é necessário é mais “diálogo” com os políticos e legisladores católicos em questão. No entanto, o ensino da lei natural, que necessariamente é também o ensino da Igreja, está fora de discussão. A prática do aborto é a mais grave violação do primeiro preceito da lei natural, que salvaguarda a inviolabilidade da vida humana inocente e indefesa. Não há nada sobre o que dialogar. O assunto do diálogo deve ser qual a melhor maneira de prevenir esse mal na sociedade. Essa prevenção nunca pode envolver a efetiva promoção do mal. A ação pastoral tomada contra os políticos nada tem que ver com "interferir na política". Dirige-se à salvaguarda da santidade da Sagrada Eucaristia e à salvação das almas dos políticos católicos em questão, e à prevenção do grave escândalo causado por eles. Eles não estão só pecando gravemente contra o Quinto Mandamento, mas também cometendo um sacrilégio ao receber indignamente a Sagrada Comunhão. O grave escândalo causado por esses políticos católicos contribuiu de maneira significativa para a consolidação de uma cultura da morte nos Estados Unidos, onde o aborto provocado é simplesmente um fato da vida cotidiana. O testemunho da Igreja Católica sobre a beleza e a bondade da vida humana, desde o seu primeiro momento de existência, e a verdade da sua inviolabilidade, viu-se gravemente comprometido. A USCCB já havia discutido o assunto em junho de 2004. Alguns dos Bispos mais influentes desejavam evitar qualquer intervenção com políticos católicos que, de acordo com a disciplina do Cânon 915, não deveriam ser admitidos a receber a Sagrada Comunhão. O assunto foi encomendado a uma Força-Tarefa sobre Bispos Católicos e Políticos Católicos sob a presidência do então Cardeal Theodore McCarrick. Com o tempo, a Força-Tarefa foi esquecida, e a questão crítica não foi tratada pela Conferência Episcopal. Enquanto a verdadeira Igreja de Cristo se opõe totalmente ao ataque à vida humana inocente e indefesa, a Igreja Católica nos Estados Unidos parece aceitar a prática abominável, de acordo com uma visão totalmente secularizada da vida e da sexualidade humanas. Rezemos pela Igreja nos Estados Unidos e em todas as nações, para que seja inflexível na aplicação do Cânon 915 e defenda a santidade da Sagrada Eucaristia, e salvaguarde as almas dos políticos católicos, porque se eles apoiam o aborto e ainda se apresentam para receber a Sagrada Comunhão, então eles cometem sacrilégio e grave escândalo. Kyrie eleison.

  • XVI – Confissão – A Acusação dos Pecados

    Integridade da Confissão Uma visão de Santa Teresa – Santa Teresa teve certa vez uma visão. Pareceu-lhe ver as almas caírem no inferno em quantidade, como cai neve na estação hibernal. Ela pergunta a Deus por que isso; e lhe foi dito que a causa da perdição de tantas almas eram as confissões mal feitas. Por isso, escrevendo esta santa a um pregador, dizia-lhe: “Padre, pregai amiúde contra as más confissões, pois é esse o laço com que o demônio pega mais almas”. *** Ouvistes? Muitos se danam porque se confessam mal. E sabeis de que modo se confessam mal? Uns porque não fazem bem o exame de consciência, outros porque não têm nem dor nem propósito; mas a maior parte porque calam os seus pecados ao confessor; ou não os manifestam bem. Eis o laço do demônio em que caem afinal tantas crianças. Para não vos deixar apanhar pelo demônio nesse laço, falar-vos-ei da acusação dos pecados, a qual deve ser completa e sincera, e tirar-vos-ei o medo que poderíeis ter ao confessar-vos. I – Integridade da Confissão 1 – A doutrina certa A confissão deve ser completa. Isto quer dizer que é preciso manifestar todos os pecados mortais cometidos após a última confissão bem feita, e até o momento em que se vai confessar. É doutrina certíssima que quem esquece propositalmente até um só pecado mortal à confissão, não recebe o perdão de nenhum deles, e além disso comete um sacrilégio, isto é, outro horrível pecado. Os cadeados de uma porta – Um menino devia entrar numa casa que tinha fechada a porta com quatro cadeados. Ele abriu três cadeados, deixando um fechado. Pode esse menino entrar em casa? Não, por certo. *** Assim é quanto à confissão. Se alguém, por exemplo, tem quatro pecados mortais e confessa três deles, calando o quarto por malícia ou por vergonha, não se lhe abre a porta do perdão de Deus saindo, afinal, do confessionário tem ele na consciência cinco pecados graves: os quatro anteriores e o sacrilégio. 2 – Quando falta a integridade? Notai bem: Eu disse: a) Se se cala de propósito o pecado: porque quando se cala por esquecimento (por não vir à mente), ainda assim a confissão é boa: resta apenas a obrigação de dizer esse pecado omitido, na primeira confissão que se fizer Eu ainda disse: b) Se se cala um pecado mortal: os pecados veniais, é bom que se manifestem à confissão, mas não há a obrigação de os confessar. A obrigação seria apenas de manifestar os pecados mortais. O pecado mortal, enfim, é quando ao cometê-lo se tratou de questão grave, e se sabia que era pecado, e havia vontade de cometê-lo. Se, afinal, os pecados são contra a pureza, em geral são sempre graves; e não apenas os de ato, mas também os de pensamento e de desejo. 3 – Como se cai no laço Um santo esconjurava um endemoninhado e indagou que nome tinha o demônio que estava no corpo do infeliz. Retruca o demônio: “Eu me chamo Tapa-bocas, porque tenho a incumbência de tapar a boca das pessoas que se vão confessar, a fim de não dizerem os seus maiores e mais vergonhosos pecados”. Agora escutai como esse demônio tapou a boca de um pobre rapaz. Uma vítima de Tapa-bocas – Um menino teve a desgraça de se acamaradar com um rapazola sem temor de Deus, o qual, bem de mansinho, com más conversas o induziu a cometer um feio pecado. Pobre menino! Como estava mal após aquele enorme pecado...! Vindo a época de seus companheiros irem confessar-se, lá se foi também ele. Mas eis ali o demônio Tapa-bocas que lhe disse intimamente: “Não confesses aquele pecado, ouvistes?”. Ao passo que o Anjo da guarda lhe sugeriu: “Confessa tudo: não deixes nada para trás!”. O jovem faz a confissão: acusa as desobediências, as mentiras, as impertinências com o mestre... mas, aquele feio pecado não sai... O confessor lhe faz umas perguntas: “Meu filho, andastes com más companhias? Escutastes conversas feias? Fizestes coisas que não estão bem... e que fazem corar o Anjo da guarda?”. E para tudo ele responde: “Não!”. E assim recebe a absolvição. Tapa-boas triunfou! Oh! Pobre jovem! Tem ainda todos os pecados, e além disso tem o de sacrilégio! (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

  • Quadros de uma exposição - II

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 13–10–1973 SOPA DE LETRAS — Sentada num banco do jardim, a mamãe lia. Vejo-a muitas vezes assim, de livro na mão. O menino de três ou quatro anos brinca no chão da Rua Conde Bonfim, 31-F. Brinca com pedrinhas ou acompanha a azáfama das formiguinhas. Nessa tarde, erguendo os olhos viu que a mamãe, sem despregar os olhos do livro, ria-se. Devagarzinho o menino levantou-se e veio por detrás, na ponto dos pés, ver a figura do livro que fazia a mamãe rir-se tão divertida. Ora, não havia figura nenhuma. E então, intrigado, o menino perguntou: — De que é que você está rindo se não tem figura? COM mais gosto ainda, a mamãe riu-se abraçando o menino, mas depois, muito séria, essencialmente mãe e mestra, molecularmente mestra, começou a falar com o menino no mundo maravilhoso que se escondia dentro das letras. O menino, com a cabeça encostada na mamãe, ouvia pensativo aquela lenda maravilhosa dos sinais que serviam para significar os nomes das coisas e das pessoas, e que serviam para a gente aprender tudo. DANDO um exemplo do que dizia, a mamãe leu uma linha do livro apontando as letras à medida que prosseguia a leitura. E o menino, sem entender bem o que a mamãe lia, admirava-se e desejava saber tirar palavras das letras com aquela facilidade da mamãe, que agora continuava a ler sem precisar seguir as linhas com o dedo. MINHA primeira cartilha era um livro austero. Ou, se quiserem, um austero opúsculo. Despojado de adornos, enfeites e figuras, apresentava na primeira página as vogais, creio que dispostas assim: a e i o u e embaixo, a carreira de algarismos de 0 a 9. Nas páginas subsequentes vinham palavras silabadas, BO-LA, U-VA, e só mais adiante apareciam as palavras agrupadas em proposições. Hoje os livros de leitura são enfeitados, dizem que para motivar e atrair as crianças, e até os livros de catecismo para guapos rapazes de 13 a 19 anos são ilustrados com a figura do astronauta e as tatuagens dos hippies. Dizem que sem esses atavios o moderno jovem não poderá entender proposições como esta: amarás a Deus de todo o espírito, de todo o coração, e ao próximo como a ti mesmo. Dizem até que vivemos na era espacial que coincide com a era da imagem, e que relegará a palavra aos museus. UI! LÁ ME escapou a lição polêmica nestas páginas em que prometi descanso ao leitor. O quadro de hoje ia se tornando o quadro negro de uma aula. Detenho-me, mas não resisto à tentação de proclamar minha convicção de que a austeridade de minha cartilha era mais sábia do que as sedutoras imagens modernas porque, iniciando a criança na leitura ao mesmo tempo a iniciava na reflexão e na abstração, sem as quais o homem não é homem. MAS voltemos depressa à Rua Conde de Bonfim, à hora do jantar da criançada: — Hoje a sopa é de letras, anunciava a Arabela entrando com a terrina fumegante. E a criançada, em vez de pensar na sopa à hora da lição de leitura, pensava na leitura à hora da sopa. E cada um procurava compor seu nome na beira do prato. Não sei se foi por isso, ou por aquilo. O fato é que ganhei gosto pelas letras escritas devagar e com esmero. Escrevo devagar, como se estivesse ainda a colocar as letrinhas de massa na beira de um prato. Outro dia, ocorrendo-me o título melancólico de um livro sábio - "Ma joie terrestre, où donc est tu?" - achei-me a procurar as coisas onde ainda encontro uma alegria com gosto de vida e de terra. Estão debandando, mas uma encontrei: a alegria de achar que tracei boa letra e acertei boa frase. O ofício das palavras e das letras, com seu ritual, ainda me dão às vezes a alegria de reler-me, e de achar bom o que escrevi. Creio que esse fruto me vem do quadro em que via a atenção com que lia minha mãe, e mais especialmente daquele quadro em que seu dedo me revelava os sinais maravilhosos em que tudo o que existe no céu e na terra se encontra sacramentado. Ou talvez me venha da sopa de letras. OU ENTÃO — já que nos entregamos ao vício das inquirições — este gosto último de escrever como quem oficia me vem por outros canais genéticos que ignoro, e é desses canais e desse último gosto, ao contrário de tudo o que disse acima, que me vem a vivacidade e o gosto com que relembro uma cena de jardim na Rua Conde Bonfim, 31-F, e um prato de sopa de letras tomado há três quartos de século. * * * DEVO duas palavras aos degraus seguintes: a cartilha de João de Deus, a maravilhosa tradução de "O Coração" feita por João Ribeiro. E depois a antologia de Fausto Barreto e Carlos Laet que laetificat juventutem meam. Ouvi dizer outro dia que há pedagogos modernos que condenam as antologias. Acredito. E não me admira, porque não há asneira que não tenha sido dita por algum pedagogo, defendida por algum filósofo e hoje devemos acrescentar: por algum teólogo da América Latina. E aqui me detenho resolutamente antes de transformar em discurso o meu quadro de hoje em que é tão viva a lembrança de minha mãe moça.

  • Quadros de uma exposição - I

    Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 11–10–1973 NASCI SEGUNDO — Para descanso do leitor e meu próprio, lembrou-me trazer a este canto do jornal, não com a continuidade dos folhetins de antigamente mas com a moderna desarrumação, os quadros da exposição que venho tentando completar. No desejo de conseguir um mínimo de ordem, começo pelo princípio. NASCI; e nasci segundo. E suspeitando que o leitor não dê a devida atenção a tal circunstância, explico melhor, começando por procurar em mim mesmo a primeira lembrança da consciência desse fato. Recuando, recuando, recuando vejo-me desbotar, vejo-me desaparecer na espécie de morte branca do ainda não ser. Confusamente, antes da brancura total, entre a minha pequenez engatinhante ou balbuciante e o gigantesco mundo dos deuses tutelares que me erguiam do chão a alturas incalculáveis, confusamente entrevejo um pequeno e enorme ser intermediário que já não engatinhava nem balbuciava. A figura desse ser prodigiosamente superior marcou-me para a vida inteira. Quando hoje escrevo esta simples proposição: "nasci segundo", estou prolongando a consciência que logo me marcou como vim a saber pelas crônicas familiares. Rezam essas crônicas, nos mais antigos documentos, que eu parecia aceitar de bom grado a condição de meu nascimento. Quando ambos já falavam e andavam, eu geralmente andava atrás do essencialmente irmão-mais-velho. Dera-lhe um nome saído ao acaso de minhas experiências fonéticas: Mandã. A mesma crônica familiar revelava, quando a mamãe moça contava a história fresca dos filhinhos, que Mandã, como todo o superior, uma ou outra vez abusava de seu superiorato, como também eu, como todos os dependentes, abusava de minha dependência. Até hoje, quando o irmão-mais-velho me entra em casa e me fala, ainda sinto lá nas profundezas da alma as ressonâncias de obediência e respeito. Correndo a vida inteira num relance eu nos vejo brincando com terra, — admirando o ovo que a galinha se gabava de ter posto, ou então, mais crescidos, no salão do cabeleireiro, onde era ele quem dava as instruções ao oficial: meia-cabeleira curta com franjinha. Um dia que fui sozinho, exprimi-me sem a necessária convicção, e o resultado foi o vexame de voltar para casa com a cabeça rapada escovinha zero. PASSAM na memória quadros vertiginosos que não me dão o tempo de pintá-los. Ora nos afastamos, ora nos aproximamos. As vezes a mamãe nos confunde e fala-me como se eu fosse mais velho, mas depois restauram-se as hierarquias e eu volto ao meu lugar. Casamo-nos. Com sua vocação de pôr e dispor, ele virou, mexeu, montou comércio, ganhou dinheiro e ficou rico, enquanto eu seguia minha regular ascensão de subalterno: engenheiro de telecomunicações. Antes disso andara a fazer coordenadas geográficas em Mato Grosso e a dirigir uma mini-Light em Barra do Piraí. Foi mais tarde, quando eu já tinha mais de dez anos de engenharia eletrônica, em Jacarepaguá, que meu irmão, com a maior simplicidade do mundo, me avisou que comprara uma casa para mim. Aqui estou eu dentro dessa casa bendita, sem cujo chão não sei o que seria de mim. Morre minha mulher com vinte e nove anos, e é nesses dias, nesses quadros sombrios que eu vejo sempre a figura exemplar do irmão mais velho partilhando comigo a dor insuportável. Voam os anos. E agora morre-lhe a ele a doce filha e lá estamos lado a lado diante do absurdo, a sentirmos a mesma dor insuportável. Nesse dia fui desobediente porque o irmão mais velho, pensando em minhas desgastadas coronárias, não queria que eu acompanhasse o caixão até a sepultura. VOLVAMOS à Rua Conde de Bonfim, 31-F, e ao menino de 2 ou 3 anos que nascera segundo. Naqueles claros tempos a rua era um lugar tranquilo onde de meia em meia hora passava um bonde, algum pregão, carroças raras e pessoas vagarosas. ORA, naquela tarde ouviu-se entre outros arruídos um som de trombeta e um frêmito correu pela casa: um batalhão em exercício, não sei por que, passava maravilhosamente na Rua Conde de Bonfim. Correram todos às janelas da sala de visitas, e eu senti-me levantado pela mamãe que, arrepanhando as saias, correu comigo no colo e me alçou à janela. Mas Mandã se atrasava e o menino de três anos, que nascera segundo, gritava aflito: — Mandã! Mandã! O TIRANO, para bem afirmar seu senhorio, avançava majestosamente. A mamãe levanta-me então para ver os soldados, as cometas, os cavalos, mas, não vendo Mandã, fiz uma coisa que a crônica familiar registrou: fechei os olhos e só os abri quando senti que Mandã chegara e então, sim, podíamos ver juntos os cavalos, as cornetas, os soldadinhos de verdade que brincavam muito sérios de soldadinhos de chumbo. *** NASCI segundo. Ao longo da vida esse fato se traduzirá em oscilações vertiginosas que às vezes me levam ao delírio de me julgar o primeiríssimo, e outras ao abatimento de me julgar o último dos últimos, porque, nascido segundo, só nos momentos de equilíbrio, que são raros, vejo verdadeiramente que nem uma coisa nem outra: segundo. HOJE estamos ambos irmãos, e mais as três irmãs que de sobejo nos vieram, na faixa dos setenta. Viveremos o tempo que Deus quiser, mas às vezes penso com aflição no caso de chegar primeiro às portas da casa do Pai. E então me enredo em desejos contrários porque não posso desejar que ele morra primeiro nem posso desejar achar-me sozinho naquele limiar. Seja como for, imagino às vezes esse dia, essa hora, e me divirto com a lembrança da Rua Conde de Bonfim. Se a Mãe do Céu me levantar primeiro no seu colo, e se Mandã demorar nos corredores da vida, lá me vejo a esconder o rosto na roupagem de ouro e lua do regaço de Nossa Senhora com os olhos fechados até poder abri-los. Não é muito ortodoxo este quadro, mas eu explicarei a Nossa Senhora: — Eu nasci segundo. E Ela compreenderá logo, mesmo porque, para seu coração, todos nós nascemos segundos. E então quando sentir Mandã a meu lado, abrirei bem meus olhos e então, e então veremos juntos o rútilo exército de anjos com cornetas de fogo e cavalos de luz desfilarem diante de nós anunciando a vitória final da Mulher sobre o Dragão.

  • Comentários Eleison nº 750

    Por Dom Williamson Número DCCL (750) – 27 de novembro de 2021 PROBLEMA DE JÓ Deus existe. Ele deseja nossa felicidade, Mas nossas iniquidades têm merecido plenamente a Sua ira. O Antigo Testamento é um depósito de tesouros, porque cada um dos seus 46 livros é, por definição do Concílio de Trento, a Palavra de Deus. Para definir a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, se disse muito bem que o Novo está oculto no Antigo, enquanto o Antigo se manifesta claramente no Novo. Assim, não há contradição entre os dois Testamentos, nem entre o Deus do Antigo e o Deus do Novo Testamento (como alguns são tentados a pensar), nem entre a doutrina do Antigo e a do Novo, mas o Antigo simplesmente se cumpre no Novo. Portanto, o Antigo Testamento pode ter muito que oferecer-nos nessa crise da Igreja do Novo Testamento, que se aproxima de seu fim na história humana com o fim do mundo. Pois, com efeito, esse fim não vai acontecer sem muito sofrimento humano por parte dos inocentes, que é o problema do sofrimento em sua forma mais aguda, e que é o tema central do vigésimo Livro do Antigo Testamento, o Livro de Jó. Estes "Comentários" apresentarão em três temas separados: o problema, a paciência e a solução de Jó, respectivamente. Em primeiro lugar, o problema. O problema é que Jó é um homem totalmente isento de culpa e justo, um proprietário de terras muito bem-sucedido, com uma grande família de dez filhos e uma propriedade considerável, com milhares de animais de fazenda. Além disso, ele tem uma grande piedade e devoção a Deus. No entanto, ele sofrerá intensamente, sem saber por quê. Em primeiro lugar, os ataques externos à sua propriedade e aos filhos o privam totalmente de ambos. Mas sua única reação é bendizer a Deus. Em suas próprias palavras sublimes: "Nu saí do ventre de minha mãe e nu retornarei, o Senhor deu e o Senhor tirou, bendito seja o nome do Senhor". Mas então, como se já não estivesse sofrendo o suficiente, ele é atacado em sua própria pessoa com feridas repugnantes da cabeça aos pés, de modo que é reduzido a raspar-se com um fragmento de cerâmica. Sua esposa o tenta a buscar alívio maldizendo a Deus, mas novamente ele reage com uma piedade excepcional: "Mulher tola, se aceitamos o bem das mãos de Deus, não receberemos também o mal?". – Lembremo-nos deste admirável exemplo de Jó e de suas nobres palavras quando os céus estrondearem em torno de nossos ouvidos nos próximos anos! O que Jó não sabia, mas que o narrador de sua história nos contou nesses dois primeiros capítulos do Livro, é que seus terríveis sofrimentos, aparentemente imerecidos, tinham realmente vindo de Deus, nada menos que de uma espécie de contenda entre Deus e Satanás. Quando Satanás se apresentou certa vez diante de Deus, Este lhe perguntou se já tinha visto alguma vez tanta piedade como em Seu servo Jó. Satanás respondeu que isto se devia a uma proteção especial de Deus para com Jó, mas que se Deus parasse de protegê-lo, no sofrimento Jó maldiria a Deus como qualquer outra pessoa. Deus então deu permissão a Satanás para fazer Jó sofrer com todos os seus pertences, mas não pessoalmente. Foi quando Jó perdeu sua família e todos os seus bens, mas não disse uma só palavra contra Deus. "Vê?" disse Deus quando Satanás reapareceu diante d’Ele. "Ah", respondeu Satanás, "mas tão só deixai-o sofrer em sua própria pessoa, e vereis como Vos maldirá". Deus então deu permissão a Satanás para fazer o seu pior contra a pessoa de Jó, mas não para tirar sua vida, e foi quando Jó foi atingido por feridas insuportáveis ​​da cabeça aos pés, reduzindo-o a um destroço humano sentado sobre um monte de cinzas, agonizando sobre o que poderia ter feito para merecer tanta miséria sobre miséria. A história continua com a paciência de Jó. Enquanto isso, em meio à nossa miséria causada pela covid, uma primeira grande lição é relembrar como a vida de todos nós se encontra entre dois poderes invisíveis que disputam por nossas almas invisíveis: de um lado, Satanás luta com todas as forças para arrastar-nos para o Inferno, e, do outro, Deus faz tudo o que pode, sem tirar nosso livre arbítrio, para levar-nos a desfrutar com Ele para sempre da visão beatífica d’Ele mesmo no Céu. O Deus Todo-Poderoso poderia facilmente anular todos os esforços de Satanás, mas então Seu Céu se encheria de robôs, e não foi para isso que Ele quis criar a Criação. Leiamos todos, então, nas entrelinhas da insensatez da covid, e reconheçamos um Deus justo e amoroso que trabalha para levar-nos para o Céu. Ao contrário de Jó, por nosso desprezo mundial por Sua existência merecemos nosso absurdo mundial covidiano. Kyrie eleison.

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