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- Igreja e Anti-Igreja, pelo Cardeal Ottaviani
Igreja e Anti-Igreja Cardeal Alfredo Ottaviani Há mais de dois séculos, em nome do Humanismo, o mundo, aquele mundo ao qual Jesus não quer pertencer, aquele mundo que se desintegra em vez de reunir, precisamente porque quem não está com Jesus espalha em vez de recolher, o mundo pretendeu criar a felicidade do homem distanciando-o da religião. E para melhor ter sucesso ele chamou de superstição como hoje os laicistas extremistas a chamam de "ópio do povo". O paganismo teve seu apóstata Juliano em todos os séculos que tentam ressuscitá-lo. O homem é infiel quando peca, porque se distancia do reino de Deus, tenta construir outro longe dele, sem ele, contra ele; o que por tantos séculos foram as sucessivas traições consumadas pelo homem na mente contra Deus após a reforma protestante, tomaram o nome de Iluminismo, racionalismo, humanismo e agora laicismo. No laicismo convergem as mais díspares, as mais diversas concepções do mundo, desde as dos liberais (entre os quais também crentes) às do comunismo ateu; dos maçons, dos radicais àquelas do socialismo. Em nome do laicismo, foi assim dada batalha à Igreja (...). Se lançaram contra a civilização cristã como não se lançaram contra o costume de Genghis Khan ou os vários Tamerlães. Pode-se dizer que a Igreja pode ter tido suas sombras em meio a tanta luz, pode ter tido seus fracassos; mas não se pode negar que a civilização mais bela que o mundo desfrutou e que produziu frutos de bens é a civilização cristã, tão repudiada hoje, pela influência que teve pela Igreja na sociedade civil e se algo ela não pôde fazer isso foi por causa dos obstáculos que estavam no caminho. E quais são os frutos da civilização laica, da civilização da anti-igreja? São frutos de uma liberdade desenfreada que atingiu a licença dos costumes, que quase chegou à putrefação. Esses foram os frutos que levaram a colocar a ciência a serviço do genocídio, das câmaras de gás, da oposição às próprias leis naturais da geração; foi o fato de colocar as descobertas do progresso e da ciência a serviço da guerra, do bombardeio de cidades, mesmo que indefesas. Estes são os frutos da civilização laica; foram eles que encaminharam o mundo em direção a uma sede insaciável de gozo, de riquezas que até conduzem, mesmo, ao gangsterismo. É uma sede de prazer que levou às guerras; uma corrupção que muitas vezes termina naquelas consequências que se multiplicaram tanto nos dias que correm: suicídios, assassinos, loucuras. Estes são os frutos da civilização laica, da Anti-Igreja, obtidos apenas para ter a satisfação de gritar "não queremos que Cristo, por meio de sua Igreja, tenha a sua influência na sociedade". (...) O que surgiu do laicismo? O prazer, o prazer até as consequências extremas, até a putrefação, até aquela mania luciferiana de gozar; para desfrutar de qualquer coisa que possa satisfazer esses apetites bestiais que enervam e tornam impotente até mesmo o jovem outrora próspero. Repudiou a pax cristã. Jesus disse: "Dou-vos a minha paz, deixo-vos a minha paz, que não é a do mundo". Mas o mundo queria "sua" paz, o pacifismo dos laicistas; e nos congressos de paz foi excluído o representante do Príncipe da Paz. E as guerras se multiplicaram, as guerras travadas com tanta ferocidade, sem distinção de golpes, com todos os erros de que reclamamos dos últimos conflitos. Esses são os efeitos do laicismo; sem falar do ódio político na luta de classes, do ódio que é a antítese da caridade de Cristo, do ódio que é ministro da dor e ministro da morte. Estes são os efeitos da civilização laica, da civilização da Anti-Igreja. Mas existe a Igreja, graças a Deus. (...) A Igreja que por Jesus foi dotada de todos os meios para levar o homem à salvação não só faz o bem sob o aspecto espiritual e sobrenatural, mas também sob o aspecto social; esta Igreja ensina que até o Estado está em dívida com Deus, porque não só o indivíduo é criado por Deus, não só o indivíduo goza dos bens que Deus concedeu à natureza; mas os indivíduos juntos, como sociedade, também dependem de Deus, a própria sociedade depende de Deus. Se Deus não guarda a cidade, as sentinelas vigiam em vão. Esta sociedade, portanto, não pode ser laica; assim como o indivíduo não pode ser laico e, por outro lado, não pode se privar dos benefícios sociais que podem advir da ação santificadora da Igreja. Esta sociedade, se for bem tratada pelo Estado, recompensa-lhe as vantagens que podem advir da colaboração cordial e da compreensão mútua, sem a qual surge o conflito. De fato, sendo dois poderes que comandam e têm o direito de comandar cidadãos ou fiéis que são os mesmos indivíduos, podem, na falta de acordo, contrastar as consciências dos cidadãos e dos fiéis: cidadãos junto com fiéis. Se este acordo for observado, muitos benefícios sociais advêm dele (...). O cinismo, porém, faz a grande acusação contra a Igreja: o politicantismo. Porque se intervém em problemas que direta ou indiretamente dizem respeito a sujeitos mistos ou em todo caso aqueles que têm reflexo na moral, se intervém nessas questões, dizem que está envolvido em política. Mas se a política toca o altar, como se pode deixar que a Igreja tenha o altar profanado, como podemos admitir que um sacramento, por exemplo o casamento, seja adulterado, profanado pelos laicos? É, portanto, evidente que a Igreja deve intervir para julgar se aqueles que têm o poder público usam o mesmo poder público para o bem dos cidadãos tanto sob o aspecto moral quanto sob o aspecto sobrenatural, pois tudo deve ser direcionado para o fim último. Não fomos criados apenas para estar em uma pátria terrena; buscamos o eterno e não podemos, pelas coisas temporais, perder a pátria eterna. Então, infelizmente -- mesmo entre os cristãos -- quando a Igreja intervém em certas questões que têm um reflexo imediato ou mediado na vida religiosa dos povos, há quem se atreva a dirigir-se a ela, apontar-lhe o dedo e dizer: "Você não tem nada a ver com isso". Mas, eu digo, eu pergunto: eles diriam essas palavras a Jesus, essas palavras que são um tanto blasfêmias, quase; e como eles podem dizer àqueles que estão cumprindo o mandato divino de dirigir os homens para evitar o perigo de perder o bem supremo? (...) Pois bem, aqueles católicos que tomaram um pouco do veneno laico devem considerar o mal que fazem... (...). Curiosos são estes cristãos, que no momento em que parece que está prestes a ser lançado o assalto que os perseguidores planejam contra a Igreja, no momento em que se deve fazer uma frente comum para salvar a civilização cristã para impedir o laicismo, o comunismo e todos os demais erros que unem forças contra a Igreja a fim de sobre Ela triunfar, estes cristãos começam a discutir, a disputar, como se o lado econômico fosse primordialmente importante! São cooperadores do marxismo, portanto; são aqueles que vendem o direito de primogenitura da grandeza italiana e cristã, como Esaú, por um prato de lentilhas, vendeu seu direito de primogenitura. Como podem estes pretender não ser marxistas se colocam o material, o temporal em primeiro lugar, mesmo à custa do que é espiritual e sobrenatural; se não ouvem o que Cristo disse, que a primeira coisa a procurar é o reino de Deus, então o resto virá se nos fizermos dignos dele? A Anti-Igreja, vejais, tenta penetrar na Igreja (...). Cardeal Alfredo Ottaviani (1890 - 1979) - extrato do livro Il baluardo (pp. 47-59) - Edizioni Effedieffe
- Houston, por Gustavo Corção
Por Gustavo Corção publicado n’o Globo em 25-08-1973 FOLHEANDO o jornal, vi de repente negrejar em grossos caracteres este nome: Houston. E imediatamente lembrei-me do bom e sábio Dr. Stans Murad, a quem certamente deverei o que sobreviver. Foi no seu consultório que ouvi a proposta de uma hipotética escalada que passaria por Houston, o lugar do mundo onde se concentra o saber e a habilidade da especial cirurgia que começou há mais de quatro séculos com Ambroise Paré. Houston! Agora é a figura de um outro amigo que me aparece, a sorrir-me: — Estou com o coração recauchutado. HOUSTON. E já não digo que o nome negreja, porque o vejo dourado ou fosforescente, realçado, transluminoso como um vitral. E em torno desse nome leio "civilização", "progresso", "técnica", "ciência”, "glória e paz aos homens de ciência". E outras coisas. NUMA visão mais penetrante atravessei o jornal e vi uma sala branca com uma espécie de altar ao centro, onde se via a vítima riscada de sangue, e em volta dela os oficiantes vestidos de alvíssimas túnicas manobravam miniaturas de espada em luta com o anjo da morte, contra quem disputavam mais um ano, ou dois, de uma vida já fartamente vivida. Extasiava-me diante de tão belo espetáculo que magnificamente exprimia o transcendente valor de um minuto de vida humana — que nunca é um "déchet de l'humanité" como dizia Teilhard de Chardin no seu programa de eliminação dos inúteis — e demorava-me na contemplação da cena que tanto dignifica o homem, quando de repente partiu-se o vitral, apagou-se a fosforescência dourada do nome que voltou a negrejar no cabeçalho da curta notícia do jornal. Houston. A notícia versava sobre o achado de trinta e tantos cadáveres de meninos entre 10 e 15 anos, vítimas de uma quadrilha de homossexuais violadores e assassinos. E PARA assombro meu a notícia mencionava o desaparecimento de 2.000 meninos em pouco mais de um ano, e a impotência de todo o aparato policial norte-americano. Onde foram parar então a civilização, o progresso, a glória da ciência e da técnica? O LEITOR, mal-humorado e cansado de aturar o que julga ser fruto de meu mau-humor, dirá que nada tem uma coisa com outra e que o valor daquela glória de Houston permanece a despeito desta pavorosa degradação de costumes em Houston. Concordo que o alto valor permanece, mas discordo vivamente da ideia de ausência de nexo entre os dois espetáculos. O nexo existe. O que se oferece ao mundo de hoje, como apavorante espetáculo, é justamente toda uma constelação de nexos entre valores desordenados. Os dois polos dessa desordem civilizacional são o totalitarismo comunista no oriente e o liberalismo democrático no ocidente. Um é cruel; o outro é torpe; os dois conjugados dão essa mistura estonteante que leva nossos filo-comunistas católicos a fingirem um programa de liberações para o atingimento revolucionário de um regime de presídio. E a grande nação norte-americana, que já foi esperança de nossas liberdades cívicas, além de ser também a esperança de nossas coronárias, por ter apostado demais e em falsa direção nos valores de liberdade, aderiu à anarquia revolucionária pela via da tolerância entronizada como virtude suprema. E esvai-se. Não só ela, mas toda a civilização esvai-se nessa espécie de leucemia. O grito de Madame Roland, no cadafalso, continua a ecoar nas abóbadas de uma civilização que imolou os valores da Verdade e do Bem no altar da liberdade. Num certo ponto da história do turbulento ocidente, os homens puseram seu máximo título na ciência das coisas exteriores e inferiores. Santo Agostinho, em Solilóquios, ou melhor, em diálogo consigo mesmo, disse à sua alma que, de início, só queria conhecer duas coisas: Deus e a si mesmo. Toda a Idade Média glosou o mote agostiniano por suas mais doutas vozes, mas o novo mundo, aberto pelas portas da Reforma e do humanismo nominalista e renascentista, desdenhou a sabedoria em favor da ciência dos grãos e dos astros, isto é, das coisas inferiores e exteriores. E a brilhante civilização nascida dessa retração da inteligência produziu maravilhas mas perdeu sua alma. Afastou-se de Deus, e tornou-se infrahumana. Supereletrônica, superatômica, supercientífica, supertécnica — mas infra-humana. A IGREJA não se cansou de advertir os homens pela voz de seus doutores, e pelo exemplo de seus santos, mas os homens julgavam-se emancipados e libertados de qualquer mãe e mestra. Para cúmulo dos cúmulos, ainda atiram na Igreja a culpa dos pecados do mundo. Nós bem sabemos que os membros da Igreja são justos e pecadores. Sabemos que são mais numerosos os pecadores do que os sábios e os santos, mas quando dizemos que a Igreja lutou, que a Igreja advertiu, que a Igreja ensinou, não estamos, evidentemente, pensando nos exemplos dos pecadores e nos delírios dos loucos. Esses, pertencendo embora à Igreja pela misericórdia de Deus, são muito mais representativos do mundo do que da Esposa de Cristo. NO SÉCULO XIX, quando a insolência de uma civilização laica se tornava maior, a Igreja manteve magníficos combates contra os pruridos dos ismos do mundo. Combateu com especial vigor o liberalismo e o socialismo, mas hoje é, pelos liberais e socialistas que a não ouviram, acusada de ser ela a fautriz dessa mistura que degrada séculos de ascensão humana. Justamente pelo fato de haver arduamente combatido a Igreja é acusada de ter sido omissa no seu ghetto. O grande pecado de que hoje todos os insensatos acusam a Igreja é justamente o fato de haver gritado, em tempo e contratempo, para advertir seus filhos desgarrados. Para corrigir tal pecado, a loucura paroxística do mundo chegou a compelir os homens de Igreja a aberturas, a aggiornamentos, a diálogos, à tolerância: assim todas as abjeções podem ser multiplicadas sem o perigo de nenhuma voa que as reprove. Por que investigar? Por que perseguir os violadores e assassinos dos dois mil meninos de Houston? Tudo é permitido já que a Estátua na foz do Hudson, contrariando Madame Roland, espalha aos quatro ventos a maior asneira jamais escrita: "La liberte éclaire le monde". NÓS SABEMOS que a iluminação do mundo compete à Verdade, mas, vivendo numa civilização mais inspirada em Pilatos do que em Cristo, preferimos não falar em Verdade e Bem, que têm ressonâncias de absoluto. Preferimos lavar as mãos e absolver Barrabás. Absolvamos os violadores de Houston como absolvemos o traidor que vendeu aos jornais o documento roubado ao Pentágono.
- Comentários Eleison nº 778
Por Dom Williamson Número DCCLXXVIII (778) – 11 de junho de 2022 RERUM NOVARUM - II Você quer cuidar dos homens? Não é necessário. O Deus que os criou também fez a Igreja. Como na Rerum Novarum, sua famosa Carta Encíclica aos Bispos Católicos de 1891, o Papa Leão XIII criticou o socialismo como sendo radicalmente oposto à natureza do homem dada por Deus (ver estes "Comentários" da semana passada), poder-se-ia pensar que ele não seria amigo das classes trabalhadoras cujos interesses o socialismo pretenderia proteger. Mas é o contrário. Há toda uma segunda parte da Encíclica na qual ele expõe a verdadeira solução dos problemas reais do final do século XIX, para os quais o socialismo era a falsa solução. Como no século XXI nosso mundo ímpio continua a ser tentado pelo socialismo e comunismo dos globalistas em sua mesma guerra contra Deus, vamos dar uma olhada, ainda que brevemente, na verdadeira solução de Leão. Ele diz que ela deve vir de três fontes. Em primeiro lugar, da Igreja Católica. Em segundo lugar, do Estado público, que ele pede que desempenhe um papel especial na proteção dos trabalhadores. E, em terceiro lugar, das associações privadas de empresários e trabalhadores, que, segundo ele, também têm um papel precioso por desempenhar. Mas ele começa descartando para os problemas sociais todas as soluções irreais que pretendem eliminar ou as desigualdades naturais, obviamente inerentes a todos os homens, ou as penúrias antinaturais deste “vale de lágrimas”, que se devem ao pecado. Os católicos sabem que as desigualdades são naturais na Criação, para refletir a infinita variedade do Criador, e que o sofrimento, a morte e a concupiscência só irromperam nessa Criação pelo pecado original dos homens. Portanto, a promoção pelo comunismo da luta de classes e da revolução contra toda autoridade não são naturais, mas antinaturais, e a Igreja será a primeira a criar a harmonia de classes e o respeito pela autoridade por seus próprios meios de justiça natural e caridade sobrenatural. Na justiça, os trabalhadores devem trabalhar e respeitar seus empregadores, e os empregadores devem respeitar seus trabalhadores e velar por seu bem-estar espiritual e físico, em particular pagando um salário justo que se determine não somente pelo que o empregador possa impor. Na visão caritativa da eternidade, a riqueza é mais um obstáculo do que uma ajuda para a salvação, de modo que os ricos devem compartilhar com os pobres, e os pobres não precisam invejar os ricos. Assim, a Fé mina ambos os erros opostos, o socialismo e o capitalismo duro, moderando o desejo excessivo dos homens por riquezas. Quanto ao Estado (RN 46), sua função primordial é salvaguardar o bem comum de todos os seus membros, e não apenas dos ricos. De fato, como os ricos muitas vezes podem cuidar de si mesmos, enquanto os pobres podem ter uma necessidade especial da proteção do governo, a condição miserável das classes trabalhadoras em 1891 significava que o Estado deveria intervir em seu favor. As leis do país devem proteger sua moral, sua dignidade e suas condições de trabalho, com proteção especial para mulheres e crianças, e com um auxílio em relação à propriedade. Ali estava a Igreja Católica praticamente lançando o moderno Estado de Bem-Estar Social. Leão XIII foi inclusive bastante incompreendido em sua época, mas quarenta anos depois Pio XI aclamou o bem feito pela Rerum Novarum. E em terceiro lugar, o Papa Leão pediu que se adotassem e fomentassem todos os tipos de associações privadas, como as guildas medievais, onde os homens podem unir-se não tanto horizontalmente na mesma classe, mas verticalmente por todas as classes na mesma ocupação, para evitar a guerra de classes. As associações cristãs desse tipo foram de especial benefício, mas em vez de ajudá-las, os estados antirreligiosos lhes impuseram obstáculos. Que se cuide especialmente do bem-estar religioso dos trabalhadores, mas que se os previna também contra o desemprego, a doença, a velhice, o infortúnio. Que o exemplo dos católicos converta os socialistas! Com esta doutrina da Igreja, do Estado e das associações que auxiliam os trabalhadores, o Papa demonstrou que condenava não só o socialismo, mas também aquele capitalismo liberal que, ao colocar a busca pelo dinheiro acima da preocupação com os seres humanos, tinha reduzido os trabalhadores a tais condições de miséria. Mas os globalistas voltam a cometer o mesmo erro grave. Eles poderiam aprender com o Papa Leão? Pode-se duvidar disto. Kyrie Eleison.
- Comentários Eleison nº 777
Por Dom Williamson Número DCCLXXVII (777) – 4 de junho de 2022 RERUM NOVARUM - I Os homens famintos por poder querem que reine o socialismo. Assim, esses globalistas querem a dor universal. Karl Marx não disse uma vez que o comunismo pode resumir-se em uma simples frase: “a abolição da propriedade privada”? E um supremo globalista, Klaus Schwab, não prometeu recentemente a todas as almas viventes que sob o globalismo elas “não possuirão nada, mas serão totalmente felizes”? E não significa isso que o Globalismo será essencialmente o comunismo em curso? Mas por que esse repúdio pela propriedade privada? Porque essas almas ímpias querem acabar com qualquer sociedade humana que ainda tenha alguma crença no Deus dos Dez Mandamentos ou respeito por ele: Sétimo, não roubarás; Décimo, nem mesmo desejarás roubar. Dois Mandamentos inteiros de dez, para estabelecer o princípio da propriedade privada entre os homens. A guerra moderna contra a propriedade privada é, entre outras coisas, a guerra do homem moderno contra Deus. Defendendo os interesses de Deus Todo-Poderoso, a Igreja Católica defende a propriedade privada contra todos os socialistas, comunistas, globalistas e outros inimigos da sociedade humana que querem destruí-la. Um notável defensor da propriedade privada foi o Papa Leão XIII (1878-1903) em sua famosa Encíclica Rerum Novarum, de 1891. Como os globalistas ímpios estão ameaçando agora mesmo derrubar toda a sociedade humana com seu "Reset", vamos dar uma olhada na defesa deste Papa do princípio da propriedade privada. A propriedade privada, diz ele (RN 8), é um direito natural do homem, cuja abolição é injusta e prejudica tanto os trabalhadores como os proprietários, e tanto os estados como os governos. Isto é assim porque só o homem é um animal racional entre os demais animais, ou brutos. Assim, todos os animais devem alimentar-se, mas enquanto Deus pensa adiantadamente e provê a alimentação dos animais brutos, Ele dá aos homens uma mente para pensar adiantadamente em seu próprio futuro. Isso significa que enquanto os animais brutos se limitam a utilizar as coisas, o homem as utilizará e também as tomará em sua posse. Mas somente a terra pode suprir suas necessidades futuras recorrentes. Portanto, o homem é de uma natureza tal que toma a terra em sua posse – em outras palavras, tem um direito natural à propriedade. À objeção de que o estado pode prover a todos os homens que se encontram nele, Leão XIII responde (RN 13) com outro princípio fundamental: o de que o indivíduo é anterior ao estado (porque para que exista um estado, os indivíduos já existentes devem reunir-se). E à objeção de que Deus dá a terra à humanidade em comum, ou seja, que dá toda a terra a toda a humanidade (RN 14) e não apenas a este ou aquele proprietário, Leão responde que, embora seja verdade que Deus oferece a terra para que sirva a todos e seja propriedade de qualquer um, no entanto, qualquer parte particular dela deve ser possuída por alguém. Caso contrário, as lutas seriam intermináveis, de modo que, como Klaus Schwab sabe muito bem, o estado teria que intervir para exercer o controle supremo. Ademais (RN 15), um homem está definitivamente mais motivado para trabalhar no que é de sua propriedade, e o suor de seu rosto marca e entra em sua propriedade de tal modo que privá-lo da propriedade é privá-lo de motivação para trabalhar nela e defraudá-lo do fruto do seu trabalho. O homem se apega à sua terra naturalmente. Tanto o socialismo quanto o globalismo o desarraigam para poder controlá-lo melhor. O direito natural do indivíduo à propriedade é ainda reforçado por suas obrigações familiares naturais (RN 18). Assim como a paternidade é um direito natural que faz do indivíduo chefe de uma família, a família é de uma natureza que estende o direito de propriedade, seja, por exemplo, para alimentar toda a família no presente, ou como legado aos filhos para o futuro deles. Tampouco pode ou deve o estado prover (exceto em caso de dificuldades especiais das famílias), porque os filhos entram em uma sociedade ou em um estado somente através de uma família, e assim a família pré-existente tem direitos e deveres anteriores aos do estado. O sensato Papa conclui (RN 22) que o socialismo fará estragos na sociedade com a agitação, a inveja, a pobreza, a miséria universal e a escravidão. Mas veja na próxima semana o que Leão diz que o estado deve fazer. Kyrie Eleison.
- XVII – As Ocasiões - Obrigação de fugir às ocasiões
Escapo de um naufrágio – Um certo Tróquilo, discípulo do filósofo grego Platão (+ 347 a. C.), tendo visto um dia o mar calmo, disse: “Darei um belo passeio no mar”; e subindo num barquinho, ia que era um prazer. Mas eis que de repente se levanta uma furiosa borrasca; por isso o barco ficou todo escangalhado, e o pobre filósofo esteve por um fio para afogar-se. Contudo, por um grande milagre, conseguiu salvar-se. Chegando a casa cheio de pavor, sabeis qual foi a primeira coisa que fez? Fez logo murar duas janelas de seu palácio, que davam para o mar. Mas por quê? Bem sabia ele o porquê. Era para não olhar mais além daquelas janelas: assim não lhe vinham as tentações de se meter mais no mar com o risco de ali deixar a pele. *** O que fez Tróquilo também vós deveis fazer, depois de escapos do naufrágio do pecado com a confissão: deveis, pois, fugir às ocasiões perigosas. Tróquilo disse: “No mar nunca mais, pois corro o risco de perder a vida”. Ao recitardes o ato de dor, assim o terminais: “Proponho fugir às ocasiões”. Portanto, deveis manter a promessa que fazeis a Deus. I – Obrigação de fugir às ocasiões 1 – Que é a ocasião Denomina-se ocasião de pecado qualquer coisa ou circunstância que induz facilmente o homem a pecar; ou então o incita, o puxa, e o coloca no perigo de cometer o mal. Quereis saber quais são as principais ocasiões? Ei-las: a) Os maus companheiros – que têm conversas maldosas ou procuram induzir a ações ilícitas. b) Os livros e jornais – que falam mal da religião ou tratam de coisas desonestas c) As figuras inconvenientes – que também se veem nas vitrines de certos negócios d) Os espetáculos, os jogos e divertimentos – que são poucos honestos e) O ócio – que é denominado o pai dos vícios e dos pecados f) A excessiva curiosidade – que facilmente leva os jovens a pensamentos, desejos e atos maldosos; E assim por diante... Tudo aquilo, em suma, que induz ao mal e se procura voluntariamente, se diz ocasião próxima do pecado. 2 – Há a obrigação de fugir às ocasiões? Certamente que há essa obrigação. O Espírito Santo adverte que é preciso fugir ao pecado como se corre da frente da serpente: “Quasi a facie colubri fuge peccata” (Eclo 21, 2). Ora, do mesmo modo que evitamos não só a picada das serpentes, como até procuramos não tocá-las, também devemos fugir não apenas ao pecado, mas até às ocasiões de pecado. Jesus Cristo no Evangelho diz: “Se tua mão, ou teu pé te servem de escândalo, corta-os fora e joga-os longe de ti” (Mt 18, 8). E depois ainda: “Se teu olho te é ocasião de pecado, tira-o, e joga-o longe de ti” (ibid. 9). E por quê? Porque, responde Jesus, é melhor com um só olho, uma única mão e um pé só ir ao Paraíso, do que com dois olhos, duas mãos e dois pés precipitar-se no inferno. Que quer dizer Jesus Cristo com isso? Que devemos mesmo arrancar os olhos, cortar as mãos e os pés? Não! Mas nos quer fazer compreender que devemos afastar-nos, separar-nos, subtrair-nos das coisas, dos lugares, das pessoas que nos sejam grave perigo para a alma e próxima ocasião de pecar. E é preciso fugir a tais coisas mesmo que nos sejam queridas como os olhos e necessárias como os pés e as mãos. Por isso insiste ainda o Senhor, dizendo: “Quem está longe dos laços (quer dizer, das ocasiões e dos perigos de pecar), andará salvo estará seguro: Qui cavet laqueos, securus erit” (Prov 11,15). Entretanto, “quem ama o perigo (isto é, quem o procura voluntariamente), nele perecerá: Qui amat periculum, in illo peribit” (Eclo 3,27). (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Comentários Eleison nº 776
Por Dom Williamson Número DCCLXXVI (776) – 28 de maio de 2022 O PODER DO ROSÁRIO Toda a política acabou, abatida e vã. Não está no homem a solução para a dor mundial! Quando a Irmã Lúcia de Fátima ainda era a verdadeira Irmã Lúcia (até 1957), e não a falsa “Irmã” (de 1967 em diante), ela disse, dentre muitas outras coisas, que o Céu estava concedendo, em nossos tempos difíceis, um poder muito especial ao Rosário para resolver todos os problemas. Isso faz sentido. Deus é o Bom Pastor, e não abandona Suas ovelhas a menos que elas queiram ser abandonadas, como Santo Agostinho disse há muitos séculos. Aqui está um exemplo que chegou recentemente na caixa de entrada destes “Comentários” (“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Teu nome dá a glória”). Meu nome é..., e logo após formar-me no ensino médio, eu me senti frustrado com algumas pessoas na Igreja Luterana que supunha poder confiar no sentido de que me guiassem. A falta de conselhos competentes levou-me a rejeitar totalmente uma vida de fé. Foi então que ouvi o autor dos “Comentários de Eleison” em uma entrevista no podcast Caribbean Rhythms. Logo depois assisti a tudo o que consegui encontrar dele na internet. Com seus ensinamentos e seu compromisso com as realidades da fé e com o que está acontecendo no mundo, comprei um Rosário. Eu não sabia como rezar um Rosário, e, sinceramente, só tinha visto um em filmes ou na televisão. Tenho rezado esse Rosário todos os dias desde que o recebi. Pelo menos cinco Mistérios por dia. Os resultados da minha oração foram milagrosos. Minha vida e aquelas vidas pelas quais rezo parecem melhores em todos os aspectos mensuráveis. E tudo isso depois de apenas três meses de oração dedicada. Sou e serei eternamente grato por ter-me mostrado o Rosário. Pela primeira vez em vinte anos, sinto que tenho uma verdadeira base de fé para guiar-me. Atualmente estou ajudando meu pai, que foi diagnosticado com câncer de próstata no estágio quatro há seis meses. Hoje descobrimos que seu corpo está quase totalmente livre da doença, após uma rodada de quimioterapia. Sinto que isso só é possível devido à ação de Nossa Senhora. Não posso provar, mas sei que é verdade. Obrigado por dar-me um lugar de verdade para começar de novo. Pode-se tirar várias lições desse edificante testemunho. A primeira e mais importante é o poder de Nossa Senhora, que trabalha especialmente por meio do Rosário. Se o Céu dissesse que de agora em diante a graça viria se passássemos a andar com as mãos, todos nós deveríamos estar andando com as mãos pela casa. Assim, se Nossa Senhora disse, como o fez em Akita em 1973, que diante das calamidades que ameaçam a todos devemos rezar o Rosário pelo Papa, pelos Bispos e pelos padres, independentemente de compreendermos isso ou não, é exatamente o que devemos fazer. E continuaria sendo exatamente o que eu deveria estar fazendo mesmo se eu me afastasse do Rosário em algum momento. A segunda é que a graça de Deus ainda está agindo, mesmo em meio à sujeira da Internet. Ele não renunciou, e ainda é bom com aqueles que O buscam (Salmo IX, 11). Mesmo que uma alma pareça estar afogando-se no pecado, asfixiada na vida moderna, desesperada por encontrar alguma sanidade perto ou longe, ainda assim nunca duvide de que é possível encontrar Deus se se põe a buscar por Ele. Basta pegar um Rosário e ver o que ele pode fazer. E a terceira é que, se alguém quer lutar por Deus, pela família, pela pátria, pela sanidade, contra as forças do mal atualmente soltas, deve esquecer a política ou os acadêmicos ou a economia ou qualquer outra variedade de espetáculos de marionetes que se monte para enganar-nos nos tempos de hoje, todas as conchas com pouca ou nenhuma substância em seu interior, e colocar nas mãos de Nossa Senhora um Rosário rezado após o outro, e assim se estará na linha de frente da grande guerra que está sendo travada hoje por nada menos que a sobrevivência da humanidade. Que experimente o Rosário e veja por si mesmo! E marquem as datas de 27 a 30 de outubro para o próximo “Estouro de Rosários” em Walsingham (Norfolk, Inglaterra). Kyrie Eleison.
- "None Dare Call It Conspiracy"
Por Gustavo Corção, publicado n’O Globo em 30-08-1973 O INIMIGO da Civilização, que ainda tenta guardar os últimos valores do cristianismo, e do humanismo verdadeiramente humano, investe agora furiosamente contra os alicerces da grande nação norte-americana que tantas vezes, neste século, já mandou seus filhos defenderem em terra alheia aquele ideal de civilização. E os golpes da sinistra picareta soam e doem em nossas últimas e escassas esperanças humanas. O INIMIGO a que me refiro é a quadrilha dos "liberais" do partido democrata, que se agrupam em torno do candidato fragorosamente derrotado nas eleições, o Senador McGovern, que anunciava aos quatro ventos o seu desejo de fazer os Estados Unidos se aliarem a Cuba, à URSS e à China na tarefa de destruição da dignidade humana em todos os recantos do planeta. TODOS nós já acompanhávamos com sombrias apreensões o processo de amolecimento que vem da congênita fraqueza da grande nação de língua inglesa, o liberalismo, isto é, a filosofia que, em nome das belas ressonâncias do termo "liberdade", relativiza a verdade e o bem. Todos nós já estremecemos da indignação patriótica por solidariedade quando, no apogeu da indecente campanha contra a guerra do Vietnam, uma atriz, em público, limpou-se nas partes vergonhosas com a bandeira da pátria! E não aconteceu nada! O horror do caso concentra-se, não no gesto obsceno feito no centro da cena, mas no fato ainda mais obsceno de não ter acontecido nada. DEPOIS disso tornamos a estremecer de indignação e a tremer de pavor quando um, tal Ellsberg furta documentos secretos do Pentágono e publica-os nos jornais viorte-americanos. E tornamos a estremecer e a tremer quando deparamos o novo horror: não aconteceu nada. E ISTO aconteceu, ou melhor, e nada aconteceu porque os Estados Unidos têm em West Point e no Pentágono uma admirável organização técnica, um poderosíssimo equipamento, mas não têm Exército, Marinha e Aviação no sentido militar, não têm soldados. Têm engenheiros e técnicos, mas não têm militares, e conseguintemente não podem possuir as "virtudes militares" a que se referia Charles Peguy, e da qual ele mesmo, como Augustin Cochin, deu ao mundo tão maravilhoso exemplo. FORAM essas "virtudes militares" — graças a Deus ainda as possuímos! — que em 1964 nos salvaram do desmoronamento total que hoje ameaça toda a América e já destruiu boa parte do Chile. MAS, a par da congênita fraqueza de seu liberalismo e da falta insanável das "virtudes militares", não digo falta individual em cada militar americano mas falta social, cultural, sentida por toda a nação, a par dessas debilidades, os Estados Unidos possuem (ou possuíam?) em sua estrutura política um forte presidencialismo que de certo modo vinha compensando a influência corrosiva do democratismo. ORA, é precisamente neste último reduto que hoje o inimigo golpeia a nação norte-americana. A atoarda em torno do caso Watergate contra Nixon visa à viga-mestra que ainda mantém os Estados Unidos num clima de civilização. Mas todos nós (excluídos os pervertidos e os imbecilizados) já trememos quando observamos que Nixon não tem critérios e parece não ter palavras para responder aos inimigos. E em torno dele a ninguém ocorre dizer tranquilamente o "óbvio ululante" do caso: diante das declarações aberrantes feitas por McGovern em sua campanha (declarações que lhe valeram a maior derrota eleitoral dos últimos tempos) o partido democrata se configurou como um puro e simples grupo de conspiradores. Mas "None Dare Call it Conspiracy" porque todos estão hipnotizados pelas superstições do democratismo que impedem de ver os valores que de muito superam o chamado "jogo democrático". OS DEPARTAMENTOS incumbidos da segurança nacional, que hoje inclui necessariamente a defesa universal da civilização, estavam na obrigação funcional de tratar a sede do partido como um "aparelho" de subversão, e, em nome de uma lei mais alta do que a lei constitucional escrita, estavam no patriótico dever de instalar os equipamentos necessários à neutralização do veneno, não se seguindo daí que, necessariamente, e a despeito do forte presidencialismo, tal diligência emanasse diretamente do Presidente Níxon. MAS "nona dare Call it conspiracy". E, então, ninguém, no ambiente norte-americano, ousa pensar em leis mais altas que devem ser invocadas quando a Revolução e a Anarquia se valem da lei escrita e do chamado jogo democrático para destruir os últimos baluartes da Civilização. É PENA que a grande nação norte-americana não desconfie de seu letal subdesenvolvimento, e não tenha a ideia de pedir socorro ao Brasil. Sim, o Brasil está em condições de ensinar aos engenheiros do Pentágono que as Forças Armadas existem também, e principalmente para defender a Pátria do novo e moderníssimo inimigo que é inimigo da própria ideia de Pátria. É PENA que estas pobres linhas não tenham a menor probabilidade de ser vertidas em inglês e lidas pelo Pentágono. MODÉSTIA à parte, creio que lhe fariam algum bem.
- A lição de Santa Giovana Antida Thouret aos católicos de hoje
Sim Sim, Não Não 31 de março de 2022 É janeiro de 1797. Do Instituto de São Vicente de Paulo não resta nada: a Revolução destruiu a Igreja francesa, mas não a fé. No entanto, as freiras estão dispersas por toda a França. Irmã Giovanna Antida Thouret (1765-1826), noviça das Filhas da Caridade em Paris, primeiro retornou à sua cidade natal, Sancey-le-Long, em Franche-Comté, e de lá foi forçada a fugir, primeiro para a Suíça e depois para a Baviera, seguindo as freiras do Retiro Cristão (ao qual pertencia sua irmã Giovanna Barbara) e seu fundador, o Padre Receiveur. Agora em Wiesent, Baviera, Giovanna Barbara morreu em 23 de dezembro de 1797 e a alma de Giovanna Antida cai em desânimo. Apesar de tudo, ela deseja ser uma Filha da Caridade. Ela abre seu coração ao confessor, padre Giovanni, e ele entende que a vocação de sua penitente a chama para outro lugar e a aconselha a sair sem esperar pelo Padre Receiveur. "Mas como a antiga Filha de São Vicente de Paulo conseguiu retornar ao seu estado anterior? Padre Giovanni não sabia nada sobre isso, e ela ainda menos; Deus teria pensado nisso. Em circunstâncias tão difíceis, era conveniente seguir apenas os chamados da fé" [1]. Irmã Thouret parte na segunda-feira de Quasimodo de 1797. Ela deixa esta nota para a Superiora: "Deixo-te ir e cumprir a Vontade de Deus". Mas como isso vai se materializar é absolutamente desconhecido para ela. Vestida como uma humilde camponesa, com a cabeça coberta por um lenço, sem dinheiro, nem passaporte, sem saber a língua, ela parte: tem apenas seu anjo da guarda por companhia. E ele a guia em uma jornada em que ela encontrará, no momento certo, quem a Providência decidiu que ela deveria encontrar, dia após dia. Ela retornará à França, mas ainda terá que esperar longos meses escondida em Sancey-le-Long: somente em fevereiro de 1799 o padre De Chaffoy, encontrado durante a aventureira viagem da Baviera, a chamará a Besançon para fundar finalmente um instituto de educação da juventude e para a assistência aos pobres doentes. Serão as Irmãs de Caridade de Besançon, apelidadas pelo povo de freiras da sopa e das pequenas escolas. Em poucos anos o instituto floresceu e foram abertas casas não só na França, mas também na Suíça e na Itália. Este vem a ser aprovado pelo Papa Pio VII em 1819, com isenção da jurisdição episcopal. Precisamente esta é a causa de um conflito muito duro com o arcebispo de Besançon, Mons. Gabriel Cortois de Pressigny, e com o próprio Arcebispo De Chaffoy: a verdadeira razão de tudo isso está no galicanismo de ambos, que digerem mal o ditame romano. Madre Thouret implora ao arcebispo, recebe apoio de Pio VII que a recebe com grande benevolência mas, enquanto na Itália, em Besançon, é deposta em abril de 1820, e com ela seus ex-assessores. É um golpe. Qualquer tentativa de pacificação é em vão: a Santa é afastada do instituto que fundou e condenada a não comparecer em nenhuma casa da diocese de Besançon. A oposição do arcebispo e Mons. De Chaffoy para com a Madre Thouret é invencível e o apoio do Núncio em Paris não vale nada. Ela segue suas recomendações e volta para a Itália, para Nápoles. Aqui, com o coração sangrando, mas toda de Deus, ela continua seu trabalho no mosteiro Regina Coeli e no Hospital dos Incuráveis, um trabalho que lhe valeu a admiração do povo napolitano. A tal ponto que Santa Giovanna Antida Thouret é uma das 52 padroeiras de Nápoles. Pouco importa aos santos se a reforma litúrgica de Paulo VI os suprimiu, deixando apenas 3... Madre Thouret morreu em Nápoles em 24 de agosto de 1826: seu corpo está exposto para a veneração dos fiéis na Igreja de Santa Maria Regina Coeli, no bairro Della Vittoria, em Nápoles. O que Santa Joana Antida Thouret ensina aos cristãos hoje? Antes de tudo, a entrega total a Deus. Em sua vida ela seguiu a vontade de Deus em todos os momentos, mesmo contra a prudência humana. Aquela camponesa, resoluta e com um olhar penetrante, buscava somente a Deus e nada colocava diante dele. Por isso, não tememos se a terra treme, se os montes desabam no fundo do mar (Sl 46, 3). Eis a figura da vida de Santa Joana Antide: ela executou a obra de Deus apesar da Revolução, do Terror, da perseguição. Aliás, ainda mais. Afinal, isso foi feito por todos os santos, desde os Apóstolos. Sem chegar a um acordo com as conveniências e respeitos humanos. Exercendo a prudência, mas a sobrenatural, não aquela que esconde a pusilanimidade sob um véu de sabedoria. A cada um a tarefa de fazer as devidas comparações, a nível pessoal e espiritual. Aqui aparecerá nossa nobreza. Caterina __________ [1] Trochu F., Santa Giovanna Antida Thouret, Ancora, 1961, pag.130.
- Comentários Eleison nº 775
Por Dom Williamson Número DCCLXXV (775) – 21 de maio de 2022 FEDERAL RESERVE - II As instituições, se são boas, certamente ajudam, Mas se os homens são maus, para o que são usadas então? Em uma sociedade sem Deus como a nossa hoje no Ocidente, os homens se recusam a reconhecer que a religião governa a política, porque mesmo que “Deus” exista, eles não querem dar-Lhe nenhuma importância. Dizem até que é verdade que Deus desempenhou um papel importante na vida dos homens no passado, mas a atitude atualmente é a de que "a humanidade cresceu, atingiu a maioridade, os homens não precisam mais d’Ele, e assumiram Seu lugar. Toda a glória que costumava ir para Deus deve agora ir para o homem, e tudo o que Ele precisa fazer, se existe, é ceder gentilmente e nos deixar em paz. De uma forma ou de outra, podemos muito bem dispensá-Lo". Ai do homem moderno! A cada passo adiante a vida moderna demonstra que não podemos dispensá-Lo! Há dois meses, estes "Comentários" apresentaram um breve histórico dos três primeiros bancos centrais dos EUA, todos rejeitados pelos americanos, até que, em 1913, finalmente o Federal Reserve foi estabelecido por votação do Congresso. Desde então o "Fed" ganhou cada vez mais poder, a ponto de ser agora indiscutivelmente o senhor da vida econômica e política dos Estados Unidos. O que aconteceu em 1913 foi que um cartel (coalizão de sócios para promover um interesse comum) de banqueiros destacados se reuniu para persuadir o Congresso de que seria do interesse do país entregar a eles, como especialistas em bancos, mas independentes da política e dos políticos, a provisão de dinheiro nos EUA. Ora, esta entrega não deixou de ser questionada na época – e tem sido contestada desde então – por causa da veracidade de uma citação atribuída a um membro da família de banqueiros mais notória de todas, os Rothschilds, sediada na Europa, que disse algo como, "Deem-me o controle da provisão monetária de uma nação, e eu não me importarei com quem faz as leis". Assim, em 2022, o Federal Reserve dos Estados Unidos está comprando não apenas os EUA inteiro, mas pode-se dizer que está comprando o mundo. Isso ocorre porque o dólar americano é a coisa mais próxima de uma moeda mundial, e, portanto, o Fed está usando o domínio que tem do dólar para comprar o mundo antes que o mesmo dólar fique sem valor. (Apenas tocando em um computador, o Fed pode hoje “criar do nada” trilhões de dólares.) A riqueza do mundo em troca de alguns impulsos eletrônicos em uns poucos computadores? Isso é simplesmente irreal! Não, não é. Está agora mesmo acontecendo ao nosso redor. Mas como isso é possível? No fundo, porque os povos materialistas de todo o mundo adoram a matéria, adoram o dinheiro, e depositam toda a sua confiança nos senhores do dinheiro. Houve um tempo em que depositavam toda a sua confiança n’Aquele que disse que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus (Mt. XIX, 24). E cuja Palavra declarou que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (I Tm. VI, 10). E Quem nos disse que se buscássemos o Reino de Deus e Sua Justiça, todas as coisas (necessidades materiais) seriam nossas também (Mt. VI, 33). Mas, quem hoje ainda acredita em Deus, em Seu Reino ou em Sua Justiça? Não está claro então que os verdadeiros problemas da sociedade residem no coração dos homens, no que eles creem e no que amam? Se não amassem o dinheiro, o Fed teria uma parcela sequer do poder que tem? Um famoso livro sobre o Fed, A Criatura da Ilha Jekyll, de G. Edward Griffin, dedica mais de 500 páginas para destroçar o Fed, mas quando se trata de propor alternativas, o autor se vê obrigado a admitir (p. 571) que há um problema "com todos os esquemas que envolvem o controle do dinheiro pelos homens". Sim, de fato! E esse problema é o pecado original, que não pode ser resolvido pelo melhor da política ou da economia. Napoleão, cujos exércitos comandavam toda a Europa, não admitiu uma vez que seu próprio poder não podia igualar-se ao do sacerdote? Caros leitores, esqueçam o Fed e suas delinquências. Se Abraão tivesse encontrado não mais do que dez justos em Sodoma, o Senhor Deus teria poupado toda aquela cidade ímpia (Gn. XVIII). Se você e eu aproveitássemos nossa fé para lutar com Sua graça para nos tornarmos homens justos, quanto em nosso mundo perverso Ele não pouparia? Kyrie eleison.
- Comentários Eleison nº 774
Por Dom Williamson Número DCCLXXIV (774) – 14 de maio de 2022 A CLAREZA DE VIGANÒ Para o próprio bem dos homens, o Bom Deus deve castigar. Se não o fizer, eles nunca verão através de Seus olhos. Ah, se a Santa Madre Igreja tivesse mais alguns líderes como o Arcebispo Viganò! Ela costumava ter muitos deles, mas a amplitude e a clareza mental juntamente com a coragem que vem da fé, as quais ele mostra ter, tornaram-se uma combinação rara entre os clérigos católicos, desde que estes permitiram que a podridão mental do mundo moderno os infectasse no Vaticano II (1962-1965). A seguir se resume, como de costume, uma entrevista que ele deu para o canal de TV italiano Canale Italia em abril deste ano. Pode-se encontrar uma tradução em inglês da entrevista completa em lifesitenews.com. Deus abençoe o LifeSite News! O Arcebispo Lefebvre foi um dos poucos prelados que quis denunciar a revolução conciliar, compreendendo seu caráter subversivo. Entre os que viram o perigo, quase ninguém soube denunciá-lo abertamente. Hoje compreendemos o mérito histórico do Arcebispo Lefebvre por ter-se rebelado contra a linha ditada pelo politburo conciliar, e por ter criado as premissas para um retorno da Igreja à doutrina e à Santa Missa de sempre. Enfrentamos um golpe global que envolve tanto a sociedade civil como a Igreja. Ambas estão infiltradas, e são controladas por personagens que usam seu poder e a autoridade que delas deriva, não para os objetivos das instituições que governam, mas para destruí-las. Esta crise de autoridade deve ser denunciada, porque a ação daqueles que alcançaram os mais altos níveis de liderança tanto das nações como da Igreja é uma série de atos subversivos e criminosos. Por um lado, a parte corrupta da hierarquia – para abreviar, vamos chamá-la “igreja profunda [deep church]”, pois é subserviente a Satanás – odeia a Igreja enquanto Corpo Místico de Cristo, e pretende matá-la. Aqueles que servem ao diabo realizam uma operação assassina, ainda que seja insana e fadada ao fracasso. Mas, assim como Cristo ressuscitou, também Seu Corpo Místico ressuscitará depois de Sua Paixão. Por outro lado, a porção saudável da hierarquia é composta principalmente por Bispos e clérigos que, no entanto, aceitam as premissas ideológicas da atual apostasia, pois aceitam o Concílio e a nova liturgia que transmite seus erros às massas. Eles não querem que a Igreja sucumba, mas enganam-se a si mesmos, contra todas as evidências e depois de sessenta anos de fracassos, pensando que o Concílio foi simplesmente mal interpretado, que a nova Missa é mal celebrada, mas que podemos ter de volta certa dignidade na liturgia. Mas uma vez que não entendem que foi o Concílio que causou esse desastre, e que para remediá-lo é necessário retornar à fé, à moral e à liturgia que existiam antes dele, eles, mesmo que não se deem conta, são parte do problema. Hoje, sob o Papa Bergoglio, sua traição, consciente ou inconsciente, consumou-se com o apoio à ideologia globalista, ao migracionismo, ao neomalthusianismo, à Nova Ordem Mundial e à Religião da Humanidade. A “igreja profunda” foi até cúmplice da fraude pandêmica e da vacinação em massa, apesar da presença de linhagens celulares abortivas em soros e do enfraquecimento irreversível do sistema imunológico que causa; hoje está hipocritamente do lado do Sistema, apoiando o fantoche de Schwab na Ucrânia, Zelensky, contra o presidente Putin, que é o único chefe de Estado que se opõe à globalização ímpia e aos princípios criminosos que a inspiram. O Senhor nos ajudará com a Sua Graça, mas nos pede que façamos a nossa parte. Se lutarmos com Cristo, com Cristo celebraremos a vitória. Se continuarmos a não tomar partido, ou pior, se ficarmos do lado de Satanás, com Satanás teremos caído no abismo. Kyrie eleison.
- XVI – Disposição para a Sagrada Comunhão - O agradecimento
1 – É dever Depois de recebida a Sagrada Comunhão, que há a fazer? O devido agradecimento, pois se trata da graça mais notável e do mais precioso tesouro recebido de Deus. Consiste esse agradecimento em ficarmos recolhidos, pelo menos um quarto de hora, adorando Jesus que está dentro de nós, agradecendo-lhe e apresentando-lhe as nossas súplicas. As duas velas acesas – S. Filipe Néri, em Roma, viu um sujeito que, apenas feita a Sagrada Comunhão, tomou do chapéu e lá se ia embora. O santo chamou logo dois clérigos e lhes disse: “Depressa: tomai duas velas acesas e segui aquele homem”. Os clérigos obedeceram. O outro, visto o estranho cortejo, indagou o porquê daquela cerimônia. Mas se aproximou dele S. Filipe e lhe disse: “Isto não é por vós, mas pelo Santíssimo Sacramento que agora recebestes. Não se deve, porventura, acompanhar com luzes o Bom Deus quando é levado fora da Igreja?”. O homem conheceu o seu erro, e voltou à Igreja para fazer o seu agradecimento com devoção, como devem fazer todos os cristãos. Sirva o exemplo também para vós. Não cometa ninguém a vilania para com Jesus Cristo de sair da Igreja logo após a Comunhão! 2 – Como se faz o agradecimento É preciso renovar os atos de fé e de adoração, de esperança, de caridade, e acrescentar os de agradecimento, de oferecimento e de súplica. a) O ato de fé e de adoração – Dizei a Jesus: Vós, ó meu Deus, vos abaixastes até mim que sou pó! Creio-vos presente em meu coração... Reconheço a vossa grandeza... Adoro-vos e me humilho profundamente... b) O ato de esperança – Dizei-lhe: Espero de vossa bondade e misericórdia muitas graças, mas especialmente esta: que eu não vos expulse mais de mim com o pecado. c) O ato de caridade – Protestai o vosso amor para com Jesus que tanto vos amou, dizendo-lhe que o amais agora, e amá-lo-eis para sempre, sobre todas as coisas. d) O ato de agradecimento e de oferecimento – Como podereis dignamente agradecer a Jesus? Que lhe poderíeis dar em troca, por todos os benefícios dele recebidos? Dizei-lhe na efusão do vosso coração: Meu Senhor Jesus Cristo, agradeço-vos com todo o ardor de que é capaz esse meu pobre coração, todas as graças que me fizestes, e de modo especial, a infinita bondade com que vos destes a mim na Sagrada Comunhão. Que compensação poderia eu vos dar? Ofereço-vos todas as minhas ações, os meus pensamentos, desejos e afetos...; tudo o que tenho e que sou, a vós ofereço. e) O ato de súplica – Como muitos se aproveitam da presença do rei para apresentar-lhe súplicas, assim devemos nós fazer, quando Jesus Cristo está em nossa alma. Pedi, pois, também vós graças a Jesus e favores para vós e para outrem: esse é o momento bom. Dizei-lhe: Dai-me, ó Senhor, todas as graças espirituais e temporais que sabeis úteis à minha alma. Peço-vos ajudar-me a cumprir bem os meus deveres e a não cair nunca mais em pecado. Ajudai também os meus parentes, benfeitores, superiores e companheiros, e livrai as almas do Purgatório. Tais são os atos que podereis fazer após a Comunhão. Conclusão Lembrai, ó jovens, que a Sagrada Comunhão é a maior ação que pode o homem realizar na terra. O dia da Comunhão deve ser para vós o de verdadeira felicidade. Preparai-vos bem para esse grande dia e para esse grande ato, correspondendo ao infinito amor de Jesus Cristo. Fazendo bem a Sagrada Comunhão, recebereis do coração adorável de Jesus a abundância de suas celestiais graças e pôr-vos-eis no caminho seguro do Paraíso. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Tomada de hábito - Ir. Martinho do Espírito Santo, O.S.B.
Abaixo selecionamos algumas fotos compartilhadas por nossos fiéis da tomada de hábito do Ir. Martinho do Espírito Santo. Laus tibi Christe.








