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- Ordens menores do Sem. Flávio Mateos e Ordens Maiores do Ir. Elias e do Ir. João da Cruz
A cerimônia de ordenação ocorreu no Mosteiro da Santa Cruz, no dia 13 de Agosto de 2022.
- O Pentecostismo
Por Gustavo Corção publicado n’O Globo em 09-08-1973 É A ÚLTIMA espetacular novidade religiosa que se espalha com grande sucesso no mundo inteiro. Num recorte recente de Le Monde lemos a notícia desse movimento cujo sucesso se contrapõe, na pena de Henri Fesquet, "ao declínio das grandes Igrejas" mais ou menos institucionalizadas. Esse movimento de origem protestante, nascido antes do século, cresceu agora rapidamente. O número de "Assembleias de Deus" que era 264 em 1963 ultrapassa o número de 400 em 1972. Calcula-se em dez milhões o número de praticantes no mundo inteiro, diz Le Monde; e como era de esperar anuncia que o movimento já entusiasmou o mundo católico onde ganha a denominação de "renovação carismática" e até reclama o mais ousado título de "novo pentecostes". EM JUNHO p.p. reuniu-se na Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos, um "congresso de renovação carismática" com o comparecimento de 25000 participantes, entre os quais figuravam muitos padres, bispos, e o Cardeal Suenens, Primaz da Bélgica. QUE DIZEM de si mesmos esses católicos empenhados em tal movimento? Várias publicações, entre as quais destaco a do jovem casal americano Kevin e Dorothy Ranaghan, num livro traduzido em francês com o título Le Retour de l'Esprit, apresentam o movimento pura e simplesmente como uma descontinuidade explosiva surgida na história do cristianismo e produzida, nem mais nem menos, por uma nova descida do Espírito Santo sobre os milhares de adeptos que recebem, por imposição das mãos de outros, o "batismo do Espírito" e subitamente se convertem, mudam de vida, passam da mais profunda depressão à mais jubilosa exaltação, e começam a "falar em línguas", como os cristãos da Igreja nascente, e como os apóstolos no dia de Pentecostes (Atos, II, 1). UMA DAS características do estado de espírito produzido nas assembléias carismáticas é a predominância da exteriorização sobre a interiorização, e a marcada emotividade que leva os adeptos a sentirem a presença do Espírito Santo, e a declararem essa convicção com uma espontaneidade — cada um contando sua experiência própria — que se liberta de qualquer compromisso de submissão à aprovação da Igreja. * * * ATÉ AQUI nosso espanto foi excessivo porque este fim de século e o mundo católico dito progressista já nos saturaram de extravagâncias, e já nos embotaram a manifestação do espanto. Nossa preocupação começou a ganhar dimensões de alarma quando vimos que o prudente hebdomadário L'Homme Nouveau, dirigido por Marcel Clement, enviou 7 representantes ao Congresso de "renovação carismática" na Universidade Notre Dame, e que o próprio Marcel Clement, no seu editorial de 1.° de julho p.p., não hesita em falar de "novo Pentecostes" e de fazer este estranho pronunciamento: "É UMA realidade de Igreja. Equilibrada, serena, poderosa. Não se trata de um misticismo exaltado. É verdadeiramente o Espírito Santo que os invade e os faz caminhar muito depressa até a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo." A NÓS nos parece que depressa demais pronunciou-se o Professor Marcel Clement, como também nos parece incompreensível que se diga "cheminent très vite jusqu'à la seule et veritable Eglise de Jesus Christ" de pessoas já nela inseridas pelos sacramentos. PREVEMOS o caminho de uma luta mais difícil do que as outras que até agora tivemos de enfrentar porque todos terão pressa excessiva de marcar pontos positivos num movimento em que os rapazes e as moças só dizem que querem rezar em "comunidade carismática", porque receberam do próprio Espírito Santo, num novo Pentecostes, dons maravilhosos que os tiraram dos mais profundos abismos e os elevam à mais pura alegria. Quem quererá cobrir-se do negrume de todas as antipatias para enfrentar tão maravilhosa transformação do mundo com um mínimo de reserva ou de exigência? * * * PARA encaminhar adequadamente a questão, amigo leitor, começo por lhe lembrar alguns títulos que nos dão direitos a certas exigências. Somos um povo que há dois mil anos segue a pista de um Deus flagelado; pertencemos à forte raça daqueles mártires que deram o sangue para testemunhar a verdadeira religião e para resistir a todas as fraudes; descendemos também daqueles outros que silenciaram nos mosteiros seus próprios sentimentos e suas próprias emoções para deixar que só o Espírito de Deus falasse por eles. Pertencemos a um Povo ainda mais antigo que ouviu do próprio Deus o trovão de uma identidade absoluta: "Eu sou aquele que sou, e o preceito da mais inquebrantável intolerância: não terás outro deus diante de minha face." TUDO isto, amigo leitor, nos inclina a uma profunda aversão por tudo que pareça equívoco, e que, em matéria de religião, mais manifeste as turbulências da pobre alma humana torturada por um mundo ensandecido do que as grandezas de Deus manifestadas pelos Apóstolos no dia do único e verdadeiro Pentecostes. * * * EM OUTRO artigo tentarei expor as razões que me levam a ver nesse movimento uma nova feição da revolução que quer por vários processos destruir a Igreja. HOJE trago apenas os títulos que me dão o direito de exprimir tais reservas, e que me lembram o dever de as exprimir. Pecador e inútil servidor, pertenço, todavia, àquela raça exigente. Sou homem de Igreja que só quer nela viver e nela morrer.
- Votos trienais do Ir. Isidoro na festa do Imaculado Coração de Maria
Fotos da profissão simples de nosso Irmão Isidoro durante a Missa Pontifical do Imaculado Coração dia Maria, dia 22 de agosto de 2022.
- XVIII – As Más Companhias - Obrigação de fugir às más companhias
1 – A palavra de Deus A obrigação de fugir às más companhias é imposta por Deus expressamente. O Espírito Santo diz: “Evita o homem malicioso, porque ele te forja males: Attende tibi a pestifero; fabricat enim mala” (Ecl 11, 35). “Uma só faísca provoca um incêndio, e um só enganador multiplica as matanças” (ib., 34). Jesus Cristo no Evangelho nos impõe obrigação expressa de evitar os falsos profetas (Mt 7,15). E diz ainda que às vezes ele vem a nós com vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Quem são esses falsos profetas? São as más companhias. São Paulo usa palavras ainda mais fortes: “Nós vos intimamos em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, a vos afastardes de qualquer irmão que leve uma vida desregrada” (2Ts 3, 6). E acrescenta: Não tenhais relação com ele, para que não aja confusão (ib., 14). O Apóstolo São João vai ainda mais longe e diz: “Com essa espécie de gente é preciso não se misturar, nem comer juntos, e nem saudá-los (2Jo 10). Ora, que faz um cristão que se dá com os maus? Despreza os mandamentos de Deus, e excitá-lo-á à indignação. 2 – Por que o Mandamento? Sabeis por que Deus nos faz esses mandamentos? Porque de fato as más companhias são laços insidiosos que buscam a nossa ruína. O Espírito Santo diz: “Quem tocar o pez, ficará por ele manchado; e quem trata com o soberbo, ficará também soberbo” (Ecl 13, 1). E ainda: “Com o santo, serás santo, e com o perverso perverter-te-ás” (Sl 17, 25-26). O vício é como a peste: para transmitir-se basta apenas um pouco de contato. Mesmo no Paraíso somente Lúcifer, soberbo e rebelde para com Deus, bastou para perverter um grande número de Anjos companheiros seus, e transformá-los em demônios! Que será quanto a nós tão fracos e inclinados ao mal? Não é à toa que há um provérbio vulgar que diz: “Quem anda com lobo aprende a uivar”; e outro, assim expresso: “Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”. 3 – A palavra dos santos e dos grandes Ouvi as sentenças e as exortações ditas sobre esse ponto por grandes homens. S. Tomás afirma que: “uma pessoa será tal quais são os companheiros com que anda”. S. Gregório Magno nos faz esta exortação: “Querido jovem, se não te afastas da companhia dos perversos, estás perdido. Suceder-te-á como quem mora em lugares infectos: isto é, ficarás insensivelmente empestado” (Homil. 9, in Ezeq). Esta outra é de São Francisco de Sales: “Eu exclamo a quem caiu nessas redes: cortai-as, rebentai-as, rompei-as. Não se deve desfazer essas amizades estultas, deve-se lacerá-las; não se deve desunir esses liames, deve-se rompê-los, cortá-los” (Filot.). Até Aristóteles, filósofo gentio, deixou escrito: “Da licença do falar desonesto se passa facilmente às coisas torpes” (Arist. 7 Polít.). Por isso, se ouvis algum jovem falar desonestamente, podeis dizer dele: esse tem a alma maculada de imundos pecados; e deveis fugir dele. Se não fugirdes às más companhias, e o mal vos pegar, os danos serão vossos e não mereceis mais compaixão. Escutai o que diz ainda o Espírito Santo: “Quem terá compaixão do charlatão que brinca com a serpente pela qual é ferido, e de todos aqueles que se aproximam dos animais ferozes? Assim será quanto a quem segue um malvado e se acha envolvido nos pecados dele” (Ecl 12,13). 4 – As desculpas Não faltam os que têm prontas as desculpas e os pretextos. Eis como se desculpam: a) Eu ando com esses companheiros..., mas não me deixo prejudicar R. FALSO. Escutai este exemplo narrado por um célebre escritor As peras podres – Havia em Portugal um bom homem que tinha um filho simples e de bons costumes, ao qual fazia amiúde recomendações para não andar com maus companheiros, a fim de conservar-se bom. O filho obedecia, mas um dia falou ao pai: “Acreditais que os maus companheiros pegar-me-ão o mal? Pelo contrário, eu lhes transmitirei o bem”. Para o convencer do contrário, o pai lhe mostrou um cesto de belas peras, entre as quais havia uma podre. Disse ele: “Vês? Dentre em pouco essas peras podres tornar-se-ão sadias”. Retrucou o filho: “Impossível”. “Verás!”. Fez-se a experiência; e poucos dias após todas as peras boas estavam cobertas de mofo. “Oh! As minhas peras!... Eu não o disse?”, exclamou o rapaz. E o pai: “Tens razão; e agora não dirás mais que os bons transmitem a virtude aos viciados. À desgraça das peras, todavia, se pode remediar: toma lá outras peras boas. Mas se ficares estragado pelos maus, como se poderá reparar essa desgraça?”. b) Mas como se faz...? São tantos os que falam mal! R. É VERDADE QUE O FALAR MAL É VÍCIO COMUM, MAS POSSO DIZER-VOS QUE MUITOS JOVENS NÃO DÃO ATENÇÃO A QUEM ASSIM FALA, E LAMENTAM-NO EM SEU CORAÇÃO E há ainda aqueles que, como S. Luís Gonzaga, sabem censurar e fazer calar os descarados que falam mal. Um cínico corruptor de costumes – S. Luís Gonzaga se achava um dia em casa do duque de Savóia com alguns moços nobres, aos quais se juntara também um velho de 70 anos. Durante a palestra, o velho se saiu com palavras muito indecentes. Voltado para ele, disse-lhe asperamente o santo jovem: “Que escuto, ó Senhor?! V. Mercê, um homem velho e de nobre condição, não se envergonha de falar assim no meio dos moços? Isso é dar escândalo e incitar ao pecado. Não se sabe o que diz S. Paulo? As más conversas corrompem os bons costumes” (1Cor 15, 33). Depois se afastou da sala, deixando envergonhado o velho e edificados os jovens. c) Faz-se apenas para rir... R. AOS QUE VÊM COM ESSAS DESCULPAS RETRUCA S. AFONSO: “Pobres de vós! Essas burlas fazem rir o demônio, e far-vos-ão chorar por toda a eternidade” (Serm. 40). Torpezas ditas para rir e S. Inácio – Santo Inácio de Loyola se achava num navio, em que uns viajantes e marujos, justamente por zombaria, falavam indecorosamente. Ele tomou logo a defesa da honra de Deus; e vendo que as maneiras delicadas de nada valiam, todo inflamado de santa indignação gritou àqueles desregrados: “Biltres! Estais distantes quatro dedos do inferno, e ainda ousais provocar a ira de Deus?!”. (Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino, Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)
- Comentários Eleison nº 787
Por Dom Williamson Número DCCLXXXVII (787) – 13 de agosto de 2022 PROBLEMA + SOLUÇÃO Bastaria que multidões de homens rezassem novamente as contas sagradas, E toda a humanidade se salvaria de suas mais terríveis misérias! Aqui está um breve panorama, ligeiramente adaptado, mas não resumido, do nosso problemático mundo atual (pode-se ler o artigo original em francês em jeune-nation.com/lectures/nouveaute-imposture-trahison-de-macron), e também uma breve explicação de como e por que o Santo Rosário de Nossa Senhora é a coisa mais próxima de uma solução. É muito cômodo dizer: “Não sei! Não me interessa! E não quero saber!”, mas ao mesmo tempo o globalismo está continuamente tecendo sua teia para aprisionar-nos, e por meio dela um despercebido véu de normas e restrições, sob o pretexto de facilitar as coisas, está asfixiando silenciosamente as liberdades públicas e pessoais para sufocar a alma que os povos, largamente dominados, ainda possam ter. A tirania digital e a sociedade de consumo, ao transformarem tudo em mercadoria de preço conhecido mas sem valor, estabelecendo assim o estado global, avançam firmemente sob o manto de uma série de crises habilmente arranjadas, exploradas e manipuladas; crises sanitárias passadas e futuras, ou o pânico ante o confronto aberto entre a Rússia soberana e o estado profundo globalista entrincheirado em Washington, Londres, Tóquio, Paris e Berlim. Nossas sociedades estão a ponto de um colapso civilizacional. Neste momento, deve-se escolher entre um retorno a uma ordem natural ou um reset transumanista, como nos promete o Fórum Econômico Mundial de Davos. Este Great Reset começa com a digitalização da humanidade, e pretende terminar com uma fusão do homem com o computador, através da interface do cérebro humano com a máquina. Nossas classes dirigentes são mestras nessa ideologia mortal, um ideal de progresso ilimitado, no qual a consciência não desempenha nenhum papel. O presidente francês Macron e o primeiro-ministro canadense Trudeau são os primeiros nesse projeto superliberal, messiânico e totalitário, a anunciar que estão preparando um governo mundial. São impostores que subiram ao poder por meio de mentiras e manipulação. Governam multidões mantidas em permanente estado de choque pelos meios de comunicação, em pânico por causa das mudanças climáticas, das fraudemias, de uma Rússia expansionista... traindo assim a democracia, as nações e os povos que os elegeram, que, por sua vez, eles estão levando direto para o paredão. Com relação à solução, em primeiro lugar, por que Nossa Senhora? Porque Deus existe e quer que todos os homens se salvem (I Tm. II, 4), enquanto o Diabo também existe e quer todos os homens no inferno. É o Diabo o principal responsável pelos problemas do mundo moderno tal como se esboçou acima. Mas ele é um adversário muito forte para os homens simples (cf. Ef. VI, 12). Por isso, a solução está nas mãos de Deus. Mas como a natureza humana decaída se mete em problemas cada vez piores à medida que o mundo se aproxima de seu fim, então Deus confia a salvação do mundo cada vez mais à Sua terna Mãe, por ser uma advogada da qual é mais difícil os pecadores afastarem-se do que até mesmo de Seu próprio Sagrado Coração. Por isso, especialmente desde 1789, quando a Revolução Francesa lançou, como se pode dizer, o mundo moderno, Ela foi especialmente designada por Deus para intervir junto a Ele em favor da humanidade. E Ele quer que isso seja reconhecido por meio da difusão da devoção ao Imaculado Coração d’Ela. E, em segundo lugar, quando Ela intervém entre os homens, por que quase sempre promove a oração do Santo Rosário? Porque é uma oração simples e humilde, que ocupa nossas bocas com louvores a Jesus e à Sua Mãe, que ocupa nossas mentes com os Mistérios das vidas conjuntas de Jesus e de Sua Mãe, e que ocupa nossos dedos com as contas que continuarão a rezar quando nossas mentes se distraírem, e que chamarão nossas mentes de volta à oração quando cessar a distração. Em suma, o Rosário é muito bem adaptado para ajudar nossa natureza humana decaída a voltar-se para Seu divino Filho e para Deus através d’Ela mesma. E acusá-la de reter para si mesma qualquer atenção ou adoração devida ao seu Filho é o mesmo que acusar – comparação moderna! – um funil de combustível de reter a gasolina de um galão. Kyrie eleison.
- VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS - Nº 72
VOZ DE FÁTIMA VOZ DE DEUS “Vox túrturis audita est in terra nostra” (Cant. II, 12) Nº 72 – 13 de agosto de 2022 No décimo domingo depois de Pentecostes, Nosso Senhor nos propõe a parábola do fariseu e do publicano. O fariseu, orgulhoso. O publicano, humilde. O fariseu veio ao templo para rezar. Foi rezar, mas nada pediu. Não pediu, porque era orgulhoso. Não pediu, mas se comparou a todos os homens, e se pôs acima de todos. Que podia pedir este homem que se crê perfeito? O publicano, porém, não ousava levantar os olhos aos céus, e repetia sem cessar: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador.” Este pedia alguma coisa, e alguma coisa de grande, de excepcionalmente grande: o perdão que Nosso Senhor veio nos trazer pelo sacrifício da cruz; razão de ser de sua encarnação. Nesta crise atual, lembremo-nos sempre de que somos pecadores. A Tradição tem para si a verdadeira doutrina, a fé verdadeira, mas quem somos nós senão pobres pecadores? Tenhamos cuidado para não sermos como o fariseu. Quem e o que pode nos salvar? A Missa de Sempre, que é a renovação da morte de Nosso Senhor na cruz. Amemos a missa que nos ensina a humildade de corpo e de alma. “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva.” Fazendo assim, seremos salvos. + Tomás de Aquino, OSB
- Carta pastoral do Arcebispo de Goiânia
Por Gustavo Corção publicado n’O Globo em 16-08-1973 DOM Fernando Gomes, Arcebispo Metropolitano de Goiânia, dirigiu recentemente (29-6-73) a seus diocesanos uma carta pastoral onde teve várias críticas ao "atual regime" que governa o Brasil, e deixa entrever claramente o regime que gostaria de ter para a pátria de seus diocesanos. Como também é minha a referida pátria, acho-me no direito, e no dever, de comentar o exorbitante documento onde o Exmo. Sr. Arcebispo só não fala de religião, a não ser indiretamente no tópico em que incita seus fiéis à conscientização de "injustiçados" e "oprimidos". A PARTE introdutória da Carta Pastoral é feita de referências aos pronunciamentos da CNBB sobre os Direitos Humanos. Logo depois, abordando o Aspecto Político, entra a criticar o atual Governo, não! Entra a agredi-lo. Começa por dizer que o movimento repressivo que salvou o Brasil do comunismo e da anarquia estabeleceu-se à margem do Direito. Com isto, Sua Excelência nega claramente o direito de defesa das sociedades, e o dever de repressão da anarquia. Reconhece os serviços prestados pelos três Governos desde 64, mas atribui-os à intenção de "impressionar", de causar impactos, e em linha alguma concede que o "saldo positivo" tenha sido alcançado pela inteligência e pelo patriotismo dos governantes. Vencido pela evidência solar dos fatos chega a reconhecer que o Brasil tornou-se um país rico — quando em 64 se precipitava para o abismo de desordens que hoje devora o Chile, esperando amanhã devorar os demais países da América Latina que não se defenderam — sim, reconhece, o fato do reerguimento brasileiro conhecido no mundo inteiro, mas logo escreve a fórmula maldosa: "país rico de povo pobre!" Sua Excelência, que numa linha de sua carta pastoral reconhece sua ignorância em assuntos econômicos, quatro linhas abaixo escreve que "conhecemos estudos dos melhores economistas..." e daí em diante passa a "explicar", com argumentos que julga muito inteligentes, a opção que produziu aquele resultado: país rico de povo pobre. Declara enfaticamente que esse método de "corrupção ultrapassa os limites do suportável". SUA Excelência não vê, ou não quer ver, a mestria com que a anarquia econômica, deixada pelos depredadores do Brasil antes de 64, foi dominada nos Governos seguintes e especialmente no atual; não vê ou não quer ver que esse admirável resultado não seria conseguido sem uma política conjunta de confiança e tranquilidade reconhecida externa e internamente, com exceção dos que desejavam e ainda desejam para o Brasil a "justiça social" que leva o pobre Chile à fome e à desordem geral. Sua Excelência também não compreende ou não quer compreender que cabe agora à sociedade, ao povo, aos governados, aproveitar o enriquecimento do Brasil para transformá-lo em bem-estar mais amplo. Não é possível enriquecer um povo com a "justa" distribuição dos cacos de um país destruído. Sua Excelência parece nunca ter sabido que, na obra conjunta de prosperidade de um povo, não cabe ao Governo a tarefa total, nem se removem em pouco tempo taras culturais e políticas acumuladas. Retifico o que acabo de dizer. Há uma filosofia que transparece na Carta Pastoral de Dom Fernando onde até toma proporções de culpa a parte da Igreja. identificada com o Povo de Deus, no atual regime injusto e opressor. O "povo" é culpado por não se haver revoltado, mas Dom Fernando, como veremos, anuncia na Carta Pastoral seus preparativos para despertar o "povo" para a conscientização de "injustiçado" e "oprimido". DESSE ponto em diante, na página 5 da Carta Pastoral, Dom Fernando queixa-se amargamente dos Bispos que não querem aceitar a unanimidade em torno da bandeira revolucionária. Nós outros, mais de uma vez lamentamos a falsa unidade com que os Srs. Bispos, envolvidos nas engrenagens da CNBB, fizeram infelizes pronunciamentos que muitas vezes não exprimiam as convicções dos signatários e muito menos de todo episcopado. Agora, quando começam a surgir sábios pronunciamentos pessoais, com responsabilidade própria, e quando começávamos nós a nos alegrar, entristece-se Dom Fernando, e lamenta as vozes que ousam discordar da Onda. NA PARTE final de sua Carta, tópico 2, 3, intitulado Ação Pastoral, Dom Fernando delineia todo um programa de "conscientização" e de promoção de estudos e pesquisas, não no plano de sua autoridade religiosa, mas neste outro de despertar nos povos o sentimento de "injustiçados" e "oprimidos". ENTENDEMOS que idealistas políticos, mal ou bem norteados, queiram dedicar-se à tarefa de combater um regime para instaurar outro. Esse tipo de homem deverá estar prevenido e preparado para as reações da sociedade ou do Governo que se defende de uma agressão. DOM Fernando parece não estar preparado para esse tipo de consequência de seus atos, porque de longos anos habituou-se a fazer da Igreja uma espécie de pique. * * * VOLTAREI a comentar a Carta Pastoral de Dom Fernando porque, nestas linhas, por necessidade de recomposição da lógica que falta no documento estudado, saltei por cima de um tópico que merece desdobrado comentário. FAÇA-ME o leitor o obséquio de esperar até sábado, e se não é muito pedir, faça-me o favor de enquadrar nossos comentários de sábado próximo nestes que hoje registramos.
- Comentários Eleison nº 786
Por Dom Williamson Número DCCLXXXVI (786) – 6 de agosto de 2022 A ESTRUTURA DA MÚSICA Dizem que a música é somente uma questão de gosto. Mas isso não passa de uma opinião precipitada e irrefletida. Quando, em meados do século XIX, o Papa Pio IX (1846-1878) se propôs a elaborar uma lista dos erros que afastavam a humanidade de Deus, de Jesus Cristo e de Sua Igreja Católica, ele deu início ao seu “Sílabo dos Erros” em 1864 com o erro mais radical de todos: Não existe nenhum Ser Supremo... Deus é, portanto, a mesma coisa que o mundo, e, consequentemente, o espírito se identifica com a matéria, a verdade com a falsidade, o bem com o mal e a justiça com a injustiça. Em outras palavras, da recusa de Deus segue-se imediatamente o materialismo e a negação do livre-arbítrio, da verdade, da bondade e da justiça. Assim, como Karl Marx sustentava, o homem seria uma criatura puramente material, sem espírito nem nada espiritual nele. Pelo contrário, a Igreja Católica sempre ensinou que Deus existe, o Criador e o único Ser infinito puramente espiritual; que existe uma multidão de anjos, seres criados puramente espirituais, mas finitos; enquanto os homens são uma multidão de seres criados finitos compostos de corpo e alma, materiais por seu corpo físico composto pelos elementos físicos proporcionados pelo pai e pela mãe biológicos, mas também espirituais por sua alma imortal criada individualmente por Deus, e infundida por Ele diretamente naqueles elementos que se encontram no ventre da mãe, para habitar nesse corpo e dar-lhe vida enquanto viver. Em outras palavras, o homem é efetivamente um ser material, mas é muito mais do que somente material. Na verdade, é a alma que determinará, pelo uso que fizer de seu livre-arbítrio espiritual enquanto estiver unida ao corpo, qual será o destino eterno desse corpo, seja a bem-aventurança no Céu ou o tormento no Inferno, ambos humanamente inimagináveis. Portanto, o homem é a mais elevada das criaturas materiais de Deus, porque é o único que também é espiritual, e essa espiritualidade de sua alma implica uma capacidade de conhecer e amar a Deus, que é a coisa mais importante nele. Pretender que seja meramente material é um gigantesco equívoco, ou uma gigantesca mentira, conforme o caso. De fato, todos os homens têm algum conhecimento de sua própria espiritualidade e do destino eterno, porque “veio ao mundo a luz verdadeira que ilumina todo homem”, Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo. I, 9). No entanto, tantas almas ao nosso redor, especialmente, mas não somente dos jovens, foram levadas a acreditar que seu espírito é apenas matéria! Ora, a música é uma linguagem especial da alma humana, apreciada também pelos animais e até pelas plantas, porque expressa para o homem coisas em sua alma que nenhuma outra coisa pode expressar da mesma maneira. Portanto, sendo a alma do homem tanto espiritual, por sua abertura a Deus, como material, por sua função de animar o corpo, a música do homem será tanto espiritual como material, com todos os tipos de misturas dos dois. O canto gregoriano é altamente espiritual, o rock e o rap são altamente materiais, e a música clássica se encontra em algum ponto intermediário entre ambos. O que é de especial interesse – embora seja basicamente senso comum –, é como a música tem uma geografia objetiva, por assim dizer, que corresponde à geografia objetiva da alma humana. Assim, se dividirmos a música em seus três elementos principais, a saber, a melodia (sequência de notas), a harmonia (seu acompanhamento) e o ritmo (seu compasso), podemos dizer que a melodia fala à alma espiritual, a harmonia às paixões superiores da alma material, e o ritmo às paixões inferiores dessa alma inferior. Ora, na música, como no homem, há uma variedade infinita, de modo que sempre pode haver exceções, mas, em linhas gerais, a correspondência objetiva entre a natureza da alma do homem e a natureza da música é senso comum, não compartilhado apenas pelos subjetivistas empedernidos com o cérebro lavado por seu liberalismo. De qualquer forma, na noite de sexta-feira, 26 de agosto, está prevista uma conferência preliminar sobre a geografia da alma aqui em Broadstairs; no sábado, 27 de agosto, estão previstas várias conferências sobre a geografia da música, e no domingo está prevista uma conferência final para tirar algumas das inúmeras conclusões disponíveis. John Sullivan voltará a tocar piano, tanto para ilustrar como para interpretar especialmente Beethoven, que é fundamental entre a música superior e a inferior. Os participantes deverão buscar seu próprio alojamento para as duas noites. Após o evento, haverá gravações para qualquer um que tenha interesse e não tenha podido comparecer. Kyrie eleison.
- VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS - Nº 71
VOZ DE FÁTIMA VOZ DE DEUS “Vox túrturis audita est in terra nostra” (Cant. II, 12) Nº 71 – 6 de agosto de 2022 Cada primeira sexta-feira do mês os monges têm um retiro mensal com adoração do Santíssimo Sacramento. É nas bodas de Caná que encontramos os dois aspectos do mistério da Eucaristia. Nosso Senhor aí revela que a Sua hora não havia chegado. A hora de Nosso Senhor é a Sua Paixão, primeiro aspecto da Eucaristia. O segundo está nas próprias bodas, ou seja, a refeição nupcial, que representa a santa comunhão. Come este pão da vida, escreve São Dionísio Cartuxo, e do intelecto, prova e vê quão suave Eu sou. Sacrifício e sacramento, eis o centro da vida da Igreja, o centro de tudo, pois é ele a renovação do sacrifício da cruz, verdadeiro centro da história. Se o mundo moderno se afasta deste sacrifício e deste pão da vida, esse mundo irá à perdição. Amemos, pois, a Santa Missa, a adoração do Santíssimo Sacramento e a santa comunhão, na qual recebemos Jesus imolado por nós e encontramos força e caridade para pagar amor com amor, sacrifício com sacrifício, pela intercessão do Imaculado Coração de Maria. + Tomás de Aquino, O.S.B.
- Comentários Eleison nº 785
Por Dom Williamson Número DCCLXXXV (785) – 30 de julho de 2022 SOCIODINÂMICA QUESTIONADA O governo de cardeais, reis pode falhar, é claro, Mas a autoridade humana deve ter em Deus a sua fonte. Se “sociodinâmica” ainda não é uma palavra que se encontre em algum dicionário inglês ou americano respeitável, é, no entanto, uma realidade comparável à da aerodinâmica. Pois assim como existem leis objetivas na aerodinâmica que devem ser cuidadosamente observadas para que nenhum modelo novo de avião caia imediatamente após a decolagem, também existem leis objetivas para a fundação e a sobrevivência de qualquer sociedade de seres humanos se se pretende que essa sociedade sobreviva e não caia. Pois bem, Thomas Jefferson (1743-1826) foi um brilhante advogado americano que desempenhou um papel de destaque na fundação da nova nação dos EUA em 1776, e, a menos que se trate de uma citação espúria, ele disse quão nova aquela nação seria: “Vamos mostrar ao mundo que ele não precisa de cardeais nem de reis”. Em outras palavras, os homens podem governar-se a si mesmos sem autoridade divina, religiosa ou civil que os sustente. Resumindo, o governo humano não precisa de Deus. Assim, no cerne da Constituição da nova nação estava o princípio de dividir seu governo em seus três poderes: o legislativo (elaboração de leis), o judiciário (julgamento pelos tribunais) e o executivo (aplicação das leis), de modo que, na ausência de um Ser Superior para controlar a atividade do governo, cada um dos três poderes humanos do governo poderia atuar como um controle sobre os outros dois. Ora, a partir de 1776, não se pode negar que a nova nação foi tão florescente e próspera que o século XX passou a ser chamado por muitos “o século americano”, o que significa dizer que os EUA emergiram como a nação líder do mundo, por seu poder econômico e político, admirado e imitado em todo o mundo. No entanto, no século XXI, poucos observadores sérios podem negar que em 2022 o presidente dela está totalmente inapto para o seu elevado cargo, e foi eleito em uma eleição roubada ou falsa. E essa nação está à beira de uma guerra civil. O que deu errado? Vários amigos dos EUA estão se fazendo esta pergunta. Por exemplo, em um artigo interessante de Jeffrey Tucker (https://www.theepochtimes.com/supreme-court-targets-the-real-enemy_4571651.html?utm_source=ai&utm_medium=search), este autor argumenta que desde o final do século XIX tem surgido dentro dos EUA um quarto poder de governo, que cresce em tamanho, alcance e força, adquirindo um poder próprio. É agora, diz ele, uma burocracia não eleita com cerca de 432 agências, que emprega quase 3 milhões de pessoas que não podem ser despedidas ou controladas. Para Tucker, a existência e a nocividade dessa burocracia foram evidenciadas por uma recente decisão do Supremo Tribunal Federal contra uma das entidades da burocracia, a Agência de Proteção Ambiental, segundo a qual esta entidade estava extrapolando seus poderes. Para Tucker, este foi um caso admirável de o poder judiciário da nação mantendo sob controle o poder executivo, em plena consonância com a Constituição da nação. No entanto, como outro exemplo de agência do mesmo tipo, que escapa indevidamente do controle constitucional, ele cita nada menos que o Federal Reserve, cuja existência foi legislada em 1913 pelo Congresso, mas que desde então passou a governar toda a economia e a política dos EUA (vejam estes “Comentários” de 7 de março e de 23 de maio de 2022). Será que Tucker se dá conta do que está dizendo? Se ele estiver certo sobre essas agências anticonstitucionais, então por mais de um século a base da vida dos EUA tem se desviado da Constituição de 1776, para escapar de seus famosos “pesos e contrapesos [checks and balances]”. Mas será que isso é totalmente surpreendente? A Escritura diz: “Mais vale um cão vivo do que um leão morto” – Eclesiastes IX, 4. Mais ainda: melhor uma matilha de cães vivos do que um pedaço de papel. Foram juízes vivos da Suprema Corte que em 1973 descobriram na Constituição dos EUA o “direito” ao aborto, e juízes vivos que em 2022 descobriram que, no final das contas, ele não está ali. Tudo volta para os seres humanos vivos. Quem tem o poder de mantê-los em qualquer tipo de controle ou equilíbrio real? A frase “One Nation under God [Uma Nação sob Deus]” costumava aparecer nas moedas americanas. É de Deus que veio tudo o que uma vez fez grande os EUA, em qualquer sentido real em que tenha sido realmente grande. E se os EUA, ou qualquer outro país, não se voltar para Deus, seus seres humanos mesmo o destruirão. Kyrie eleison.
- Boletim do Seminário São Luís Maria Grignion de Montfort
Leia abaixo a edição de Agosto do Boletim do Seminário São Luís Maria Grignion de Montfort, de Dom Faure.
- Conheça a obra Luz e Calor, do Rev. Pe. Manuel Bernardes
Está em pré-venda uma obra de fôlego do famosíssimo Pe. Manuel Bernardes, chamado "Luz e Calor". Reverenciado pelo seu livro Nova Floresta, o sacerdote foi um dos grandes oradores sacros e narradores da vida dos santos que o Brasil conheceu em sua fase catequética. A obra, publicada pela Livraria São João Bosco, poderá ser adquirida através do seguinte link: http://www.livrariasaojoaobosco.com.br/pd-918bad-luz-e-calor-pe-manuel-bernardes-pre-venda.html?ct=2045cb&p=1&s=1








