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Nossa força é ter razão

  • 23 de jul.
  • 2 min de leitura

Esta expressão não é nossa e nem mesmo nos convém; mas convém perfeitamente àquele graças a quem as portas do Inferno não prevaleceram. Com efeito, Dom Lefebvre teve razão em todos os pontos nesta crise que se prolonga e cujo fim só Deus conhece.

 

Ele teve razão de combater os liberais antes, durante e depois do Concílio. Desde sua permanência no Seminário Francês de Roma, já havia identificado a ação deles na Igreja. Foram os liberais que conseguiram expulsar o Padre Le Floch do Seminário Francês. Isso serviu de lição a Dom Lefebvre.

 

Ele os identificou ao longo de toda a sua vida e procurou resistir-lhes. Mas, antes de tudo, procurou opor doutrina a doutrina. Fez tudo o que podia para esclarecer as almas sobre o liberalismo e sobre a liberdade religiosa, que nada mais é do que uma liberdade de perdição.

 

Ele teve razão de proceder às ordenações de 1976. A tensão em torno dessa cerimônia era enorme, pois Paulo VI queria impedi-la a qualquer custo. A suspensão a divinis foi a resposta de Roma. Dom Lefebvre teve razão de não a levar em conta. Por quê? Porque não queria receber de Nosso Senhor a repreensão de ter contribuído para a destruição da Igreja. Isso podia parecer uma desobediência. Uma aparência, somente. Quando se deixa de obedecer a uma ordem porque essa ordem é contrária aos mandamentos de Deus, não se comete um ato de desobediência. Mais do que isso: quem obedece em tais casos comete um ato de rebelião, diz São Bernardo.

 

Dom Lefebvre não era um rebelde. Obedecia a Deus antes que aos homens, como fizeram e declararam São Pedro e São João diante dos fariseus que procuravam proibir-lhes a pregação do Nome de Nosso Senhor.

 

Em 1988, produziu-se uma situação análoga à de 1976, e Dom Lefebvre baseou-se nas mesmas razões de 1976. Era preciso defender a Igreja. Era preciso defender a fé, a legislação da Igreja e os sacramentos. Era preciso defender a honra de Deus e trabalhar pela salvação das almas. Foi isso que ele fez. Ele teve razão. Sua força era ter razão.

 

A Fraternidade acaba de sagrar novos bispos. Que eles se impregnem, até a medula, das razões de Dom Lefebvre, seu fundador. É aí que se encontra a verdadeira força na crise atual. Se a Resistência nasceu em 2012, foi para conservar não apenas os princípios doutrinais, mas também o exemplo de Dom Lefebvre na aplicação desses princípios. Gostaríamos de poder dizer: nossa força é compreender as razões de Dom Lefebvre e colocá-las integralmente em prática, como ele o fez. Infelizmente, estamos muito aquém dele, mas procuramos segui-lo. Nossa força é procurar segui-lo. Que ela seja também a da Fraternidade.

 

+ Tomás de Aquino O.S.B.

 

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