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Comentários Eleison nº 884


Por Dom Williamson

Número DCCCLXXXIV (884) – 22 de junho de 2024


ROMANOS IX


Recordemo-nos de como no início os judeus serviram a Deus.

Mas o melhor, quando cai, pode tornar-se o pior.


Nesse momento em que os palestinos em seu meio continuam sendo vítimas da selvageria implacável dos israelenses de hoje, no “cortar a grama” (a expressão que os próprios israelenses usam) mais brutal até agora desde a fundação de Israel em 1948, é oportuno examinarmos a natureza dos judeus e sua origem, tal como vistas pelo próprio Criador, no texto mesmo de Sua própria Palavra. De fato, em não menos do que três capítulos completos da maior Epístola de São Paulo, Romanos IX a XI, o Apóstolo dos Gentios se esforça para explicar como uma multidão de judeus, que representavam verdadeiramente a raça eleita durante 2.000 anos desde Abraão até Cristo, pôde, quando seu próprio Messias finalmente apareceu, não converter-se à Sua Igreja, e, pior ainda, crucificá-Lo e tornar-se o seu pior perseguidor.


São Paulo devia saber como os judeus do seu tempo o rejeitariam totalmente, assim como os da nossa época o rejeitariam como um “judeufóbico” ou “antissemita”, porque ele começa os três capítulos mencionando a sua “tristeza e angústia” por não ser capaz de levar a Cristo seus compatriotas judeus (v.2), já que, como israelitas, eles desfrutavam de uma pequena lista de privilégios divinos incomparáveis. Até hoje, se os judeus dominam em tantas áreas diferentes, é tão somente porque Deus não tirou deles os dons naturais de inteligência e entendimento de que necessitariam naquela época para fornecer ao Messias o Seu berço humano para o benefício de toda a humanidade.


Ademais, o fracasso dos judeus, que mantém esses dons, em passar do Antigo para o Novo Testamento não significa qualquer fracasso por parte do Deus Todo-Poderoso (v.6), porque foi Sua própria escolha, precedendo qualquer escolha humana, permitir que os judeus se afastassem d’Ele, enquanto Ele teria misericórdia dos gentios. Assim, todos os judeus por raça são a Israel da carne, representada por Agar e Ismael, e Esaú, enquanto todos os católicos pela fé em Jesus Cristo, judeus ou gentios, são a Israel espiritual, representada por Sara e Isaque, e Jacó, simplesmente pré-figurada pela Israel da carne. Todo o Antigo Testamento só existiu para o Novo Testamento.


Objeção: mas se a escolha de Deus precede todas as escolhas dos homens, então é culpa de Deus se os judeus rejeitam a Cristo.


Resposta: Não, Deus é soberanamente livre para escolher de quem Ele terá misericórdia e a quem Ele permitirá que endureça o coração pela livre escolha pelo mal, a fim de manifestar Seu próprio Poder e Sua própria Justiça (v.14-16). Assim, durante quase 2.000 anos, desde a crucificação, a perseguição especial da Igreja por parte dos judeus serviu para realçar a misericórdia de Deus para com todos os católicos pela fé em Cristo, judeus ou gentios por raça. Que Deus abriria de fato o Seu Novo Testamento tanto aos gentios como aos judeus, foi profetizado em muitos lugares do Antigo Testamento (v.24-29) – São Paulo lista quatro dessas citações em Romanos XV, 9-12.


Concluindo, embora os gentios sejam justificados pela sua fé em Jesus Cristo (v.30), os judeus que fazem do mesmo Cristo sua ocasião de queda, ao colocarem a sua confiança nas suas próprias boas obras, não são então justificados, mas condenados (v.31–33). Eles ainda podem pertencer à Israel da carne, aquela Israel do Antigo Testamento e da Lei, mas desde que Jesus Cristo morreu na Cruz, eles não podem pertencer à verdadeira Israel do espírito, a menos que tenham fé em Jesus Cristo como seu Senhor, Redentor e Messias.


De fato, os últimos dois milênios desde a crucificação mostraram quão longe os judeus também se distanciaram do verdadeiro Antigo Testamento, já que preservam nas suas sinagogas pós-cristãs o texto original, sem dúvida, como prova das suas prestigiosas origens e da sua gloriosa vocação; mas eles recusam o significado essencial e o conteúdo desse texto, porque cada página do Antigo Testamento, para qualquer um que o souber ler, claramente aponta para Jesus Cristo. Assim, passados alguns séculos, os judeus inventaram o seu próprio substituto para o Antigo Testamento, a saber, o Talmude, que menciona Nosso Senhor apenas para blasfemar contra Ele. Portanto, o Talmude, e não o Antigo Testamento, é o texto sagrado dos judeus nas sinagogas de hoje. A distinção é crucial. Os judeus talmúdicos continuam sendo a falsa Israel. Os judeus católicos pela fé pertencem à Israel espiritual, que é a Igreja Católica.


Kyrie eleison.

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