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Comentários Eleison nº 881


Por Dom Williamson

Número DCCCLXXXI (881) – 01 de junho de 2024


FIM dos TEMPOS, FIM do MUNDO


Para a visão de Deus desses dois Testamentos,

Em Romanos lê-se como Paulo viu os acontecimentos.


Pertence à Sabedoria de Deus manter-nos – nós, seres humanos – ignorantes em relação ao Seu calendário ou programa exato referente aos acontecimentos que levam ao fim do mundo; mas no que há de mais imediato desses acontecimentos todos nós estamos envolvidos, e não é proibido especular sobre isso. Pelo contrário, para salvar minha alma, pode ser prudente pensar no que Deus Todo-Poderoso tem em mente, a fim de que eu evite certos erros graves.


Por exemplo, Deus pode guiar-nos, seres humanos, para fazermos o que Ele quer, mas Ele nunca nos tirará o nosso livre-arbítrio para o fazermos, e é por isso que uma Idade de Ouro de mil anos que tenha início agora e se prolongue até o fim do mundo é impossível. Para isso Ele teria de estar anulando constantemente as escolhas dos homens. Lutero (1483–1546) sabia que estava destruindo a cristandade. Passaram-se 450 anos até o Vaticano II, por assim dizer (1517-1965), mas no final desse período os homens tinham-se corrompido cada vez mais. Pode haver agora uma curta Idade de Ouro, como o Triunfo do Imaculado Coração de Nossa Senhora, mas não há como durar muito. Em La Salette, em 1846, Nossa Senhora disse que apenas 25 anos de boas colheitas veriam o pecado voltar, ou seja, o fim da Idade de Ouro e o início do descenço ao Anticristo. O milenarismo, ou seja, uma suposta Idade de Ouro de mil anos antes do fim do mundo, é um erro condenado pela Igreja.


Outro grande erro que se deve evitar é que a Igreja chegará ao seu fim na terra em um resplendor de glória humana. Uma única citação de Nosso Senhor mesmo põe fim a essa ilusão (Lc. XVIII, 8): “Quando vier o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?”. Em outras palavras, no fim do mundo a Igreja quase terá desaparecido de vista, presumivelmente como resultado da sua perseguição pelo Anticristo, a perseguição mais feroz de toda a sua história. Aquele mundo que tem o diabo como governante (Jo. XIV, 29) verá nessa perseguição uma tremenda derrota para a Igreja, mas Deus verá sair dela, como de um pano espremido, as últimas gotas de santidade na forma de alguns dos maiores mártires e santos de toda a sua história, ou seja, será uma das suas maiores vitórias. Não deveria ser surpresa se o fim da Igreja se assemelha ao máximo à Cruz de Nosso Senhor, pois a vitória universal da Igreja segue-se imediatamente na forma de Juízo geral, ou universal.


Outro erro que seguramente deve ser evitado é confundir o fim dos “tempos” (cf. Lc. XXI, 24) com o fim do mundo. Segundo o comentário do Venerável Holzhauser sobre os capítulos 2 e 3 do Livro do Apocalipse, onde ele divide a história da Igreja em Sete Idades, o “fim dos tempos”, ou fim dos tempos para os gentios entrarem na Igreja de Deus a fim de substituir toda a antiga raça eleita que decidiu não ser mais povo de Deus (Mt. XXVII, 25), chega no final da Quinta Idade. O fim do mundo, por sua vez, chega no final da Sétima Idade. Pois, de fato, a antiga raça eleita converter-se-á novamente a Nosso Senhor, o seu próprio Messias, no fim do mundo (Rom. XI, 26), mas até lá os judeus convertidos continuarão a ser a exceção e não a regra; em outras palavras, serão demasiado poucos para o propósito de Deus de povoar Seu Céu. Daí todo o plano de Deus para a salvação por meio dos dois Testamentos (ver Romanos, Capítulos IX, X, XI).


Eis por que o Novo Testamento teve de substituir o Antigo: porque a raça eleita com base na raça, graças à riqueza de sua natureza, teve de dar lugar à raça eleita com base na , com dons sobrenaturais. É por isso que os judeus tiveram de dar lugar aos gentios durante tanto tempo; e é esse o motivo pelo qual aqueles têm feito guerra contra esses desde então (1 Tessalonicenses II, 14-16), especialmente contra os palestinos. Mas os católicos nunca podemos esquecer o quanto devemos aos heróis de Deus do passado, do Antigo Testamento. Sem eles não teríamos tido a Encarnação de Jesus.


Kyrie eleison.

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