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Comentários Eleison nº 843



Por Dom Williamson

Número DCCCXLIII (843) – 9 de setembro de 2023


RESISTENTE LÚCIDO


As crianças são inocentes, seus jogos são meigos,

Mas os adultos precisam derrotar o Diabo!


O chamado movimento de “Resistência” dentro da Igreja Católica atual é um assunto de pouca importância, humanamente falando, mas pode ser que essa seja a vontade de Deus, dado o estado de caos sem precedentes em que a Igreja e o mundo se encontram atualmente. Se dissermos que esta “Resistência” consiste numa união dispersa e sem estrutura de sacerdotes – cuja maioria veio da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, depois de a terem deixado por vontade própria ou por terem sido expulsos por seus Superiores pelo fato de não estarem de acordo com a reorientação da Fraternidade em seu Capítulo Geral de 2012 –, então podemos perguntar: o que esses sacerdotes “Resistentes” conseguiram desde 2012?


Humanamente falando, a resposta deve ser: não muito. As características normais de qualquer organização católica são: a estrutura, os Superiores e os súditos, a obediência interna a esses Superiores e a obediência externa às autoridades católicas locais e a Roma. E até agora os sacerdotes da “Resistência” parecem não ter conseguido nada disto, como os seus inimigos não deixam de salientar. A “Resistência” também não pode orgulhar-se de estar convencendo muitas almas de que tem a verdadeira solução para os problemas aos quais nem a Neoigreja nem a Neofraternidade dão solução. Muitas almas podem ser atraídas durante algum tempo para a “Resistência” pelos argumentos da Verdade que ela apresenta, mas um número menor ficará permanentemente, muitas vezes devido à aparente falta de Autoridade por trás desses argumentos. Os católicos precisam do seu Papa católico, e muitos, desestabilizados sem ele, seguem a sua sombra.


Então, se à “Resistência” em princípio não se dá ouvidos, e mal se a segue na prática, de que ela serve? Aqui estão duas citações da Paixão de Nosso Senhor. A primeira, aos fariseus que o repreendiam pelo barulho que faziam seus discípulos: “Digo-vos que, se estes se calassem, até as próprias pedras clamariam” (Lc XIX,40). Ora, a “Resistência” é pisoteada, como as pedras na rua, mas clama, para que as pedras não precisem fazê-lo! E a segunda, a Pôncio Pilatos, quando Lhe pergunta se Ele é rei: “Para isso nasci e para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo XVIII, 37). A “Resistência” diz verdades vitais que a FSSPX já não diz, como, por exemplo, a de que os atuais oficiais romanos perderam a Fé.


Segue abaixo o que um membro da “Resistência” escreve a respeito disso. Seria desejável que houvesse muitos outros membros que vissem a realidade com tanta clareza. Caso contrário, arriscam-se a brincar com jogos infantis, algo como os capitulares da FSSPX em 2012... e 2006... e 1994...


Com efeito, não se pode ser “otimista” quanto ao que se passa aqui, nem em relação a algum determinado sacerdote em particular, nem em relação à “Resistência” em geral. O Diabo está trabalhando em dobro para derrubar os últimos bastiões da Tradição. Precisamos pedir a Deus para mantermos a cabeça fria. Nicolas Gomez Davila (1913–1994) dizia: “Já que tudo o que está sendo construído hoje passa automaticamente para o inimigo, esperemos, antes de construir qualquer coisa, que o tempo nos traga materiais que não traiam”. Que Deus nos conceda paciência, bom senso e bom humor.


Em outras palavras, assim como a Igreja Católica oficial passou para o inimigo no Vaticano II, e assim como a Fraternidade Sacerdotal São Pio X passou para o inimigo no seu Capítulo Geral de 2012, é bem possível, e até provável, que a “Resistência”, por sua vez, também passe para o inimigo, mesmo que isso dificilmente possa acontecer oficialmente, já que a “Resistência” tem muito pouco de oficial. Pode-se pensar se não é exatamente por isso que o Senhor Deus permitiu que a “Resistência” exista com tão pouca estrutura e organização.


Em todo caso, parabéns ao filósofo colombiano, que nunca frequentou nenhuma “universidade”. E parabéns ao membro da “Resistência” que o cita. Nenhum deles está brincando de jogos infantis.


Como diz São Paulo: “Quando me tornei homem, abandonei os costumes infantis” (1 Cor. XIII, 11). Alguém poderia perguntar: restou algum homem?


Kyrie eleison.

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